segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Não é todos os dias e todos os homens que celebram cem anos com vida:

Aconteceu no dia vinte e três de Agosto, de dois mil e quinze, ontem, que Alfredo Matos (Cherina) os celebrou. Os seus filhos, noras, netos e bisnetos fizeram-lhe uma festa de arromba. Pelo menos foi o que me disse o seu filho José Maria Matos (Paralelo). Só que também me disse com mágoa e sentimento que não gostou da atitude da Banda Musical de Freamunde. E se fosse eu ainda era capaz de acrescentar mais alguma coisa.
É que o dia vinte e três de Agosto coincidiu com um domingo. Dia próprio para qualquer associação ou colectividade prestar homenagem a uma pessoa que passa a centenária. Mais a mais se essa pessoa foi durante seis dezenas de anos elemento dessa associação ou colectividade. Alfredo Matos foi músico da Banda Musical de Freamunde.
A Banda Musical de Freamunde não tinha agendada desde o início da temporada qualquer festa para este dia. O que levou a família Matos a pensar que a Banda neste dia ia fazer uma surpresa a Alfredo Matos. Só que à última hora apareceu uma festa. E qual foi a resolução da direcção da Banda. Aceitou a festa em detrimento do aniversário e sabiam que era este ano e nesse dia que completava um século de existência. Qual a agremiação que tem esta oportunidade e a desperdiça! Ganhou o dinheiro à consideração. Mas o dinheiro não é tudo.
 Sessenta e dois anos de contribuição para com a Banda são muitos anos. Sim meus senhores! Foram esses anos os anos em que Alfredo Matos tocou na Banda Musical de Freamunde. Passou por tudo. Até numa altura em que tinha uma operação marcada pela altura das festas o Mestre da Banda lhe solicitou para adiar a dita operação. Assim fez.
Sabe-se que os músicos pelos seus serviços são pagos. Mas também se sabe que muitas das vezes o dinheiro que auferem não dá para suportar as despesas desse dia. O que os movia e move é a paixão e o amor à Banda. Pelo menos era assim que acontecia com Alfredo Matos.
Por isso eu achar que a atitude da direcção da Banda foi de lastimar. Volto a repetir: o dinheiro não é tudo. E como sócio da Banda aqui venho criticar a atitude para com Alfredo Matos. Não se faz.
Ainda hoje me vem à memória conversas tidas com Alfredo Matos onde me dizia e gabava a Banda de Freamunde. E… fazia-o com sentimento e algumas vezes com uma lágrima no canto do olho. É que quem deu sessenta e dois anos a uma instituição sabe o valor disso.
Não fui convidado para a festa. Mas vejo o senhor Alfredo Matos no centro da mesa contente com a festa que os seus familiares lhe estão a fazer e também vejo no seu íntimo o sentir do desprezo a que foi votado por parte da Banda ou da sua Direcção.
Mas o senhor Alfredo Matos não é pessoa para guardar rancor ou ódio. Não! Ele é pessoa de fino trato. E sabe que as pessoas de Freamunde lhe têm carinho e estima. E também sabe que essas pessoas estão perplexas com tal procedimento. Pelo menos eu estou. Por isso este meu desabafo.
E termino com o que dei título a este texto: não é todos os dias e todos os homens que celebram cem anos com vida. 

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