Temos por hábito dizer quando alguém morre: é pena... era boa pessoa. Não
é o caso de Miguel Portas. Era um bonacheirão. Na política era um senhor. Assim
fossem todos os políticos portugueses.
Vi-o uma vez pessoalmente. Estava no bar do aeroporto de Santa
Catarina, em Santa Cruz, na Ilha da Madeira, em dois mil e um. Esperava familiares,
para os transportar para minha casa, que vinham do Continente, próximo de mim numa
mesa a conversar com amigos, presumo eu, estava Miguel Portas.
A sua maneira de ser e estar saltava logo à vista. Conversador, sorridente. A sua indumentária: chinelos de dedo, calções e um colete tipo
caçador. Aguardava por voo para Lisboa. Pela conversa e pela admiração que lhe
prestavam via-se que era um homem do povo. Sem peneiras, como se usa dizer.
Mais admiração ganhei por ele aquando deputado no Parlamento Europeu pelo
combate que fazia dos seus ideais. Tinha muito a dar à política. Homens destes
não morrem: desaparecem fisicamente.

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