Rádio Freamunde

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

A CIMEIRA DE KAZAN TAMBÉM TEM "FOTOS DE FAMÍLIA":

Os líderes da ASEAN reuniram-se para fotografia de grupo em Kazan, na Rússia. Os chefes de delegação que participam na cimeira Rússia-ASEAN reuniram-se para a fotografia oficial antes de se dirigirem para a sessão plenária no Centro Internacional de Exposições Kazan Expo, no dia 18 de junho.

A Cimeira Rússia-ASEAN decorre de 17 a 19 de junho naquela cidade russa. A Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) é composta por 11 membros: Brunei, Vietname, Indonésia, Camboja, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia, Filipinas e Timor-Leste e representam cerca de 10% do PIB mundial em PPP.

O Luís Trafulha:


 

Os defesas da equipa adversária não costumam ir tomar um café ou fumar um cigarro para nos deixar passar, ó Martínez:

E costumam querer ganhar os jogos mais do que nós, ó Martínez!

Ontem, depois do golo promissor do João Neves, o espectáculo tornou-se confrangedor (infelizmente habitual). Os jogadores entraram em modo de trocas de bola para trás e para o lado e a baliza deixou de interessar (aí, sim, o guarda redes teve mais do que tempo para ir ao bar e voltar), mesmo quando algum jogador corria para a frente para lhe passarem a bola. Não. Era melhor serenar. Qual é a pressa, não é?

Aguentei 20 minutos, fui à minha vida e, quando regressei, já no fim do jogo, o Congo tinha surpreendentemente apenas empatado e o Ronaldo continuava em campo a não fazer nada, enquanto o Trincão e o João Félix continuavam no banco. Como é isto possível?

Pergunto-me se o treinador da selecção portuguesa vê jogos como o da Inglaterra vs. Croácia, ou da Áustria vs. Jordânia, ou o de Marrocos, da Argentina, da Suécia, da Noruega e outros e aprende alguma coisinha. E se consegue ao menos entender o contraste. A determinação nuns e a falta dela noutros. Duvido. Um enrascado,  parece burro.

Por favor, algum jornalista lhe pergunte que ideia tem ele de um jogo bem disputado, empolgante e digno de ser visto e porquê a aversão ao risco?

De uma perspectiva economicista, os próprios jogadores desistiram de se valorizar. Meninos, fazem muito mal.

por Penélope

Do blogue Aspirina B

Debates quinzenais quem os viu e quem os vê:

Assisti ontem,17/06/2026, parte do debate mas foi tal a mediocridade que não tive "pachorra" para assistir até ao fim.
Ver e ouvir Montenegro dizer que André Ventura e o Chega são mais socialistas que o Partido Socialista e José Luís Carneiro dá como disse, mais acima: nojo.
Quem viu o PSD de Sá Carneiro acabando em Rui Rio diz para si mesmo: como foi possível.
Não vejo no PSD gente capaz de o levar para outro rumo.
É certo que atrás de tempos outros tempos virão, mas deduzo, que seja tarde de mais.
Esse partido fascista que o fascista André Ventura "domina" só nos vai trazer desgraça.
Por isso recordar os debates quinzenais de outrora dá-me uma sensação de nostalgia.

Não volto a dizer que atrás de tempos outros tempos virão porque vamos cair, não demora muito, numa ditadura.

Manuel Pacheco  

Pacote Laboral:



quarta-feira, 17 de junho de 2026

Do G7 de “segurança e guerra”, à cimeira em Kazan sobre o futuro económico:

 (João Gomes, in Facebook, 17/06/2026)

Enquanto os líderes das maiores nações industrializadas se reúnem para discutir conflitos, sanções, segurança internacional e contenção estratégica, uma outra reunião decorre longe dos holofotes mediáticos ocidentais.

Em Kazan, na Rússia, dirigentes políticos e económicos da ASEAN e da Federação Russa debatem um tema diferente: o futuro das ligações económicas, comerciais e logísticas numa ordem internacional em transformação.

A coincidência temporal entre os dois encontros dificilmente passa despercebida. De um lado, o G7 procura responder aos desafios imediatos da guerra na Ucrânia, da “segurança europeia”, das tensões no Médio Oriente e da crescente rivalidade entre as grandes potências. Do outro, em Kazan, discute-se sobretudo comércio, investimento, transportes, energia, tecnologia, conectividade e novos corredores económicos entre a Europa, a Ásia e o mundo emergente.

Mais do que uma simples diferença de agenda, os dois eventos parecem representar duas visões distintas sobre as prioridades do século XXI.

Quem participa na reunião de Kazan? A cimeira assinala os 35 anos de relações entre a Rússia e a ASEAN, organização que reúne dez países do Sudeste Asiático: Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Vietname, Filipinas, Brunei, Laos, Myanmar, Camboja. Em conjunto, estes países representam mais de 680 milhões de habitantes e uma das regiões económicas mais dinâmicas do planeta. Embora não constituam um “bloco político” comparável à União Europeia, possuem uma importância crescente nas cadeias de produção globais, no comércio marítimo e na indústria tecnológica.

