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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Falando do passado:

De vez em quando a minha memória volta-se para esse tempo. Lembra-me a minha origem, as minhas privações e particularmente os meus progenitores. Duas pessoas simples mas do que houve de melhor para os seus filhos. Numa família numerosa, dez filhos, nunca nos faltou o essencial: educação. Sempre de bem uns com os outros somos um grupo de irmãos que dá consolo aos nossos pais onde se encontrem.
Desde cedo esse efeito teve mérito porque os meus pais também receberam dos seus essa mesma educação. Eram tempos em que dominava o Deus, Pátria, Família. Não havia a fartura de hoje. 
Desde cedo a maioria de nós apercebia-se que não podíamos ser muito reivindicadores porque só se pode reivindicar se há algo. E o que havia era pouco. O que nos esperava era o ensino primário, acabá-lo quanto antes, para entrarmos no mundo do trabalho. Alguns, mais abastados, seguiam os estudos mas eram poucos.
Os liceus ou escolas industriais ficavam longe de Freamunde e se já era difícil custear o estudo mais difícil era o seu transporte. Por isso jovens como eu ficavam impossibilitados dessa carreira. Não era por a maioria de nós não ter aptidões. Tínhamos e de que maneira!
Todos os anos são férteis em dar boas cabeças ao ensino mas, o de quarenta e nove, do século passado, foi uns dos melhores anos desse século. Só o não foi mais derivado à problemática do País. Investiu-se pouco na rede viária, imobiliária e na educação.
O Estado Novo não tinha vontade no desenvolvimento do seu povo e do País. Pessoas analfabetas são mais fáceis de governar.

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