Rádio Freamunde

https://radiofreamunde.pt/

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Quem foi o bruto que mandou carregar no Porto?

Em 2020 o chef Ljubomir Stanisic e outros empresários da restauração acamparam durante dias junto à Assembleia da República, numa greve de fome contra as restrições da pandemia. Em 2023 professores e funcionários escolares passaram várias noites em tendas diante do Parlamento. Nesse mesmo ano a Fenprof manteve um acampamento de três noites junto ao Ministério da Educação. Em Braga ativistas pelo direito à habitação também montaram, por duas vezes, algumas tendas diante do Banco de Portugal. Em Coimbra, em 2024, estudantes solidários com a Palestina estiveram acampados durante cerca de um mês junto à Faculdade de Letras.

Não se conhecem cargas policiais para acabar com nenhum desses protestos. A conclusão é simples: em Portugal, montar tendas para reclamar direitos não tem sido tratado como uma emergência de segurança pública, como um ato de agressão ou como um atentado. Tem sido entendido como um ato de protesto legítimo. Para o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, não: montar tendas é coisa que obriga a polícia a correr as pessoas à pancada.

Os vídeos gravados por telemóveis na Praça D. João I não mostram a centena de manifestantes que ali estava, às 3h00 da manhã, a provocar ou a agredir a PSP. De repente, vê-se a polícia avançar, decidida, de bastões em riste, sobre o grupo à sua frente. Segundo os organizadores, a carga deixou 37 feridos, dois deles graves.

Que ilegalidade estaria aquela gente a cometer que pudesse justificar semelhante resposta? Montar tendas sem licença constitui uma contraordenação punível com coima de 150 a 200 euros. Não é terrorismo, nem violência, nem sequer um crime. Permanecer numa manifestação depois das 00h30 pode ter consequências criminais, mas não transforma automaticamente todos os presentes em criminosos. E desobedecer a uma ordem legítima de dispersão (teria sido legítima?) também pode ser crime, mas não é, por si só, um ato violento. E tudo isto tem penas relativamente leves, por se tratar de infrações de reduzida gravidade.

Importa distinguir duas questões que parecem ter sido confundidas: a eventual ilegalidade do protesto e a legalidade dos meios utilizados para o terminar. Mesmo quando existe infração, a força policial está sujeita aos princípios da necessidade e da proporcionalidade. O bastão não é uma sanção prevista para quem monta uma tenda ilegal.

Se a polícia já não conseguia convencer os manifestantes a sair e se não havia risco concreto para pessoas ou bens (como não havia), podia identificá-los, documentar as infrações, remeter o caso às autoridades judiciais e garantir a passagem dos transeuntes. Mas não, partiu para a pancada, talvez para imitar a polícia francesa... Não se admirem se, na próxima manifestação em Portugal, houver quem vá preparado para responder violentamente às autoridades – a previsível escalada será culpa delas.

Não se pede à PSP que ignore a lei. Exige-se que a cumpra também. E que explique por que razão manifestações com tendas puderam decorrer durante dias ou semanas diante do Parlamento, de um ministério, de uma universidade e do Banco de Portugal sem recurso à violência policial, mas no Porto não.

Afinal, na suposta “cidade da liberdade”, como Pedro Duarte se farta de proclamar, o que se dá é liberdade à polícia para dispersar pessoas à bastonada.

Os polícias que ali estavam, porém, cumpriram uma ordem que tinham de executar. É um facto. A questão central, portanto, é esta: quem deu esta ordem brutal?

Jornalista

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Hoje o grande vencedor do processo de privatização da TAP tem um nome, Pedro Nuno Santos:

Lamentável a intervenção "festiva" do Luiso Montetrengo; se tivesse vergonha não teria dito o que disse e mais, para não mentir teria ido rever as suas declarações quando o governo decidiu injectar 3,2 mil milhões na empresa.

Faça-se justiça a quem tem levando tanta pancada!
Para memória futura cito umas declarações de Montetrengo em 2023;
"O líder social-democrata referiu que, na sua opinião, “o futuro da TAP é ser privada. O futuro da companhia Aérea Portuguesa é poder estar no mercado, com certeza cumprir o interesse estratégico do país, mas atuar como uma empresa privada”
O presidente do PSD, Luís Montenegro, considerou esta segunda-feira que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças devem pedir “desculpa aos portugueses" por “terem injetado mais de três mil milhões de euros” na TAP.
“Sinceramente, é preciso que o doutor Fernando Medina e o doutor António Costa peçam desculpa aos portugueses e possam assumir a responsabilidade de terem injetado mais de três mil milhões de euros do nosso dinheiro, que deixou de ser aproveitado para outras infraestruturas, para outros investimentos, para salvar a companhia que eles próprios quiseram nacionalizar.

O triângulo do diesel: A ilusão de Washington, o pânico de Trump e o teatro da hipocrisia europeia:

(Vasco Lemos Barreto, in Facebook, 13/10/2026, Revisão da Estátua)


Post matinal para se rirem ou chorarem… Depende de quem lê!

O Trump apresentou recentemente um acordo com pompa e circunstância com o Putin. O Putin ainda se deve estar a rir!  Explico o porquê!

O recente anúncio de fornecimento de petróleo russo foi detalhado em fases e apresentado originalmente em toneladas métricas.

