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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Estão a findar as festas e romarias:


Todos sabemos o efeito que têm no espírito dos naturais ou habitantes de cada localidade. Gostam de mostrar a quem os visita o melhor que existe na sua terra. Nesses dias os principais centros são engalanados o que dá uma forma diferente do habitual. 
Depois, todos só vêem virtudes e as festas da sua terra são as melhores das redondezas, quando não as proclamam como as melhores do mundo. Em todas as terras existe a fábula da coruja e da águia. Vem este intróito a propósito das festas que se realizam nos arredores de Freamunde.
Freamunde celebra todos os anos – há muitos que o vem fazendo ininterruptamente - no segundo fim-de-semana do mês de Julho, as festas em honra ao Mártir S. Sebastião. Fazemo-lo com o sentido cristão e profano como qualquer comunidade. São trezentos e sessenta e cinco dias de intenso trabalho para a Comissão eleita. Freamunde é uma urbe e sabe que só com ela pode contar. 
A maioria das festas aqui em redor, realizam-se depois das Sebastianas, - nome dado, ao que antigamente se denominava por festas da vila - aqui copiam o que de bom é exibido: concertos de música e de bandas filarmónicas, procissão, marchas alegóricas, sessões de fogo piromusical e de girândolas, vacas de fogo e outros eventos que quase sempre acontece. Em todos estes eventos temos fama de exímios.

Acontece que por vezes somos confrontados por alguns habitantes de localidades vizinhas intitulando que as que se realizam na sua terra são superiores às Sebastianas. Não pedimos meças. O que gostamos é de valorizar o que é de valorizar. A nível cristão, julgo que não há melhor. Igual pode haver. Só quem visita Freamunde nestes dias se pode inteirar desta minha afirmação.
É no arranjo da igreja, dos andores, no tapete de flores com uma extensão de mais de dois quilómetros; nos figurantes em que as suas vestes são dignas de se ver, que quem acarreta os andores vão vestidos a preceito; as mulheres não vão com roupa sem manga, é-lhes oferecida uma blusa a cada uma, assim como aos homens uma camisa o que habitualmente é de cor branca; depois é pertença de cada um, além da tradicional opa. Tenho assistido pessoalmente e através da televisão a algumas procissões e vejo mulheres e homens trajados com umas t-shirts sem mangas o que dá um aspecto horrível a quem assiste a esses desfiles.
O cortejo alegórico onde tudo é esmerado. De há uns anos para cá tem de se basear a um tema da actualidade. Os carros alegóricos, ao contrário do que vinha sucedendo, são elaborados só por Freamundenses o que leva a que muitos tenham o seu início no mês de Janeiro.

Só o custo da marcha: carros alegóricos, bombos, grupos de samba e gigantones, ficam mais caros que qualquer festa realizada aqui nos arredores. Em algumas, se a Banda Musical de Freamunde não for convidada para ali actuar são um fiasco no que concerne a foliões. Comparar o incomparável é rivalismo doentio. Todas têm os seus pontos altos e baixos e não vamos ser como a coruja.  

quinta-feira, 12 de julho de 2012

À Comissão de Festas:


As Sebastianas de dois mil e doze foram um êxito. Não é que as que as antecederam também não tenham sido. Só que derivado à conjuntura política, crise e desconfiança do rumo do País levasse a que festeiros e população de Freamunde receassem que iam ser de fraca qualidade. Mas o punhado de jovens que compunham a Comissão de Festeiros (Sebastiões), tudo fizeram para contrariar os nossos receios.
Puseram todo o empenho e sacrifício durante os trezentos e sessenta e cinco dias do ano. Falava com alguns e perguntava como estavam a decorrer os eventos que durante o ano punham em cartaz e diziam que julgavam que ia ser pior. É um facto que se espera sempre o melhor. Mas saber valorar o sacrifício dos Freamundenses que estão sobrecarregados com peditórios seja para que colectividade for fica-lhes bem. Os Freamundenses também compreendem a responsabilidade que é pertencer à Comissão das Sebastianas e é esse o motivo por que fazem das tripas coração quer uns quer outros para que as Sebastianas sejam o cartaz a que estamos habituados.

