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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Que País!

 

UM JEITO MANSO: Ganda porrada, hein...?, Montenegro & Associados.....

UM JEITO MANSO: Ganda porrada, hein...?, Montenegro & Associados.....:   Hoje o tribunal decidiu a favor dos manifestantes autorizando que se possa acampar até 24 de Novembro e referindo que não é automático que...

Tomás Larisch Frazer:

Doente, ainda arrepiado e só não choro porque já não há forças e já chorei demasiado. Obrigado a todas e todos que fizeram este momento da orquestra @acampada.lisboa acontecer, desde a quem fez arranjos, à organização incansável e estes músicos incríveis. Obrigado ao @maximo_francisco_ por este arranjo que nos doaste.

Hoje foi um momento de orgulho em ser músico em Portugal numa altura em que a vergonha me tem assolado diariamente.

Não, como é óbvio, não filmei a casa de Leitão Amaro:

Era o que mais faltava que um garoto tentasse enlamear o meu bom nome, apenas porque eu tenho a desfaçatez de lhes fazer frente e de defender um país soberano e em que quem cá trabalha seja tratado como uma pessoa digna e merecedora de respeito.
Até eu passei a ser um "perigo para a segurança nacional", na voz do porta-voz do PSD Sebastião Bugalho.
Estamos mesmo entregues a garotos.
O desnorte do atual governo é total. Tentam inventar desordem onde ela não existe. E sonham com desordeiros, enquanto fecham os olhos a neonazis infiltrados nas forças de segurança e a agrobetos com petardos.
Não é a primeira vez que Bugalho mente com os dentes todos. Quando me acusou de "mentir aos telespectadores da SIC" no mesmo tom descontrolado em que um agressor grita à vítima, acabou por reconhecer que se excedera perante o RAP.
O que é que o levou, então, a acusar-me mentir? Expliquei, na SIC-Notícias, ao conhecer os nomes dos ministros e a orgânica do governo de Montenegro, que o facto de não haver um número 2 com capacidade de coordenação política e de Paulo Rangel ter que estar fora do país, por ser Ministro dos Negócios Estrangeiros, acabaria por resultar num desnorte político do governo.
Julgo que os factos falam por si. Os últimos meses são disso prova.
Tanto não há qualquer capacidade de comunicação e de imposição de agenda política, que Montenegro se viu forçado a ir buscar Sebastião Bugalho a Bruxelas para fazer o quê? Coordenação política!
A tática destas novas direitas já enjoa: inventar as mentiras mais mirabolantes e tentar enlamear e difamar os seus adversários políticos.
Comigo, não.
Democrata como sou, jamais colocaria em causa a intimidade e a privacidade de um concidadão que exerce um cargo político. Muito menos, da sua família.
Nunca farei o que estas novas direitas azeiteiras fizeram com as casas e famílias de João Galamba, Fernando Medina, Ana Gomes, Pedro Nuno Santos, António Costa e José Sócrates.
Por favor, não me julguem à vossa imagem.

#psd #governo #mentira #portugal #observador

Miguel Prata Roque 

O Triunfo do Porco de Intervenção:

(Por A Crónica que Veio do Frio, in Facebook, 01/11/2026, Revisão da Estátua)

Em Agosto de 1974, o Governo Provisório assinou um decreto para cumprir o Programa do MFA. O Decreto-Lei 406/74 regulava o direito de reunião e de manifestação. Cinquenta e dois anos depois, a PSP usa-o para varrer manifestantes de praças à bastonada.

O decreto ordena acabar as reuniões em público à 00h30. Explicado por um constitucionalista que a ideia é proteger o descanso dos outros cidadãos. O que tem piada. A cidade que dorme sem se queixar com o barulho dos tuk-tuks, obras e concertos de Verão descobriu repentinamente uma sensibilidade acústica ao nível de um convento de clausura.

