Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Ventos Semeados: Nem Hino, Nem Bandeira
Pureza diz que Fernando Alexandre está em "desnorte absoluto" sobre caos nos exames:
José Manuel Pureza aponta o dedo ao "desmantelamento do Ministério da Educação" operado pelo Governo e sublinha a incapacidade de cumprir com rigor as funções de governação, com o ministro a anunciar sucessivos calendários "à vigésima quinta hora", sem nunca garantir a estabilidade que famílias, estudantes, professores e escolas reclamam.
«Venceu o futebol»:
Não fixei onde li este comentário, no caudal de artigos sobre a final do Campeonato do Mundo que devorei de manhã, bem cedo, mas é notável pela síntese certeira: «Venceu o futebol».
Assim aconteceu, para bem da modalidade. Espanha foi uma selecção compacta, organizada, praticante de um futebol fluido e ofensivo, de olhos na baliza adversária. Os argentinos, pelo contrário, pareciam ter mais vontade de praticar kickboxing. Interessados nas canelas dos adversários e alheados das redes espanholas. Distribuíram sarrafada desde o primeiro minuto e viram um árbitro muito benévolo perdoar-lhes em larga medida o jogo violento.
A chamada «identidade alviceleste», que tem Enzo Fernández e Otamendi como dois expoentes, deriva em grande parte disto. E não se recomenda.

Lionel Messi esteve alheado da partida, vendo os colegas distribuir fruta enquanto percorria a passo fatigado o péssimo relvado do estádio de Nova Jérsia, sem condições adequadas para a prática do futebol de alto nível. Os 27 minutos de intervalo pontuado por show musical, muito à americana, danificaram-no mais ainda.
Tão elogiado em Portugal, sobretudo por aqueles que adoram denegrir Cristiano Ronaldo, o veterano avançado do Inter Miami saiu desta final sem cumprir um só objectivo.
Não se sagrou bicampeão mundial, não foi o melhor marcador do torneio (Mbappé superou-o marcando dez) nem é o rei dos artilheiros em campeonatos do mundo (Mbappé, aos 27 anos, j´a lidera a lista, com 22). Não fez sequer um remate `à baliza neste embate decisivo.
Foi, de resto, a primeira vez que uma selecção disputou a final de um campeonato do mundo sem um remate enquadrado em toda a partida (12 para os espanhóis) e zero tentativas de golo ao minuto 90 (a Espanha teve 20).
Superioridade, muito duvidosa, só em cartões: quatro amarelos e dois vermelhos. Com Espanha em branco neste capítulo.
Os idiotas que desataram aos urros contra Cristiano Ronaldo após o embate ibérico, com a eliminação da selecção lusa no tempo extra, certamente já terão percebido que essa derrota, aliás pela margem mínima, se inscreve na ordem natural das coisas: nuestros hermanos apresentaram a melhor selecção no torneio da América do Norte, confirmando os pergaminhos que a levaram há dois anos a sagrar-se campeã da Europa. Tão simples como isto.
Apoiei Espanha nesta final – porque do outro lado estava a Argentina e no seu onze titular figurava Pedro Porro, que em 2021 se sagrou campeão nacional pelo Sporting, onde consolidou um bem-sucedido trajecto como futebolista profissional. Não esqueço as suas palavras logo após o recente Portugal-Espanha quando aproveitou para enviar um abraço a todos os sportinguistas.
Venceram com mérito. Rodri, melhor médio defensivo do futebol contemporâneo e Bola de Ouro 2024, foi justamente eleito figura-chave do Mundial. Unai Simón, com apenas um golo sofrido em oito jogos, destacou-se sem surpresa como melhor guarda-redes. Titular indiscutível da selecção aos 19 anos, o catalão Pau Cubarsí mereceu a designação como melhor futebolista jovem: foi ele quem anulou Messi na final de ontem. Sem margem para dúvidas.
Sim, venceu o futebol.
Pedro Correia,
Do blogue Delito de Opinião
REFLEXÃO - QUANDO UMA VITÓRIA É LEAL E SEM FAVORES:
O BANHO DE MULTIDÃO... DOS OUTROS:
Antigamente, quando uma equipa ganhava o Campeonato do
Mundo, a cerimónia era simples: os jogadores recebiam a taça, levantavam-na ao
céu, festejavam com os companheiros e deixavam gravado para sempre aquele
momento na história do futebol. Agora, parece que já não basta.
À volta da Taça multiplicam-se presidentes,
primeiros-ministros, dirigentes, convidados especiais e toda uma galeria de
personalidades que, por momentos, parecem disputar um campeonato paralelo: o de
aparecer na fotografia.
A festa, que deveria pertencer exclusivamente aos
campeões, transforma-se num autêntico "banho de multidão" para quem
nunca deu um pontapé na bola, nunca correu noventa minutos nem sofreu um
carrinho em campo. Mas lá estão eles, sorridentes, cumprimentando jogadores,
acenando para as bancadas e procurando um lugar privilegiado ao lado do troféu.
Até parece que foram eles que marcaram o golo da vitória.
O futebol continua a ser dos jogadores. A taça
continua a ser conquistada por quem sua dentro das quatro linhas. Mas há quem
não resista à tentação de aproveitar o brilho dourado do troféu para iluminar
também a sua imagem. Se isto continua assim, qualquer dia o capitão da equipa
terá de pedir licença para levantar a Taça... porque a fila das fotografias
protocolares ainda não terminou.
Felizmente, há uma coisa que nem o melhor
enquadramento das câmaras consegue alterar: os campeões continuam a ser aqueles
que venceram dentro do campo. Os restantes... apenas aproveitaram o momento
para tomar um rápido banho de popularidade.
O buraco que se afunda, a indecência, a lama a mentira:
"A classificação de Português do meu filho apareceu inicialmente como suspensa e no final do dia de sábado apareceu a cotação de 109 valores... É impossível ter esta classificação, pois tem a escolha múltipla toda certo, o que implica 91 pontos! Pelas suas contas, o meu filho está à espera de ter 14,9 valores. Uma classificação por baixo e já a cortar todos os pontos dos erros."
domingo, 19 de julho de 2026
Dominguice:
Trump não pode ser explicado por si próprio. Aliás, esse será o aspecto menos interessante do fenómeno que protagoniza. O que fascina é sermos testemunhas de como a sociedade norte-americana aceitou, e continua a aceitar, dar a um fulano imoral, criminoso e bronco o poder máximo.
Não é uma falha da democracia, antes uma fase retrógrada da sua consolidação. Eis a lição mais importante a retirar.
19 Julho 2026 às 9:16 por Valupi
Do blogue Aspirina B
