Os apreciadores dos bons livros
policiais podem sempre alegar que as escolhas literárias decorrem da sua
semelhança entre a ficção e a realidade. Ler um romance de Dashiell Hammett ou
Raymond Chandler propicia mais fidedignas informações sobre a América de entre
as duas guerras, que a generalidade dos ensaios históricos a ela dedicados. Muito
embora a nossa interpretação possa sair distorcida pela frequente presença da
femme fatale, que convertia a intriga numa lógica do cherchez la femme.
Distâncias ideológicas à parte, e
também de cultura, talvez seja mais asizado convocarmos Hercule Poirot para
desvendar a autoria da vandalização da estátua lisboeta dedicada ao Padre
António Vieira. Se nos recordarmos do detetive das celulazinhas cinzentas
facilmente concluímos que o seu método de esclarecimento dos homicídios
assentava em duas questões muito básicas: que lucro há a retirar do crime? E a
quem ele mais aproveita?
Não há grandes dúvidas que os
putativos culpados cedo se deram a conhecer: Chicão foi o primeiro, quase tão
só conhecida a notícia, como se a esperasse para mais um dos seus patéticos
números com que procura, em vão, contrariar a anunciada morte do CDS. O
Aldrabão logo se lhe colou na expetativa de não ver o rival a reduzir-lhe os
cada vez mais minguados simpatizantes. E logo à festa viria somar-se o Rangel
que, das Europas, sempre se tenta fazer convidado para festas e festanças, qual
conhecida figura em tempos evocada por outra estrangeirada personalidade.
Todos sabiam o que a central de
desinformação do clã Balsemão ou o pisca-pisca da RTP logo aproveitariam para
iniciarem telejornais com indignada consternação. E a pressupor serem culpados
os que os suspeitos mais óbvios pretenderiam que fossem apontados.
Em política há sempre a
considerar a possibilidade da estupidez se manifestar das formas mais absurdas
e contra quem a perpetra. Mas, mais provável, é que ganhem maior peso as
estratégias maquiavélicas de quem se comporta de acordo com os ganhos a
alcançar com os seus atos. E não é novidade a infiltração das manifestações
norte-americanas contra o racismo por suprematistas brancos dispostos a
aproveitarem-nas para sabotá-las com os atos de anarquia, que lestamente
fomentam.
Nos últimos meses as nossas
direitas mais extremas - em que o se integram o Chicão e o Aldrabão - copiam
receitas e propostas dos seus émulos de além-Atlântico. Será crível que lhes
repliquem igualmente as estratégias...
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados

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