Rádio Freamunde

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Movem-se Partidos e Individualidades:

O caso não é para menos. Ocupam-se os lugares mais estratégicos à procura de uma boa publicidade. Como se isso fosse a loção mágica para as promessas prometidas e não cumpridas. Há novos candidatos para lavar a “cara”. Mas não vale a pena porque o povo é sereno. Esquecem-se facilmente e convencem-se que agora é que vai ser a sério.
Os outdoors expostos trazem fotografias com candidatas/os sorridentes e com promessas que mais tarde se tornam surrealistas. Mas enquanto isso o que é preciso é iludir o meliante que o militante há muito que sabe que é utopia porque a conjuntura se tornou adversa.
O outro governo que já saiu há quase três anos ainda serve para bode expiatório. Se não fosse ele Freamunde estava melhor:
A Casa da Música concluída. A piscina não era um pavilhão que mais parece onde está instalada a SUMA e as Festas Sebastianas. Ao contrário de outra.
As obras no centro cívico de Freamunde estavam concluídas ou não se tinham alagado porque havia dinheiro para a sua manutenção.
O Sport Clube de Freamunde não tinha descido porque os subsídios da Câmara Municipal tinham chegado a tempo e horas.
O impasse para arranjar Direcção não existia. Era logo à primeira. A Capital do Móvel não tinha entrado em dificuldades e podia dar o patrocínio da publicidade que era usual ao Sport Clube de Freamunde.
Os buracos existentes nas várias artérias de Freamunde estavam todos tapados.
O Parque de Lazer bem conservado - como outro perto de nós. Não se via o lixo como há dias verifiquei quando ali me desloquei. A erva que ali existia, cada vez é menos, o que leva os seus visitantes irem munidos com uma manta para se sentarem e assim não se sujarem com o pó da terra. Assim, nem relva nem ervas.
As silvas e mato que em certos passeios das artérias é uma constante. O que faz com que os seus utilizadores se desviem, mesmo com carros de bebé, para a estrada, para não serem picados. Qualquer dia não são picados mas atropelados.
A relva nos canteiros, pertença da Junta de Freguesia, a ficar à cor de um clube do concelho: amarela.
Os baloiços das crianças que estavam colocados em frente à antiga loja do senhor “Armandinho” Oliveira, há tempos retirados e nunca mais colocados. Parece que o intuito é tirar as poucas crianças que ali se deslocavam para o Parque de Lazer.
Isto tudo que relato é culpa do anterior governo. Se não fosse o sacana do José Sócrates tudo resplandecia e Freamunde era um oásis.
Não era preciso mudar de candidato a Presidente da Junta de Freguesia e uns tantos vereadores.
A Assembleia de Freguesia reunia uma vez por mês com os munícipes a dar a sua opinião e quando não houvesse consenso de quinze em quinze dias.
Quase que não era preciso haver eleições porque o povo estava contente com a vereação que Deus lhe deu.
E… assim não tínhamos esta chatice de ver os lugares escavacados com outdoors de fotos de pessoas todas sorridentes com trabalho prometido e prestado.
Mas se assim fosse do que devíamos falar! Também não podíamos dizer: “Movem-se Partidos e Individualidades”.

sábado, 1 de junho de 2013

Dia da Criança.

"Ser Criança
É achar que o mundo é feito de fantasias, 
sorrisos e brincadeiras.
Ser criança é comer algodão doce e se lambuzar.
Ser criança é acreditar num mundo cor-de-rosa
cheio de pipocas.
Ser criança é olhar e não ver o perigo.
Ser criança é sorrir e fazer sorrir.
Ser criança é chorar sem saber porquê.
Ser criança é se esconder para nos preocupar.
Ser criança é pedir com os olhos.
Ser criança é derramar lágrima para nos sensibilizar.
Ser criança é isso e muito mais.
É nos ensinar que a vida, apesar de difícil,
pode nos tornar fácil com um simples sorriso.
É nos ensinar que criança só quer carinho e afecto.
É nos ensinar que, para sermos felizes,
basta apenas olharmos para uma criança."

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Primavera:


Chegou hoje e ao contrário de outros anos chega fria e seca como o País. Antigamente o seu sol radiante, o desbrochar das flores das plantas, o cheiro que brotavam dava-nos um ar agradável. As andorinhas aproveitavam a vinda da Primavera para fazerem a sua aparição. Nessa altura os lavradores aproveitavam para fazerem as suas sementeiras e era um regalo vê-las nos seus baixos voos como a quererem beijar a terra que tinha sido lavrada. Aproveitavam para apanhar qualquer insecto para a sua alimentação. 
Não tinham receio do gado que puxava o arado para desbravar a terra e do lavrador que seguia à frente na orientação da terra a desbravar. 
Era um tempo lindo a chegada da Primavera. Como nos diz o adágio português: em Março tanto durmo como faço. Era assim até ao findar do dia. 
Das quatro estações anuais a Primavera é a menos exuberante. Nem calor nem frio. Tantas horas diurnas como nocturnas. 
As outras estações reservam-nos outros dissabores. O Verão com o seu calor insuportável, o Outono com o seu olhar triste e o cair da folha que parece uma ida ao barbeiro do ser humano e o Inverno com o seu ar austero e frio. 
Assim podemos denominar a Primavera como a rainha das flores e... como ela não há igual. 

Tão bela, tão misteriosa
Assim é a rainha das flores
Dona, dos meus amores
Dona, do meu pensar
É tão bela, mas é tão misteriosa
Que eu nem posso, nela tocar.

