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terça-feira, 24 de abril de 2012



Temos por hábito dizer quando alguém morre: é pena... era boa pessoa. Não é o caso de Miguel Portas. Era um bonacheirão. Na política era um senhor. Assim fossem todos os políticos portugueses.
Vi-o uma vez pessoalmente. Estava no bar do aeroporto de Santa Catarina, em Santa Cruz, na Ilha da Madeira, em dois mil e um. Esperava familiares, para os transportar para minha casa, que vinham do Continente, próximo de mim numa mesa a conversar com amigos, presumo eu, estava Miguel Portas. 
A sua maneira de ser e estar saltava logo à vista. Conversador, sorridente. A sua indumentária: chinelos de dedo, calções e um colete tipo caçador. Aguardava por voo para Lisboa. Pela conversa e pela admiração que lhe prestavam via-se que era um homem do povo. Sem peneiras, como se usa dizer. Mais admiração ganhei por ele aquando deputado no Parlamento Europeu pelo combate que fazia dos seus ideais. Tinha muito a dar à política. Homens destes não morrem: desaparecem fisicamente.

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