Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Eu é que sou o presidente da Junta:
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
Um fait divers à medida da silly season:
domingo, 30 de agosto de 2020
Uma provocação rasca:
Rebuscando no passado 33:
Freamunde é cognominado como: Terra de Trabalho, Cultura e Paz. O Padre Maximino Alves, não sei em que ano, sei que Freamunde foi sempre pioneiro nessas três vertentes, fundou um colégio em Freamunde de Cima.
Depois Freamunde deixou-se ultrapassar. Ficamos só com o ensino obrigatório.
No final do século vinte e princípio de século vinte e um fomos abrangidos perlo ensino do primeiro ciclo e secundário. Custou.
Mas deu-se relevo a uma terra e comunidade que esteve sempre na linha da frente na Cultura. Assim se fez justiça a quem por vontade própria fundou um liceu, liceu esse, primeiro no concelho de Paços de Ferreira.
Por isso apraz-me trazer ao conhecimento dos Freamundenses o que fomos o que continuamos a ser e seremos no futuro.
CRÓNICA DE UMA CRISE ANUNCIADA!
Há quem muito faça deixando a falar quem só critica:
sábado, 29 de agosto de 2020
O pantomineiro de Belém:
Ontem na Feira do Livro do Porto, o Presidente da República Portuguesa, ao mesmo tempo o Chefe de Estado e o mais alto magistrado da Nação, professor catedrático na FDUL, onde até ensinou maioritariamente Direito Constitucional e/ou a actual Constituição da República Portuguesa, onde as suas funções constitucionais e os seus limites como órgão de soberania não podiam ser mais claros, quando interpelado por uma cidadã completamente fora de si ou já muito perto do Chega – quiçá até uma repórter do you tube -, que basicamente perguntava porque não tinha que comer, teve isto para responder: - “Porque os portugueses votaram neste Governo. Diga aos portugueses para votarem noutro…”
Como nem a múmia foi tão longe em discurso directo, presumo que mais uma vez quem visitou a Feira do Livro do Porto não foi o PR mas o pantomineiro de Belém a fazer de PR. Era bom que os portugueses pensassem nisso nas próximas presidenciais.
P.S. Igual só outro pantomineiro. O bastonário da Ordem dos médicos. Quando ainda há poucos meses - aquando do bebé que nasceu sem rosto numa clínica em Setúbal, depois de dezenas de queixas que já pendiam sobre o médico que realizava as ecografias - garantia aos portugueses que afinal a Ordem dos Médicos não pode realizar auditorias.
Repórter P
POR ASPIRINAS
sexta-feira, 28 de agosto de 2020
As Ordens Profissionais:
(Carlos Pereira Martins, in Facebook, 27/08/2020)

As Ordens Profissionais actuam com poderes delegados pelo Parlamento, única e exclusivamente para “regular o exercício da Profissão”
Escrevo com muito conhecimento de causa.
Conheço, pois, como as minhas mãos, a historia das últimas décadas de cada Ordem Profissional, as especificidades de cada uma das Profissões Reguladas e o quadro legislativo e normativo que as regula e lhes confere poderes delegados pela Assembleia da República, agora, através da nova Lei-Quadro das Ordens Profissionais.
Ser Bastonário, era, nesses tempos, uma distinção muito importante. Sempre, pessoas e profissionais da maior competência, pessoas integras e dispostas a exercer cargos e mandatos sempre pro bono, que os Estatutos impediam qualquer remuneração aos dirigentes e Bastonários. Movimento associativo na sua pureza.
Passaram “por mim” Bastonários como Pires de Lima, Germano de Sousa, o Enfermeiro Germano Couto, a Enfermeira Maria Augusta de Sousa, Maria Irene Silveira, Pedro Nunes, José Manuel Júdice, Rogério Alves, Marinho Pinto, José Manuel Silva, o Prof. Carlos Ribeiro, Maria de Jesus Serra Lopes e Castro Caldas nos Advogados e muitos outros.
Por isso, vi com muito agrado a passagem como Bastonários de pessoas que vinham directamente do movimento sindical, dos sindicatos, como o Dr. Pedro Nunes nos Médicos e Maria Augusta de Sousa, nos Enfermeiros, para dar dois exemplos agora muito elucidativos.
