Aos cegos e aterrados perante a lucidez viva de Saramago, desde professores equivocados na profissão a deseducadores encartados e promovidos, a jornalistas idiotas sem cura, a ministros e ao primeiro-ministro, saibam que não valerá a pena queimar os livros de Saramago na imensidão da fogueira com quem sonham os beatos de todos azimutes do poder. Já iriam tarde. Sua obra não é eliminável por qualquer método; ficará para sempre, enquanto os censores falhados se irão sucedendo para depois caírem no esgoto dos inúteis. E se, por acaso, aqui deixarem rasto, será o de seus feitos reles e nocivos para a grande maioria dos portugueses. Saramago deixou-os a todos retratados na sua incomensurável e inesgotável tacanhez medieval. É isso que os persegue, que não lhe perdoam e lhes inferniza a vida.
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
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terça-feira, 14 de abril de 2026
DESISTAM DE CALAR SARAMAGO!
Saramago não está fisicamente entre nós, mas não tentem fazê-lo desaparecer da realidade humana, literária, social e política da sociedade portuguesa. Muito menos os culturalmente analfabetos, mentirosos, com espírito censório, cobarde e vingativo que da área do ensino até ao topo governamental, passando pela abastardada comunicação social, procuram silenciá-lo.
A imortalidade de Saramago não é revertida por decreto, por medo da sua escrita, por uma qualquer decisão de imitadores de um Sousa Lara com alma de inquisidor. A imbecilidade não tem limites porque, caso contrário, os que pretendem esconder Saramago e a sua escrita dos estudantes portugueses sofrerão mais tarde a desilusão de os ver descobrir a perenidade e a actualidade de uma obra que dá voz à grande maioria dos portugueses, exactamente os que são vítimas de tais ogres.
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