Rádio Freamunde

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O BRICS Pay:

Deixou de ser ideia distante e virou estrutura concreta. Não é uma “moeda única” do bloco, como muitos imaginam, mas um sistema de pagamentos que conecta os países do BRICS para que negociem entre si usando suas próprias moedas. Isso muda muita coisa. Significa menos dependência do dólar nas transações internas e mais autonomia para economias que representam uma fatia gigantesca da população e do comércio mundial.
O projeto ganha peso porque nasce inspirado no PIX brasileiro, que já provou na prática que pagamentos instantâneos podem funcionar em larga escala. O BRICS Pay usa tecnologia blockchain, promete processar milhares de transações por segundo e conectar bancos centrais e instituições financeiras dos países membros. A lógica é simples e estratégica: real, yuan, rúpia e outras moedas podem circular diretamente entre os parceiros, sem precisar passar pelo dólar como intermediário obrigatório.
Aqui entram dois nomes centrais. Lula, no plano político, sustenta a narrativa de que o Sul Global precisa mudar a lógica da economia mundial e negociar em condições mais equilibradas. Dilma Rousseff, à frente do Novo Banco de Desenvolvimento, dá base institucional ao projeto, organizando essa engrenagem financeira dentro do próprio bloco. Um articula, a outra estrutura.
Com a expansão do BRICS e a entrada de novos membros relevantes em energia e comércio, o sistema ganha ainda mais sentido. Não é um movimento explosivo de curto prazo, mas uma construção gradual que pode alterar a dinâmica das transações internacionais ao longo dos próximos anos. O BRICS Pay não é discurso. É infraestrutura. E infraestrutura, quando funciona, redefine poder.

QUATRO ANOS DEPOIS:

Quatro anos depois de fevereiro de 2022, a guerra já não é apenas uma guerra. É um espelho. E como todos os espelhos geopolíticos, não reflete apenas tanques e mapas - reflete erros estratégicos, ilusões acumuladas e a arrogância estrutural de blocos que acreditaram poder moldar a história à sua vontade.

Tudo começou muito antes de 2022. Muito antes das colunas militares atravessarem a fronteira da Ucrânia. Começou quando o espaço pós-URSS deixou de ser visto como zona de transição e passou a ser tratado como território disputável. Quando a expansão da NATO deixou de ser apenas um movimento defensivo e passou a ser percebida - em Moscovo - como avanço estrutural sobre a sua profundidade estratégica.

E depois veio 2014. A Crimeia - onde a frota russa já estava instalada há décadas - mudou de estatuto. O Donbass entrou em combustão lenta. Os acordos de Minsk tornaram-se papel diplomático sem executor real. A guerra começou ali, mas o mundo fingiu que ainda não era guerra.

Quatro anos depois da invasão em larga escala, a narrativa ocidental inicial - “sanções devastadoras”, “colapso iminente”, “isolamento total” - não produziu o desfecho prometido.

A Rússia não colapsou. Adaptou-se. Redirecionou energia para a Ásia. Expandiu laços com o BRICS. Militarizou a economia. Absorveu sanções. Converteu-se numa fortaleza estratégica. Tornou-se mais dependente da China? Sim. Mais fechada? Também. Mas não implodiu. A expectativa de que a pressão económica produziria mudança de regime revelou-se, no mínimo, otimista.

E a Europa? A União Europeia perdeu gás barato. Perdeu previsibilidade energética. Perdeu competitividade industrial relativa. Ganhou inflação, fragmentação política e um debate interno permanente sobre “até quando”. Reuniões sucessivas. Declarações firmes. Pacotes adicionais. Mais ajuda. Mais sanções. E sempre a sensação de que a solução está na próxima cimeira.

A ironia estratégica é esta: ao procurar enfraquecer Moscovo, a Europa expôs a sua própria vulnerabilidade estrutural - energética, industrial e até psicológica.

E Washington? Sob a administração de Joe Biden, a aposta foi clara: sustentar Kiev, preservar a coesão atlântica e transformar a Ucrânia num ponto de contenção estratégica. A leitura crítica sustenta que houve algo mais: a crença de que a guerra prolongada poderia esgotar a Rússia internamente.

