Rádio Freamunde

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ventos Semeados: O ridículo que não mata (mas deveria)

Ventos Semeados: O ridículo que não mata (mas deveria):   Se o ridículo matasse, hoje teríamos acordado sem governo. Tão letais teriam sido as consequências da espalhafatosa conferência de imprens...

Bem feito:

O Rei Carlos III foi convidado por Dolnald Trump para uma visita aos EUA com pompa e circunstância o que nestas visitas os visitantes aproveitam para granjear o seu mandado.

Acontece que nestas circunstâncias deve-se medir os prós e contras pois há visitados que se aproveitam também destes protocolos para subirem na consideração da população e seu eleitorado e não olham a meios para atingir fins.

Foi o que aconteceu no jantar de gala oferecido por Donald Trump ao Rei Carlos III de Inglaterra. Nestas cerimónias é de a praxe haver discursos. E houve. Só que Carlos III não estava preparado certas blasfémias.

Mas Donald Trump é capaz de tudo. Não é que o dito cujo disse que se não fosse os EUA a Europa falava alemão! A querer dizer que foram eles que o evitaram!

É preciso ser muito medíocre para não conhecer os acontecimentos de mil novecentos e trinta e nove a mil novecentos e quarenta e quatro.

Se não fosse a então União Soviética que perdeu milhões de combatentes fazer “finca pé” a Hitler talvez hoje a Europa fosse uma colónia alemã.

Só que Carlos III se “esqueceu” de frisar isso a Donald Trump e disse que se não fosse a Inglaterra os EUA hoje falavam francês. Eu afirmo: sem a URSS o mundo falaria alemão, italiano e japonês.

Manuel Pacheco        

Para a História dos traidores à Pátria:

Nuno Cassola: “Nunca a troika exigiu a Portugal tanta austeridade como a que foi feita”

 por Valupi

Do blogue Aspirina B

terça-feira, 28 de abril de 2026

APAGÃO HÁ UM ANO - O QUE AINDA NÃO SE FEZ:

Passou um ano sobre o grande apagão que mergulhou Portugal e Espanha numa paragem súbita, inesperada e, para muitos, inquietante. Durante horas, ficámos confrontados com uma realidade que raramente consideramos: a fragilidade de um sistema do qual depende praticamente tudo - da água que sai da torneira ao funcionamento dos hospitais, das telecomunicações à economia.


Um ano depois, a pergunta relevante não é o que aconteceu. É outra: o que foi realmente feito desde então - e, sobretudo, o que continua por fazer? A resposta, por desconfortável que seja, é clara. Muito foi anunciado. Alguma coisa foi iniciada. Mas o essencial - aquilo que verdadeiramente muda a robustez do sistema - continua, em grande parte, por concretizar.

Houve melhorias - mas frágeis. Os operadores passaram a trabalhar com margens de segurança mais conservadoras. Os protocolos de resposta foram revistos. A coordenação entre entidades melhorou. Tudo isto é útil - mas tudo isto é também, em larga medida, invisível e insuficiente. Porque não altera a estrutura física do sistema nem elimina as suas vulnerabilidades de base. O ponto central é outro: as grandes medidas estruturais continuam no papel ou em fase inicial.

O reforço do armazenamento de energia - repetidamente apresentado como peça-chave para estabilizar uma rede cada vez mais dependente de fontes renováveis - ainda não saiu do plano. Fala-se em centenas de megawatts de baterias, mas, na prática, a capacidade instalada continua residual. O leilão que deveria lançar esse salto permanece por concretizar. E sem armazenamento significativo, o sistema continua exposto a oscilações rápidas que não consegue amortecer.

Também os investimentos na rede - equipamentos de controlo de tensão, compensadores síncronos, sistemas avançados de monitorização - estão longe de estar plenamente operacionais. Foram anunciados, alguns adjudicados, outros em instalação. Mas ainda não formam um todo funcional capaz de responder, em tempo real, a perturbações de grande escala.

Mesmo na capacidade de recuperação do sistema - o chamado black start, essencial para reerguer a rede após um colapso - há progresso, mas não há ainda evidência de um sistema plenamente testado, robusto e autónomo.

E depois há o problema estrutural que permanece praticamente intocado: o isolamento energético da Península Ibérica. Continuamos com um nível de interligação com o resto da Europa muito abaixo das metas definidas. Este é um fator crítico, porque limita a capacidade de absorver choques externos e de recorrer a apoio em momentos de crise. E, no entanto, um ano depois, não há obra feita - apenas intenção política.

Tudo isto não significa inação. Significa, sim, que estamos numa fase intermédia: entre o diagnóstico e a execução. E essa fase, embora compreensível do ponto de vista técnico e administrativo, não reduz de forma significativa o risco no curto prazo. O sistema hoje está ligeiramente mais preparado para reagir - mas não substancialmente mais preparado para evitar. E a atual crise energética nos combustíveis fósseis aumenta a probabilidade de se agravarem o apagões e reduz a capacidade de resposta quando acontecem.

E esta distinção é tudo menos semântica. Reagir melhor significa recuperar mais depressa. Evitar melhor significa não cair. Um ano depois, avançámos sobretudo no primeiro ponto. O segundo continua em aberto.

Depois, em certas regiões do país as tempestades agravaram os problema elétricos. E projetos de rede elétrica não se fazem em meses. Exigem por isso, mais investimento, mais licenciamento, coordenação técnica complexa e muito mais pessoal especializado. Quantos técnicos se especializaram no último ano? Um ano depois, discutem-se baterias, redes e investimentos - mas quase não se discute quem vai operar, estabilizar e recuperar o sistema quando falhar. E:
- formar um técnico básico → 1–3 anos
- formar um engenheiro → 5 anos
- formar um especialista em rede → 5–10 anos de experiência

Reconhecer essa realidade não dispensa outra constatação: o tempo entre o alerta e a execução é, por definição, um período de exposição ao risco. Talvez o maior problema não seja técnico, mas de percepção. O apagão foi tratado como um evento excecional, quase irrepetível. Mas não foi. Foi antes um sinal - claro - de um sistema em transição, mais complexo, mais interdependente e, por isso mesmo, mais vulnerável a falhas em cascata. Ignorar isso seria o verdadeiro erro.

Um ano depois, não estamos no mesmo ponto. Mas também não estamos, ainda, num ponto seguro. E é precisamente isso que importa discutir em vez de se discutir os investimentos de apoio às guerras e a Leis Laborais que prejudicam os trabalhadores.

A desmontar os “comentadeiros” – Episódio 148 – O mundo é uma Trumplandia?

 (Nuno Ramos de Almeida, e Pedro Tadeu, in Youtube, 26/04/2026)

(Já em tempos publiquei estes vídeos. Os autores tentam ser minimamente equilibrados. As aldrabices e o coro de vozes dos “comentadeiros” sincronizados pela cartilha dos departamentos de comunicação da inteligência ocidental, já enojam qualquer mortal com dois dedos de testa. Divirtam-se. É uma lufada de ar fresco.

Pedro Duarte alerta que a divulgação dos doadores dos partidos pode levar a represálias. Ricardo Paes Mamede defende a presença do Estado, em empresas estratégicas, em tempos de tempestades. Agostinho Costa diz que os EUA estão a perder a guerra e a paz no Irão.
São os comentadores com Nuno Ramos de Almeida, Paula Cardoso e Pedro Tadeu. E ainda vamos ter tempo de falar de Trump e os nomes geográficos.

Estátua de Sal, 28/04/2026)

domingo, 26 de abril de 2026

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril:

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril.

Todos os anos e, se possível, todos os dias.

Porque o 25 de Abril é libertação, é igualdade perante a lei, é a liberdade de dizer o que pensamos, de votarmos em quem quisermos – incluindo em partidos que se opõem aos valores de Abril, algo que a ditadura nunca teria permitido – e de lutarmos pelos ideais que nos guiam.

25 de Abril é Democracia.
É a paz, o pão, habitação, saúde e educação.
Para todos, todos, todos!

Sim, ainda há caminho a fazer para cumprir Abril. Mas não te deixes iludir pelo cherry picking dos saudosistas da ditadura, cuja estratégia assenta em explorar as debilidades da nossa democracia para te bombardear com a maior mentira dos últimos 52 anos: antigamente é que era bom.

Só que não era.

Antigamente éramos mais pobres.
Tínhamos mais fome.
Havia crianças descalças.
Havia uma nação de analfabetos.
Porque a educação era um privilégio.
A saúde não era para todos.
A habitação da maioria era miserável.
E a paz, como o respeito, só existiam como consequência do medo.

E não, não eram apenas a miséria e o medo que imperavam.

Era a violência.
A censura.
A tortura e a prisão política.
A guerra que triturava os miúdos do interior e poupava os filhos das elites do regime.

E sim, o Estado Novo era um regime profundamente corrupto.
Um regime de cunhas, de favores, de tachos e de negócios públicos entregues sempre aos mesmos. Os mais ricos entre os mais ricos. Muitas das mesmas famílias que hoje dominam a economia nacional e financiam a extrema-direita. Aqueles que comiam à mesa com Salazar e o seu regime, como o avô de Ricardo Salgado.

Os mesmos que participaram e abafaram o escândalo de orgias e pedofilia do Ballet Rose.

Antigamente só era bom para a cúpula do regime e para as elites que se deitavam com ele.

Para os restantes foi uma longa e sinistra noite de 48 anos, derrubada pelo “dia inicial, inteiro e limpo”.

É claro que foram cometidos excessos no pós-revolução. Como em todas as revoluções que derrubam ditaduras. Décadas de opressão geram sempre, sempre, acções de vingança. No mundo ideal dávamos as mãos, cantávamos Os Meninos de Huambo e ia cada um à sua vida. Mas o mundo não é nem nunca foi o ideal. E Portugal, no momento imediatamente após a revolução, teve os seus problemas. Não rolaram cabeças como em França, onde a guilhotina não teve descanso, não tivemos uma guerra civil, apesar de alguns guerrilheiros que por aí andaram, nem morreram mais de 1000 pessoas, como na Roménia, em 1989, quando o regime do tirano Ceaușescu caiu. Foi, estatisticamente, uma das revoluções mais tranquilas da história das revoluções.

Estes excessos, porém, estão agora a ser usados pelos inimigos do 25 de Abril, não apenas por razões ideológicas, mas como parte de um modelo de negócio rentável. O mesmo que, de forma predatória, instrumentaliza miúdos para odiar as mulheres e culpá-las das suas fragilidades. Mas o fim é sempre o mesmo, e todos os regimes contemporâneos de extrema-direita, da Rússia de Putin à América de Trump, tiveram sempre o mesmo resultado: corrupção, aumento das desigualdades, violência política, subtracção de direitos civis, guerras e morte.

Sim, é preciso continuar a celebrar o 25 de Abril.

Não por razões litúrgicas, mas porque o 25 de Abril não foi no tempo da revolução francesa ou americana. Foi no nosso tempo. Mesmo daqueles que, como eu, nasceram 10 ou mais anos depois da revolução, e não são menos filhos dela por isso. É preciso celebrá-la e não deixar que a memória da revolução se perca, ou seja manipulada pelos Putins, Trumps e Orbáns que temos por cá.

Reguemos os cravos todos os dias.

Ainda somos, e continuaremos a ser, a maioria. Apesar das nossas diferenças, porque a democracia não é, nem deve ser homogénea. Mas todos cabem dentro dela. Mesmo aqueles que a odeiam e querem destruir. Sejamos mais fortes que eles. Muitos mil para continuar Abril.

25 de Abril, SEMPRE, fascismo nunca mais! 

25/04/2026 by  

Do blogue Aventar

Comemorar a “revolução miserável”:

(Pacheco Pereira, in Público, 25/04/2026)

Pacheco Pereira

As manifestações do 25 de Abril este ano serão contra o Chega, contra o novo ambiente político de crueldade e agressão.

O 25 de Abril, “essa revolução miserável”

André Ventura

Cada pessoa na rua hoje vai mais do que comemorar, resistir. Resistir a quê? À manipulação da memória da revolução do 25 de Abril, à cuidadosa transformação da guerra colonial numa designação geográfica, a “guerra da África”, ou na “guerra no Ultramar”, a comparações absurdas entre abusos pontuais e muitos milhares de actos de violência e humilhação dia após dia, ano após ano, que duraram 48 anos. Já para não falar dos massacres, execuções sumárias, “heróis” assassinos que se especializaram em atirar granadas incendiárias contra mulheres e crianças.

Resistir a quê? Ao Chega. As manifestações do 25 de Abril este ano serão contra o Chega, contra o novo ambiente político de crueldade e agressão, e contra o ataque à “revolução miserável” feito por aqueles que gostavam da ditadura e das suas violências, por uma série de motivos, nenhum nobre e que esconderam pela censura, corrupção e prepotências quotidianas.

O 25 de Abril não começou com uma revolução, mas com um golpe de Estado. Na tarde, com a descida à rua de muitos milhares de pessoas apoiando os militares, transformou-se numa revolução. Essa revolução foi manchada de sangue nesse mesmo dia, sangue que não era dos dirigentes da ditadura, que foram, e bem, protegidos e enviados para o exílio, mas das vítimas da PIDE/DGS, que disparou sobre a multidão que cercava as instalações da polícia política matando quatro pessoas. O esquecimento manipulado dos dias de hoje começa nesses disparos e nessas mortes, que também ficaram sem punição.

Assalto à PIDE no Porto em 1974

É que todas estas manipulações não são um combate pelo passado, mas pelo presente e pelo futuro, porque servem o combate à liberdade e à democracia. É de memória que se trata, mas mais fundamental ainda é que essa violação da memória destina-se a abrir caminho no presente a autoritarismos e medos em 2026 e não em 1974.

Há nas pessoas comuns, os dois terços de portugueses que não votaram Chega, nem nas legislativas nem nas presidenciais, uma cada vez maior preocupação com o período negro que atravessamos, e com o défice de combate contra os obscurecedores da Luz. Na rua percebe-se muito bem esse défice que muita esquerda, no seu snobismo comodista, não percebe, como se incomodaria ao ver os apoios emotivos das pessoas comuns a quem combate o Chega, com palmas nos cafés, dedos ao alto, carros que param, abraços e beijos. Sempre com mais emoção do que um “concordo”, porque, insisto, há um défice de representação na luta contra o Chega que se percebe porque a questão já não é estritamente de diferenças políticas, é de medo “deles”.

E, nessa representação, dá-se voz a outras vozes que travam o mesmo combate, como a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Não há hoje declaração dos bispos portugueses que não seja contra o Chega e, como o exemplo vem de cima, o mesmo acontecia com o Papa Francisco, o “Papa comunista”, e Leão XIV, falando pelos imigrantes e denunciando a sua perseguição, ou contra a guerra de Trump. É que nem é sequer um problema de interpretação, são palavras puras e simples falando da violência contra os mais fracos.

Aliás, há muita cobardia nesta violência contra os mais fracos, sejam as mulheres insultadas, sejam os imigrantes perseguidos, sejam os pobres que “não querem trabalhar”, sejam os pretos, os monhés, os muçulmanos que não têm uma mesquita para rezar. Que diriam estes cruéis e violentos do Papa Leão XIV, que visitou uma mesquita na Argélia chamando-lhe um “lugar sagrado para a oração” e para a “procura de Deus”? Um defensor da “islamização da Europa” e da “grande substituição”.

Eu sou ateu, mas reconheço nas igrejas cristãs, católicas, anglicanas e luteranas de hoje um combate que muita da esquerda é incapaz de travar com a voz alta e dura, sejam muitos dos democratas americanos, seja a esquerda mole e temerosa ou nefelibata que temos na Europa. É também por isso que todos que combateram a ditadura e foram despedidos, maltratados e presos dão uma lição de coragem a quem gosta de ameaçar, amedrontar, perseguir os fracos. São eles os verdadeiros corajosos.

Numa altura em que o “não é não” já não existe, o 25 de Abril não é de passarinhos a voar, nem de cores macias nos cartazes, e é mais do que festa, luta.

É o que vamos ver esta tarde.

O autor é colunista do PÚBLICO

Do blogue Estátua de Sal