Rádio Freamunde

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As Tascas:

Em Freamunde havia bastantes. Umas com serviço de mercearia outras simplesmente tascas. Era miúdo e lembro-me delas e do seu funcionamento. Ia para casa dos meus avós em Freamunde de Cima e num espaço de cinquenta metros havia duas: Sejuca e Toninho Carvalho. Aos domingos o meu avô António Pacheco levava-me com ele à tasca do Sejuca onde ia jogar sueca. Recordo-me dos acessos, do seu interior não tanto. Os homens que ali iam jogar se hoje fossem vivos deviam rondar para cima dos cento e dez anos. Desta falo mais pormenorizadamente porque ali à beira era a casa dos meus avós, para mim, segunda casa. Era uma pobre casa e casa de pobres mas sentia-me bem - era um deles. Várias vezes ali dormi.
Naquele tempo não existia a televisão, só telefonia. Quem jogava à sueca não perdia a atenção ao jogo por que não precisava de olhar para o rádio para ouvir o golo, a jogada mais perigosa, ou a fantasia que o locutor imprimia ao relato para o tornar mais comentado - anos mais tarde ouvi Artur Agostinho a dizer que usavam essa técnica - na do Toninho Carvalho cheguei a ir acompanhado com o meu pai.
Na Feira, ou seja, no centro de Freamunde havia umas poucas: a do Ramiro, Elviras, Sr. Artur (28), Américo Taipa, o que aqui se falava de futebol, - parecia a sede do Sport Clube de Freamunde - ciclismo e outras modalidades, o cortar na casaca de tantos freamundenses; a do Sr. António da Praça, ainda me recordo do bilhar de matraquilhos onde ali gastei várias moedas de cinco tostões; a dez passos a do Santa Marta que depois passou para o Neca Costa - para ir viver para Angola – mais tarde, até ao seu encerramento foi do Zé Viana; a do Abílio da Locádia nos dias de feira de Freamunde (13 e 27) em que defronte a ela era a feira do gado; em frente, a do Sr. Ernesto Taipa, que além da sueca se jogava à bola de pau; do Ilídio Carneiro (14) era tio do meu pai por parte de mãe, sempre de pose... austera.
Na Gandarela havia duas. A do Sr. Augusto Cardoso, - mais tarde da sua filha Arminda - no fim dos treinos de futebol, comia-se umas bolas de carne, oferecidas pelo Sr. Anselmo Marques, com a finalidade de se beber umas copadas de vinho, a da Estininha, quase em frente. Só existe esta e explorada pela sua nora Laura.
Na Plaina, a do Cancela, jogava-se á sueca e depois comia-se um bacalhau à CDS. Podia haver mais uma ou outra mas de momento não me lembro.
Em todas elas jogava-se à sueca, umas com mais assiduidade que outras. Havia jogadores com vários estilos. Uns que quando tinham trunfos e bom jogo, jogavam como mandam as regras, primeiro destrunfavam, só depois jogavam os ases e cartas de valor. Outros que faziam o seu contrário. Jogavam as cartas de valores: ases, biscas e outras mais e quando o jogo estava a findar mostravam os trunfos e diziam é tudo meu, mas... o jogo há muito que estava perdido. Havia um que nesse tempo abusava dessas jogadas mas com esta técnica, ficou celebrizado para todo o sempre, como o jogar à Zé do Lopes.
A maioria delas fecharam. Hoje para se jogar à sueca é nas esplanadas dos cafés, algum aposento que o café tenha ou no seu interior, isto de segunda a sexta-feira. Nos fins-de-semana são mais para os casais que ali vão tomar café e pôr a conversa em dia. É um fartar de fazer barulho por parte dos jogadores, nos quais me incluo, em que os moradores vizinhos são obrigados a suportar.
Todos têm as suas características de jogo. Não há quem se considere regular. Todos são bons! Quando perdem desabafam: a sorte ganhou ao saber. Quando é o seu contrário dizem que são "tubarões" da sueca. Não sei de onde vem este termo mas… não passam de um Zé do Lopes.
O que nos vêm à memória quando o assunto era... tascas.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Na tasquinha do núcleo do Sporting em Freamunde:

De vez em quando, um grupo de jovens, que frequenta a tasquinha do Sporting, são oriundos de Modelos, Sobrosa e Ferreira, presenteiam-nos com música popular portuguesa. Vêm munidos com duas Violas, um Bangelo e um Cavaquinho e por brincadeira, não há ensaios, exibem-se com a maior naturalidade, sendo que é do agrado de quem assiste. 
Também o “Nandinho” Correia e a sua irmã, colaboram com a sua voz, o que torna agradável e passa-se ali um bom momento. O dia desta reunião costuma ser aos sábados à noite mas, quando fiz estas filmagens foi no dia 13 de Março, domingo à tarde, dia de anos do dono da tasquinha. Não havia muito gente, uns foram ver o futebol, outros passear com a família. 
De qualquer maneira aconselho a comparência aos sábados à noite, de uma coisa podem estar certos, ali tudo é amador, não há microfones, luzes a dar um colorido diferente, é a voz e só a pura voz. Se alguém se sentir com aptidões de cantar que apareça. Uma coisa é certa, tudo é de improviso, assim como estes vídeos.