Mas guerras de desgaste são jogos perigosos. Elas não obedecem a planos lineares. E os EUA, enquanto projetam poder externo, enfrentam fraturas internas profundas - políticas, sociais e fiscais - que limitam a capacidade de sustentar conflitos indefinidamente.

E a Ucrânia? É o território onde a tragédia é concreta. Economia devastada. Infraestruturas destruídas. Dependência financeira externa. Mobilização prolongada. Um Estado que sobrevive porque é financiado. O discurso moral internacional convive com uma realidade brutal: quanto mais a guerra se prolonga, mais o país se esgota.

Há quem diga que tudo isto poderia ter sido evitado se o Ocidente tivesse reconhecido as “linhas vermelhas” russas. Mas também há quem sustente que ceder teria sido legitimar esferas de influência e sacrificar soberania. A verdade desconfortável é que ambas as leituras contêm elementos válidos, mas a realidade prova que a segunda delas criou mais influência da Rússia no resto do Mundo. Ou seja, o medo do capitalismo ocidental de que a Rússia fosse demasiado boa economicamente para a Europa, transferiu-se para a economia global: China, Índia, Irão, etc.

Mas a expansão ocidental foi percebida em Moscovo como ameaça existencial. E, se a reação russa desprezou o princípio de integridade territorial foi porque temeu exatamente o contrário para o seu território e... antecipou-se. Duas lógicas estratégicas incompatíveis colidiram - e a Ucrânia tornou-se o campo de prova.

Quatro anos depois, o mundo parece mais dividido. De um lado, o bloco atlântico reforçado militarmente, mas economicamente pressionado. Do outro, uma Rússia mais isolada do Ocidente, porém integrada num eixo euroasiático em consolidação. E ao fundo, a China cresce, observa, negocia, acumula influência e evita envolvimento direto. A Multipolaridade apareceu e cresceu? Mas, se ainda não está estável, para lá caminha.

A tese mais controversa é esta: a continuidade da guerra já não depende apenas de Moscovo. Depende da disposição do Ocidente em reconhecer que a estratégia inicial - pressionar até à exaustão - não produziu a rendição esperada. Se a meta implícita foi forçar a Rússia a ceder ou fragmentar-se, o cálculo falhou. Se a meta foi preservar a Ucrânia como Estado soberano, o custo humano e material é colossal. Se a meta foi enfraquecer Moscovo, o resultado foi ambíguo: enfraquecida no Ocidente, viu-se reforçada na Ásia e no resto do Mundo.

Quatro anos depois, resta uma constatação irónica: O conflito que deveria reafirmar a ordem internacional acelerou a sua fragmentação. A tentativa de contenção produziu consolidação alternativa. A guerra que prometia solução rápida transformou-se em estrutura permanente.

E talvez a pergunta mais desconfortável não seja “quem ganhará?”, mas sim: Quem terá coragem de reconhecer que o erro estratégico foi mais do ocidente do que do coletivo - e que, embora nenhuma das potências envolvidas saia ilesa da sua própria convicção, quem está a pagar mais pela incongruência é a Europa e é, sobretudo, a Ucrânia?

Porque a História raramente pune apenas um lado.

João Gomes 

Que belos cromos à pala do orçamento:

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 23/02/2026, Revisão da Estátua)

O Governo contrata por 11 mil euros, em ajuste direto, maquilhadores e cabeleireiros para embelezar a imagem do Governo. (é mesmo verdade, não é sátira, ver notícia aqui).

Porque quando a substância falha, entra a maquilhagem. Quando a política rebenta tudo, entra o styling. Quando a governação é incompetente, entra o verniz.

Este executivo especializou-se nisso: Cosmética Política.

Pegou no que estava a funcionar e implodiu. Pegou no que já estava frágil e deixou degradar.

E, no meio disto tudo, investe na única área onde tem mostrado verdadeira consistência: gestão de imagem e PowerPoints.

Tal como a Spinumviva operava na lógica do balcão de interesses, este Governo move-se com a mesma fluidez entre o público e o privado — sempre com uma bússola muito clara: quem ganha com isto no topo da pirâmide?

Enquanto isso:

— a saúde pública ficou muito pior.

— as negociatas e transferência de dinheiro da classe média para os mais ricos está nos máximos.

— os pacotes laborais para esmagar quem trabalha em nome dos lucros de quem manda são desenhados às escondidas.

— a habitação transforma-se num parque de extração para especuladores e bilionários.