Pobre de mim, vivo sonhando com ela
Com ela na passarela, do meu coração
Contemplo a sua formosura
E num gesto de ternura
Faço uma canção
Declarando o meu sentimento por ela
Mas ela na dela, nem me dá atenção.

Ela vive num lindo jardim
E nem liga pra mim, que vivo pensando nela
Mas no meu peito há um fio de esperança
De que nessa perseverança
Ganharei o amor dela
E assim com a rainha das flores
Viverei cheio de amores
Numa eterna primavera.

Autoria: Zé Índio

terça-feira, 12 de março de 2013

Terça-feira com: Torneró. (Voltarei)

Esta canção fala-nos da partida de alguém que jura regressar, sem que com isso, não deixasse de enxugar uma lágrima. Estas partidas são difíceis. Quando se parte deixa-se algo para trás. Dizem que vão voltar mas não sabem quando. Há várias formas de se partir. Não me quero referir às físicas mas sim às que nos vão tirando diariamente: o sonho e a esperança.

Quem pensou e projectou uma vida digna, tudo levava a crer que assim fosse e, de repente vê que tudo foi uma ilusão. 
Projectou ideais e tudo se desmoronou. 
No amor há ilusão. E com esta sofre-se intensamente quando se perde a amada. Mas quando se perde o sonho e esperança de uma vida digna o sofrimento e ilusão é terrível e leva muitos a atitudes irreparáveis. É ver os suicídios que se tem dado em Portugal.
Viu-se na manifestação de dois de Março o sofrimento de um povo. Velhos e novos mostravam o rosto de sofrimento e em alguns escorria uma lágrima de tristeza e raiva. 
Só que na partida de uma amada essa partida pode ser breve, enquanto a partida de um sonho ou esperança de vida digna demora décadas. Só que não sabemos o dia em que podemos ouvir o “Torneró” da vida e sonhos que nos roubaram. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Vai e não voltes:


A Comissão de Trabalhadores (CT) da TAP vai levar hoje, às 17h, a Álvaro Santos Pereira um bilhete de, apenas, ida para Toronto, no Canadá.
Antes disso, por volta das 16h, os trabalhadores vão estar reunidos em protesto no Largo Camões, de acordo com informação ao Expresso de uma fonte oficial da CT da TAP.
No bilhete (ver imagem em cima), pode ler-se que o ministro poderá viajar em "qualquer voo com lugar" e que os "restantes passageiros podem ficar com os bolsos vazios." O ministro da Economia é autorizado a viajar com "uma trouxa de roupa", especifica o bilhete, emitido pela "Ta Pair".
Este protesto, que se insere na semana de lutados trabalhadores dos transportes, visa vincar a posição dos trabalhadores contra os cortes salariais na transportadora aérea nacional.
Na concentração do Largo Camões são esperados, pelo menos, 50 trabalhadores e todos os sindicatos, foram convidados a juntarem-se ao protesto.
Hoje de manhã, foi entregue no Ministério da Economia o pré-aviso de greve para os dias 21, 22 2 23 de março pelos sindicatos que integram a plataforma de trabalhadores da TAP, entre eles, o dos pilotos, dos tripulantes, dos profissionais de handling, trabalhadores de aviação e portos, técnicos de manutenção de aeronaves.
Carolina Reis, 4 de março de 2013 no Expresso

Walesa defende que o lugar dos homossexuais é fora do Parlamento:


Ouvem-se palavras ou slogans que nos deixam de boca aberta. Os homossexuais “devem permanecer sentados na última fila do Parlamento e mesmo fora dele, por detrás dum muro”. Esta frase é dita por quem devia defender a diversidade. Não é admissível. Lech Walesa, Prémio Nobel da Paz e Presidente da Polónia, em conluio com a igreja e a mão do Papa, João Paulo II, não tem a hombridade de combater a pedofilia no seio da igreja como o faz no Parlamento Polaco. Sobre esta nada diz!
Não tenho o hábito de acusar este ou aquele, pelo contrário, defendo a diversidade e respeito-a. As pessoas gostam de estar na crista da onda e há que condenar mesmo antes de a pessoa ser arguida. Está em voga censurar e condenar certos membros da igreja. Mesmo que defendidos por pessoas que conviveram com eles e dizem que nunca notaram qualquer facto ou acto, são logo apelidados de coniventes.
Todos temos direito ao bom nome e as dúvidas nunca provaram nada. Hoje em dia quem cai na fogueira, que é a comunicação social, à partida fica logo queimado. Depois para reporem o bom nome é um caso sério.
Quem viu o filme “O homem sem rosto” que anda de terra em terra para o deixarem viver em paz mas que há sempre alguém que se queira intrometer no seu passado, mesmo que nunca, se tenha provado nada. Ou no filme “Dúvida” em que o padre que é acusado de pedófilo é perseguido pela Madre Superiora, mas no fim do filme vimos a constatar que tudo é por luta do poder.
Os falsos moralistas se não têm mais nada para ocupar a vida que vão limpar as matas como sugere João Salgueiro ou como a resposta que Daniel Oliveira lhe deu no programa do Eixo do Mal: que vá ele (João Salgueiro) limpar a mata do Monsanto mas à noite. Muitos que ouviram esta frase julgaram que era para evitar a permanência ao sol e calor mas o que Daniel Oliveira quis dizer foi que após o horário de trabalho das utilitárias da mata do Monsanto, João Salgueiro, ia contribuir para a retirada do látex, abandonado ali com a finalidade das senhoras ao outro dia terem melhores condições de trabalho.
Era isto que precisavam os Lech Walesa deste planeta.        

