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domingo, 25 de outubro de 2026

Da valentia dos governantes e das suas polícias_

(Por José Gabriel, in Facebook, 25/10/2026, Revisão da Estátua)

Quando hoje abri o Facebook dei, em má hora, com uma página onde abundavam os comentários laudatórios à polícia e ao governo. Há horas de azar.

Surpreendido – não foi nada disso que vi na transmissão em direto – fui-me informar melhor, até porque um dos comentários falava da “valentia” da PSP e do governo. Sem dúvida extensível ao Pedro, El Implacable, presidente da Câmara do Porto, e Carlos, El Gilipollas, presidente da Câmara de Lisboa. Da valentia dos governantes não obtive provas. Porventura estarão ainda a dormir, quiçá corajosamente debaixo das camas, tentando dominar as aflições nas miudezas, designadamente intestinais.

Policias de choque avançam sobre manifestantes durante um ato pelo direito à habitação em Lisboa, Portugal, em 25 de outubro de 2026. O protesto pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida em Portugal teve início no Porto, no dia 10 de outubro, e, posteriormente, estendeu-se a Lisboa e a várias outras cidades portuguesas.

Da valentia da polícia, sim, há numerosas provas. Que coragem! Ignorando a nova lei das burcas, posto que iam de capacete opaco e irreconhecíveis, bateram, agrediram com denodada vontade, enfrentando aqueles perigosos pacifistas. Levaram, até, cães, não fossem os manifestantes darem-lhes tau-tau. De caminho, tentaram repor, não só a ordem pública, como pedagogicamente espancaram firmemente jovens mulheres, tentando mostrar-lhes que lugar delas é em casa.

Aqui ficam algumas imagem que testemunham essa valentia. Não estranhem que para cada jovem – e não tão jovem – manifestante haja, pelo menos, dois polícias que, apesar de estarem armados, não deixaram de se precaver contra a perigosa potencial violência dos manifestantes, alguns dos quais ostentavam fatais recursos de combate como cravos – ainda por cima vermelhos, que são os piores.

Policias de choque detêm uma pessoa durante uma manifestação pelo direito à habitação em Lisboa, Portugal, 25 de outubro de 2026. O protesto pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida em Portugal começou no Porto, no dia 10 de outubro, e estendeu-se, posteriormente, a Lisboa e a várias outras cidades portuguesas.

E gritavam frases tão perigosas como “o povo unido jamais será vencido” e “fascismo nunca mais“. Ora, nas suas instruções, aos polícias sempre ensinaram que se o povo está unido, é desancá-lo, para que se desuna e não tenha ideias subversivas. Quanto a fascismo, nunca ouviram falar. Só lhes disseram que é preciso manter a ordem pública, custe o que custar, mesmo que não haja desordem nenhuma – sempre treinam, que nunca se sabe o que vem aí. Isto para não falar nas sábias palavras do senhor almirante Gouveia e Melo, que explicou que aqueles manifestantes eram dirigidos pela Rússia, nada menos!

E pronto. Agora é esperar que o senhor Presidente da República saia debaixo da secretária – honi soit qui mal y pense – e nos fale do consenso que deve existir entre os manifestantes e a polícia, e que o senhor Primeiro-ministro apareça, já que continuar escondido “será-lhe“, sem dúvida, politicamente funesto. É que Passos Coelho não deixará de lhe lembrar que a carga policial foi escusadamente postergada. Devia sido logo, ou até antes, como ensinava Salazar, El Descaderado.


E a Estátua convida-vos a ver o vídeo abaixo, do youtuber Pedro Lourenço, uma excelente peça de reportagem sobre a manifestação no Porto e os abusivos desmandos policiais.

Ventos Semeados: A fogueira e o óleo

Ventos Semeados: A fogueira e o óleo:   Às duas da manhã, a polícia avançou ao mesmo tempo sobre o Rossio e a Praça D. João I, de escudos e bastões, depois de horas de avisos par...

Os camisas negras fascistas voltaram a atacar:

Mais uma repressão policial no Porto e em Lisboa, ordenada por um presidente da Câmara COBARDE e autoritário – aprendiz de facho – que não tem qualquer problema em massacrar o seu próprio povo.
Por um ministro que tem mais esqueletos no armário do que a capela dos Ossos e que ninguém sabe por que ainda está no cargo. Por um primeiro-ministro desaparecido em combate, certamente escondido numa das suas 55 casas enquanto chama egoísticos aos manifestantes.
E perante a cumplicidade e a complacência de um presidente da República que foi eleito também com o meu voto e que se tem revelado uma inexistência, uma nulidade. Uma rainha de Inglaterra à moda das Caldas, a quem só apetece mandar para o…
Quanto aos polícias, são os idiotas úteis do regime bafiento de 24 de Abril. Há alturas em que a única solução é desobedecer, mas infelizmente eles nunca leram Salgueiro Maia.
Dezenas de feridos, alguns graves, gente hospitalizada. Entre os quais um senhor de 60 anos. Comunicação social afastada de madrugada. Armados dos pés à cabeça. Com cães. Escondidos os rostos. Ratos, são ratos.
Auto? Não existe. Legalidade, necessidade e proporcionalidade? Para quê? Fazem o que querem, não precisam de cumprir a lei. O autoritarismo não tem leis nem regras.
Estão a testar os limites de todos. São finos como ratos. Tentam a todo o custo que a manifestação deixe de ser pacífica para poderem ter legitimidade para os massacres que aumentarão de intensidade.
Voltei ao Aventar 5 anos depois para vos denunciar. Fui às manifestações por vossa causa. A vossa violência só terá o efeito contrário.
Logo à noite lá estarei.
Que ninguém desista. O que não falta é tendas.
E já agora mudem os cânticos. O fascismo não passará? O fascismo já entrou e já entrou há muito.

