sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Lá está triste e amargurado:

Há muito que ali está exposto. Quando ali foi colocado toda a gente o admirou e ouvia a suas preces. Todos os Freamundenses que por ali passavam admiravam o seu porte. Trabalhava com ardor embora se sentisse o seu alívio na descida e a aflição na subida. Mas lá ia caminhando. Os anos foram passando e a sua robustez definhando. Acontece com todos. Por várias vezes se “calou”. Mas com a ida ao “médico” lá voltava a “falar”. Quem se regulava por ele, nas suas más horas, andava desorientado. Não sabia a quantas horas andava.

Ainda me lembro quando era menino e moço da maneira como fazíamos para saber a quantas andávamos. Espetávamos um espeto, salvo a redundância, sobre o solo, a uma hora que nos interessasse. Onde o Sol mais incendia. Assim nos regulávamos. O pior era quando não havia Sol. Nos dias de chuva, lá andávamos todos às aranhas. Todos não. Os de maior posse estavam prevenidos.

Derivado a estar ao sabor do tempo a sua força acabou. Hoje só se ouve às meias horas e horas certas. Já não caminha alegremente. Antes víamos o seu caminhar. De passo lento mas cumpria a sua missão. Aos quartos, meias, três quartos e quatro quartos lá ouvíamos o Ave- maria. Hoje, como disse, está abandonado.
Numa terra de gente laboriosa como Freamunde não há quem dê vida ao nosso velhinho Relógio da Igreja Matriz. É pena. É dele que falo porque muitas vezes dele me socorria. Tempos em que não havia tanta tecnologia. Hoje todos os aparelhos são munidos de um relógio: Telemóveis, Televisões, Rádios e mais aparelhos. E será por isso que relegamos coisas que fazem parte da nossa memória e que tão útil nos foi.
Em Freamunde estão a acabar certas tradições. Dá-me pena. Mas a vida é isto mesmo. Não devia ser. Porque eu e muitos como eu estamos a caminhar para o nosso fim mas gostamos de ser lembrados.
Assim julgo que se pudesse dar personificação (vida) ao Relógio da Igreja Matriz ele ao nos dar as horas cantava todo garboso o Ave-maria.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O primeiro capítulo de uma tragicomédia de fim-de-semana:

Há quem faça gala em dizer-se incapaz de ler o «Expresso», não só para escusar-se a contribuir para o negócio da família Balsemão, mas também por sempre nele adivinhar textos capazes de lhes suscitar justificada indignação ao situarem-se invariavelmente muito à direita.
Discordo claramente desse posicionamento, mais emotivo do que racional. Não constitui regra imprescindível das teorias militares que se procure saber o que se passa no outro lado da trincheira? Como se pode vir a ser eficaz no combate a quem nela se situa se não se lhe conhecerem as estratégias?
A publicação em papel desta semana traz muitas matérias a merecerem o nosso comentário e por isso serão tratadas em mais do que um texto.























