Rádio Freamunde

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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Não percebo:

Jogar com um jogador que tem 41 anos (Ronaldo)durante o jogo todo e ter no banco de suplentes jogadores com menos de 16 que Ronaldo (Gonçalo Ramos) e não lhe dar tempo de jogo nenhum é o que não percebo.
Aliás, perceber percebo. É para elevar o score de golos. Em lugar de se apresentar uma equipa para o futuro anda-se a dar prima-zia a quem quer ultrapassar o Messi em record de golos.
Se eu estivesse no lugar de Gonçalo Ramos e outros, fazia o que fez o Rafa.
Andar a perder tempo de férias e aconchego com a família para ser tratado assim não dá para perceber.

Não deve de ser só eu.

Manuel Pacheco 

Ventos Semeados: Quatro Espelhos do Mesmo Mundo

Ventos Semeados: Quatro Espelhos do Mesmo Mundo:   Há semanas que os assuntos cruzam-se por puro acaso e ainda assim contam a mesma história. Em Londres, António Guterres exigiu que as gi...

ENFRAQUECER AS DEMOCRACIAS DA UNIÃO EUROPEIA E PROVOCAR O COLAPSO POLÍTICO:

A erosão da democracia não é, infelizmente, uma invenção de extremistas de direita (ou de esquerda, esses sem megafones pagos e menos ouvidos porque não estão ao serviço dos novos plutocratas). Os extremistas de direita - que agora começam onde antes estava o centro - estão interessados no colapso das velhas democracias para imporem as suas agendas. Têm, para isso, o apoio dos financiadores dos novos totalitarismos tecnológicos com sede em Silicon Valley e sucursais várias. Washington, Moscovo e Beijing têm um objectivo comum: enfraquecer as democracias da UE e provocar o seu colapso político. Esse é um objectivo que une as três maiores potências militares, económicas e políticas - e estão a sair-se bem.
O problema vem de longe. Lentamente, a economia passou a mandar na política. Ao modelo social sueco dos anos 70, à revolução de Abril ou à economia mais social do que de mercado, na Alemanha, sucederam os anos 80 das Reaganomics ao Thatcherismo que começaram a destruir por dentro as democracias das políticas sociais. Com a TINA (There Is No Alternative) deixou oficialmente de haver alternativa ao turbo-capitalismo e à biblia neoliberal, 'trickle-down' foi e é uma falácia para beneficiar as grandes fortunas, tal como a Terceira Via de Blair ou a Agenda 2010 de Schröder. Em Portugal a lei laboral entrou em erosão encomendada para favorecer as maiores fortunas na distribuição (horários de trabalho até às 23 horas, domingos e feriados, para vender iogurtes e sapatos em centros comerciais), parcerias público-privadas para beneficiar grupos financeiros, privatizações por dogma ideológico e para prejuízo das populações etc. etc. etc.

A erosão da democracia vem de dentro, das portas rotativas entre o mundo empresarial-financeiro e a politica. Não é um discurso crítico do actual estado da nossa democracia - como este - que é populista ou redutor, é a cronologia da conquista neoliberal que, de forma simples, factual e linear, revela a erosão do sistema democrático por dentro. Essa evolução - a crescente desigualdade, a interferência de interesses e de oligarcas de várias nacionalidades, acumulação de riqueza numa ínfima minoria que assume o controlo - pode ser consultada em todo o lado onde ainda se investiga e publica de forma autónoma, sem a interferência de 'sponsors' e 'business schools' ou a intervenção de partidos avençados dos novos plutocratas.

por: Miguel Szymanski (jornalista) 

terça-feira, 23 de junho de 2026

O Reino do Chico-Espertismo: Crónica de um País Entregue aos Vendedores de Ilusões:

 Logo no início disse que a pior coisa que podia acontecer a Portugal, naquele momento, era Luís Montenegro ser eleito Primeiro-Ministro. Não por fatalismo, não por profecia, não por qualquer dom sobrenatural de antecipação política, mas porque a história ensina que os países raramente são arruinados por grandes génios do mal. São, quase sempre, corroídos por pequenas mediocridades elevadas à categoria de virtude nacional.