Mas calma — a franja está impecável para a conferência de imprensa.

Isto não é governar…tal como a chuva falsa nos vídeos do CHEGA, isto é performance para enganar patetas.

Muito ruído. Muito enquadramento. Muito spin. Muito “a culpa era dos outros” E cada vez menos Estado a funcionar.

No fim do dia, a mensagem implícita é simples: não te veem como cidadão — veem-te como dador de votos que precisa de uma boa imagem no ecrã para não olhar demasiado para os números.

É o CHEGA 2.0, com menos tom de taberna, mais bem barbeado e com melhor maquilhagem.

Do blogue Estátua de Sal 

Ventos Semeados: Montenegro e a Cartada Desesperada

Ventos Semeados: Montenegro e a Cartada Desesperada:   A indigitação de Luís Neves como ministro da Administração Interna é mais uma demonstração do carácter de Luís Montenegro: um chico-espert...

Que escândalo!

 

Fonte: SICN

Um escândalo. Chamar conferências de impressa àquelas comunicações sem direito a perguntas.

Ah sim, e também há estes 11K em cabeleireiro e os 20K em Sport TV para o primeiro-ministro.

Mas conferências de imprensa?!

23/02/2026 by  

Do blogue Aventar

Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa:

(Por Estátua de Sal, 23/02/2026)


Anunciámos em Novembro a realização desta conferência e até convidámos os nossos amigos a participar (ver aqui). A conferência ocorreu pelo que nos cumpre hoje dar conta do comunicado que os organizadores distribuiram hoje aos orgãos de comunicação social, bem como a Declaração final da conferência.

Estátua de Sal, 23/02/2026


COMUNICADO DE IMPRENSA – (PRESS RELEASE)

É apresentado agora ao conhecimento público o documento formal, redigido na sequência do evento que teve lugar no Centro Cultural de Carnide (Lisboa), em 22 de Novembro de 2025, a Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa, que contou com uma centena de participantes, nacionais e estrangeiros, vindos propositadamente a Lisboa para o efeito.

Deste encontro, organizado por um grupo de amigos de longa data, informalmente conhecido como “Os Quatro Mosqueteiros pela Paz”, interessados em encontrar soluções para a mesma na Europa, nasceu a Declaração agora revelada, que conta ainda com as assinaturas de dezenas de especialistas, de vários quadrantes e de diferentes nacionalidades.

Imperiosa é a sua leitura e urgente a sua divulgação por conter propostas objectivas e um conjunto de medidas exequíveis para logo que possível se alcançar a tão almejada Paz na Ucrânia, Rússia e Europa.

Agradecemos desde já a atenção dispensada e a divulgação pelo vosso OCS. Para mais informações sobre os organizadores, palestrantes e participantes pf contactem-nos. Podemos disponibilizar fotografias ou imagens do evento.

CONTACTOS:

Os Quatro Mosqueteiros pela Paz

Endereço Electrónico (Email): u8189072106@gmail.com

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2026


Declaração da Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa

Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa teve lugar em 22 de Novembro de 2025, em Lisboa, no Centro Cultural de Carnide.

Na sua alocução final, proferida pelo major-general Raul Luís Cunha, o comité de organização da Conferência, conhecido informalmente como “Os Quatro Mosqueteiros pela Paz”, assumiu a responsabilidade de redigir uma Declaração formal oficialmente intitulada Declaração da Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa

Esta Declaração tem um duplo propósito. Por um lado, descreve de forma abrangente as medidas inicialmente especificadas no documento fundador da Conferência, dando ênfase às acções que foram identificadas como sendo as de maior prioridade e urgência nesse documento fundador. Por outro lado, está enriquecida pelas diversas contribuições feitas pelos participantes antes, durante e depois da conferência, garantindo que as perspectivas e sugestões compartilhadas estejam devidamente incorporadas.

É esta Declaração, que teve o seu próprio tempo de maturação [22 de Dezembro de 2025-31 de Janeiro de 2026], que agora se publica, após um compasso de espera motivado pelas eleições presidenciais em Portugal e pelas tempestades e cheias calamitosas que assolaram o país.

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2026.


DECLARAÇÃO

O plano belicista dos EUA, União Europeia e Reino Unido

«É preciso sufocar a Rússia economicamente, isolá-la diplomaticamente e enfraquecê-la militarmente por interposta Ucrânia, para alimentar no seu seio forças que conduzam ao seu desmembramento numa miríade de pequenos Estados impotentes ou falhados».

