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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Ventos Semeados: Vidas Improváveis - VI. Pedro, o Aluno Tardio

Ventos Semeados: Vidas Improváveis - VI. Pedro, o Aluno Tardio:   (Sexto de uma série de retratos à maneira de Woody Allen, em que os diplomas chegam sempre atrasados e as certezas sempre a horas.)   ...

Sinais de fogo:

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 31/07/2026)


A Europa, o continente mais exposto ao aquecimento global, o território do fogo descontrolado, corta nas verbas destinadas a combatê-lo, em benefício das verbas destinadas a combater a Rússia.

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Do blogue Estátua de Sal

ORBÁN DISCURSA CONTRA BRUXELAS:

Afastado das suas funções de PM da Hungria, depois de ter sido derrotado nas últimas eleições, Orbán permanece uma voz critica da condução da Europa. Recentemente, num discurso de saudação a um partido da Austria da sua linha politica desenvolveu algumas ideias que - sendo para muitos de extrema direita - acabam por ter respaldo nalgumas interpretações globais sobre o papel da Comissão Europeia e do próprio Parlamento Europeu.
(tradução do vídeo)
"Caros europeus,
Há anos que Bruxelas segue uma estratégia que não trouxe nem vitória nem paz. Enviou armas, dinheiro e promessas cada vez mais perigosas, enquanto os europeus pagam um preço económico cada vez mais elevado. Nós, patriotas, dizemos que os europeus precisam de negociações. A Europa precisa de paz. O primeiro dever de qualquer líder europeu deve ser impedir que esta guerra se alastre e proteger a segurança dos nossos cidadãos. A Europa não precisa de mais burocratas. A Europa precisa de mais fábricas, mais empresários e mais liberdade.
Hoje, Bruxelas está a sufocar a economia europeia através das sanções, da burocracia, dos elevados preços da energia e das regulamentações ambientais. Nós, patriotas, queremos uma Europa que trabalhe, produza, inove e concorra nos mercados internacionais. Queremos energia a preços acessíveis, impostos mais baixos, menos regulamentação e respeito por aqueles que criam emprego e prosperidade.
Por toda a Europa, os partidos patrióticos estão a crescer. Da França à Itália, dos Países Baixos a Portugal, da República Checa à Espanha, milhões de europeus voltam-se para forças políticas que defendem as nações, as fronteiras, a família e a paz. Isto não é um protesto passageiro. Não é um acidente. É um despertar europeu.
A razão é simples: os patriotas enfrentam os problemas reais da Europa. O establishment de Bruxelas disse-nos que a imigração era inevitável, benéfica e irreversível. Abriu as fronteiras e ignorou as consequências. Esperava-se que os cidadãos europeus aceitassem o aumento da criminalidade, o aparecimento de sociedades paralelas e a perda gradual da sua identidade cultural. Na imigração, na economia e na guerra, o establishment político falhou.
Mas, em vez de mudar de rumo, ataca todos aqueles que apresentam uma alternativa. Excluíram-nos de comissões, construíram coligações contra os vencedores das eleições e afirmam defender a democracia, enquanto ignoram a vontade democrática dos povos.
Os europeus estão a despertar. Percebem que a esquerda tradicional e o centro-direita tradicional se transformaram em duas faces do mesmo sistema de Bruxelas. Nós, patriotas, somos a alternativa a esse sistema. Estamos a construir uma Europa de nações fortes e soberanas. Uma Europa que protege as suas fronteiras, a sua indústria, os seus filhos e o seu futuro. Uma Europa que respeita a sua herança cristã e devolve o poder político aos seus cidadãos.
Caro Herbert Kickl, caros amigos, caros patriotas austríacos,
É uma grande honra estar hoje convosco para celebrar o 70.º aniversário do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ). Setenta anos representam muito tempo na política. Os partidos surgem e desaparecem. Os movimentos aparecem, fazem muito ruído e acabam por desaparecer. Mas as comunidades políticas construídas sobre convicções, lealdade e amor à pátria resistem ao tempo.
O FPÖ resistiu. Durante setenta anos defendeu a convicção de que a Áustria pertence ao povo austríaco. Lutou pela soberania nacional, pela liberdade e pelo direito dos cidadãos decidirem o seu próprio futuro. Houve anos difíceis. Recordo-me bem deles. Houve ataques, isolamento e tentativas de vos afastar da vida política legítima. Disseram-vos que as vossas ideias pertenciam ao passado.
