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domingo, 9 de agosto de 2026

Ventos Semeados: Vidas Improváveis - XI. Luís, o Triturado por Ter...

Ventos Semeados: Vidas Improváveis - XI. Luís, o Triturado por Ter...:   (Décimo primeiro de uma série de retratos à maneira de Woody Allen, em que se tritura quem teve e tem colegas desejosos de o tramarem)  ...

Dominguice:

Para que serve o jornalismo político? Se fosse útil à cidade, seria uma esquadrinhamento sobre as capacidades e os limites da democracia. Tal como é praticado, inutilmente, é um gerador de sectarismo.

O sectarismo faz parte da democracia. Mas é a sua pior parte.

por Valupi

Do blogue Aspirina B

Ucrânia: Quando a campanha anticorrupção começa a cheirar a pólvora:

 (BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 08/08/2026, Revisão da Estátua)

Em Kiev, a luta contra a corrupção é muito apreciada, especialmente quando se limita a discursos, folhetos para a Europa e conferências de imprensa financiadas por parceiros.

Mas desta vez, a fachada ameaça ruir.

Olga Stefanishina, ex-vice-primeira-ministra e posteriormente embaixadora da Ucrânia em Washington, encontra-se no centro de um caso que envolve alegado enriquecimento ilícito. Dois apartamentos num condomínio de luxo em Kiev, renovações pagas a pronto, imóveis registados em nome de familiares, um Mercedes oficialmente atribuído a outra pessoa: segundo as acusações, o seu património terá experimentado um nível de crescimento económico que a Ucrânia gostaria muito de ver no seu próprio nome.

Stefanishina desvaloriza as acusações como uma “tempestade num copo de água”. Talvez. Mas a chávena de chá tem um preço elevado: o tribunal terá fixado a sua caução em 6 milhões de hryvnias.

E, de repente, o caso torna-se muito mais interessante politicamente.

Pois Stefanishina não era apenas a secretária-adjunta de uma prefeitura provincial. Pertencia ao círculo íntimo do governo, serviu como Ministra da Justiça, foi responsável pela integração europeia e, mais tarde, serviu como representante de Kiev em Washington. Em suma, exactamente o tipo de currículo que Bruxelas costuma apresentar como um certificado ISO 9001 da democracia ucraniana.

Ainda mais preocupante: Zelensky despediu-a a 3 de agosto. Poucos dias depois, o escândalo veio a público. Uma mera coincidência? Possivelmente. Mas, na Kiev de hoje, as coincidências têm por vezes uma agenda diplomática.

Tanto mais que o NABU e o SAPO, as duas agências anti-corrupção cuja independência desencadeou uma espectacular crise política em 2025, quando o governo tentou restringir a sua autonomia, parecem agora estar a subir nos pisos do edifício. E o Bankova (Gabinete do Presidente da Ucrânia) fica no último piso.

É precisamente aí que este caso vai para além de dois apartamentos e um Mercedes. O ex-deputado Vladimir Oleynik e o ex-primeiro-ministro Mykola Azarov afirmam que a investigação pode atingir questões muito mais sensíveis, particularmente as que envolvem Timur Mindich e canais relacionados com bens confiscados. Nesta fase, trata-se apenas de alegações, não de factos legalmente comprovados.

Mas o problema político já está aí.

Nos últimos quatro anos, Kiev tem dito à Europa que está a lutar simultaneamente contra a Rússia, a corrupção, os oligarcas e, provavelmente, o mau colesterol. Entretanto, cada nova investigação parece revelar um esquema nos bastidores por detrás da anterior.

A ironia mais grave seria que Washington tem vindo a financiar o Estado ucraniano, as suas instituições e as suas agências anti-corrupção há anos… para ter agora à sua disposição a melhor ferramenta jurídica para examinar aqueles que outrora apoiou.

A corrupção na Ucrânia deixaria de ser apenas um escândalo. Tornar-se-ia uma coleira. E na Rua Bankova, a verdadeira questão já não seria quem é o proprietário de que apartamento, mas sim quem detém o controlo da situação.

