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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

duas ou três coisas: Leiam isto

duas ou três coisas: Leiam isto:  

Uma Nação de piratas:

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 20/08/2026)


As parcerias com o Reino Unido requerem cautela e atenção de quem as celebra. Londres nunca abdica de correr no seu próprio carril independente dos objetivos comuns celebrados.

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Do blogue Estátua de Sal 

'(...) Pobre povo se algum dia voltar a querer viver em ditadura, às mãos de quem quer pôr isto na ordem! Logo verá o chefe dizer-lhe que se ocupe da família e do trabalho, que de Deus e da pátria ocupa-se ele. E assim viveremos mais 50 anos felizes, como as nações sem história, escreve Miguel Sousa Tavares no Expresso.'

"À saída de uma vila alentejana dou com um dos muitos cartazes que o Chega e o seu chefe, André Ventura, espalharam por Portugal inteiro: “O Alentejo não é o Bangladesh.” Pois não, não é: o Bangladesh não precisa de importar alentejanos para conseguir sustentar a sua agricultura, para fazer as sementeiras e as colheitas, para apanhar a azeitona e a amêndoa. Tivesse o Bangladesh uma barragem como a do Alqueva — “Construam-me, porra!” (a tal que ia dar trabalho a todos os alentejanos e tornar prósperos os seus agricultores) — e hoje não haveria ninguém a trabalhar no regadio do Alqueva nem a tornar próspera a sua agricultura. Mas, felizmente para os alentejanos, os “violadores, assaltantes e bandidos” com que, segundo Ventura, o “socialismo” e os “partidos de esquerda” encheram o país nos últimos anos, vindos de África, do Bangladesh ou do Brasil, não se importam de fazer o trabalho duro nos campos que a maioria dos alentejanos já não quer fazer. E, mesmo dormindo em barracões ou contentores, ou em casas onde cabem 30 no lugar de três e pagando aos senhorios alentejanos por 30 e não por três, essa gente estranha que o socialismo importou continua a trabalhar, recebendo o ordenado mínimo e vivendo em condições de indignidade. Ou mesmo fazendo trabalho forçado e semiescravo nos campos alentejanos, vigiados e ameaçados por guardas da GNR, em regime de supranumerário e ao serviço de “empresários” agrícolas apoiados por dinheiros europeus e que, tal como André Ventura, vão à missa todos os domingos e são contra o acordo com o Mercosul, porque, dizem, os do Mercosul podem vender mais barato porque não têm as preocupações sociais deles. Obrigado, Bangladesh!

Numa praça de uma aldeia algarvia entro num café cujo interior está submergido por uma intensa vozearia, digna de um souk árabe. Mas não — sossega, Ventura —, não são árabes, são algarvias, e esta é a sua ocupação diária: tagarelar e jogar à raspadinha. O dia inteiro, porque não há nada de necessário para fazer que os imigrantes não façam: eles trabalham e os algarvios votam no Chega — ao que parece porque temem que eles venham substituí-los e com isso fazer submergir esta nossa exaltante civilização judaico-cristã. Na mesa em frente da minha estão três mulheres em desabrida gritaria, às quais se vem juntar também uma empregada da casa. E ali estaciona à conversa, até que alguém lhe grita do balcão: “Ó Mena, anda trabalhar que há clientes à espera!” Aí, a provável votante do Chega vira-se, furibunda: “Eles que esperem, não vês que estou na conversa? Era o que faltava!” Por um momento imagino a mesma cena protagonizada por um empregado ou empregada que fizesse parte do rol dos assaltantes, violadores ou bandidos de que fala Ventura — devia ser bonito! Porque o Algarve — que vive quase exclusivamente da prestação de serviços aos turistas — dá-se ao luxo de votar no partido que quer expulsar os que prestam esses serviços e sem os quais todo o Algarve colapsaria em dois tempos. Porque os africanos, brasileiros, asiáticos, essa ralé de assaltantes e violadores, além de servirem nos hotéis, nos restaurantes e nos campos de golfe, também estão na construção civil, ajudando a construir os hotéis, vivendas e aldeamentos onde os turistas dormem, servidos pelos imigrantes. Obrigado, Bangladesh!
Em Lisboa vou a um lar da terceira idade — por razões pessoais e não em campanha eleitoral. Ali, onde uma sociedade sem tempo para os pais nem espaço para a velhice entrega os seus velhos a guardar, não há um só, uma só trabalhadora portuguesa: uma só! São todas africanas e, sobretudo, brasileiras — que, com o seu feitio de ternura inata, substituem-se aos filhos ausentes, tratando os utentes por “minha querida”, “meu amor”. Suponho que sem estes imigrantes os nossos pais e avós estariam abandonados em casa ou ao frio nos jardins públicos, servindo de cenário para as reportagens televisivas sobre os reformados. Obrigado, Bangladesh!
Aliás, apesar de todas as lamentações, se muitos portugueses ainda recebem pensões de reforma, e actualizadas anualmente acima do valor da inflação, devem-no às contribuições dos imigrantes que cá trabalham para a Segurança Social, permitindo inverter o que parecia vir a ser um caminho sem retrocesso em direcção à insustentabilidade financeira. Em Espanha, o Governo socialista acaba de avançar para a legalização extraordinária de meio milhão destes imigrantes, desde que não tenham antecedentes criminais; em Portugal, André Ventura pretende expulsá-los todos ou, não o conseguindo, obrigá-los a pagar contribuições e impostos durante cinco anos antes de poderem ter acesso a quaisquer benefícios: um esbulho cristão. Perdoa-lhes, Bangladesh!
Ainda em Lisboa, como tantos de nós tantas vezes para não ter de sair para almoçar, chamo a Uber Eats, e lá aparece um indiano, paquistanês ou bengali escorrendo água da chuva e sem tempo a perder para tirar o capacete. Imagino-o à noite, no seu barracão atulhado de outros “assaltantes” como ele, longe do seu país, da sua aldeia, da sua mulher, dos seus filhos, dos seus pais — como outrora os nossos emigrantes na Alemanha ou em França, cujos descendentes hoje votam à distância no Chega. Imagino-o na sua solidão diária, contando os dias e os anos até que uma lei desumana lhe permita o reagrupamento familiar, e sem que nenhum de nós, a quem eles tanto servem, se detenha a pensar como viverão estes homens na flor da idade e privados de tudo — estes “violadores”, como assegura o Dr. Ventura —, mas de cujas violações, assaltos e bandidagem não temos notícia. Obrigado, Bangladesh!
O Dr. André Ventura, licenciado em Direito e candidato à Presidência da República, também está em guerra contra o comportamento deste “jornalismo”, que, tal como “os partidos de esquerda” e o “socialismo que mata”, desvaloriza “tudo o que é violador, assaltante e bandido que entra em Portugal”. O Papa Francisco, um homem que os cristãos e os não cristãos respeitavam, disse em tempos que o que matava era “este capitalismo”, e não o socialismo. Mas é sabido que Ventura não gostava do Papa Francisco, achava-o nada menos do que “um anti-Cristo”. Bem vistas as coisas, Ventura não é cristão, é católico português, coisa bem diferente. “Este jornalismo”, de que Ventura não gosta, é aquele que revela os números e as verdades que contrariam as suas teses sobre os imigrantes: que são eles que respondem pelos lucros da Segurança Social e, graças a isso, a contenção do défice público; que são eles que asseguram uma taxa de natalidade positiva; que são eles que garantem a viabilidade económica da agricultura, da construção civil, do turismo, das pescas; que são eles que limpam as ruas das nossas cidades, que nos trazem comida ou remédios a casa, que tomam conta por nós dos nossos pais e avós, que constroem as pontes, as estradas, as vias férreas e as Expo com que o país se quer mostrar modernizado — e, ao contrário do que queria Ventura, a taxa de criminalidade entre os imigrantes é irrelevante. O que Ventura não suporta é que o jornalismo recorde isso aos portugueses, que vá ouvir os empresários que reclamam mais imigrantes e não menos, que desfaça a tese insultuosa de Ventura de que os imigrantes vivem de subsídios. O que não suporta é que o jornalismo demonstre que é ele que vive de mentiras, chegando ao ponto de inventar, em directo na RTP, uma “notícia do dia” sobre um cigano que teria entrado aos tiros numa escola, “disparando para o ar sobre as crianças” (?) — e que era absolutamente falsa, como tantas outras que ele e o seu partido divulgam sem sombra de pudor. E não gosta que o jornalismo conte que há elementos do Chega entre os grupúsculos neonazis de camisas pretas que querem derrubar a democracia — a que Ventura prefere chamar o “sistema”.
“Deus, pátria, família e trabalho”, eis o credo de André Ventura, “o candidato do povo” contra o sistema. Soa familiar e é familiar. Pobre povo se algum dia voltar a querer viver em ditadura, às mãos de quem quer pôr isto na ordem! Logo verá o chefe dizer-lhe que se ocupe da família e do trabalho, que de Deus e da pátria ocupa-se ele. E assim viveremos mais 50 anos felizes, como as nações sem história."
- Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia.