Mas vocês não desistiram. E hoje o FPÖ não está apenas a celebrar a sua história. Está a fazê-la. Os austríacos fizeram do Partido da Liberdade a maior força política do país. Depositaram a sua confiança em vós porque falam com clareza, mantêm-se firmes e colocam a Áustria em primeiro lugar.
Caro Herbert, este sucesso histórico deve-se, acima de tudo, à sua liderança, à sua determinação e ao espírito da comunidade do Partido da Liberdade. Mas aquilo que acontece na Áustria faz parte de algo muito maior. Por toda a Europa, os partidos patrióticos estão a crescer. Da França à Itália, dos Países Baixos a Portugal, da República Checa à Espanha, milhões de europeus apoiam forças políticas que defendem as nações, as fronteiras, a família e a paz.
Este não é um fenómeno temporário. É um despertar europeu. Nós acreditamos que as fronteiras devem ser protegidas. Acreditamos que a imigração ilegal deve ser travada e que a decisão sobre quem pode entrar nos nossos países pertence aos Estados nacionais. Tenho orgulho em dizer que, atualmente, na Hungria, a imigração ilegal foi praticamente eliminada.
Outro grande desafio é o declínio económico da Europa. A Europa foi, em tempos, o motor da economia mundial. Hoje, Bruxelas está a prejudicar a competitividade europeia através das sanções, da burocracia, dos elevados preços da energia e das regulamentações ambientais. Nós queremos uma Europa que trabalhe, produza e concorra. Queremos energia acessível, impostos mais baixos, menos burocracia e respeito por quem cria riqueza.
Senhoras e senhores,
Temos ainda a ameaça da guerra na Ucrânia. Durante anos, Bruxelas seguiu uma estratégia que não trouxe nem vitória nem paz. Enviou armas, dinheiro e promessas cada vez mais perigosas, enquanto os europeus suportam custos económicos crescentes. Nós, patriotas, dizemos que a Europa precisa de negociações. A Europa precisa de paz. O primeiro dever de qualquer dirigente europeu deve ser impedir que esta guerra se alastre e proteger a segurança dos seus cidadãos.
Na imigração, na economia e na guerra, o establishment político falhou. Mas, em vez de corrigir os seus erros, continua a atacar todos aqueles que apresentam uma alternativa. Os povos da Europa estão acordados. Percebem que a esquerda tradicional e o centro-direita tradicional representam duas versões do mesmo sistema de Bruxelas. Nós somos a alternativa. Estamos a construir uma Europa de nações soberanas. Uma Europa que protege as suas fronteiras, a sua indústria, os seus filhos e o seu futuro. Uma Europa que respeita a sua herança cristã e devolve aos cidadãos o poder de decidir.
Caros amigos austríacos,
As vossas vitórias dão força a todos os patriotas da Europa. A vossa coragem demonstra que a perseverança é recompensada. E o vosso sucesso prova que o futuro não pertence aos burocratas de Bruxelas, mas às nações livres da Europa. Feliz 70.º aniversário ao Partido da Liberdade da Áustria. Viva o FPÖ! Viva a amizade entre a Áustria e a Hungria!"
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Nota: Uma leitura de esquerda do discurso de Viktor Orbán
O discurso de Viktor Orbán possui uma eficácia política evidente porque identifica problemas que muitos cidadãos reconhecem no seu quotidiano: perda de poder de compra, crise energética, desindustrialização, insegurança, imigração descontrolada e desgaste das instituições europeias. Negar a existência destes problemas seria um erro político. Contudo, reconhecê-los não significa aceitar o diagnóstico nem as soluções apresentadas.
A primeira crítica que a esquerda dirige ao discurso prende-se com a forma como Orbán concentra quase toda a responsabilidade em "Bruxelas". Embora seja verdade que muitas decisões europeias são tomadas pelas instituições da União Europeia, essas decisões resultam também da participação dos governos nacionais, incluindo aqueles que frequentemente criticam Bruxelas. A União não é apenas uma burocracia distante; é igualmente a soma das escolhas feitas pelos Estados-membros.
No plano económico, Orbán apresenta a ideia de que a crise europeia resulta essencialmente das sanções, da burocracia e das políticas ambientais. Uma análise de esquerda considera essa explicação incompleta. A perda de competitividade da Europa começou muito antes da guerra na Ucrânia e está ligada à deslocalização industrial, à financeirização da economia, à dependência energética externa, à concorrência asiática e às opções de liberalização dos mercados tomadas ao longo de décadas por governos de diferentes orientações políticas.