A começar temos a colaboração regular, que mais costuma merecer a minha atenção: o cartoon de António, normalmente capaz de por si mesmo substituir mil palavras. É o caso do que se passa esta semana com o calvário de D. Manuel Clemente, subitamente confrontado com o quão disparatada terá sido a mediática opinião sobre o sexo entre recasados. Por isso arranjou forma de tentar corrigir o erro, fazendo-se entrevistar pelo próprio diretor do semanário. Afinal  não teria querido dizer propriamente o que terá saído da sua pena. Pelo contrário nós é que somos culpados da situação, porque o teremos interpretado mal. Pondo-se no papel de vítima incompreendida, o cardeal quer sair bem no filme, mas foi tão evidente o seu ultramontanismo, que nem pintando-se de que cor fosse, conseguiria apagar mais uma significativa mancha no seu já escuro currículo.
Chamado também para assunto de capa veio Cavaco Silva de quem se publica extensa entrevista na Revista. Sem prejuízo do que sobre ela virei a comentar fica já sublinhado o grande objetivo dos editores, que dela selecionaram como tema preferencial o da renovação do mandato de Joana Marques Vidal. O que vai ao encontro do que se tem ouvido a vários participantes no Congresso do PSD: para a direita será fundamental que as coisas continuem tal qual estão no reino corrupto do Ministério Público. Quanto temem que, com a saída da Procuradora-Geral, a Justiça se manifeste menos zarolha e, em vez de parecer cingir-se politicamente ao que lhes convirá explorar, se passe a dar maior atenção a casos até aqui desprezados como os dos submarinos ou o da Tecnoforma!
É igualmente curiosa a preocupação do principal órgão de comunicação enfeudado às direitas em dar voz à sinistra múmia, que tanto mal causou a milhões de portugueses, apesar de por eles ter sido sucessivamente guindado aos principais cargos da República (o que nos fez, amiúde, desconfiar da sua sageza!). Será que querem preparar-lhe um vistoso funeral de Estado, quando alguém for suficientemente persuasivo para o informar de estar há muito morto e ninguém lhe ter dito nada? Se o filho do gasolineiro ainda tem alguma ilusão quanto a ser homenageado na mesma dimensão em que o foram Mário Soares e, sobretudo, Álvaro Cunhal, bem pode tirar o cavalinho da chuva. Nem a persistência dos seus tenazes admiradores bastará para que a cerimónia venha a ser pouco mais do que privada.
Saindo dos assuntos trazidos para a capa do primeiro caderno entramos na segunda página e, finalmente, Martim Silva consegue pôr António Costa a encabeçar os Altos da sua coluna sobre quem está em evidência pelo que ele ajuíza serem bons ou maus motivos. Nem o esforçado Martim consegue ignorar “o maior crescimento real deste século (…) em convergência real com a Europa.” Tal reconhecimento confirma que, na redação do «Expresso», se adivinham tempos difíceis para quem lhes vai no coração, politicamente falando. E isso é óbvio no tom lastimoso de Pedro Santos Guerreiro, diretor do jornal, no seu editorial. Pressente-se-lhe a angústia de constatar um Congresso laranja marcado pelo cinismo de quem aplaude Rio “com as mãos moles e a ponta e mola no bolso.” E, logo identifica quem se apresta a conspirar contra o novo líder: “São os da corte ameaçada, são os patinadores no gelo que nunca passam das ameaças e são as máquinas de calcular futuros, os seus próprios futuros. Ouve-se o barulho do acelerador mas cheira a embraiagem. Para meter a próxima mudança.” Pode-se não apreciar o que lhe vai na alma, mas tem de se reconhecer o bom estilo!  E acaba com um apelo lancinante: “[Rio] ganhou o direito de ser apoiado pelo partido que, antes dele, já sofria de raquitismo político, intelectual - e eleitoral”.
Na mesma página outro dos jornalistas mais conotados com a direita no semanário (Filipe Santos Costa) alinha as áreas sobre as quais seriam desejáveis acordos do Bloco Central e a que insiste em chamar «reformas estruturais»: a Justiça (ou seja dar ainda mais força aos que querem dela servir-se para conseguirem que a vontade expressa pelos eleitores  possa impedir coisas esdrúxulas como foi exemplo a investigação a Mário Centeno), o sistema político (ou seja o favorecimento de condições para maiorias absolutas de direita e limitações engenhosas às que se possam formar à esquerda), a descentralização (ou seja a criação de muitos cavaquistões) e a Segurança Social (ou seja privatizando-a e cortando a eito na “peste grisalha”). Por muitas ilusões que as direitas tenham quanto à exequibilidade de tal projeto não contará com o beneplácito de um Partido Socialista que, pela voz de Pedro Nuno Santos já veio esta semana expressar outra interpretação para o que considera reformas necessárias para o país.
Ficámos ainda assim a saber que, nem sequer entre os seus, Rio consegue ter garantidos apoios para as armadilhas internas, que lhe estenderão passo a passo, contando, ainda assim, na sua equipa com um valete cavaquista do gabarito de Nunes Liberato, que em Belém terá assistido e quiçá participado em muitas inventonas contra José Sócrates. Tratando-se de um notório cortesão da já referida múmia podemos depreender que o sentido da expressão «diz-me com quem andas…» faz todo o sentido para quem da política se cola a ajudantes de caudilhos tão pouco recomendáveis…

Publicada por jorge rocha 

Do blogue (Ventos Semeados)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Mentirosos:

Surripiei do verso “Mentirosos” do Rodela os dois tercetos e resolvi dar título a este texto. “As obras sempre às remessas, nunca passam de promessas, cá na terra dos capões”. “Se tinham tudo prontinho, não façam do povo anjinho, detestamos aldrabões”.
Não exponho as duas quadras porque acho que são ofensivas. Não sou fatalista como o Rodela. Mas por vezes se o fosse pagava com a mesma moeda. Mas não. Gosto de ser cordato. Embora use a crítica como meio construtivo e não como a quem é dirigido esta missiva me destratou em tempo. Mas vamos aos factos que aqui me trouxeram. 