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Quem te viu e quem te vê:


O tempo que este mês de Fevereiro nos trouxe está como Freamunde: triste e envergonhado. Não me refiro só a Freamunde futebolisticamente – segunda liga – porque neste aspecto não vejo salvação, embora reconheça, o esforço feito pela Direcção. Freamunde outrora uma terra que pedia meças a qualquer uma, mesmo que fosse sede de concelho, está hoje moribunda.
Não há interesse dos seus habitantes. Parece que estão à espera das eleições autárquicas que se vão realizar em Setembro ou Outubro. Para depois acontecer o mesmo. O PSD ganha com minoria e volta tudo ao mesmo.
Enquanto não deixarmos os partidos para segundo plano e não valorizarmos o sentimento local não vamos a lado nenhum. Enquanto estivermos à espera de um candidato nomeado pelo partido A ou B vamos de mal a pior. O que os partidos locais pretendem é mostrar aos seus líderes a força que tem para depois serem eleitos para outros voos a nível nacional. Se assim não fosse não entendo como não se dá um murro na mesa e põem o lugar à disposição de quem os convidou para assumir essas funções.
Promete-se mundos e fundos e depois o que se têm para oferecer é o desleixo e o abandono. Nunca vi Freamunde tão mal. É na limpeza, nas acessibilidades, no arranjo dos seus jardins, nas fontes luminosas, – Praça 1º. de Maio e 19 de Abril – que há um bom par meses nem água possui para as movimentar. Tudo ao abandono.
O investimento que tanto custa a pagar está ali à mercê de quem se lembre de o furtar para o ferro-velho. O quiosque que se construiu para albergar a lojinha do Sousa está a servir de guarida aos ratos. Tudo isto parece de pouca monta mas ficou caro ao erário público.  
Por estas e outras Freamunde faz-me lembrar este mês de Fevereiro: ora faz chuva ora faz sol.        

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Todos temos um fim:


Se pensássemos nisso, talvez as nossas atitudes durante a nossa curta passagem por este Mundo, nos levaria a outros procedimentos. Quando estamos no apogeu da vida julgamos que o Mundo é nosso. Tudo é fácil. Assim aconteceu a muitos líderes que governaram os seus países. Se hoje pudessem voltar à vida julgo que os comportamentos eram diferentes: para melhor. 
Se há quem fez por revolucionar este Mundo e contribuiu para os eventos que hoje usufruímos também houve, e muitos, quem o destruiu. Só pensaram na sua raça e as outras eram para servir de cobaias. Aconteceu com a escravatura do branco sobre o negro e do branco sobre o branco.
Também nós portugueses contribuímos para a escravatura do branco sobre o negro. Nas chamadas províncias ultramarinas deixamos o nosso quinhão. Não soubemos sair a tempo e saímos com saldo negativo quer no que lá se investiu quer nos mortos e nos feridos. Fez ontem cinquenta e dois anos que tudo começou. Não se fizeram tréguas e o resultado foi o que se viu. Foi preciso a revolução do vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro para pôr fim àquela carnificina. Ali passei vinte e três meses e sei do que falo.    
Da escravatura do branco pelo branco houve quem se opusesse mas sofreu juntamente com o seu povo as agruras do tempo. Refiro-me ao holocausto que originou a segunda guerra mundial. A primeira começou após uma briga entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia pela impunidade em relação aos responsáveis pelo assassinato de Sarajevo, do Arquiduque do Império Austro-Húngaro, Francisco Fernando e sua esposa Sofia, pelo sérvio nacionalista Gavrillo Princip em que o Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Otomano resolveram vingar-se da Sérvia. As forças denominadas de a Tríplice Entente (liderada pelo Reino Unido, França, Império Russo (até 1917) e Estados Unidos a partir de 1917 opuseram-se e deu-se a chamada primeira guerra mundial.
Anos mais tarde com o Mundo refeito das barbáries da primeira guerra mundial Hitler resolveu criar outra guerra esta denominada como a segunda guerra mundial. 
Queria criar uma raça superior. Só quem tivesse olhos azuis e bom porte físico tinha direito a habitar o mundo. Não se importou de destroçar a raça judia para mostrar ao Mundo quem era a Alemanha e ele próprio. 
Como em tudo, a primeira investida, fez-se sobre o mais fraco. Só que não contou que havia quem não comungasse com esse ideário e deu-se a segunda guerra mundial.
Só que na guerra ninguém ganha. Todos perdem. E, os que mais perdem são os mais pobres e humildes. As guerras só servem para promoção dos seus inventores e fábricas de material de guerra. Depois de acabar ninguém venceu. Feitas as contas todos perderam. Se fizermos uma retrospectiva verificamos isso.
Hitler que foi idolatrado pelo seu povo e alguns países morreu sem ninguém saber como. Outros tirânicos tiveram igual sorte. E mais vão ter porque julgam que tudo é seu.
Julgam que tudo lhes corre de vento em popa. Não sabem que atrás de uma grande serra existe outra ainda maior.
Não olham para exemplos como os Nelson Mandela. Foi o mais humilhado da África do Sul e tudo perdoou. Hoje todo o Mundo lhe rende homenagem. Perdoou aos carrascos. Outros também tiveram postura digna para com o seu povo. 
Hugo Chavez que depois de ganhar umas eleições democráticas foi feito prisioneiro pelos seus opositores sendo dias depois libertado. Voltou a concorrer e voltou a ganhar. Hoje às portas da morte não têm consideração à sua dor e doença.
Outro é Fidel Castro. Embora discorde da sua ditadura reconheço o seu feito. No apogeu da sua vida deu tudo para que a sua ilha não fosse um passatempo de férias dos americanos. 
A invasão da Baía dos Porcos foi uma tentativa dos exilados anticastristas formados pelo governo dos Estados Unidos da América para esse fim. De todo em vão. 
A tudo resistiu Fidel Castro e o povo cubano. Hoje vê-se curvado pelo peso dos anos e das suas decisões. Talvez faça um balanço e reveja injustiças. Mas é nestes momentos e nesta idade que os governantes fazem um exame de consciência. 
Pena não a fazerem durante a governação e olharem por quem merece ser olhado porque todos temos um fim.     

