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terça-feira, 14 de abril de 2026

DESISTAM DE CALAR SARAMAGO!

Saramago não está fisicamente entre nós, mas não tentem fazê-lo desaparecer da realidade humana, literária, social e política da sociedade portuguesa. Muito menos os culturalmente analfabetos, mentirosos, com espírito censório, cobarde e vingativo que da área do ensino até ao topo governamental, passando pela abastardada comunicação social, procuram silenciá-lo.
A imortalidade de Saramago não é revertida por decreto, por medo da sua escrita, por uma qualquer decisão de imitadores de um Sousa Lara com alma de inquisidor. A imbecilidade não tem limites porque, caso contrário, os que pretendem esconder Saramago e a sua escrita dos estudantes portugueses sofrerão mais tarde a desilusão de os ver descobrir a perenidade e a actualidade de uma obra que dá voz à grande maioria dos portugueses, exactamente os que são vítimas de tais ogres.

Aos cegos e aterrados perante a lucidez viva de Saramago, desde professores equivocados na profissão a deseducadores encartados e promovidos, a jornalistas idiotas sem cura, a ministros e ao primeiro-ministro, saibam que não valerá a pena queimar os livros de Saramago na imensidão da fogueira com quem sonham os beatos de todos azimutes do poder. Já iriam tarde. Sua obra não é eliminável por qualquer método; ficará para sempre, enquanto os censores falhados se irão sucedendo para depois caírem no esgoto dos inúteis. E se, por acaso, aqui deixarem rasto, será o de seus feitos reles e nocivos para a grande maioria dos portugueses. Saramago deixou-os a todos retratados na sua incomensurável e inesgotável tacanhez medieval. É isso que os persegue, que não lhe perdoam e lhes inferniza a vida.

José Goulão  

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