E Portugal, infelizmente, possui uma longa tradição de transformar o oportunismo em talento, a improvisação em estratégia e a ausência de visão em suposta prudência governativa.
Luís Montenegro surge precisamente como produto dessa escola. Não a escola dos grandes estadistas, dos reformadores ou dos construtores de futuro, mas a escola do comentário vazio transformado em programa político, da frase feita convertida em doutrina de governo e da habilidade táctica apresentada como se fosse inteligência estratégica.
A sua trajectória política parece confirmar uma das mais antigas patologias da vida pública portuguesa: a ascensão do político profissional sem obra, sem pensamento estruturado e sem visão histórica do país que governa.
Em vez de um projecto nacional, apresenta slogans.
Em vez de ideias, apresenta operações de comunicação.
Em vez de liderança, apresenta encenação.
E é precisamente aqui que reside o problema.
Portugal atravessa um período histórico marcado por transformações profundas: crise demográfica, envelhecimento populacional, precarização do trabalho, crise da habitação, degradação dos serviços públicos, dependência económica externa e crescente desigualdade social.
Perante desafios desta dimensão, esperar-se-ia um governo capaz de pensar o país para lá da próxima sondagem.
Mas o que se observa é frequentemente uma política reduzida ao curto prazo, à fotografia do dia e ao cálculo eleitoral permanente.
A velha arte da governação foi substituída pela gestão da percepção.
A substância cedeu lugar à aparência.
A realidade tornou-se refém da narrativa.
E assim o país vai sendo conduzido por uma espécie de administração do improviso, onde cada problema é tratado como uma questão de marketing político.
A ironia é cruel.
Os mesmos que durante anos acusaram os adversários de propaganda parecem hoje convencidos de que governar consiste precisamente nisso: produzir propaganda suficiente para esconder a ausência de resultados.
É uma política de espelhos.
Tudo brilha.
Nada ilumina.
Tudo parece sólido.
Nada assenta em fundações duradouras.
Tudo é anunciado.
Pouco é concretizado.
E enquanto os comunicados se multiplicam, os portugueses continuam confrontados com salários insuficientes, habitação inacessível, serviços públicos exaustos e uma economia incapaz de oferecer perspectivas de futuro às gerações mais jovens.
Mas talvez a característica mais inquietante desta forma de fazer política seja a sua dimensão antropológica.
O montenegrismo — se assim lhe podemos chamar — não representa apenas um governo.
Representa uma cultura.
A cultura do desenrascanço transformada em sistema.
A cultura da esperteza elevada a método.
A cultura segundo a qual a aparência vale mais do que a competência e a retórica mais do que a capacidade.
É a consagração nacional do chico-espertismo.
A velha figura portuguesa que Eça de Queirós conhecia tão bem: o homem que nunca resolve nada, mas convence toda a gente de que está a resolver tudo.
O homem que vive da pose.
Da influência.
Do favor.
Do arranjo.
Da habilidade.
Nunca da obra.
Nunca da visão.
Nunca do mérito demonstrado.
E quando essa mentalidade chega ao topo do Estado, o país transforma-se numa gigantesca repartição de promessas adiadas.
Entretanto, os problemas acumulam-se.
A dívida social cresce.
A confiança nas instituições diminui.
O desencanto alastra.
E a distância entre governantes e governados torna-se cada vez maior.
O drama português não reside apenas nos erros de um governo ou de um Primeiro-Ministro.
Reside numa cultura política que continua a premiar a superficialidade e a punir a reflexão.
Que valoriza o espectáculo e despreza a substância.
Que confunde popularidade com competência e marketing com governação.
Por isso, a questão fundamental já não é até onde Luís Montenegro poderá conduzir Portugal.
A questão é outra.
Até que profundidade estaremos dispostos a seguir aqueles que confundem a administração do Estado com um exercício permanente de relações públicas.
Porque os países não caem de um dia para o outro.
Degradam-se lentamente.
Primeiro na exigência.
Depois na competência.
Finalmente na ambição colectiva.
E quando uma nação deixa de exigir grandeza aos seus governantes, acaba inevitavelmente governada por homens pequenos, ocupados em parecer gigantes.
Talvez seja esse o maior perigo.
Não o fracasso de um homem.
Mas a normalização da mediocridade.
E quando a mediocridade se instala no poder, não governa apenas o presente.
Hipoteca o futuro."