Esta é a sinopse do plano belicista que justificou, durante os últimos 4 anos, uma guerra prolongada na Ucrânia e na Rússia (cf. os relatórios da Rand Corporation, Extending Russia e Overextending and Unbalancing Russia, ambos publicados em 2019) — uma guerra que parece encaminhar-se agora para o fim.

Falamos de uma guerra que era evitável

— se os EUA não tivessem instigado e apoiado o golpe de Estado sangrento que, em 22 de Fevereiro de 2014, derrubou, sem qualquer suporte constitucional, o presidente da Ucrânia livremente eleito, Viktor Ianukovytch;

— se a Alemanha, a França e a Polónia não tivessem imediatamente reconhecido (tal como a chefe da diplomacia da União Europeia, a baronesa Catherine Ashton de Upholland) o governo ilegal saído desse golpe de Estado, renegando inclusivamente compromissos espúrios (mas que eram já altamente favoráveis aos golpistas) que os seus Ministros dos Negócios Estrangeiros tinham mediado e testemunhado nos dias anteriores para evitar mais derramamento de sangue; 

— se a Ucrânia, a França e a Alemanha tivessem cumprido os Acordos de Minsk (2014, 2015) que foram celebrados entre Ucrânia e as Repúblicas Populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL) e que tinham sido mediados e avalizados pela França e pela Alemanha (por parte da Ucrânia) e pela Rússia (por parte da RPD e da RPL), em vez de os sabotarem ciente e sistematicamente, alimentando uma guerra fratricida na Donbass que fez mais de 14 mil mortos durante 8 anos (2014-2022);

— se a OTAN e os EUA tivessem aceitado discutir as propostas de Acordo e Tratado que a Rússia lhes apresentou, respectivamente, em 17 de Dezembro de 2021, no sentido de (i) deter o alargamento pérfido da OTAN em direcção às fronteiras russas, (ii) impedir a entrada da Ucrânia na OTAN (que, agora, com um país exangue e semidestruído, Zelensky já se diz disposto a acatar) e (iii) garantir a segurança mútua da Rússia e dos Estados-membros da OTAN.

Continuar a ler a Declaração na íntegra aqui

Do blogue Estátua de Sal

sábado, 21 de fevereiro de 2026

TRUMP, UMA BESTA HUMANA, TRATA ASSIM AS MULHERES, TAMBÉM OS JUÍZES DO SUPREMO TRIBUMAL E TODOS OS QUE O CRITICAM...

Ela se chama Kaitlan Collins, tem 34 anos e tem dois "defeitos" imperdoáveis para Donald Trump.
Ela é uma grande jornalista, trabalha para a CNN, é uma das melhores correspondentes da Casa Branca: séria, rigorosa, inflexível, como qualquer cronista deveria ser.
E, segundo, ainda mais grave: é uma mulher.
Recentemente, na Casa Branca, ousou pressionar Trump sobre os Arquivos Epstein.
"O que diria aos sobreviventes de Jeffrey Epstein que sentem que não receberam justiça, Sr. Presidente? ", perguntou-lhe.
A resposta de Trump é uma assustadora centrífuga de violência verbal, sexismo, desprezo pela dissidência e alergia a qualquer forma de liberdade crítica e crônica:
Você é a pior jornalista de sempre. Não estou surpreso que a CNN não tenha audiência por causa de pessoas como você.
Você é uma mulher jovem, eu conheço você há 10 anos e acho que nunca vi um sorriso no seu rosto, e sabe porquê?
Porque sabes que não estás a dizer a verdade. Vocês são uma organização muito desonesta e deviam ter vergonha de vocês.
Este é o Presidente dos Estados Unidos, e assim se dirige a uma jornalista.
Nem mesmo nos regimes.
Solidariedade a esta excelente jornalista, mas também à mulher Kaitlan Collins. Porque isto não é apenas o insulto de um poderoso contra um jornalista, mas também o ataque misógino de um homem contra uma mulher que faz o seu trabalho com disciplina e honra e não baixa a cabeça.
E se Trump e o trumpismo estão desmoronando sobre suas próprias mentiras, é graças a jornalistas como você.