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sábado, 20 de junho de 2026

Afonso Moura:

 


História de uma lenda:

 


Ventos Semeados: O Golaço na Própria Baliza

Ventos Semeados: O Golaço na Própria Baliza:   Hugo Soares avisou as bancadas de esquerda que teriam de engolir a aprovação da contrarreforma laboral. Era a previsão de quem julgava o r...

Há qualquer coisa de curiosa na forma como algumas pessoas olham para o dinheiro público:

Quando um desempregado recebe algumas centenas de euros de apoio social, surgem imediatamente propostas para o obrigar a prestar trabalho comunitário. Dizem-nos que quem recebe dinheiro do Estado deve retribuir à sociedade.
Muito bem. É um princípio interessante.
O problema é que esse princípio parece desaparecer misteriosamente quando os beneficiários mudam.
Quando grandes empresas recebem subsídios públicos, quando grupos económicos acumulam milhões em apoios estatais, quando antigos titulares de cargos políticos recebem subvenções vitalícias ou quando certas organizações vivem quase exclusivamente de financiamento público, já ninguém fala em trabalho comunitário.
Aí deixa de haver indignação. Deixa de haver exigências. Deixa de haver sermões sobre mérito, esforço ou retribuição.
Pelos vistos, a obrigação moral de compensar a comunidade aplica-se sobretudo a quem recebe menos.
É uma visão peculiar da justiça.
Quem recebe 400 euros deve provar constantemente que merece ajuda. Quem recebe milhões limita-se a receber milhões.
Quem está no fundo é tratado como suspeito. Quem está no topo é tratado como merecedor por definição.
Se o argumento é que quem beneficia dos recursos públicos tem o dever de devolver algo à sociedade, então a lógica deveria começar precisamente por aqueles que mais recebem.
Caso contrário, não estamos a falar de responsabilidade.
Estamos apenas a falar de dois pesos e duas medidas.
Mais de 2.000 pessoas já assinaram esta petição.
Talvez porque começam a estar cansadas de viver num país onde a fiscalização sobe e a exigência aumenta na exacta proporção em que diminuem os rendimentos de quem a sofre.

Partilha. Divulga. Porque a coerência não devia depender do saldo bancário de quem recebe o dinheiro.

RiseUP Portugal  

PRÉMIO NOBEL DA ECONOMIA DEFENDE TRIBUTAR OS MAIS RICOS PARA COMBATER DESIGUALDADE:

O Prémio Nobel da Economia de 2019 Abhijit Banerjee considerou, em entrevista à agência Lusa, que se deve tributar os mais ricos para diminuir a desigualdade e possibilitar mais margem orçamental para medidas de combate à pobreza

