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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ventos Semeados: A ADEGA e os Seus Ventos

Ventos Semeados: A ADEGA e os Seus Ventos:   Daniel Oliveira encontrou o acrónimo certeiro: AD de coligação entre PSD e CDS, EGA das três letras do Chega. ADEGA. Uma aliança que se be...

A Igreja católica, a paz e a tolerância:

(Carlos Esperança, in Facebook, 15/06/2026, Revisão da Estátua)

Não espero de nenhuma religião, ainda menos dos monoteísmos, a defesa do pluralismo e dos direitos individuais, quase sempre obtidos sem as religiões ou mesmo contra elas. Errado é, atualmente, considerá-las iguais, ou negar o contributo positivo que podem dar à paz e à tolerância.

Os judeus continuam a reivindicar a herança dos territórios do alegado contrato entre Deus e Abraão; os cristãos evangélicos estão cada vez mais radicais e intolerantes; os muçulmanos insistem em impor o pensamento de um beduíno analfabeto e amoral da Idade do Bronze, como Atatürk designou Maomé, como código político, ético e social, avessos à laicidade e à modernidade, sem abdicarem do proselitismo.

É neste contexto tóxico que os católicos, sob a liderança centralizada no Papa, emergem como referência para o mundo, contra a vontade de muitos, com a determinação que o Vaticano colocou na defesa a paz e da tolerância através dos dois últimos pontífices.

Quando a Europa regressa aos preconceitos que a precipitaram na guerra de 1939/45, preconceitos que exacerbam o racismo e a xenofobia de que se nutre a extrema-direita, a voz do Papa Leão XIV, na continuação do magistério do antecessor, Francisco, tem sido um refrigério e poderoso antídoto contra a violência xenófoba.

Leão XIV fez da defesa da dignidade dos migrantes e do apelo à paz os mais sólidos contributos da sua religião para morigerar a violência xenófoba da extrema-direita.

Frases como “A dignidade humana não tem passaporte”, “Todos, de algum modo, somos migrantes (…)”, “integrar não significa apagar a história de quem chega (…)”, “A paz exige coragem diplomática e respeito pela identidade” ou “paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, que vem de Deus”, descontada a referência à divindade, merecem ser subscritas por todos os que desejam a paz e a concórdia.

Não sei se a Igreja católica sobrevive às contradições que a minam, mas ignorar o que devemos ao magistério dos dois últimos pontífices, na defesa da paz e da convivência entre culturas diferentes, não é apenas uma injustiça, é uma perigosa leviandade.

Independentemente do futuro da Humanidade, se o houver, os esforços católicos para a convivência multiétnica e a coexistência entre culturas e países, é um honroso ativo que a Igreja católica romana poderá sempre exibir perante a intolerância política, religiosa e étnica que assola o mundo. Na visita do Papa a Espanha e na solidariedade expressa aos imigrantes na deslocação às Ilhas Canárias, o Papa encontrou uma expressiva ressonância no bispo local, D. José Mazuelos, no final da celebração eucarística presidida pelo Pontífice na noite de quinta-feira, 11 de junho: “Há quem defenda o respeito pela vida quando se trata do aborto, mas queira que se corte a cabeça dos imigrantes”, palavras duras para a extrema-direita que se reclama católica e tem na agenda a exploração dos ressentimentos para alimentar o ódio aos imigrantes.

Do blogue Estátua de Sal

Como mentir com estatística:

Já todos sabemos que o actual primeiro-ministro é um trafulha. Apareceu para aí a dizer que a taxa de inflação "não é motivo para preocupação", porque anda nos 3,3% ou lá o que é.

O problema é que o índice de preços ao consumidor abrange uma enormidade de produtos e mete no mesmo saco as compras que poderemos fazer de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos (um computador, por exemplo, que até pode baixar de preço) com os preços que a população tem de enfrentar para sobreviver no dia a dia.
Só para termos uma ideia:
Dourada fresca: 31% de aumento desde janeiro
Peixe-espada preto: 24% de aumento desde janeiro
Arroz carolino: 25% de aumento desde janeiro
Novilho para cozer: 125% de aumento desde o início de 2022
Couve-coração: 87% de aumento desde o início de 2022
Ovos: 84% de aumento acumulado
Bacalhau graúdo: 76% de aumento acumulado
Electricidade no mercado livre: 6,3% de aumento desde maio de 2025
Gás natural no mercado regulado: 4,6% de aumento desde maio de 2025
Gasóleo: 12,6% de aumento desde maio de 2025
Em termos reais, o verdadeiro aumento percentual do custo de vida para uma família média portuguesa situa-se entre os 7,5 e os 9,5%, o que é quase o TRIPLO do valor da taxa de inflação oficial.
E o Spinumorto diz que "não há motivo para alarme". Ou o gajo é um tanso ou é um sonso.
Nenhuma das hipóteses é boa.

