Rádio Freamunde

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Sócrates reitera que não recebe dinheiro de Santos Silva e que não conhece "casa nenhuma na Malveira":

 

Antigo primeiro-ministro reage à notícia que dá conta da abertura de um novo inquérito relacionado com a compra de uma habitação na Malveira

José Sócrates reitera que não recebe dinheiro de Carlos Santos Silva nem conhece "casa nenhuma na Malveira". O antigo primeiro-ministro diz-se ainda "absolutamente alheio a qualquer transação imobiliária".

Sócrates reage assim a uma notícia avançada pelo Observador que dá conta da abertura de um novo inquérito do Ministério Público ao antigo primeiro-ministro e ao empresário Carlos Santos Silva por suspeitas de branqueamento de capitais, num processo que corre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) desde 2025.

De acordo com o Observador, a investigação foi desencadeada na sequência de factos tornados públicos na última semana pelo semanário Sol. Em causa está a compra, em 2023, de uma habitação na Malveira, no concelho de Mafra.

Ontem às 21:03

Leia o comunicado de José Sócrates na íntegra:

Resposta pública à notícia de uma pretensa “investigação”

1- Sei do que são capazes. Treze anos depois conheço os truques, as insinuações e as calúnias. Sempre o mesmo esquema, que se desenvolve em três andamentos – informação soprada à jornalista, que, por sua vez, a transforma em notícia e que, mais tarde, regressada a casa, é convertida em suspeita pelo próprio Ministério Público que inicialmente a havia traficado com a imprensa. Informação – noticia – suspeita. Os pistoleiros do costume já foram convocados e o processo, dizem, está em marcha.

 
2- Não recebo dinheiro de Carlos Santos Silva, não acompanho a sua vida empresarial e profissional, não conheço casa nenhuma na Malveira, e sou absolutamente alheio a qualquer transação imobiliária. Se o método não fosse tão repulsivo, as notícias seriam apenas cómicas. Mas não são. O padrão, o único padrão que vejo constantemente repetido, é o da velhaca maledicência. Fizeram o mesmo há uns anos com a empresa para quem trabalhei como consultor; fazem-no agora com a compra e venda de uma casa que não me diz respeito. O arbítrio não tem escrúpulo.
 
3- Não há na minha vida segredo nenhum e muito menos das pensões que recebo, sendo, aliás, uma delas, pública. Mas resisto à devassa da minha vida privada e não desejo partilhá-la com estranhos. Já me basta o processo, o julgamento e o truque judicial do "lapso de escrita".  Mas não deixa de ser extraordinário que a ameaça de inquérito resulte do facto de, no entender de alguns, me defender com excessiva energia.
 
4- Dizem que o fazem com todos – não, não fazem. O atual primeiro-ministro recebia comprovadamente dinheiro de antigos clientes enquanto exercia funções e a Procuradoria-Geral decidiu não abrir um inquérito, tendo igualmente decidido esconder de todos os cidadãos as razões pelas quais tomou tal decisão. Um “presente de Natal”, nas próprias palavras do Senhor Procurador-Geral que, dizem, é um excelente comunicador.
 
5- Recordo ainda – e mais uma vez - a suspeita comunicada em 2019 pelo Ministério Público Brasileiro, que diz assim:
 
“deste modo é possível que os pagamentos descritos na planilha “ Paulistinha” , ( pagos ao assessor de marketing politico contratado pelo PSD) com referência à obra da barragem do Baixo- Sabor, em Portugal, possam-se referir ao financiamento da campanha eleitoral do Partido Social- Democrata para eleição do cargo de primeiro ministro , disputada em 2015 pelo ex primeiro ministro de Portugal Pedro Passos Coelho”
 
6- Fazem-no com todos? Não, não fazem.
CNN Portugal

Relatividade, macaquinhos e o racismo:

(Luís Rocha, in Facebook, 19/02/2026, Revisão da Estátua)

Em 1925, Albert Einstein foi à América do Sul falar de ciência e saiu do Brasil com a sensação de ter participado numa opereta. Entre recepções oficiais, continências militares e discursos tão extensos que pareciam desafiar a própria noção de tempo, o físico registou nos seus apontamentos, hoje estudados e divulgados pelo projecto The Digital Einstein Papers, o desconforto de quem se sente transformado em peça exótica de exposição. Um “elefante branco”, valioso mas inútil, conduzido de sala em sala para abrilhantar fotografias.

Nalgumas notas, há ainda referências a um ambiente de “teatro”, a uma certa macaquice cerimonial, expressão da época que hoje faria arder as redes sociais antes mesmo de alguém consultar o contexto. Einstein queria equações, deram-lhe coreografias. Queria debate, ofereceram-lhe palmas.

Um século depois, mudaram os figurinos, mas o palco mantém-se.

