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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Chega - A pulhice serve-se fria…:

Esqueçamos por momentos as tragédias mundiais, as guerras de extermínio, a violência, o racismo, a crueldade a que as mulheres são sujeitas por preconceitos religiosos, a emergência climática, a fome, sede e doenças que matam milhões de seres humanos.

A derrota da contrarreforma laboral da impiedosa ministra Ramalho e do governo que lha encomendou, por inesperada traição do André ao Luís, é duplamente saborosa, pelo sucesso imprevisto e pela confirmação da letalidade venenosa do André.
Quando todas as economias da UE coravam de inveja com a de Portugal, como dizia o PM, o Luís, indiferente a todos os sinais adversos ao desempenho do seu Governo, viu na aprovação do pacote laboral, pelo Chega, a forma de ser entronizado no Congresso, com a vitória que mostraria a Passos Coelho ser tão à direita quanto ele.
Não hesitou em dar em troca a descaracterização da CRP, em obrigar Aguiar Branco à conivência no golpe, em governar a contento do insaciável André, a fazer dele o eterno companheiro dos bons e maus momentos até que o fim da legislatura os separasse.
Estava o Luís, neste doce enlevo, com a ministra a ridicularizar o PS e o inefável Hugo Soares a acusar José Luís Carneiro, esse tímido social-democrata, de ser mais radical do que Pedro Nuno dos Santos, como se este o fosse, e o próprio Ventura a gabar-se de ser o defensor dos trabalhadores, pelo acordo com o PSD, quando o André tramou o Luís.
Quando hoje todos esperávamos, no fim da sessão parlamentar, depois da cerimónia de casamento entre o André e o Luís, na votação conjunta, já com o líder da Intersindical a pensar ouvir, de olhos fechados e dentes cerrados, as palavras sacramentais, podem os noivos beijar-se agora, deixou cair lágrimas de felicidade pelo chumbo da lei contra os trabalhadores, numa inesperada cambalhota artística do André, antes de dar o SIM.
Quanto ao André, nada a dizer, igual a si próprio, mais venenoso do que Marcelo, mais cruel do que a ministra Ramalho e mais dissimulado do que o Luís. Quer fossem as sondagens, o gozo de humilhar o concorrente ou o desejo de ser o líder de toda a direita radical, cravou friamente a faca a quem traiu com estrondo, só com cinco deputados da sua bancada conhecedores do sentido da votação.
O 4.º Pastorinho fez a Montenegro o que tinha feito a Aguiar Branco na primeira eleição para presidente da AR, tendo Pedro Nuno Santos salvado a honra de Aguiar Branco que, com a pusilanimidade que o exorna, não demorou a dizer que o líder a quem deveu a eleição, (PNS), fez pior à democracia em seis meses do que Ventura em seis anos.
Imagine-se o estado em que Montenegro vai chegar amanhã ao Velódromo Nacional de Sangalhos, em Anadia, para onde convocou o 43º Congresso Nacional do PSD, nos dias 20 e 21 de junho, de rastos e a pedalar exausto!
Nem na competência, nem na ética, nem nos resultados, leva algo que recomende o seu Governo do Pacote. Até a imprensa, num delicioso título, com exótica redação da caixa alta, informou: «Chega vota contra proposta do Governo do pacote (…)».

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