Rádio Freamunde

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sábado, 11 de abril de 2026

A delegação iraniana:

Chega com solenidade ao Paquistão, não de baraço ao pescoço, mas segura e orgulhosa com os dez pontos do seu plano resultante da surpreendente vitória militar alcançada. Os iranianos não se deixaram intimidar pela imensa força que se argamassou nas suas fronteiras. Ao fim de seis semanas, objectivo algum alardeado pelos agressores foi atingido: mudança de regime, capitulação e desmantelamento das centrais produtoras de urânio enriquecido. Sintomaticamente, foram os americanos e não os iranianos a pedir o cessar-fogo, pelo que ganha relevância o facto de a delegação norte-americana ser encabeçada por JD Vance, o homem que nunca subestimou as capacidades do Irão e mais veementemente se terá oposto ao desencadear da guerra. Vance sabe, como todo o mundo o sabe, que o conflito entre os EUA e o Irão é artificial, pois que resulta apenas da pressão exercida pelo todo-poderoso lobby sionista no interior do Estado norte-americano. Essa artificialidade foi há muito reconhecida pela administração Reagan ao comprometer-se, por ocasião da libertação dos reféns norte-americanos, a não se imiscuir nos assuntos internos do Irão. Aguardemos os desenvolvimentos.

Miguel Castelo Branco

UM JEITO MANSO: O Tó Zé Seguro, o SNS, o Governo e o Rutta -- E c...

UM JEITO MANSO: O Tó Zé Seguro, o SNS, o Governo e o Rutta -- E c...:   Segundo o Expresso, Belém (será que continua a existir a fonte de Belém?) vai preparar um relatório sobre a Presidência aberta do Seguro. ...

O caso Ivo Rosa não é o caso Ivo Rosa:

Os juízes podem ser vigiados? Uns não, mas depois há o caso Ivo Rosa

 por Valupi

Do blogue Aspirina B

Mandem mais dinheiro para a Ucrânia…:

(Francisco Fortunato in Facebook, 09/04/2026, Revisão Estátua)

Ora aqui está uma fatura que devia ser paga exclusivamente pelos gajos e gajas das bandeirinhas da Ucrânia que achavam que o Putin queria conquistar a Europa e só parava em Lisboa, no Estádio da Luz. Que a Europa devia reforçar a sua defesa (leia-se dar dinheiro para a NATO) para travar os instintos de malvadez do maquiavélico senhor de Moscovo.

Os que avisavam para tamanha estupidez eram logo acusados de agentes moscovitas e até ameaças de morte recebiam. Eu recebi duas pelo Messenger e até políticos do PS destrataram publicamente os poucos socialistas que ousaram levantar a voz contra a narrativa da UE e da NATO/EUA do Biden. Hoje vemos bem quem é o maior perigo para a Paz Mundial.

Esses idiotas úteis não vão pedir desculpa pela contribuição que tiveram para termos chegado ao ponto que refere o aviso do FMI, vão hipocritamente derramar lágrimas de crocodilo pelos cortes no Estado Social. A estupidez paga-se caro, muito caro, e por isso, os que mandam querem, cada vez mais, gente estúpida que se julgue muito inteligente.


(Diogo Sousa in Facebook, 10/04/2026, Revisão Estátua)

Otítulo do relatório do FMI deveria ser outro: “O Grande Assalto”. 𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐨 𝐅𝐌𝐈 𝐚𝐝𝐦𝐢𝐭𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐫𝐢𝐝𝐚 𝐚𝐨 𝐚𝐫𝐦𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐨𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐫𝐚́ 𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝟐𝟓% 𝐧𝐚 𝐒𝐞𝐠𝐮𝐫𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐞 𝟐𝟔% 𝐧𝐚 𝐒𝐚𝐮́𝐝𝐞, está a confirmar que o bem-estar dos cidadãos europeus foi oferecido em sacrifício no altar do Complexo Militar-Industrial americano.