A recente polémica entre Gianluca Prestiani e Vinícius Júnior, envolvendo alegadas ofensas racistas durante um jogo, foi elevada à categoria de crise civilizacional em menos tempo do que dura um contra-ataque. Não me meto nem nunca me vou meter a dar palpites sobre uma actividade desportiva corrupta, obscena e profundamente politizada. Muito menos sobre declarações que não escutei e que tanto podem ter sido proferidas como não. São dois jogadores profissionais, treinados desde a adolescência para simular faltas com convicção dramática. Fingem cargas, exageram contactos e ensaiam quedas com a precisão de actores do método. Também podem fingir que ouviram o que não foi dito, ou que não disseram o que foi dito.

O que me interessa não é o VAR moral aplicado ao relvado. É o circo montado à volta.

Em poucas horas, a discussão deixou de ser sobre factos e passou a ser sobre posicionamentos. Cada tribuna improvisada exigia condenações sumárias ou absolvições inflamadas. O estádio transformou-se em tribunal popular, o comentador em juiz, o tweet em sentença. O espectáculo é perfeito, indignação coreografada, comunicados oficiais, análises frame a frame como se a verdade estivesse escondida num pixel tremido.

Einstein reconheceria o ambiente de macacada. Não pela física, mas pela encenação.

Tal como ele foi exibido como troféu científico num desfile político, também aqui se exibem jogadores como símbolos morais. Um é elevado a vítima paradigmática, outro a vilão instantâneo e ambos se tornam peças de um teatro que precisa de protagonistas para vender bilhetes. O racismo, tema gravíssimo e estrutural, é embrulhado num dérbi e servido com publicidade à volta.

Entretanto, as verdadeiras vítimas continuam fora de campo.

Não são milionários com contratos publicitários. São as pessoas que apanham o autocarro às cinco da manhã para irem trabalhar e levam com grunhos bêbados vindos da noite a comentar-lhes a cor da pele. São os candidatos cujo currículo desce discretamente na pilha porque a fotografia é “difícil de integrar na cultura da empresa”. Não há conferência de imprensa para eles. Não há hashtags globais. Não há minutos de silêncio antes do pontapé de saída.

O risco deste folclore é muito simples. A banalização do essencial. Quando cada incidente num relvado é tratado como a batalha final contra o racismo, o quotidiano invisível passa a ruído de fundo. É mais fácil discutir dois atletas sob holofotes do que desmontar preconceitos silenciosos nas escolas, nos transportes, nos escritórios.

Talvez a relatividade explique isto. O tempo mediático dilata-se quando envolve celebridades, e contrai-se quando envolve trabalhadores anónimos. A gravidade moral aumenta na proporção directa do número de câmaras apontadas.

Einstein sentiu-se um elefante branco num teatro de macaquinhos. Prestiani e Vinícius tornaram-se actores num teatro de indignações coreografadas. E nós, espectadores dedicados, continuamos a confundir palco com realidade.

Não se trata de minimizar acusações de racismo. Trata-se de recusar a sua instrumentalização. Se houve ofensa, que seja apurada com seriedade e consequência. Se não houve, que se evite a fogueira sumária. O que não serve é transformar cada lance num festival moral enquanto ignoramos o racismo estrutural que não cabe em resumos desportivos.

No final do dia, sobra sempre o mesmo elefante branco no meio da sala. Enorme, evidente, impossível de ignorar. Mas preferimos olhar para o relvado, discutir a repetição em câmara lenta e aplaudir o próximo acto.

Porque o teatro, esse, é o que alimenta a bilheteira.

Beijinhos e até à próxima…

(Para que fique registado, acabou de se sentir um sismo enquanto escrevia este texto.)


Referências consultadas:

https://www.dw.com/…/correria-louca-os-100…/a-71986947

https://einsteinpapers.press.princeton.edu

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cp3q1d7d9j0o

Do blogue Estátua de Sal 

Os EUA, a Base das Lajes e o silêncio do Governo e dos partidos:

Perante a iminência de uma invasão do Irão, dependente dos humores e da chantagem de Trump, surgem notícias da desusada movimentação de aeronaves militares na Base militar portuguesa das Lajes.

Há, de facto, um acordo que permite o uso da referida base pelos EUA, num contexto de operações da Nato. Não sendo o caso, certamente só poderá ser usada com autorização das autoridades portuguesas ou pela força.
Não parece que Nuno Melo, ministro da Defesa que Montenegro tem de suportar, tenha ambições para ir além de inoportunas declarações sobre Olivença, nem que o ainda PR declare guerra ao Irão, mas nas Lajes adivinha-se a irascibilidade do PR dos EUA.
Há aeronaves militares dos EUA, caças que levantam e voltam a aterrar, num prenúncio de guerra. A presença de 11 reabastecedores KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro militar C-17 Globemaster III, não é coisa pouca.
O Governo pode contrair um empréstimo de 5,6 mil milhões de euros para a compra de fragatas, sem ouvir os portugueses e sem que estes pareçam preocupar-se ou ponderem a herança que deixam aos filhos, mas é perturbador que não dê explicações sobre a dança macabra de aviões de combate dos EUA nos céus da ilha Terceira.
Pior ainda, não há um só partido, dos que nos representam no Parlamento, a pedir que o PM, ou o ministro Paulo Rangel, já não falo nessa irrelevância do ministro da Defesa, deem explicações.
É provável que seja tudo normal, mas desconfio que era obrigação do Governo explicar aos portugueses o que se passa, ainda que o país ande entretido com a sordidez do caso Epstein e dos vícios dos seus mediáticos e promíscuos amigos que enxovalham famílias reais e ameaçam dissolver governos na Europa.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

UM JEITO MANSO: Seguro versus Montenegro -- os opostos atraem -se...

