Rádio Freamunde

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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Acordar assim com uma triste notícia, a do falecimento de Luís Represas, um dos nomes mais marcantes da música portuguesa:

Esta Feiticeira é uma música belíssima, interpretada de forma magistral, e com os Trovante deixou autênticos Hinos, como Timor ou 125 azul. Morreu aos 69 anos, vítima de doença prolongada. Que descanse em paz.

Ainda sou do tempo

POSTAL DO DIA:


Viver tudo numa noite
1.
Morreu Luís Represas. Conheci-o em criança, em casa do meu pai, ao piano. Ele e todos os Trovante. Eram miúdos, no final da adolescência ou no início da vida adulta, estavam a preparar o seu primeiro álbum “Chão Nosso”. O Luís, e o João Gil e Manuel Faria, ainda não eram ídolos, mas foram-no. Mais do que qualquer músico em Portugal na década de 1980 e em metade da década de 1990. Foram eles a fazer a transição dos grandes músicos de intervenção para um novo mundo – eles próprios fizeram-na entre o segundo e o terceiro álbum. Não interessa.
2.
Luís era a estrela. A sua voz, presença, magnetismo e inteligência mudaram a face da música popular. E não temos de o chorar. Ele viveu uma vida cheia. Cumpriu-se, ficou na história e vamos cantá-lo até ao fim dos tempos. E Deus – ou alguém por E’le ofereceu-lhe a possibilidade de se despedir do público com quatro concertos que foram absolutamente mágicos. Já estava muito doente, mas eu não sabia. Mas já estava. E na sua cabeça era mesmo a despedida, a sua ultima vez. Impressionante a maneira como o fez. Sem alardes, sem chorinhos, sem nada que não tivesse feito se lhe estivessem destinados cem anos de vida.
3.
Agora percebo o título dos últimos espetáculos – “Viver tudo numa Noite”.
Os mais novos talvez não imaginem do que estou a falar, certamente que lhes é difícil entender que existia mundo antes deles, que existia música antes da música que ouvem, que os seus pais ou avós tenham sido jovens como eles. É-lhes difícil, quase impossível, saberem o que Trovante representou na cultura portuguesa, na construção da democracia, na capacidade de a música ser a prova de que qualquer coisa estava a acontecer de novo em Portugal.
4.
Lá estive para os ouvir, para ouvir o Luís. Ameaçaram viver tudo numa noite e cumpriram. Ou em quatro. Mas eu, querido Luís, enquanto por aqui estiver, continuarei desperto com algumas daquelas canções que nunca deixaram de tocar em mim, que me ajudaram a ser o que sou, que me fizeram chorar, desejar, amar, dançar, pensar, ser futuro e respeitar o passado.
5.
Trovante é a banda da minha vida. É memória de manhãs, tardes, noites e madrugadas. Sei as músicas de cor, apaixonei-me por quem as cantou comigo, adormeci todos os meus filhos com aquelas canções, lamentei as mortes e as perdas a ouvir a guitarra do João, a voz do Luís e o piano do Manuel. O meu pai já o deve ter reencontrado. E eu canto Molinera.
LO

Sebastianas continuam a encantar gerações!

Ano após ano, num ritual sagrado aguardado sempre com grande entusiasmo, as Sebastianas continuam a desafiar o tempo e a deslumbrar gerações. Celebradas há mais de século e meio, as festividades — que se confundem com Freamunde — regressaram com o seu roteiro de sucesso, celebrando a memória antiga enquanto abrem os braços às novas correntes artísticas.

Por Ricardo Jorge Neto

Tudo começou com a habitual semana cultural, uma montra viva que deu palco ao talento das várias associações locais. O arranque emocional ficou a cargo do movimento OMESSA, que transformou a Loja Nova num baú de memórias com a exposição “Entre a Devoção e a Festa”. A mostra tocou na essência da história: ali estavam as míticas vacas de fogo, os tapetes da procissão, os "ferreirinhos" e a construção dos carros alegóricos. Uma exposição com a mestria de fazer dialogar o passado e o futuro, provocando a nostalgia dos mais velhos e o sorriso e o espanto dos mais novos. A partir daí, sucederam-se as quadras, o folclore, os Pedaços de Nós, a tuna e o fado. A fechar com chave de ouro, a mais antiga banda filarmónica do concelho aliou-se à voz inconfundível de Rita Guerra, num momento de beleza rara. Pelo meio, juntamente com a AJAF, o monte Acheira contou com a adrenalina da castiça corrida de carros de rolamentos.