Lembra-se talvez quem me lê das promessas eleitorais anunciados para Freamunde por altura da campanha eleitoral para as eleições autárquicas. O outdoor colocado na entrada da Avenida do Centro de Saúde, dizia que brevemente – naquela altura – que se ia dar início ao arranjo do Centro Urbano de Freamunde. Até constava o dinheiro atribuído a essa obra. Só que a uma contestação do PSD concelhio para o Tribunal esse outdoor foi mandado retirar. Nunca mais ali foi colocado. Logo ali se viu o logro que a campanha do candidato Humberto Brito usou para enganar os Freamundenses.

Freamundenses que acreditam, até prova em contrário, nas pessoas. Só que como se usa dizer que gato escaldado de água fria tem medo é o que está acontecer em Freamunde. Depois ficam ofendidos – os elementos que compõem o executivo da Câmara – por lhes chamar aldrabões. É que quem falta à palavra dada como deve ser retratado? De mentiroso!
Certo, certo, é que desde o dia um de Outubro já se passaram bastantes dias. E não se vê ou se ouve que o início esteja para breve. Até se comenta pelos Cafés que isso vai ficar para as calendas das eleições autárquicas de dois mil e vinte e um. Eu acrescento que tão cedo não vai ter início. Senão vejamos: temos as Sebastianas em Julho e a Santa Luzia em Dezembro. Estes eventos são festejados no Centro da Cidade. Logo no espaço onde está previsto o arranjo do Centro Urbano. Se as obras não começarem logo a seguir ao findar de um ou outro evento não vejo como vai ser a solução. A não ser que se faça por etapas.
Não há vontade política. Freamunde para a Câmara Municipal é uma terra adiada. Só interessa para dar votos. Nessa altura era um corrupio. Valia tudo. Promessas e mais promessas. Acabado isso é o esquecimento total. E o que mais me entristece é ver os Freamundenses adormecidos. Não se reivindica. E a Junta de Freguesia de Freamunde devia de ser o garante dessas reivindicações. Os Freamundenses não sabem o que se passa. Não há uma folha quinzenal ou mensal a pôr a população ao corrente dos seus anseios.
Depois não se admirem dos tercetos do Rodela.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O Moita-Carrasco:

(Por António Neto Brandão, 11/02/2018)
mARCELO_CEGO
Há um Marcelo que tudo vê e outro que é cego dos dois olhos. (Cartoon em Blog 77 Colinas)
Perante o maior escândalo judiciário do presente século o Venerando Chefe do Estado faz ouvidos de mercador.
Diz S.Exa que, vigorando o princípio constitucional da separação de poderes, não lhe é lícito pronunciar-se sobre questões que são do foro judicial. Bem prega frei Tomás! O palrador-mor do reino inibe-se de se pronunciar sobre questões judiciais em obediência ao princípio supra citado. Já usou o mesmo falacioso argumento – eu diria antes o mesmo foleiro argumento -, para evitar questionar o papel do Ministério Público no imbróglio vergonhoso em que se transformou o processo de Manuel Vicente, ex vice-Presidente da República de Angola. Mas quem é tão zeloso e escrupuloso no respeito pela separação de poderes constitucionalmente consagrada, não hesita diariamente, (às vezes mais do que uma vez por dia) em dar palpites, criticar, exaltar, depreciar, lixar a acção do Governo, que é, sabe-o ele bem, um órgão de soberania tão merecedor do respeito, pelo menos como os tribunais.
Quando falo no maior escândalo judiciário dos tempos que correm não me refiro ao infeliz e insólito caso do juiz-desembargador Rangel e Cia. Lamento sinceramente o sucedido pelo desprestígio que o facto em si mesmo pode trazer para a imagem da Justiça – que, para bem de todos nós, todos devemos preservar-, mas, independentemente do resultado que vier a saber-se no final, não deixo de verberar de forma vigorosa a escandalosa e contumaz violação do segredo de justiça que chega ao ponto de fazer com o CM esteja num local de buscas antes da chegada das autoridades. Vergonha!
E aqui sobra para a Exma. PGR que teve o desplante de, em intervenção pública recente, chamar a atenção para a brandura penal do crime de violação do segredo de justiça para daí concluir, vesgamente, que aí residiria, senão um incentivo à prática do crime, pelo menos uma desvalorização ético-social da sanção penal desinibindo os delinquentes da prática do crime. Culpa de quem? Do poder legislativo, obviamente…
A Sra. PGR esquece deliberada e conscientemente, ela que é uma jurista eminente e experiente, que a par de cada crime de violação do segredo de justiça existe sempre ou um crime de suborno, ou de corrupção, ou de furto, ou de peculato, ou de recebimento indevido de vantagem, ou de tráfico de influências, ou,…uma panóplia de crimes graves a exigir uma melhor diligência de quem é, em exclusivo, titular da acção penal.
Sobretudo quando se sabe que na quase totalidade das ocorrências as suspeitas vão para o próprio MP e para os serviços que dirige. Ou será que S.Exa ignora ou não desconfia que se alguém transmite ao CM ou a outro pasquim de igual quilate uma informação confidencial de um processo em segredo de justiça é porque recebeu gorjeta, prebenda, bónus, óbulo, favor, vantagem, suborno, etc…em troca do serviço? A não ser que o CM ou qualquer outro cano de esgoto tenha alguém infiltrado dentro do MP. Ou então alguém desses pasquins ande sistematicamente a assaltar os arquivos do MP. Mas a ser assim já estaríamos perante uma organização criminosa, tipo máfia. Nesses casos o recomendado seria chamar a polícia…
Voltemos á vaca fria, salvo seja.
O Ministério Público, segundo o próprio, com base em noticias dos jornais (CM, Expresso e quejandos) que referiam que o Ministro Mário Centeno pedira dois bilhetes para ir ver o Benfica (que falta de gosto), e que isso estava relacionado com o deferimento de um pedido de isenção de IMI requerida pelos filhos do Presidente do Benfica, decidiu instaurar um processo crime (de inquérito) e vai daí resolve irromper pelo gabinete do Ministro das Finanças da República Portuguesa e Presidente do Eurogrupo, e sacar dos computadores do ministério toda a informação e documentação que julgou relevante e pertinente.
Perante o clamor nacional de repúdio que a afronta feita ao Ministro e ao Governo da República causou em todo o país e a sua repercussão internacional o MP, honra lhe seja feita, em 5 dias arquivou o processo. Não vou aqui escalpelizar o processo, nem vou especular sobre as motivações de tão tonta quanto abstrusa iniciativa. Reservo-me para quando for discutido o estatuto do MP que, adianto já, me parece querer entrar em roda livre.
Não, o meu alvo é S.Exa o PR. Então S.Exa não tem nada a dizer ao Povo? Então um agente do Ministério Público, um funcionário subordinado da Procuradoria-Geral da República comete o dislate, a provocação de, sem o mínimo fundamento, sem o mínimo de razoabilidade lançar sobre um Ministro do Governo que S.Exa empossou e que pelo seu prestígio internacional foi alcandorado pelos seus pares da Europa a Presidente do Eurogrupo, o labéu, o enxovalho de SUSPEITO de corrupção e S.Exa fica-se? Não convoca a Sra. PGR e não exige dela uma explicação pública e um pedido de desculpas ao visado? Não lhe pergunta se foi ou não instaurado o competente processo disciplinar aos responsáveis pelo sucedido, quando é o próprio MP a reconhecer a argolada em que se meteu? E isto fica assim?
O PR que tem por função primordial assegurar o regular funcionamento das instituições não diz nada face a este gravíssimo entorse? Ele, que dá palpites a todo o instante sobre o Governo, que chega ao desplante de se imiscuir em assuntos meramente administrativos, e até de dar sugestões aos deputados da República sobre os sítios que eles devem ou não visitar, sobre os desmandos do MP cala-se, agacha-se, tem medo? O Povo português não lhe merece uma palavra de satisfação? Ou pensa que ele se basta com as beijoquices e as recomendações para usarem as torradeiras?…
Ó Marcelo. Catano!

sábado, 10 de fevereiro de 2018

CARTA ABERTA AO CIDADÃO MANUEL CLEMENTE…


…Pois que isso de “Don” e “Sir” é mais para Espanhóis e Ingleses!

