Rádio Freamunde

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O saber dos mais velhos cumpriu-se:


Diziam e com razão. Senhora da Conceição de sol, Santa Luzia de chuva. Foi o que aconteceu com o dia de hoje. A manhã começou com uma chuva miudinha, daquelas arreliadoras, que não dá para abrir o guarda-chuva ou não dá para ir com ele fechado. Nesta manhã não faltaram compradores e os muitos vendedores davam graças a Santa Luzia pelo estado do tempo e se possível que assim fosse a tarde. 
Nestas coisas as profecias valem o que valem. Se assim fosse todos pediam sol na eira e chuva no nabal ao mesmo tempo. Outros dizem que Deus quando fez o mundo esqueceu-se de nos providenciar com um qualquer dispositivo e aí nós regulávamos o tempo ou outro evento à nossa feição. Isto é que era a cereja em cima do bolo. 
Enquanto isso não acontece temos que viver com aquilo que nos dão. E... não me estou a referir à “nossa querida" Jonet. Esta se pudesse é que nos regulava a vida.
Mas voltando à questão a que me levou a escrever este texto. Nós, Freamundenses, temos carinho e respeito pelas nossas Santas e Santos. Entre várias conversas que ouvi hoje, umas eram: que era melhor chover no dia de Nossa Senhora de Conceição do que no dia de Santa Luzia.
 
Argumentavam que esta festa-feira é mais importante. Há um monte de negócio a fazer e assim o prejuízo foi muito para o comércio de Freamunde. Disse que não se podia ver só por esse prisma. Se assim fosse os mais pequenos nunca teriam voz. 
Aqui há anos havia um programa radiofónico em que o título era o seguinte: dos fracos não reza a história. Sendo assim Hitler é que tinha razão. Queria construir uma raça superior. Os mexilhões não tinham razão de existir. Como em tudo na vida tem de haver a diversidade. Dou como exemplo o seguinte:   
"Prato de arroz"
Uma senhora estava colocando flores no túmulo de um parente quando vê uma chinesa colocando um prato de arroz na lápide ao lado.
Ela se vira para a chinesa e pergunta:
- Desculpe-me, mas a senhora acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E a chinesa responde:
- Sim, geralmente na mesma hora em que o seu vem cheirar as flores!
Por isso temos de respeitar o que a Natureza nos oferece. Nada nos é posto ao acaso. A Nossa Senhora da Conceição por ser uma festa mais pequena tem o mesmo direito de desfrutar de um dia de sol ou de chuva como a Santa Luzia. 
Mesmo com o dia, principalmente a tarde, com chuva intensa não faltavam forasteiros a visitar-nos e a concorrer para que o negócio fosse próspero. 
O capão, rei da feira de Santa Luzia, estava todo garboso no local a si destinado. Antigamente em qualquer lugar era exposto. Com a doença, aqui há anos das aves, arranjou-se um local próprio. Também baixou a sua venda e os organizadores da feira de Santa Luzia tem de repensar o destino a dar-lhe. 
Com a criação da Confraria do Capão esperavam-se e ainda se espera novas soluções. Por que não mais que um dia? Assim os vendedores e compradores não estavam sujeitos a um dia de sol ou de chuva. Promovia-se melhor a publicidade ao capão.
Exponho este assunto, para os decisores desta terra e feira, pelo motivo de estarmos a ser ultrapassados em tudo. 
Outrora éramos um exemplo em tudo o que inventávamos e hoje deparamos que assim não é. A feira de Santa Luzia é mais antiga que as festas Sebastianas e é ver como a promovem de ano a ano os seus festeiros. Por que não pensar o mesmo para a Santa Luzia? 
Se queremos ver Freamunde sempre nos da frente têm de se arranjar soluções. E, Freamunde ainda tem entre os seus habitantes pessoas capazes disso.
Vamos pôr em prática o que recebemos dos nossos antepassados.  

sábado, 8 de dezembro de 2012

Oito de Dezembro. Dia da Nossa Senhora da Conceição:


