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terça-feira, 8 de setembro de 2020

Rebuscando no passado 37:

Já muito se disse sobre esta personagem. António “Rodela” com um verso e Vitorino Ribeiro com a caricatura deram vida a Arnaldo “Guerra”. Quem teve o privilégio de o conhecer, como eu o conheci, encontra na biografia uma verdade absoluta. Também não podia ser outra coisa. Quando se relata para os vindouros peripécias de outrora têm de se ser rigoroso e verdadeiro.

Arnaldo “Guerra” era pau para toda a colher. Precisava disso para fazer face à vida. E acreditem que a época em que viveu a vida era madrasta para a maioria das pessoas humildes. É que além de ser humilde era cego de um olho. Por nisso precisava de todos os artifícios para angariar uns tostões. Tostões esses que não eram recusados para pagar um “neguinho” de vinho a um amigo.
Era carregador de encomendas para a Farmácia Barros. Naquele tempo os medicamentos eram despachados do Porto para Freamunde através da Autoviação Pacense. Às horas da chegada ao Lugar de S. Francisco, Mercearia do Sr. Ramiro, já ali encontrava o Arnaldo “Guerra” com o intuito de a receber e entregar na Farmácia Barros.
Aos Domingos pegava na sua Caixa de Graxa e em frente ao Café do Américo predispunha-se a engraxar os sapatos. Fazia-o de tal forma que o freguês não precisava de espelho para pentear o cabelo.
Refiro aos Domingos porque naquele tempo era o único dia da semana de descanso. Trabalhava-se de Segunda-feira a Sábado das oito horas às dezassete.
Nas Festas da Vila de Freamunde ou nas de Lousada entretinha-se a animar a rapaziada a tocar canções da época com sua harmónica de boca. Era a maneira de ser presenteado com um copo de vinho ou uma cerveja.
A personagens assim temos o dever de os lembrar porque devemos ser adeptos que dos humildes deve "rezar a história".

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