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terça-feira, 31 de março de 2026

UM JEITO MANSO: Os enormes equívocos das políticas do Montenegro o...

UM JEITO MANSO: Os enormes equívocos das políticas do Montenegro o...:   É certo e sabido que as políticas do governo não são suportadas em factos nem em  informações fidedignas. Vão a reboque do Andrézito ou sã...

O Irão e a Armadilha de Tucídides:

 (Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 31/03/2026)

O preconceito e a sobranceria ideológica impediram os responsáveis militares norte-americanos e israelitas de perceberem o grau de preparação de Teerão para a guerra. Só isso explica a ingénua convicção numa derrota fácil e rápida do Irão.

O comportamento do presidente Donald Trump no seu segundo mandato traz-nos à memória a Armadilha de Tucídides, um conceito geopolítico desenvolvido por Graham Allison, em 2015, que descrevia o risco estrutural de uma guerra ocorrer quando uma potência emergente ameaça superar a potência consolidada. O receio da potência dominante ser suplantada pela potência desafiadora da Ordem gera tensões que descambam muitas vezes em guerras, algo que Allison observou em 12 dos 16 casos por ele estudados.

Na altura, Allison questionava se a China e os Estados Unidos conseguiriam escapar à Armadilha de Tucídides. Segundo ele, “tendo em conta a trajetória atual, uma guerra entre os EUA e a China nas próximas décadas não é apenas possível, como é muito mais provável do que se possa neste momento imaginar.”

Em 2012, durante a Administração Obama, a então secretária de estado Hillary Clinton veio falar, pela primeira vez, no “pivô para a Ásia” passando a considerar a China como a principal ameaça securitária dos EUA, e, como tal, a prioridade da política externa das Administrações que se lhe seguiram, travestida de várias nuances discursivas.

Em 2017, a RAND Corporation publicou um relatório sobre uma guerra entre os EUA e a China, atribuindo a vitória aos primeiros, assumindo que esta não evoluiria para o patamar estratégico nuclear. Há 10 anos o resultado poderia, eventualmente, ser esse, hoje seguramente que não o será, mesmo contando Washington com a preciosa ajuda dos aliados no sudoeste asiático. Os EUA seriam incapazes de manter uma guerra de alta intensidade prolongada, no Pacífico ocidental, um Teatro de Operações a mais de 10 mil quilómetros da sua costa oeste.

Os estrategos norte-americanos sabem que foi perdida a oportunidade de os EUA infligirem uma derrota militar à China. A forma de a submeterem à sua vontade tinha de ser agora revista. A ameaça sistemática do uso da força para obrigar à genuflexão de Pequim tinha-se tornado anacrónica. A nova estratégia passava por quebrar a entretanto formada coligação anti hegemónica russo-chinesa degradando, em primeiro lugar, as capacidades do seu elo mais fraco, o que exigia uma mudança de regime em Moscovo, e colocar no poder segmentos da elite russa favoráveis a novas alianças e parceiros estratégicos.

Essa operação desenvolveu-se em três frentes, com a Ucrânia a desempenhar um papel crucial nesse projeto. É, segundo este prisma, que se devem interpretar os acontecimentos instigados por Washington na Ucrânia, no século XXI – a revolução laranja, em 2004, e o golpe de estado de Maidan, em 2014, que derrubou um presidente democraticamente eleito –, para colocar no poder atores hostis a Moscovo.

Esses desenvolvimentos criaram as condições objetivas e subjetivas para a invasão, primeiro da Crimeia, ainda em 2014, e da própria Ucrânia, em fevereiro de 2022, empurrando a Rússia para uma guerra de atrito indesejada. Passados quatro anos de guerra, Washington ainda não conseguiu exaurir a Rússia nem colocar uma “Delcy Rodriguez” no Kremlin. Em vez de criar brechas nessa coligação, as ações de Washington reforçaram-na, transformando-a numa parceria estratégica.

A execução desse projeto hegemónico não corria bem a Washington. No seu primeiro mandato, Trump adotou políticas comerciais agressivas contra a China, que o seu sucessor Joe Biden não revogou. No seu segundo mandato, Trump voltou à carga de um modo muito mais assertivo, tentando sem sucesso dobrar a China recorrendo a uma ofensiva tarifária sem precedentes.