A fase inicial prevê um fornecimento imediato de 300.000 toneladas, seguida por uma entrega de 500.000 toneladas em novembro. As etapas seguintes estimam o envio de mais 1.000.000 de toneladas, com o potencial de atingir uma meta de curto prazo de até 3.000.000 de toneladas.

Continuar a ler 

Do blogue Estátua de Sal 

Foram-se as asas:

A Alemanha fica para já com a TAP, há 15 anos Berlim quis a EDP, mas a eléctrica foi para a China, que ficou também a controlar a Fidelidade e o BCP (BCP esse que tinha ficado com o BPA), os outros bancos passaram para mãos espanholas, enquanto o Novo Banco foi para os EUA para acabar em França, tal como a velha Portugal Telecom (agora nas mãos dum empresário franco-israelo-marroquino).

É olhar para Portugal e ver como esta estratégia foi avançando com uma liga de políticos privatizadores desde Cavaco Silva, passando por Durão Barroso (passou pela Comissão Europeia e acabou num banco dos EUA) até Maria L. Albuquerque (passou por um fundo de investimento dos EUA e acabou na Comissão Europeia), incluindo dezenas de outros ministros, de todos as partidos do arco da governação, que, em recompensa pelos serviços prestados, foram para cargos de topo das empresas anteriormente públicas, vendidas, ao desbarato, pelo mundo fora, de Angola à Alemanha.
O soberania financeira foi para Frankfurt, a estratégia política/militar é decidida a partir de Bruxelas na Comissão Europeia/NATO, as casas e palacetes, o centro de Lisboa, paras os ‘vistos gold’ e fundos imobiliários.
A seguir vão atrás das terras e minérios que ainda sobram. Finalmente, tentarão privatizar as praias e a água.
Isto não é ser de esquerda, de direita ou do centro. É ser contra um país em saldos que há um quarto século teve de sacrificar a sua indústria têxtil para a Alemanha poder vender mais carros na China. Não têm sido bem ‘vendas’ ou ‘privatizações’. Tem sido um misto de burla, assalto e mutilação. Levaram-nos a camisa, venderam-nos os anéis, paralisaram-nos as mãos e as pernas. Agora levam-nos as asas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Obrigado por ter salvado a TAP, por ter preservado os postos de trabalho e defendido os interesses de Portugal:

O País é ingrato e vai ser esquecida a audácia e coragem de reverter a privatização feita pela calada da noite por um governo que já não tinha legitimidade para tomar a decisão.
Os trabalhadores da TAP não esquecerão quem lhes preservou os postos de trabalho na pandemia Covid-19 e o País não pode ser ingrato ao ponto de esquecer quem recuperou a TAP e os Caminhos de Ferro Portugueses. Parabéns, Pedro Nuno Santos!
O golpe urdido em Belém contra António Costa arrastou o País para um incompetente governo de direita que o inepto Passos Coelho queria ainda mais à direita e neoliberal.
Pagaremos amargamente a nossa falta de vigilância cívica e ausência de oposição de esquerda a este governo que Marcelo e Lucília Gago nos impuseram, com sucessivas dissoluções da AR do ex-PR, até nos trazer de novo Miguel Pinto Luz, especialista em negócios de privatizações, num governo que se desfaz com Luís Montenegro.

Obrigado, Pedro Nuno Santos.

Carlos Esperança 

Ventos Semeados: Nem ingénuos, nem aterrados

Ventos Semeados: Nem ingénuos, nem aterrados:   A ingenuidade é hábito antigo da esquerda dita moderada, e vem sempre embrulhada em boas maneiras. José Luís Carneiro viabiliza mais um Or...

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Ai Costa, Costa – que bosta!

(João Gomes, in Facebook, 13/10/2026, Revisão da Estátua) 

Ao fim de tantos anos de político, António Costa nada aprendeu ou, aliás, aprendeu que a política era para ser aproveitada para floreados europeus maciços porque lhe ia enchendo a conta bancária e tinha oportunidade de privar com os “grandes” dirigentes.

Uma desilusão completa entre o autarca que passeava pelas ruas do Intendente para aferir das necessidades de Lisboa e o posterior chefe de governo que se agarrou á geringonça para fingir que queria resolver os problemas estruturais do país e os sociais. Se alguma coisa fez, nessa época, foi graças às insistências do PCP e do BE que só lhe dariam apoio na AR se ele fizesse “obra”.

Alguma coisa se conseguiu por essa via, mas agora percebem-se os objetivos “costistas”: apoio popular para se guindar a uma posição política no centro esquerda internacional. O “esquema” foi o famoso parágrafo da PGR que, hoje, se percebe ter sido a forma de sair airosamente do governo e ser considerado um “injustiçado”.

Hoje apresenta-se como um claro vendido ao poder dos grupos da UE que estão a conduzir a Europa para a sua maior crise financeira e económica das últimas décadas, com hipótese inclusive de criar uma crise social de dimensão ainda imprevisível e uma adesão á Terceira Guerra Mundial que a Europa pode vir a enfrentar.

O que escrever no epitáfio deste sujeito? Talvez isto: “deu à costa e apodreceu estirado na areia”.

Do blogue Estátua de Sal