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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Ventos Semeados: O Pior Cego

Ventos Semeados: O Pior Cego:   Não há pior cego do que quem não quer ver — o provérbio é antigo e a sua aplicação nunca foi tão generosa em exemplos como agora. Os pro...

duas ou três coisas: "Entre a Guerra e a Paz"

duas ou três coisas: "Entre a Guerra e a Paz": Deixo o diálogo que tive com Miguel Szymanski sobre as guerras e paz no nosso mundo, dissecando em especial o conflito ucraniano e o mundo e...

SuperTrumpa:

O regime criminoso do Irão estava à beira de implodir e não fazia a menor ideia de ter a mãe de todas as armas no Estreito de Ormuz. Nisto veio Trump fazer mais um favor ao regime criminoso de Israel e ofereceu ao regime criminoso do Irão uma histórica vitória contra a superpotência que estava já sem bombas e nunca teve pontaria. Agora o regime criminoso do Irão está muito mais forte do que estava, interna e externamente.

Não é fácil conseguir o feito que Trump veio assinar em Versailles. É preciso ter um génio e força sobre-humanos para atingir tal grau de nhurrice.

Coitada da América, coitado do Mundo.

por Valupi

Do blogue Aspirina B 

Montenegro e Ramalho: dois especialistas no trampolim:

(José Pendão, in Facebook, 18/06/2026, Revisão da Estátua)

Um trampolim, disse o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Não um subsídio, não um apoio, não uma prestação: um trampolim.

Parei na palavra como quem para na rua diante de uma montra bem composta, e dei por mim a admirá-la. Porque é preciso reconhecer o talento. É necessário um certo génio (não política, génio) para pegar num corte de critérios e devolvê-lo ao país transformado num exercício de ginástica olímpica. O cidadão não é amparado: é projetado para cima.

E não ficou por aí.

Ao trampolim somou-se o elevador (para quem prefira ascender sem esforço atlético) e, do lado contrário, a armadilha, que foi o nome escolhido para aquilo que o apoio social era até anteontem. Convém medir o que esta troca de palavras nos pede. O mesmo Estado que durante trinta anos assinou o cheque é agora, por confissão própria, quem armou o cepo, e apresenta-se, sem mudar de cara, como a mão que nos vem soltar dele. Sim, leram bem: o culpado candidatou-se a salvador, e nem sequer teve de trocar de gabinete.

Reparem na elegância da engenharia (e digo-o sem ironia, ou quase): toda esta arquitetura de imagens ascensionais assenta num pressuposto que ninguém teve de enunciar, porque vinha embutido na própria figura de estilo.

Um trampolim só atira ao alto quem lá chega já com balanço.

Um elevador só faz falta a quem não quer subir as escadas.

E um incentivo só se oferece a quem se suspeita de ainda não estar a tentar.

Em cada metáfora luminosa de mobilidade social vai escondido, como o bicho na fruta mais lustrosa, o velho desabafo de taberna: o homem está lá em baixo porque lhe apetece.

Convém, a esta altura, apresentar a personagem central de todo o enredo. Não é o primeiro-ministro, não é a ministra, não é sequer o senhor deputado, André Ventura, que jura, sem corar, que um quinto do Rendimento Social de Inserção é fraude, número que tem a virtude rara de não constar de lado nenhum a não ser da sua própria convicção.

A personagem central é uma palavra: subsidiodependência. Reparem na sua confeção. Termina em “dependência”, como heroína, como tabaco, como jogo (sufixo clínico, de bata branca) que transforma um pobre num doente e a pobreza numa recaída. É uma palavra que descreve com enorme precisão uma enfermidade para a qual, teimosamente, não se encontra o corpo.

Porque os números, esses, são de uma indelicadeza notável. O RSI paga, em média, cerca de cento e cinquenta e seis euros por mês (a uns trezentos euros de distância do limiar da pobreza) que é o ponto onde a pobreza apenas começa.

Chega hoje a cento e setenta e duas mil pessoas; chegava a meio milhão há quinze anos.

Pesa menos de um por cento na despesa da Segurança Social.

Há quem viva à grande à custa do Estado neste país, e fá-lo com instrumentos consideravelmente mais sofisticados do que cento e cinquenta e seis euros. Mas reservámos a palavra terminada em “dependência” precisamente para a parcela mais barata, mais fiscalizada e mais minguada da conta. É uma economia simbólica admirável: gasta-se a suspeita onde menos custa.

A ministra, Maria do Rosário, que recusa lições de moral, e faz bem, que a moral anda cara, convocou Aristóteles para a defesa. A autossuficiência, disse, é o fim e o que há de melhor. É verdade. É também verdade que o filósofo dispunha de escravos para lhe tratarem da autossuficiência, e que nunca teve de escolher, num mesmo dia, entre a renda e o dentista.

Já a escassez, dizem-nos os que estudam estas coisas em vez de as decretar, não rouba ao homem a vontade: rouba-lhe a largura de banda. A mente ocupada a sobreviver até ao fim do mês é uma mente que decide pior, não porque seja inferior, mas porque está cheia. Quem nunca contou moedas confunde a sua própria folga com virtude. É um erro compreensível. É o mais antigo de todos.

E aqui, porque seria cómodo, e eu desconfio do cómodo, convém recusar a divisão simples. A taberna mental não é propriedade exclusiva de uma certa direita, por mais que ela a frequente com assiduidade de cliente habitual.

