O que nos faltava era virem agora com factos. Com dados, contexto, com livros ou com apelos à ponderação, ao bom senso, à racionalidade, ao humanismo, à decência. Era o que faltava. Quem não está connosco, a murmurar a mesma ladainhas, a levantar o mesmo braço, no mesmo ângulo, é contra nós. Ponto.
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Hoje é dia da S. Dicotomia e de S. Maniqueu:
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Ireneu Teixeira – a Padeira da Geopolítica:
(Luís Rocha, in Facebook, 10/09/2026, Revisão da Estátua)

Há uns tempos que tenho Ireneu Teixeira debaixo do radar, embora não veja televisão, o que me permite conservar alguma esperança na humanidade, mas o algoritmo do YouTube, essa criatura malévola que sabe exactamente onde encontrar o lixo que não procuramos, lá me vai oferecendo de vez em quando umas intervenções do homem no NOW, deixando-me sempre com aquela sensação de que acabei de assistir a uma experiência científica destinada a provar que o cérebro humano consegue encolher em tempo real.
Ireneu é apresentado como comentador de política internacional, o que é uma classificação extraordinariamente ambiciosa para alguém cuja relação com os factos parece ser a de um turista com um mapa de pernas para o ar. Olha para ele, acha tudo muito interessante e depois vai parar a outro país.
Em 2024, apresentou no NOW um vídeo da Fox News como sendo recente e relacionado com a Rússia, quando o vídeo era de 2014 e Jeanine Pirro falava do Estado Islâmico. Confrontado com o erro, explicou que recebera aquilo pelo WhatsApp e que não tivera tempo para confirmar a informação.
É uma metodologia extremamente interessante.
Antigamente verificava-se a notícia antes de a transmitir, agora recebe-se uma coisa no telemóvel, mete-se na televisão e logo se descobre o que era.
A ERC acabou por considerar que o NOW violara o rigor informativo, mas aparentemente nem uma entidade reguladora consegue acompanhar a velocidade com que Ireneu transforma uma mensagem de WhatsApp em política internacional.
Depois veio o episódio do suposto dirigente do Hamas que afinal era um clérigo iraquiano crítico do próprio Hamas, ao qual foram atribuídas declarações que pertenciam a outra pessoa, porque aparentemente até as identidades passaram a ser facultativas no comentário internacional.
E finalmente chegámos a Ceuta, ou melhor, a Toulouse, porque para Ireneu a geografia parece ser uma ciência dispensável. Mostrou imagens de violência como sendo das últimas horas em Ceuta, quando eram imagens de Toulouse, em França, relacionadas com os festejos da vitória do PSG na Liga dos Campeões.
Toulouse em Ceuta, França em Espanha, Maio em Setembro e adeptos de futebol transformados em migrantes.
É difícil errar tanto sem começar a suspeitar que há alguém nos bastidores a baralhar deliberadamente o atlas.
Depois veio a fabulosa história da Mercadona, segundo a qual migrantes estariam a comprar produtos para fabricar bombas, história que a própria empresa desmentiu e que o Polígrafo classificou como falsa.
Mas nada disto se compara à monumental descoberta histórica de que a Padeira de Aljubarrota teria corrido com os espanhóis em 1640, confundindo a Batalha de Aljubarrota, em 1385, com a Restauração da Independência, em 1640.
São apenas 255 anos de diferença, uma pequena imprecisão para quem comenta a História como quem escolhe uma data num calendário de parede. É como dizer que Camões escreveu Os Lusíadas depois de inventarem a internet.
O problema é que Ireneu não comenta apenas História, comenta política internacional, guerras, migrações, terrorismo e relações entre Estados, tudo isto com a confiança de quem parece acreditar que o mundo é uma espécie de radionovela onde os factos são apenas sugestões.
E talvez seja essa a verdadeira inovação.
Já não precisamos de correspondentes internacionais, historiadores ou especialistas, basta um homem com acesso ao WhatsApp, uma cadeira num estúdio e uma relação suficientemente flexível com a verdade.
Ireneu conseguiu transformar a política internacional numa espécie de quermesse cognitiva onde Toulouse pode ser Ceuta, 2014 pode ser ontem, um crítico do Hamas pode ser dirigente do Hamas e Brites de Almeida pode atravessar dois séculos e meio para participar na Restauração.
Há pessoas que explicam o mundo.
Ireneu prefere inventá-lo.
E fá-lo com aquele ar solene de quem acredita que, se disser uma barbaridade com suficiente convicção, talvez a realidade se sinta intimidada e vá embora.
Só que a realidade tem este defeito terrível.
Insiste em existir.