Quero, antes de mais, contar-lhe uma coisa da qual, eu presumo, deve ter ouvido falar: quando eu era pequenino e mesmo já jovem, lá da minha aldeia ouvia as pessoas dizerem que os Comunistas comiam criancinhas, mas pior ainda, logo ao pequeno almoço! Tem lembrança?

É que a verdade é que eu nunca ouvi ninguém, ou ligada ao regime da altura ou da própria Igreja Católica, isso desmentirem. Mas eu também desde pequeno sabia que tal não era verdade. Porquê? Porque o meu Pai, que era Guarda Fiscal, foi para o Alentejo profundo em princípios dos anos cinquenta, e nós ainda pequeninos com ele, e tal não verificou! O que constatou foi precisamente o contrário: dificilmente comiam…e eram Comunistas!

Mas, muito mais tarde, vim e viemos a saber que afinal, pois…

Isto para lhe dizer, Senhor Manuel Clemente, que V.Exª, que parece que escreve livros e mostra ser pessoa culta e dizem que Filósofo até, quando sai do seu pequeno mundo, quando o seu pensamento extravasa para aquilo que não sabe, só diz asneiras! Sim, asneiradas surreais mesmo!E não mostra ter sentido da penitência…E eu também me lembro, quando era pequeno também, tinhamos que ir confessar-nos por “pensamentos, por actos e omissões”.Lembra-se? Bem prega Frei Tomás, também se dizia lá pela aldeia!

E porquê? Porque V.Exª, que parece que jurou votos de castidade, que sabe V.Exª de sexo? Ficou-se pela leitura, não foi? Porque V.Exª, que parece que jurou ser celibatário e abstencionista em relação a sexo, que sabe V.Exª de casamento, de matrimónios, de casais, de filhos, de desavenças, de incompatibilidades várias, de violências até, para acerca disso perorar e, pior ainda, aconselhar e mesmo ditar lei? Que sabe você? Que experiência tem? É que nem sequer a da “supernanni” que, tão jovem ainda, parece que queria ensinar casais a educar filhos pequenos!

Quer dizer, segundo bem percebi: uma esposa casou pela Igreja, ponto um. O marido tinha sido um grandessíssimo filho da mãe para ela e ela, não aguentando mais tanta irresponsabilidade, tanto desamor e tanta violência, mesmo física, pediu a separação, o divórcio, ponto dois. Aceite e consumado, dando um tempo de reserva e sentindo-se ainda viva para a vida, partiu para um novo matrimónio, ponto três. Pois até ele, o marido, arrependido que estava até, achou a coisa mais que natural, mas a Igreja não! Porquê?

Porque o matrimónio é indissolúvel, diz a Igreja. Sendo, portanto, o mesmo indissolúvel, em terminado fica a pessoa sujeita à infelicidade! Ou, na sua tese enquanto “Don”, à abstinência! À anti- naturaliade. Faz isto algum sentido?

Isto é ficção  e  é um exemplo apenas , mas um exemplo que, toda a gente sabe, existe por aí às carradas. Abstinência enquanto os doutos sabedores da misericórdia Divina, da vida do além e dos ensinamentos de Jesus Cristo, um Cristo que até Maria Madalena perdoou e mandou em paz? Abstinência quando até o Papa Francisco os manda ser mais contidos, caritativos e compreensivos? Faz isto algum sentido?

Eu sei que o Cidadão Manuel Clemente, embora seja cidadão, não consegue despir a farda do “Don”. É um problema seu, meu caro,. É um problema seu.

Como é um problema seu o de, enquanto os Leigos da sua Igreja, lutam contra a pobreza, contra a exclusão e tudo fazem para ajudar essas pessoas para quem a vida foi e é madrasta, se posicionar do lado dos poderosos e mandar palpites, políticos até, contra quem deseja um mínimo de dignidade no seu trabalho e anseia por melhores salários e particularmente o mínimo. A gente ouve e lê, meu caro “Don”.