Sempre tive um apreço especial por esta festa e santa. Antigamente aguardava por este dia para ver a procissão e o queimar dos “Ferreirinhos”. Sentia receio e para estar mais acomodado ia para o átrio da casa Nunes e dali via rebentar os ditos Ferreirinhos. Delirávamos com os movimentos que as bichas de rabiar produziam neles. Geralmente era a figura de um homem e uma mulher que lutavam entre si mas acabavam ambos queimados. No final expeliam umas bichas de fogo de grande porte que rebentavam no ar com grande estrondo.
Era também neste dia que era a estreia de novos músicos na Banda de Música de Freamunde. Eram bem recebidos no seio dos mais velhos que lhes faziam as "praxes da ordem". Davam um concerto num coreto montado em frente à Capela de S. Francisco. Ainda hoje se mantém estas tradições com um senão: a falta da mercearia do senhor Ramiro que neste dia funcionava como tasca.
Para colmatar esta falta, os festeiros das festas Sebastianas, exploram esse local com o serviço de sandes, rojões e vinho, com a finalidade de arranjar mais pecúlio para fazer face às despesas que acarretam as Sebastianas.
O Arraial continua quase na mesma como antigamente. A festa é de pequena proporção mas digna de ser vista. Há muitos anos era neste dia que se festejava o dia da Mãe. Lembro-me que oferecia à minha mãe meia dúzia de farturas que comprava nas barracas que confeccionavam as mesmas. Embora a prenda fosse barata a minha mãe agradecia pela lembrança que tinha para com ela.
Tudo muda mas fica a lembrança destas pequenas coisas. Assim como se tirou o dia da Mãe neste dia, este governo que nos desgoverna, acabou com o dia santo no dia oito de Dezembro. A Nossa Senhora da Conceição deve estar a verter lágrimas de tristeza por esta desonra para com ela. Já estava descontente por lhe tirar a celebração do dia da Mãe e agora roubam-lhe o dia da sua festa. A maioria das localidades que neste dia a festejavam vão deixar de o fazer.
Espero que com os Freamundenses isso não aconteça e lhe festejem sempre este dia. Não vamos deixar que nos roubem o que muito nos custou a criar. A Nossa Senhora da Conceição fica-nos agradecida e desiludida com o procedimento que a religião cristã lhe está a devotar.      

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A propósito do "Capão à Freamunde em Paços de Ferreira":

Quem como eu assistiu à reportagem da RTP na semana passada sobre o título acima descrito, à primeira vista, pode ter uma interpretação errada sobre a notícia e pode causar divisões no seio dos Freamundenses. Há anos, aquando da publicidade nas camisolas do Sport Clube de Freamunde, havia razões de sobra, para se discordar da posição tomada pela Direcção do S. C. Freamunde da altura. Ali, a Câmara Municipal de Paços de Ferreira ao exigir que o S. C. Freamunde usasse nas suas camisolas a publicidade à Capital do Móvel, em detrimento da Feira do Capões, aí sim, prejudicou a publicidade ao capão e o interesse por tão novel galináceo.

"ABAIXO OS BOATEIROS"

Esta capital do móvel
é Freamunde e o seu povo,
retratado em cada imóvel
do museu do mundo novo.


Tudo que p´ra aí se conta
são boatos verdadeiros,
que nem o ponteiro aponta
no livro dos marceneiros.


É sempre quem não tem nada
que, a golpes de canalhada,
vem julgar que nos confunde.


Mas a história diz assim:
da capital é o serrim...
o móvel é de Freamunde!...

Autoria: Rodela 

A Câmara Municipal fê-lo com segundas intenções. Sabia de antemão que ia criar divisão e com isto afundar o S. C. Freamunde. Não sei se ali havia mão da Direcção do F. C. Paços de Ferreira para ajudar a tal divisão. Ao dizer “não sei” estou a ser ingénuo. O que me levou a custar a engolir foi a tomada de posição da Direcção do S. C. Freamunde e Junta de Freguesia da altura, por tal decisão.
Faço este intróito com a finalidade de mostrar que no caso da notícia em título acho que só nos devemos orgulhar com ela. Senão vejamos. Se em lugar dela aparecesse esta: capão à Paços de Ferreira em Freamunde! O que diríamos? Sendo como foi noticiada só nos vem valorizar e diminuir Paços de Ferreira.
Em diferendos com amigos que ali tenho disse-lhes várias vezes que me sentia diminuído se a minha terra fosse Sede de Concelho e desde o vinte de Abril fosse dirigida por gente de fora da freguesia de Paços de Ferreira.
O primeiro Presidente da Câmara Municipal, pós vinte e cinco de Abril, foi o Dr. Fernando Vasconcelos, depois o Dr. Arménio, um pára-quedista que caiu em Paços de Ferreira, após este e já no segundo mandato Pedro Pinto, um filho de Freamunde. Agora reparem! Freamunde, Sede de Concelho, a ser dirigido por um Pacense. É que ia ser o bom e o bonito. Da maneira que somos bairristas preferíamos ter lá o Zequinha – paz à sua alma – do que um Pacense.
Só vejo na  notícia, a maneira de Paços de Ferreira ser falada é à nossa custa, de outra forma, só à do futebol. Se não fossemos nós! Ficavam pelo anonimato. 

