Rádio Freamunde

https://radiofreamunde.pt/

sábado, 31 de outubro de 2026

O Pentágono põe fim à farra: belicistas europeus recebem ordem para ficar calados!

 (BPartisans, In Verdade e Factos, in Facebook, 30/10/2026, Revisão da Estátua)

Alguém precisava, finalmente, de lembrar aos estrategas de gabinete da Europa que uma guerra contra uma potência nuclear não se trava com declarações grandiloquentes, conferências de imprensa e posturas heroicas atrás de um púlpito.

Segundo a Reuters (Press em 30-10-2026), o Pentágono pediu discretamente a vários aliados da NATO — especialmente aos três Estados bálticos — que moderem as suas provocações verbais contra Moscovo. Tradução diplomática: podem continuar a brincar aos “Churchills de segunda categoria“, mas evitem desencadear uma catástrofe que nós teremos de resolver por vocês.

A ironia é deliciosa. Durante anos, certos líderes europeus competiram em arrogância ao anunciar o colapso iminente da Rússia. Putin estaria encurralado, o seu exército esgotado, a sua economia a dar os últimos suspiros. Pelo que diziam, Moscovo deveria render-se antes da próxima cimeira europeia.

E, no entanto, cinco anos após o início da invasão, a guerra continua. A Rússia não capitulou, e a Ucrânia ainda depende massivamente da ajuda ocidental. É evidente que os comunicados de imprensa triunfalistas de Bruxelas ainda não são reconhecidos como armas de destruição maciça.

O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, chegou a comparar Putin a um rato encurralado. Uma “delicadeza” diplomática que certamente não caiu nada bem a Washington.

Elbridge Colby, um alto funcionário do Pentágono, reiterou, por isso, o óbvio: provocar Moscovo desnecessariamente não aumenta a segurança europeia. Sobretudo quando se depende das forças armadas dos EUA para garantir a própria defesa.

É este todo o esplendor da coragem geopolítica europeia: muito barulho, um cacete minúsculo e o número do Pentágono na marcação rápida.

Enquanto Trump procura retomar as negociações, alguns europeus parecem encarar qualquer possibilidade de compromisso como um ataque insuportável à sua vocação histórica: dar lições de bravura usando o sangue alheio.

O aspecto mais grotesco continua a ser esta contradição constante. A Rússia estaria, supostamente, à beira do colapso, mas, ao mesmo tempo, seria suficientemente formidável para justificar uma militarização acelerada de todo o continente. Um adversário moribundo que, ainda assim, exigiria centenas de milhares de milhões a mais. É preciso ter muita coragem para dizer algo deste género. Vale a pena referir que as ameaças e operações encobertas atribuídas a Moscovo não são, por definição, imaginárias. Contudo, reconhecer um perigo não significa transformar qualquer microfone num detonador diplomático.

Tanto mais que Washington pondera reduzir a sua presença militar na Europa. Os europeus talvez descubram, em breve, um conceito revolucionário: arcar com as consequências das suas próprias palavras.

O Pentágono acaba de reafirmar uma regra básica: quando faltam tanto os meios para sustentar a sua política como o controlo sobre a escalada de tensões, é melhor não confundir diplomacia com uma disputa de latidos.

Em Bruxelas, isto pode desencadear uma verdadeira crise existencial: pela primeira vez, exige-se menos bravata e mais responsabilidade.

Do Blogue Estátua de Sal

Ventos Semeados: O capital que já não pesa

Ventos Semeados: O capital que já não pesa:   Algum tempo atrás, discutindo com alguém próximo sobre a pertinência ou não das teses de Marx e de Engels, vi-me perante quem defendia ela...

Jornalismo jornalismo:

INEM atrasou socorro a manifestantes por “falta de segurança”

por Valupi

Do Blogue Aspirina B 

Da série: os cromos – o Coronel José Carmo, um cromo cinzento:

 (Carlos Esperança, in Facebook, 29/10/2026)

Apresentado pela CNN como Especialista Militar tem-se revelado um génio a debitar inanidades sobre guerras em curso, onde revela estados de alma e desejos pessoais.

