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terça-feira, 28 de julho de 2026

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Acredito:

Seguro teve “profícua troca de ideias” com Cavaco ao almoço em Belém

por Valupi

Do blogue Aspirina B

O combustível da hipocrisia:

(João Ferreira, in Facebook, 26/07/2026, Revisão da Estátua)

Há um curioso fenómeno em tempos de guerra: nem sempre os factos são tão importantes como a narrativa. Senão vejamos.

A Federação Russa era um grande exportador de combustíveis refinados. Após sofrer ataques às suas refinarias, viu naturalmente a sua capacidade de refinação diminuir. Continua, no entanto, a exportar petróleo e gás, embora tenha reduzido significativamente o fornecimento aos países da UE que independentemente das sanções e ao contrário das narrativas continuaram a comprar gás e combustível pesado.

As refinarias danificadas vão sendo recuperadas, mas ninguém espera que um sistema industrial desta dimensão funcione sem perturbações.

Perante esta realidade, o governo da Federação Russa tomou uma decisão discutível, mas clara: manteve os preços internos dos combustíveis praticamente inalterados para proteger a sua economia e a sua população. Em contrapartida, introduziu medidas de racionamento. Em muitas zonas, cada abastecimento fica limitado a 30 litros por dia e, em algumas cidades com forte indústria militar, até existe um sistema alternado por matrícula, pares num dia, ímpares no outro.

Mas, quem pretender ultrapassar esse limite pode fazê-lo, no entanto paga um preço cerca de 50% superior. Como em qualquer sistema, há quem tente contornar as regras, regressando à fila para efetuar um novo abastecimento, para evitar o custo adicional.

Até aqui, tudo isto serve de motivo para manchetes triunfalistas nos meios de comunicação dos países da UE. “A Rússia já importa combustíveis”!, anunciam eles, como se isso, por si só, fosse a prova definitiva do seu colapso. Sim, importa para cumprir contratos de exportação, mas isto talvez seja complicado explicar a alguém que pertence sem saber ao exército zombie. Mas há um pequeno detalhe que parece escapar a esse entusiasmo.

Os EUA, que criaram, incentivam e apoiam o esforço militar contra a Federação Russa, encontram-se simultaneamente envolvidos noutros conflitos e, como consequência, viram os combustíveis aumentar cerca de 60% para toda a população. Não existe qualquer racionamento; simplesmente, todos pagam muito mais.

Já os países da UE, tão rápidos a celebrar as dificuldades alheias, aumentaram também o preço dos combustíveis em mais de 35%, igualmente para toda a população.

É aqui que a ironia começa.

Os comentadores dos países da UE riem-se porque a Federação Russa teve de recorrer a importações temporárias de combustível refinado. Mas esquecem-se de referir que, apesar dessa necessidade, o governo da Federação Russa optou por absorver grande parte do impacto económico, mantendo o preço interno relativamente estável e transferindo o sacrifício para um sistema de limitação de consumo.

Enquanto isso, nos países da UE e nos EUA, a solução foi muito mais simples: deixar que seja cada cidadão a pagar a fatura, sempre que encosta a mangueira ao depósito.

A pergunta torna-se, portanto, inevitável. Quem está realmente a sacrificar mais a sua população? O país onde se pode abastecer menos litros, mas pagando praticamente o mesmo preço? Ou os países onde se pode abastecer à vontade… desde que a carteira aguente aumentos de 35% ou de 70%?

A propaganda tem destas coisas. Consegue transformar um problema logístico num espetáculo mediático, enquanto trata como irrelevante um aumento generalizado do custo de vida dos seus povos e da sua economia.

No fim, talvez a questão não seja quem importa combustível. Talvez seja quem exporta mais hipocrisia. Porque importar combustível pode ser uma consequência temporária da guerra. Importar coerência parece ser muito mais difícil.

Peço desculpa ao exército zombie, por dizer verdades duras e que podem acordar, pois tenho acesso a muitas pessoas na Federação Russa e na Ucrânia e ando atento aos hipnotizadores da Igreja Universal do Reino dos Merdia com o seu método costumeiro, inspirado em Joseph Goebbels.

Do blogue Estátua de Sal 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

UM JEITO MANSO: O PS desbaratou a maioria absoluta? Então a comuni...