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Gesto que enobrece quem o pratica:


Desde dois mil e dez que a campanha lançada pelo investigador Warren Buffett e pelo fundador da Microsoft, Bill Gates, com o nome The Giving Pledge (A Promessa Dar), a convencer as pessoas mais ricas do mundo a contribuir com parte das suas fortunas, pelas pessoas mais necessitadas, cerca de setenta bilionários já aderiram a este evento. 
Não são mencionados os colaboradores, a não ser Warren Buffett, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Gordon Moore e, agora o Sul-africano Patrice Motsepe, quase que tenho a certeza que nenhum português aderiu ao evento. 
Alexandre Soares dos Santos gosta de criticar certos hábitos dos portugueses e diz-se benemérito, mas até o pacemaker que recebeu de borla do Estado, usa a crítica, mas não doou o seu custo ao hospital ou qualquer instituição de solidariedade. Temos por feitio receber do Estado tudo e nada contribuir. 
Diz o provérbio chinês: “quando a tua mão direita der algo a esquerda que não o saiba”. 
Mas, não vejo multimilionários portugueses a ter tão nobre gesto. Se fosse para receber mais benesses do Estado faziam filas. 
As grandes acções nascem dos grandes homens e Portugal é um país de raquíticos.     

domingo, 20 de janeiro de 2013

Os Austin Minis:


Quem não se lembra deles. Carro dos filhos dos ricos na década de sessenta. Eram a alegria de quem os tinha e de quem os via a circular pelas ruas das aldeias, vilas e cidades portuguesas. Quem não gostava de possuir um! Nessa década era impensável para a classe trabalhadora. Também não era considerado um carro familiar. Era mais género carro uni-pessoal.
Os carros familiares eram mais os Toyota e Datsun mil e duzentos. Depois veio a Subaru – primeiro carro que tive – teve pouca saída, derivado a problemas com a fábrica de representação sediada em Setúbal. 
No fim da década de sessenta e princípios da de setenta com a melhoria do nível de vida os filhos do operariado português começou a adquirir o seu Austin Mini. Quer fosse o Mini mil, o Clubeman mil duzentos e setenta e cinco, ou o Cooper. Houve anos em que se deixou de fabricar. Passou a ser mais um carro de exposição.
No final do século e no princípio deste apareceu em grande. Outra vez um carro para gente abastada. Mas volta a dar gosto ver a sua performance. Pena que não possa adquirir um. Mesmo com uma certa idade não deixava de o possuir.       

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O doze foi-se embora:


Nunca fui adepto de festejos pelo ano ter acabado a não ser nos dois em que estive ausente da minha família por força maior: cumprimento serviço militar obrigatório em Angola. Se todos fizéssemos um exame de consciência pela alegria sentida por certos anos terem acabado hoje não estávamos tão apreensivos por causa do treze. Ansiamos pelo término deles e nunca nos damos ao trabalho de sabermos o que nos podem causar. 
Isto de ano novo é como irmos numa excursão e não sabermos que motorista nos vai tocar. Pode ser um ponderado. Ou ser tipo  Passos Coelho que quanto mais quer evitar o acidente mais se mete nele.
Por isso o não ser adepto da alegria contida pelos portugueses com o finalizar do doze se sabemos, é o que dizem os analistas políticos, que o treze vai ser dos piores anos que há memória. 
Meti-me no aconchego da casa como é meu timbre por que lá para o final do ano quando se fizer o balanço não quero tornar-me responsável.
Há quem gostava de adormecer e acordar em catorze. Se fosse possível era esse o meu desejo. Ou Portugal fazer o mesmo que Samoa. Perderam o dia trinta de Dezembro de dois mil e onze para assim estar na linha dos que recebem o clarear do dia ao mesmo tempo dos países mais avançados.
Nós perdíamos trezentos e sessenta e quatro dias e quando acordássemos em trinta e um de Dezembro de dois mil e treze recebíamos o de dois mil e catorze a poder fazer face aos países do norte da Europa que fazem parte da União Europeia.
Assim seria a cereja em cima do bolo. Mas não temos cientistas ou hipnotizadores capazes disso. Pelo contrário temos quem nos desgrace e nos leve para o abismo.        