Mas havia ainda uma modalidade de ação por explorar. Frustrada a hipótese de provocar uma divisão entre a China e a Rússia e bater os seus opositores por partes, restava ainda a Washington a possibilidade de jogar a cartada iraniana. Em colaboração com Israel, podia atuar sobre o terceiro pilar da aliança anti hegemónica, tremendamente fustigado por décadas de sanções.

Lembremo-nos do que escreveu Brzezinski: a maior ameaça à hegemonia norte-americana é a criação de uma aliança anti hegemónica China-Rússia-Irão, que, por sinal, se encontrava em fase de consolidação. Seria uma tremenda vitória estratégica para Washington colocar o Irão na sua área de influência, um país decisivo para as estratégias chinesa e russa. Uma mudança de regime em Teerão constituiria uma estocada demolidora nessa aliança anti hegemónica. Se conseguisse isso, não só infligiria uma derrota estratégica à China e à Rússia, como Washington se colocaria numa posição de extrema vantagem na competição pelo lugar cimeiro na Ordem Mundial. Abriria as portas ao regresso à unipolaridade com um centro a decidir tudo, como aconteceu após a implosão da União Soviética.

Os EUA tinham agora pela frente uma aliança desafiadora da sua posição dominante cujas partes, com diferentes capacidades estratégicas, representavam isoladamente desafios distintos. Se no caso da China as ferramentas empregues pelos EUA não tinham até agora passado pela confrontação militar direta – o uso da força contra a China tinha-se tornado algo razoavelmente impensável –, já o mesmo não se poderia dizer relativamente à Rússia, sujeita a confrontação militar indireta através do proxy ucraniano, que apoiavam e apoiam militarmente, e direta contra o Irão.

O futuro do conflito militar com o Irão é cada vez mais incerto, encontrando-se a vitória militar de Washington cada vez mais distante. Os ataques do Irão obrigaram as forças norte-americanas a abandonar as suas bases no Médio Oriente. O preconceito e a sobranceria ideológica impediram os responsáveis militares norte-americanos e israelitas de perceberem o grau de preparação de Teerão para a guerra. Só isso explica a ingénua convicção numa derrota fácil e rápida do Irão.

O Irão iniciou a preparação para o embate em curso há quatro décadas. Começou em 1984, ainda durante a guerra com o Iraque, quando enviou treze oficiais à Síria aprenderem sobre algo que ninguém lhes iria vender, dando início à criação, a partir do zero, de uma capacidade balística própria, recorrendo primeiro à reversão tecnológica para posteriormente se lançar em programas de investigação e desenvolvimento envolvendo as universidades.

Os desenvolvimentos no campo de batalha após quatro semanas de guerra, cada vez mais desfavoráveis à aliança israelo-americana, levantam duas interrogações incontornáveis. Qual será a reação de Trump quando, sem espaço para recuar, não lhe for mais possível escamotear a derrota estratégica e a sua ambição hegemónica ficar irremediavelmente comprometida pela aventura militar contra o Irão? Qual será a resposta de Netanyahu quando se convencer de que vai sair derrotado desta confrontação, tendo em conta que não é um ator político racional e que guia a sua ação por princípios escatológicos?

A conjugação de um decisor pueril e imaturo, em Washington, com outro motivado pela inspiração divina, em Telavive, cria um caldo explosivo propício a uma confrontação generalizada. Não será por acaso que já surgem no espaço público comentadores associados à embaixada de Israel a advogarem abertamente o bombardeamento nuclear do Irão.

Se analisada de um outro prisma, a Armadilha de Tucídides pode ajudar-nos a entender melhor o momento em que nos encontramos, não da confrontação direta entre a potência dominante e a potência desafiadora, mas da sua antecâmara. A dimensão dos danos reputacionais e geoestratégicos da previsível derrota norte-americana poderá ser inaceitável para Washington e, por acréscimo, para Telavive. Esta situação e a conhecida ausência de racionalidade destes dois atores coloca em cima da mesa a probabilidade de apostarem numa solução de soma negativa. Perante a ameaça que isso colocará à humanidade, não deixa de surpreender a passividade de certos atores internacionais face à eventualidade de um desfecho dramático para todos.