"A palavra de André Ventura vale tanto como uma nota de Monopólio rasgada"… :


 

Nasceu no Congresso::

No congresso do PSD, Luís Montenegro trouxe uma novidade política que passou despercebida à maioria dos comentadores. Não se tratou de um evento político qualquer, foi a apresentação de um novo partido: o Partido Comunista Social-Democrata.
A revelação surgiu pela voz do próprio quando anunciou a criação de um Fundo Soberano destinado a permitir ao Estado adquirir participações em empresas consideradas estratégicas. A proposta, por si só, não tem nada de extraordinário. O que lhe confere um inegável valor humorístico é a identidade do autor e a história política do partido que a apresenta.
Convém recordar alguns factos históricos que a política portuguesa, sempre preocupada com o bem-estar da memória colectiva, tenta frequentemente poupar aos cidadãos. Luís Montenegro foi líder da bancada parlamentar do Governo de Pedro Passos Coelho durante o período em que Portugal assistiu a uma das maiores vagas de privatizações da sua história recente. Nesses anos venderam-se participações na EDP, na REN, nos CTT, na ANA, na EGF e noutras empresas consideradas relevantes para o funcionamento da economia nacional. Durante anos, o PSD explicou de forma religiosa aos portugueses que o Estado era um gestor desastrado, que a iniciativa privada era mais eficiente e que o caminho da modernidade passava por privatizar tudo o que não estivesse pregado ao chão. Quando se descobria que estava pregado ao chão, vendia-se o chão também.
A ideia foi repetida tantas vezes que acabou por adquirir o estatuto de verdade revelada. Quem ousasse discordar era imediatamente colocado numa espécie de reserva natural para espécies ideológicas em vias de extinção. Defender que o Estado deveria manter influência em determinados sectores era suficiente para ser tratado como alguém que ainda aguardava, com optimismo comovente, notícias da União Soviética.
Se uma proposta semelhante tivesse sido apresentada pelo PCP, o debate público já estaria mergulhado em previsões apocalípticas. Haveria editoriais sobre o colapso da economia de mercado, alertas sobre a fuga dos investidores e inevitavelmente alguém acabaria a explicar que este é exactamente o tipo de pensamento que conduz às filas para o pão, à falta dele e, provavelmente, ao fim da civilização ocidental tal como a conhecemos. Não necessariamente porque exista uma relação lógica entre as duas coisas, mas porque em Portugal as hipotéticas filas para o pão que não há, desempenham na discussão económica o mesmo papel que os dinossauros desempenham nos filmes do Jurassic Park: aparecem sempre naquele momento em que o argumento precisa de alguma emoção adicional.
É precisamente por isso que a proposta do Fundo Soberano tem um encanto especial. Não porque seja necessariamente boa ou má. Mas porque obriga o PSD a responder a uma pergunta relativamente simples: se faz sentido criar um instrumento para permitir ao Estado adquirir participações em empresas estratégicas, porque razão deixou de fazer sentido que o Estado as tivesse quando as possuía? A pergunta é desconfortável porque não é ideológica. É cronológica.
Entretanto, porém, surge um problema muito mais interessante. Os fundos soberanos normalmente aparecem depois da riqueza. A Noruega descobriu petróleo e criou um fundo soberano. O Qatar acumulou receitas gigantescas do gás natural e criou um fundo soberano. Os Emirados Árabes Unidos fizeram exactamente o mesmo. Existe uma certa lógica no processo: primeiro aparece o dinheiro, depois discute-se o que fazer com ele.
Luís Montenegro decidiu experimentar uma abordagem mais revolucionária. Portugal, pelo que se sabe, continua sem petróleo, sem gás natural e sem excedentes orçamentais capazes de alimentar cerca de 4,1% da população portuguesa que sofre de insegurança alimentar moderada ou grave. Mas em compensação, continua a produzir anúncios de ideias megalómanas com uma eficiência verdadeiramente admirável. Os outros países acumularam riqueza extraordinária e depois criaram fundos soberanos. Nós começámos pelo fundo. A riqueza ficará para uma fase posterior do projecto.
Naturalmente, podem existir explicações que ainda desconhecemos. Talvez tenha sido descoberta uma gigantesca reserva de petróleo ao largo da costa portuguesa e ninguém informou os portugueses. Talvez exista gás natural escondido algures entre uma reforma administrativa e uma promessa eleitoral. Em alternativa, talvez o financiamento venha daquela economia que, segundo Luís Montenegro, desperta sentimentos de inveja por esse mundo fora e que aparentemente produz riqueza em quantidades tão abundantes que só os portugueses ainda não repararam. Se assim for, estaremos perante um avanço científico extraordinário. Pela primeira vez na história económica, um governante terá conseguido transformar auto-elogios governamentais em capital.
A questão torna-se ainda mais interessante quando se olha para as empresas que foram privatizadas. Muitas delas distribuíram dividendos durante anos, valorizaram-se significativamente e proporcionaram retornos substanciais aos seus accionistas. Isto significa que o país poderá vir a discutir a possibilidade de utilizar recursos públicos para adquirir participações em sectores que anteriormente decidiu abandonar, pagando potencialmente muito mais por posições que um dia já foram suas.
Em termos de gestão patrimonial, a lógica parece ser relativamente simples. Primeiro vende-se barato porque não faz sentido possuir. Depois recompra-se caro porque afinal faz.
Talvez seja por isso que a designação Partido Comunista Social-Democrata seja tão adequada. Não porque o PSD tenha descoberto subitamente as virtudes do comunismo ou do planeamento económico. A realidade é bastante mais divertida. Depois de passar décadas a explicar porque o Estado devia sair, vê-se agora obrigado a explicar porque deve (voltar) a entrar. E fá-lo com tal naturalidade que quase ficamos com a sensação de que a parte estranha desta história não é a mudança de posição. É alguém ter reparado nela.
É difícil não admirar a elasticidade intelectual necessária para executar uma cambalhota desta dimensão sem sofrer uma única lesão ideológica.

