Ricardo Lima
Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
SEBASTIÃO BUGALHO QUER LIMITES. VAMOS ENTÃO FALAR DE LIMITES:
A Guerra Invisível: O Impacto Económico das Sanções e a Competitividade Europeia:
Nesta leitura, a questão central não é apenas quem vence ou perde no campo de batalha, mas também quem controla as fontes de energia, as matérias-primas e a capacidade industrial necessária para sustentar o crescimento económico no longo prazo. A verdadeira guerra, defendem alguns analistas, poderá estar a ser travada nos mercados, nas fábricas e nas cadeias de abastecimento internacionais, com consequências que se farão sentir muito para além do conflito militar.
Major General Raul Luis Cunha
Dirigentes europeus: Internem-nos no manicómio e com camisa de forças:
(Rui Loureiro, in mural de Maria Manuela, Facebook, 13/09/2026, Revisão da Estátua)

(Este texto, como se diz no boxe. deixou-me encostado às cordas. Que pagava-mos a guerra à Ucrânia há muito que é sabido. Agora, que também a pagamos â Rússia, é o cúmulo da demência dos líderes europeus. Pagamos para a destruição da Ucrânia, da Rússia e de todos os outros países europeus que estão em afundamento acelerado e irreversível.
E riem-se as três bestas das malfeitorias, quais inimputáveis perigosos à solta. Urge interná.los sob pena de não sobrevivermos a tanta iniquidade.
Estátua de Sal. 13/09/2026)
Meus amigos, estamos em guerra mas a guerra é outra.
Aqui está uma lista das importações da Europa, provenientes da Rússia, assim como a percentagem que a Rússia fornecia do todo das necessidades europeias:
Carvão: 46%
Gás Natural (via gasoduto): 45%
Níquel bruto: 41%
Alumina (Óxido de Alumínio): 35%
Paládio e Platina: 30%
Diamantes: 25%
Cobre refinado: 23%
Gás Natural Liquefeito (GNL): 21%
Urânio Enriquecido / Combustível Nuclear: 20%
Gases Nobres (Néon, Cripton e Xénon): 20%
Petróleo (cru e refinados): 27%
Fertilizantes: 28%
Alumínio bruto: 16%
Óleos de Petróleo Pesados (VGO): 15%
Ferro e Aço: 14%
Trigo: 11%
Por exemplo, o Gás Natural Liquefeito (GNL), com o qual a Rússia cobria 21% das necessidades europeias, era vendido antes das sanções a um preço entre 15 €/MWh e 20 €/MWh.
Agora compramos o gás russo através de intermediários a 75 €/MWh, ou seja, entre 4 a 5 vezes mais caro.
A maioria destes produtos, os europeus continuam a compra-los através de intermediários, 3, 4 ou 5 vezes mais caros, intermediários que os compram aos russos para os revender à Europa.
Por exemplo, titânio bruto e ligas: 45% das necessidades europeias. A Europa não tem onde os ir buscar a não ser aos russos.
Por exemplo, alumina (óxido de alumínio): 35%. Já está tão cara que grande parte das fábricas de fundição de alumínio na Europa já fecharam. O aço ficou tão caro que a última fábrica de fundição de aço do Reino Unido já fechou.
Antes de 2022, a Europa importava da Rússia 158 mil milhões de euros em matérias-primas. Essas mesmas matérias-primas, que a Europa importava diretamente da Rússia por 158 mil milhões de euros, agora a Europa importa-as de terceiros, que as compram à Rússia por 300 mil milhões e as vendem à Europa por 380 a 410 mil milhões.
Vamos ver se explico melhor: A Rússia vendia essas exportações diretamente à Europa por 158 mil milhões de euros. Agora a Rússia vende as mesmas matérias-primas à China, à Índia, à Arábia Saudita e a outros por 300 mil milhões, e estes vendem-nas à Europa por 380 a 410 mil milhões.
Assim, a Rússia está a ter um acréscimo de 150 mil milhões de euros de lucro, em relação ao que tinha antes, e os intermediários também estão a ganhar com a burrice dos europeus.
E isto significa que a Ucrânia recebe da Europa, em média, 90 mil milhões de euros por ano para a guerra, e a Rússia recebe da Europa 300 mil milhões de euros, mais 150 mil milhões do que antes, para gastar na guerra contra a Ucrânia.
