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sábado, 3 de outubro de 2026

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Ronaldo, se és decente, mata o culto já:

Aquelas pessoas que foram ao aeroporto assobiar a selecção e o seu treinador após um magnífico jogo e uma bela vitória contra a Dinamarca, e que andaram a espalhar cartazes “solidários” e laudatórios em Oeiras, parecem-me ser do mesmo calibre que os apoiantes do Trump. Estúpidos, ridículos e prestes a integrarem um culto.

A postura de vítima que o Ronaldo decidiu assumir é também ridícula e deu azo a que tal pudesse acontecer. Há muito que já não é o melhor futebolista do mundo e que não acrescenta qualquer valor produtivo à selecção. Há demasiado tempo que quer que a selecção esteja ao serviço do seu ego, apesar das juras de amor a Portugal e à camisola.

Por que razão se dispôs a integrar a selecção sabendo que não iria jogar tanto quanto gostaria correndo o risco de birra e crise é um mistério. Provavelmente, entendeu que, uma vez lá dentro, condicionaria as escolhas (como aconteceu com Martínez). E Jorge Jesus esteve quase a ser condicionado chegando a prometer-lhe que entraria naquele jogo em que não era suposto jogar. Mas a táctica frustrou-se. Depois, quis rebaixar o treinador obrigando-o a um pedido público de desculpas por ter posto o desempenho da equipa à frente da entrada em campo dele próprio. Também não conseguiu. Nunca tal aconteceria. Foi-se embora furioso nem lhe ocorrendo que o melhor era nem sequer ter ido, pois não iria ter nem desempenho nem tempo de jogo dignos da vedeta que pensava ser.

Mas enfim, já toda a gente percebeu o psicodrama. Há agora uma boa maneira de o Ronaldo mostrar que tem carácter e de sair um pouco melhor deste caso: apelar aos seus admiradores mais fanatizados que respeitem e apoiem os colegas da selecção e o trabalho do treinador, porque isso é o mais importante. Se não, triste legado que deixa.

por Penélope

Do blogue Aspirina B

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Ventos Semeados: Lição de ética, com casa própria por explicar

Ventos Semeados: Lição de ética, com casa própria por explicar:   Há discursos que só ganham sentido completo quando se sabe onde foram proferidos. Luís Montenegro foi a uma escola falar sobre ética, inte...

Eu não gosto de Ronaldo:

E não preciso de gostar para reconhecer que foi um jogador extraordinário.
Teve uma capacidade de trabalho brutal, uma ambição enorme e construiu uma carreira que ficará na história do futebol. Reconheço isso sem dificuldade.
Mas Ronaldo não é maior do que ninguém. Não é maior do que eu, nem do que tu. Muito menos maior do que Portugal.
Uma coisa é a grandeza de um jogador. Outra é a dimensão humana de uma pessoa.
Ronaldo tem uma obsessão enorme pelo sucesso, pelos números, pelos recordes, por ser o melhor, por continuar a ser o melhor. Essa ambição foi uma das forças que o levou tão longe. Mas também faz parte daquilo que eu critico nele: esta necessidade permanente de afirmação, de reconhecimento, de estar no centro.
Há ainda outra dimensão que não separo da figura pública que se tornou: a do milionário, do luxo, da excentricidade, das escolhas e das companhias que fazem parte desse mundo.
Mas o que mais me incomoda é a forma como nós próprios construímos os ídolos.
Olhamos para quem venceu, para quem chegou ao topo, para quem acumulou dinheiro, fama e reconhecimento, e começamos a colocá-lo acima dos outros.
E quando alguém rompe essa unanimidade, a crítica deixa de ser discutida e passa a ser desvalorizada, rebaixada, com meia dúzia de rótulos.
Passamos a invejosos, ressabiados, com dor de cotovelo.
É uma forma cómoda de proteger o ídolo, mas extremamente ofensiva para quem recebe esses rótulos.
Eu não tenho inveja de Ronaldo. Não quero o dinheiro dele, a fama dele, os carros dele, o avião privado dele, as casas dele ou a vida dele.
Podem pensar o que quiserem, podem desconfiar de mim, mas detesto essa ostentação, essa forma de estar na vida.
Não gostar de alguém não é inveja.
E reconhecer um grande jogador não me obriga a admirar o homem.
Ronaldo pode ter sido um dos maiores jogadores da história, mas não está imune à crítica. É uma pessoa como qualquer outra.
É isso que me parece tão difícil de aceitar quando se transforma alguém num ídolo: começamos a confundir admiração com fidelidade.
Olhamos para os vencedores como se fossem maiores.
Quem tem mais dinheiro parece valer mais. Quem tem mais títulos parece valer mais. Quem tem mais fama parece valer mais.
Mais. Muito. Cada vez mais.
Eu não aceito essa medida de valor.
Porque Ronaldo não fez tudo sozinho. Ninguém faz.
Houve colegas, treinadores, equipas, família, profissionais, adversários. Houve uma Seleção. Houve Portugal.
O talento era dele. O trabalho era dele. A carreira era dele.
Mas a história não foi feita por ele sozinho.
E isso não lhe tira grandeza nenhuma.
Para mim, a verdadeira grandeza está em reconhecer os outros. Em saber que precisamos dos outros. Em não confundir sucesso com superioridade.
Para mim, os verdadeiros heróis são, particularmente, estes:
Aquela mulher que acorda às sete da manhã, prepara os filhos, vai trabalhar, os leva ou vai buscar à creche, chega a casa cansada, faz o jantar, trata da roupa e no dia seguinte começa tudo outra vez.
Aquele homem que trabalha uma vida inteira sem nunca ter uma fotografia num jornal.
A enfermeira, o professor, o operário, o motorista, o agricultor, o médico, o bombeiro.
Gente que não tem milhões, troféus ou estádios a gritar o seu nome.
Mas que todos os dias segura uma parte da vida dos outros.
Essa gente não vale menos.
Ronaldo foi enorme no futebol.
Mas não é maior do que eu.
Não é maior do que tu.

E muito menos é maior do que Portugal.

Fernando Marques  

O mito de Narciso:

Conta a história de um jovem belo que, ao rejeitar aqueles que o amavam, se apaixonou pelo próprio reflexo em um lago, permanecendo obcecado até a morte, o que originou a flor narciso como símbolo de vaidade. A lição principal do mito é o alerta contra o amor-próprio desmedido, que pode isolar as pessoas e levá-las à ruína, ressaltando a importância das conexões humanas e da empatia.

Narciso foi amaldiçoado pela deusa Nêmesis, que o puniu por seu desprezo ao fazer com que se apaixonasse por algo inatingível, seu próprio reflexo, como castigo por sua arrogância. O conceito de narcisismo, derivado do mito, reflete essa autoimagem inflada e a falta de empatia, sendo estudado na psicologia como transtorno de personalidade narcisista.

AquilaRubra

Não percebo:

Há uma onda de solidariedade a favor de Ronaldo. E a desfavor de Jorge Jesus.
E qual foi o "pecado" de Jesus?
Pôr os que achou mais válidos a jogar?
Por que se foi buscar outro selecionador!
Não foi porque a maioria de quem gosta da Seleção não concordava com as escolhas de Martinez?
Se fosse para continuar tudo na mesma, não se ia contratar Jesus. Sabe-se de antemão que Jesus tem o seu ideário e dele não abdica. Quem manda e decide é ele.
Em caso de desaire não é ele o responsável?
Então para que vem a Mídia livre e outros canais em socorro de Ronaldo!
É com receio de lhes faltar o "granel"!
Que triste País que está servido por gente desta espécie.
Deixem Jorge Jesus e a Seleção fazer o seu trabalho.
No fim peçam-lhe contas.
Agora defender um "foragido" porque Jesus pôs outro jogador que lhe dava mais garantias a jogar, é motivo para fazer o que lhes estão a fazer?
Se por ventura Ronaldo voltar á Seleção nunca mais desejo sucesso para ela.

Força Jesus. Neste universo há muitos portugueses a torcer por si.

Manuel Pacheco