Também a transição energética não deve ser vista apenas como um custo. A esquerda argumenta que ela constitui igualmente uma oportunidade para criar novas indústrias, reduzir dependências estratégicas e gerar emprego qualificado, desde que seja acompanhada por investimento público e por políticas sociais que protejam trabalhadores e consumidores.
Relativamente à imigração, Orbán descreve-a quase exclusivamente como uma ameaça. A esquerda contrapõe que os movimentos migratórios têm causas complexas: guerras, pobreza, alterações climáticas, desigualdades económicas e envelhecimento demográfico europeu. Defende que controlar as fronteiras é compatível com políticas de integração, respeito pelos direitos humanos e combate às redes de tráfico de pessoas.
Quanto à guerra na Ucrânia, o discurso insiste na necessidade de negociações, uma ideia que, em abstrato, dificilmente será contestada. Também muitos setores da esquerda defendem uma solução diplomática. A divergência surge na questão essencial: negociar em que condições? Para alguns partidos de esquerda democrática, uma paz duradoura não pode significar a legitimação da ocupação militar de territórios conquistados pela força nem ignorar o direito internacional. Para outros existem razões para o conflito e que assentam na pressão dos interesses da NATO sobre a Rússia. No fundo a paz continua a ser um objetivo, mas não qualquer paz e existem leituras distintas sobre isso mesmo à esquerda.
Outra questão central prende-se com a ideia de soberania nacional.
Orbán apresenta-a como valor absoluto. A esquerda séria - a que não ocupa o espaço dos governos europeus - responde que existem desafios - alterações climáticas, evasão fiscal das multinacionais, pandemias, criminalidade organizada, mercados financeiros ou segurança coletiva - que dificilmente podem ser enfrentados por cada Estado isoladamente. A cooperação europeia continua, por isso, a ser considerada necessária, embora muitos defendam uma União Europeia profundamente reformada, mais democrática, mais transparente e menos subordinada aos interesses financeiros.
Finalmente, há um aspeto pouco referido no discurso: a dimensão social. Orbán fala de empresários, fábricas e competitividade, mas quase nada diz sobre salários, negociação coletiva, redistribuição da riqueza, serviços públicos, proteção social ou combate às desigualdades. É precisamente aqui que a esquerda procura marcar a diferença. A prosperidade económica não pode ser medida apenas pelo crescimento das empresas. Deve também traduzir-se em melhores salários, acesso universal à saúde e à educação, habitação digna e redução das desigualdades sociais.
Em síntese, o discurso de Viktor Orbán identifica problemas que existem e que preocupam muitos europeus. O debate político não reside tanto na identificação desses problemas, mas nas causas que lhes atribui e nas respostas que propõe.
É aí que se confrontam duas visões distintas da Europa: uma que privilegia a soberania nacional como resposta predominante aos desafios atuais, e outra que considera que muitos desses desafios exigem cooperação europeia, democracia reforçada e políticas públicas orientadas para a justiça social.
Nem toda a esquerda - mesmo a social democrata - rejeita a crítica à burocracia de Bruxelas, às regras orçamentais ou ao impacto social de certas políticas económicas da UE. Da mesma forma, nem toda a direita partilha integralmente a visão de Orbán. O debate mais interessante é precisamente aquele que separa as críticas fundamentadas às políticas europeias das propostas concretas para as reformar.
Finalmente, existe uma esquerda que considera esgotado o atual modelo de integração europeia. Não pretende destruir a União Europeia, mas refundá-la. Curiosamente, algumas das críticas que dirige a Bruxelas coincidem com críticas formuladas por Viktor Orbán. A diferença está no objetivo: enquanto Orbán pretende reforçar a primazia dos Estados nacionais, essa esquerda defende uma Europa mais democrática, social, autónoma e menos subordinada às lógicas geopolíticas e económicas que, no seu entendimento, passaram a dominar o projeto europeu