Do blogue Estátua de Sal

𝗔 𝗨𝗖𝗥𝗔̂𝗡𝗜𝗔 𝗖𝗛𝗘𝗚𝗢𝗨 𝗔𝗢 𝗙𝗜𝗠. 𝗘 𝗔𝗚𝗢𝗥𝗔 𝗘́ 𝗛𝗢𝗥𝗔 𝗗𝗘 𝗙𝗔𝗟𝗔𝗥 𝗗𝗢 𝗤𝗨𝗘 𝗢 𝗢𝗖𝗜𝗗𝗘𝗡𝗧𝗘 𝗙𝗘𝗭:

Durante mais de 20 anos, Estados Unidos, NATO e Europa cometeram erros estratégicos atrás de erros estratégicos. Depois, quando tudo explodiu, fizemos uma coisa extraordinariamente conveniente: começámos a contar a história no dia 24 de Fevereiro de 2022.

Mas esta guerra não nasceu nessa manhã.
Durante anos, Moscovo repetiu que havia uma coisa que não aceitaria: 𝗔 𝗘𝗫𝗣𝗔𝗡𝗦𝗔̃𝗢 𝗗𝗔 𝗡𝗔𝗧𝗢 𝗔̀ 𝗨𝗖𝗥𝗔̂𝗡𝗜𝗔.
Era a famosa “linha vermelha”.
E como quase ninguém explica o que isso realmente significava, vou fazê-lo da forma mais simples possível.
𝗜𝗠𝗔𝗚𝗜𝗡𝗔 𝗤𝗨𝗘 𝗢 𝗧𝗘𝗨 𝗩𝗜𝗭𝗜𝗡𝗛𝗢 𝗖𝗢𝗟𝗢𝗖𝗔 𝗨𝗠𝗔 𝗔𝗥𝗠𝗔 𝗔𝗣𝗢𝗡𝗧𝗔𝗗𝗔 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝗔 𝗣𝗢𝗥𝗧𝗔 𝗗𝗔 𝗧𝗨𝗔 𝗖𝗔𝗦𝗔.
A partir desse momento, sempre que abres a porta, já não és tu que controlas completamente a tua segurança.
É ele que decide se dispara ou não.
Tu dizes:
“Não aceito uma arma apontada para a minha porta.”
E ele responde:
“Não tens nada a ver com isso. A casa ao lado é soberana e eu coloco lá aquilo que quiser.”
𝗘𝗦𝗦𝗔 𝗘́ 𝗔 𝗟𝗜𝗡𝗛𝗔 𝗩𝗘𝗥𝗠𝗘𝗟𝗛𝗔.
Para Moscovo, a questão não era existir já uma bomba nuclear americana na Ucrânia. Não existia.
A questão era impedir que a Ucrânia entrasse numa aliança militar nuclear adversária e que, depois disso, Moscovo tivesse de confiar eternamente na promessa de Washington de que nunca colocaria determinadas capacidades militares ainda mais perto da Rússia.
Porque depois de a arma estar à tua porta, já não controlas quem um dia poderá carregar no gatilho.
E esta preocupação não apareceu em 2022.
A NATO expandiu-se sucessivamente para Leste e, em 2008, tomou uma decisão histórica: declarou oficialmente que 𝗔 𝗨𝗖𝗥𝗔̂𝗡𝗜𝗔 𝗘 𝗔 𝗚𝗘𝗢́𝗥𝗚𝗜𝗔 “𝗦𝗘 𝗧𝗢𝗥𝗡𝗔𝗥𝗔̃𝗢 𝗠𝗘𝗠𝗕𝗥𝗢𝗦 𝗗𝗔 𝗡𝗔𝗧𝗢”.
Não foi Putin que inventou essa frase.
Está escrita na declaração oficial da própria NATO.
E é aqui que a hipocrisia ocidental se torna impossível de ignorar.
Porque os Estados Unidos sabem perfeitamente o que significa ter armamento estratégico demasiado perto.
𝗖𝗨𝗕𝗔, 𝟭𝟵𝟲𝟮.
Quando a União Soviética colocou mísseis nucleares em Cuba, Washington não disse:
“Cuba é um Estado soberano. Pode fazer aquilo que quiser.”