E parece que finalmente alguém percebeu que talvez não seja boa ideia deixar um homem destes diariamente à solta pela televisão, pelo que Ireneu foi finalmente colocado na prateleira, numa espécie de reforma dourada do comentador internacional, passando a mostrar a cara apenas ao domingo.
É uma solução sensata e, sobretudo, uma solução humanitária. Se não conseguimos impedir Ireneu de comentar o mundo, pelo menos podemos reduzir a exposição do mundo a Ireneu.
Ao domingo, portanto, lá teremos a sua aparição semanal, como aqueles relógios antigos que abrem uma portinhola e fazem sair um cuco durante alguns segundos para anunciar que ainda estão vivos. A diferença é que o relógio tem a vantagem de não possuir a capacidade de confundir Toulouse com Ceuta.
E tudo isto acontece na Medialivre, empresa de que Cristiano Ronaldo é accionista, o que acrescenta uma camada de surrealismo à coisa. Não sei se Ronaldo acompanha as intervenções de Ireneu, mas imagino a reunião de accionistas. Alguém apresenta os resultados, outro fala das audiências, alguém pergunta pela estratégia editorial e Cristiano levanta a mão para saber se a Padeira de Aljubarrota já foi entrevistada.
É que, sendo accionista, Ronaldo adquiriu uma pequena parte da empresa, mas ninguém me garante que tenha recebido também uma fracção da Padeira, de Ceuta, de Toulouse e dos restantes territórios imaginários do império geopolítico de Ireneu.
No fundo, é uma espécie de reforma dourada à portuguesa. Não se manda o especialista para casa, apenas se lhe reduz o horário para que possa continuar a explicar o planeta sem o planeta ter de levar com ele todos os dias.
E talvez seja mesmo essa a grande conquista.
Durante a semana, a Terra gira normalmente, Toulouse continua em França, Ceuta continua em Espanha, Aljubarrota permanece em 1385 e 1640 continua a ser 1640.
Depois chega domingo, abre-se a televisão, aparece Ireneu e tudo volta a ser possível.
A História pode mudar de século, a geografia pode mudar de continente e o WhatsApp pode transformar-se novamente em Conselho de Segurança da ONU.
Há pessoas que estudam o mundo para o compreender.
Ireneu prefere recebê-lo por mensagem.
Felizmente, agora só ao domingo.
Valha-nos isso…
Beijinhos e até à próxima…
Referências consultadas:
https://theblindspot.pt/desinformacao-no-canal-now…
https://theblindspot.pt/comentador-do-now-justifica…
https://theblindspot.pt/queixa-the-blind-spot-a-erc…
https://theblindspot.pt/depois-de-condenacao-da-erc-por…
https://www.rtve.es/…/falso-jovenes…/17178491.shtml
https://poligrafo.sapo.pt/…/mercadona-contactou-a…
https://www.jf-aljubarrota.pt/pt_pt/history/padeira
Do blogue Estátua de Sal
Quem é que ainda quer o quê com esta guerra?
A União Europeia mantém e alimenta esta guerra já sem objectivos viáveis, face à sua crescente debilidade económica, por três razões: incapacidade de defender os seus interesses económicos e políticos, miopia a raiar a estupidez e a tradicional expectativa dos seus governantes que contam com o tacho que se segue (num banco, fundo, universidade norte-americana ou noutra organização ao serviço dos “valores ocidentais”).
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Ó se faz favor, a democracia!
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
A volta completa; O CASO IRENEU:
Assim estamos. A coisa deu a volta completa, passando pelo ponto de partida. Temo pelo dia, que até me parece possível (vejam-se as eleições que fizeram Trump voltar à Casa Branca...), em que a maioria das pessoas vai preferir (à esquerda e à direita), ou vai só receber, graças ao todo-poderoso algoritmo, as fontes de informação cheias de falsidades que lhes alimentam uma visão do mundo e os seus preconceitos e vai desconfiar do jornalismo profissional - que aí anda, ainda, em jornais, documentários, rádio, online, com grande qualidade e com regras - tipo... não mentir deliberadamente.
SEBASTIÃO BUGALHO QUER LIMITES. VAMOS ENTÃO FALAR DE LIMITES:
Ricardo Lima
A Guerra Invisível: O Impacto Económico das Sanções e a Competitividade Europeia:
Nesta leitura, a questão central não é apenas quem vence ou perde no campo de batalha, mas também quem controla as fontes de energia, as matérias-primas e a capacidade industrial necessária para sustentar o crescimento económico no longo prazo. A verdadeira guerra, defendem alguns analistas, poderá estar a ser travada nos mercados, nas fábricas e nas cadeias de abastecimento internacionais, com consequências que se farão sentir muito para além do conflito militar.
Major General Raul Luis Cunha



