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segunda-feira, 9 de março de 2026

Henrique Raposo volta a disparatar:

No seu espaço de comentário televisivo de 6 de MarçoHenrique Raposo falou sobre a guerra do Irão, começando por afirmar que temos de sentir uma certa alegria pela derrota de uma ditadura, que o povo iraniano comemora a derrota de um ditador. Ficamos, então, com a impressão ou mesmo com a certeza de que as acções israelo-americanas provocaram uma derrota.

A ser verdade essa derrota (ou a ser iminente ou considerada iminente), é justo que haja alegria, mesmo que possamos criticar os meios utilizados e mesmo que acreditemos nas boas intenções de Israel e dos Estados Unidos.

É perfeitamente compreensível que haja esperança entre os iranianos, massacrados por uma teocracia hedionda e Henrique Raposo mostra um vídeo de uma iraniana que deixa essa esperança clara.

Logo a seguir, acusa a esquerda de nunca estar do lado dos que querem a democracia. Não apresenta uma única fonte, uma citação, um vídeo que prove uma ocorrência dessa generalização.

Neste segmento sobre o Irão, acaba a afirmar que não é possível fazer uma transição para a democracia e que todas as operações militares americanas no Médio Oriente que tiveram ou fingiram ter essa intenção falharam.

Ainda acrescenta que Trump quer, com este ataque, encurralar a China, o que, sendo verdade, afasta os EUA de um generoso combate pela democracia.

Em suma, se não é possível fazer uma transição e se os EUA falharam demasiadas vezes (sempre?) na libertação dos povos, ficamos com a impressão de que, afinal, a ditadura iraniana não foi derrotada ou que, a haver derrota, isso não significa que nasça daí um regime democrático e que a compreensível alegria que muitos sentem seja, muito provavelmente, ilusória.

No mundo simplista do comentário televisivo, equivalente mediático das conversas de café ou das redes sociais, criticar os bombardeamentos sobre o Irão é o mesmo que defender o regime iraniano, tal como criticar o governo israelita é equivalente a ser anti-semita. É o mundo em que se antecipa uma festa da democratização de um país, como se fosse possível alterar à bomba o percurso histórico de um território com mais de 90 milhões de habitantes.

A solução será ficar parado diante da opressão a que são sujeitos os seres humanos de outros países? Com certeza que não, mas convém pensar nisso a sério, para que não nos admiremos, por exemplo, com a radicalização religiosa, militar e política provocada também pelos americanos, que andam, sob a capa das boas intenções, a cometer crimes vários desde os anos 40 do século passado, com a agravante de que os países cúmplices desses crimes serão também atingidos, sendo que as respostas a crimes são, frequentemente, outros crimes, numa perpetuação letal da luta para se saber se primeiro veio o ovo ou a galinha.

08/03/2026 by  

Do clogue Aventar

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