Do blogue Estátua de Sal

segunda-feira, 30 de março de 2026

O Luís vingou o Aníbal:

(Carlos Esperança, in Facebook, 30/03/2026, Revisão da Estátua)

Retirar Saramago, o Nobel da Literatura Portuguesa, do currículo académico, não é um ato gratuito, é o ajuste de contas com a democracia e a memória coletiva do 25 de Abril.

Vinte anos depois da saída de Cavaco Silva de Belém, salazarista que abominava a obra de Saramago, sem nunca ter lido uma única página, coube ao governo de Montenegro a tentativa de agradecer ao «génio da banalidade» o apoio indefetível prodigalizado.

A substituição de José Saramago por Mário de Carvalho, é uma manobra bem ao gosto do dissimulado Montenegro, propor um grande escritor da mesma área ideológica para ocultar o saneamento político que se pretende para, depois, sem ruído, afastar o último.

Saramago continuará a ser lido por quem ama a língua portuguesa e aprecia a literatura, mas a tentativa de vingança está em curso perpetrada por quem se apropriou da agenda ideológica do Chega e quer vingar Cavaco.

Eis algumas razões da tentativa de lesa-literatura:

L’Osservatore Romano, diário do Vaticano, escreveu quando Bento XVI era Papa: “Saramago é, ideologicamente, um comunista inveterado” e, depois da morte, ainda lhe chamou “populista extremista” e “ideólogo antirreligioso”, epítetos azedos de um reacionário.

O eurodeputado do PSD, Mário David, nascido em Angola, que viveu quase sempre fora de Portugal, declarou, após a atribuição do Nobel, que tinha vergonha de ser compatriota do escritor e que este devia renunciar à nacionalidade portuguesa.

O Sr. Manuel Clemente, ex patriarca de Lisboa, então bispo do Porto, afirmou que José Saramago “revela uma ingenuidade confrangedora quando faz incursões bíblicas” e, como “exigência intelectual, deveria informar-se antes de escrever”, como se alguém o coagisse a ele, bispo, a pensar antes de falar ou a calar-se quando o silêncio é crime, como aconteceu nos casos de pedofilia do clero da sua diocese.

Doze livros de José Saramago estão entre os classificados com os mais altos níveis de interdição do Opus Dei a nível internacional, num Índex de 79 obras de autores portugueses, incluindo Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Vergílio Ferreira, Miguel Torga, Lídia Jorge e David Mourão-Ferreira.

Sousa Lara, subajudante de ministro de Cavaco, censurou “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” e opôs-se a que fosse incluído no concurso a um prémio literário europeu. Foi o rosto do cavaquismo, intolerante, vesgo e analfabeto.

Montenegro comporta-se como Cavaco na cultura, Durão Barroso no apoio à invasão do Irão e Santana Lopes na governação. É a síntese do pior da direita da pior maneira.

«Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus». (Mateus 5:3)

Do blogue Estátua de Sal

domingo, 29 de março de 2026

O CRIME DO PADRE MAX:

Um conto para a Páscoa, que aconteceu há 50 anos.

Maximiliano era um jovem português, sacerdote católico e… comunista! O seu nome rapidamente passou a ser apenas Max, um quase Marx, tão inusitado como improvável para um religioso. Ou não.
Corria o período pós-revolucionário em Portugal, fortemente agitado pela abertura democrática e diferentes visões do que deveria ser o país novo, aquele que sucederia o Estado Novo.
O padre Max era um cristão militante de esquerda, com uma forte identificação aos ideais socialistas e marxistas.
Acreditava que o sacerdócio deveria servir o povo e não "servir-se" dele, alinhado com a Teologia da Libertação, uma corrente que combina a doutrina cristã com a análise social de esquerda.
Por isso, foi um dos fundadores do UDP (União Democrática Popular), um partido de inspiração marxista-leninista. O Padre Max era um forte candidato à deputado nas eleições legislativas de 1976, até o momento em que foi assassinado.
Na noite de 2 de abril, militantes radicais de direita do CDS, na sua ala mais extremista, mandaram pôr uma bomba no seu carro, matando-o e também tirando a vida de Maria de Lurdes, uma jovem que o acompanhava.
Do outro lado da trincheira política, estava o raivoso Cónego Melo (Eduardo Melo Peixoto), apontado como o mentor moral ou operacional na morte do Padre Max.
O padre Melo já tinha, à época, mais de 50 anos de idade. Ele tinha crescido à sombra de Salazar, admirava o ditador e era a face mais feroz e visível do ultra-conservadorismo católico. Como anticomunista ferrenho, amigo do fascismo, ele estava muito incomodado pelos ventos de mudança, durante o período pós-25 de Abril.
Militante radical, Melo associou-se ao MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), uma organização violenta, política e militar, clandestina e de extrema-direita, que atuou em Portugal entre 1975 e 1976.
Dom Melo, junto com os adeptos de uma Igreja mais rígida e reacionária, abençoou as mãos que puseram bombas, mas houve excessos de violência dos dois lados ideológicos. Uma guerra triste, que trocou o vermelho dos cravos pelo do sangue.
Maximiliano morreu. O Padre Melo escapou da condenação, entre omissões, anistias e outras situações sinuosas. Ele ainda permaneceu na sua Igreja, mas também já o comeu a terra, em 2008, velho e envergonhado pela verdade histórica. A maior parte das personagens deste triste evento já partiram. Se houver Céu e Inferno, terão muitas explicações a dar…
Qual foi, afinal, o crime do padre Max, pelo qual pagou com a vida?
Vejamos:
- Desafiou as elites religiosas, amigas do poder ditatorial, que usavam a lei para oprimir o povo;
- Denunciou a corrupção, afirmando que a religião servia para oprimir em vez de libertar;
- Não prometeu a justiça e a recompensa no céu, antes lutou por ela nas ruas e nos campos de Vila Real;
- Foi executado por forças políticas e religiosas da época, por ser considerado um subversivo e um agitador.
Enfim, Max aprendeu as lições de Marx, mas também seguiu criteriosamente os ensinamentos e a vida de Jesus Cristo…
E morreu por nós.

Ventos Semeados: André Ventura, o sodomita

Ventos Semeados: André Ventura, o sodomita: Na apresentação pública da tradução do mais recente volume da sua monumental versão da Bíblia, o professor Frederico Lourenço abordou um tem...

Já reparou que, no The Guardian:

"Quando o Irão e o Iémen optam por resistir à guerra brutal, não provocada e ilegal dos EUA e de Israel, isso é chamado de «escalada perigosa»? [e acompanhado por imagens como esta]
Mas quando os Estados vassalos dos EUA discutem a forma de avançar com os objetivos de guerra dos EUA/Israel, ponderando (por exemplo) como forçar a abertura do Estreito de Ormuz, diz-se que estão empenhados em tomar «medidas adequadas» [e todas as imagens mostram pessoas calmas em fatos sóbrios]
Reparem como o Ocidente chama incessantemente à invasão da Ucrânia pela Rússia um crime «brutal, não provocado e ilegal», mas nunca consegue dizer o mesmo sobre os ataques dos EUA/Israel ao Irão?
Reparem como os meios de comunicação ocidentais consideram o lançamento de mísseis pelo Iémen uma «escalada perigosa», mas sorriem alegremente com a ideia de Volodymyr Zelenskyy comprometer a Ucrânia a ajudar militarmente os Emirados Árabes Unidos? Os mesmos EAU que mantêm um apoio brutal e ilegal ao genocídio das RSF em Darfur?
Reparem como Zelenskyy se enfurece contra as restrições (muito limitadas) impostas (pelos seus patrocinadores) à Ucrânia na sua guerra contra a Rússia, com o argumento de que lhes deveria ser permitido fazer o que quisessem para resistir a uma invasão ilegal, mas junta-se ao coro de condenação contra o Irão quando este tenta defender-se?
Reparem como Zelenskyy se faz de vítima na Ucrânia, mas se posiciona contra as vítimas na Palestina, no Irão, no Líbano, na Síria e no Sudão?
Reparem como a classe política e mediática ocidental ficou indignada com a repressão contra os manifestantes iranianos, mas não tem nada a dizer sobre os manifestantes anti-guerra israelitas que são espancados, detidos e dispersados em Telavive?
É quase como se as únicas pessoas que alguma vez são legitimadas nos meios de comunicação ocidentais fossem os EUA e Israel e as únicas vidas que REALMENTE IMPORTAM fossem as vidas israelitas.