A título de exemplo, da profundidade filosófica do seu pensamento, refiro apenas o que disse sobre as violentas manifestações de protesto, em França: «No fundo, aquela ideia adolescente de que quando queremos alguma coisa basta berrar e fazer birra». Só um sábio é capaz de tão eloquente síntese na análise política e sociológica a berros e birras.

Escreve no Observador e é assíduo na CNN. Ontem, quando analisava a fuga de Flávio Bolsonaro e se esperava do garboso militar dos Comandos uma censura à covardia do fugitivo, disse: «Eu, se fosse o Bolsonaro, também fugia».

Não foi um militar que falou, foi o filósofo da escola «antes covarde vivo do que herói morto». E quando se esperava a justificação para a fuga, abandonando o pai, que queria libertar da prisão para lhe impor a Faixa Presidencial, e 59 milhões de eleitores, deixou estupefactos os outros membros do painel. Não vislumbraram o fulgor do génio. Via-se na jornalista e nos outros dois membros de painel a estupefação a aumentar à medida que Carmo falava com a convicção dos ungidos e a certeza da fé.

Consternado, asseverou que não foram convincentes as eleições, o adiamento de duas horas foi suspeito, e o ar de sofrimento mostrava a desolação com a vitória de Lula.

Havia tal desprezo por quem aceitasse a vitória de Lula que um membro do painel teve a necessidade de se justificar, e o conclave de analistas terminou com a informação dos números, mais 4.205.536 votos a favor de Lula e menos de 35 mil votos expressos nas duas horas de prolongamento eleitoral, pedido por ambos os candidatos.

Hoje, o coronel Carmo deve estar mais conformado. Flávio Bolsonaro tem cancelados os passaportes do Brasil e o diplomático, mas tem o italiano válido. Espera na Flórida o visto dos EUA, talvez o visto de génio, à semelhança do irmão Eduardo, a quem foram reconhecidas as «habilidades extraordinárias» que o justificam, e que foi do Texas para receber na Flórida o irmão, a cunhada e as duas sobrinhas.

O lampejo do génio, habilidades extraordinárias, é a imagem de marca dos Bolsonaro, qualidade reconhecida por Trump e certamente pelo coronel José Carmo.

Se o próximo ato eleitoral nos EUA for, como previsto, adverso às aventuras demenciais de Trump, talvez os Bolsonaro sejam enviados à procedência e o coronel Carmo tenha então um chilique heroico.

Do Blogue Estátua de Sal 

Anatomia de uma seita - parte II:

Publiquei ontem uma crónica com mentiras do líder da seita. Não as minhas opiniões, não ironias de difícil descodificação: mentiras, com data, citação. Onde o líder disse A e os factos disseram B, escrevi A e B, um ao lado do outro, com a clareza pedagógica de um exercício da primeira classe.

Esperei um adversário, alguém que quisesse debater ou discutir ideias. Apareceu um rebanho, neste caso foi mais uma manada que um rebanho.
Vieram por turnos, como numa eucaristia, e nenhum desmentiu um único facto nem nenhum fingiu sequer ter lido o texto, o que aqui entre nós ao menos revela uma honestidade involuntária quase comovente. Apareceram com duas munições: o insulto e o slogan. O insulto vinha numa ortografia que faria um corrector automático pedir a demissão ou apresentar erro de sistema, e no que dependia da delicadeza não haveria sabao azul suficiente para lavarem a boca. O slogan vinha em maiúsculas, porque quem não domina a vírgula compensa com o volume.
Contei quarenta e sete comentários. Ideias ou tentativas de debate, encontrei poucas e todas emprestadas. Verbos bem conjugados, três, e por acidente, creio. Havia ainda uma frase que começava com sujeito, acabava com sujeito e no meio não tinha nada, uma sanduíche de ar.
Cheguei a preocupar-me com o fascismo, a xenofobia, o racismo, a homofobia. Durou pouco tempo, percebi que, afinal, o que verdadeiramente me preocupava era a ignorância, o analfabetismo, e sem melhor palavra para tal e sem querer ofender o quadrúpede, a burrice. O fascismo tem história, doutrina e, nos melhores dias, vocabulário; é uma doença antiga e conhecida, e como tal trata-se.
O que me tira o sono é outra coisa. A ignorância deixou de ter vergonha.
Antigamente o bronco inculto calava-se, e era um serviço público. Hoje ostenta a burrice como medalha, pede aplauso e organiza convívios. Orgulha-se de não ler, de não ter o conhecimento, de não escrever, e faz da falta de educação uma identidade, com bandeira, hino e grupo de WhatsApp onde os mesmo erros ortográficos circulam e ninguém o corrige.
Há nisto uma lógica perfeita. Para perceber que foi aldrabado, o adepto teria de ler, compreender e sentir vergonha, três exercícios de que a seita dispensa logo na inscrição. Um adepto que lê perde-se; um adepto que zurra fica garantido. O líder agradece. Um eleitorado que não confere factos é o sonho de qualquer mentiroso compulsivo: nunca se queixa da oferta, não pede o livro de reclamações e ainda faz publicidade gratuita, com os erros de concordância incluídos sem custos adicionais.
Aos meus comentadores, um sincero obrigado. Provaram a minha tese melhor do que eu próprio teria conseguido, além disso, o algoritmo agradece a vossa participação para a difusão das minhas crónicas. Se algum dia aprenderem a escrever uma frase com sujeito, verbo e um fio de ideia, voltem cá, que respondo com gosto. Até lá, continuem a zurrar: nesse idioma, ao menos, não há erros de ortografia

