Uma carícia a quem estiver a
vosso lado, uma festa ao gato... uma ida à casa de banho... estejam à vontade.
Ainda não morreu nenhum
nonagenário/a cardíaco/a e diabético/a com os males associados ao coronavírus,
mas já os pregadores apocalíticos exigem a declaração do estado de emergência,
o fecho das fronteiras, da paragem das linhas de montagem da autoeuropa, da
venda de vinho a copo, e, admito, que sejam anuladas as aparições da virgem
Maria em Fátima e devolvidos os milagres à procedência!
O apocalipse está a chegar! Quem
não acreditar, ou não saltar, está ao serviço coronavírus!
Um chazinho. Ou um rum. Gosto
mais de rum. Um telefonema a um amigo ou amiga...
Releio um discurso da época do
início do cristianismo, de um crítico de Paulo, o apóstolo apocalítico:
“Já tive oportunidade de
contestar a evangelização que privilegia ameaças e medo nas pregações. Refiro-me
a pregadores que, à falta de argumentos consistentes, preferem apelar para
castigos e anúncios destruidores que acontecerão no final dos tempos. Tais
pregadores seguem a lei do menor esforço: em vez de anunciar um Evangelho — uma
boa notícia — e o compromisso que este traz consigo, anunciam o medo, o que
pode transformar-se em “má notícia”. Ameaçam com destruições apocalípticas, em
vez de incentivarem a confiança, insistem no medo da destruição.
Estes pregadores seguem o caminho
mais fácil, porque é cómodo profetizar ameaças e destruição. Agem na base do
“avisei; se não me quiserem ouvir, não venham reclamar depois”. Adotam a
atitude de quem se coloca num patamar acima de seus ouvintes. Pessoas mais
simples aceitam a pregação e, de um modo ou de outro, tornam-se dependentes do
medo e do pregador. Quem questiona as suas pregações, é classificado de
incrédulo e, por não acreditar no que ouve, está destinado à condenação eterna.
Os pregadores apocalíticos
consideram-se donos da verdade, para eles tudo se transforma em castigo de
Deus: a fome, a seca, a miséria...
O coronavirus pode ser um
sinal... talvez seja preferível tentar percebê-lo em vez de nos metermos no
poço... e um chazinho antes do cheiro a
pólvora, como gostava o Kurtz do Coração das Trevas e do Apocalypse Now
Carlos Matos Gomes
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