25/10/2026 by  

Do Blogue Aventar

Dominguice:

Não temos um Estado de direito democrático íntegro, pleno, em Portugal. Há inúmeras provas disso, há décadas. As mais graves acontecem por causa da Operação Marquês, mas têm antecedentes igualmente graves. E agora assumem a forma da normalidade institucional, pela boca da segunda figura do Estado: Invasão ao estúdio da RUC pelo Chega: “Há erros cometidos antes, depois e durante a situação”. O que lembra Agosto de 2017, quando grupos de extrema-direita, incluindo supremacistas brancos e neonazis, participaram na manifestação “Unite the Right”, contra a remoção de uma estátua do general confederado Robert E. Lee. Isso gerou confrontos com os defensores da decisão da Câmara Municipal de Charlottesville que pretendia a remoção. Um dos manifestantes associado à extrema-direita lançou deliberadamente o seu automóvel contra uma multidão de contramanifestantes. Morreu Heather Heyer e várias pessoas ficaram feridas. Trump viria a dizer, em conferência de imprensa dias depois, que “You had some very bad people in that group, but you also had people that were very fine people, on both sides.”

O nosso Presidente da Assembleia da República aprendeu a lição trumpista. Se mete violações da Constituição, da lei, da liberdade e da democracia por obra e graça de protofascistas, o melhor é despachar um “both sides”.

por Valupi

Do blogue Aspirina B

sábado, 24 de outubro de 2026

Ventos Semeados: Não dá mais

Ventos Semeados: Não dá mais:   Hoje há manifestações pela habitação em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Braga, em Aveiro, em Faro. Os cidadãos saem à rua depois de uma s...

Eu conheci bem esta realidade:

Em Odivelas (onde morei entre 1965 e 1968) , passando por alcantara, por Algés ou pelos bairros das Musgueiras, entre tantos outros. Será esta a alternativa que o governo e o presidente do IRHU querem? Coloquem em marcha um plano de construção de casas com rendas controladas e definam um plano para colocar no mercado as cerca de 350 mil casas que estão fechadas. O futuro é agora.

Vitor Sarmento 

A União Europeia em cinzas:

A aparente mudança de posições de Biden para Trump, do 'apoio' para a 'traição' à Ucrânia, não foi uma mudança da política externa dos EUA, é a prossecução da sua lógica.
Desde o inicio, há mais de quatro anos, quando a Rússia atacou a Ucrânia, que a leitura é exactamente a mesma: a invasão russa (ilegal porque violou o direito Internacional, tal como os bombardeamentos na ex-Jugoslávia, a invasão do Iraque, ou, já este ano, a incursão na Venezuela, a guerra contra ao Irão etc.) foi deliberadamente provocada, calculada e prolongada pelos EUA com objectivos bem delineados. Um deles foi pôr fim às ambições da União Europeia como bloco autónomo e poderoso.
Aquilo que pareceu uma mudança de posições, da administração Biden para a administração Trump, prossegue a lógica do complexo militar-industrial-financeiro dos EUA. Depois de investirem uns escassos milhares de milhões de dólares no apoio à Ucrânia, quase todos os objectivos dos EUA foram alcançados: enfraquecer a UE, separar a indústria alemã dos recursos naturais russos, obrigar os países europeus a transferir verbas astronómicas para a indústria militar dos EUA e conquistar o mercado energético europeu (o do gás natural primeiro e, através do petróleo próprio e da Venezuela, no futuro também o do crude, para isso se atacou a Venezuela, para isso, uma vez cometido o 'erro', o prolongamento agora da guerra contra o Irão que joga a médio prazo a favor da consolidação dos EUA/Venezuela como poder dominante da energia fóssil).
Uma vez atingidos os objectivos na Ucrânia, veio Trump, fechou a torneira, obrigando a UE a pagar sozinha a factura da guerra e da manutenção do aparelho de estado da Ucrânia, para, aproximando-se de Putin, finalmente, puxar o tapete à UE e a Zelensky.
Só algo não resultou: o objectivo de isolar, desestabilizar e enfraquecer a Rússia. E não resultou, porque os EUA subestimaram o inimigo e cometeram um erro: ao utilizarem a Ucrânia para enfraquecer e derrotar a Rússia, acabaram por consolidar uma aliança entre Moscovo e Beijing e por reforçar todo o bloco dos BRIC que apoiou a Rússia. Reconhecido esse erro, agora os EUA esforçam-se por uma aproximação à Rússia, com parcerias no mercado energético e dividindo, entre is EUA e Rússia, o que restar da Ucrânia.

De toda esta estratégia resulta a derrota (além da derrota da efémera Ucrânia, destruída e mutilada) da União Europeia. A falta de visão dos 'líderes' da UE, no caso de uns, e a cumplicidade com os EUA, no caso de outros, esse declínio do poder económico e político da UE podemos agradecer a personagens tristes, fracas e vendidas como Macron, Merz, Leyen, Kallas, Costa etc. Nos próximos cinco anos veremos se a UE e o euro foram ambições efémeras e colapsam ou se surgem líderes europeus e a UA sobrevive como união política.

Miguel Szymanski