Foto da Comissão de Festas Sebastianas
 com o Pároco de Freamunde
(Padre Brito)
O carinho que antes umas horas as voluntárias/os empregam no arranjo do tapete ao longo de tudo o percurso da procissão o que não é pouco. Só para dar uma ideia passa dos dois mil metros. Ir a acompanhar a procissão e ver a devoção que todos prestam ao Mártir S. Sebastião e ficarem petrificados com a beleza dos seus andores, o número de figurantes, o nível do guarda-roupa, as confrarias e representação de todas as colectividades Freamundenses. É reconfortante chegar à segunda-feira de festas e na hora da marcha alegórica ver nos rostos dos Freamundenses e de quem nos visita o seu deslumbramento e alegria estampado nos seus rostos. O que dançam e cantam principalmente quando passam os grupos de samba, de bombos e o Rancho Folclórico a cantar “Ao Freamunde ao Festas Sebastianas”.
Tudo isto é bonito e sentido pelos Freamundenses. Há quem diga que somos um povo sui generis. E não se enganam. Há quem nos visite e não saiba que as Sebastianas têm o suporte dos Freamundenses e que não é uma festa Concelhia. Houve um grupo que actuou, acho que foi os Clã, que quando souberam que tudo é obra da Comissão de Festas e população de Freamunde admiraram-se como é possível. 
A nível de cartaz de espectáculo damos meças aos que se realizam por este Portugal fora. O entusiasmo e afluência são dignos de registo. Os artistas convidados ficam comovidos e agradecidos pela forma como são recebidos. As Bandas Filarmónicas quer a de Freamunde ou a convidada, este ano a de Arcos de Valdevez, ficaram encantadas com a forma que foram aplaudidas, principalmente no concerto nocturno. Depois fica bem a Comissão agraciá-los com uma lembrança de Freamunde. Temos fama de bem receber e vamos preservá-la.
Quando há muitos, muitos anos, um grupo de homens se lembrou de festejar S. Sebastião não lhes passou pela mente a fama que as Festas da Vila – era assim como eram tratadas – vinham a alcançar. Estejam onde estiver, devem sentir orgulho no que legaram a seus “filhos”. Comissão atrás de Comissão tudo fazem para que as Sebastianas sejam uma realidade e êxito. Todos são obreiros. Não há mérito de um ou de outro. Valem pelo seu todo. Quando são eleitos uma grande parte não se conhece mas a partir daí tornam-se numa família. Para pertencer à Comissão é preciso residir em Freamunde. Houve e há muitos que têm laços com Freamunde por causa do matrimónio, por residir derivado ao seu trabalho ou por opção.
Há anos, para aqui permanecerem, levávamo-los a beber água ao fontenário do Agrelo, como secou, ou a sua água está imprópria para consumo, usamos as Sebastianas para essa finalidade. Quem pertencer ou pertenceu à Comissão de Festas Sebastianas nunca mais quer sair de Freamunde. E quem nos visita pela primeira vez nas Sebastianas fica viciado por elas. É da maneira como é recebido ou pela forma como vêem como as vibramos.
Em Freamunde somos assim. Festa na alegria e Alegria na festa.
Foi um punhado de vinte e sete festeiros que tornaram realidade as Sebastianas de dois mil e doze. Freamunde não lhes fica obrigado. É obrigação dos Freamundenses dar-lhe continuidade.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Venham as de 2013. As de 2012 passaram à história:

De cinco a dez de Julho, Freamunde engalanou-se para receber os milhares de forasteiros que nestes dias nos visitam. Antes houve a semana cultural em que esta tem o carimbo da Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós. Os Freamundense ficam orgulhosos pois foi mais um ano em que as Sebastianas foram um êxito. Vê-se o esforço de ano para ano em tornar e levar longe o nome que nos legaram: paz (Frieden) boca (Munde) Freamunde.
Bastamos nós. Não necessitamos dos órgãos de comunicação social, jornais, rádio ou televisão para publicitar. Somos como o vinho (Porto Sandeman), a sua fama vem de longe. Assim são as Sebastianas de Freamunde.

