domingo, 8 de janeiro de 2017

Até um dia destes Bochechas:

Mário Soares não morreu, a morte é uma condição dos mortais e mortais são aqueles que têm a sua vida condicionada à sua existência física. Só que há muito que Mário Soares era muito mais do que ele próprio. Morreu o Mário Soares Pai, o Mário Soares avô, o Mário Soares tio, o Mário Soares amigo e a todos os que tiveram o privilégio de serem seus amigos e familiares merecem o respeito pela morte de um bom familiar e amigo, bem como a gratidão por o terem partilhado com o país e o mundo.


Mas há muito que Mário Soares tinha conquistado a sua imortalidade enquanto homem grande, ao contrário de muitos dos seus inimigos que há muito que morreram em vida ou que quem já ninguém se recorda, Mário Soares está vivo. Mortos estão os que há pouco tempo pediam que fosse judicialmente perseguido, os que o difamaram ainda no antigo regime, os que se esqueceram muito facilmente do que lhe ficaram a dever.

Mário Soares está vivo na liberdade de que todos gozamos, está vivo em cada momento em que falamos em liberdade, em que dizemos o que pensamos sem medo, em cada momento em que um deputado fala, em que um primeiro-ministro toma posse, até quando os seus inimigos chegam aos mais altos cargos públicos.

Mário Soares viverá enquanto viver a democracia portuguesa e quando esta democracia for posta em causa, talvez por muitos que nos próximos dias irão chorar baba e ranho, Soares, como muitos outros democratas, estará vivo em cada português que tiver a coragem de defender a democracia, porque Mário Soares é uma das mais importantes referências de coragem e de democracia em Portugal.

Do blogue "o Jumento"

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