Os Estados Unidos estavam preparados para arriscar uma guerra mundial para impedir que armamento nuclear soviético permanecesse tão perto do seu território.
Então expliquem-me:
𝗣𝗢𝗥𝗤𝗨𝗘 𝗥𝗔𝗭𝗔̃𝗢 𝗔 𝗥𝗨́𝗦𝗦𝗜𝗔 𝗧𝗜𝗡𝗛𝗔 𝗗𝗘 𝗔𝗖𝗘𝗜𝗧𝗔𝗥 𝗨𝗠 𝗥𝗜𝗦𝗖𝗢 𝗤𝗨𝗘 𝗢𝗦 𝗣𝗥𝗢́𝗣𝗥𝗜𝗢𝗦 𝗔𝗠𝗘𝗥𝗜𝗖𝗔𝗡𝗢𝗦 𝗡𝗨𝗡𝗖𝗔 𝗔𝗖𝗘𝗜𝗧𝗔𝗥𝗔𝗠 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝗦𝗜?
Essa era a discussão que deveríamos ter tido.
Em vez disso, durante anos comportámo-nos como se a Rússia simplesmente tivesse de aceitar a arquitectura de segurança que nós decidíamos construir.
E chegámos a Dezembro de 2021.
Moscovo colocou propostas formais de segurança em cima da mesa, incluindo exigências sobre o futuro alargamento da NATO e sobre determinadas capacidades militares.
Não chegámos a acordo.
Depois veio a invasão.
Podemos condenar a invasão e, simultaneamente, ter a coragem intelectual de perguntar:
𝗖𝗢𝗠𝗢 𝗗𝗜𝗔𝗕𝗢 𝗗𝗘𝗜𝗫𝗔́𝗠𝗢𝗦 𝗔 𝗘𝗨𝗥𝗢𝗣𝗔 𝗖𝗛𝗘𝗚𝗔𝗥 𝗔𝗤𝗨𝗜?
Porque a história ainda fica pior.
Poucas semanas depois do início da guerra, russos e ucranianos estavam novamente sentados à mesa.
Em Istambul discutiram neutralidade ucraniana, não adesão à NATO, limitações militares e garantias internacionais de segurança.
Não existia ainda um tratado final. Havia questões importantes por resolver.
Mas havia uma negociação real.
𝗘 𝗘𝗥𝗔 𝗔𝗟𝗜 𝗤𝗨𝗘 𝗘𝗨𝗔 𝗘 𝗘𝗨𝗥𝗢𝗣𝗔 𝗗𝗘𝗩𝗜𝗔𝗠 𝗧𝗘𝗥 𝗖𝗢𝗟𝗢𝗖𝗔𝗗𝗢 𝗧𝗢𝗗𝗢 𝗢 𝗦𝗘𝗨 𝗣𝗘𝗦𝗢 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝗧𝗘𝗡𝗧𝗔𝗥 𝗣𝗔𝗥𝗔𝗥 𝗔 𝗚𝗨𝗘𝗥𝗥𝗔.
Não aconteceu.
A guerra continuou.
E agora olhem para a factura.
Centenas de milhares de mortos e feridos.
Milhões de pessoas deslocadas.
Território perdido.
Infraestruturas destruídas.
Uma crise demográfica brutal.
Uma economia dependente de ajuda externa.
Um Estado dependente militarmente do Ocidente.
E graves problemas de corrupção que não desapareceram simplesmente porque Zelensky passou a ser apresentado como herói em Bruxelas.
Aliás, em 2025 milhares de ucranianos saíram às ruas depois de Zelensky aprovar legislação que os críticos consideravam uma ameaça à independência das principais instituições anticorrupção.
𝗣𝗢𝗥𝗧𝗔𝗡𝗧𝗢, 𝗡𝗔̃𝗢. 𝗭𝗘𝗟𝗘𝗡𝗦𝗞𝗬 𝗡𝗔̃𝗢 𝗘́ 𝗔 𝗨𝗖𝗥𝗔̂𝗡𝗜𝗔.
É um político.
E agora começam a aparecer números politicamente devastadores.
Numa recente sondagem da SOCIS, numa hipotética volta presidencial contra o antigo comandante-chefe Valerii Zaluzhnyi:
𝗭𝗘𝗟𝗘𝗡𝗦𝗞𝗬: 𝟯𝟯,𝟴%
𝗭𝗔𝗟𝗨𝗭𝗛𝗡𝗬𝗜: 𝟲𝟲,𝟮%
