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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A condecoração a Cristiano Ronaldo:

Todos têm aspirações. Uns mais que outros. Por isso a luta afincadamente do dia-a-dia para que surja mais tarde essa dita aspiração. Seja nos bancos da escola, liceu ou universidade; no local de trabalho; na pequena ou média empresa; nos serviços públicos; nas forças de segurança; no mundo do futebol; ou nos altos desígnios da Nação. Dá-se o melhor que há em si. Mas todos não somos portadores desse dom. Há uns mais que outros. A fama não nasce com a pessoa assim como não se compra. Custa e dá muito trabalho para a adquirir. E nós portugueses que temos entre nós gente desta estirpe podemos avaliar o seu custo. É que para angariar essa fama demora horas, dias ou anos. Para a perder basta segundos. Por isso muitas vezes se cria estrelas com pés de barro. Ao mínimo movimento alaga-se.
Mas há outras, que mesmo jovens, já nos dão mostras que os seus pés não são de barro. Estão ali e para durar. Cristiano Ronaldo é a prova provada do que estou a dizer. Nascido no seio de uma família pobre e num dos lugares mais pobres da cidade do Funchal (S. António) cedo mostrou da tempera que são feitos os Aveiro. Quem conhece a cidade do Funchal sabe do que me estou a referir mais a mais na data em que veio para a Metrópole para ingressar nas camadas jovens do Sporting Clube de Portugal.
Sabe-se que a saída do seio familiar a qualquer pessoa é difícil mas mais difícil se torna quando se tem apenas onze anos. Nesta idade o que qualquer criança precisa é de estar junto dos pais mais precisamente da mãe. Mas se ainda é dentro do mesmo território podia ser que desse uma dor de saudade e uma pessoa metia-se a caminho quer fosse com autorização ou não.
 Agora entre dois continentes com o mar a separá-los. Só há dois meios de transporte caso se queira matar saudades: barco ou avião. Também a época no que diz respeito à tecnologia era diferente. Valia-se do telefone público ou do telemóvel. Facebooks e skipes estavam em embrião.
Sendo assim por tudo o que passou Cristiano Ronaldo é lhe bem entregue a medalha de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Só que Cristiano Ronaldo sabe que esta medalha que lhe é atribuída é para levantar a moral a outro. Outro que aproveita tudo para se autopromover.
Gostava que Cristiano Ronaldo nesta hora não se esquecesse de referir o que Cavaco Silva e o Governo estão a fazer aos portugueses, principalmente, os reformados. Fazer-lhes ver que se não fosse o seu árduo trabalho e a sorte que o acompanhou era um dos muitos jovens que só lhe restava a emigração. Aliás, a maioria dos Madeirenses sabem o que isso é.
Se também não fosse a sua fama e situação não se sabia o que acontecia à sua família. Por isso gostava que dissesse duas a esses oportunistas. E que não cuspisse no prato em que comeu.

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