quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Quem quer ser sem-abrigo?


Fernando Ulrich é uma pessoa desprovida de sentimentos. Ontem questionado, em sede de comissão parlamentar, pelo deputado João Galamba do PS que considerou a suas declarações sobre os sem-abrigo "uma gaffe à Maria Antonieta", de "mau gosto" e grande "insensibilidade", clamando por um "pedido de desculpa a quem insultou". Ulrich disse - "Não recebo lições de sensibilidade social”. Disse mais: - foi educado pelos seus pais, na escola e no seio da igreja católica de onde recebeu como lição o bem espiritual, social e humanitário. 
Tudo isto é verdade. Ulrich deve ter a minha idade e era assim que se educavam os jovens. Uns com o tempo, ou com a vida como madrasta, não compreendiam esse significado, porque tudo lhes faltava, o que os levava a apanhar uns açoites quer dos pais quer dos padres. Outros, os Ulrich, tudo tinham e em lugar de uns açoites recebiam beijos e elogios, embora o seu comportamento fosse igual ou pior.
Portanto a Ulrich faltou esses açoites porque se assim fosse não comentava de barriga cheia o infortúnio dos infelizes deste País. Está convencido que o sem-abrigo é uma pessoa que enviou um curriculum vitae fez testes e passou no exame.
“Acima de tudo, o candidato a sem-abrigo deve evitar a mediocridade e manterá sua ambição. Desde que convenientemente treinado e motivado, há todas as condições para que, também na nova carreira que abraçou, ele venha a revelar-se um homem de sucesso.”
Depois de ouvir Ulrich dizer que não sabe se daqui a dez anos ele ou a sua família podem ser uns sem-abrigo ainda são mais ofensivas estas palavras. Palavra de honra que julgava que os sem-abrigo vinham de classes média baixa e baixa. Nunca pensei de um dia ver um banqueiro como sem
abrigo.
O meu último texto foi: Todos temos um fim. O de Ulrich nem a sem-abrigo. Não tem moral, embora refira que a recebeu de seus pais e igreja católica, para saber e compreender o martírio de um sem-abrigo. 
Depois diz que ele ou família pode vir a sofrer essa desdita. Um sem-abrigo é-o quando todas as frentes lhe faltaram: social e familiar.
Apelo a Ulrich que promova, uma semana em cada ano, uma campanha para que todos os banqueiros e homens de negócio se tornem sem-abrigo. Há quem o faça e agora compreenda melhor este dilema. 
“A Sociedade São Vicente de Paulo da Austrália convida desde 2006 os CEO do país a viverem a experiência dos sem-abrigo num "sleep out" (dormir fora) que tem lugar em Junho de cada ano. O sucesso da iniciativa não decorre, é óbvio, de esses executivos recearem ver-se um dia, por infortúnio, despromovidos à condição de sem-abrigo, antes de um desejo reprimido de ensaiarem uma experiência que lhes tem sido vedada pelos preconceitos sociais dominantes.”
Só assim Ulrich, este erudito, sabia do que falava e depois não precisava de vir com a desculpa de que não era isso que queria dizer. Não é a primeira vez que pessoas como Ulrich se venham desculpar que são mal compreendidas. Quanto a mim não são. São como os trolhas. Atiram o barro à parede se ele pegar está tudo certo se não esfarrapam-se em desculpas como: não era essa a minha intenção.
Se Ulrich foi educado no seio familiar e da igreja devia de saber que de boas intenções está o inferno cheio.       

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