E, nunca por nunca, qualquer destas pessoas, Bastonários, misturou os respectivos papeis. Uma vez Bastonários, foram sempre os assuntos e matérias relativos ao exercício das respectivas profissões, para os quais tinham poderes delegados pela Assembleia da República, que os norteou.
Vejo, pois, com grande perplexidade e enorme tristeza, pelo manifesto mal que causam a prazo ás respectivas Ordens e Profissões, as intervenções públicas de Bastonários recentemente eleitos, como no caso dos Enfermeiros e dos Médicos, a promiscuidade de actuação privilegiando a política pura e dura e a esfera sindical em detrimento das questões referentes ao exercício da profissão.
As Ordens Profissionais actuam com poderes delegados pelo Parlamento, única e exclusivamente para “regular o exercício da Profissão”, cada uma delas. Assim, sendo que uma Ordem ultrapasse ou desvirtue esses poderes delgados pela Assembleia da República, o Parlamento poderá a todo o momento retirar as competências a essa Ordem, que mais não é que uma associação publica.
NÃO É POIS ADMISSIVEL QUE UMA ORDEM OU UM SEU BASTONÁRIO apareça publicamente com uma capa que aparente não ser a figura institucional de Bastonário, a imiscuir-se na política pura e dura, encomendando pretensas auditorias, relatórios e pareceres ou mesmo nas questões sindicais da profissão ou a angariar fundos para questões que ultrapassam a sua função de regulador e verificador das competências dos profissionais para exercerem aquela e só aquela profissão específica. Uma vez empossado Bastonário, é-o a todo o momento e em todo o lado, não é possivel despir as competências e funções institucionais.
Confesso que, nos tempos mais recentes, tenho sentido uma enorme tristeza na constatação de que os pressupostos que enunciei para as Ordens e os Bastonários não são agora observados.
Lamentável, penso até que ilegal à luz da Lei Quadro das Ordens Profissionais. Desvirtuando-se e confundindo-se os papeis e actuações, haveria lugar, penso, a que fosse revista ou retirada, nesses casos, a delegação de Poderes atribuída pelo Parlamento.
A credibilidade e honorabilidade de um Bastonário, desses tempos idos, não se compadeciam com a mistura nas lutas políticas. Um Bastonário desses anos, entendia e cumpria que representava profissionais ideologicamente situados em todo o espectro politico. Por isso mesmo, deixavam a política aos Partidos e dessa forma adquiriam maior independência, credibilidade e maior poder negocial e representativo para as Ordens, para as respectivas Profissões Reguladas.
Do blogue Estátua de Sal
Campo Pequeno:
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
As duas ou mais caras de um bastonário:
Surpreendeu-me a rapidez com que António Costa recebeu o bastonário da Ordem dos Médicos numa altura em que o seu tom baixava, transparecendo o incómodo por ter exorbitado os seus poderes ao anuir a uma auditoria ilegítima, sobretudo numa altura em que sabia estar em curso uma alteração legislativa sobre as competências desse tipo de instituições a quem o Estado vem delegando a aferição da qualidade e conhecimentos dos seus profissionais. Quando António Costa dissera na entrevista quais eram essas competências, e as sublinhava com um ponto final, julguei que cessasse aí uma novela artificial alimentada pela SIC, pelo Expresso e pelos partidos mais à direita dos que nesse lado da realidade política se situam. Interpretei o gesto como magnânima deferência para com quem tão mal se portara nos meses anteriores, sempre vendo motivos de crítica nas ações do governo, dando-lhe agora a oportunidade a um novo recomeço, mais assertivo e de acordo com a necessidade de unidade nacional nesta altura de efetiva crise política, económica, social e sanitária. Aparentemente foi esse dissipar de divergências que resultou da conferência de imprensa dada no final do encontro de mais de três horas entre o bastonário e o primeiro-ministro e assim o transmitiu a generalidade da imprensa. Quando o bastonário vem agora escrever aos médicos inscritos na Ordem que uma coisa foi o que se conversou lá dentro e outra o que se disse cá fora, revela uma cobardia, afinal justificando as palavras apanhadas em off a António Costa depois da entrevista ao «Expresso» e aproveitadas para criar um caso político, que se virou precisamente contra quem o quis utilizar. Se Miguel Guimarães pensou o que depois escreveu, porque não o disse ali aos jornalistas, quando estava ao lado do primeiro-ministro? Porque deixou passar um dia e veio agora demonstrar fúteis os esforços empreendidos pelo governo para pacificar o relacionamento com a Ordem? Se perspetivávamos a hipótese de deixarmos de ter o bastonário como bombo da festa das nossas reiteradas e justificadas críticas, ele veio-nos demonstrar o contrário. E que, como aqui já escrevi, o melhor é dar-lhe o tratamento aplicado à sua parceira dos enfermeiros: tendo sido ignorada pela tutela do setor quem é que ainda lhe liga?Do blogue Ventos SemeadosPublicada por jorge rocha
terça-feira, 25 de agosto de 2020
Aos racistas, xenófobos e afins:
Na Senzala, úmida, estreita,
Brilha a chama da candeia,
No sapé se esgueira o vento.
