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sábado, 3 de janeiro de 2026

Quo vadis, mundo?

Hoje o mundo acorda novamente com imagens de uma possível nova guerra.
Explosões na capital venezuelana, Caracas, ruídos de aviões e colunas de fumo no céu, e no coração de quem assiste com incredulidade.
O que era para ser o início de um ano diferente, um ano em que tantos esperávamos paz, esperança e renascimento, tornou-se no prenúncio de mais medo e incerteza.
Na madrugada, vozes e imagens que ninguém quer ver, bombas, aeronaves no ar, bairros sem eletricidade, cidadãos atemorizados, depois de meses de tensões crescentes entre os Estados Unidos e o governo venezuelano.
A Venezuela acusa os Estados Unidos de agressão militar. Washington, numa escalada que era impensável há apenas alguns meses, ordenou ataques a posições dentro do país como parte de um esforço que diz ser direcionado contra o narcotráfico, mas que agora arrasta consigo civis e todo um povo.
Começar o ano assim dói…
Dói porque somos testemunhas, muitas vezes impotentes, de uma história que se repete.
É o poder bruto a falar mais alto, quando o diálogo e a diplomacia deveriam ter prevalecido.
Dói porque cada explosão não é apenas um estrondo no ar, mas uma ruptura nas vidas de famílias, crianças, homens e mulheres que só queriam viver, amar, trabalhar… como qualquer um de nós.
E se juntarmos a isto as grandes potências que observam, copiam ou respondem, como a China e a Rússia, que já denunciaram movimentos militares, como ameaça à paz e estabilidade, percebemos que esta crise não está confinada a um território, a uma capital ou a um povo.
É um espelho do mundo de hoje, fragmentado, polarizado, e por vezes horrivelmente violento. 
Quo vadis, mundo?
Esta é a pergunta ecoa no nosso peito, e com razão.
Para onde vamos quando líderes escolhem armas em vez de palavras?
Para onde vão os sonhos de milhões que acreditam que o tempo de resolver conflitos com humanidade está chegando?
Para onde vão os pais que tentam explicar aos filhos por que há bombas no céu, por que os adultos se enfurecem, por que o ano começou com medo?
Alguns podem dizer que isto é política fria, interesses, poder, estratégia.
Mas para quem está nas ruas de Caracas, para quem vê o vizinho ferido, para quem conhece uma mãe venezuelana que acordou a chorar no meio da noite, isto é vida, isto é dor, isto é real.
No fim, não são as manchetes que nos movem, são as pessoas.
Os rostos que perdem energia, não luz.
Os acompanhantes que perdem um ente querido, não um número.
Os sonhos que se partem, não os gráficos de análise.
Se o mundo ainda quer um ano diferente, então é preciso que, além de noticiarmos a violência, clamemos por alternativas, por diálogo real, por mediação genuína, por um compromisso coletivo com a proteção da vida e a dignidade humana.
Hoje, milhões acordaram com medo.
Mas milhões mais ainda sonham com paz.
E é por eles que não se deve desistir.
Que oremos, “todos, todos, todos!”
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