Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Ventos Semeados: Vidas Improváveis XIII. Rosário, a Senhora dos Cê...
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
“São os QR Codes, Senhores!”:

Por Ricardo Jorge Neto
Coimbra, a terra dos estudantes, tem como sua padroeira a Rainha Santa Isabel. No último ano fez precisamente 400 anos que ela foi canonizada e passou a ser venerada com o estatuto de santidade. Apesar de muito distante no tempo, o seu milagre das rosas jamais foi esquecido e será provavelmente o milagre mais conhecido e recordado pelos portugueses. A Rainha Isabel, nascida em Saragoça, Espanha, era muito bondosa com os pobres. Um dia, quando saía para dar pão aos mais necessitados, o Rei Dom Dinis surpreendeu-a e perguntou-lhe o que levava no regaço. Isabel sabia que ele não aprovava as suas práticas de caridade e, por isso, disse-lhe que eram rosas… Mas, como estava em janeiro, o Rei entendeu que ela estaria a mentir. Isabel então abriu o regaço e disse: “São rosas, Senhor!’’, e milagrosamente caíram rosas!
Este milagre da salvação no último segundo poderá explicar o sentido tão português de deixar tudo para a última hora e rezar pelo milagre de que tudo acabe por correr bem. E este ano, em Portugal, este milagre tem sido tentado várias vezes — umas vezes com êxito, outras não. Lembremo-nos do pacote laboral, quando todos sabiam que André Ventura carregava o voto favorável; este, ao levantar-se, abriu o seu regaço, e Montenegro e Rosário Palma Ramalho de lá viram cair o milagroso chumbo, dizendo: “São as sondagens, Senhor!”.
Mas nem sempre este volte-face corre bem no final, que o diga o ministro da Educação, Fernando Alexandre, com a sua radical reforma nos exames nacionais. Imaginem que nunca confecionaram Capão à Freamunde, e na primeira vez em que se atrevem a fazê-lo, escolhem um casamento com 500 convidados! Acham que seria sensato? Não existiria uma probabilidade de alguma, ou até muita, coisa correr mal? Bem, foi exatamente o que Fernando Alexandre decidiu fazer nos exames. E, para agravar, os “convidados” eram os estudantes — não apenas os de Coimbra, mas os do país inteiro — e o “casamento” contou para todas as disciplinas! Depois de querer fazer tudo, para todos, e tudo ao mesmo tempo, o ministro confiou no velho espírito português da salvação mesmo no finalzinho, com as rosas a cair do regaço! Mas desta vez não! Alunos, pais e professores entraram num verdadeiro colapso. Alunos desesperados por desconhecerem o paradeiro dos seus exames — e desta vez juram que não foi o cão que os destruiu —, pais agoniados por falta de respostas e professores ansiosos e traumatizados, acordando de noite com pesadelos porque mais uma prova chegara à plataforma para ser corrigida com urgência… A procissão ainda vai no adro, mas quando chegar ao polivalente vai cair a Carmo e o Fernando! Porque ninguém acreditou no governo quando, questionado sobre de quem era a culpa na tragédia dos exames, do seu regaço, em vez de ter caído o ministro, a resposta foi: “São os QR Codes, Senhores!”
Gazeta Paços de Ferreira
08/08/2026, 0:00 horas
Põem quem ganha pouco a discutir com quem ganha ainda menos:
(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 09/08/2026, Revisão da Estátua)

O Chega não precisou de chegar ao Governo para rebentar com o país, destruir as contas públicas e fazer a sociedade retroceder 50 anos. Uma turba minoritária, mas barulhenta, agressiva e muito ativa nas redes sociais, conseguiu elevar um partido alimentado pelo ressentimento e pelas mentiras até ao centro da política portuguesa.
Do blogue Estátua de Sal
À saída de uma vila alentejana:
(Miguel Sousa Tavares, no "Expresso")