Existe também, do outro lado, o artigo 45.º da Constituição, que garante a manifestação pacífica e sem armas, sem necessidade de autorização. Entre um decreto do Governo Provisório e a Constituição, o Governo e a PSP escolheram o decret. Em Madrid, onde a acampada durou vários dias, o Tribunal Constitucional deu razão aos manifestantes e proibiu o desmantelamento. Cá, o procurador-geral desafiou o Parlamento a rever o diploma e recusou levá-lo ao Tribunal Constitucional. O presidente da Assembleia diz que cabe ao Tribunal Constitucional dizer se a lei é constitucional. O decreto anda de mão em mão, Como um miúdo a berrar numa viagem de metro em hora de ponta . Ninguém o quer, ninguém o larga.

Na rua, o debate foi muito menos jurídico.

No domingo, 25 de Outubro, a polícia dispersou os manifestantes à bastonada e com cães, deixando pelo menos 33 feridos. Voltaram aos mesmos procedimentos na noite passada.

Sábado à tarde, milhares de pessoas marcharam do Largo de Camões ao Rossio. A PSP avisou que as tendas tinham que ser desmontadas e retiradas até à meia-noite e meia; a Acampada de Lisboa retaliou respondendo que a ideia era acordar no Rossio e que estariam dispostos a resistir. Cada lado apresentou o seu horário, e o relógio, que não vota, deu razão aos que tinham mais armas. Por volta das 4h30, o Corpo de Intervenção avançou em simultâneo em Lisboa e no Porto. Na capital, os manifestantes formaram um cordão humano para atrasar a polícia, que o atravessou à bastonada. No Porto, a Praça D. João I foi esvaziada e carrinhas da Câmara trataram da limpeza.

A polícia fala em treze agentes feridos e treze manifestantes detidos, seis em Lisboa e sete no Porto, e o porta-voz, subintendente Sérgio Soares, garante que a actuação foi proporcional. Proporcional ao quê, não disse. A organização do Porto conta 38 feridos, e a Acampada de Lisboa fala em mais de 30 feridos, dez deles hospitalizados. Dois boletins, duas tabuadas.

No Porto, a PSP confirmou ainda a presença de quatro agentes à paisana, e que um deles sacou de uma arma de fogo, descrita como meio de dissuasão perante a agressão de manifestantes. Fica registrado: bastão para a praça, pistola para a conversa. Entre os detidos da Invicta, quatro mulheres e três homens, contam-se duas Mães pela Acampada. O Estado ficou, finalmente, protegido das mães, grupo que a história sempre mostrou ser o mais perigoso para os regimes.

O corpo de intervenção agiu sem identificação, e no Porto os capacetes azuis não tinham número. Um repórter de imagem da CMTV levou uma bastonada e diz que estava completamente identificado e que a polícia sabia que ele não era manifestante. A PSP não discrimina: bate na imprensa com a mesma isenção com que bate no povo. A Provedoria de Justiça mandou observadores para o Rossio, que é o que um Estado faz quando começa a desconfiar de si próprio. Segundo o movimento, é a terceira intervenção violenta contra a Acampada de Lisboa em menos de três semanas.

Um agente sem número, de bastão em punho, a dispersar quem traz um cartaz. É a ordem pública, na versão que só convence quem nunca esteve do lado errado dela.

Luís Neves garantiu que a PSP não excederia os poderes que a lei lhe dá e que o direito à manifestação é respeitado por todos. Depois vieram os cães, os bastões e os capacetes anónimos, o que prova que os poderes da PSP são generosos: cabe lá tudo, menos um número. Informou ainda o Parlamento de que esteve sempre em articulação com a PSP. Estatuto curioso: presente em todas as fases, responsável por nenhuma. Espectador de camarote de um espectáculo que não tinha encenador. Repete firmemente que a lei é para cumprir, e percebe-se: é uma lei de 1974, a Constituição é de depois, e o ministro, como bom funcionário, cumpre a mais antiga.

E o primeiro-ministro? Luís Montenegro tem a coragem de um cao debaixo do sofá em noite de fogo de artifício. Há quem precise urgentemente de aprender Constituição, e a escola é o sítio indicado. Depois disse que esteve a trabalhar, e acredito: gerir cinquenta e cinco imóveis dá trabalho a tempo inteiro, e ainda fundou uma empresa de consultoria e imobiliário. Falta explicar porque nenhum desses trabalhos incluía abrir a boca sobre as bastonadas em duas cidades.

