Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
quarta-feira, 22 de abril de 2026
"Lula da Silva esteve em Belém com Ventura a gritar: "Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão":
A visita de Lula a Portugal:
terça-feira, 21 de abril de 2026
UM JEITO MANSO: Parece confirmar-se que o Seguro continua a ser o ...
Basta de rodeios – o sionismo não é aceitável:
(João Gomes, in Facebook, 21/04/2026, Revisão da Estátua.)

Há alturas em que a ambiguidade deixa de ser prudência e passa a ser cumplicidade. A atual posição da União Europeia face a Israel aproxima-se perigosamente desse limiar.
O debate proposto por Espanha sobre o acordo de associação com Israel expõe, mais uma vez, a fragilidade estrutural da política externa europeia: muita retórica, pouca consequência. Discute-se, pondera-se, “analisa-se o contexto” – enquanto, no terreno, a realidade avança sem esperar a lentidão burocrática de Bruxelas.
A questão essencial não é jurídica nem sequer técnica. É política e moral. Pode a União Europeia continuar a tratar como parceiro privilegiado um Estado acusado, de forma crescente e sustentada, de violar o direito internacional? Pode fazê-lo invocando interesses económicos, cooperação tecnológica ou alinhamentos estratégicos? E, sobretudo, pode fazê-lo sem cair numa contradição gritante com a sua própria atuação recente noutras crises internacionais? A resposta, se houver coerência, só pode ser negativa.
Perante o conflito na Ucrânia, a União Europeia não hesitou em mobilizar sanções massivas, isolamento diplomático e rutura económica com a Rússia. Fê-lo com base em princípios que dizia defender: integridade territorial, respeito pelo direito internacional, condenação do uso desproporcionado da força. Esses princípios foram apresentados como universais – não como instrumentos seletivos aplicáveis apenas quando conveniente. E é precisamente essa universalidade que hoje está em causa.
A insistência em enquadrar as ações de Israel como “defesa” tornou-se, mais do que uma análise, um automatismo e pode mesmo dizer-se uma mentira política. A defesa não é um conceito elástico ao ponto de justificar qualquer ação. Quando operações militares israelitas resultam em destruição sistemática, deslocação massiva de populações e bloqueios prolongados com impacto humanitário severo, o argumento da defesa deixa de esclarecer e passa a obscurecer.
O problema não está apenas no que Israel faz. Está no que a União Europeia aceita. E aceita porque há interesses. Aceita porque há dependências tecnológicas. Aceita porque diz “haver equilíbrios geopolíticos a preservar”. Aceita porque a unanimidade entre Estados-membros transforma decisões difíceis em impossibilidades práticas. E aceita, também, porque há governos que, por razões históricas ou ideológicas, recusam qualquer mudança de posição.
Mas aceitar não é neutro. Aceitar é escolher.
Ao manter intacto o essencial da sua relação atual com Israel, a União Europeia está a enviar uma mensagem clara: há violações do direito internacional que conduzem a isolamento e sanções, e há outras que geram declarações e, no máximo, revisões simbólicas. Há, portanto, duas leituras – e essa duplicidade corrói a credibilidade europeia de forma profunda.
A proposta da Espanha – rutura do acordo de associação com Israel -, sabe-se que dificilmente avançará. As regras europeias, os interesses cruzados e as divisões internas tornam esse cenário improvável. O mais provável será que a decisão seja uma mera declaração dura, talvez alguma revisão parcial, mas a continuação do essencial – o chamado “business as usual”, apenas com linguagem mais crítica. Os negócios e interesses financeiros vão-se sobrepor à justiça e à verdade. A maior parte dos dirigentes europeus “alinha” secretamente com as politica de Israel por uma cobardia politica perfeitamente visível.
E é precisamente esse resultado que revela o problema. Porque, no fim, a União Europeia não será julgada pelas palavras que escolhe, mas pelas linhas que traça – ou que se recusa a traçar. E neste momento, a linha continua por desenhar.
Se se isolou um Estado em nome de princípios, esse isolamento não pode desaparecer quando o contexto se torna mais desconfortável. Caso contrário, os princípios deixam de ser princípios e passam a ser instrumentos e os cidadãos da União Europeia saberão que tipo de dirigentes determina o seu futuro. Uma ordem internacional baseada em instrumentos não é uma ordem – é uma conveniência.
Basta de rodeios.
Do blogue Estátua de Sal
segunda-feira, 20 de abril de 2026
O Narciso do poder:

Por Ricardo Jorge Neto
No pináculo, de todo este movimento, está o líder da nação norte-americana Donald Trump. Tal como Narciso, que se achava o ser mais belo do mundo, Donald Trump chama a si toda a sua magnificência, achando-se o ser mais poderoso e inteligente à face da Terra.
Em comum com a beleza e o poder, temos a capacidade de atração, e no caso de Narciso, como este era tão belo, fez com que muitos se apaixonassem por ele, contudo todos acabaram ignorados e renegados.