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Cuidados a ter nesta véspera de Natal:


Os portugueses foram alertados pelo Instituto Nacional de Meteorologia para a possibilidade de chuva forte principalmente na zona norte do País. 
Também a GNR, brigada de trânsito, aconselha os portugueses a terem cuidado com as bebidas alcoólicas no caso de conduzirem. 
Os Bombeiros solicitam a só efectuaram chamadas telefónicas para os seus serviços em casos graves porque derivado à quadra há quem abuse nas chamadas falsas. 
A PSP chama a atenção dos cuidados a ter nesta noite de véspera de Natal. É usual os portugueses franquearem as portas a tudo e nada mas todo o cuidado é pouco. 
Há quem ande disfarçado de Pai Natal mas o intuito não é dar é roubar. 
O governo também enviou um comunicado para a comunicação social a prevenir os incautos. Há quem diga que o motivo não é esse. Estão é com medo da concorrência. 
Por isso sempre que apareça à vossa frente alguém vestido de Pai Natal peçam a identificação. 
A PSP recebeu do corpo de segurança informação que Passos Coelho, Victor Gaspar e Mota Soares desapareceram e há fortes probalidades de andarem no ofício que mais gostam:pegar no que não é seu. Dizem que lhes está no sangue e que mesmo em quadras festivas não lhes perdem o jeito.    

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O senhor Joaquim:


Caminhava cabisbaixo e com passo lento. Avistei-o ao longe e a minha estranheza foi satisfeita quando nos cruzamos. Então senhor Joaquim o que se passa consigo? Onde está a força anímica que sempre tinha para os outros! Sabe menino - Hernâni - respondi e já não sou nenhum menino nem saudades de o ser derivado ao mundo em que vivemos. Eu sei que se chama Hernâni - respondeu-me - quando a infelicidade nos bate à porta é que compreendemos como são vãs as palavras que pretendemos dar aos outros. Mas o que se passa para esse abatimento moral e físico! - Perguntei. O que acontece -continuou o senhor Joaquim - é que hoje não se pode confiar em ninguém. Há poucas pessoas íntegras. Olhe! Convivi com o senhor seu pai e ainda recordo os conselhos que me dava. Que o dinheiro não era tudo. E por vezes a abundância tudo estraga. Tornamos-nos egoístas e o egoísmo leva-nos aos disparates. Sábias palavras. Agora não podemos fazer previsões a longo prazo porque logo a seguir a conta sai-nos furada - não o interrompi - deixei-o falar porque sabia que era um bom comunicador e que precisava desabafar. A minha raiva - continuou - deve-se a que tudo o que me foi pedido pela Pátria e aqui sublinho “Pátria”, porque País, o significado é diferente, contribuí com tudo. Durante a segunda guerra mundial comi pão que o diabo amassou. Ia para escola descalço e cheio de fome e Salazar enviava géneros alimentícios para auxiliar outros povos e nós cheios de fome. Em casa dos meus pais o caldo era de saramagos. Não havia dinheiro para cultivar os campos e quintais por isso o recorrer a outros tubérculos bravios que cresciam com abundância. Esse caldo não tinha sabor porque não havia azeite e sal para o temperar. Tempos muito difíceis menino.  Senhor Joaquim trate-me por Hernâni, não é que me sinta ofendido, aliás, até lisonjeado, mas sabe esse tratamento é para quem é filho de pais ricos - disse-lhe eu - e os meus sabe a dificuldade porque passaram. Se não sei! - Voltou à conversa. Ainda me lembro da senhora sua mãe ser criada de servir numa casa abastada e quando ia para escola passava à beira dessa casa e a sua mãe dar-me um pedaço de broa. Que tempos! E olhe Hernâni que estamos a voltar a eles. E é isso que me indispõe. Trabalhei como um mouro para contribuir para a riqueza da minha querida Pátria. Dei o corpo ao manifesto para defender o que diziam que nos pertencia e agora o que nos faz esta cambada de imberbes. Parecem invertebrados. Não têm sabedoria nem moral para governar e cumprir com o que prometeram ao povo. Não estão lá com o meu contributo. Se assim fosse o meu abatimento físico e moral era ainda maior. Assim posso-lhes chamar ladrões com quantas letras têm a palavra. Roubarem-me na reforma, nos subsídios, encarecerem o nível de vida para pagar as asneiras que fizeram! E agora que estamos próximo do Natal nem dinheiro tenho para as batatas e bacalhau. Não falando nas guloseimas que se usam nesta época. Acho que fazem isto para não nos engasgar com as espinhas e assim não recorrermos às urgências dos hospitais - acrescentei eu. Quais urgências e hospitais - continuou o senhor Joaquim. Quem pode lá chegar! Já reparou que fica tão caro ali uma consulta como nos hospitais privados! Querem destruir o que custou muitos anos e esforço a construir. Não temos quem nos defenda. Até esta espécie de Presidente da República que temos não serve para nada. Promulgar um Orçamento de Estado que vai onerar mais os pobres! É de quem é desprovido de sentimentos. Nunca confiei neste gajo. E sabe Hernâni que sou bastante educado e não gosto de usar adjectivos. Mas este merece assim como quem nos governa. E não é só isso senhor Joaquim - interrompi - não é que denunciou o sogro na Pide por viver em segundas núpcias com outra mulher. De pessoas destas o que se pode esperar! - Sabe Hernâni foi bom cruzar consigo. Não sabe o bem que me fez esta conversa. Andava com fracas ideias mas a vida é um bem que nos deram e que devemos preservá-la. Mais a mais nesta época que comemoramos o nascimento. Por isso desejo-lhe um santo Natal e se não nos voltarmos a encontrar um melhor Ano Novo que o prevejo ainda pior que este que está a terminar. - Não tem de agradecer, aliás, quem agradece sou eu por este momento de sã comunicação. Não é todos os dias que nos cruzamos com tão eloquência. Um bom Natal para o senhor e se nesse dia não tiver com quem privar apareça lá por casa que é bem recebido e caso não o faça desde já um bom Ano Novo. - Olhe Hernâni, esse convite que me faz, lembra-me os bocados de broa que a senhora sua mãe que Deus tenha em bom lugar, me dava para matar a fome. É como diz o ditado. “Quem sai aos seus não degenera”.           

