A falsa equivalência é falácia (leia-se: uma tanga para alimentar borregos) que delicia os pulhas. Estamos sempre a levar com ela. Se calha falarmos de Hitler, o pulha vai logo buscar Stalin alegando que fez igual ou pior. O objectivo é defender Hitler e o nazismo. Se calha falarmos da violência dos racistas, o pulha vai logo buscar os episódios em que os anti-racistas agrediram alguém nas suas manifestações contra o racismo. O objectivo é defender os racistas e o racismo. Se calha apontarmos o dedo para um juiz que se acha superior à Lei, o Ricardo Costa vem logo a correr para avisar a malta de que o culpado é outro juiz, o que defende a Lei em nome do Estado de direito democrático e dos direitos individuais dos cidadãos. O objectivo é defender um magistrado instrumental para a oligarquia e atacar um outro que ameaça expor a farsa e o processo político que originou e conduziu a Operação Marquês.
Exagero? É ouvir este génio da análise pulhítica: Caso EDP. “O que estamos a assistir é uma guerra pública entre dois juízes”
Há nisto uma faceta maravilhosa de desplante e acefalia. É a insistência desta infeliz figura em mostrar o seu processo mental. Que consistiu em delirar, é o próprio que o confessa: “Uma boa parte da conferência de imprensa foi direcionada ao juiz Carlos Alexandre”. Ou seja, o ás do jornalismo “sick” ouviu Ivo Rosa a descrever a desvairada complexidade do que Rosário Teixeira montou, e de como não seria justo para ninguém, arguidos e a própria Justiça, ter de decidir no prazo dos 10 dias regulamentares, e pensou “Hum… este gajo está a querer ser isento e respeitador dos principais direitos e interesses em jogo, está a querer fazer o mais zeloso trabalho que for humanamente viável, está a tentar chegar à melhor justiça possível sem se deixar condicionar pela colossal pressão política, mediática e popular à volta do caso judicial mais importante de sempre na democracia portuguesa … então, só pode estar a atacar o Carlinhos!”
Do muito que se poderia dizer sobre este pulha, o qual foi para a TV avisar todos os magistrados para acabarem com as denúncias do populismo judicial sob pena de entrarem na lista dos inimigos do superjuiz, vou só agarrar no que me parece mais odorante da latrina em que transformou o seu papel público: “Ivo Rosa gosta de destruir e duvidar sistematicamente, e na minha opinião exageradamente, do que o Ministério Público lhe apresenta. Um defende demasiado, se quisermos, os direitos da defesa, Ivo Rosa. O outro não protege assim tanto os direitos da defesa, Carlos Alexandre.“. Portanto, Ivo Rosa, cuja suposta função é a de ser o juiz dos direitos e garantias dos arguidos perante a acção e poderes do Ministério Público, acaba denunciado como vilão pelo director-geral de informação do grupo Impresa devido à sua má vontade “sistemática” (??) contra os coitados dos procuradores que lhe chegam já com as condenações prontas a transitar em Cofinado. O outro, que calha também ter como suposta função constitucional a defesa dos direitos e garantias dos arguidos, já se está um bom bocado (sistematicamente, talvez?) a cagar para os direitos da defesa, se é que ele admite que tenha algum direito, o que recolhe a aprovação do director-geral de informação do grupo Impresa.
Não seria impecável podermos assistir a uma qualquer exposição, nem que fosse por escrito num papel de embrulho com nódoas, deste senhor onde ele justificasse o que diz sobre Ivo Rosa – sem contraditório – no império mediático do militante nº 1 do PSD? Mais rapidamente chegará a notícia de o Inferno ter congelado do que tal dia.
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