sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A nova turismofobia:

Quando Paulo portas, essa personagem estranha da direita política, mandava nas pastas económicas apresentava o sucesso do setor do turismo como obra dos seus afilhados. Era um pouco como a crista que confundia oliveiras com couves e considerava que o aumento da exportação de azeite extraído de azeitonas de oliveiras cultivadas dez anos antes, como resultado da sua política.
Agora que a direita fica com azia com qualquer notícia boa para o país, por vontade de Passos as temperaturas altas e os incêndios deviam continuar até às próximas legislativas, o turismo só tem defeitos. Aquilo que salvava o país é agora a nossa desgraça, dantes criava emprego e riqueza, agora cria emprego com baixos salários e quase não deixa riqueza.

Aliás, esta desvalorização do turismo numa perspetiva económica não é partilhada apenas pela direita partidária. Quem fez este tipo de críticas ou não pensa muito ou fá-lo com irresponsabilidade.

Quem defende esta tese parece pensar que os trabalhadores sem qualificações que o turismo emprega poderiam ser contratados para trabalhos que exigem qualificações elevadas ou mesmo para projetos de investigação científicas. Os que convidaram os quadros mais qualificados a abandonar o país queixam-se agora do emprego pouco qualificado, os que eram contra o aumento do salário mínimo queixam-se dos salários dos novos empregos, os que criavam empregos com falsos estágios desvalorizam, o emprego criado sem qualquer ajuda.

Mas a argumentação da direita não revela apenas má fé, denuncia muita ignorância. Os turistas não se limitam a pagar viagens de low cost e a dormir em hotéis baratos, também fazem compras e consomem. Os sapatos vendidos na Rua Augusta deixam uma margem de valor acrescentado muito maior do que os vendidos para exportação. Os preços dos muitos contentores de cerveja vendidos a turistas cheios de sede são muito superiores aos contentores exportados para Angola. Além disso estas “exportações” não estão sujeitas a atrasos de pagamento, a cartas de crédito, a transportes com custos elevados e a comissões para os mais diversos agentes.

O que vendemos aos turistas equivale a uma exportação mas com margens muito superiores ás praticadas no comércio internacional. Os empregos criados pelo turismo não são apenas de condutores de tuc-tuc, empregados de mesas e pessoal de limpeza. As dezenas de hotéis em construção traduzem em emprego para muitos engenheiros, arquitetos e trabalhadores qualificados. Esta criação de emprego induzido pelo turismo sente-se em muitos setores da economia e em muitas profissões. As próprias receitas fiscais que gera permitem o financiamento do estado e por essa via o financiamento de atividades que exigem elevados níveis de qualificação, desde professores a médicos.

Os que se queixam do baixo nível salarial dos novos empregos que deixem de verter lágrimas de crocodilo. Não tardará muito que a pensar nas empresas amigas deixarão de ir para o Pontal com discursos xenófobos contra os emigrantes, não tarda a que defenda a vinda de trabalhadores estrangeiros para promover os baixos salários que as novas leis laborais não conseguirão provocar quando se sentir a falta de alguns profissionais, fenómeno que já se faz sentir em muitos setores de atividade.

Do blogue (Jumento)

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