Intróito
Como é habitual todos os dias dou uma vista de olhos pelos blogues da
minha estimação. Hoje no “Crónicas do Rochedo” deparei com um texto que muito
gostaria de escrever se tivesse competência para isso. Ali está descrito tudo o
que um jovem nos anos sessenta e sessenta do outro século passou ou ambicionou.
O antes querer saber do ter. O confiar que assinou contractos com gente séria.
Que o Estado em toda a sua vivência era gente de bem. Que para os desígnios da
Nação só ia gente responsável e só pensava no bem dos seus súbitos.
Tudo isto para mim se desvaneceu. Uma vida inteira a acreditar que pessoas que se candidatam para o serviço público eram dotadas de virtudes e afinal não passam de marginais. Dizem que tudo neste mundo é pago. Espero que esta seita de mentirosos e usurpadores paguem com língua de palmo. Mas isto é eu a pensar. Porque não há justiça neste meu Portugal.
Tudo isto para mim se desvaneceu. Uma vida inteira a acreditar que pessoas que se candidatam para o serviço público eram dotadas de virtudes e afinal não passam de marginais. Dizem que tudo neste mundo é pago. Espero que esta seita de mentirosos e usurpadores paguem com língua de palmo. Mas isto é eu a pensar. Porque não há justiça neste meu Portugal.
Açoitem-me!
"O meu pai educou-me para ser feliz e não para ser rico. É uma dívida de
gratidão que tenho para com ele. A educação que me deu não me permitiu acumular
uma conta bancária choruda, mas deu-me a hipótese de criar o meu próprio banco.
Um banco onde não se pagam juros, mas se aforram recordações. É um banco de
imagens e de memórias dos 98 países que visitei, dos sete onde vivi tempo
suficiente para criar raízes.
É certo que o meu pai nunca me disse que deveria aforrar para a
velhice. (Tal como eu, devia confiar nas promessas dos governos e nunca lhe
terá passado pela cabeça que, no dia de receber a reforma nos termos acordados
com o Estado há 41 anos, viesse um grupo de ladrões, democraticamente eleitos
para governar o país, dizer " Não pagamos!"). Se alguma vez mo tivesse
dito, o mais provável é que eu nunca tivesse ousado fazer da minha vida uma
aventura para ser feliz. Talvez tivesse uma conta bancária choruda, mas não
tinha o meu banco de imagens tão enriquecido de memórias inolvidáveis, que
nenhum dinheiro pode pagar. O meu pai não me avisou para ser prudente e me
precaver para a velhice. (Nem precisava, porque a morte prematura de três dos
meus irmãos fez-me perceber melhor a transitoriedade da vida e ensinou-me a
relativizar a importância dos bens materiais). Apenas me disse que o mais
importante na vida é ser feliz. Estou-lhe grato por isso.
Hoje, infelizmente, muitos jovens - quiçá a maioria - não poderão dizer
o mesmo. Vivem para acumular dinheiro e olham para os mais velhos como um
empecilho descartável. Uma herançazita vinha mesmo a calhar, mas o velho nunca
mais morre... Os velhos deixaram de ser fonte inspiradora para os jovens,
exemplo de sabedoria, passaram a ser vistos como um entrave ao progresso.
Claro que isto não tem nada a ver com um sistema educativo que despreza
a solidariedade e promove o individualismo, nem com a formação adquirida nas
Jotas partidárias, nem com a desestruturação familiar e, muito menos, com a
ascensão do jovem ao centro nuclear da família outrora ocupado pelo "pater
familiae". Tampouco tem a ver com a inversão da pirâmide da sabedoria. A
minha geração olhava para os pais e avós e via neles exemplos de saber; os
jovens de hoje são a sabedoria. Olham para os pais e avós com condescendência -
às vezes até com carinho - mas no íntimo pensam. Coitados! Estão velhos... não se
adaptaram à vida moderna. Vivem no mundo
deles e não percebem nada do que se passa cá fora!
No meu tempo, os jovens olhavam para os pais como um exemplo a seguir.
Agora, são os pais que devem seguir o exemplo dos filhos, para não serem vistos
como botas de elástico ou caretas.
Talvez os jovens de hoje sejam mais felizes do que eu mas, muitos
deles, nunca conhecerão o prazer de comprar um carro, uma casa, ou fazer uma
viagem de sonho com dinheiro ganho à custa do seu trabalho, porque desde cedo
se habituaram a explorar a separação dos pais para os chantagearem com exigências, que trocam por afectos
plastificados de circunstância.
Nunca perceberão o prazer de uma conquista, porque nasceram e cresceram
habituados a exigir.
Nunca conhecerão o significado da palavra Liberdade porque, desde cedo,
na Universidade, nas Jotas, nos locais de trabalho, lhes ensinaram que vergar a
espinha perante o superior, é o caminho para o sucesso.
Quando estes jovens forem velhos, talvez sejam - como eu - surpreendidos
pela evolução dos tempos. A diferença é que, muito provavelmente, a maioria não
terá o prazer de sentir uma dívida de gratidão pela educação que receberam."
Sem comentários:
Enviar um comentário