Rádio Freamunde

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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Intervenção do Adido de Imprensa da Embaixada da Rússia, Aleksei Chekmarev, no programa CNN 360º (30 de agosto de 2026):

Trechos principais:
• A Rússia considera Portugal como um dos países mais hostis na Europa. Lisboa segue as políticas antirussas da UE e da NATO, apoia completamente as sanções ilegais de Bruxelas, bem como presta um apoio abrangente ao regime de Kiev.
• Moscovo defende uma solução política para a crise ucraniana. No entanto, até ao momento, não vemos condições adequadas para a retoma do processo de paz. A Rússia está aberta a qualquer iniciativa de paz. Assim que forem apresentadas propostas concretas em cima da mesa, iremos analisa-las.
• O fornecimento de armas ocidentais lança uma sombra pesada sobre o futuro do diálogo, uma vez que Kiev já esgotou os seus próprios recursos e mantém-se de pé apenas graças ao apoio da União Europeia que parece determinada a lutar até ao último ucraniano e prolongar o conflito.
• O regime de Kiev optou por uma escalada. Vemos ataques contra uma vasta lista de alvos civis e económicos, bem como contra cargueiros no Mar Negro e no Mar de Azov. O que faz agora Moscovo são as medidas de retaliação.
• Sendo um parceiro de confiança, o nosso país é capaz de cumprir os compromissos no âmbito da segurança alimentar internacional, mantendo o trânsito pelo Mar Negro e desenvolvendo outros corredores de transporte. A Rússia representa cerca de 23% das exportações mundiais de trigo e 20% das de cevada.
• Os ataques ucranianos às infraestruturas económicas causam alguns prejuízos, mas não são críticos. O inimigo não conseguiu alcançar os seus objetivos. O povo russo é unido e resistente, como tem demonstrado muitas vezes ao longo da sua história.
Embaixada da Rússia em Portugal 

FIGURA DO DIA. Neves é um bandido bom:

Quanto mais sei de Luís Neves, mais dele gosto. Comecei por desconfiar quando ouvi das trapalhadas da piscina que é tanque e do empreiteiro com pinta de dançarino dos Alunos de Apolo antes do lugar ser ter tornado albergue de “betos” que pagam para os pobres os ensinarem a dançar bolero e quizomba.
Felizmente chegaram mais notícias do ministro – que havia um atrelado e se passeia no carro do Xuxas, o gangster dos gangsters. Notícias que o credibilizam. Não como ministro, mas como polícia. Talvez o país não tenha a perceção do perfil para se chegar ao topo na Judiciária. Os melhores inspetores da PJ não despacham o almoço com um pastel de massa tenra e um sumo natural de frutos vermelhos. É gente que suja as mãos, vive na noite, se dá com matadores e traficantes, prostitutas e chulos, carteiristas e ladrões. É essa a vida de um polícia da Judiciária, se for realmente bom. Se não o for, se achar isto desprezível, não sobrevive um ano na rua.
Luís Neves é um dos melhores da história da PJ. É impoluto no essencial – se não o fosse teria uma outra casa, um outro monte, nunca estaria num ermo em que eu não passaria uma noite mesmo que me pagassem. Estavam à espera do quê? Que fosse certinho? Que tivesse tudo em ordem? Que os seus amigos fossem catedráticos de Física Quântica e que discutisse Tomás de Aquino em pequenos-almoços na Versalhes? Pela minha parte pode ficar no MAI. Prefiro ter este bandido bom, com provas constantes de serviço ao país e coragem, do que um choninhas… sobretudo se parecer perfeito.
LO
Crónica publicada hoje no Diário de Notícias
Figura do Dia, de 2ª a 6ª Feira, no DN

II Guerra Mundial – 1 de setembro de 1939 (Texto atualizado):

