• Nicolau Santos, O orçamento que não merece ver a luz do dia [hoje no
Expresso-Economia]:
‘A maioria parlamentar aprovou o orçamento que vai reduzir o nível de
vida da generalidade dos portugueses às suas necessidades básicas. Já
diminuímos tudo: o consumo de água, luz e energia; cortámos na compra de
vestuário, livros, idas ao cinema, teatro e restaurantes; reduzimos o consumo
de tabaco e álcool; falamos menos ao telemóvel, deixamos mais vezes o automóvel
em casa; tirámos os miúdos da escola privada e pusemo-los na pública; as idas
ao médico e ao dentista restringem-se às situações de emergência; em viagens já
não se pensa e férias fora de casa tornaram-se um luxo.
Agora chegou o tempo de reduzirmos os custos na alimentação. Quem comia
produtos frescos passou para os congelados; quem consumia congelados passou
para as massas; e quem comia massas passou para as papas. Pela primeira vez
desde 1974, caiu em valor absoluto o consumo de produtos alimentares. Não
estamos só a empobrecer. Estamos a caminhar para uma degradação das mais
elementares e básicas condições de vida.
Ora é esta tendência que o Orçamento do Estado para 2013 agrava de
forma insuportável. As pessoas ainda não perceberam o que lhes vai cair em
cima. Mas quando virem o recibo de vencimento no final de janeiro,
compreenderão quão brutal é o tsunami fiscal que lhes vai arrasar o nível de
vida e colocar-nos a todos a pensar em meios para sobreviver até ao fim do mês.
(…)
Agora, contudo, só há duas maneiras de o travar: ou através do veto do
Presidente da República ou mediante o seu pedido de fiscalização preventiva do
diploma ao Tribunal Constitucional. Parece óbvio que Cavaco não fará nem uma
coisa nem outra. O máximo que se pode esperar do fantasma que habita Belém é
uma mensagem no Facebook. Resta, pois, que 23 deputados se reúnam para fazer
esse pedido de fiscalização preventiva, honrando o mandato que lhes foi
concedido pelo povo.’

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