Acho que chamamos a isso propaganda e lavagem cerebral ao serviço de crimes de guerra — a maioria das pessoas que trabalham nos portais de comunicação ocidentais devem sentar-se no banco dos réus em Haia por conspirarem para facilitar crimes contra a humanidade."

António Alves

Boa noite:

Hoje acordei a interrogar-me se este ambiente das redes sociais favorece a minha sanidade mental - e, honestamente, se valerá a pena continuar. É fascinante (e assustador) como pessoas que considero amigas não conseguem enxergar o óbvio. Talvez seja hora de fazer uma auditoria a essas amizades, pois a minha paciência para a lentidão alheia (tacanhez) começa a atingir o limite. E há duas coisas que não suporto: insistir no óbvio (bater no ceguinho) e lidar com a ignorância (burrice) - o meu cérebro exige companhia à altura. Agora que está feito o desabafo, vamos ao que realmente interessa:

"Ventura anuncia lista conjunta com o PSD para o Conselho de Estado"
Pouco tempo depois de ter proposto a extinção do Conselho de Estado - por considerá-lo um órgão "anacrónico", decorativo e parte da "gordura do Estado", não só no seu programa eleitoral, como em propostas de revisão constitucional - , a Cheganice anuncia agora uma lista para este mesmo órgão. A vontade de simplificar o regime e reformar o sistema político - não me perguntem porquê - parece ter-se esfumado...
Desculpem, mas PUT@ QUE PARIU! A minha alma está parva... e não é para menos. Se cada notícia que envolve o Cheganice e o seu quadrúpede maior fosse um filme, eu passaria a vida a sair aos dois minutos para pedir o reembolso do bilhete e das pipocas. Não há paciência que resista. Eu tento ler só as gordas e saltar para outra notícia qualquer - juro que tento - mas não consigo.
Afinal, o jerico "anti-sistema" gosta mesmo é de um bom estábulo empalhado para os seus! Repito: foram seis anos a ouvir o Asno a zurrar que o Conselho de Estado era um gasto inútil, uma coisa velha para acabar e que só servia para dar tachos aos políticos. Pois bem, abram alas, que o jumento agora já quer lá pôr os dele, de braço dado com os do PSD. Afinal, o sistema já não é assim tão mau quando nos deixa fazer uma "listinha conjunta" e garantir um lugar numa boa estrebaria.
Meus amigos, o Equus asinus que dizia vir para limpar tudo agora faz acordos e já vê com bons olhos um órgão que ele próprio queria extinguir. Pelos vistos, a coerência dele dura muito pouco. Mas esta é só mais uma para a coleção, porque ele é o verdadeiro campeão do "diz hoje, desdiz amanhã".
Lembram-se de quando dizia que os deputados não podiam ter acumulação de cargos, que era uma vergonha? Pois, mas ele próprio andava a comentar futebol na TV e a faturar noutros lados enquanto nós lhe pagávamos o ordenado no Parlamento. E aquela conversa de que nunca, mas nunca, se ia coligar com o PSD? Bastou sentir um cheirinho a poder para dar as mãos ao PSD-Açores. É o amor à camisola... do sistema!
Diz querer acabar com os subsídios, mas o seu partido subsiste graças aos generosos apoios estatais financiados por todos nós. Critica os políticos que fazem da política profissão, mas ele próprio saltou de partido em partido, nunca tendo vivido fora do sistema. Encarna o adágio "faz o que eu digo, não faças o que eu faço". Afirma combater a corrupção e os interesses, mas coliga-se (fazendo acordos) com o PSD - partido que outrora apelidou de "prostituta política".
É aquele animal que cospe na manjedoura onde já almoçou e onde quer jantar. Critica o sistema por fora só porque tem inveja de quem está lá dentro. Ficaria aqui a noite toda e
o tempo não seria bastante.
A burricada que continue a bater ferraduras e a cavalgar, que o burro-mor continuará em palhas deitado confortavelmente, a rir-se nas e das vossas fuças!
É caso para questionar: E o burro sou eu?