Vitor Machado
Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
SOB SUSPEITA GRAVE:
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Rute Sousa: selectivamente pró-vida?

Segundo Rute Sousa, uma mulher “conservadora” que considera que a comunicação social está tomada pela esquerda e pelo progressismo, algo que conjuga harmoniosamente com o facto de a SIC Notícias a ter vindo a promover activamente nas últimas semanas, uns dias como influenciadora, outros como especialista em comunicação, uma criança que seja violada pelo pai deve ser obrigada a ter o filho.
Vamos parar um minuto para pensar nisto.
Uma criança, que nem à adolescência chegou, deve ser obrigada a carregar um feto fruto de uma violação do próprio pai. Como se a possibilidade de se ser violada pelo próprio pai não fosse, por si só, horrenda, Rute Sousa defende que a criança deve ser obrigada a dar à luz um filho que é simultaneamente seu irmão, e viver com isso o resto da vida.
Tudo em nome da ideologia que a Rute defende.
Rute garante que se trata de uma ideologia “pró-vida”. A mesma Rute que defende Israel com unhas e dentes, contribuindo, enquanto influencer ao serviço do regime israelita, para a normalização da matança de milhares de crianças em Gaza ou da brutalidade exercida por colonos terroristas contra as famílias da Cisjordânia.
Ou seja: abortar um feto é crime, mesmo que resulte da violação de uma criança pelo próprio pai. Já matar milhares de crianças palestinianas, usando, inclusive, a fome como arma, é, aparentemente, um meio que justifica um fim.
Totalmente legítimo.
Como é que pessoas como a Rute Sousa dormem à noite?
03/09/2026 by João Mendes
Do Blogue Aventar
O terrorismo visto da varanda do Império:
((Luís Rocha, in Facebook, 01/09/2026, Revisão da Estátua)

A propósito de uma organização que luta pela libertação da Palestina ter sido convidada para estar na Festa do Avante e da algazarra que isso provocou na imprensa, com os accionistas da extrema-direita a descobrirem subitamente os horrores do terrorismo, resolvi juntar estas letrinhas em forma de catarse. Não sou comunista, nunca fui nem julgo que alguma vez venha a ser, e muito menos o Partido Comunista Português me encomendou o sermão, mas há coisas que ultrapassam as ideologias e entram directamente no território do bom senso.
Do Blogue Estátua de Sal
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Drones, sanções e eleições:

As autoridades alemãs afirmam ter concluído que a Rússia é a entidade responsável pelo incidente, com base numa combinação de indicadores e informações de inteligência: a configuração do drone, os seus componentes, os explosivos e o sistema de detonação. Berlim não divulgou qualquer base de provas, publicamente disponível, que pudesse ser verificada de forma independente. É evidente que se trata de uma caracterização politicamente motivada de um “ataque híbrido” com um conjunto de consequências pré-determinado.
Mas surge uma questão incómoda: porque é que este conjunto de medidas está a surgir precisamente agora, quando o incidente já ocorreu quase há um mês atrás? Estranho, não?! Vejamos.
A Saxónia-Anhalt vai realizar eleições parlamentares regionais este domingo, 6 de setembro. De acordo com as sondagens, a AfD está em primeiro lugar, e a sua posição em relação à Rússia tem sido utilizada há algum tempo pelos seus opositores como prova da “falta de fiabilidade” do partido. A própria eleição será um teste, não só para os partidos locais, mas também para o rumo do governo de Merz.
Neste contexto, o caso Leipzig é demasiado oportuno para ser apenas um episódio de política externa para as autoridades. Uma acusação oficial contra Moscovo, poucos dias antes da eleição, permite ligar a AfD mais uma vez a uma agenda “pró-russa”, apresentar as suas exigências de negociação e moderação como uma ameaça à segurança nacional e transferir a disputa sobre a imigração, a economia e o descontentamento com o governo para o já conhecido tema da “defesa contra a Rússia”.
No entanto, este cálculo pode virar-se contra os seus patrocinadores. Se os eleitores virem os protestos diplomáticos como uma tentativa de explorar a ansiedade, para mobilizar a população interna, a AfD ganhará mais um argumento: o governo de Merz não está a reduzir os riscos, mas sim a intensificar o confronto.
Para uma parte significativa da Alemanha, a perspetiva de uma outra guerra com a Rússia não parece ser uma forma de proteção, mas antes mais um preço a pagar por decisões tomadas pelas elites, de cima para baixo, nas costas do povo.
Do blogue Estátua de Sal
UM JEITO MANSO: O Montenegro está nas mãos da improvável sociedade...
Ventos Semeados: O Iluminismo das Trevas - III - O novo absolutismo
SICários III:
A jornalista que entrevistou Manuela Moura Guedes a 2 de Setembro de 2025 (Ana Patrícia Carvalho? peço correcção se estiver enganado) é, em simultâneo, a pessoa menos e mais responsável pelo resultado final desse episódio. A menos, porque não foi ela a decidir do convite a MMG, talvez até não concordasse com a escolha (mas isso é aqui indiferente), e porque também não foi ela a decidir que o editorialismo pago por Balsemão seria há décadas uma cagada facciosa. A mais, porque foi ela que fez a entrevista, conduzindo a entrevistada e, o que aqui é crucial, decidindo como lidar com cada uma das declarações de MMG. Para além desta primeira dimensão profissional, a jornalista tentou também comunicar com a intimidade falante que se exibia em sofrimento à sua frente, procurando ir além da camada inerente a ser uma personalidade pública. Esse cuidado, que começa por parecer empático e bondoso, igualmente responsabiliza negativamente a jornalista por causa do resto que não assumiu. Finalmente, a jornalista é responsável por querer trabalhar para quem tem os critérios editoriais do Grupo IMPRESA. Isto, como dizia o outro, está tudo ligado.
Vejamos:
– A jornalista permitiu que MMG formulasse acusações factuais graves — como a de que Sócrates pressionou a administração da TVI para fazer cessar o Jornal Nacional de Sexta-feira — sem as submeter a qualquer escrutínio, sem confrontar a entrevistada com os factos processuais que contrariam essa narrativa.
– A jornalista, em vez de contextualizar ou questionar a solidez das afirmações de MMG, deixou-a proferir acusações sem provas (sobre magistrados, sobre o Supremo, sobre Sócrates) sem as confrontar com a ausência de qualquer decisão judicial que as sustente.
– O depoimento de MMG era manifestamente opinativo e emocional, baseado em percepções pessoais e em testemunhos indiretos não identificados. A jornalista não assinalou em momento algum que se tratava de alegações não verificadas e de uma narrativa subjetiva, dando-lhes o mesmo tratamento que se daria a factos apurados.
– A jornalista não interrompeu nem questionou MMG quando esta afirmou que Sócrates “utiliza todos os meios que a lei lhe faculta para ir protelando e atrasando o julgamento” e que “não quer ser julgado” — juízos que antecipam uma culpa e que invertem o sentido da presunção de inocência, fazendo do exercício legítimo de defesa um indício de culpabilidade. A jornalista deveria ter recordado que o arguido tem o direito de se defender e de usar os meios processuais ao seu alcance, sem que isso possa ser interpretado como prova de culpa.
– A jornalista não exigiu a MMG que identificasse a fonte da afirmação mais grave que fez — a de que Sócrates pressionou a TVI/PRISA. MMG refere-se a “um administrador que fazia parte, um administrador português”, sem nome, sem cargo, sem data, sem contexto. A jornalista não questionou a credibilidade, a identidade ou a existência dessa fonte, aceitando passivamente um testemunho indireto e anónimo como base para uma acusação pública gravíssima.
– A jornalista permitiu que MMG classificasse Sócrates como “psicopata”, “maluco”, “uma pessoa que tem problemas psiquiátricos” — diagnósticos clínicos sem qualquer suporte, proferidos com o claro intuito de humilhar e desqualificar.
– A jornalista sabia, ou devia saber, que MMG tinha um historial de sofrimento emocional associado a este tema — tanto mais que MMG o confessou durante a própria entrevista: “Sofri muito. E se continuar a falar sobre isto, sou capaz de começar a correr uma lágrima, porque é uma coisa que eu não consigo ultrapassar.” Em vez de proteger a entrevistada — desviando o tema, oferecendo uma pausa, ou mesmo interrompendo a entrevista —, a jornalista insistiu, perguntando “Tem um trauma com José Sócrates?” e “E mais. Deve ter muita coisa para lhe perguntar.” Transformou uma fragilidade mental evidente em espetáculo mediático, violando o dever de atender às condições de autocontrolo e dignidade da pessoa envolvida.
– A jornalista não assumiu, em momento algum, a responsabilidade pela desinformação que a entrevista veiculou — nomeadamente a de que “a decisão já estava tomada, de antemão, pelo Supremo” ou a de que “Pinto Monteiro e Cândida Almeida tentaram tudo para travar” investigações sobre Sócrates. Não introduziu qualquer nota de contexto que assinalasse que estas são alegações não provadas. Ao não o fazer, a jornalista tornou-se cúmplice da difusão de informação falsa e não promoveu a retificação que o código deontológico impõe.
– A entrevista serviu um propósito claro: reeditar, em vésperas do reinício do julgamento da Operação Marquês, uma narrativa que há 16 anos MMG veicula contra Sócrates. A jornalista não exerceu qualquer distanciamento crítico em relação a essa narrativa, limitando-se a funcionar como altifalante das acusações da entrevistada. Esse alinhamento acrítico compromete a independência da jornalista e a integridade profissional do meio de comunicação, que deveria ter tratado o assunto com o distanciamento e a verificação que o código deontológico exige.
O que está acima é mera aplicação do Código Deontológico do Jornalista, suportado e enquadrado pelo Estatuto do Jornalista. Se alguém tiver chegado à leitura desta parte do texto e soltar um “Mas coisas dessas estão sempre a acontecer na televisão, pá!”, a resposta é “Pois estão, mano, precisamente!”. O que já não se vê com frequência, se é que alguma vez se viu, foi a reacção da jornalista face à violência insana que MMG despejava. Em dois momentos, tentou que MMG humanizasse Sócrates, reconhecendo nele “resiliência”, primeiro, e depois dizendo-o “sozinho” e “vítima dos prazos”, o que só atiçou ainda mais o ódio na entrevistada. Este apelo genuíno da jornalista à sanidade e mera decência de quem estava à sua frente acaba por ser mais uma mancha deontológica — não pelo falhanço na sua eficácia, mas por ser um recurso emocional desesperado numa situação que pedia coragem implacável. A coragem de recusar ser cúmplice em mais um linchamento de um seu concidadão chamado José Sócrates.
Claro, esperar essa galhardia profissional de quem começa a entrevista a dizer que o esgoto a céu aberto do Jornal de Sexta-Feira de MMG foi o que permitiu o triunfo de se ter o bandido a ser julgado em tribunal não é possível sequer a meio neurónio. Os 10 euros que tenho no bolso em como ela, e todos os colegas de redacção da SIC, especialmente os directores do Grupo, jantaram e dormiram muita bem nessa noite.
Do blogue Aspirina B