Não escrevo «fascismo» de ânimo leve, escrevo como aviso. A democracia raramente morre de tanques; morre de um decreto desenterrado, de um polícia sem número, de um ministro que repete que a lei é para cumprir e de um primeiro-ministro que desaparece para visitar escolas. É assim que o ensaio começa. Ainda não é a estreia, mas já se ouvem as pancadas de Molière .

Quem aplaude é o Chega, e aplaude duas vezes, com a mesma mão. Ventura gabou a paciência, a proporcionalidade e a educação da PSP. Educação, de facto: ensinaram anatomia e primeiros socorros a dezenas de pessoas, em directo. Apelidou de «vândalos e provocadores» os manifestantes e culpou arruaceiros da extrema-esquerda. Garantiu que o Estado não se podia acobardar e, nos entretantos, desafiou o Presidente da República a aplaudir publicamente a polícia, pois nada completa uma bastonada como uma salva de palmas institucional.

Falemos então de casas.

Os 220 membros do Governo e deputados do PSD, Chega, IL e CDS-PP possuem, em conjunto, 1.039 imóveis. Montenegro é dono de 55 imóveis e Paulo Rangel de 18. A lei de 1974 acaba com as reuniões à meia-noite e meia, mas nenhuma lei impede quem tem imóveis de legislar sobre arrendamento. Uma economista avisa que os benefícios correm o risco de ficar nos senhorios, sem chegar aos inquilinos. Até a disputa entre partidos tem um toque de comédia de condomínio: o PSD mandou distribuir os registos de interesses de deputados do Chega com imobiliárias, senhorios a denunciarem-se uns aos outros como vizinhos que se queixam do barulho. A casa, parece, está sempre bem tratada. O inquilino é que anda lá fora, de tenda, a ser desmontada com bastonadas às 4h30.

O direito à habitação não é um favor, está no artigo 65.º da Constituição, no mesmo livro do artigo 45.º, o que dá aos dirigentes uma única dificuldade: terem de consultar o livro. Os direitos básicos têm um defeito em comum: ficam incómodos assim que alguém os reclama em voz alta, depois da meia-noite e meia.

Do Blogue Estátua de Sal 

Depois de autorizadas:

Ou seja, não retiradas durante a noite de Domingo para Segunda-feira as tendas, há alguém que deve ser chamado à responsabilidade, ou até, demitido.

Espero pelo Conselho de Estado que resolução vai ter o Presidente da República, Primeiro Ministro e Ministro da Administração Interna.

Depois das investidas da polícia que não tiveram pejo em levar tudo à sua frente, mandando para o hospital com as cabeças partidas e várias escoriações, para depois brilhantes "cabeças", resolverem autorizarem tendas na acampada da Praça D. João 1.

Não há decoro. Assim pôs-se a policia contra manifestantes e agora só falta todos irem comer um belo jantar.

Espero por demissões. Se assim não for este Governo é um governo banana.

Manuel Pacheco  

Já se conhece quem é o provocador:

Militante do Chega, Diogo Lima Mayer, diretor de um resort familiar onde faz criação de cavalos em Arraiolos, quis ontem armar confusão na acampada de Lisboa.
Escreve a acampada de Lisboa: "Um homem infiltrado foi apanhado a lançar petardos e a tentar incendiar um caixote do lixo no meio da manifestação pacífica de hoje. Pelo menos três petardos foram ouvidos hoje dentro da multidão de manifestantes pacíficos.
Quando confrontado fugiu e barricou-se dentro do McDonalds, obrigando o restaurante a fechar as portas durante horas.
Isto surge depois da polícia perseguir e multar apoiantes da luta pela habitação que circulavam de carro e apitavam no Rossio em solidariedade! Não esperavam era que a solidariedade se contagiasse por vários condutores e gerasse a criação de um novo monstro: o BUZINÃO DO ROSSIO!
Não temos medo!
CHEGA DE TERRORISMO POLICIAL!"

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