Porque foi escolhido este momento? A resposta é simultaneamente económica e geopolítica. Desde o início do conflito na Ucrânia, a Rússia tem procurado demonstrar que as sanções ocidentais não equivalem a isolamento internacional. A estratégia russa passou por acelerar a aproximação aos mercados asiáticos, africanos e do Médio Oriente, apostando numa diversificação das suas relações económicas. Kazan surge assim como uma montra dessa política.

A mensagem enviada por Moscovo é clara: enquanto o Ocidente continua a discutir mecanismos de contenção, a Rússia procura construir novas pontes económicas com algumas das regiões mais dinâmicas do mundo. A verdadeira batalha são os futuros “corredores económicos”. O tema central da reunião não é apenas comércio. O que está em causa é o controlo dos futuros corredores económicos globais.

Durante décadas, a economia mundial esteve fortemente dependente das rotas marítimas tradicionais controladas ou protegidas pelas grandes potências ocidentais. Hoje, diversos países procuram desenvolver alternativas.

A Rússia promove o chamado Corredor Internacional Norte-Sul, ligando o Báltico ao Golfo Pérsico através da Rússia, do Cáspio, do Irão e da Índia. A China continua a expandir a sua Iniciativa Faixa e Rota. Os países da ASEAN procuram integrar-se nessas redes sem ficarem excessivamente dependentes de uma única potência. Por trás das declarações diplomáticas existe uma disputa pelo desenho das futuras artérias do comércio mundial.

O contraste com o G7

O contraste entre os dois encontros é particularmente revelador. No G7 dominam temas como: Ucrânia; Segurança europeia; Sanções; Defesa; Inteligência artificial e segurança tecnológica; Contenção de riscos geopolíticos.

Em Kazan dominam temas como: Infraestruturas; Corredores de transporte; Investimento; Energia; Comércio; Integração económica regional.

Naturalmente, seria simplista afirmar que um encontro fala apenas de guerra e outro apenas de economia. A realidade é mais complexa. A economia tornou-se um instrumento geopolítico e a geopolítica influencia diretamente a economia. Mas a diferença de enfoque é evidente. Enquanto o G7 discute sobretudo como gerir as crises do presente, a reunião de Kazan procura posicionar-se como um fórum de reflexão sobre as oportunidades do futuro.

Um mundo em mudança

O significado mais profundo desta cimeira talvez não esteja nos acordos que venham a ser assinados, mas na tendência que representa. Durante décadas, os grandes fóruns internacionais eram quase exclusivamente dominados pelas economias ocidentais. Hoje surgem novos centros de poder económico, novos mercados consumidores e novas plataformas diplomáticas.

A existência destes fóruns demonstra que a influência internacional está a tornar-se mais distribuída. Kazan é, nesse sentido, mais do que uma simples cidade anfitriã. É um símbolo de uma transformação gradual da geografia do poder mundial. Talvez a imagem mais adequada para compreender o momento atual seja a de dois mundos que coexistem. Num deles, os líderes discutem conflitos, ameaças e estabilidade estratégica. No outro, discutem mercados, corredores comerciais e crescimento económico.

Mas a simultaneidade entre o G7 e a cimeira de Kazan revela uma realidade cada vez mais evidente: o centro da economia mundial está a deslocar-se progressivamente para a Ásia, e os países emergentes pretendem participar na definição das regras da próxima era económica.

A questão que permanece em aberto não é se essa mudança ocorrerá. A verdadeira questão é saber com que rapidez ocorrerá e quem estará melhor preparado para ocupar os lugares de destaque na nova arquitetura económica global.

O ABUSO, A CORRUPÇÃO E O DIREITO A SER DEMITIDO:

A notícia publicada pelo jornal *Página Um* trouxe para o espaço público uma situação que merece uma reflexão séria sobre a ética no exercício de funções públicas. Segundo a investigação jornalística, o vice-presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social utilizou uma viatura e um motorista pagos pela própria ERC para se deslocar a atividades de docência exercidas em três universidades portuguesas.
Porque estamos perante um alto dirigente de uma entidade reguladora independente, o caso não pode ser tratado como uma mera curiosidade administrativa ou uma simples questão de gestão de agenda. Há palavras que se podem usar. Uma delas é "corrupção". Outra é "abuso". E uma terceira, talvez ainda mais perturbadora para certas elites instaladas, é "demissão".
Em Portugal, habituámo-nos a tratar muitos comportamentos potencialmente indevidos com uma estranha complacência linguística. O que noutros países seria imediatamente objeto de escrutínio rigoroso transforma-se frequentemente numa "situação a esclarecer", numa "falha procedimental" ou numa "questão administrativa". As palavras suavizam os atos, os atos perdem gravidade e a responsabilidade dissolve-se lentamente numa burocracia de justificações. Mas as palavras importam.
A docência universitária é uma atividade intelectualmente meritória e socialmente útil. Muitos titulares de cargos públicos exercem-na legitimamente e a própria lei admite, em diversas circunstâncias, a acumulação de funções académicas com funções públicas. O problema nunca foi ensinar. O problema é quem paga a deslocação para alguém ir ensinar. E o que se aprende com quem comete abusos? Aprende-se a abusar? E esta situação é única ou soma-se por dezenas de individualidades?
Uma viatura oficial não constitui um complemento remuneratório. Um motorista não é um privilégio inerente ao estatuto social de quem ocupa um cargo de direção. Ambos existem para servir exclusivamente o exercício de funções públicas relacionadas com a missão da instituição que os suporta financeiramente.
Se os recursos públicos forem utilizados para apoiar atividades externas de natureza privada, estamos perante algo que ultrapassa uma simples irregularidade burocrática. Estamos perante a possibilidade de utilização indevida de meios que pertencem à comunidade para benefício de uma atividade individual. E é precisamente aqui que começa o abuso.
O abuso nasce no momento em que alguém investido de autoridade pública deixa de distinguir claramente entre aquilo que é seu e aquilo que pertence ao Estado. E o Estado, importa recordá-lo, não é uma abstração distante nem uma entidade sem rosto. O Estado são os cidadãos que pagam impostos, financiam as instituições e confiam que os recursos públicos serão utilizados exclusivamente em benefício do interesse coletivo.
Cada litro de combustível, cada quilómetro percorrido e cada hora de trabalho de um motorista pago pelo erário público representam o esforço fiscal de milhões de portugueses. É por isso que casos desta natureza provocam indignação. Não pelo valor económico em si mesmo mas pelo princípio que está em causa.
As democracias não são corroídas apenas pelos grandes escândalos financeiros ou pelos casos clássicos de corrupção criminal. São igualmente enfraquecidas pela banalização dos pequenos privilégios, pelas exceções permanentes e pela ideia insidiosa de que certas pessoas, por ocuparem determinados cargos, podem viver num espaço de permissões informais vedado aos restantes cidadãos. É aqui que a palavra "corrupção" deve ser entendida na sua dimensão mais profunda. E são estes casos que fazem crescer o populismo, que "agarra" estas situações para falsamente "expor" a necessidade de "ordem".
Corrupção não é apenas o suborno, o favorecimento económico direto ou a entrega ilícita de dinheiro. Existe igualmente uma corrupção ética e institucional que se manifesta sempre que os recursos coletivos são progressivamente transformados em instrumentos de conveniência pessoal. É a corrupção da fronteira entre o serviço público e o interesse privado. E quando essa suspeita recai sobre um dos responsáveis de uma entidade reguladora independente, a gravidade institucional é ainda maior e faz ainda pensar: afinal, o que "regula" alguém que não sabe regular os seus direitos?
A ERC não é um organismo administrativo qualquer. A sua autoridade assenta precisamente na credibilidade, na independência, no rigor e na confiança que os cidadãos depositam na sua atuação. Um regulador existe para exigir cumprimento de regras, para fiscalizar comportamentos e para afirmar padrões de exigência institucional. Por essa razão, os seus dirigentes estão obrigados a um nível de escrutínio superior ao exigido ao cidadão comum.
Quando um regulador é suspeito de não respeitar princípios elementares de separação entre recursos públicos e atividades privadas, o problema deixa de ser apenas individual. Torna-se institucional. Cada suspeita não esclarecida, cada privilégio tolerado e cada responsabilidade diluída contribuem para a erosão da confiança dos cidadãos nas próprias instituições democráticas. E é precisamente por isso que existe o direito a ser demitido.
Em Portugal, parece ter-se instalado a ideia de que a demissão de um titular de cargo público constitui uma espécie de condenação antecipada ou uma injustiça pessoal. Não é. A demissão política ou institucional existe porque determinados cargos exigem padrões de comportamento superiores ao mínimo legal. A confiança pública é um património extremamente frágil e, quando é colocada em causa por indícios sérios e credíveis, a responsabilidade política e institucional não pode simplesmente ser ignorada.
Se as alegações que envolvem o vice-presidente da ERC se revelarem fundadas, a questão deixará de ser apenas jurídica. Tornar-se-á uma questão de confiança pública e de exemplaridade institucional. E numa democracia madura, a confiança perdida não se recompõe através de explicações formais nem de interpretações criativas dos regulamentos. Recompõe-se através da responsabilização.
Porque os cargos públicos conferem autoridade, mas também impõem deveres acrescidos. E entre esses deveres existe um dos mais difíceis de aceitar por quem exerce poder: o dever de sair quando a dignidade da função assim o exige. O abuso não pode ser normalizado, a corrupção ética não pode ser relativizada e ninguém, absolutamente ninguém, deve considerar-se acima do direito a ser demitido.