A corrupção ucraniana tem uma característica extraordinariamente conveniente para Volodymyr Zelensky: nunca é dele. É sempre do homem ao lado:

Primeiro foi um ministro. Depois outro. Depois um vice-primeiro-ministro. Depois começaram a aparecer homens do Gabinete Presidencial. Depois antigos sócios. Depois amigos. Finalmente chegou Andriy Yermak, que durante anos não era propriamente um funcionário que Zelensky encontrava ocasionalmente junto à máquina do café, mas o seu chefe de gabinete, braço direito e segundo homem do regime. Yermak acabou constituído suspeito num processo de alegado branqueamento de cerca de 10,5 milhões de dólares e foi detido preventivamente em Maio deste ano.
Antes dele já lá estava Timur Mindich, velho amigo de Zelensky e seu antigo parceiro empresarial na Kvartal 95. É apontado como figura central da Operação Midas, o esquema de comissões na empresa nuclear estatal Energoatom que, segundo os investigadores, terá movimentado cerca de 100 milhões de dólares. Mindich saiu entretanto para Israel. No mesmo emaranhado apareceu Oleksiy Chernyshov, antigo vice-primeiro-ministro e homem próximo de Zelensky, e Herman Halushchenko, antigo ministro da Energia e depois ministro da Justiça.
Mas a Presidência tinha mais talento disponível. Andrii Smyrnov, antigo vice-chefe do Gabinete Presidencial, chegou a tribunal acusado de enriquecimento ilícito de 15,7 milhões de hryvnias, além de branqueamento e suborno. Rostyslav Shurma, outro antigo vice-chefe, foi investigado no âmbito de negócios ligados à energia. Oleh Tatarov, também vice-chefe escolhido por Zelensky, chegou a ser suspeito num processo de suborno ligado à construção de habitação para a Guarda Nacional; o caso acabou encerrado depois de uma longa batalha sobre quem o devia investigar.
Olha Stefanishyna, vice-primeira-ministra, ministra da Justiça e posteriormente embaixadora nos Estados Unidos, foi constituída suspeita este mês por enriquecimento ilícito de 13,9 milhões de hryvnias e falsas declarações patrimoniais. E, ainda esta semana, Iryna Mudra, vice-chefe do Gabinete Presidencial, foi despedida depois de buscas da NABU no âmbito de uma investigação a um esquema que terá branqueado cerca de 3,4 milhões de dólares através de um banco estatal para pagar a caução de Halushchenko.
Também Mykola Solskyi, ministro da Agricultura de Zelensky, foi constituído suspeito num processo sobre a apropriação ilegal de terrenos públicos avaliados em cerca de sete milhões de dólares. E, um pouco mais afastado do gabinete mas bastante menos afastado da história política de Zelensky, temos Ihor Kolomoisky, o oligarca dono do canal que lançou a carreira televisiva do futuro Presidente e que apoiou a sua candidatura em 2019. Está preso e enfrenta processos por fraude e branqueamento, além de ter sido posteriormente constituído suspeito de ordenar uma tentativa de homicídio ocorrida muitos anos antes. A determinada altura torna-se cansativo chamar coincidência a tudo.
Naturalmente, a corrupção da Ucrânia não cabe no círculo presidencial. Seria até ofensivo para a dimensão do fenómeno. Há processos contra deputados, governadores, juízes, procuradores, responsáveis aduaneiros, dirigentes de empresas públicas, oficiais militares e empresários. A investigação anticorrupção chegou ao Supremo Tribunal, à defesa, à energia, ao gás, às terras públicas, à construção, às alfândegas e às compras militares. Em 2025, NABU e SAPO investigavam dezenas de deputados no activo e antigos parlamentares.
A guerra também não conseguiu estragar o negócio. Encontraram-se esquemas na alimentação das Forças Armadas, na compra de drones, em sistemas de guerra electrónica, em equipamento militar e na construção de habitação para soldados. Houve contratos em que as alegadas comissões chegavam aos 30%. Houve ainda redes que recebiam dinheiro para permitir a homens escapar à mobilização e até uma investigação sobre donativos estrangeiros destinados a ajudar a Ucrânia no início da invasão. O patriotismo, aparentemente, tem várias modalidades de pagamento.