João Gomes  

domingo, 2 de agosto de 2026

União Europeia:

Se houvesse meia dúzia de governantes que enfrentassem a extrema-direita e deixassem de ser capachos de Trump, a UE seguiria o exemplo de Pedro Sanchéz.
A resposta a Meloni devia ser lida pela Sr.ª Von der Leyen como advertência à conduta errática da sua presidência e à vergonhosa falta de solidariedade com Espanha perante um ataque de Marrocos e o gáudio da extrema-direita internacional.
A invasão de dezenas de milhares de jovens nadadores, descalços ou de sapatilhas, da cidade de Ceuta, veio de Marrocos, com o apoio dos EUA de Trump. O afogamento de compatriotas é irrelevante para Mohammed VI a quem, por ironia, todos agradeceram a ajuda na resolução do problema que criou e cujo aviso deixou para futuras incursões. Outra ironia é o nome atribuído pelo rei, alegado descendente de Maomé, à autoestrada que liga o sul de Marrocos ao território disputado do Saara Ocidental: Donald Trump.
Em vez da resposta conjunta às ameaças que se agravam, só uma resposta conjunta pode minimizar a ameaça real de invasão em massa por hordas de desgraçados fugidos das guerras, da fome e da violência.
As máfias estão ativas e o espaço da UE é apetecível para todos os desesperados, mas a capacidade de integração diminui e cresce a animosidade com que são recebidos.
A extrema-direita continuará a explorar a xenofobia e os legítimos receios da população europeia, e não é derrubando o corajoso estadista, que se opõe a desmandos belicistas de Trump e Netanyahu, que a democracia e a UE se defendem.
Trump e Israel, continuarão a desestabilizar a Espanha de Sanchéz, apoiados na direita e extrema-direita autóctone e partidos extremistas da UE. A chantagem migratória à UE continuará a partir da Rússia, Marrocos e Turquia, através da Finlândia, Itália, Grécia e Espanha, sem que faltem Máfias para a executar.
A invasão do Irão por Israel e EUA interrompeu o fluxo de hidrocarbonetos dos países do Médio Oriente, o que, aliado aos 21 pacote de sanções da UE contra a Rússia, deixou os seus países sujeitos ao gás de xisto dos EUA e à subida incontrolável dos preços.
A provocação a Espanha feita em Ceuta, que muitos ignoravam que ficava em África, é a reedição do precedente de 2002 a ocupação do desabitado Ilhéu de Perejil por polícias marroquinos, a que a Espanha reagiu com Forças especiais apoiadas por helicópteros e navios de guerra que, sem sangue, retomaram o seu controlo.
Este lamentável incidente, que muito beneficia a extrema-direita, mostra a necessidade de coesão da UE na defesa conjunta, mas não da forma como continua a ajoelhar-se perante Trump e o seu capataz Mark Rutte.

Pedro Sanchéz é o exemplo de que a UE devia orgulhar-se.

Carlos Esperança 

Fecha as janelas, tranca o portão, esconde o ouro, Maria...:

Acabaram de aparecer na televisão e no TikTok imagens de milhares de pobres a correr em Ceuta — que, convém recordar, continua a ficar no continente africano.
Segundo a doutrina Chegana, é apenas uma questão de horas até atravessarem Espanha, passarem Badajoz, tomarem Elvas e chegarem a Santarém para se apoderarem dos nossos trabalhos sazonais a apanhar hortaliças, dos quartos sem contrato e dos salários abaixo do mínimo.
É uma logística admirável para pessoas que, segundo a mesma narrativa, são tão selvagens que nem GPS devem saber utilizar.
Entretanto, Marrocos continua “neutro”: compra armas a Israel, coopera com os seus serviços de informações, agradece a Trump o reconhecimento do Saara Ocidental e quase só falta inaugurar uma rotunda com o nome da Mossad.
Espanha, pelo contrário, reaproxima-se da Argélia, denuncia o que acontece em Gaza e consegue irritar, ao mesmo tempo, Rabat, Telavive e o trumpismo.
Isso é inadmissível...
Por uma coincidência com pontualidade suíça, dezenas de milhares de pessoas interpretam da mesma maneira uma decisão judicial espanhola, escolhem o mesmo destino, partem na mesma janela temporal e convergem de várias cidades marroquinas em carros, táxis e transportes coletivos.
Tudo espontâneo, evidentemente...
A polícia marroquina, presente no local com veículos, barreiras e meios antimotim, descobriu nesse dia os benefícios do mindfulness... respirou fundo, contemplou e, segundo alguns relatos, até indicou o caminho mais rápido para Ceuta.
Curiosamente, quando Rabat decidiu que o espetáculo já tinha duração suficiente, reapareceram os controlos, os reforços e a capacidade policial.
A fronteira que parecia impossível controlar voltou rapidamente a ser controlável... Já tinham produzido conteúdo suficiente para os tik toks.
Se isto fosse uma operação híbrida, provavelmente seria exatamente assim — com a CIA a jurar que estava apenas a apanhar praia em Rabat, a Mossad a garantir que tinha ido passar o fim de semana a Casablanca e toda a gente muito surpreendida por o caos ter beneficiado precisamente quem tinha interesse em o provocar.
Produzido o filme, entram os figurantes habituais. Porque o circo não se faz só de malabaristas; também precisa de palhaços.
Trump grita “invasão”.
A extrema-direita europeia carrega no TikTok.
O gabinete do Ventura fica desarrumado.
O Ventura berra.
Os algoritmos repetem as imagens.
E governos assustados reforçam fronteiras contra pessoas que nem sequer saíram de África.
Portugal, naturalmente, também reforça a fronteira com Espanha.
Nunca se sabe quando uma pessoa retida em Ceuta, sem passagem livre para a Península, decide atravessar espontaneamente 800 quilómetros e aparecer em Vilar Formoso.
Multidões, corpos na água, militares, confrontos e a palavra INVASÃO escrita em letras suficientemente grandes para dispensar qualquer explicação.
Rabat pressiona Espanha. Israel castiga politicamente quem denuncia Gaza.
Trump alimenta os seus populistas.
A extrema-direita recebe imagens novas.
Meloni, no país por onde entram mais imigrantes clandestinos do que por Espanha, quer fechar as fronteiras.
E os algoritmos fazem o resto.
Entretanto, dezenas de milhares regressam rapidamente a Marrocos.
O perigo desaparece quase tão depressa como apareceu, mas o filme já está montado, legendado e distribuído.
No fim, uns são enganados para avançar.
Outros são enganados para terem medo de quem avançou.
E os verdadeiros beneficiários ficam confortavelmente sentados, a transformar desespero em imagens, imagens em medo e medo em votos.

Fecha bem a porta, Maria...

Eduardo Maltez Silva 

BOA TARDE:

Não me deixo atolar em teorias do passado e muito menos naqueles dichotes de taberna.
Sou Português 100%, mas tambem Ibérico,Europeu,Ocidental e Latino, com tudo de bom e de mau que isso comporta.
Não tenho complexos com a monarquia absolutista de Marrocos e muito menos com a Mossad (como a Pide mas em pior),com o tirano sionista de Telavive ou com o muito perigoso fascista dos USA.
Detesto o Spinunviva e destesto a sua "patrôa" dissimulada de Italia.
Em Português maldisposto ,quero que todos estes e esta que referi,desapareçam da nossa existência.
A bem ou a mal.Sem pruridos linguísticos.
Há gente que só abatida ao activo nos tornará mais normais.
Gostava de ter um lider politico como Pedro.

Gostava de ter um Primeiro-Ministro como Pedro Sanchez.

 Arnaldo Da Cunha Serrao

Copiado de um parágrafo do livro “Levantado do Chão” de José Saramago:

Guerra na Europa.
Já foi dito. E guerra também em África. Estas coisas são como gritar num cabeço, quem grita sabe que gritou, às vezes é a última coisa que faz, mas, dali para baixo, cada vez se vai ouvindo menos, e por fim nada. A Monte Lavre, de guerras, só chegava notícias de jornal, e essas eram para quem as soubesse ler. Os outros, se viam subir os preços ou faltarem até os géneros grosseiros da sua alimentação, se perguntavam porquê. É por causa da guerra, respondiam os entendidos. Muito comia a guerra, muito a guerra enriquecia. É a guerra aquele monstro que primeiro que devore os homens lhes despeja os bolsos, um por um, moeda atrás de moeda, para que nada se perca e tudo se transforme, como é lei primária da natureza, que só mais tarde se aprende. E quando está saciada de manjares, quando regurgita de farta, continua no jeito repetido de dedos hábeis, tirando sempre do mesmo lado, metendo sempre no mesmo bolso. É um hábito que, enfim, lhe vem da paz.
Manuel Pacheco