segunda-feira, 16 de julho de 2018

Para acabar de uma vez por todas com o uso de um chavão da direita:


Há um par de anos, num dos debates da Universidade de Verão da Forum Manifesto, Pedro Nuno Santos foi veemente na recusa do termo «geringonça» para qualificar a maioria parlamentar, porque não deveriam ser os defensores da nova solução governativa a deixarem-se contaminar pela forma depreciativa como a eles se tinham referido Vasco Pulido Valente, e, depois, Paulo Portas.
Por concordar em absoluto com o político com quem mais me identifico no meu Partido sempre me tenho escusado a alinhar na referida terminologia. E, por isso mesmo, estou totalmente consonante com J.M. Nobre Correia, que veio recordar no facebook, o que sobre o assunto escreveu no seu livro «Teoria da Informação Jornalística» , recentemente publicado pela editora Almedina:

“[…] Assim, em Portugal, é jornalisticamente inaceitável que jornalistas e média se refiram ao XXI Governo Constitucional, apoiado por uma maioria parlamentar de esquerda, ou a esta maioria parlamentar, utilizando o termo claramente depreciativo de «geringonça», termo que tem por origem um «comentador» e um líder político pertencentes à área da direita mais conservadora. Recordemos aqui a definição da palavra «geringonça» que nos propõe o Grande Dicionário da Língua Portuguesa de José Pedro Machado: «coisa mal feita que se desfaz facilmente; qualquer coisa mal feita, armada no ar». Ou, mais recente, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa: «coisa mal engendrada, tosca, mal feita e que ameaça partir-se ou dar de si». Ou, mais recente ainda, a do Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «coisa mal feita e que se escangalha facilmente». Definições que põem em evidência as características negativas de tal «coisa». Desde logo, evocar o governo ou a maioria parlamentar utilizando o termo «geringonça» constitui, no mínimo, a prova da ignorância que reina entre muitos profissionais do jornalismo no que diz respeito ao conhecimento da semântica da língua portuguesa, ou é então a prova de uma vontade deliberada de propor uma conotação negativa à experiência política iniciada em novembro de 2015 […]"
Perante tais argumentos ainda fará algum sentido que, entre os defensores desta solução governativa, haja quem continue a citar tão desqualificados spin doctors? É que o respeito começa por o termos por nós mesmos e nestes mais de dois anos e meio a atual maioria parlamentar tem dado sobejas provas de ser muito mais do que essa coisa mal feita que se escangalha facilmente. Não só foi superiormente concebida como mostrará a sua solidez até ao fim da legislatura.

Publicada por jorge rocha

Do blogue (Ventos Semeados)

sexta-feira, 13 de julho de 2018

O que se passa com os passeios públicos no “coração” das Sebastianas:

Para demonstrar o que afirmo publico umas fotos, podiam ser mais, a exemplificar a triste realidade pelo que estão a passar os habitantes de Freamunde e foliões que nos visitam nas Festas Sebastianas. Estão a ser preferidos por barracas de mau gosto, em zonas importantes que deviam de servir de poiso a quem quiser ver a Procissão do Mártir S. Sebastião e Marcha Alegórica. Ainda faltam as cadeiras que geralmente são montadas quase no meio da estrada por que há hora que tirei as fotos ainda não tinham sido expostas.
Sabe-se que umas festas sem povo não são festas. Dizem muitos entendidos que cada vez são mais foliões nas Sebastianas. Não digo que não. Mas o que faz haver tanto ajuntamento, em certas zonas quase se anda pelo ar, também é devido ao “roubo” que se está a fazer do espaço público. Não sei, ou seja, intencional não é.
Mas deve haver um cuidado exigente porque se pode dar o caso em que os habitantes de Freamunde deixem de colaborar com as Sebastianas. Digo-o porque ouvi vários Freamundenses a dizê-lo. E o Comércio de Freamunde e os donativos dos Freamundenses mais uns eventos quase que garanto que suportam os custos das Sebastianas. Não sou só eu a dizê-lo. Acreditem.
Mais a mais temos o exemplo com uma colectividade de Freamunde e mais antiga que as Sebastianas.
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terça-feira, 10 de julho de 2018

Freamunde 09/07/18:

Grandiosa Marcha Alegórica sob o tema "Belas Artes". Ninguém ficou espantado com a beleza da Marcha Alegórica. É timbre dos Freamundenses presentear quem nos visita com eventos realizados de alto nível. Já vem de tempos remotos e vai continuar a ser assim pela vida fora. Grandes ilustres que animaram com a sua elaboração os arranjos dos carros alegóricos. Foram-se. Vieram outros e outros hão-de vir. Os Freamundenses são assim.  

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Procissão em Honra do Mártir S. Sebastião:

Domingo 08/07/18, Procissão em Honra ao Mártir S. Sebastião. Todos os anos no segundo domingo de Julho Freamunde celebra as Sebastianas que como o nome indica em honra do Mártir S. Sebastião, como acima indico. É uma Procissão com um percurso de dois quilómetros e duzentos metros, medidos por mim, que tem o intuito de passar pelos lugares mais característicos de Freamunde. Pena é que no coração das festas os passeios públicos estejam a ser preferidos por barracas em vez de continuarem a pertencer ao público. Sei que quem faz isto é no intuito de angariar donativos, só que pode-se chegar ao dia em que fiquem as barracas a procissão e o público em sua casa. Espero que isso não aconteça. A comissão que vai elaborar as Sebastianas dois mil e dezanove que tenha isso em conta. O comércio Local e os habitantes de Freamunde são auto-suficientes para suportar os custos das festas. Pensem nisto enquanto é tempo.    