Só no primeiro semestre de 2026, a NABU abriu 360 novos processos, constituiu 107 pessoas suspeitas e registou 76 condenações. A Transparency International dá actualmente à Ucrânia 36 pontos em 100 e coloca-a em 104.º lugar entre 182 países no índice de percepção da corrupção. Melhor do que noutros tempos, sem dúvida. Também não exactamente a Dinamarca.
E depois aconteceu uma coisa particularmente curiosa. Em Julho de 2025, com as instituições anticorrupção a aproximarem-se cada vez mais do poder, Zelensky promulgou uma lei que retirava independência à NABU e à SAPO e colocava ambas sob maior controlo do procurador-geral. O procurador-geral era, evidentemente, escolhido pelo poder político. Milhares de ucranianos foram para a rua, Bruxelas protestou e começaram a surgir problemas bastante desagradáveis com a candidatura à União Europeia. Nove dias depois, Zelensky recuou e a independência das duas instituições foi restaurada.
Foi certamente outra coincidência. A mesma NABU que estava a ser amansada investigava, ou viria a investigar, antigos vice-primeiros-ministros, homens da Presidência e pessoas muito próximas do Presidente. Um ano depois, encontramos o antigo chefe de gabinete preso, um velho parceiro empresarial acusado de comandar um esquema de 100 milhões de dólares e mais membros da entourage presidencial espalhados pelos processos. Não é necessário inventar uma conspiração. A realidade já faz um trabalho razoável.
Tudo isto teria principalmente interesse doméstico se a Ucrânia estivesse a pagar sozinha a sua guerra e o funcionamento do seu Estado. Não está. Segundo o Ukraine Support Tracker do Kiel Institute, até Junho de 2026 os aliados já tinham alocado cerca de 374 mil milhões de euros em apoio militar, financeiro e humanitário à Ucrânia. Os compromissos assumidos ultrapassavam 549 mil milhões. Quase meio bilião de euros comprometidos para um Estado onde as autoridades continuam a encontrar esquemas de corrupção na energia, na defesa, nos tribunais, nas empresas públicas, nas alfândegas, na administração regional e no próprio círculo presidencial. Mas aparentemente perguntar pelo dinheiro é considerado de mau gosto.
E há mais a caminho. Só o novo empréstimo europeu para 2026 e 2027 ascende a 90 mil milhões de euros, metade dos quais prevista para este ano. Dos 45 mil milhões de 2026, 28,3 mil milhões destinam-se a despesas militares e 16,7 mil milhões ao apoio geral ao orçamento ucraniano.
Durante anos criou-se esta extraordinária regra moral segundo a qual fiscalizar a Ucrânia era “ajudar Putin”. Perguntar pela corrupção era propaganda russa. Perguntar pelos contratos era falta de solidariedade. Perguntar como eram gastos milhares de milhões de euros significava, por misteriosos mecanismos geopolíticos, apoiar Moscovo. É um conceito admirável de democracia: os contribuintes pagam, os governos enviam e ninguém faz perguntas porque Putin pode ficar contente. Entretanto, a própria NABU continuava a prender ucranianos. Talvez também trabalhe para o Kremlin.
Ao longo de quatro anos foi possível sustentar esta infantilidade porque Zelensky deixou de ser tratado no Ocidente como um político e passou a ser tratado como uma personagem moral. Os políticos administram dinheiro, escolhem colaboradores e respondem pelo funcionamento do Estado. As personagens morais aparecem nas capas das revistas.
O problema é que entretanto começaram a aparecer os colaboradores. Yermak, Mindich, Chernyshov, Halushchenko, Smyrnov, Shurma, Tatarov, Stefanishyna, Solskyi, Mudra. Um chefe de gabinete, vice-chefes da Presidência, ministros, vice-primeiros-ministros, um velho amigo, um antigo sócio. E à volta deles, centenas de outros processos num país em que até contratos destinados a alimentar, equipar e alojar soldados em guerra conseguiram produzir oportunidades de enriquecimento.
Pode discutir-se cada processo durante horas. Pode explicar-se que determinado facto ocorreu antes de determinada nomeação, que outro suspeito não era propriamente amigo íntimo do Presidente, que uma investigação não equivale a uma condenação. Tudo verdade e tudo bastante lateral. A questão política é muito mais simples. Zelensky chegou ao poder prometendo limpar este Estado. Talvez tenha chegado a altura de pedir as contas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Cuidado com as carteiras! O Montenegro anda por aí!