A esquerda tem a sua própria adega, onde se destila o coitadinho, esse pobre de estimação que existe sobretudo para enobrecer quem dele se compadece.

E há um terceiro balcão, o mais triste de todos, onde se sentam os próprios beneficiários, que, quando inquiridos, se apressam a explicar que eles, esses sim, são diferentes; que os verdadeiros parasitas existem, claro, e estão “ali no café”, numa mesa que ninguém nunca consegue apontar.

Toda a gente, ao que parece, precisa de um pobre pior que si próprio para poder dormir digno.

É este o serviço que a língua nos presta, e por isso devíamos pagar-lhe melhor. Cada uma destas palavras é uma pequena porta a fechar-se com educação.

Trampolim, para que o corte pareça impulso. Incentivo, para que a desconfiança pareça pedagogia. Responsabilização, para que a punição pareça maturidade. Mérito, para que a sorte pareça carácter. Dignidade, sobretudo dignidade, a palavra-coringa, com que se justifica dar e com que se justifica negar, conforme o dia.

Construímos, a pouco e pouco, um vocabulário inteiro com uma única função: tornar respeitável o ato de não dar.

Não decidimos, em rigor, que os mais pobres eram o nosso inimigo. Fomos mais civilizados do que isso. Limitámo-nos a encontrar as palavras certas (limpas, modernas, quase ternas) que nos deixam olhar para o outro lado sem deixar de nos considerarmos gente de consciência. A PSU não inaugura este idioma; apenas o codifica em Diário da República.

Resta-me, e a vós, o pequeno incómodo de reparar que também este texto é feito de palavras. E que a diferença entre as minhas e as deles talvez não seja a inocência — seja apenas que as minhas não vêm com força de lei.

Do blogue Estátua de Sal 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

PORQUE É QUE OS EUA LANÇARAM DUAS BOMBAS ATÓMICAS SOBRE O JAPÃO:

Os Estados Unidos justificaram o gesto com uma urgência quase matemática: acabar a guerra depressa, evitar a invasão do Japão e poupar centenas de milhares de vidas americanas. Era o argumento oficial, limpo, direto, quase clínico. Mas por detrás dessa explicação havia sombras mais longas.
A verdade é que o Japão já cambaleava, e muitos generais sabiam que a rendição era uma questão de tempo. No entanto, o mundo estava a mudar de eixo. A bomba, então, serviu também como aviso - um trovão nuclear destinado a ecoar em Moscovo.
Hiroshima e Nagasaki tornaram‑se, assim, mais do que cidades: tornaram‑se símbolos. Símbolos de uma guerra que queria terminar, de um império que não queria cair, de uma superpotência que queria anunciar‑se ao mundo. E símbolos, sobretudo, da fragilidade humana perante a tecnologia que cria.
No fim, o Japão rendeu‑se. A guerra acabou. Mas o mundo entrou noutra: a Guerra Fria, que começou, ironicamente, no calor branco de duas explosões.
Porque é que eu me lembrei deste evento? Porque as últimas noticias podem não ser animadoras para a Ucrânia, que decidiu atacar Moscovo várias vezes, sendo que a última foi ontem e causou alguns danos na capital russa. Ora, Putin tem sido "suave" ao longo de quatro anos tentando evitar o que - agora - me parece inevitável.
E, tal como o Japão, a Ucrânia está nos limites da sua resistência no terreno mas está a receber misseis e drones das nações que - desde 2014 - tenta envolver a Rússia numa guerra e o fazem através da Ucrânia. Está previsto que a Ucrânia venha a receber mais F-16, mais milhares de drones e mais milhares de milhões - tudo de países europeus.
A guerra da Ucrânia prolonga-se e, como fizeram os EUA - os russos não querem que ela se prolongue demais e desgaste as suas forças militares e civis. Há quem defenda que só há uma forma de fazer render a Ucrânia. Pessoalmente temo que seja da pior maneira. Mas quem poderá criticar que assim aconteça se a Federação Russa se base sozinha contra a Ucrânia e mais trinta nações que se "escondem" atrás da primeira? Quererá Putin sacrificar os seus militares e a sua nação durante muito mais tempo? Os propósitos da "operação especial" não era garantir as suas fronteiras e acabar com o nazismo na Ucrânia?
Temo que seja necessário ir "para lá" da guerra convencional para garantir esse resultado, neste momento. E nem quero sequer pensar que a solução da Rússia seja a mesma que - em 1945 - os Estados Unidos utilizaram. Mas, em boa verdade, já nem me admirava.

João Gomes  

A CIMEIRA DE KAZAN TAMBÉM TEM "FOTOS DE FAMÍLIA":

Os líderes da ASEAN reuniram-se para fotografia de grupo em Kazan, na Rússia. Os chefes de delegação que participam na cimeira Rússia-ASEAN reuniram-se para a fotografia oficial antes de se dirigirem para a sessão plenária no Centro Internacional de Exposições Kazan Expo, no dia 18 de junho.

A Cimeira Rússia-ASEAN decorre de 17 a 19 de junho naquela cidade russa. A Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) é composta por 11 membros: Brunei, Vietname, Indonésia, Camboja, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia, Filipinas e Timor-Leste e representam cerca de 10% do PIB mundial em PPP.

O Luís Trafulha: