Rádio Freamunde

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domingo, 5 de julho de 2026

Porque é que milhões se unem no funeral do Líder Supremo do Irão — e porque é que o Ocidente entra em pânico?

Olhem para as enormes multidões em Teerão neste momento. Milhões de pessoas marcham juntas, demonstrando uma verdadeira unidade após a morte do seu líder. Será apenas um funeral?
Não. É o Irão a mostrar que é um verdadeiro Estado-civilização.
Uma história profunda, uma fé sólida, famílias coesas e orgulho nacional — são estas as coisas que os mantêm unidos, independentemente do que o mundo exterior lhes imponha.
Porque é que o Ocidente teme tanto isto?
Porque o Irão constitui uma rejeição viva do projeto globalista.
Segundo esta perspetiva, os globalistas procuram destruir tudo o que é sólido: fronteiras abertas que apagam os países, famílias desagregadas, religião ridicularizada, Estados-nação enfraquecidos e ideias confusas sobre o género e a verdade.
Alegadamente, promovem tudo isto para controlar mais facilmente as pessoas.
Mas o Irão diz que não.
Apesar dos ataques e das sanções, o povo mantém-se unido e resiliente.
Este funeral não representa apenas tristeza — representa também uma demonstração de força. Milhões de pessoas movendo-se como um só corpo. Mostra ao mundo que civilizações verdadeiras, construídas sobre raízes e convicções, não se quebram.
Segundo esta visão, os globalistas receiam este tipo de força porque não a conseguem comprar nem destruir. O Irão mantém-se firme.
Ao lado dela, o projeto globalista parece frágil.
Quem vence no fim?

Não aqueles que procuram destruir tudo.

Miguel Brites Correia 

Entre a Guerra e a Paz – Com o Major-General Carlos Branco:

 (Major-General Carlos Branco, in Youtube, 04/07/2026)


No momento em que a Ucrânia se aproxima da debacle após a queda de Kostyantynivka e do desmoronamento da sua linha de fortificações, Zelensky e o Ocidente continuam em estado de negação. Vi há pouco na CNN dois aldrabões encartados, o Serronha e o pseudo jornalista, Rolando Santos, a jurarem a pés juntos que a Rússia está quase de joelhos!! A vergonha está tão cara, o preço está pela hora da morte, que as duas alimárias – mesmo com as avenças chorudas da CNN/CIA -, não a conseguem comprar e, por isso, vergonha na cara não tem nenhuma.

A verdade sobre a queda de Kostyantynivka e das suas implicações pode ser vista na intervenção de ontem, 04-07, do Major-general Agostinho Costa, que pode ser vista aqui, “uma prenda de Putin para Trump que é do tamanho de Évora”, diz o Major-general.

E num registo mais alargado, análise estratégica do conflito, fica também outro contributo honesto e sabedor do Major-general Carlos Branco entrevistado pelo jornalista Miguel Szymanski, no seu podcast Guerra e Paz.

Estátua de Sal, 05/07/2026


Inicio das Sebastianas 2026:

A cidade deu início a mais uma edição das Sebastianas com a inauguração da iluminação e uma noite de animação que levou centenas de pessoas ao centro de Freamunde. O concerto de Filipe Karlsson marcou o primeiro grande espetáculo da programação, numa abertura que assinalou o início de vários dias de celebração.

Novum Canal 

Futebol, a nova religião do Estado português:

Há países com sistemas desportivos sólidos, dados públicos, avaliação independente, relatórios anuais, metas verificáveis e políticas sustentadas. Depois há Portugal, que, não tendo propriamente a melhor organização desportiva da União Europeia, compensa essa modéstia estrutural com uma extraordinária capacidade de representação institucional em grandes acontecimentos internacionais.