Agência Lusa
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Resumo
Abhijit Banerjee, Nobel da Economia de 2019, alertou que a desigualdade está a aumentar desde a...Ler mais
Abhijit Banerjee, que recebeu o Prémio Nobel da Economia em 2019, em conjunto com Esther Duflo e Michael Kremer, pela "abordagem experimental para aliviar a pobreza global", segundo a Real Academia de Ciências da Suécia, considera que desde a pandemia da covid-19 tem havido uma série de choques que prejudicaram os rendimentos das famílias mais pobres, que têm vindo a estagnar.
"Até à pandemia, os rendimentos reais dos mais pobres estavam a aumentar e agora, em muitos sítios estão a estagnar", o que considerou não ser surpreendente tendo em conta a subida dos preços da alimentação, bem como as mudanças no mercado de trabalho.
Para o economista, que veio a Portugal para participar na conferência NOVAFRICA da Nova SBE, "há algo que mudou depois de 2019 no mundo e isso é mau para os mais pobres", disse, apontando ainda que se tem espalhado uma ideia de que o Estado-social talvez seja "demasiado generoso", nomeadamente pelos partidos de direita, mas ainda assim, "a desigualdade está a explodir por todo o mundo".
"Não entendo por que esta ideia tem recebido alguma legitimidade", confessou, salientando que "muitos países têm sistemas de providência social bem desenvolvidos na Europa, por exemplo, e poderiam fazer mais através desse sistema".
No entanto, tal pode não acontecer porque o envelope orçamental está a ser gerido da forma errada, "principalmente porque não estamos a conseguir taxar os ricos".
O Nobel considerou que há uma oportunidade para fazer este avanço, ainda que constatando que "os muito ricos são muito bons em desinformar as pessoas e tentar criar 'loop holes' (lacunas)", fingindo que não têm rendimentos nenhuns por forma a não serem taxados.
"Não estão a pagar taxas, está-se a cortar tudo o resto" e isso "parece insustentável", afirmou, sinalizando esperança de que "as pessoas realmente aceitem que isso é insustentável".
Os impostos sobre os mais ricos dariam margem orçamental para o Estado-social, tendo em vista mitigar as desigualdades, mas também para fazer face às consequências da implementação da Inteligência Artificial no mercado de trabalho, em particular na classe média, defendeu.
Quanto às medidas para mitigar as desigualdades, afiançou que não é preciso inventar políticas, mas sim assegurar que chegam às pessoas certas, apontando que em Espanha, onde foi feito um estudo, "muitas pessoas pobres não aproveitam os subsídios porque o acesso é muito complicado".
"A questão não é desenvolver mais complicações, mas ser relativamente generoso, especialmente no mundo de hoje com desigualdade e raiva social", apontou, acrescentando que "qualquer Governo que realmente queira ter durabilidade e bom impacto tem de pensar em como fazer bem o Estado-social".
"E isto não é sobre reduzir o Estado-social, é sobre aumentar os fundos e voltar a aplicar tributação aos mais ricos", concluiu.
Classe média será a mais afetada pela IA
A Inteligência Artificial (IA) pode vir a ter mais impacto na classe média, por ter trabalhos com maior risco de serem substituídos, considerou ainda Abhijit Banerjee, salientando que a IA "vai ter efeitos sobre a desigualdade", mas ainda é incerto se os pobres serão os mais afetados ou a classe média.
O Nobel apontou que existem efeitos sociais positivos da AI que poderão beneficiar as pessoas mais pobres, como por exemplo aqueles que vivem em locais mais remotos e conseguem melhorar os cuidados de saúde através da IA.
Por outro lado, "são as classes médias cujos empregos vão estar em risco", alertou, antecipando que "todos os robôs vão substituir mão-de-obra qualificada".
A IA pode substituir trabalhos tipicamente da classe média, como contabilistas, exemplificou, enquanto outros trabalhos mais físicos, associados a pessoas com rendimentos mais baixos, como a construção, "são mais difíceis de ser substituídos".
Para o economista, a implementação a larga escala desta tecnologia vai ter um forte impacto no mercado laboral e o Estado "vai ter que compensar os trabalhadores que vão perder o trabalho", pelo que defende que se deve "pensar muito seriamente sobre taxar a IA".
Nobel defende taxar água utilizada para IA
Abhijit Banerjee defendeu também a necessidade de taxar os recursos utilizados pela Inteligência Artificial (IA), nomeadamente a água consumida por centros de dados.
"O projeto da inteligência artificial gerou tanto entusiasmo, que não conseguimos pensar em todas as consequências", disse em entrevista à agência Lusa, defendendo que "em algum ponto é preciso pensar em como taxar o gasto na IA".
Neste sentido, considera que se deve pensar no preço da água, sendo que em alguns lugares usam muita água para a IA e até em locais muito secos, pelo que existe uma avaliação errada dos preços e "estão a aproveitar-se disso e a construir centros de dados em lugares um pouco inesperados".
"Precisamos de uma política sobre preços para todos estes recursos que estão a utilizar", defendeu, nomeadamente tendo em conta os impactos que esta tecnologia vai ter no mercado laboral e o que Estado vai ter de gastar em termos de compensar os trabalhadores que vão perder o trabalho.
Já existem taxas por exemplo direcionadas às emissões de gases de estufa, como a taxa de carbono, sendo que um modelo semelhante poderia ser utilizado para a água, sugeriu.
"Existem tantos recursos que estão a ser usados para IA", que estão a provocar danos no resto do mundo, disse o economista.
Os serviços de inteligência artificial (IA) implicam mais água do que outras aplicações, sendo que a geração de 10 a 50 respostas em texto de uma ferramenta de IA generativa requer cerca de meio litro de água, segundo um estudo da Universidade da Califórnia.
De acordo com uma nota informativa da plataforma espanhola Maldita, "os serviços de IA exigem mais água do que outras aplicações típicas de 'data center' (centros de dados, em português)", sendo que a geração de imagens por ferramentas de IA implica também mais energia e, consequentemente, mais água.

