domingo, 30 de julho de 2017

Quando se quer designar de «livre» um jornalismo que o não é:

As redes sociais andam há muito a reclamar sobre a distorção da informação mediatizada pelas televisões, pelas rádios e pelos jornais relativamente à percetível pela opinião pública no dia-a-dia.
Não se podem ter ilusões sobre a razão porque uns quantos poderes económicos decidiram tomar conta da comunicação social, mesmo sabendo que ali afundam dinheiro sem conseguirem o lógico retorno se os motivasse uma mera lógica de negócio. Mas, mesmo procurando veicular as mensagens do seu interesse, com que possam ir buscar esses lucros de forma indireta às demais atividades económicas, poderiam fazer de conta que os moveria algum esforço de objetividade. Assim não tem sido e o que se vem verificando progressivamente é uma catadupa de denúncias quanto a manipulações grosseiras da realidade de forma a apresenta-la em aparências sem qualquer coincidência com a realidade.
Para conseguirem levar por diante esse esforço de manipulação os patrões dos media  conseguem arranjar uns mercenários disfarçados de jornalistas, que adotam poses de virgens ofendidas quando veem desmascaradas as suas grosseiras mentiras. Foi o que sucedeu com um dos lugares-tenentes desses interesses económicos - Filipe Santos Costa - que publicou uma diatribe na edição de sexta-feira do «Expresso», intitulada «O Ódio ao jornalismo livre».
Em causa esteve a histeria criada em torno das vítimas de Pedrógão Grande, que o «i» suscitou graças à «colaboração» de uma personagem conhecida por não pagar os serviços de tradução e legendagem dos programas que a SIC lhe atribuía, e o «Expresso» logo agarrou na esperança de encontrar matéria para alastrar o fogo das florestas à credibilidade do governo.
O que se passou durante dias a fio nos noticiários das televisões - com realce para a referida SIC! - e nas páginas do «Expresso», quer na edição diária digital, quer na versão semanal em papel, foi uma vergonha indesculpável. Qualquer jornalista com uma pontinha que fosse de consciência profissional não permitiria associar o nome a peças ignóbeis, feitas para escavar ao máximo nas sepulturas dos mortos para delas trazer a suspeição de encobrimentos, que se revelaram redondamente falsos.
As justificações de Christiana Martins num dos noticiários da SIC vieram demonstrar que, face ao clamor público contra o que o «Expresso» vinha fazendo,  só restava agitar a bandeira de haver «orgulho» nos jornalistas do semanário quanto à necrofagia que vinham praticando. Depois, com a veemente condenação de António Costa na conferência de imprensa na sede da Proteção Civil e com as palavras, mesmo que ambíguas, de Marcelo Rebelo de Sousa, o mal-estar na redação do jornal deve ter crescido significativamente, até pelos efeitos sísmicos da opinião de Lobo Xavier na «Quadratura do Círculo».
Para Filipe Santos Costa, que se percebe ter sido um dos «cérebros» da operação restou o lamento no texto em causa: na censura de milhares de leitores vê um ataque ao «jornalismo livre» como se já não soubéssemos há muito o que a expressão costuma significar: nas atividades da CIA para derrubar regimes inimigos ela está sempre presente. E não é por de tal se arrogarem que esses veículos de desinformação praticam um jornalismo digno desse nome. O de Filipe Santos Costa, há muito que sabemos colado aos argumentos da direita por muito que ela viva o vazio existencial, que a tornam confrangedoramente néscia.
Sábado, 29 de Julho de 2017
Do blogue (Ventos Semeados)

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