Para que as ações da Lockheed Martin, da RTX e da Boeing subam, e para que os dividendos fluam para a BlackRock e a Vanguard, é necessário que o mundo esteja a arder. 𝐀 𝐞𝐥𝐢𝐭𝐞 𝐟𝐢𝐧𝐚𝐧𝐜𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐚𝐦𝐞𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚 𝐚𝐩𝐞𝐫𝐟𝐞𝐢𝐜̧𝐨𝐨𝐮 𝐚 𝐚𝐫𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐜𝐫𝐢𝐚𝐫 “𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐏��́𝐫𝐢𝐚𝐬” 𝐞 “𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐓𝐞𝐫𝐫𝐨𝐫𝐢𝐬𝐭𝐚𝐬”.

Financiam-se fações, desestabilizam-se regiões e, subitamente, as fronteiras da NATO são declaradas em perigo. Esta insegurança fabricada não visa a “liberdade”; visa o contrato. É uma estratégia de marketing onde o produto é o míssil e o anúncio é a guerra.

A estratégia é brilhante na sua perversidade. Ao forçar os países europeus a cumprir as metas de gasto militar da NATO, 𝐖𝐚𝐥𝐥 𝐒𝐭𝐫𝐞𝐞𝐭 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐝𝐞𝐬𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐥𝐚𝐫 𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐨𝐫𝐫𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚.

Uma Europa que gasta o seu PIB em caças F-35 (comprados aos EUA) é uma Europa que não investe em tecnologia, infraestrutura ou na saúde do seu povo. Ao “terraplanar” economias através da dívida militar, os EUA garantem que a Europa deixe de ser um rival económico para passar a ser 𝐮𝐦 𝐦𝐞𝐫𝐜𝐚𝐝𝐨 𝐜𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨 𝐞 𝐝𝐞𝐩𝐞𝐧𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞.

A História, como diz o FMI, mostra que o dinheiro nunca chega para os dois. Mas não há “escolha” democrática aqui. Quando as grandes gestoras de ativos controlam tanto os bancos que emprestam dinheiro aos governos europeus como as fábricas que vendem as armas, o jogo está viciado.

A Europa está a ser obrigada a importar o modelo americano de “𝐂𝐚𝐩𝐢𝐭𝐚𝐥𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐢𝐥𝐡𝐚𝐠𝐞𝐦”: hospitais degradados, escolas subfinanciadas e uma classe média asfixiada pela dívida, tudo para que o balanço financeiro de meia dúzia de instituições em Manhattan continue a bater records.

Os “Estados Falhados” que os EUA deixam para trás no Médio Oriente e no Leste Europeu não são erros de cálculo — são externalidades lucrativas. Criam ondas de refugiados que pressionam ainda mais os orçamentos sociais europeus, forçando mais cortes, mais dívida e mais dependência do sistema financeiro controlado por Washington.

𝐂𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬𝐚̃𝐨: 𝐎 𝐃𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐭𝐚𝐫 𝐨𝐮 𝐚 𝐅𝐚𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚

A elite financeira que é dona do complexo militar-industrial não tem bandeira nem lealdade a cidadãos. Para eles, a NATO é apenas um sindicato de vendas armado. 𝐄𝐧𝐪𝐮𝐚𝐧𝐭𝐨 𝐨𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐮𝐬 𝐧𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐫𝐞𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐞𝐮𝐫𝐨 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐨 𝐞𝐦 𝐦𝐮𝐧𝐢𝐜̧ões 𝐞́ 𝐮𝐦 𝐞𝐮𝐫𝐨 𝐫𝐨𝐮𝐛𝐚𝐝𝐨 𝐚𝐨 𝐬𝐞𝐮 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐨, continuarão a ser os figurantes pagantes num filme de terror realizado em Wall Street.

O aviso do FMI é o sino de recolher: 𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐜𝐚𝐧𝐢𝐛𝐚𝐥𝐢𝐳𝐚𝐝𝐚 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐩𝐫𝐨́𝐩𝐫𝐢𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚.

