terça-feira, 9 de maio de 2017

A vacina de que andamos precisados:

Não havendo uma nova vaga de refugiados provenientes da Turquia, as extremas-direitas europeias terão conseguido o máximo fulgor na eleição presidencial francesa deste fim-de-semana. A partir deste clímax segue-se a decadência.
Na Alemanha o partido, que chegou a assombrar os democratas andam em perda e nem é certo que consigam sequer garantir lugar no Reichtag, por muito que, ali ao lado, na Áustria, o patrão da Red Bull anuncie milhões de investimentos num novo site, que equivalha ao sinistro Breitbart, conhecido pelo papel de relevo na eleição de Donald Trump.
Bem pode Marine Le Pen mudar o nome do partido que a maioria dos franceses não é estúpida o bastante para acreditar que, alterado o rótulo, também se transfiguraria o infecto conteúdo da embalagem.
Fica, no entanto, o mais importante por resolver: as extremas-direitas só proliferaram nos últimos tempos por estarmos numa fase de transição tecnológica, que torna perdedores quem a elas não se mostra resiliente. São esses órfãos de um modelo de sociedade irrepetível e sem ressurreição possível, quem revelam a cólera mediante o voto nos que lhes exploram os medos e inseguranças. E que devem ser tratados como aquilo que são: fascistas! De um novo estilo, mas incontornavelmente fascistas.
Basta ver-lhes os exemplos recentes: Orban na Hungria, Kaczyński na Polónia ou Erdogan na Turquia ascenderam ao poder através do formalismo do voto democrático. Mas tão só consolidados no lugar ei-los a espezinharem todas as liberdades, a prenderem e silenciarem os opositores, a pretenderem eternizar-se nos cargos.
Quem ainda acredita na condição democrática de um regime só porque os seus tiranos se afirmaram através do voto das maiorias (ou nem sequer isso!)?
É tempo de as esquerdas deixarem a lógica estúpida de defender  fascistas em nome dos seus próprios valores. Foi triste ver Vasco Lourenço defender Jaime Nogueira Pinto e Bernie Sanders a imitá-lo a respeito de Anne Coulter, quando universidades prestigiadas escusaram-se a possibilitar-lhes a palavra em conferências organizadas de acordo com as mesmas estratégias e objetivos. O que tende a confirmar a ideia de integrarem um Manual de Instruções distribuído transversalmente vários países para serem implementados com tanto sucesso quanto esperam os promotores.
No pós-25 de abril a vigilância antifascista estava mais desperta e era atuante nesta situações, Nos últimos anos as esquerdas amoleceram e perderam de vista o quanto é virulenta tal gente.
Mas, para além de reintegrarem o discurso antifascista no seu discurso, as esquerdas têm de se revelar  implacáveis com a corrupção, íntegras face às negociatas, resistentes às pressões externas e cumpridoras das promessas com que se terão comprometido.
Só assim se obterá vacina duradoura contra os fantasmas, que os últimos anos fizeram despertar.
Segunda-feira, 8 de Maio de 2017
Do blogue (Ventos Semeados)

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