RiseUP Portugal 

85 anos depois o nazismo volta a ser uma ameaça:

(João Gomes, in Facebook, 22/06/2026) 

Há exatamente 85 anos, a invasão da União Soviética pela Alemanha nazi, através da Operação Barbarossa, deu início a uma das páginas mais sangrentas da História humana. Milhões de vidas seriam destruídas por uma ideologia construída sobre o ódio racial, o nacionalismo extremo, a desumanização do outro e a crença na superioridade de uns sobre os demais.

Por isso, todos os anos, a Rússia assinala esta data como um dia de luto e memória. A cerimónia realizada em Moscovo, com a deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, recorda os milhões de soldados e civis que perderam a vida naquilo que os russos designam como a Grande Guerra Patriótica.

Mas a memória só tem utilidade se servir de alerta.

O nazismo foi derrotado militarmente em 1945, mas as ideias que o alimentaram nunca desapareceram por completo. Permaneceram latentes, à espera de tempos de medo, de crises económicas, de insegurança social e de desilusão política para voltarem a emergir.

Hoje, a Europa assiste com inquietação ao crescimento de movimentos de extrema-direita, alguns dos quais recuperam discursos de intolerância, de supremacismo étnico, de demonização de minorias e de rejeição dos valores democráticos que nasceram precisamente das cinzas da Segunda Guerra Mundial.

Importa distinguir: nem toda a direita é extremista, nem todo o conservadorismo é antidemocrático. Porém, seria igualmente um erro ignorar que, em vários países europeus, grupos assumidamente neonazis e organizações de extrema-direita radical voltaram a ganhar visibilidade e capacidade de influência, sobretudo através das redes sociais e da exploração dos receios e frustrações de muitos cidadãos.

A História ensina-nos que as democracias raramente morrem de um dia para o outro. Morrem lentamente, quando a intolerância se normaliza, quando a mentira se torna aceitável, quando o ódio encontra justificação e quando se acredita que determinados direitos só pertencem a alguns.

O 22 de junho de 1941 não deve ser apenas uma data recordada pela Rússia. Deve ser uma advertência para toda a humanidade. O nazismo não é uma ameaça porque possa regressar exatamente com os mesmos símbolos e uniformes de há oito décadas. É uma ameaça porque as ideias que lhe deram origem continuam a poder reaparecer, adaptadas aos tempos modernos, alimentadas pelo medo e pela divisão.

Oito décadas depois, a melhor homenagem aos milhões de mortos da Segunda Guerra Mundial continua a ser a mesma: não esquecer, não relativizar e nunca permitir que o ódio volte a vestir-se de normalidade. E isso já acontece se olharmos para Israel.

Do blogue Estátua de Sal