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

No liceu:


Numa aula de História, o professor pergunta ao aluno:
- Diga-me, menino Augusto, qual foi o português que, ao longo da sua vida, lidou mais de perto com os Santos?
O aluno pensa durante alguns momentos, respondendo por fim:
- Foi Henrique Galvão, senhor professor!
- Ora essa! - Admirou-se o professor. Então porquê?
O aluno:
- Porque nasceu em Santa Isabel, no dia de Santo Hilário. Foi baptizado no dia de Santa Catarina e frequentou a escola de Santa Filomena.
Morava no Campo de Sant'Ana, deu uma queda em Santa Bárbara e foi socorrido no Hospital da Ordem Terceira de São Francisco.
Foi preso e julgado no Tribunal de Santa Clara, pelo juiz Santiago.
Esteve internado sob prisão no Hospital de Santa Maria, de onde fugiu no dia de Todos os Santos.
Assaltou o paquete Santa Maria, ao qual deu o nome de Santa Liberdade.
Passou pela Ilha de Santa Lúcia, a caminho de terras de Santa Cruz, fixando residência em São Paulo, na Rua de Santa Teresinha, onde viveu exilado, por causa de um "Santo" António que vivia em São Bento e era natural de Santa Comba Dão.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Sociedade só no casamento:


Estamos nós Freamundenses sossegados no nosso cantinho, como é nosso timbre e somos, desde há anos, mal tratados por alguns Carvalhosenses. Freamunde desde sempre interessou-se pelos seus problemas e não gosta que façam pouco dele. O que lhe pertence defende-o. 
Há anos a autarquia de Carvalhosa tentou tirar-nos parte de terreno que pertence a Freamunde. Na saída de Freamunde para Paços de Ferreira, depois da denominada “Curva dos Três”, junto ao Móvel Antigo, como disse, Carvalhosa tentou ali dividir a fronteira entre nós e eles. 
Todos os anos vinham ali publicitar as suas festas anuais num grande arco luminoso usurpando assim terrenos de nossa pertença sem pedir autorização. Nunca por nunca Freamunde teve tal atitude para com Carvalhosa na publicitação dos seus eventos. Não precisamos disso. Não estamos habituados ao uso e abuso do que não é nosso. 
Há muitos anos quando Luís Teles de Menezes construiu o bairro para os seus funcionários, no lugar de S. Cruz, junto às suas fábricas, algumas casas ficaram na delimitação entre Freamunde e S. João de Covas no Concelho de Lousada. Alguns moradores não queriam pertencer àquela freguesia e concelho e num dia de Páscoa só permitiam a entrada do Compasso Pascal se fosse de Freamunde. 
Estava gerado um problema. Para o resolver a Câmara de Paços de Ferreira e Lousada juntamente com as duas Juntas de Freguesia, Freamunde e S. João de Covas, chegaram a acordo com a cedência de outros terrenos na troca daqueles. Todos ficaram contentes com a resolução principalmente os moradores do bairro de S. Cruz de Luís Teles Meneses. Assim demonstramos o respeito que temos pelos outros.
Mas também gostamos que nos respeitem como respeitamos todas as freguesias que connosco fazem fronteira: Figueiras, S. João de Covas e Sousela no concelho de Lousada e Carvalhosa, Figueiró, S. Pedro da Raimonda e Ferreira no concelho de Paços de Ferreira.
A boa convivência entre vizinhos deve ser salutar. Derivado à nossa maneira de ser sabemos que criamos anticorpos entre estes vizinhos. Mas não temos culpa. Somos um povo bairrista e inventor de muitas colectividades quer na área do trabalho ou de tempos livres. Sempre assim fomos e de certeza que vamos continuar a ser.
Não é por caso que amanhã a Banda Musical de Freamunde celebra os seus cento e noventa anos de existência ininterrupta! A Associação dos Socorros Mútuos Freamundense em Fevereiro fez cento e vinte e dois anos! Os Bombeiros Voluntários em Julho fez oitenta e dois! O S. C. de Freamunde em Março setenta e nove! O Grupo Teatral Freamundense em Dezembro deste ano quarenta e nove e outras tantas com décadas e décadas de anos de existência. 
Este legado que nos deixaram e que com tanto sacrifício tentamos preservar é motivo de inveja de uns quantos Carvalhosenses e outras freguesias que nos circunda. Não temos culpa de ser um povo singular. E, usamos como lema que, quando vemos alguém com uma camisa lavada tentamos também lavar a nossa para nos comparar e não ironizar com quem anda lavado.
Por isso, os Freamundenses, acho eu, ficaram contentes com a resolução da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira em não agregar Freamunde e Carvalhosa. E, estou em crer que esta aberração não vai avante por parte do governo. Não se deve governar contra o povo e sim a favor dele. "O povo é quem mais ordena". Gostamos de sermos só nós e sabemos o quanto custa virem tirar o que tanto custou a criar. 
Lembro o tocar das sirenes das Fábricas de Freamunde e dos Bombeiros assim como o toque a rebate dos sinos da Igreja Matriz e das Capelas de S. Francisco e S. António quando nos queriam tirar os CTT. O que é legado ao povo ao povo pertence e só ele é que é soberano.
Assim entendo que os Carvalhosenses tem razão nas suas revindicações. O que não precisa é de molestar quem em nada contribuiu para esta situação. As piadas trocadas entre Carvalhosenses, que assistiam à assembleia, com desprimor a Freamunde, entendo que não somos merecedores delas. Para provar isso demonstro a posição do Presidente da Junta de Freguesia de Freamunde em relação à não agregação de Freamunde e Carvalhosa. 
Os Carvalhosenses ficaram radiantes com a decisão da Câmara Municipal. Foi um mal menor mas perdeu o estatuto de freguesia urbana. Agora no concelho só existem duas freguesias com esse estatuto: Freamunde e Paços de Ferreira. 
Se fossemos vingativos votamos contra e desse para o que desse. Aliás, não sei se o Presidente da Junta de Freguesia de Freamunde um dia não vá ser chamado à "pedra", por Freamundenses, pela atitude tomada sem consultar a sua opinião. Por mim não.
Sou favorável ao nosso individualismo. Freamunde há muitos e muitos anos que se encontra sozinho e assim deverá continuar. Sociedade só no casamento e mesmo assim é ver no que está a dar nos tempos que correm.           