O mesmo vai acontecendo com Trump, que vai atraindo e contaminando países com o seu discurso populista, mas o resultado final é semelhante ao do belo Narciso.
Ainda recentemente a ex-procuradora geral Pam Bondi, que na audição na Câmara dos Representantes, sobre os ficheiros Epstein, defendeu Trump de forma alucinada, expressando todo o seu amor e fidelidade ao mestre republicano, viu toda a sua paixão ser rejeitada na hora de ser demitida.
E não podemos esquecer a ‘’ninfa’’ portuguesa, André Ventura, que viajou até Washington D.C. para bajular Trump, mas acabou esquecido e do lado de fora da tomada de posse do amado!
Com os acontecimentos do último mês, parece que a lenda de Narciso ainda mais se assemelha à governação de Trump, com a diferença de esta última não ser uma lenda, e ser uma dura realidade para todos…
Narciso sucumbiu afogado, após se atirar ao rio, de forma a encontrar o jovem belo que vira no seu reflexo. No caso do líder norte-americano, contaminado por Nethanyahu, uma espécie de Iago da peça Otelo de Shakespeare, Trump viu no Irão, o poder que lhe faltava, e num acto sem sentido, atirou-se de cabeça para o estreito de Ormuz…
Mas ao contrário do que pensara, as águas agitadas do Médio Oriente estão a engoli-lo, porque afinal o Irão é uma espécie de gato de sete vidas, que ainda está na sua terceira vida ou terceiro líder supremo!
Foi um erro colossal pensar que, matando Ali Khamenei, a vitória estaria garantida.
E tudo isto me fez lembrar a curiosa história do atleta norte-americano Jim Thorpe, que, pouco antes de entrar em prova nos Jogos Olímpicos de 1912, viu alguém roubar-lhe as sapatilhas.
O larápio pensou, que roubando-lhe as sapatilhas, também teria a vitória assegurada; contudo, Jim Thorpe foi procurar uma solução no lixo, e encontrou duas sapatilhas de tamanhos e feitios diferentes, calçou-as e venceu duas medalhas de ouro…
Ainda não sabemos quem vai vencer no final desta crise, mas já tenho uma certeza: há uma elite a ganhar muito ouro, enquanto o povo está a ficar descalço!
OPINIÃO
Gazeta Paços de Ferreira
“Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa”:
Colo aqui parte de uma entrevista a Nuno Cassola, actual professor na Universidade Milão Bicocca. Trabalhou cinco anos no Banco de Portugal, antes de ingressar no Banco Central Europeu onde esteve 20 anos nas direcções de Política Económica, de Mercados, de Investigação e de Supervisão.
Entre vários assuntos da actualidade (China, EUA, Irão, dólar, euro, soberania europeia, Trump, etc.), há um particularmente interessante sobre a vinda da Troika para Portugal.
Para quem não se recorde, na altura houve a célebre frase de Marco António Costa “Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD“. Mas pin de Portugal na lapela é que é.
Esteve em Portugal antes da entrada da troika em 2011?
Estive, sim. A negociar o apoio do BCE ao PEC IV [Programa de Estabilidade e Crescimento], um programa que a oposição chumbou [23.3.2011] levando o Governo a cair, o que desencadeou o pedido de ajuda externa.O que é que tinha sido acordado entre o BCE e o Governo da época, chefiado por José Sócrates?
A compra pelo BCE de títulos da dívida pública portuguesa [à volta de oito mil milhões] no mercado secundário para estabilizar as taxas de juro [os juros das obrigações a dez anos superavam os 7,75%]. Em contrapartida, era executado um programa de ajustamento sem a severidade do que viria a ser imposto pela troika [3.5.2011]. E, como bem se lembra, o Governo seguinte [Passos Coelho] disse que queria ir para além da troika. Em 2011, ainda acompanhei a troika em Portugal, antes de ir para Espanha, e nunca a troika exigiu às autoridades portuguesas tanta austeridade como a que foi feita. Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.Ficará sempre a dúvida sobre se o PEC IV teria sido eficaz, tendo em conta a gravidade da situação portuguesa naquele momento.
O que sei é que Portugal não teria tido o traumatismo de ter dentro o FMI e teria tido, talvez, um ajustamento mais suave. Para ser rigoroso, não há certeza de que o PEC IV cumprisse as expectativas, mas realmente não era tão restritivo, e, não o sendo, talvez a banca portuguesa não tivesse sofrido tanto. Talvez, não se sabe — e não se pode saber.
Segunda parte da entrevista: Nuno Cassola: “A China quer acabar com a hegemonia do dólar, mas não quer ter a moeda dominante”
20/04/2026 by j. manuel cordeiro
Do blogue Aventar
Começa a semana com isto:
NOTA
Há nisto motivo para algum escândalo? Não, pá. O amor à liberdade e a coragem para a defender estão muito longe das preocupações dos nossos magistrados, dos nossos políticos, dos nossos jornalistas e dos nossos vizinhos. É sempre assim: vale tudo, enquanto toca aos outros.
20 Abril 2026 às 13:41 por Valupi
Do blogue Aspirina B