Todos nós os que temos como sentido da Liberdade o vivermos a vida que entendermos desde que essa nossa Liberdade não colida com a de qualquer semelhante, não aceitamos nem nunca conseguiremos entender esses vossos dogmas, dogmas anti-naturais porque agarrados a conceitos quase medievais, que apenas servem para restringir essa tal Liberdade, a Liberdade a que todos e qualquer um têm direito. E à Felicidade!

O senhor Cidadão Manuel Clemente tem direito a toda sua reaccionarice, tem todo o direito e faz parte da sua Liberdade. Mas quando a sua Liberdade colide com a minha, com a nossa e de toda a gente, a de sermos Felizes ou procurarmos a nossa Felicidade, desculpe e, mais, cumprirmos a missão que nos foi destinada na passagem por este mundo, a de melhorarmos e continuarmos a vida da espécie humana, o Senhor está a mais e não pode ser levado a sério!

Ao menos, caro “Don”, siga o pensamento do Papa! É o mínimo que lhe rogamos…

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Trilho:

(In Blog O Jumento, 07/02/2018)
passos_marcelo
(Afinal o Passos, o Gaspar e a Marilú foram todos grandes economistas e a austeridade mortal e devastadora que impuseram ao País foi excelente. Obrigado caro Marcelo por nos dares a conhecer o teu verdadeiro pensamento. Acho que começaste hoje a cavar a sepultura onde irás enterrar a tua popularidade junto dos portugueses. 
Mas dizer a verdade não merece castigo. Castigo, merece sim, a mentira de dizeres que a política económica de Costa segue o trilho da de Passos. A mentira merece castigo. Nem com um milhão de beijos te vais safar. 
Comentário da Estátua, 07/02/2018)

A crer no discurso presidencial, repetido em várias ocasiões, a política económica é única e o caminho do crescimento económico é um trilho (Ver aqui). Pelos vistos Sócrates perdeu-se e foi Passos Coelho quem encontrou e abriu o trilho, pelo qual Mário Centeno tem passeado alegremente, limitando-se a cantarolar, a ir à bola e a apanhar malmequeres, principalmente os malmequeres semeados pelo Dr. Ventinhas e pelo pessoal do seu sindicato.
Quem deve estar a espumar é o ainda líder do PSD; durante meses foi ignorado pelo seu antecessor na presidência do partido, e agora que Passos está a ocupar a casa por conta do mês que pagou adiantado, já Marcelo lhe descobre qualidades. Se o cinismo fosse música, o Palácio de Belém equivaleria a mudar a Casa da Música do Porto para Lisboa, em compensação da transladação daquilo que será o cadáver do INFARMED, do Porto para Lisboa. O veneno é de tal forma sofisticado que se usa o suposto sucesso de Passos para promover Rui Rio, agora que este o derrubou, depois de anos a zurzir em privado e fazendo declarações de apoio em público.
O Presidente da República não reparou que a continuação do passeio pelo tal trilho aberto pelo Passos Coelho foi fazer o contrário do que tinha sido feito. Passos abriu o trilho desrespeitando a Constituição, Costa prosseguiu o trilho respeitando a Constituição. Passos abriu o trilho opondo-se a qualquer intervenção do BCE que lhe permitisse aliviar a austeridade que queria impor, Costa apoio sempre uma abordagem diferente do Euro e agora é Centeno que está no centro da sua reforma.
Passos queria aumentar o IRS e baixar o IRC para promover a desvalorização fiscal do trabalho, Costa fez o contrário e tem vindo a fazer o contrário. Passos via com bons olhos a emigração de jovens quadros, Costa tem feito o possível para criar emprego em Portugal. Passos não queria crescimento económico antes de impor toda a sua agenda económica, Costa inverteu esta estratégia. Passos não acertou numa previsão, Costa acertou em todas, mesmo contra as opiniões do BdP, da Dra. Teodora e da Comissão.
Quando se diz que se segue um trilho que alguém abriu, sugere-se que se está continuando um percurso segundo um caminho que está traçado. Acontece que isto é literalmente mentira. Marcelo Rebelo de Sousa pode dizer que a política económica seguida por Passos Coelho poderia vir a ter sucesso, o que não é verdade é que a política económica deste governo corresponde a andar por um trilho aberto por Gaspar e Maria Luís Albuquerque.
É o próprio Passos Coelho, o ainda por enquanto líder do PSD –  que sempre condenou esta política -, que disse recentemente que a sua agenda económica era para duas legislaturas, isto é, que a ter efeitos a sua política pressupunha mais quatro anos de medidas na linha que tinha sido traçada. Costa não continuou pelo trilho de Passos, abriu um trilho por um percurso diferente. Pelo vistos Marcelo ainda anda perdido sem saber em que trilho é que anda.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

