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domingo, 5 de julho de 2020

FACEBOOK: “O MÉDICO E O MONSTRO?”

Ao pensar escrever sobre o FACEBOOK ocorreu-me a terrível história, contada pelo escritor escocês Robert Louis Seteveson em 1886. Nela encontramos a dupla personalidade, distinta e independente, dum homem que ora era bom, (Dr.Henry Jekyll), ora era monstro (Edward Hyde).
Também o FACEBOOK reúne duas figuras distintas e diametralmente opostas. De um lado temos uma rede social que permitiu aproximar pessoas, partir solidões, partilhar ideias e, até mostrar factos e realidades que não seriam de todo conhecidas se as redes sociais não existissem, e do outro lado temos o monstro da calúnia, da infâmia e do crime disfarçado nas mais diferentes formas. Pela calada da noite exploram-se as emoções dos solitários e crédulos, ansiosos por uma mão amiga, dissemina-se o perigo das armadilhas, mata-se, prostitui-se, odeia-se e devassa-se à sombra da impunidade e da aceitação.
Sem contraditório e despidos de ética, diz-se tudo o que se quer e deixa-se o monstro actuar livremente, todos os dias, a todas as horas sob o nosso olhar protector. Sabemos que é assim, mas o FACE tornou-se algo tão necessário como o ar que se respira e o pão que nos alimenta.
Políticos, organizações e mercado, todos exploram as potencialidades das redes sociais e todos as usam para cumprir os seus desígnios. É assustador chegarmos aqui. E mais assustador ainda se verificarmos o quanto o FACE espelha uma sociedade doente com os indivíduos entregues a si próprios. Quantos vazios e angústias são detectados sem que alguém oiça esses gritos? Quanta ignorância na forma de saber encontramos impressa nas mensagens que recebemos e naqueles a quem chamamos amigos?
Este post é, acima de tudo, um apelo à tolerância e à nossa forma de intervir. Sei que somos poucos os que se interessam por causas, mas somos alguns. Sei que somos poucos os que se interessam pela cultura, mas somos alguns. Sei que somos poucos os que colocam os outros acima dos interesses individuais e de protagonismo, mas somos alguns. E estes “alguns” que somos, que possam disseminar a figura do bem e dos valores humanos e ir ganhando aqueles que de nós se arredam e se excluem. Sejamos tolerantes e compreensivos. Não respondamos com uma pedra a quem no-la atira. Não sejamos donos da verdade e da superioridade. Saibamos ouvir e compreender. Procuremos a justiça e a isenção e usemos as redes sociais como uma arma de paz para a construção de um mundo melhor.
Lídia Soares
Em Sociedade Justa

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