A Santa Luzia e a feira dos capões:

“Por isso, Freamunde se engalana em cada 13 de Dezembro, para dispor aos olhos do potencial comprador e lhe aguçar o apetite, a espécie real (“capão de oito meses para a mesa do rei” – dizia o rifão) e acentua-se a sua auréola de “terra de capões”. A feira em que o capão é “rei e senhor” mas em que aparece de tudo (o interesse do peru está a decair), coincide com a data em que a liturgia católica venera Santa Luzia, a protectora da visão e das doenças dos olhos, devoção que atrai muita gente também a esta cidade e faz encher a capela de Santo António, onde está a imagem da homenageada. Aqui vinham ter turistas e negociantes de todo o lado e até da Galiza. Os espanhóis vinham oito dias antes. No início do século ficavam na Pensão Cardoso e outras. Muitas vezes traziam rendas para comerciar. Os de Paços diziam, “vamos à feira aos espanhóis?”. Seria daí que passaríamos a ser apelidados por eles, de espanhóis.”
De madrugada ouvia-se o roncar de motores dos poucos veículos com artefactos para serem vendidos na feira dos capões. Estes eram acarretados à cabeça em cestos ou em carros de bois. De manhã cedo os Freamundenses eram acordados com o barulho do montar das tendas, umas com samarras e sobretudos a avisarem que o Inverno ia ser agreste; outras com bijutarias, calçado, legumes, pão e doçaria, mel para adoçar os formigos e a aletria, pinhões, que além de servir para condimento dos ditos formigos, eram usados para se jogar na véspera de Natal ao Rapa. Mas o essencial da feira era os capões. Havia a venda de perus mas eram ignorados pela formosura e riqueza da carne do capão.
“Vai o capão por regalo
Porém, eu bem creio já
Que a vocês lhes pesará
Que o capão não seja galo”


Na década de sessenta não faltava capões expostos e a sua procura era muita. Vinham excursões de todo o norte do País além de carros particulares à sua procura. O trânsito não passava no centro da vila, àquela época, hoje cidade, e tinha de se acomodar nos seus arredores, calhando a alguns ficar a quilómetros do arraial. Os vendedores de capões e perus não os transportavam à viatura do comprador e este que vinha vestido a preceito não se expunha à sujidade que o galináceo podia provocar. Assim “nasceram” os carregadores de capões.
Para isso era preciso estar próximo do negócio. Assim que ele fosse realizado os mais expeditos agarravam-se ao galináceo com a finalidade de fazer o seu transporte. Não havia uma relação de comprador/carregador quanto ao pecúlio pago, deixando para a posteriori esse acto. Regra geral, nessa época, eram dados 2$50 a cada carregador, havendo alguns que nos surpreendiam com mais, como me aconteceu na feira de S. Luzia de 1960 que a mim e a outro rapaz nos deu 20$00 a cada um. Ficamos atómicos! Já tinha ganho 2$50. Com aquele dei por terminado a minha manhã de carregador.         
Hoje não se vê carregadores de capões e perus. Os tempos mudaram e a procura pelos galináceos não é o que era. A maioria que os adquiria fá-lo agora nas proximidades do Natal e em casa do criador. 
Naquele tempo a Indústria local não laborava. Por isso a feira de S. Luzia era muita concorrida e fazia-se muito negócio. Hoje há muitos reformados e desempregados por esse motivo vai ser muita concorrida mas o negócio prevejo-o fraco. A confiança na Economia do País era melhor. Com os cortes que o governo introduziu nos bolsos dos Portugueses, para não dizer outra coisa, leva a que esta feira seja das mais pobres de que há memória.
Manteve-se o dito popular: Conceição de sol Luzia de chuva. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Adeus, Nossa Senhora da Conceição:

Todos os anos, se possível, não deixava de ir à festa da N. Senhora da Conceição. Ainda recordo na minha meninice e juventude ir ver a procissão em sua honra e de ter tomado parte nela. Recordo também o queimar dos "Ferreirinhos". Os miúdos como eu almejavam um lugar onde se vislumbrasse com toda a clareza essa queima. Não era de estranhar que à porta do Sr. Nunes, pai do Tónio e Nelo Nunes, a aglomeração de crianças e alguns adultos para arranjar um lugar no átrio que ali existe.
Eram tempos de fracos recursos e o queimar de uns "Ferreirinhos" originava as pessoas a não faltar a este espectáculo de pirotecnia. Uns, como eu, ficavam deslumbrados com os efeitos feéricos que os mesmos projectavam.
Pelo tempo fora Freamunde no dia 8 de Dezembro não esquecia a sua Santa. Uns anos melhores que outros mas, o que nunca deixava de festejar este dia e festa. O que nunca supunha era que por força de um acordo se acabava com este feriado. Já não bastava terem tirado a celebração do Dia da Mãe nesse dia. Tirar, tiraram, mas eu todos os anos o recordo.
Pobre País que quer acabar com os seus Santos e a sua História. Não compreendo a Igreja Católica prestar-se a estes complôs. Será por ser uma festa de fracos recursos? Só pode ser.   

segunda-feira, 13 de junho de 2011

S. António:

Freamunde sempre teve carinho pelos seus Santos e em sua honra lhe dedica uma festa anualmente: S. António, S. Sebastião, Sª. Conceição e Sª. Luzia. Ao seu Santo Padroeiro, Divino Salvador, não lhe é dedicada nenhuma festa.
Todos os anos é celebrada a Feira/Festa em honra de S. António, em Freamunde, e escusado será dizer no dia treze de Junho. Noutros locais, fazem-no no fim-de-semana mais próximo com a data da celebração.
 
Com crise ou sem crise a festa é sempre celebrada e com saída de uma procissão, uma banda filarmónica, Freamunde, um espectáculo de Hipismo. 
Este ano assim aconteceu mas notou-se menos aderência por parte dos foliões. Será por ter sido a uma segunda-feira e um fim-de-semana prolongada com o dez de Junho ter calhado a uma sexta.

Seja por isso ou por outra coisa, Freamunde com maior ou menor dificuldade não se esquece dos seus Santos, não falta muito para a celebração do Mártir S. Sebastião.  

domingo, 29 de maio de 2011

Procissão das Velas em Freamunde.

Este evento realiza-se todos os anos no último sábado de Maio. Este ano o percurso foi mais pequeno, acho bem, por que assim os mais idosos podem-no acompanhar todo. 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

13 de Dezembro. S. Luzia - Feira dos capões:


É das feiras/festas realizadas em Freamunde em que não há procissão. A capela de S. António está todo o dia aberta para quem quiser satisfazer alguma promessa. Às nove e onze horas foi celebrada uma missa em honra de S. Luzia.
Por várias vezes fiz referência a esta feira e nunca me canso de o fazer pelo facto de ser um ex-líbris da minha terra e por isso todos sentimos carinho e gostamos de receber bem os forasteiros que nos visitam. Ficam a conhecer um pouco da nossa história e bairrismo e deixam o comércio local mais rico. É com prazer e sentido de bem receber que a isso nos propomos.
Que diferença em relação à metade do outro século. Nesse tempo nós rapazes de 10 anos para cima o que procurávamos era acarretar uns pares de capões e com isso receber uma gorjeta. Pareciam galifões à espera de uma carrega, os mais pequenos fisicamente como eu, sujeitávamos ao que restava.
Somos "capões", sim senhor!... / A natureza a brincar, / tirou ao galo o melhor / pô-lo no dono a dobrar...
Para quem não passou por estes tempos, caso dos meus filhos, passo a explicar essa tradição. Finais da década de cinquenta, sessenta, deslocavam-se à feira de S. Luzia centenas de pessoas com a finalidade de comprar um par de capões. Uns com o intuito de na véspera de Natal o saborear, outros para os oferecer por favores prestados.
Como as viaturas tinham de ficar bastantes retiradas e os capões eram pesados e alguns faziam sujidade nós miúdos aparecíamos para os acarretar a troco de uma recompensa. Às vezes eram mais os miúdos para os acarretar que compradores a solicitar o nosso serviço e aí os mais fortes fisicamente faziam valer o seu físico, aliás nem diziam nada, nós compreendíamos a situação.
Vou descrever algo, já o escrevi num texto, passado comigo em mil, novecentos e sessenta: “Nesse dia coube em sorte a mim e a outro colega carregarmos uns capões num percurso de duzentos metros. Quando chegamos à viatura deparamos com um motorista fardado a preceito que meteu os capões na mala do carro. De imediato o senhor - patrão do motorista - meteu a mão na algibeira e deu-me uma nota de vinte escudos e ao meu colega a mesma quantia mas em moedas. Nessa altura retirei a mão pois não acreditava naquilo e tive medo de receber tanto dinheiro – o habitual era dar vinte e cinco tostões e em trajectos mais longos. O senhor fez questão para nós aceitarmos o dinheiro que era dado com todo o prazer”.
Nesse dia os nossos pais aproveitavam para apreciar os preços do calçado e da roupa para ver o orçamento com que podiam contar para dar ao filho mais necessitado pelo Natal. Regra geral era sempre para o mais velho, o imediato ficava com o que ele deixava e assim sucessivamente. Quando a compra não era feita no comércio da terra para ir para o livro de fiados.
Ao cair da noite íamos para os arrabaldes da vila, hoje, cidade, vermos os carros e autocarros a partir e ficávamos admirados com tanto trânsito e confusão. Hoje é mais à base de automóveis mas faz-se muito negócio. Só se espera que esteja um dia bom, sem chuva, porque ganham todos, Santa Luzia, comerciantes e compradores.
A tradição manteve-se. Conceição de chuva Luzia de sol, Conceição de sol Luzia de chuva. Os antigos, no tempo que não havia como hoje há o boletim meteorológico, dizia que se no dia da festa em honra de Nossa Senhora da Conceição, oito de Dezembro, se chovesse sabia-se de antemão que no dia de Santa Luzia, treze de Dezembro, vinha sol. Estas duas festas são celebradas aqui na minha terra por isso a azáfama para se saber do comportamento do tempo. E como de um modo geral os antigos mais uma vez tiveram razão. 
Aos que não compram pelo menos levam um pouco da nossa tradição e sabedoria que é dada com todo o prazer.
Cá tenho as minhas razões / (ou eu não fosse mulher...): / vendo pra fora os capões / que em casa ninguém os quer...
Versos: Rodela e Fernando Lacerda

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Festa em honra de Nossa Senhora da Conceição:


 Nossa Senhora da Conceição

Festa que se realiza no Largo de S. Francisco. A nível religioso é celebrada uma missa e realizada uma procissão pelas ruas da cidade. Este ano derivado às condições climatéricas esteve em vias de não se realizar. A partir das dezasseis horas houve um período em que não choveu o que foi o bastante para a realização da procissão.
Desde sempre lembro-me desta festa e da mercearia do Ramiro que neste dia servia de tasca onde uma grande parte dos foliões ia beber uns copos e esquecer por momentos os azares da vida. Com a sua morte a mercearia fechou assim como a tasca no dia oito de Dezembro.
Os festeiros das festas Sebastianas alugaram um coberto no largo de S. Francisco onde quem quiser pode saborear uns rojões e uns bons copos de tintol e eles (festeiros) angariarem uns euros que servem para colmatar as despesas das festas Sebastianas de dois mil e onze. Dizem os entendidos do vinho que o deste ano era uma delícia - como se usa dizer é de beber e chorar por mais.
É uma pequena festa mas como digo com grande tradição. Todos os Freamundenses sentem um carinho especial pela Senhora da Conceição. As mordomas e mordomos – espécie de festeiros – são todos solteiros. Não sei qual o motivo mas assim reza a tradição
Neste dia a Associação Musical de Freamunde aproveitava para fazer a estreia de novos músicos. Este ano vão entrar seis. Ainda bem porque assim dá-se novo sangue à banda embora a sua maioria seja jovens. Parece uma banda juvenil. Durante a tarde a Associação Musical de Freamunde deu um concerto de música e fez o acompanhamento da procissão e encerrou com uma rapsódia e o hino de Freamunde.
Esta festa culmina com o seu expoente máximo que é a queima dos "Ferreirinhos", únicos no país.