No plano dos indicadores, aparece no fundo da tabela. No plano das fotografias oficiais, aparece quase sempre na primeira fila.
É uma curiosa forma de desenvolvimento desportivo: quando os resultados comparativos são fracos, reforça-se a comitiva; quando faltam dados, aumenta-se a cerimónia; quando não há avaliação, multiplicam-se declarações; quando o sistema não produz evidência, produz enquadramento fotográfico. O país pode não ter o melhor desporto da União Europeia, mas tem uma notável vocação para transformar cada jogo da seleção nacional numa procissão política da nomenclatura nacional.
Num Mundial sob os olhares do mundo, seria de esperar alguma contenção institucional. Mas Portugal conseguiu distinguir-se: Presidente da República, Presidente da Assembleia da República Primeiro-Ministro e figuras adjacentes sem conta deslocaram-se aos Estados Unidos para acompanhar a seleção nacional. Da União Europeia, Portugal surge, pelo menos no levantamento público disponível, como caso singular. Não por liderar os indicadores de desenvolvimento, não por apresentar uma governação exemplar, nem por revelar especial competência na governação desportiva, mas por conseguir pôr a política em lugar destacado junto do espetáculo futebolístico.
O futebol tornou-se, assim, a nova religião do Estado português. Tem altares televisivos, liturgias patrióticas, procissões oficiais, hinos, cachecóis, fotografias de comunhão nacional e peregrinações institucionais ao estrangeiro. A diferença é que, neste culto, os fiéis pagam impostos e os celebrantes viajam em representação pública.
É uma ironia difícil de ignorar. O país que, no quadro comparativo do Nível Desportivo, aparece no último lugar da União Europeia, comporta-se como se estivesse na pole position da governação desportiva. Somos fracos nos indicadores, mas fortíssimos no protocolo. Não lideramos na Base, na Elite ou no Rendimento, mas lideramos facilmente na capacidade de transformar o futebol num cenário de legitimação político-religiosa. Quando faltam resultados, exige-se fé. Quando faltam dados, celebra-se a crença.
O problema não está em os responsáveis políticos apoiarem a seleção nacional. Isso é normal e legítimo quando feito com sobriedade, critério e sentido de Estado. O problema começa quando esse apoio se transforma em encenação, quando a presença política procura boleia emocional no sucesso dos atletas e quando a pergunta essencial fica sem resposta: qual é o interesse público concreto destas deslocações, quanto custam, quem as paga, que utilidade têm e que prestação de contas é feita aos cidadãos?
Há aqui uma contradição de fundo. O mesmo Estado que não consegue apresentar dados públicos consolidados sobre programas como o UAARE, que não publica relatórios de impacto, que não mostra claramente quem beneficia dos apoios e que não avalia com rigor o retorno educativo, social e competitivo dos programas, revela uma rapidez notável quando se trata de aparecer junto da seleção nacional. Para avaliar, demora. Para publicar dados, hesita. Para prestar contas, complica. Para ir ao Mundial, organiza-se e veste, por conta própria, a camisola amarela.
A política desportiva em Portugal parece sofrer de uma doença antiga: falta-lhe ginásio estratégico, mas sobra-lhe camarote institucional. Falta-lhe treino de longo prazo, mas não lhe falta condição física para os grandes eventos. Falta-lhe avaliação, mas não lhe falta pose. Confunde presença com política, fotografia com estratégia e apoio simbólico com desenvolvimento desportivo.
Podemos sorrir perante a imagem de um país que, estando em último lugar nos indicadores, entra no Mundial com aparato de campeão administrativo. Podemos brincar dizendo que Portugal talvez não tenha o melhor desporto da União Europeia, mas tem uma invejável seleção de acompanhantes oficiais. Podemos até admitir que, se houvesse uma competição internacional de presença protocolar, talvez aí estivéssemos finalmente no pódio.
Mas a questão é séria. O verdadeiro patriotismo desportivo não está em aparecer na tribuna quando a seleção joga. Está em construir, durante anos, as condições para que mais portugueses pratiquem, mais jovens tenham oportunidades, mais talentos sejam descobertos, mais atletas cheguem à excelência e mais resultados sejam produzidos com transparência e responsabilidade.
Portugal não precisa de menos apoio à seleção. Precisa é de mais vergonha estatística. Precisa de olhar para os seus indicadores, perceber a dimensão do atraso e substituir a retórica pelo trabalho competente. Porque o desporto não se desenvolve com bandeiras nas bancadas, discursos emocionados e fotografias de ocasião. Desenvolve-se com método, conhecimento, investimento bem orientado, avaliação pública e responsabilidade política.
Enquanto isso não acontecer, o país continuará a viver esta pequena comédia institucional: último nos indicadores, primeiro nas tribunas; fraco na política pública, forte na pose; pobre na avaliação, rico em representação.

Dominguice:

Ventura disse que o Estado não devia pagar qualquer indemnização a Sócrates, mesmo que ela transitasse em julgado depois de correr todas as instâncias judiciais. E trazia dois argumentos, este o primeiro: “Há momentos em que a justiça deve estar acima da lei”. O segundo argumento consistiu nisto: “[Se for paga alguma indemnização a Sócrates] o Estado estará a assumir que a corrupção é um método legítimo de governação em Portugal”. Tudo somado e dividido, Ventura colocou-se não só como um potencial governante que se considera acima da lei, como juntou a esse estatuto o poder de decidir por si e sem julgamento se um qualquer cidadão é culpado de um qualquer crime. O Estado passa a ser ele, foi o que anunciou. Mas isto não é a notícia.