O centro de Freamunde está a ser exíguo para receber tantas barracas de diversão, roulottes de comes e bebes e de venda de bugigangas. Nos dias de maior afluência, todos o são, mas há dois, domingo na hora da procissão e segunda-feira na noitada, principalmente na passagem da marcha alegórica, torna-se difícil arranjar lugar para assistir quer a um quer a outro evento. Precisava do triplo do espaço. É com grande esforço e sorte que ela tem irrompido desde o seu início até ao seu término. S. Sebastião tem-nos protegido para que não suceda nenhum desastre. Este ano aconteceu o mesmo.
Desde as vinte e uma horas, com a entrada dos grupos de bombos, até às três da madrugada, hora em que a marcha termina, são horas extremamente loucas. A juventude com o seu calor folião  – desde que não haja excessos - dá uma vida à noitada que para mim é única no País e tenho ido a várias. Qualquer jovem nas noitadas das Sebastianas quer seja de Freamunde ou não sente-as como suas.
Dão vivas aos grupos de bombos, de samba, carros alegóricos – de há uns anos para cá obedecem a um tema escolhido pelos festeiros – ranchos folclóricos e ainda uma variedade de figurantes, todos são acarinhados pelos foliões o que às vezes se torna custoso para os próprios grupos.
Mas… Freamunde é assim. Desde tempos imemoriais foram educados para fazer das Sebastianas o seu ex-libris. Nunca por nunca deixam de vibrar. Porque festa é sinónimo de alegria. Tive oportunidade de assistir a mais um ano. Foi gratificante ver a alegria que brotava dos corpos de quem assistia, quer com as suas cantorias, danças a colaborar com os grupos de samba e bombos. Foi um fartar de suor que escorria pelos poros e notava-se quer nas suas faces ou vestes. Depois socorrem-se das bebidas, quer água ou cerveja. 
A companhia de Cerveja Sagres investe aqui forte e feio porque sabe que as Sebastianas são um cartaz rico para a sua publicidade. É como digo em cima. Não precisamos que nos façam publicidade, nós é que a fazemos. Por isso acho que quem fica a perder é a comunicação social. Aliás se um dia aparecerem por cá tem de pagar um cachê como acontece com a cerveja Sagres.
Estou a escrever este texto antes da tomada de posse da Comissão de Festeiros para dois mil e treze. Sei que nessa altura estão com uma camada de nervos e dor de barriga. Isso é próprio do ser pensante. Mas tenham fé que o Mártir S. Sebastião vela por vós.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Procissão em honra ao Mártir S. Sebastião:


 Não sendo o Santo Padroeiro de Freamunde, esse papel ficou a cargo do Divino Salvador, todos os anos no segundo domingo de Julho, Freamunde se engalana para fazer desfilar pelas suas ruas a procissão em sua honra. Não é por acaso que aqui ocorrem milhares e milhares de crentes e não crentes. Há anos saía às dezanove horas, com a antecedência de uma hora, dezoito horas, veio contribuir para os forasteiros poderem assistir com mais à-vontade ao seu trajecto e todos sabemos como é longo.
Mas vale a pena, julgo eu, a deslocação a Freamunde neste segundo domingo de Julho. Podem verificar o trabalho de trezentos e sessenta e cinco dias dos festeiros para dar seguimento à obra que ano a ano vai sendo legada aos seus sucessores. Assim como o trabalho voluntário de dezenas e dezenas de zelosas, outros para fazer parte de figurantes na procissão e os que com o seu esforço físico acarretam os andores, abdicam dos seus passeios pelo arraial ou de assistir ao concerto que as bandas de música a essa hora dão nos coretos instalados no antigo “campo” da Feira. Quem assiste fica maravilhado com a sua ornamentação quer em flores ou outros arranjos.
Maravilhados com a riqueza do guarda-roupa e a beleza dos seus andores. Sim! Que de ano para ano parece que a procissão está melhor ou são os meus olhos que assim a vê. Lembro-me, não sou criança nenhuma, da dificuldade que se tinha e em certos anos estava a perder qualidade derivado à falta de voluntários, uns para desfilar como figurantes, outros para contribuir com a sua experiência no arranjo e planeamento. Hoje pode-se verificar como vale pena a contribuição de todos para que o Mártir S. Sebastião se sinta feliz com a honra que lhe prestam.
Os Freamundenses ficam orgulhosos e mais ainda quando estão a assistir à sua passagem e juntos a eles estão forasteiros que comentam uns para outros: “ - não haja dúvidas, no que se metem não há quem os comparare!” É evidente que aqui esquecemos o valor do nosso donativo, com a crise cada vez se torna mais difícil.
Mas somos assim e o que se há-de fazer. O apego à terra, à sua cultura e tradições transformou-nos num povo sui generis.   