A 9 de julho, as Sebastianas ganharam oficialmente vida. No palco principal, Bárbara Tinoco ofereceu mais do que um concerto: encantou tudo e todos com uma performance visual surpreendente. Na sexta-feira, como manda a tradição, o relógio de sol da Capela de São Francisco parou para homenagear gerações e gerações de festeiros. Cumprido o protocolo solene, a noite transfigurou-se: de bombo e caixa na mão, as comissões invadiram o asfalto numa arruada imensa, com as mulheres freamundenses a assumirem a linha da frente nesta procissão de batidas e orgulho. No plano musical, Nel Monteiro ganhou estatuto de rei absoluto do cancioneiro popular, enquanto noutro palco o ritmo do rapper Regula dava voz às inquietações das novas gerações. Na noite de sábado, os Quatro e Meia encantaram um mar de gente com a sua poesia e melodia, logo após as Sebastianas terem sido revisitadas em forma de um grandioso espetáculo de fogo de artifício. 

O domingo, o dia da mais profunda solenidade, trouxe o coração das Sebastianas de volta ao sítio certo. A majestosa procissão saiu à rua, erguendo-se como o símbolo vivo da gratidão e devoção eterna de Freamunde ao jovem soldado de Narbona, São Sebastião. A ditar o compasso solene estiveram a Banda de Freamunde e a Banda Junqueirense, de Vale de Cambra. Para elevar a temática das Sebastianas 2026, nada melhor do que a construção dos tapetes, que juntou nas ruas netos, filhos, avós e até bisavós num esforço comunitário, garantindo que os quilómetros de cortejo se façam pisando quadros artísticos de serrim — um elemento de enorme significado nesta terra de marceneiros. A noite de domingo acabou entregue aos Resistência, um projeto intemporal que, tal como esta festa, cruza os caminhos de músicos de várias eras. As madrugadas são o momento de disputa entre numerosos espaços de música com DJs, que competem entre si para captar o maior número de foliões. Nesta batalha musical, o rei é o volume do som: numa lógica de mais decibéis, mais clientes...

A festa das multidões seguiu a rápida contagem dos dias e desaguou na segunda-feira, o dia da apoteose criativa, onde os mestres construtores colocam nas ruas as suas obras-primas: os carros alegóricos. Sob a égide do tema “Gerações”, a marcha não deixou ninguém indiferente, porque se há algo que une os freamundenses são as Sebastianas de ontem, de hoje e de amanhã. As memórias vivas das festas moldam quem somos: as primeiras saídas à noite, os namoros, participar como anjinho na procissão, os primeiros excessos, as vacas de fogo, as girandolas, chegar a casa a horas impensáveis, apanhar as canas para os feijões e para os papagaios e estrelas, os amigos de sempre, fugir e participar no mel, dançar samba, grafitar uma parede, saltar e pular enquanto os guerreiros do bombo se esvaem em suor, ou ver o melhor carro da marcha que é claramente o que construímos…

Foram, são e serão séculos de emoções puras, alimentadas pelos freamundenses que deram continuidade a esta tradição de trazer para a rua a fé e a devoção a São Sebastião. A tradição continuará viva, e uma nova geração já prepara as Sebastianas 2027!

Seríamos piores ou melhores sem as Sebastianas? Talvez sim, talvez não... mas uma coisa é certa: sem elas não seríamos, nunca, freamundenses! 

OPINIÃO de Ricardo Jorge Neto

Gazeta de Paços de Ferreira

Matai-vos uns aos outros…:

Sabíamos do poder destruidor das epidemias e da facilidade com que se convertem em pandemias, o que não conhecíamos era a facilidade e velocidade com que o belicismo se expandiu e legitimou em cada país e em todos os continentes.

Enquanto o flagelo ganhou adeptos e arrastou multidões, tornaram-se timoratos os que ainda pensavam em resistir, demonizados pela onda de propaganda que acompanhou as justificações.
É de pasmar, ver cidadão pacíficos empolgados com a necessidade de nos defendermos, sem saberem de quem, e o ar bovino com que ouvem as vuvuzelas da guerra a falar das maravilhas de artefactos militares capazes de dispararem os mísseis mais modernos e de atingirem com eficácia inimigos que facilmente podem passar a amigos ou vice-versa.
Nunca, na minha longa vida, tinha assistido a tanta insensibilidade com a morte dos que caem de um dos lados e ao regozijo pelos que são abatidos no lado contrário com heróis e vilões à escolha de cada um e em cada momento, numa orgia de sangue que percorre o Planeta e ameaça fazer de nós a sua última geração.
Num dia em que o acordo sobre o nuclear entre os EUA e Irão, entre o líder ensandecido do país militarmente mais poderoso do mundo e o príncipe-herdeiro de uma monarquia que pratica a sharia e onde se preserva a lei de um defunto profeta analfabeto e amoral, qualquer pessoa sensata vê que a corrida ao armamento nuclear, que nenhum país devia possuir, vai provocar uma corrida generalizada a favor da morte.
Será que todos estamos dispostos a trocar benefícios da civilização e da democracia por uma ideia de segurança e pela capacidade de nos matarmos melhor e mais depressa uns aos outros, abdicando da saúde, da segurança social e da paz?
Somos cada vez menos os que passámos por uma guerra, mil vezes menos letal, onde vimos a perversidade que os conflitos armados desenvolvem e a amoralidade de que são capazes primatas com armas na mão.
Quem nunca viu o cadáver de um camarada amigo dentro de uma farda e lhe pegou para ver os olhos a vidrar de uma vida que se extinguiu aos vinte e poucos anos ao serviço da pátria, em pátria alheia, ou os despojos de um amigo que uma bazuca reduziu a pedaços recolhidos com terra e um dedo solitário onde luzia uma aliança, talvez sinta no sofá a febre da guerra e a vontade de aventuras de racionalidade duvidosa e desfecho incerto.
Já não somos pessoas, somos autómatos insensíveis e amorais, guiados ao extermínio por algoritmos.
Mas, se é isso que querem, matem-se uns aos outros sem aprenderem que esta é a vida, única e irrepetível, cujo privilégio nos coube.
Matai-vos uns aos outros…

REFLEXÃO - A EDUCAÇÃO ESCOLAR FORA DE CASA É BOA?