Segundo a mesma sondagem, Zelensky perderia também contra Budanov e Fedorov.
𝗜𝗦𝗧𝗢 𝗖𝗥𝗜𝗔 𝗨𝗠𝗔 𝗖𝗢𝗡𝗧𝗥𝗔𝗗𝗜𝗖̧𝗔̃𝗢 𝗤𝗨𝗘 𝗔 𝗘𝗨𝗥𝗢𝗣𝗔 𝗣𝗥𝗘𝗙𝗘𝗥𝗘 𝗡𝗔̃𝗢 𝗩𝗘𝗥: continuamos a transformar Zelensky no rosto intocável da Ucrânia quando as próprias sondagens mostram uma enorme erosão do seu apoio e derrotas claras contra vários potenciais adversários numa hipotética segunda volta. Pior ainda, estamos tão presos à narrativa repetida durante anos por grande parte da comunicação social europeia que já quase ninguém pergunta pela realidade nem pela coerência moral daquilo que defendemos. Dizemos que estamos a lutar pela democracia ucraniana, mas quando uma parte crescente dos próprios ucranianos quer outra liderança, continuamos a agir como se Zelensky fosse a própria Ucrânia. 𝗡𝗔̃𝗢 𝗘́. E há uma pergunta inevitável: quando as condições legais e de segurança permitirem novamente eleições presidenciais, deixaremos finalmente os ucranianos decidir livremente quem querem que os governe? Porque apoiar a Ucrânia deveria significar apoiar 𝗢 𝗣𝗢𝗩𝗢 𝗨𝗖𝗥𝗔𝗡𝗜𝗔𝗡𝗢, não transformar um determinado presidente num cheque em branco. E num país que continua confrontado com graves escândalos de corrupção, fiscalização e independência das instituições tornam-se ainda mais importantes, não menos.
Alem do mais o próprio Zaluzhnyi começou agora a dizer algo igualmente incómodo: a Rússia conseguiu desenvolver respostas para praticamente todos os principais sistemas ocidentais que foram introduzidos nesta guerra.
Durante anos venderam-nos armas atrás de armas como solução.
A realidade é muito mais desagradável:
𝗢 𝗔𝗗𝗩𝗘𝗥𝗦𝗔́𝗥𝗜𝗢 𝗧𝗔𝗠𝗕𝗘́𝗠 𝗔𝗣𝗥𝗘𝗡𝗗𝗘.
E agora chegamos ao Starlink.
Isto é muito maior do que parece.
A Ucrânia quer utilizar esta infraestrutura para ampliar determinadas operações profundamente dentro da Rússia. Musk continua a colocar limites.
E não estamos a falar simplesmente de alguém ficar sem Internet.
Segundo dados a que tive acesso no meu contexto profissional, mais de 99% da utilização relevante do Starlink na Ucrânia estava associada a utilizações militares ou directamente relacionadas com o esforço de guerra. Não publico a fonte nem a casa decimal exacta porque esses dados não são públicos.
𝗦𝗧𝗔𝗥𝗟𝗜𝗡𝗞 𝗘́ 𝗨𝗠𝗔 𝗣𝗘𝗖̧𝗔 𝗖𝗥𝗜́𝗧𝗜𝗖𝗔 𝗗𝗘𝗦𝗧𝗔 𝗚𝗨𝗘𝗥𝗥𝗔.
- Comunicação.
- Drones.