DO MITO DESTRUIDOR DE UM REGIME, À DERROTA DO EXECUTOR:

Há derrotas que chegam mascaradas de vitória. E há vitórias que, de tão anunciadas, acabam por tropeçar na própria propaganda.
Quando em final de fevereiro, os céus do Médio Oriente se iluminaram com o brilho pouco poético dos mísseis, muitos comentadores ocidentais correram a decretar o fim do regime iraniano. Nos estúdios televisivos, nos jornais e nas intermináveis mesas-redondas dos especialistas avençados, o guião parecia já escrito: as infraestruturas seriam destruídas, os dirigentes eliminados, a capacidade de resposta anulada e o regime acabaria por ruir sob o peso das suas próprias contradições.
Do outro lado do Atlântico, o discurso era igualmente confiante. Falava-se de uma operação decisiva. De um golpe histórico. De uma demonstração de força destinada a alterar para sempre o equilíbrio regional. Ameaçaram mesmo que "destruiremos a raça". Para muitos, a questão já não era saber se o regime sobreviveria, mas apenas quantos dias demoraria a cair.
Acontece que a política internacional, tal como o futebol, raramente respeita os prognósticos feitos ao intervalo.
O regime que tantos davam por moribundo mostrou uma forte capacidade de resistência. Não apenas sobreviveu ao impacto inicial como conseguiu transformar a pressão externa num poderoso instrumento de mobilização interna. Onde alguns esperavam divisões, apareceram consensos. Onde se anunciavam revoltas, surgiram alinhamentos. Onde se previam fraturas, nasceu um renovado instinto de sobrevivência nacional. Viram assassinados os seus dirigentes, mas tinham, afinal, muito mais reservas prontas a jogar.
E depois existia o tabuleiro económico.
Enquanto se olhavam os misseis que viriam dos céus, o Irão observava os mapas marítimos. E poucos mapas são tão importantes para o mundo moderno como o do Estreito de Ormuz. A simples capacidade de influenciar aquele corredor energético revelou-se suficiente para recordar ao planeta uma velha verdade: os motores da economia global continuam a depender de rotas que não se movem à velocidade das bombas e dos comunicados oficiais.
Os mercados redescobriram a ansiedade. Os preços da energia voltaram a ser assunto de preocupação quotidiana. Governos que discursavam sobre estabilidade passaram a explicar instabilidade. E milhões de consumidores perceberam que a geografia continua a ter mais peso do que a politica dos seus dirigentes.
Pelo caminho, as nações do Médio Oriente viram alterar-se parte das suas dinâmicas económicas e turísticas. Novos fluxos, novas prioridades, novos equilíbrios. Como acontece tantas vezes, a guerra transformou-se num acelerador de mudanças que, em tempos normais, demorariam anos a ocorrer. E todos parecem agora arrependidos de ter acoitado o seu aliado derrotado.
Entretanto, aquilo que parecia impossível aos olhos de muitos observadores começou a ganhar forma: o adversário que deveria estar encurralado surgia na mesa das negociações numa posição mais confortável do que aquela que possuía antes da crise. E foi aqui que o mito começa a desfazer-se. Porque o mito não era o da invulnerabilidade iraniana. O verdadeiro mito era outro: a ideia de que a força militar, por si só, pode substituir a compreensão das circunstâncias políticas, económicas e culturais de uma região inteira.
Ao longo dos séculos, muitos impérios confundiram capacidade de destruição com capacidade de transformação. Descobriram, tarde demais, que derrubar edifícios é frequentemente mais fácil do que alterar equilíbrios sociais, identidades nacionais ou interesses estratégicos.
Na metáfora que me inspirou, a partida parecia decidida ainda antes do apito inicial. Havia quem já estivesse a preparar os discursos da vitória quando o marcador começou a contar uma história diferente. O Irão já estava derrotado quando entrou em campo. Afinal ao intervalo ganha por 5 a 0 e o árbitro até é um inimigo. E porquê? Porque soube jogar com as cartas que possuía. Porque percebeu as regras reais do jogo. Porque transformou fragilidades em instrumentos de negociação. E porque entendeu algo que a política internacional nunca deixa de ensinar: vence menos quem tem mais força do que quem compreende melhor o terreno onde joga.
No fim de contas, permanece a velha lição. Os estrategas adoram desenhar mapas. Os generais adoram desenhar setas. Os políticos adoram desenhar futuros. Mas a realidade tem o irritante hábito de desenhar os seus próprios caminhos.
E é precisamente nesse momento que o mito do destruidor começa a desaparecer, dando lugar à figura bem mais humana - e muito mais frequente na História - o do executor que descobriu demasiado tarde que vencer uma batalha não é o mesmo que vencer o jogo.
A partida ainda não terminou e a vitória não poderá ainda ser cantada. Mas só com muito mau jogo na segunda parte o Irão será derrotado.

João Gomes 

domingo, 14 de junho de 2026

Financiar, integrar, mimar a Ucrânia – nem que a vaca tussa (João Gomes, in Facebook, 13/06/2026):

(João Gomes, in Facebook, 13/06/2026)

A política europeia parece ter abandonado qualquer preocupação com a coerência para se dedicar exclusivamente à gestão de narrativas. A recente decisão de avançar com negociações de adesão da Ucrânia à União Europeia é exatamente isso.

