Disse o ministro Pedro Nuno
Santos, em entrevista à SIC (Jornal das Oito, ontem), visivelmente sentido com
alguns comentadores e jornalistas (o homem é bastante genuíno) que o acusaram
de dar uma imagem da situação financeira da TAP às instituições europeias pior
do que as boas negociações aconselhariam (os resultados operacionais, diz uma
comentadora, olha, os resultados operacionais),
que não basta exigir-se rigor aos políticos, que os jornalistas e comentadores
também estão obrigados a informarem-se antes de emitirem opiniões. E tem toda a
razão. Provavelmente aborrecidos com a monotemática e omnipresente Covid-19 e a
quase unanimidade que convoca, a ânsia de agarrarem um tema, finalmente, de
grande potencial político leva-os a um chorrilho de críticas sem nexo,
incongruentes e levianas, que só o entusiasmo com o desconfinamento temático e
a ideia de luta explicam. Toda a noite televisiva de sexta no cabo foi isto. A
Ana Lourenço também estava nessa. Nada que lhe custe, diga-se.
De repente, não só muitos deles
passaram a achar que a situação da TAP pré-pandemia não era tão má assim
(Helena Garrido e outros), como chegam ao ponto de dizer que o David Neeleman
devia ter ficado porque era o único que percebia de aviação (se não me engano,
o Conraria, sempre em busca da originalidade – estranhamente a substituir o
comentador do Bloco no duo da RTP3, “em confronto” com o Pedro Norton). O
Neeleman, pasme-se, esse que andava já há tempos a ver se se ia embora. Espera,
possivelmente queriam que o empréstimo do Estado fosse dado graciosamente ao
Neeleman. God help me. Isto ao mesmo tempo que dizem que bom, bom era deixar
falir a companhia e depois criar uma outra de outra dimensão, etc. e tal. Tudo
fácil. Como se essas operações não demorassem anos e anos nos tribunais (ver a
Sabena e a Swiss Air), e entretanto não fossem empregos e empresas dependentes
da TAP à vida, uma fatia da economia à vida numa altura como esta, e como se o
sector da aviação não estivesse no charco neste momento em todo o mundo como
nunca antes na sua história (se mais nada houvesse, que fariam aos aviões?).
Apesar do que dizem, eu gostaria
muito de saber o que fariam se estivessem no governo e qual o governo que
decidiria numa crise como a que se vive hoje extinguir pura e simplesmente a
TAP. É verdade que ninguém obriga ninguém a escolher a vida política e que o
próprio ministro Pedro Nuno declarou ter perfeita consciência de que governar é
decidir e estar preparado para a luta – contra interesses vários, contra o mau
jornalismo, contra os maus comentadores, contra a manipulação dos incautos,
contra os jogos políticos. Mas estes arautos da desgraça, que dizem que a
partir de agora vai ser tudo péssimo – desde o CEO transitório (um “boy” pela
certa) até à nova administração profissional, que “não terá sensibilidade
quanto ao que a TAP representa” (ouvido ontem do mesmo que queria que a TAP
caísse), passando pelas negociações com os sindicatos (é o fim do Costa) e pela
possibilidade de um novo Novo Banco – igualmente criticariam a extinção da TAP
e a intensa litigância jurídica que se seguiria, caso tivesse sido essa a
decisão e, nessa eventualidade, seriam eles a dizer o que o ministro agora diz
em defesa do papel da companhia em várias vertentes da vida nacional. Ah,
alguns continuariam a defender o Neeleman. Haja paciência. Tive que mudar de
canal, sempre.
Enfim, o mercado dos pontos de
vista de quem não tem que governar é sempre florescente e bem pago quando há
problemas difíceis de resolver. Penso que a ideia deste governo é aguentar a
TAP nesta crise generalizada, reduzindo temporariamente a sua dimensão,
preservando os postos de trabalho necessários e a manutenção das empresas dos
vários ramos que dependem da TAP e, mais tarde, eventualmente, associá-la a um
consórcio europeu já sem o Estado nos seus órgãos sociais. Penso eu,
comentadora que sou. Mas há que ser forte. Pedro Nuno, vamos a isso!
Pedro Nuno Santos, ele mesmo,
ontem:
POR PENÉLOPE
Do Blogue Aspirina B
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