Afinal, a “autocracia” era a liberdade:

 (Miguel Castelo Branco, in Facebook, 19/06/2026, Revisão da Estátua)


Estão finalmente na defensiva os hiper-adaptados da ideologia dos anos 90, aqueles que no quadro da trilogia liberalismo político, economia de mercado e “direitos do homem” apontavam o futuro de liberdade, enquanto legitimavam no plano interno o permanente recurso à violência social e no plano externo justificavam a aplicação sistemática da força bruta, fosse por via das chamadas revoluções coloridas ou por recurso à invasão militar.

Para essa falange de fanáticos, a destruição de tudo o que contrariasse a marcha para a liberdade era o mal necessário a pagar para o aceleramento da instauração do paraíso da abundância, do consumo e do indivíduo autodeterminado.

Desde 1991, não houve agressão, seguida de espoliação de regiões inteiras e o caudal de milhões de mortes em que não estivesse presente a desgraçada fórmula da libertação pelas bombas, cujos fautores superaram largamente Robespierre, o exaltado da Liberdade, que não obstante condenava a exportação da revolução se esta contrariasse a vontade dos povos.

A junção das seitas neoliberal e neoconservadora provocou catástrofes humanitárias sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial, pelo que muitos ainda mostram surpresa perante a resoluta determinação do Irão e do eixo da resistência em não quererem “ser livres”.

A derrota americana na Guerra do Irão de 2026 é o marco miliário que fixa o princípio do fim deste quase meio século em que aos EUA foram dadas todas as condições para a instalação da pax americana.

Queixam-se amargamente do retorno das “autocracias” e dos “homens fortes”, pelo que não percebem que foi o Ocidente que ao mobilizar o medo em regiões inteiras do planeta inviabilizou a globalização de uma prática democrática afeiçoada aos caracteres culturais específicos de cada povo.

A “autocracia” foi a fórmula mais eficaz de resistência à expansão do caos, o antídoto contra o jugo que impendia sobre Estados-civilização ameaçados. Neste particular, as “autocracias” foram o garante da liberdade para povos inteiros.

Do blogu Estátua de Sal

Quantas histórias destas haverá pelo, cada vez mais miserável, mundinho ocidental e ocidentalizado?

E quantos jornalistas a sério, como a da história, e activistas que as denunciam e que lutam para que histórias destas, e outras do mesmo foro, não aconteçam, estarão nas listas, de alvos a abater, dos nazi-fascistas?