UM JEITO MANSO: Seguro versus Montenegro -- os opostos atraem -se...: Ouvi ontem um dirigente da CNA dizer que o ministro da agricultura tinha afirmado que as candidaturas a subsídios para ajuda na reparação do...

Rogério Alves explica: o “enriquecimento ilícito” é bandeira da pulharia:

Rogério Alves “não conhece ninguém” que tenha feito a proposta de Ventura para a PGR. “À falta de uma ideia melhor, foi a que aconteceu”

 por Valupi

Do blogue Aspirina B

O 17 de Fevereiro de 1973 era um dia quente, para cima de 30 graus, no Norte de Angola, zona dos Dembos, hoje, Bengo.
Decorria normalmente, ao contrário, o mês de Fevereiro de 2026 não tem sido simpático com os portugueses. Pelo contrá-rio!
Tem sido um demo para a população, especialmente no Centro e Sul do País. O de Fevereiro de 1973 decorria como um mês esti-val no Norte de Angola.
Nesse dia, não havia nenhum pelotão em operações pela mata do Kifuso, colunas de tropa ou outros afazeres a não ser um pe-lotão que fazia segurança aos trabalhadores da Junta Autóno-ma de Estradas de Angola (JAEA), que estavam a construir a es-trada, antes picada, do Caxito a Zala, indo nessa altura a che-gar à Beira-Baixa.
Além do calor próprio da época em Angola, estava-se no Verão, também sentíamos o humano pelo motivo da aproximação do fim da nossa comissão com partida marcada para 3 de Abril.
Éramos uma Companhia de Caçadores, Nº. 3341, do Batalhão Nº. 3838, sediado em Quicabo.
Fomos bafejados pela sorte e pelo bom comando do nosso Co-mandante de Companhia, capitão José Joaquim Lofgren Rodri-gues.
Tínhamos tido um ferido em acidente de trabalho com bastante gravidade. Foi evacuado para o Hospital Militar de Luanda e mais tarde para o de Lisboa. Fracturou o osso da Bacia, sendo hoje um deficiente das Forças Armadas, ao desempenhar ofício de carpinteiro no arranjo do telhado do refeitório.
Ia partir de Balacende um nosso pelotão em coluna militar para Quicabo. O nosso capitão como a coluna estava um pouco atra-sada resolveu partir antes numa viatura da JAEA juntamente com o motorista da referida viatura. Entretanto a coluna che-gou a Quicabo e não encontrou o capitão e o motorista.
Passado pouco tempo, como não os encontravam, quem chefia-va a coluna militar foi dar conhecimento ao Comandante do Ba-talhão.
Foi comunicado via rádio para Balacende para partir naquele momento outra coluna militar e fazer um reconhecimento nos pontos mais críticos da estrada que agora ligava Balacende a Quicabo. Assim se fez.
A uns quilómetros de Balacende foi vista numa ribanceira, que estas obras originam nos troços por onde passam, a viatura da JAEA, com o Capitão Lofgren Rodrigues morto e o motorista da JAEA bastante ferido, tendo sido evacuado para o Hospital de Luanda. O Capitão como estava morto foi para Balacende para a Capela à espera que se processasse os afazeres próprios deste momento.
Estávamos incrédulos! Quem nos aconselhava a não nos aban-dalhar e exigia todo o rigor para que a nossa missão não origi-nasse dissabores foi quem foi traído. Foi um final de dia triste.
Foi escalado um grupo de soldados para lhe fazer a Guarda de Honra até o seu corpo ser transladado para Luanda.
A capela esteve repleta de soldados, oficiais e sargentos a pres-tar-lhe a última homenagem. Não havia civis porque estávamos isolados na mata, a não ser os trabalhadores da JAEA que mui-ta simpatia, tinham por ele.
Neste dia 17 de Fevereiro de 2026 em que exponho este texto, não de 17 de Fevereiro de 1973, como referi o nosso ânimo estava em baixo.

Vale a pena recordar esse dia, assim como o Militar, Coman-dante de Companhia de Caçadores Nº. 3341, como foi: José Joa-quim Lofgren Rodrigues.

Manuel Pacheco 

Ex- Soldado Rádio Telefonista Nº. 11281470