A Europa, ou seja, NÓS, está a pagar as despesas da guerra à Ucrânia e está a pagar as despesas da guerra à Rússia!! Toda a guerra na Ucrânia está a ser paga pela Europa.
E enquanto nós aqui estamos a passar dificuldades, a pagar o gasóleo a 2,2 euros o litro, os russos pagam o gasóleo a 0,83 euros o litro e andam aos milhões a fazer férias na China.
A China já abriu vários aeroportos regionais a linhas aéreas russas. Nos aeroportos, estações de comboio e locais turísticos, os avisos e placares já são todos em chinês e em russo.
E todos os dias a China ganha mercados com as suas exportações, que eram mercados onde a Europa vendia, mas já não vende porque a produção europeia é cara demais.
Agora, na China, não só a eletricidade é, em média, 4 vezes mais barata do que na Europa, como as matérias-primas passam pela China antes de chegarem até nós, muito mais caras do que eram antes.
Portanto, para além da guerra da Ucrânia, que nós pagamos aos ucranianos e aos russos, estamos diariamente a perder exportações para a China, porque com matérias-primas 3 vezes mais caras e energia elétrica 4 vezes mais cara, não temos preços para concorrer com os chineses.
A guerra, portanto, é outra e essa outra, nós estamos a perdê-la.
Do blogue Estátua de Sal
domingo, 13 de setembro de 2026
A Parada da Vitória na Red Square em Moscou:
A Parada da Vitória de 1945 envolveu 35.325 pessoas: 24 marechais, 249 generais, 2.536 oficiais —de oficiais não comissionados a colonéis—, 31.116 sergentes e soldados, 1.400 músicos militares, bem como 1.850 unidades militares.
Mesmo que de vez em quando tente fazer uma piada:
Aqui 90 segundos da conversa com a Alberta Marques Fernandes e o José Gomes André ontem a propósito de Trump dizer que gostaria de ver as duas Irlandas reunidas (a análise mais completa a este e outros assuntos em baixo nos comentários).
sábado, 12 de setembro de 2026
Ali Bábá e os Sessenta Coirões:
(Luís Rocha, in Facebook, 11/09/2026, Revisão da Estátua)

Há uma coisa que tenho de reconhecer ao Coiso. É um partido extremamente trabalhador. Trabalha muito para produzir absolutamente nada. É assim uma espécie de máquina de lavar roupa avariada. Faz um barulho dos diabos, abana a casa inteira, aquece que se farta, mas a roupa sai exatamente como entrou.
A última demonstração desta admirável capacidade produtiva foi a moção de censura ao Governo. O Coiso foi ao Parlamento para derrubar Montenegro com aquele entusiasmo de quem vai finalmente conquistar a Europa, quando na realidade tinha mais ou menos a mesma capacidade militar de uma associação recreativa de Alguidares de Baixo.
O sacristão de Mem Martins apareceu com ar de pequeno Napoleão, provavelmente já a imaginar a estátua no Rossio, seguido pela brigada de coirões parlamentares, todos afinados para berrar “demissão!”. E berraram. Berraram com convicção. Berraram com pulmão. Berraram como se o volume da voz tivesse alguma relação com o número de votos.
Não tinha. Para derrubar um Governo são precisos votos. E o Coiso tinha 60. Exatamente cinco dúzias.
A moção teve 60 votos a favor, 104 contra e 62 abstenções. Os 60 votos favoráveis foram precisamente os 60 deputados do Coiso. Não conseguiram convencer mais ninguém. Nem um. Foi uma coisa bonita de se ver, porque revelou finalmente a verdadeira dimensão parlamentar da revolução dos ruminantes. Cabia toda dentro do próprio redil.
Imagino que tenha havido um momento, depois da votação, em que alguém perguntou: “Então e agora?” E outro respondeu: “Agora dizemos que ganhámos.”
É assim que funciona a política coirona quando tem um problema com a realidade. A realidade diz “perderam”. A propaganda responde “vitória histórica”. E pronto. Problema resolvido.
O Coiso apresentou uma moção para demonstrar que o Governo estava isolado e descobriu que quem estava sozinho era ele. É uma espécie de ironia que normalmente exigiria um argumentista de comédia, mas que a política portuguesa oferece gratuitamente.