Do blogue Estátua de Sal 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

“Sente-se — quem você acha que está representando? ”:

Mark Carney deixou Karoline Leavitt sem palavras em um momento chocante na TV ao vivo
Quando Karoline Leavitt menosprezou Mark Carney na televisão ao vivo, zombando dele como "apenas um economista que vive em privilégios que não entende o mundo real", ninguém poderia ter previsto o que aconteceria a seguir. Carney não vacilou. Calmo, composto, o seu olhar afiado mas controlado - ele olhou diretamente para a câmara e falou lentamente, enfatizando cada palavra: “Você não representa todo mundo. ”
O estúdio ficou em silêncio. Nem um som. Sem interrupções. Leavitt parecia momentaneamente agitado, forçando um sorriso enquanto ela tentava responder - mas Carney inclinou-se para a frente, sua voz baixa, mas firme: “Você só representa poder temporário e interesse próprio. Essa não é a voz do povo, e certamente não das gerações futuras. Quando você realmente entender o que significa navegar numa economia global em mudança - onde a responsabilidade já não é um slogan político ou pessoal, mas um dever partilhado para com a humanidade - então você entenderá o que estamos a defender. ”
Então Carney terminou com a frase que incendiou as redes sociais: “Sente-se. Escute. Já não temos tempo para fantoches de poder. ”
O público entrou em erupção - murmúrios, choque e aplausos ecoaram por toda a sala. Em poucos minutos, o clipe espalhou-se rapidamente por todas as plataformas. Milhões elogiaram Carney por sua compostura, clareza e coragem, chamando-o de "um momento icônico de televisão ao vivo de responsabilidade global. ” Os comentaristas concordaram que isto não era apenas um retorno - era um alerta. Carney não gritou nem recorreu a insultos pessoais. Falou com verdade, com responsabilidade, e com visão de futuro.
Um usuário escreveu no X: "Mark Carney não atacou Karoline Leavitt - ele expôs o papel dela. Esse é o poder da verdade calma. ”
Numa era em que a propaganda e o poder muitas vezes sufocam as vozes da ciência, da economia e da responsabilidade ética, Carney lembrou ao mundo que a verdadeira influência não vem de títulos ou políticas - mas sim de integridade e dever para com a humanidade. O homem outrora rejeitado como "apenas um economista" está agora no palco global, representando o espírito de uma geração. Esse é o poder de um ícone - alguém que se atreve a falar, ousa confrontar e se recusa a curvar-se ao poder. Mark Carney não silenciou apenas um "fantoche de poder" - ele forçou o mundo a ouvir.

"Trump Assassino":

Hoje vim à Galiza dar uma palestra para a Associação Memória, Verdade e Justiça que, entre outras coisas muito importantes, lembra os últimos fuzilados do franquismo em 1975 quando, sob controlo democrático de jornalistas e gráficos, a imprensa portuguesa decidiu fazer a mesma capa, única, para os jornais. Lisboa acordou em setembro de 1975, nesse belo PREC, com os jornais a dizer "Franco Assassino". Estavam aqui, em Vigo, vários dos meus livros à venda, em português, e apenas dois deles, traduzidos em espanhol. Todos foram vendidos com excepção dos que estão traduzidos em castelhano...Aqui só se lê em português! Jantámos, tapas, deliciosas pescarias da ria de Vigo, com um bombeiro florestal que é contra o eucalipto. E - agora sustenham a respiração - um cabeleireiro, militante da memória, construtor da Associação, e cuja família teve em 1936, quando o fascismo espanhol tomou o poder, 12 membros fuzilados, bisavô, avô, dois tios...A história. Esse lugar onde sempre nos encontramos com o futuro. Se sois votantes do Chega, do Vox ou de outro qualquer caixote de lixo, se sois jornalistas e em vez de uma capa a dizer "Trump Assassino", escreveis notícias "isentas" sobre o direito de Israel defender-se, deixai pelo menos de me ler, abandonai este mural, que eu tenho pela isenção face ao fascismo mais desprezo do que um galego por Castela.

Raquel Varela

POR UMA VEZ?

 Com o seu acólito Mark Rutte à ilharga — secretário-geral de uma NATO que deveria servir a segurança norte-atlântica coletiva e não os caprichos de Washington pelo mundo —, Donald Trump lançou um ultimato a uma Europa que ele sabe estar refém dos seus próprios medos em matéria de segurança.

Se houvesse um módico de dignidade deste lado do Atlântico — e há razões crescentes para duvidar que reste muito —, deveria ser dito, alto e bom som, a Trump que compete aos Estados Unidos desenvencilharem-se do atoleiro em que, a reboque de Israel, se deixaram cair no Golfo.
Foram as opções de Washington, e não as da Europa, que deflagraram as tensões que agora ameaçam alastrar. A Europa não pode ser convocada a pagar a conta de aventuras em que não foi sequer consultada. É obsceno ouvir os EUA dizerem que atuam na defesa dos interesses daqueles que desprezam e constantemente ofendem. Esses interesses estavam, por exemplo, bem representados no acordo nuclear assinado com o Irão, que Trump abandonou.
Reconhece-se, naturalmente, que há agora interesses muito concretos em jogo. O petróleo iraniano faz falta, as rotas energéticas importam, a estabilidade do Golfo tem um peso real nas economias europeias. Mas a lógica imediatista dos interesses não pode servir de passaporte para a irresponsabilidade estratégica. Os europeus não podem ir a reboque para uma zona onde, num instante, poderão ser apanhados num novo ciclo de guerra — um ciclo que Israel não esconde estar desejoso de recomeçar.
E é aqui que a indignação não pode ser contida por um qualquer cálculo de conveniência. Depois da infâmia das últimas horas no Líbano. Depois de Gaza — a destruição sistemática de uma população, documentada, filmada, contabilizada em dezenas de milhares de mortos. Depois da Cisjordânia, onde a colonização avança com a metodologia lenta e implacável de quem sabe que o mundo olha para outro lado. Perante tudo isto, ou a Europa é capaz de tomar uma atitude firme face a Israel — e que fique claro: muito do material militar israelita continua a ser fornecido por Estados europeus, tornando a Europa cúmplice objetiva dos crimes com ele praticados—, ou perde, definitivamente, o pouco que lhe resta da antiga autoridade moral em que assentou o seu projeto civilizacional. Não a autoridade que se proclama em declarações cimeira após cimeira, mas aquela que se constrói na coerência entre o que se diz e o que se faz, entre os valores que se invocam e o destino das armas que se vendem.
Antecipar-se-á a objeção pragmática: uma posição firme irritaria Trump. Poderia levá-lo a tentar dividir o continente, a jogar as capitais umas contra as outras, como foi feito com tanta eficácia no caso do Iraque, quando Rumsfeld separou a “velha” Europa da “nova”. Claro que sim. Esse risco existe e seria ingénuo negá-lo. Que pode Trump fazer mais? Mais "tarifas"? Tirar as suas tropas da Europa? Os americanos não estão na Europa pelos nossos "lindos olhos", estão cá, como nas Lajes, porque isso faz parte do seu projeto de segurança, para proteção dos seus interesses, que até agora coincidiam com os nossos.
A alternativa — o silêncio cúmplice, a submissão discreta, o alinhamento por antecipação — tem um nome que se julgava que a Europa tinha aprendido a detestar: apaziguamento. E o apaziguamento não pode ser um vício apenas em direção ao Leste, como a retórica dominante insiste em repetir. É igualmente degradante — e igualmente perigoso — quando praticado em direção a quem, de Washington ou de Telavive, exige da Europa que aceite, de cabeça baixa, que os seus valores são negociáveis e que os seus princípios são ornamentais.
É nestes momentos que a Europa tem obrigação de lembrar-se de que é uma entidade democrática, que tem opiniões públicas perante as quais os seus governos respondem, que afirma um projeto com uma base moral — a mesma que levou quase toda a gente a indignar-se quando ouviu Trump ameaçar que “uma civilização inteira” morreria se não fizesse o que ele queria.
Os cidadãos europeus merecem dirigentes que não confundam prudência com capitulação. Ver os seus governos alinhar como cordeiros atrás desse mesmo Trump seria não apenas uma traição aos valores que proclamam — seria uma abdicação que a história não costuma perdoar.
Olhando para o modo como o mundo reagiu nos últimos dias perante o drama do Golfo, parece claro que a opção por enfrentar Trump, sem a menor hostilidade mas com uma serena firmeza, seria uma atitude que arrastaria consigo largos setores da opinião pública europeia. Eu diria mesmo: por uma vez, desde há muito, a Europa tornar-se-ia popular aos olhos dos seus cidadãos. Houvesse coragem para isso.