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domingo, 14 de junho de 2020

Personagens de Freamunde. Maria José:

Hoje dou voz a uma personagem feminina que muito contribuiu para a cultura de Freamunde. É uma personagem a par de Nelson Lopes as únicas vivas, que desde o início da Opereta Gandarela, pelo Grupo de Teatral Freamundense, fizeram parte em todos os espectáculos levados à cena de dez em dez anos. E não são poucos. Basta referir: 1963, 73, 83. 93, 2003 e 2013 e espera-se as suas presenças em 2023.
Os actores e actrizes do Grupo Teatral Freamundenses “nasceram” pelas mãos de Fernando Santos (Edurisa Filho), mas tiveram que demonstrar talento. O talento nasce com a pessoa. Maria José, a quem me refiro neste humilde texto, também era de origem humilde.
A sua universidade nasceu do dia a dia. Das fábricas de Confecções de Ligaduras e Pensos Hospitalares. Era assim que uma parte do sexo feminino de Freamunde se desenvolvia, além, é claro, de criadas de servir. Isso não bastou para que Maria José se acabrunhasse. A lei da vida é muito forte. E nada melhor que o teatro para mostrar o real valor que existe no ser humano. Actores somos todos. Mas desenvolvê-lo publicamente é mais difícil. Tem que se ter carisma. E esse não falta a Maria José. Tanto como Aurora em 1963 e ultimamente como Senhora Ana.
Deve muito ao teatro. Mas julgo que o teatro lhe deve muito mais. Foi ali que encontrou o seu amor eterno: o marido. Também actor amador de teatro. Pela vida fora além das peças teatrais criou outras “peças” que a enche de felicidade: os filhos. Também interventivos na cultura Freamundense.
É com interpretes assim que a cultura Freamundense subsiste. E entre 1963 e 2013 data da última exibição da Opereta Gandarela medeiam 50 anos. É obra. Só espero por 2023 para serem 60 anos ao serviço do teatro.
Gosto de recordar nesta simples página personagens que tornam Freamunde uma terra singular.

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