A escola existe para complementar a educação que cada criança recebe em casa, nunca para a substituir. A família continua a ser o primeiro espaço onde se aprendem valores, afetos, respeito e cidadania. Mas a escola desempenha uma missão igualmente indispensável: transmitir conhecimento, desenvolver o pensamento crítico e preparar as novas gerações para viverem numa sociedade cada vez mais complexa.
É precisamente por isso que as políticas educativas devem obedecer a um princípio essencial: colocar sempre o interesse dos alunos acima das disputas políticas ou ideológicas.
Há cerca de um ano discutia-se intensamente a intenção de reduzir ou reformular os conteúdos relacionados com a educação para a sexualidade e a saúde reprodutiva. Muitos especialistas alertaram que essa opção poderia limitar o acesso dos jovens a informação cientificamente fundamentada sobre o conhecimento do corpo, o consentimento, a prevenção de abusos, a saúde sexual e a responsabilidade nas relações humanas.
Independentemente das posições ideológicas existentes sobre esta matéria, permanece uma pergunta fundamental: será que uma criança ou um adolescente ficam mais protegidos sabendo menos? Numa sociedade onde continuam a surgir casos de abuso de menores, violência sexual, exploração através da Internet e desinformação nas redes sociais, a escola continua a ser um espaço privilegiado para fornecer informação rigorosa e desenvolver capacidades de proteção pessoal.
Mas a educação não se mede apenas pelos conteúdos que constam dos programas. Mede-se também pela forma como o próprio sistema funciona.
Os acontecimentos recentes relacionados com a digitalização dos exames nacionais vieram demonstrar que modernizar não significa, por si só, melhorar. A introdução de novos processos tecnológicos revelou dificuldades de organização, atrasos na divulgação das classificações e uma enorme ansiedade entre milhares de alunos e respetivas famílias. Em muitos casos, a incerteza prolongou-se precisamente no momento mais importante do percurso escolar: a candidatura ao ensino superior.
Acresce que muitos alunos que pretendem exercer um direito legítimo - pedir a reapreciação de uma prova - continuam sujeitos ao pagamento de uma taxa de 25 euros. Embora esse valor possa ser devolvido quando existe alteração da classificação, a verdade é que muitas famílias questionam se o exercício de um direito deve depender, ainda que temporariamente, de um encargo financeiro, sobretudo quando o próprio funcionamento do sistema foi objeto de críticas devido a falhas técnicas e organizativas.
Estes dois exemplos, aparentemente distintos, têm um denominador comum: mostram que a educação exige estabilidade, rigor e confiança. Ora, é isso que o atual governo e o atual ministro da educação não dão.
Os pais esperam que a escola transmita conhecimentos sólidos, proteja os seus filhos e funcione com competência. Os professores necessitam de orientações claras, de recursos adequados e de condições que lhes permitam ensinar com qualidade. Os alunos precisam de um sistema previsível, justo e capaz de responder às suas necessidades sem criar obstáculos desnecessários.
A escola não pode transformar-se num campo permanente de experiências políticas nem num laboratório de improvisações administrativas. Sempre que isso acontece, quem paga o preço são aqueles que menos responsabilidade têm nas decisões: os estudantes.
Educar é muito mais do que transmitir matérias. É construir confiança, formar cidadãos, desenvolver competências e preparar cada jovem para enfrentar um mundo em permanente transformação. Por isso, a verdadeira questão talvez não seja se a educação escolar fora de casa é boa ou má.
A verdadeira questão é esta: estaremos a oferecer aos nossos jovens uma escola suficientemente preparada para cumprir plenamente a missão que a sociedade lhe confiou?
Porque uma boa escola não se define apenas pelos programas que ensina nem pelos computadores que utiliza. Define-se, acima de tudo, pela qualidade das suas decisões, pela competência da sua organização e pela confiança que consegue inspirar nas famílias e nos alunos.
E essa continua a ser uma responsabilidade que pertence a todos: governantes, professores, pais e sociedade civil. Afinal, investir na educação nunca é uma despesa; é sempre o mais importante investimento no futuro de um país.

João Gomes 

A longa tradição de ministros corruptos e incompetentes:

Portugal é uma democracia incipiente que atingiu agora o estado de mediocracia plena. A governação pelos medíocres está consolidada. Não é de agora, mas o sistema aperfeiçoou-se. Os indícios de corrupção atravessam os governos das últimas décadas, o que não é de surpreender, num regime que sucedeu a uma cleptocracia fascista, a uma república caótica e a uma monarquia parlamentar falhada. Mas esta democracia é reformável e a mediocridade pode ser evitada. As pessoas, num movimento cívico e suprapartidário, têm de ir para a rua exigir renovação e competência. A exigência de uma governação democrática e competente repudia o populismo e o regresso ao fascismo. Só faltam caras novas, com programas mobilizadores, protagonistas movidas/os pela ética e o bem comum. Tenho esperança que apareçam entre as novas gerações. Mas dificilmente virão das actuais juventudes partidárias.

Miguel Szymanski 

Lapidar:

«O antigo ministro das Finanças lembra que o objetivo de uma reforma é resolver um problema. “Havia um problema no acesso à universidade? Estava identificado algum constrangimento, alguma falta de transparência, de seriedade, de clareza no processo? Não. Portanto, problema eu acho que não havia”, continua.

Mário Centeno refere que a digitalização não pode ser um fim em si próprio e que “não podemos ter uma visão quase que pacóvia” em relação a este tema, já que a digitalização “também tem aspetos negativos”, desde logo na proteção da identidade das pessoas.»

Fonte

por Valupi

Do blogue Aspirina B