No meu tempo de escola quando dávamos entrada na sala de aula
as primeiras figuras com que deparávamos eram António Oliveira Salazar e Craveiro
Lopes, numa moldura em madeira, cada uma, dependuradas na parede da sala de aula. Pose
austera como era austera a vida dos portugueses.
Depois de vestirmos a casaca da Mocidade Portuguesa, quase igual à que o exército usava, começava a manhã ou tarde de aulas. A mim, da primeira à quarta classe, as únicas que frequentei no antes do vinte e cinco de Abril, foram sempre da parte de tarde. Nos dois últimos anos de escola a moldura de Craveiro Lopes foi retirada para dar lugar à de Américo de Deus Rodrigues Tomás que venceu com "fraude" as eleições de mil novecentos e cinquenta e oito sobre o General Humberto Delgado.
Muita tinta gastou estas
eleições mas como vivíamos numa ditadura tudo foi aldrabado, aliás, se não fosse,
Oliveira Salazar, ia ser posto na rua porque foi uma das várias medidas
propostas pelo General.
Depois de vestirmos a casaca da Mocidade Portuguesa, quase igual à que o exército usava, começava a manhã ou tarde de aulas. A mim, da primeira à quarta classe, as únicas que frequentei no antes do vinte e cinco de Abril, foram sempre da parte de tarde. Nos dois últimos anos de escola a moldura de Craveiro Lopes foi retirada para dar lugar à de Américo de Deus Rodrigues Tomás que venceu com "fraude" as eleições de mil novecentos e cinquenta e oito sobre o General Humberto Delgado.
Então, a partir daí essas duas molduras começaram a fazer parte da
nossa vida. Convivíamos com elas quase tanto tempo como com o nosso pai que
passava a maioria das horas do dia e noite a trabalhar. Eram tempos de miséria
e desgraça!
O senhor Professor ensinava-nos o respeito a ter com os nossos governantes porque assim era obrigado. Ninguém era livre de pensar pela sua cabeça. Mais a mais os professores que precisavam da sua profissão como modo de sustento da sua família.
O senhor Professor ensinava-nos o respeito a ter com os nossos governantes porque assim era obrigado. Ninguém era livre de pensar pela sua cabeça. Mais a mais os professores que precisavam da sua profissão como modo de sustento da sua família.
Em Julho de mil novecentos e sessenta saí da escola com o segundo grau - como era denominado - adquirido e deixei ali a casaca da Mocidade Portuguesa e
as molduras dependuradas para outros vindouros.
Depois do vinte e cinco de Abril foram saneados os governantes, as molduras e as casacas da Mocidade Portuguesa.
Depois do vinte e cinco de Abril foram saneados os governantes, as molduras e as casacas da Mocidade Portuguesa.
Viveram-se tempos de liberdade! As crianças que frequentavam as escolas
pareciam outras assim como quem lhes administrava o ensino. Quando não se tem
medo a vida é outra coisa.
Mas, estamos a chegar a tempos comparados. Está-se a tirar a alegria de viver. A maioria das nossas crianças estão a ir com fome para a escola como naquele tempo!
As últimas eleições foram uma "fraude" como as de mil novecentos e cinquenta e oito!
O Presidente da República está a proteger o Primeiro-ministro como Américo Tomás protegia Salazar!
Mas, estamos a chegar a tempos comparados. Está-se a tirar a alegria de viver. A maioria das nossas crianças estão a ir com fome para a escola como naquele tempo!
As últimas eleições foram uma "fraude" como as de mil novecentos e cinquenta e oito!
O Presidente da República está a proteger o Primeiro-ministro como Américo Tomás protegia Salazar!
E, para cúmulo de tudo, estão para reaparecer nas salas de aula, as molduras com as fotografias destes dois “botas”.
E as nossas crianças, para ali irão, cantando e rindo à espera que lhe vistam a casaca da Mocidade Portuguesa.


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