Quantos destes inocentes estão presos impunemente? Quantos deles foram e são perseguidos, espancados, e até assassinados, sob o pretexto de que fizeram o que nunca fizeram, ou que tinham facas que nunca tiveram?
É isto que fazem os criminosos racistas e xenófobos fascistas.
Quem cometeu estes crimes, e continuou a cometer ao longo dos anos em que os condenados inocentes estavam presos, foram espanhóis de gema, mas quem pagou por ele foram os imigrantes marroquinos. Um, inclusive, pagou o erro com a própria vida.
"Espanha paga 2,5 milhões a vítima de um dos maiores erros judiciais da democracia do país.
Ahmed Tommouhi, condenado por violação há 15 anos, recebeu esta semana a maior indemnização do Estado espanhol a uma vítima.
Detido em 1991, Ahmed Tommouhi passou 15 anos na prisão. Quem o condenou é hoje a ministra da Justiça espanhola, Margarita Robles. Mas foi vítima de “erro judicial inequívoco e qualificado”, nas palavras do Tribunal Supremo de Espanha.
Ahmed Tommouhi, trabalhador marroquino, foi condenado por violação em 1991 e passou 15 anos na prisão.
Ahmed Tommouhi foi detido em 1991 e condenado por violação, passou 15 anos na prisão e vai agora receber 2,5 milhões de euros de indemnização, por ter sido vítima de um dos maiores erros judiciais da democracia espanhola.
Hoje com 75 anos, Ahmed Tommouhi vive em Barcelona e viu-se esta semana de novo nas primeiras páginas dos jornais e nos noticiários das televisões, depois de o Tribunal Supremo de Espanha ter decidido que o Estado o tem de o indemnizar com 2,5 milhões de euros por um "erro judicial inequívoco e qualificado" que tem como uma das protagonistas a juíza que é hoje ministra da Justiça, Margarida Robles.
Por causa desse erro, Ahmed Tommouhi ficou, como sublinhou o Tribunal Supremo, "privado de liberdade durante um período extraordinariamente prolongado" e isto apesar de já em 1997 ter sido evidente que não era culpado.
Ahmed Tommouhi, trabalhador na construção civil, era imigrante em Espanha há poucos meses quando foi detido, em 1991, com outro marroquino, Abderrazak Mounib, vendedor ambulante que não conhecia. Os dois foram suspeitos de serem os autores de uma onda de assaltos e violações na Catalunha (nordeste de Espanha).
Ambos foram condenados em 1992 com base numa única prova - a identificação por uma parte das vítimas, quando foram colocados numa fila de suspeitos e depois de terem sido levados à esquadra algemados, percorrendo os corredores onde esperavam as denunciantes, o primeiro erro do processo policial e judicial.
Abderrazak Mounib morreu de enfarte na prisão, em 2000, e Ahmed Tommouhi saiu em liberdade condicional em 2006, sem nunca aceitar qualquer acordo em troca de uma redução da pena, como frequentar terapias para agressores sexuais. Disse sempre que era inocente e isso seria reconhecer-se como culpado e pelo mesmo motivo rejeitou pedir um indulto, "um perdão de um crime".
Ahmed Tommouhi foi condenado e declarado culpado de quatro violações, em três sentenças diferentes, por ter sido identificado por uma vítima, então com 14 anos, que mais tarde reconheceu, publicamente, poder ter-se enganado, apelando ela mesma a que o caso fosse revisto.
Mas ainda antes, durante o próprio julgamento, foi cometido aquele que agora o Tribunal Supremo qualificou como um "erro judicial inequívoco e qualificado" - foi ignorada "uma prova pericial biológica" segundo a qual o ADN do sémen encontrado na roupa de uma vítima não era compatível com os de Ahmed Tommouhi ou Abderrazak Mounib.
O júri do tribunal que os condenou, coordenado por Margarita Robles, ignorou essa prova, "apesar de ter sido admitida e formar parte do processo", e quando os peritos chamados a testemunhar não apareceram na sessão a que tinham sido chamados, o julgamento não foi interrompido nem foram de novo notificados, como pedia a defesa.
"Esse erro foi determinante", como sublinhou o Tribunal Supremo, mas não é o único.
Quando Ahmed Tommouhi e Abderrazak Mounib já estavam na prisão, repetiu-se, em 1996, nova onda de assaltos e violações, com o mesmo 'modus operandi', com vítimas a identificarem de novo os dois homens como autores dos crimes num conjunto de fotografias que lhes eram apresentadas.
Foi então detido um homem, Antonio García Carbonell, espanhol, muito parecido fisicamente com Ahmed Tommouhi e cujo ADN era compatível com os restos de sémen identificados na roupa da vítima de 1991.
Em 1997, com base no caso de Antonio García Carbonell, foi anulada a primeira condenação a Ahmed Tommouhi e Abderrazak Mounib, mas as autoridades recusaram sempre reabrir ou pedir a revisão das restantes, pelo que ambos continuaram presos.
O Ministério Público propôs em 1997 um indulto para os dois homens (que foi recusado pelos sucessivos governos espanhóis) mas nunca pediu a revisão dos casos.
Foi só na sequência do trabalho do jornalista do El Pais Braulio García Jaén, que a partir de 2004 se interessou pelo caso, que existiram desenvolvimentos.
O jornalista publicou vários artigos e um livro sobre Ahmed Tommouhi e pela primeira vez denunciou a prova científica biológica que tinha sido ignorada. O processo foi então revisto pelo Supremo espanhol, já depois de cumprida toda a pena de prisão por parte do inocente condenado.
Em sucessivas decisões do Supremo, foram anuladas todas as condenações (a última em 2025) e agora decidida uma indemnização para Ahmed Tommouhi, com o Supremo a justificar o valor de 2,5 milhões de euros com a "excecional gravidade" do caso e o impacto "nas oportunidades de vida" e na personalidade do afetado, que "excede em muito os parâmetros ordinários dos supostos de prisão indevida".
Ahmed Tommouhi, que tem hoje uma perna amputada devido a problemas de diabetes e circulação, não voltou a trabalhar depois de sair da prisão.
"Esses 2,5 milhões de euros não me permitirão recuperar a juventude, nem a vida, nem todo o tempo que não pude passar com os meus filhos e que me roubaram", disse Ahmed Tommouhi na sexta-feira ao El Pais.
Acrescentou que foi condenado "por erros ou por racismo" e "do pesadelo nunca se sai, esquece-se um pouco", mas reconheceu que com estas decisões do Supremo lhe devolveram a honra.
O livro do jornalista Braulio García Jaén sobre este caso tem como título "Justiça poética", um sistema que, nas palavras do autor, "substitui a valorização das provas pela construção de um relato que persegue não tanto o delito, mas a sensação de impunidade".