E eu até consigo perceber a irritação.
Se eu fosse dirigente de um partido de extrema-direita que tivesse uma relação particularmente pouco calorosa com o diretor da Polícia Judiciária, sobretudo depois da PJ ter estado envolvida no desmantelamento de organizações extremistas e neonazis, também não seria propriamente fã do homem.
Se passasse os dias a falar de imigração e criminalidade como quem vende rifas à porta da igreja e depois aparecesse a Polícia Judiciária a apresentar números que não confirmavam parte da narrativa, também começaria a sentir que aquele diretor tinha qualquer coisa contra a minha carreira política.
E se, pelo meio, tivesse inventado a história de um alegado assalto ao meu gabinete que estivesse a levantar uma quantidade considerável de perguntas, também perceberia a necessidade de arranjar rapidamente outro assunto.
É aqui que entra a moção.
Porque quando não se tem uma política económica convincente, fala-se de imigrantes. Quando não se tem uma política para a saúde, fala-se de criminosos. Quando não se tem uma política para a habitação, fala-se de identidade nacional. E quando não se tem capacidade para fazer coisa nenhuma, faz-se uma moção de censura.
É uma atividade política semelhante à de um homem que passa a tarde inteira a afiar uma faca e depois descobre que não tem pão.
Mas o melhor veio depois.
A moção foi chumbada, Montenegro continuou primeiro-ministro, Luís Neves continuou ministro e o Governo continuou no mesmo sítio. E, enquanto o Coiso se preparava para celebrar mais uma batalha imaginária contra o sistema, Montenegro aproveitou o debate para anunciar cerca de 800 milhões de euros em medidas para pensionistas e contribuintes.
É preciso ter azar.
Os homens foram ao Parlamento tentar matar politicamente o Governo e acabaram por servir-lhe de palco para anunciar medidas popularuchas.
São uma espécie de motorista de Uber paquistanês da política. Levam os adversários exatamente onde eles querem chegar.
E depois há a parte mais divertida, que é a explicação da vitória.
Porque o Coiso nunca perde. Pode perder eleições, votações, moções, argumentos, aliados e até o contacto com a realidade, mas perder nunca. Aquilo é uma máquina de reciclagem de derrotas. Entra uma derrota e sai uma “vitória política”.
Se tiverem 60 votos e os outros 166 não votarem com eles, é porque “marcaram a agenda”. Se ninguém os acompanha, é porque “não precisam de outros partidos”. Se a moção é chumbada, é porque “o sistema está borradinho de medo”.
É uma forma extraordinariamente confortável de fazer política. Não é preciso ganhar. Basta explicar muito bem porque é que perder é, afinal, uma maneira sofisticada de ganhar.
E talvez seja esse o verdadeiro problema do Coiso. Aquilo não parece um partido político. Parece uma sessão coletiva de autossatisfação.
Muito movimento. Muito entusiasmo. Muito suor. Muito berro. Muito “demissão!”. E no fim, quando se olha para os resultados, Portugal continua exatamente onde estava.
É o equivalente político de alguém passar dois minutos a fazer flexões diante do espelho e depois pedir aos outros que admirem a transformação. Não há transformação nenhuma. Há apenas o espelho. Mas o problema é que Portugal não está no espelho. Está cá fora. Que maçada.
Uma pessoa prepara uma revolução, compra os foguetes, ensaia os discursos, afina os coirões, veste-se de Napoleão e depois chega ao fim do dia e descobre que continua tudo igual.
Há dias em que a democracia consegue ser mesmo cruel. Principalmente para quem ainda não percebeu que gritar “demissão” não é o mesmo que ter capacidade intelectual para fazer alguma coisa de benéfico pela nação.
Mas pronto. Na próxima semana haverá outra coisa qualquer para berrar. Que nunca lhes dê uma amigdalite, coitadinhos…
Beijinhos e até à próxima…
Referências consultadas:
https://www.parlamento.pt/Fiscalizacao/Paginas/Mocoes.aspx
https://portugal.gov.pt/…/governo-anuncia-suplemento…
https://elpais.com/…/el-parlamento-portugues-rechaza-la…
Do blogue Estátua de Sal