UM JEITO MANSO: O PS desbaratou a maioria absoluta? Então a comuni...:   Num dos comentários ao texto de ontem, que agradeço, foi referido que "o PS desbaratou a maioria absoluta", tese que também é fr...

Os avençados de Israel:

(Tiago Franco, in Facebook, 26/07/2026, Revisão da Estátua)

Por achar que já não tenho irritações que cheguem na vida, o algoritmo desta rede passa a vida a bombardear-me com influencers portugueses, de extrema-direita, pagos pelo estado de Israel para andarem por Gaza a repetir as narrativas que lhes são ditadas.

Vou deixar de lado esta coisa, muito do século XXI, da malta arranjar sustento a dizer banalidades e transmiti-las para uma geração onde, apesar da informação ao minuto, sobra ignorância. Quando vejo pessoal da minha idade, e mais velhos, a repetirem ideias destes gajos, vou perdendo um pouco a fé na Humanidade.

Não vou fazer publicidade a esta gente, são as novas Ferro Gouveia em potência e provavelmente vocês já os/as terão visto por aí. A gorducha da voz irritante, o anafado do táxi, a cruela da voz rouca e mais umas quantas azedas que por aqui andam.

Também não vou discutir o investimento que Israel faz em publicidade com influencers de vários países. Isso é do conhecimento público e nem aquele estado genocida o nega.

Até percebo que se tenha que meter comida na mesa e, trabalhar, é algo que a poucos apetece. Estou solidário nessa parte. Se pudesse andar a bater mundo e alguém me fosse pagando as contas, certamente chegaria mais depressa a alguns dos sonhos que me faltam concretizar.

Mas não há um limite, de decência vá, para o preço da nossa alma? Por mais ódio e frustração que a vida nos traga, por mais racistas e intolerantes que sejamos, por mais xenófobos, conservadores ou islamofóbicos, não há uma linha vermelha a partir do qual se diz: – “Tenho que arranjar outra forma de pagar as contas”?

Há algum ser humano com coluna que, vendo o que os colonos da Cisjordânia estão a fazer, consiga encontrar um ponto de vista que justifique aquele terror e a expulsão dos palestinianos?

Alguém, que não siga fanaticamente a vida por um qualquer livro religioso, a Bíblia, a Tora, o Corão ou outra merda qualquer, consegue encontrar uma justificação para as constantes chacinas em Gaza? Ainda se fala no 7 de Outubro como justificação? Os 70 000 (número onde parou a contagem) palestinianos mortos, maior parte deles mulheres e crianças, ainda não chegam para justificar o “direito de defesa” sobre a morte de 800 civis israelitas?

Quando vemos aquele inenarrável ministro de extrema-direita, Ben-Gvir, a entrar por Gaza a dentro, com uma horda de colonos, a gritar “quem diria, há três anos, que hoje estaríamos a controlar 70% da faixa de Gaza?”, ainda conseguimos procurar uma narrativa que justifique as atrocidades de Israel?

Quase dois milhões de pessoas, em Gaza, enfiadas num quintal, em condições desumanas e outros tantos na Cisjordânia, a sofrerem um processo de expulsão, patrocinado pelas IDF. E prestam-se estes influencers, um pouco por todo o mundo, a troco de umas viagens e uns trocos para ficarem em casa a fazer vídeos mais uns meses, a mentir para as suas comunidades, fazendo parte de uma tentativa, à escala global , de limpar a imagem de Israel.

Mas como? Sim, como meus amigos? Dá para apagar a morte de milhares de mulheres e crianças inocentes? Ou ainda estamos a vender a história de que cada pedra em Gaza era um terrorista do Hamas? Dá para apagar os vídeos diários de novos colonatos na Cisjordânia? Dá para apagar os vídeos do Ben-Gvir a celebrar a pena de morte para palestinianos?

Também já perdi um pouco a paciência para as discussões das perspetivas ou das opiniões. Não há duas visões em crimes tão óbvios e tão desproporcionais.

Quem, a troco de dinheiro (ou não), se presta ao papel de tentar justificar um estado genocida, está exatamente a entrar no papel de colaboracionista, mas sem aquela desculpa clássica e histórica de quem luta pela sobrevivência. São, no fundo e apenas, uns filhos da pu*a.

Do blogue Estátua de Sal