Embora não seja disparatado, é um disparate dizer que já não existe esquerda e direita. Essa distinção pode ser resumida nesta questão: queremos mais ou menos igualdade no acesso aos recursos? A direita quer menos, sempre o quis, para sempre o quererá. Ou melhor, quem isso quiser passa a ser de direita. É o que pode acontecer a alguém de esquerda, que neste campo se posicionava por ter pouco a perder, e que depois num golpe de sorte ganha fortuna e passa imediatamente para a direita, posto que a pulsão para defender o património altera as suas prioridades e opções.
Assim se explica a técnica da extrema-direita, actualmente a governar Portugal, de colocar os pobres a perseguir e odiar os pobres. É que a extrema-direita sabe que o pobre é só um rico eternamente adiado. Se esse pobre for também estúpido, como quase todos são por inerência económica e social, vai acreditar quando lhe disserem que poderá deixar de ser pobre se fizermos mal a outros pobres. A extrema-direita tem séculos e séculos disto, papar papalvos.
14 Junho 2026 às 8:47 por Valupi
Do blogue Aspirina B
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