Procissão do Mártir S. Sebastião - Passagem na Gandarela:

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sebastianas 12:


Não digas adeus, não digas
Não te ponhas a acenar
Quem este ano veio às festas
Para o ano há-de voltar!
Fedra Santos





























quinta-feira, 5 de julho de 2012

Elas aí estão:


A semana cultural integrada nas festas Sebastianas está a acabar. Vamos entrar propriamente dito nas festas e os vários dias trazem-nos uma variedade de eventos que de certeza vão ser seguidos pela maioria dos romeiros. Alguns gostam de música Rock outros de música tradicional portuguesa o que faz com que os festeiros providenciem a vinda de uns e outros para que as noitadas sejam bastante participativas.
É certo que as festas Sebastianas são muito afamadas mas não se pode viver à custa dos louros e o investimento nestes inventos são sempre bem-vindos. Não há festa sem alegria e para ela vigorar tem de ter um pouco de tudo seja na parte cristã ou profana. Quem não gosta de assistir ao desfilar da procissão em honra ao Mártir S. Sebastião e reparar na ornamentação dos andores, nos trajes dos anjinhos e confrarias?
Quem não gosta de admirar o tapete de flores que é feito por todo o trajecto por onde passa a procissão? É uma trabalheira mas quem o faz fá-lo por gosto e o Mártir S. Sebastião orgulha-se e agradece o sacrifício. Quem não gosta de ouvir um bom concerto entre as bandas de música principalmente o da noite e no final a Gandarela
Pelos anos passados e pela afluência de romeiros estou em crer que Freamunde se vai tornar pequeno para receber tanto público e que os dias vão ser pequenos para mostrar todos os eventos. Há quem diga que os dias de festa em Freamunde deviam ter quarenta e oito horas. Há vários anos por volta das três horas que as noitadas só tinham umas centenas de noctívagos, hoje às sete horas da manhã ainda andam a queimar vacas de fogo – as horas nocturnas não foram suficientes - e o mais interessante é que uma grande parte das pessoas é de fora de Freamunde.
Sei que quem é de fora de Freamunde e nunca teve oportunidade de vir às Sebastianas fica incrédulo com o que relato mas para perder essa incredulidade, apareça por cá. Não se vai arrepender e quase que afirmo que a partir daí estes dias passam a fazer parte do seu calendário. Há anos quando vinha para Freamunde qualquer pessoa trabalhar, treinar o Sport Clube de Freamunde ou para qualquer outra actividade havia o uso de os levar ao fontenário do Agrelo beber água porque a partir daí nunca mais esquecia Freamunde. Hoje com o fontenário sem água essa tradição acabou. Como tudo na vida não acaba mas se transforma as Sebastianas ficaram com essa incumbência.       
De uma coisa pode ter a certeza. É bem recebido. Apareça por cá e logo verá.

domingo, 1 de julho de 2012

Concurso de Quadras Sebastianas 2012:


Pela décima vez consecutiva a Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós, levou a efeito ontem dia trinta de Junho, a entrega de prémios do concurso intitulado Quadras Sebastianas 2012. Este evento teve início em dois mil e dois e desde aí todos os anos no Auditório, Fernando Santos, na Casa da Cultura de Freamunde, se procede à entrega de prémios. O local é apropriado pois o evento é sobre cultura e foi de cultura que ontem se tratou.
Pena ter pouca gente a assistir e de fora de Freamunde só apareceu um concorrente para receber o prémio mas outros foram premiados. Falava-se à boca cheia que é fruto da crise que o País atravessa. De qualquer maneira quem ali esteve deu o tempo por bem empregue: comigo aconteceu isso.


1º. PRÉMIO - QUADRA Nº. 181

Mau poeta, a vida inteira,
Mas fiel às tradições.
Rimo tamanco e palmeira
Com Mel, Agrelo e Capões.


Fernando Costa - Freamunde

Após a chamada para a mesa dos membros convidados; Luísa Tojal, presidente da Associação Pedaços de Nós, Pedro Pinto, Presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, uma representante da Junta de Freguesia de Freamunde e Nuno Mendes "Manaco" Presidente da Comissão das Festas Sebastianas; com a colaboração de Aurora “Bica” como apresentadora do evento o que já vem sendo habitual, que voz e que poder de argumentação, quem dera a muitas apresentadoras das nossas televisões ter o à-vontade e o poder de dicção que ela possui; a declamação dos versos teve a colaboração de José Carneiro Alves a ele não se faz considerações porque Freamunde sabe o seu real valor.
2º. PRÉMIO - QUADRA Nº. 40

Passam bombos a troar,
O "mel" escorre da gente,
Vacas de fogo a estourar,
Freamunde vai contente.