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Os óbvios culpados pelo caos na Portela:

Há dias houve uma notícia da imprensa francesa, que parece ter passado completamente despercebida na nacional, que se perde em mesquinhices sobre o estacionamento dos carros da Madonna, não lhe sobrando atenção para se deter no que verdadeiramente importa. Como por exemplo a decisão das autoridades francesas em declarar nula a concessão do aeroporto de Nantes à Vinci pela sua manifesta incompetência em gerir essa infraestrutura aérea e a construção da que a deveria substituir.
Sim! Trata-se da mesma empresa a quem Passos Coelho cometeu o crime de lesa-pátria de entregar a ANA, gerando como consequência o caos por que passa o Aeroporto Humberto Delgado cada vez mais a rebentar pelas costuras devido ao número de turistas, que continuam a escolher o nosso país como seu destino de férias.
Os danos cometidos contra a economia nacional com essa inconcebível privatização só não pode ser atribuído em exclusividade ao pior governante , que os portugueses suportaram desde o 25 de abril (e convenhamos que superar a perniciosa criatura encavacada é obra!!!) porque para a calamitosa situação do aeroporto lisboeta estão todos quantos denegriram os esforços do governo de José Sócrates em construir um novo aeroporto, boicotando-lhe as sucessivas intenções e afiançando a ajustabilidade da Portela por mais quinze ou vinte anos. Tivesse a obra começado na altura em que estava prevista e seria menos um bicudo problema com que se confronta o governo.
Infelizmente o país continua sem recursos jurídicos, que impliquem responsabilizar punitivamente esses manipuladores da opinião pública pelos custos em imagem e euros, que as suas pretéritas atitudes andam a causar. Bem mereciam responder com o seu património pessoal por quanto lesam atualmente as finanças do País.

domingo, 1 de julho de 2018

Da euforia à depressão:

(Por Estátua de Sal, 30/06/2018)
ronaldoy
Era um sonho lindo a caminho do estrelato maior. A Europa, já não nos chegava. Queríamos abraçar o Mundo e subir ao pico mais alto- De Campeões Europeus a Campeões do Mundo. Sim, porque a Europa está meia moribunda e já não é o que já foi, o centro do Mundo, e já não nos bastava.
Em tempos abraçámos o Mundo e chegámos aos confins. Lá chegámos à custa de muita lágrima, destemor, e a nossa arma era a caravela. Agora, queríamos lá chegar e repetir o feito à custa da trivela. Em tempos foram os Gamas, os Cabrais, os Albuquerques. Agora seriam os Patrícios, os Quaresmas, os Silvas, os Carvalhos e os Ronaldos os grandes conquistadores. Mais plebeus, menos brasonados, com menos fidalguia, mas ainda assim com a mesma têmpera.
Enchemos as praças, e demos as mãos para criar um arco voltaico de energia que fosse de Sagres até Moscovo, ou melhor ainda, até às praias do Mar Negro, até Sochi. As cartomantes deitaram as cartas e leram nas estrelas que iríamos ser grandes de novo. Na ponta das chuteiras, os deuses protectores do nosso destino, iriam levar-nos outra vez para além da Taprobana, e suplantar essa apagada e vil tristeza, que tão bem cantou o nosso poeta maior.
Mas não foi assim. O Diabo era azul e cavou o nosso sonho numa sepultura de desilusão. Cavou, ou melhor, cavaniou, a nossa quimera e mandou-nos regressar mais cedo a Lisboa do que a nossas esperanças e fé ditavam. Lisboa onde o Velho do Restelo já tinha alertado para as fraquezas da nossa armada de conquistadores e proclamado que, desta vez, de Montevidéu não sopravam ventos favoráveis e que se insistíssemos em navegar à bolina, o naufrágio seria certo.
Agora, as praças estão vazias. Afogamos as mágoas na consolação de que, ainda assim, somos os melhores e que os nossos santos, anjos e arcanjos, não cumpriram a sua parte. Estamos estupefactos porque não sabemos bem porque o fizeram, nós o povo dessa terra de Santa Maria que sempre pagou as suas promessas e sempre evitou ofender as divindades.
E com a tristeza vem a dúvida. Se calhar somos menos capazes do que julgávamos. É a nossa ancestral bipolaridade lusitana. Choramos. Choramos menos de raiva do que de impotência e incredulidade. Quando a realidade nos derruba, as nossas quedas causam sempre fracturas graves porque caímos sempre das altitudes da montanha, lá onde os nossos sonhos teimam em morar.
Choramos, e os jogadores choram. Já não vão ser recebidos como heróis, e aclamados como deuses, mas sim como simples mortais que não conseguiram da lei da morte libertar-se. Sim, é Camões, de novo o nosso poeta maior. Nem ele lhes valeu e lhes transmitiu a gesta necessária da Nação na hora do remate. Nem ele nem os nossos santos milagreiros, à excepção de um, São Marcelo. Ele sim, ele lá estava na hora do consolo e no tempo de afogar as mágoas.
Mas não chegou. Selfies e beijos não marcam golos nem impedem que as tormentas do desânimo nos assaltem. Amanhã é outro dia e vamos ter dificuldade em acordar com o choque da realidade a pesar-nos nos ombros. Já não vamos ser Campeões do Mundo, de novo conquistadores do mundo. Estamos outra vez reduzidos ao nosso cantinho, barões assinalados nesta ocidental praia lusitana…