Ninguém sabe como ele é, mas toda
a gente dá palpites. Somos dotados com um Quociente de Inteligência (QI) acima
da média de outros povos.
Se se fala de Justiça sabemos
mais que advogados e Juízes. Se é de Futebol somos todos treinadores. Se é de
Política somos todos Politólogos. Enfim, somos uns supra-sumo.
Só que neste vaivém continuamos a
lutar para erradicar o vírus, mas não sabemos a maneira. E vamos criando mitos
como antigamente. Faz-me lembrar o mito do Cabo das Tormentas. Ninguém sabia o
que era. Mas todos opinavam que eram monstros envoltos em ondas gigantes.
Até que houve alguém com coragem
para o enfrentar. Esse alguém foi Bartolomeu Dias. E, a partir daí passou de
Cabo das Tormentas para Boa Esperança.
Com isto não quero dizer que não
tenhamos medo do Covid 19. Sim devemos. O medo é uma arma de defesa. Mas tanto
não. O fechar tudo vai levarmos ao isolamento. Queremos nos resguardar de algo
e não vai demorar muito a esse algo dar cabo de nós
.
Ao pensar nisto leva-me a
recordar a história do burro espanhol:
- “Contam os nossos avós que um
certo agricultor, passando a fronteira de Espanha, se terá queixado ao seu
amigo espanhol de que as colheitas iam de mal a pior e que já nem davam para
alimentar os animais de carga. Este de imediato propôs-lhe um negócio:
Vender-lhe uma raça de burro que, com o tempo, habituar-se-ia a não comer,
contribuindo para a diminuição das despesas. Tal dito. Tal compra.
Regressado a Portugal, depressa
começou com o plano de emagrecimento, que começava por alimentar o animal, dia
sim, dia não, até que chegasse ao ponto de o animal não comer.
Algumas semanas depois, mostrava
todo orgulhoso o burro aos seus vizinhos dizendo: vejam só, a última vez que
comeu foi há quatro dias. Mais umas semanas e posso garantir-vos que se habitua
e deixa de precisar de comer. Os dias passaram e a dieta intensificava-se e o
agricultor passeava. De repente, a aldeia deixou de ver o agricultor e o burro.
Estranhando a ausência
prolongada, um vizinho bateu à porta do agricultor e perguntou - "Está tudo
bem consigo, vizinho? E o burro, está tudo bem com ele?". O agricultor, em
lágrimas, responde-lhe - "Ai vizinho, que desgraça, não quer você acreditar
que o raio do burro morreu? Logo agora que já se tinha habituado a não
comer".
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