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 18/08/2026, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

(O autor não deu título ao texto, pelo que o título é da autoria da Estátua, que lhe pareceu apropriado…)

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Do blogue Estátua de Sal 

Ucrânia: Bruxelas descobre a corrupção que financia:

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 18/08/2026, Revisão da Estátua)

Em Bruxelas, aparentemente acabaram de descobrir que a Ucrânia é corrupta. Que revelação! Mais uns biliões e talvez descubram que a água é molhada.

No entanto, a corrupção ucraniana já não é um segredo vergonhoso escondido numa gaveta em Kiev. É documentada, monitorizada e discutida até mesmo dentro das instituições europeias. Hoje, o *Berliner Zeitung* descreve um governo ucraniano assolado por escândalos, investigações e suspeitas que atingiram até o seu círculo mais íntimo (Ver aqui).

E apesar de tudo isto, a máquina de dinheiro europeia continua a despejar milhares de milhões.

Daí surge esta pequena pergunta grosseira que ninguém nos salões de Bruxelas parece disposto a fazer: se sabiam, porque continuaram a pagar?

Há duas respostas possíveis. E nenhuma delas é particularmente gloriosa.

Primeira hipótese: certos europeus têm interesse em manter a boca de Zelensky fechada. Desde 2022, Kiev tornou-se a Lourdes da burocracia ocidental: presidentes, ministros, comissários e parlamentares acorrem ao local para tirar fotografias em frente à bandeira e receber os seus certificados de virtude geopolítica. A ideia de que alguns possam ter beneficiado direta ou indiretamente deste gigantesco ecossistema financeiro seria explosiva. Mas, atualmente, não existem provas públicas concretas que sustentem a alegação de que os líderes europeus receberam pessoalmente benefícios financeiros de Kiev. Sem provas, esta continua a ser uma hipótese, não um facto.

A segunda explicação é quase mais grotesca: sabiam muito bem, mas não se importaram. Porque a prioridade era derrotar a Rússia.

Assim, a corrupção ucraniana tornou-se uma espécie de franquia diplomática. Exigem-se “reformas”, Kiev promete “reformas”, Bruxelas aplaude as “reformas”, surge então um novo escândalo e todos pedem… mais reformas.

E, acima de tudo, mais dinheiro.

Uma magnífica máquina burocrática onde o insucesso se torna precisamente a justificação para o próximo pagamento.

O problema é que esses milhares de milhões não pertencem nem a von der Leyen, nem a Merz, nem a Macron. É dinheiro dos contribuintes europeus. A ajuda foi-lhes vendida como necessária para financiar a resistência ucraniana, e não para alimentar redes de influência, comissões secretas ou potenciais bens de luxo.

Se as instituições europeias estavam conscientes dos riscos e, mesmo assim, continuavam a desembolsar somas avultadas sem garantias suficientes, a questão em breve deixará de ser apenas: “Quem roubou em Kiev?”

Passará a ser: “Quem é que em Bruxelas sabia?” Depois: “Desde quando?”

E, por fim, a pergunta mais incómoda: “Porque é que continuaram a fazer isso?”

Porque quando se transferem milhares de milhões sabendo que há rombos nos cofres, não se pode para sempre fazer-se de vítima surpreendid quando o dinheiro desaparece.

Em Bruxelas, isto chama-se apoio à Ucrânia. Numa empresa, chamar-se-ia má gestão. E numa esquadra de polícia, podiam começar por perguntar quem tinha as chaves do cofre.

Do blogue Estátua de Sal 

Ventos Semeados: Vidas Improváveis - XIX. Marcelo, o democrata tardio

Ventos Semeados: Vidas Improváveis - XIX. Marcelo, o democrata tardio:   (Décimo nono de uma série de retratos à maneira de Woody Allen, em que se mostra a eficácia de um fútil)   Nasceu filho de um subsecre...