E a luz da fogueira ateia.
Junto ao fogo, uma africana,
Sentada, o filho embalando,
Vai lentamente cantando
Uma tirana indolente,
Repassada de aflição.
E o menino ri contente...
Mas treme e grita gelado,
Se nas palhas do telhado
Ruge o vento do sertão.
Se o canto pára um momento,
Chora a criança imprudente...
Mas continua a cantiga...
E ri sem ver o tormento
Daquele amargo cantar.
Ai! triste, que enxugas rindo
Os prantos que vão caindo
Do fundo, materno olhar,
E nas mãozinhas brilhantes
Agitas como diamantes
Os prantos do seu pensar ...
E voz como um soluço lacerante
Continua a cantar:
"Eu sou como a garça triste
"Que mora à beira do rio,
"As orvalhadas da noite
"Me fazem tremer de frio.
"Me fazem tremer de frio
"Como os juncos da lagoa;
"Feliz da araponga errante
"Que é livre, que livre voa.
"Que é livre, que livre voa
"Para as bandas do seu ninho,
"E nas braúnas à tarde
"Canta longe do caminho.
"Canta longe do caminho.
"Por onde o vaqueiro trilha,
"Se quer descansar as asas
"Tem a palmeira, a baunilha.
"Tem a palmeira, a baunilha,
"Tem o brejo, a lavadeira,
"Tem as campinas, as flores,
"Tem a relva, a trepadeira,
"Tem a relva, a trepadeira,
"Todas têm os seus amores,
"Eu não tenho mãe nem filhos,
"Nem irmão, nem lar, nem flores".
A cantiga cessou. . . Vinha da estrada
A trote largo, linda cavalhada
De estranho viajor,
Na porta da fazenda eles paravam,
Das mulas boleadas apeavam
E batiam na porta do senhor.
Figuras pelo sol tisnadas, lúbricas,
Sorrisos sensuais, sinistro olhar,
Os bigodes retorcidos,
O cigarro a fumegar,
O rebenque prateado
Do pulso dependurado,
Largas chilenas luzidas,
Que vão tinindo no chão,
E as garruchas embebidas
No bordado cinturão.
A porta da fazenda foi aberta;
Entraram no salão.
Por que tremes mulher? A noite é calma,
Um bulício remoto agita a palma
Do vasto coqueiral.
Tem pérolas o rio, a noite lumes,
A mata sombras, o sertão perfumes,
Murmúrio o bananal.
Por que tremes, mulher? Que estranho crime,
Que remorso cruel assim te oprime
E te curva a cerviz?
O que nas dobras do vestido ocultas?
É um roubo talvez que aí sepultas?
É seu filho ... Infeliz! ...
Ser mãe é um crime, ter um filho - roubo!
Amá-lo uma loucura! Alma de lodo,
Para ti - não há luz.
Tens a noite no corpo, a noite na alma,
Pedra que a humanidade pisa calma,
— Cristo que verga à cruz!
Na hipérbole do ousado cataclisma
Um dia Deus morreu... fuzila um prisma
Do Calvário ao Tabor!
Viu-se então de Palmira os pétreos ossos,
De Babel o cadáver de destroços
Mais lívidos de horror.
Era o relampejar da liberdade
Nas nuvens do chorar da humanidade,
Ou sarça do Sinai,
— Relâmpagos que ferem de desmaios...
Revoluções, vós deles sois os raios,
Escravos, esperai! ...
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