Joaquim Raro – Beja

Depois dos discursos proferidos pelos elementos da mesa, todos nós ficamos a saber mais um pouco das Sebastianas e de Freamunde. Iniciou-se a entrega dos prémios sem antes se homenagear como Sócio Honorário da Associação Pedaços de Nós, António Taipa, para os Freamundenses, António “Rodela” e os três membros do júri, Lucília Barros, João Correia " Venrurinha" e  Ernesto Pereira, com um diploma. 
3º. PRÉMIO -QUADRA Nº. 113

Sou do Sul mas vou, de novo,
Às festas mais soberanas.
Para pôr no altar o Povo
Que faz as Sebastianas.


Maria Duarte - Portimão

Dos premiados só dois votaram faladura, um que foi receber o prémio em vez do filho e disse como na entrega dos Óscares de Hollywood, que se não fosse o pai nada disso acontecia mas... esqueceu-se da mãe, que sem ela é que não acontecia mesmo. O outro premiado a falar foi o Joaquim Raro, de Beja que disse que se sentia grato e comovido pela forma como foi recebido e que ia permanecer por cá mais uns dias, o que esperamos, Freamundenses e Comissão das Sebastianas, que sejam bem passados para levar para o seu Alentejo o uso e costumes de Freamunde.
O evento avançava para o seu fim. Mas antes teve a colaboração do Grupo das Castanholas de Freamunde. Que actuação! Vale a pena e das muitas a que assisti esta ficou-me nos ouvidos. O arranjo das quadras premiadas estava sublime mas a última intervenção “Chula da Livração” de Paco Bandeira, foi magnífica.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Carnaval 2012 em Freamunde:


É tradição em Freamunde celebrar-se o Carnaval, mesmo que o governo decrete a não tolerância de ponto. 
Há uns tempos para cá as Comissões das Festas Sebastianas aproveitam este dia para fazer um desfile carnavalesco com o intuito de angariar uns euros para fazer face às despesas que acarretam as Sebastianas. Já no ano em que fui festeiro (1988) usamos este evento para aumentar o pecúlio das Sebastianas mas não tinha a afluência de público e mascarados que têm hoje.
O Carnaval em Freamunde há muitos anos – era eu jovem – era meia dúzia de mascarados e quase todos se faziam munir de um pau que fazia de bengala mas, a intenção era defenderem-se das pessoas que se metiam com eles. 
Também havia grupos de indivíduos em motorizadas – dois em cada uma – munidos de sacas de farinha que ao passar quer por mascarados ou pessoas que andavam a passear despejavam a farinha pela cabeça abaixo. Não havia nada mais desconfortável que a farinha quer na cabeça ou pelo corpo e se fosse num dia de chuva ainda pior.  
Por isso em Freamunde raramente se via bastantes mascarados. Só há noite é que eles apareciam pelos cafés mas em grupo. Metiam-se connosco – não estávamos mascarados - sendo que alguns eram nossos amigos mas não conseguíamos descobrir quem. 
A propósito: Um dia apareceu um mascarado todo bem apresentado - tipo José Castelo Branco, a dar a ideia de ser uma rapariga -  e meteu-se com um viúvo de Freamunde que o convidou para ir dar uma volta com ele na sua motorizada. 
Foi aceite o convite e o viúvo quando se viu num lugar ermo aproveitou esse facto para tentar tirar partido da situação quando é avisado: ao senhor fulano - aqui não revelo o nome nem de um nem de outro - olhe que sou eu.
Quando se viu no logro em que caiu arrancou a toda a velocidade deixando o desgraçado do mascarad0 sozinh0. O trabalho que não teve para se deslocar a pé. Se fosse hoje devido à tecnologia bastava fazer uma chamada de telemóvel para um amigo para o ir buscar.
Vale a pena ir a Freamunde assistir ao desfile. Vê-se profissionalismo na organização e a comunidade Freamundense disponibiliza-se para comemorar este evento. Ao contrário da farinha que se usava antigamente hoje não faltam brilhantes e serpentinas que dão um colorido às cabeças dos foliões. Os mascarados não precisam de andar em grupo e munidos de pau porque há respeito por quem assim se apresenta.