Anatomia de uma seita - parte I:

A anatomia de uma seita baseia-se na manipulação psicológica, no isolamento social e no controlo total sobre o indivíduo. Ao contrário do que se pensa, as seitas não atraem apenas pessoas "fracas" ou "ingénuas"; elas utilizam táticas sofisticadas que exploram vulnerabilidades humanas universais, como o desejo de pertença, de propósito e de respostas para momentos de crise.
Nesta Parte I, analisamos os três pilares fundamentais que sustentam a fundação e a estrutura inicial de uma seita:
1. O Líder Carismático e Infalível
O núcleo de qualquer seita é o seu líder. Este indivíduo apresenta-se não apenas como um guia, mas como o detentor de uma verdade única ou de uma ligação divina.
  • Messianismo: O líder afirma ter recebido uma revelação especial, uma missão para salvar o mundo ou um conhecimento secreto que mais ninguém possui.
  • Inquestionabilidade: As suas decisões, comportamentos e ordens não podem ser contestados. Qualquer erro da seita é atribuído aos seguidores, nunca ao líder.
  • Culto de personalidade: O foco do grupo muda gradualmente das ideias ou crenças originais para a adoração e obediência cega à figura do líder.
2. O Processo de Recrutamento ("Love Bombing")
As seitas raramente mostram a sua verdadeira face logo no início. O processo de captação baseia-se num acolhimento artificialmente intenso.
  • Bombardeio de Amor (Love Bombing): O novo membro é inundado de elogios, afeto, atenção e validação. Isto cria uma sensação imediata de conexão profunda e de ter encontrado a "família perfeita".
  • Exploração de vulnerabilidades: Os recrutadores procuram pessoas em fases de transição ou crise (luto, divórcio, mudança de cidade, desemprego) que estejam mais recetivas a promessas de apoio e reinvenção.
  • Falsa transparência: Inicialmente, a seita apresenta-se como um grupo de meditação, um curso de desenvolvimento pessoal, uma ONG humanitária ou um clube de negócios, ocultando a sua real agenda.
3. O Isolamento Gradual
Para que o controlo seja eficaz, a seita precisa de cortar as âncoras que ligam o indivíduo à sua realidade anterior.
  • Isolamento social: O grupo começa a desencorajar o contacto com amigos e familiares que não partilham das mesmas ideias, classificando-os como "tóxicos", "não evoluídos" ou "ameaças".
  • Isolamento geográfico ou comunitário: Em casos mais avançados, incentiva-se a mudança para comunidades fechadas, quintas isoladas ou a partilha de casa exclusivamente com outros membros.
  • Corte de fontes de informação: O acesso a notícias externas, internet ou livros que critiquem o grupo é severamente restringido, criando uma bolha eco onde apenas a voz da seita é ouvida.
A Crónica que Veio do Frio  

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

COMUNICADO DE VASCO LOURENÇO:

O que se vem passando com as manifestações pelo direito à habitação e a repressão exercida pelas forças policiais leva-me a assumir uma posição pública.
A autoridade do Estado não se afirma através da repressão injustificada. Um Estado que assim procede é um Estado que perdeu a autoridade. E que, sem ela, perde também a confiança dos cidadãos. Para a conquistar terá de ter total respeito pelos direitos constitucionais dos seus cidadãos, todos os cidadãos, incluindo os que discordem das posições do Poder político.
As liberdades definidas na Constituição não são dádivas de um qualquer poder provisório. São direitos inalienáveis, que não podem ser sujeitos a qualquer má disposição de quem exerce esse poder. E o de manifestação, desde que ordeira e sem conflituar com o direito de outros, é um desses direitos!
Sei bem que a desordem e o caos não podem ser tolerados. Sei bem que, se necessário, se devem reprimir os exageros. Mas sei bem também que a primeira prioridade é, para todos e principalmente para os governantes e os chefes executivos, a existência de bom senso. E também a existência de autoridade moral. Tendo sido exactamente isso que tem faltado aos actuais responsáveis, a começar no Governo, com o Primeiro Ministro e o Ministro da Administração Interna à cabeça, e a terminar no Director da PSP.
A lei existente determina os limites e demais condicionantes para as manifestações? Haja bom senso para perceber que essa lei tem normas inconstitucionais que já deviam ter sido revogadas. Dentro do princípio de que as leis e os regulamentos devem ser cumpridos o melhor possível, haja o discernimento e o bom senso de não exigir o cumprimento das normas inconstitucionais e de solicitar a respectiva revogação. E se o não fizerem, como não o estão a fazer, haja o decoro para o aplicarem a todas as situações semelhantes e não apenas aos manifestantes que não são do seu agrado. Sejamos honestos, tenhamos vergonha na cara! É isso que, lamentavelmente, vem faltando a muitos responsáveis pelo País e pela manutenção da ordem pública. Olhem para o espelho, envergonhem-se e…
Espero mesmo que não exista uma intenção de estarem, deliberadamente, a procurar atingir uma situação de maior radicalização que nos leve a situações extremas. O Governo deve cumprir a sua missão e construir uma sociedade mais Livre, Justa, Igual, Fraterna e em Paz. E não mandar agredir os cidadãos que lutam pela melhoria das suas condições de vida. Deve enfrentar o problema que é reclamado em vez de transformar as reivindicações numa batalha e adiar para as calendas o direito constitucional da Habitação, assim como o da Saúde ou da Educação.
As atitudes provocatórias têm sido constantes: a presença ostensiva das forças de intervenção, sempre à vista dos manifestantes; a utilização de cães, como se se previssem lutas mais violentas; os comentários depreciativos sobre quem reivindica (chamando-lhes arruaceiros, quando nada mais fazem do que se manifestar, ou ridicularizando sotaques ou peças de vestuário); os comentários que esgrimem o fantasma da Rússia, seja a de Lenine ou a de Putin.
A direita pode pensar que a solução é assumir ela própria os procedimentos da extrema-direita, dos novos fascistas que procuram regressar a um tenebroso passado. Esse será o problema de fundo, que Portugal, seguindo o exemplo de outros países europeus, está a sofrer.
Por mim, não deito a toalha ao chão. Assumo esta posição como cidadão. Um cidadão que, enquanto Capitão de Abril, integrou o colectivo que participou no derrube da ditadura e na implantação de um regime democrático, livre, mais igual, fraterno e em paz. Também por isso me sinto no direito de levantar a minha voz e de proclamar aos que cada vez mais parecem convencidos de que podem fazer-nos regressar à repressão neofascista que Não passarão! Podem tentar aproveitar os radicalismos vários que pululam em atitudes condenáveis, podem tentar travestir-se do que quiserem, confio que o povo português não os deixe passar - tal como não deixaram o povo brasileiro e o povo sérvio, países onde a luta pelos valores da Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Paz e Justiça Social teve um desfecho feliz.
Que bom é ver uma nova geração de punho erguido a gritar que “O povo unido jamais será vencido!” e a entoar a “Grândola Vila Morena” a plenos pulmões. São os nossos netos e os nossos filhos que levam a herança que lhe demos para as ruas. O 25 de Abril continua vivo no coração dos portugueses!
25 de Abril, Sempre!
Vasco Lourenço
via @Associação 25 de Abril