O que eu pensaria se fosse mal intencionado!


Se eu quisesse ser mal intencionado poderia pensar que alguém no Ministério Público estaria a encarar com grande preocupação a provável substituição de Joana Marques Vidal por quem se revele menos zarolho nas investigações passíveis de gerarem capas do «Correio da Manhã» e decidiu enviar um recado ao governo sob a forma da investigação sobre os bilhetes para o futebol do ministro Mário Centeno. Algo do género: «atrevam-se a mexer no nosso arranjinho, que nem o presidente do Eurogrupo escapa!» É que, não só a ministra da Justiça se descaíra a prever a mudança de rosto à frente da Procuradoria-Geral da República, como vem crescendo em volume o intenso clamor pela urgente substituição de quem tem mostrado uma tão explicita passividade face à facilidade com que tem sido violado o segredo de Justiça nos processos confiados aos seus subordinados.





















Se o mandato de Joana tivesse acabado em vésperas do final da anterior legislatura, Passos Coelho repetiria o que fez com o Banco de Portugal, conseguindo ter mais um dos «seus» em funções durante os quatro anos da governação socialista. Para azar dos que têm garantido neste seis anos de mandato da Procuradora uma contínua parcialidade a seu favor, está na hora de mudar o rumo no comportamento do Ministério Público, tornando-o efetivamente respeitador da legalidade democrática - não só salvaguardando o referido segredo de Justiça, mas também investigando e condenando quem o viola (desde as fontes internas  até quem as publica!), só assim se cumprindo o principio da presunção de inocência dos arguidos desde a fase instrutória dos processos até ao fim do seu julgamento).

É claro que a campanha dos «da Joana» vai tendo várias vertentes: esta semana até regressou à boca de cena um magistrado - conhecido por organizar um Congresso da sua classe com o alto patrocínio do Grupo Espírito Santo -, a pretexto de um livro em que defende a tese absurda de nunca a Justiça ter estado tão afetada na sua independência relativamente ao poder político como terá sucedido quando Pinto Monteiro era o Procurador e José Sócrates o primeiro-ministro. Está visto que aquele sobre quem o anterior Procurador comentou que o facto de ter chegado onde chegou só denota a mediocridade que hoje grassa no Ministério Público, quer-nos tomar por tolos. Algo que manifestamente não somos.
Apesar dos danos suscitados durante uns dias à irrepreensível reputação do ministro - inclusive com repercussões internacionais! - quem terá tido a peregrina ideia de lançar esta lebre a coberto de uma manchete do «Correio da Manhã», logo secundada pelo «Observador» e pelo «Expresso», deve estar arrependido de o ter feito. Porque a investigação revelava-se tão coxa, tão desconchavada, que acabou por ser criticada pelos próprios tenores da direita comentarista nos diversos jornais e canais de televisão, deixando sem rede de proteção - a não ser no anonimato com que estas coisas são escondidas - o clandestino autor. Depois do sucedido ficou ainda mais demonstrado - se ainda mais provas fossem necessárias! - que já ontem era tarde para que Joana Marques Vidal seja substituída.
No meio disto tudo o nosso selfieman, que tanto gosta de comentar tudo e mais alguma coisa, procedeu para com esta ignomínia com a mesma «distração», que dedicou ao caso Tecnoforma ou à luta das operárias da Triumph. Assobiou para o lado, tirou mais um boneco, deu mais um abraço … e seguiu em frente como se fosse algo com que não tivesse a haver...
Publicada por jorge rocha