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Lágrimas de saudades:


Como acompanho diariamente, as redes sociais através da Internet, deparei com esta excelente carta enviada por Pedro Marques ao Senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Esta carta tocou-me no coração. Como ele, estive ausente por duas vezes de Portugal Continental, em Angola no serviço militar e na Madeira a trabalhar. Pedro Marques de certeza brotou algumas lágrimas na partida mas ainda vai brotar algumas mais amargas. Quando estiver sozinho e recordar a sua família, seus amigos e a sua Pátria. Acreditem que isto é uma verdade e quem o diz não tem vergonha de o fazer.
Quantas vezes, queria que isso não acontecesse, mas as lágrimas não se separavam das saudades da esposa, filhos, pais, irmãos e amigos, festas anuais, das Sebastianas e outras. Ainda hoje corre pela minha face de vez em quando mas estas agora vão no sentido do meu filho, sua companheira e neto que como Pedro Marques foi à conquista de melhor vida para França.
Os tempos são outros. Hoje temos uma tecnologia que nos leva em segundos a percorrer o mundo e pôr-nos em contacto com quem quer que seja especialmente os nossos familiares. É o que faço diariamente para matar saudades do meu filho, companheira e especialmente o meu neto, através do Facebook. A partir daí fico melhor e se sai alguma lágrima esta é de alegria. Pelas brincadeiras do meu neto (Diogo), pelas conversas tidas e pelo francês que às vezes aplica – está no segundo ano da primária - e eu pouco percebo. Pedro Marques também o vai poder fazer mas nunca é como a presença física. 
A todos os emigrantes aqui vai um conselho. Nunca esqueçam Portugal porque mesmo magoado e mal tratado não deixa de ser a nossa Pátria. Estas pessoas que nos governam vão passar e julgo que melhores tempos vão voltar mesmo que tenham posto o nosso maior orgulho de pernas para o ar.      

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dores de barriga:

Quando era criança, já lá vão mais de cinquenta e tal anos, não estávamos tão avançados no que toca a medicamentos e ir a uma farmácia para comprar algum para combater essa dor era impensável. As mães, como a minha, coitadas, tudo faziam para atenuar essas dores aos seus filhos e quando eram de tenra idade, ainda pior, pois não falavam e assim não podiam dizer onde eram as dores.
Faziam os chamados remédios caseiros, alguns consistiam em ferver uns alhos em azeite e depois esfregar pela barriga ou pôr um pano quente em cima da mesma. Se mesmo assim não passasse usava-se o esfregar a barriga com a palma da mão. De tanto friccionar, com o aquecimento da pele da barriga, tempo despendido, as dores atenuavam e assim quem as sentia deixava de choramingar.
A minha mãe perdia esse tempo porque não gostava de ver um seu filho a chorar com dores e não mover algo para as combater. De certeza que se fosse noutra criança também a acudia mas não era com o desvelo que usava para comigo.
Este intróito serve para demonstrar as dores de barriga que certos cronistas usam para esfregar a barriga dos seus “filhos”. Ao contrário, da minha mãe, só esfregam a barriga dos seus. Quando acontece com os filhos das outras mães as dores de barriga não são importantes.         

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Os cronistas dos jornais:


Há dois jornais diários que todos os dias dou uma vista de olhos. Não os compro, não merecem o preço do custo, aproveito a Internet para ter acesso ao Diário de Notícias e Jornal de Notícias. Faço-o por três cronistas que escrevem nesses jornais. É uma delícia ler as suas crónicas. Umas vezes estou de acordo, outras nem tanto, mesmo assim reconheço o valor das crónicas.
O Diário de Notícias dá-nos o prazer de ter um cronista, para mim do melhor que há, que se chama Ferreira Fernandes. O Jornal de Notícias tem dois, um escreve diariamente, o outro semanalmente, mas tenho muita admiração por ambos. Manuel António Pina e Marinho e Pinto - é deles que se trata - são os meus cronistas preferidos nesse jornal. 
As suas críticas assertivas levam-me a passar os olhos pelo jornal, não fosse isso, não tinha o trabalho de ir à Internet.
Hoje foi ler a crónica de Marinho e Pinto e é um consolo ler “Devaneios num dia de Verão”. É como ele descreve: não se pode ter “sol na eira e chuva no naval” ao mesmo tempo.
"Nesse dia eu acordara maldisposto, com os raios do sol a baterem-me agressivamente na cara, pouco passava das seis da manhã. Era um dia lindo de agosto: o sol brilhava em plenitude, o céu estava intensamente azul e a temperatura do ar ultrapassava os 30 graus. Os invernos no Rio de Janeiro, às vezes, são surpreendentes.
Almocei com um português meu amigo, catorze anos mais velho do que eu, mas cheio de força e de agilidade. Senti um ligeiro «toque» de culpa quando o vi comer com moderação, quase frugalidade, enquanto eu me atirava à picanha com uma tenacidade «bulímica». No final, ele, leve e ágil, foi para casa dormir a sesta e eu, pesado e melancólico, fui passear para a praia.
Sentei-me numa esplanada e contemplei a multidão. Homens e mulheres de todas as idades ali estavam, seminus, passeando, jogando vólei ou, simplesmente, deitados na areia curtindo um sol perpendicular. Um sentimento de frustração atingiu-me quando reparei nos corpos esculturais de muitos homens da minha geração. Inevitavelmente, eu os comparava com os meus noventa e tal quilos de peso e, sobretudo, com os meus cento e muitos centímetros de perímetro abdominal. Por que é que eu não sou como eles? - interroguei-me. Senti então uma espécie de remorso por, outrora, não ter feito as escolhas adequadas.
Aqueles corpos eram frutos de muita «malhação» nos ginásios, de joggings, de footings, e coisas que tais, e de longas e extenuantes corridas solitárias. E eu teria feito tudo isso? Eu, que na juventude praticara ginástica e judo, andebol e futebol, teria tido força para renunciar a tudo o que me fizera abandonar o culto do corpo em benefício do enriquecimento cultural e espiritual em conformidade, aliás, com os paradigmas dominantes na minha geração? Provavelmente sim; e, se o tivesse feito, teria hoje, com certeza, um corpo como aqueles.
Mas, se o tivesse feito não teria tido tempo para outras coisas. Provavelmente, não teria participado nas longas discussões políticas e culturais até de madrugada, na velha Clepsidra, no Tropical, no Atenas e no Trianon, sempre copiosamente regadas com cerveja; não teria tido tempo para as assembleias magnas ou os infindáveis plenários contra a guerra colonial, Nixon e Pinochet, a agressão imperialista ao Vietname, os assassínios de Che Guevara e de Salvador Puig Antich e, principalmente, para protestar todas as solidariedades que esse tempo me exigia.
Se na minha juventude tivesse optado pelo culto do corpo, provavelmente nunca teria empunhado os estandartes que ergui nem teria tido condições para compreender por que é que a única unidade de massas historicamente possível é a do proletariado e mais nenhuma ou por que o militantismo é o estádio supremo da alienação ou por que os estudantes não são uma classe, mas sim um estrato social sem futuro histórico ou ainda o que, de facto, esteve em causa no Congresso de Haia da Primeira Internacional.
Nunca teria entendido por que é que era imprescindível, naquela Coimbra de 1970, ler a Crítica do Programa de Gotha, as Duas Tácticas, o Processo Histórico, o Que Fazer?, a Revolução Permanente, o Renegado Kautsky, a Natureza do Estado Soviético e muitos outros livros e panfletos dos séculos XIX e XX, para se poder participar plenamente numa reunião de estudantes em que se discutia apenas uma greve às aulas de um professor fascista.
Lembrei-me, então, em catadupa, de milhares de outras coisas, boas e más, que fizera ou me aconteceram, e que nunca trocaria pelo prazer narcísico de um corpo de Adónis a envelhecer. As leituras, a prisão, as solidariedades, as certezas escatológicas sobre a marcha da História, um novo sentido para a existência, a reinterpretação dos factos do passado, a parusia marxista, tudo isso e mais uma torrente infindável de outras recordações desabavam sobre mim avassaladoramente.
Então, de repente, senti-me bem comigo próprio. Olhei para a minha barriga, afaguei-a com ternura e orgulho e disse para mim próprio: fizeste muito bem, António. Levantei-me, deitei um olhar de desprezo para aqueles corpos que agora me pareciam imagens fátuas da frivolidade e fui para o hotel ler uma velha antologia poética de Ezra Pound." 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Esta sexta-feira:

 

Pode ser o dia de qualquer europeu se ver livre da crise que a Europa passa. Dois euros são o bastante para se sair dessa zona de desconforto. Qualquer português, se for o contemplado, pode mandar às ortigas Passos Coelho e o seu governo. De outra maneira não o pode fazer porque necessita do pouco que o governo lhes dá. Temos consciência que só nos dá migalhas mas, migalha a migalha, se faz um pão. E, entre nada e qualquer coisa é melhor qualquer coisa. Sócrates referia que um País endividado é um País sem autonomia e esta frase pode-se aplicar às famílias portuguesas.
Em tudo sou um português de sete costados mas, hoje que me desculpem, queria que o Euromilhões saísse para França. O facto deve-se a estar em França e ter jogado no Euromilhões Francês e também ter um filho a residir aqui, só neste aspecto, tirando isso, que o contemplado seja de Freamunde e se possível um meu familiar, se não for que seja a um amigo.