Durante décadas, Bruxelas repetiu aos candidatos à adesão uma lista interminável de exigências: estabilidade institucional, economia funcional, combate à corrupção, respeito pelos princípios democráticos, independência judicial e capacidade de integração no mercado comum. Os critérios eram apresentados como objetivos, universais e inegociáveis.

Mas eis que é preciso colocar a Ucrânia nas atenções do Mundo. Um país devastado por uma guerra de grande escala, profundamente dependente de ajuda externa, com uma economia fragilizada, enormes desafios institucionais e uma situação política marcada pelas exceções próprias de um conflito armado. E, de repente, aquilo que durante anos foram obstáculos intransponíveis para outros candidatos. passa a mero detalhe administrativo.

A pergunta impõe-se: mudaram os critérios ou mudou apenas a conveniência política?

O contraste com a Turquia é inevitável. Há décadas que Ancara bate à porta da União Europeia. Ao longo dos anos, foram sendo apontadas razões para o congelamento do processo: questões institucionais, políticas e estratégicas. Contudo, independentemente da avaliação que cada um faça do regime turco, é difícil ignorar a diferença de tratamento. O que para uns constitui motivo suficiente para bloquear negociações durante décadas parece deixar de ser relevante quando se trata da Ucrânia.

A explicação oficial fala de solidariedade, valores europeus e defesa da democracia. A explicação é muito mais simples: geopolítica.

A Ucrânia tornou-se o projeto político mais importante da burocracia europeia. Não apenas como país, mas como símbolo. Um símbolo que precisa de ser financiado, armado, apoiado, promovido e integrado, custe o que custar. Um símbolo que serve para justificar políticas, mobilizar opiniões públicas e reforçar a narrativa de uma Europa unida perante uma ameaça externa.

O problema é que os cidadãos europeus vivem cada vez mais longe dessas prioridades.

Enquanto Bruxelas discute novos pacotes de apoio, milhões de europeus enfrentam crises de habitação, perda de poder de compra, crescimento da dívida pública, degradação dos serviços públicos e uma competitividade económica cada vez mais frágil face aos Estados Unidos e à Ásia. A sensação crescente é a de que a União Europeia demonstra mais urgência em resolver os problemas dos outros do que em enfrentar os seus próprios.

Esta lógica política de aplicar critérios diferentes conforme a utilidade estratégica do momento mostra ao que se chegou em Bruxelas. Disfarçam a incapacidade de resolver os problemas da UE com reuniões à semana, abraços entre dirigentes e discursos de ocasião. Se os critérios de adesão são sérios, então devem ser aplicados a todos. Se podem ser flexibilizados quando existe interesse político, então talvez nunca tenham sido tão objetivos quanto nos disseram.

O mais preocupante é que esta incoerência corrói a confiança dos cidadãos nas instituições europeias. Não porque estes sejam incapazes de compreender decisões estratégicas, mas porque percebem quando uma decisão política é apresentada como uma inevitabilidade técnica. A União Europeia não tem o direito de fugir à realidade nas suas tomadas de decisões geopolíticas. Ao fazê-lo os dirigentes incumprem o seu estatuto. No fim de contas, a mensagem que muitos europeus acabam por ouvir é simples: financiar, integrar e mimar a Ucrânia – nem que a vaca tussa.

Do blogue Estátua de Sal

Dominguice:

Embora não seja disparatado, é um disparate dizer que já não existe esquerda e direita. Essa distinção pode ser resumida nesta questão: queremos mais ou menos igualdade no acesso aos recursos? A direita quer menos, sempre o quis, para sempre o quererá. Ou melhor, quem isso quiser passa a ser de direita. É o que pode acontecer a alguém de esquerda, que neste campo se posicionava por ter pouco a perder, e que depois num golpe de sorte ganha fortuna e passa imediatamente para a direita, posto que a pulsão para defender o património altera as suas prioridades e opções.

Assim se explica a técnica da extrema-direita, actualmente a governar Portugal, de colocar os pobres a perseguir e odiar os pobres. É que a extrema-direita sabe que o pobre é só um rico eternamente adiado. Se esse pobre for também estúpido, como quase todos são por inerência económica e social, vai acreditar quando lhe disserem que poderá deixar de ser pobre se fizermos mal a outros pobres. A extrema-direita tem séculos e séculos disto, papar papalvos.

por Valupi

Do blogue Aspirina B

sábado, 13 de junho de 2026

Está na hora de sair à rua:

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 12/06/2026, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

É triste ver a prostituição política do PSD… entregar a sua alma social-democrata para se agarrar ao poder, não para fazer reformas sérias, não para melhorar o país, mas para alimentar uma máquina de clientelismo 100 vezes pior do que tudo o que já vimos.

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Do blogue Estátua de Sal