- Reconhecimento.
- Transmissão de dados.
- Coordenação.
- Comando.
Quando Musk controla geograficamente onde determinados serviços funcionam, consegue também limitar operações que deles dependem.
E isto mostra outra realidade que Bruxelas prefere não admitir:
𝗦𝗘𝗠 𝗢𝗦 𝗘𝗦𝗧𝗔𝗗𝗢𝗦 𝗨𝗡𝗜𝗗𝗢𝗦, 𝗔 𝗘𝗨𝗥𝗢𝗣𝗔 𝗡𝗔̃𝗢 𝗧𝗘𝗠 𝗖𝗔𝗣𝗔𝗖𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝗦𝗨𝗦𝗧𝗘𝗡𝗧𝗔𝗥 𝗜𝗡𝗗𝗘𝗙𝗜𝗡𝗜𝗗𝗔𝗠𝗘𝗡𝗧𝗘 𝗘𝗦𝗧𝗔 𝗘𝗦𝗧𝗥𝗔𝗧𝗘́𝗚𝗜𝗔 𝗦𝗢𝗭𝗜𝗡𝗛𝗔.
Trump parece ter percebido que escalar indefinidamente contra uma potência nuclear não constitui uma estratégia sustentável.
Bruxelas ainda parece acreditar que o mundo funciona segundo as suas ordens.
Mas olhem à nossa volta.
- China cresce em influência.
- Índia cresce em influência.
- Novos blocos económicos aparecem.
- A Rússia encontrou novos mercados e parceiros.
E a Europa enfrenta crescimento fraco, energia cara, indústria sob enorme pressão, problemas demográficos, dívida em vários Estados e dependência militar americana.
𝗔 𝗘𝗨𝗥𝗢𝗣𝗔 𝗘𝗦𝗧𝗔́ 𝗔 𝗣𝗘𝗥𝗗𝗘𝗥 𝗣𝗘𝗦𝗢 𝗡𝗢 𝗠𝗨𝗡𝗗𝗢.
E continuamos a comportar-nos como se ainda estivéssemos em 1995.
É por tudo isto que digo:
𝗔 𝗨𝗖𝗥𝗔̂𝗡𝗜𝗔 𝗖𝗛𝗘𝗚𝗢𝗨 𝗔𝗢 𝗙𝗜𝗠.
Não estou a dizer que amanhã desaparece um país chamado Ucrânia.
Estou a dizer que o projecto que vendemos aos ucranianos fracassou.
- Prometemos segurança.
Receberam guerra.
- Prometemos prosperidade e integração.
Receberam destruição e dependência.
- Prometemos recuperar território.
Perderam mais território e uma quantidade monstruosa de vidas.
Dissemos que estávamos a salvar a Ucrânia.
𝗠𝗔𝗦 𝗤𝗨𝗘𝗠 𝗣𝗔𝗚𝗢𝗨 𝗔 𝗡𝗢𝗦𝗦𝗔 𝗘𝗦𝗧𝗥𝗔𝗧𝗘́𝗚𝗜𝗔 𝗙𝗢𝗥𝗔𝗠 𝗦𝗢𝗕𝗥𝗘𝗧𝗨𝗗𝗢 𝗢𝗦 𝗨𝗖𝗥𝗔𝗡𝗜𝗔𝗡𝗢𝗦.
Agora podemos estar simplesmente a assistir à confirmação final.
Se o apoio americano continuar a mudar, se a pressão militar aumentar e se Kiev acabar obrigada a negociar numa posição pior, haverá uma pergunta que nenhum dirigente europeu deveria conseguir evitar:
𝗦𝗘 𝗡𝗢 𝗙𝗜𝗠 𝗧𝗨𝗗𝗢 𝗜𝗦𝗧𝗢 𝗩𝗔𝗜 𝗔𝗖𝗔𝗕𝗔𝗥 𝗡𝗨𝗠𝗔 𝗠𝗘𝗦𝗔 𝗗𝗘 𝗡𝗘𝗚𝗢𝗖𝗜𝗔𝗖̧𝗢̃𝗘𝗦, 𝗤𝗨𝗔𝗡𝗧𝗢 𝗗𝗜𝗦𝗧𝗢 𝗣𝗢𝗗𝗜𝗔 𝗧𝗘𝗥 𝗦𝗜𝗗𝗢 𝗘𝗩𝗜𝗧𝗔𝗗𝗢?
E sobretudo:
𝗤𝗨𝗔𝗡𝗧𝗢𝗦 𝗨𝗖𝗥𝗔𝗡𝗜𝗔𝗡𝗢𝗦 𝗧𝗜𝗩𝗘𝗥𝗔𝗠 𝗗𝗘 𝗠𝗢𝗥𝗥𝗘𝗥 𝗔𝗡𝗧𝗘𝗦 𝗗𝗘 𝗢 𝗢𝗖𝗜𝗗𝗘𝗡𝗧𝗘 𝗖𝗢𝗠𝗘𝗖̧𝗔𝗥 𝗔 𝗔𝗗𝗠𝗜𝗧𝗜𝗥 𝗤𝗨𝗘 𝗧𝗔𝗠𝗕𝗘́𝗠 𝗘𝗥𝗥𝗢𝗨?
Porque talvez seja essa a verdade mais vergonhosa desta guerra:
- 𝗔 𝗥𝗨́𝗦𝗦𝗜𝗔 𝗗𝗜𝗦𝗦𝗘 𝗗𝗨𝗥𝗔𝗡𝗧𝗘 𝗔𝗡𝗢𝗦 𝗢𝗡𝗗𝗘 𝗘𝗦𝗧𝗔𝗩𝗔 𝗔 𝗦𝗨𝗔 𝗟𝗜𝗡𝗛𝗔 𝗩𝗘𝗥𝗠𝗘𝗟𝗛𝗔.
- 𝗡𝗢́𝗦 𝗦𝗔𝗕𝗜́𝗔𝗠𝗢𝗦.
- 𝗡𝗢́𝗦 𝗖𝗢𝗡𝗧𝗜𝗡𝗨𝗔́𝗠𝗢𝗦.
𝗘 𝗤𝗨𝗘𝗠 𝗙𝗜𝗖𝗢𝗨 𝗡𝗢 𝗠𝗘𝗜𝗢 𝗙𝗢𝗜 𝗔 𝗨𝗖𝗥𝗔̂𝗡𝗜𝗔.