Hoje dou voz a uma personagem
feminina que muito contribuiu para a cultura de Freamunde. É uma personagem a
par de Nelson Lopes as únicas vivas, que desde o início da Opereta Gandarela,
pelo Grupo de Teatral Freamundense, fizeram parte em todos os espectáculos
levados à cena de dez em dez anos. E não são poucos. Basta referir: 1963, 73,
83. 93, 2003 e 2013 e espera-se as suas presenças em 2023.
Os actores e actrizes do Grupo
Teatral Freamundenses “nasceram” pelas mãos de Fernando Santos (Edurisa Filho),
mas tiveram que demonstrar talento. O talento nasce com a pessoa. Maria José, a
quem me refiro neste humilde texto, também era de origem humilde.
A sua universidade nasceu do dia
a dia. Das fábricas de Confecções de Ligaduras e Pensos Hospitalares. Era assim
que uma parte do sexo feminino de Freamunde se desenvolvia, além, é claro, de
criadas de servir. Isso não bastou para que Maria José se acabrunhasse. A lei
da vida é muito forte. E nada melhor que o teatro para mostrar o real valor que
existe no ser humano. Actores somos todos. Mas desenvolvê-lo publicamente é
mais difícil. Tem que se ter carisma. E esse não falta a Maria José. Tanto como
Aurora em 1963 e ultimamente como Senhora Ana.
Deve muito ao teatro. Mas julgo
que o teatro lhe deve muito mais. Foi ali que encontrou o seu amor eterno: o
marido. Também actor amador de teatro. Pela vida fora além das peças teatrais
criou outras “peças” que a enche de felicidade: os filhos. Também interventivos
na cultura Freamundense.
É com interpretes assim que a
cultura Freamundense subsiste. E entre 1963 e 2013 data da última exibição da
Opereta Gandarela medeiam 50 anos. É obra. Só espero por 2023 para serem 60
anos ao serviço do teatro.
Gosto de recordar nesta simples
página personagens que tornam Freamunde uma terra singular.
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