A notícia é que depois, da SIC à TSF, passando por outros órgãos da “imprensa de referência”, surgiram réplicas dos mesmos argumentos. Dos mesmos. E porquê? Porque Ventura não é uma aberração – é uma continuação, uma síntese, do que a direita decadente começou a fazer em Portugal a partir de 2004.

por Valupi

Do blogue Aspirina B

sábado, 4 de julho de 2026

UMA REFLEXÃO:

Enquanto, na Europa, se discutem novos compromissos militares, percentagens do PIB para a NATO e estratégias para enfrentar um mundo cada vez mais instável, noutro ponto do planeta milhões de pessoas acompanham, em profundo recolhimento, as exéquias de um dos mais importantes líderes religiosos do mundo islâmico, morto num ataque atribuído a Israel, no contexto do conflito regional e do apoio estratégico dos Estados Unidos.
São imagens que pertencem ao mesmo tempo histórico, mas parecem revelar duas formas muito diferentes de compreender o mundo e talvez seja precisamente aí que resida uma das grandes questões do nosso tempo.
Ao longo das últimas décadas, o Ocidente habituou-se a medir o progresso pelo desenvolvimento tecnológico, pelo crescimento económico, pela liberdade individual e pela capacidade de inovar. Tudo isso representa conquistas inegáveis da civilização moderna. No entanto, talvez se tenha criado a convicção de que a modernidade implicaria, inevitavelmente, um afastamento das grandes referências espirituais e simbólicas que, durante séculos, ajudaram a construir a identidade das sociedades.
Em muitas regiões do mundo islâmico, porém, observa-se um percurso diferente. A tecnologia foi acolhida. A ciência evoluiu. As universidades multiplicaram-se. As comunicações tornaram-se globais. Mas a religião permaneceu como elemento estruturante da vida coletiva. Ela continua presente na linguagem, na forma de vestir, nos rituais, nas relações familiares e na consciência de pertença a uma comunidade que ultrapassa o indivíduo.
Naturalmente, não existe um único Islão. A Indonésia não é o Irão. Marrocos não é a Arábia Saudita. A Turquia tem uma história própria de aproximação ao modelo europeu, enquanto outros países seguiram caminhos distintos. Ainda assim, permanece um traço comum: a religião continua, para muitos milhões de pessoas, a constituir um dos pilares visíveis da identidade coletiva.
Em contraste, grande parte da Europa percorreu um caminho diferente. A religião deixou de ocupar um lugar central na vida pública. Muitos dos símbolos que durante séculos marcaram o espaço europeu passaram a ser considerados meramente culturais, quando não incómodos. O indivíduo ganhou uma liberdade nunca antes conhecida, mas essa liberdade parece, por vezes, caminhar ao lado de uma dificuldade crescente em responder a uma pergunta simples: afinal, o que nos une enquanto comunidade?
Talvez esta seja uma das razões pelas quais muitos europeus observam outras civilizações com alguma perplexidade. Vêem multidões unidas por uma mesma fé, por símbolos comuns, por um sentimento coletivo de pertença, e interpretam frequentemente essas manifestações apenas como sinais de atraso ou de conservadorismo. Mas será essa leitura suficiente? Será possível compreender uma civilização ignorando aquilo que lhe dá sentido interior?
A História mostra que nenhuma sociedade vive apenas da economia, da tecnologia ou do poder militar. Todas necessitam de referências que lhes permitam reconhecer-se, transmitir valores entre gerações e encontrar motivos para enfrentar as dificuldades. Essas referências podem assumir formas religiosas, culturais, filosóficas ou nacionais, mas dificilmente uma civilização subsiste durante muito tempo se perder completamente a consciência daquilo que a distingue.
Talvez seja esta a interrogação que o Ocidente deveria colocar a si próprio. Não tanto saber se as outras civilizações estão certas ou erradas, nem procurar impor-lhes os seus modelos de vida, mas perguntar se continua a reconhecer os fundamentos da sua própria identidade.
Porque uma civilização raramente desaparece apenas por derrota militar ou por pobreza económica. Muitas vezes começa por enfraquecer quando deixa de acreditar naquilo que a fez existir.
Não é uma questão de regressar ao passado, nem de medir a fé dos povos. É, antes, uma reflexão sobre a necessidade de cada sociedade conservar uma consciência de si própria, dos seus valores, da sua memória e dos símbolos que lhe dão continuidade e, ao mesmo tempo, aprender a aceitar a dos outros, sem criticas e exageros.
Num mundo que caminha para uma ordem cada vez mais multipolar, talvez a maior força de uma civilização não resida apenas na riqueza que produz, nas armas que possui ou na tecnologia que domina. Talvez resida, sobretudo, na capacidade de continuar a saber quem é.

João Gomes

Ventos Semeados: Fernando Bart Simpson Alexandre

Ventos Semeados: Fernando Bart Simpson Alexandre:   A verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima. Fernando Alexandre, que durante meses circulou com a reputação de um dos ministros ...