Aproveitando-se da confusão dentro do estábulo, Gaspar
aproveita para lançar o pó gamado aos
mouros, criando o caos no presépio
Toda a gente sabe a história do teu encontro com Herodes,
mas não sabe a verdade sobre a conversa. Disseste-lhe que lhe davas a morada do estábulo, se ele te
oferecesse o reino da Ibéria. Herodes nem pestanejou, mas fez-te prometer que
lhe anunciarias o local do nascimento de Jesus.
Quando voltaste para junto do Belchior e do Baltazar
inventaste outra galga. Disseste que o Herodes te tinha dito que Jesus era
filho do Espírito Santo. Os reis magos ficaram entusiasmadíssimos, porque não é
todos os dias que se assiste ao nascimento do filho de um banqueiro. Vai daí
disseram-te que lhe iam dar ouro e mirra e mais uns presentes valiosos que
carregavam nos camelos.
Nessa noite nem dormiste! Passaste o tempo todo a engendrar
forma de os assaltar sem levantares suspeitas, nem deixares rasto. Foi nessa
noite que lamentaste não ter uma arma para os matar. Resignado, continuaste a marcha. Ao fim de
alguns dias viste um estábulo e uma estrela que pairava por cima dela e
rapidamente engendraste o teu plano.
“ Vedes aquela estrela, Majestades? Perguntaste com ar sonso
e voz de falsete. "Eu bem vos dizia
que estávamos no bom caminho É ali que vai nascer Jesus."
Não sabias se era verdade, mas a sorte protege os audazes e
os gatunos e aquele era mesmo o estábulo de Jesus.
Quando lá chegaram tiveste uma surpresa. Jesus já tinha
nascido e havia presentes por todo o lado. Mal os reis magos entraram tu
largaste o pó que tinhas gamado aos mercadores mouros e toda a gente caiu num
estado de torpor que te permitiu concretizar o assalto.
Tinhas prometido a Herodes que lhe darias notícia do
nascimento de Jesus, mas não querias perder tempo a voltar atrás. Foi então que
viste um coelhito assustado debaixo das palhinhas e com o cú virado para a Lua
e não perdeste tempo.
Escreveste uma mensagem para Herodes com a morada do
estábulo e disseste ao coelho:
- Vou-te poupar. Para isso, no entanto, terás de me fazer um
favor. Vais ao palácio do Herodes e entrega-lhe esta mensagem. Depois pegaste
num tufo de relva e disseste. Toma! Isto é para o caso de não encontrares
alimento no caminho. Só podes comê-lo se estiveres a morrer de fome. Se
conseguires mantê-lo sempre contigo, sem o comer, terás muita sorte na vida.
Este tufo de relva será a tua salvação. Herodes vai fazer de mim rei da Ibéria
e tu serás o meu braço direito.
O coelhinho saiu em correria louca, reuniste os animais e partiste a caminho da Ibéria.
(Continua)

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