A notícia até terá feito vacilar alguns socialistas: então se o Aldrabão promete demitir-se se a Ana Gomes tiver mais votos do que ele, porque não fazer-lhe a vontade e, a exemplo do que Cunhal aconselhou há muitos anos aos comunistas para evitar a vitória do candidato da AD, votar nela sem olhar para o rosto e o nome no boletim de voto?
O problema com os aldrabões é, porém, outro: acabam sempre por dar o dito por não dito, quando se trata de prosseguirem na vigarice. Aconteça essa hipótese e logo ele inventará forma de voltar atrás: descoberto o filão da fraude, como dispensá-lo em momentânea adversidade? Quase por certo os 99% de apaniguados, que o incensaram no congressozinho do fim-de-semana fariam uma peregrinação até à sua porta, ungindo-o qual senhora santa no alto de uma oliveira!
Não me vejo, pois, a votar numa candidata que, só por mero acaso milita no meu Partido. Algumas têm sido as ocasiões em que, descrendo do mérito dos seus candidatos, tenho declinado neles votar. Era só o que faltava prescindir do sentido crítico inerente ao facto de, pressentindo o mal que farão aos cidadãos e ao Partido, dar-lhes carta branca!
Ora Ana Gomes é um desses casos: pode ser eficaz no debate cara-a-cara com o Aldrabão, porque vence-o claramente na capacidade de vender peixeirada, mas não esqueço o mal que fez em tempos idos aos governos, que supostamente deveria apoiar.
Dirão alguns incautos: mas não porfiou na denúncia do negocio de Paulo Portas relativamente aos submarinos? Sim, é verdade que o não calou. Mas pergunta-se: com que resultados? Às vezes não é vir a correr para a praça pública a bradar contra o ladrão, que mais facilmente o conseguimos apanhar. A inteligência estratégica é uma arte que Ana Gomes já demonstrou bastas vezes não ter! Por isso mesmo, estão já excluídos cinco candidatos ao meu voto nas próximas presidenciais: o óbvio Aldrabão, o cúmplice do Pardal dos camionistas, o ultraliberal, o Marcelo e Ana Gomes. A tendência anunciada anteriormente tende a consolidar-se!
Do blogue Ventos Semeados
Publicada por jorge rocha

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