Há 87 anos, Hitler invadiu a Polónia, apesar da popularidade que aí gozava, e iniciou a II Guerra Mundial. O clima político e económico tinha semelhanças com o atual. As fronteiras e o «espaço vital», hoje trocados pelos mercados, foram detonadores de uma catástrofe em que, pela segunda vez, a Alemanha ganhou todas as batalhas e perdeu a guerra.
Dessa tragédia, do desvario belicista, dessa delinquência nacionalista, a História regista nomes sinistros: Hitler, Goebbels, Bormann, Himmler, Goering, Eichmann, Ribbentrop, Rosenberg e Rudolf Hess.
Hoje, 87 anos depois, parecem mais confiáveis os principais entusiastas da corrida ao armamento e mais generosa a justificação. Defender as fronteiras de um país invadido é bem mais aceitável do que pretender conquistar um território, mas o entusiasmo de dois alemães causa alguma perplexidade.
Friedrich Merz e Von der Leyen, o primeiro em nome da Alemanha, e a segunda no da UE, apoiam o país invadido por outro igualmente europeu, e arrastam a Europa para um confronto que acabará, como todas as guerras, pela capitulação de um deles ou à mesa das negociações. E surpreende que, depois de quatro anos e meio de guerra, a UE jamais tenha avaliado um plano de paz para negociar ou, sequer, aberto uma linha de diálogo com Moscovo. António Costa foi, aliás, dissuadido com acrimónia por Merz e Macron.
Quem apoiou a desintegração da Jugoslávia e o ataque à Sérvia, para lhe amputarem o Kosovo, e aceitou a ocupação de 37% do território do Chipre e a divisão pela Turquia, devia ter maior recato na defesa de uma causa, ainda que justa, com recurso à guerra.
A política externa da UE confiada a Kaja Kallas só beneficiou a Turquia e a China, dois países que são a antítese das democracias ocidentais. Não foi a Rússia, o País invasor da Ucrânia, que virou costas à Europa Ocidental, foi esta que a escorraçou para benefício geoestratégico dos EUA.
Agora, com os EUA indiferentes à guerra na Ucrânia, a vender-nos armas para manter a guerra, ainda nos impõe tarifas sem reciprocidade e exige o sacrifício de 5% do PIB em prejuízo dos apoios sociais. E a senhora Von der Leyen, parece uma gladiadora a gritar ao imperador Cláudio, digo Trump, “Salve, César, aqueles que vão morrer te saúdam”.
O mundo mudou e, quando já não há países genuinamente comunistas, apenas ditaduras e democracias, vemos o neoliberal Trump a disparar tarifas e o comunista Xi Jinping, a defender o comércio livre e o respeito pelas instituições multilaterais!
O que dói é ver a deriva belicista e o desvario de Trump sufragados pela UE, enquanto a China beneficia da guerra na Europa, e os EUA viram o mundo contra si com a invasão do Irão e o apoio acrítico a Israel.

Com o mundo à beira da destruição, a UE, o mais belo projeto do pós-guerra, vai sendo remetida para a irrelevância, quiçá a caminho da sua desintegração. Que raio de gente!

Carlos Esperança 

A D. Helena, sionista de profissão:

(Manuel Cruz, in Facebook, 30/08/2026, Revisão da Estátua)

A senhora D. Helena, sionista de profissão, mentirosa por vocação, acaba de fazer coro com os fedúncios do costume e veio a terreiro atacar, também ela, a Festa do Avante sob a acusação, oh escândalo!, oh blasfémia!, oh ignomínia!, de que estará a acolher, num desprezível gesto de solidariedade, uma organização palestiniana que a UE, essa instituição como se sabe democratiquíssima, decidiu meter no rol das entidades terroristas a abater.

A senhora D. Helena tem toda a credibilidade para o fazer, uma vez que já afirmou coisas como não haver fome em Gaza e outras barbaridades de quem convive com genocidas tão bem como deus com os anjos.

Não tenho por péssimo costume reproduzir o texto de alguém sem mencionar o autor. Neste caso, tenho que o fazer porque chegou-me às mãos sem essa indicação e porque a D. Helena, ao contrário da bela Inês, não pode ser posta em sossego, na sua azáfama diária entre a embaixada de Israel, os estúdios de televisão e os elegantes salões da Câmara Municipal de Lisboa para ganhar a vidinha à custa de muito labor, que o rodovalho anda a custar os olhos da cara e a verdade está pela hora da morte. Eis o texto.

(Nota: A Estátua fez uma breve pesquisa e – sem garantir a 100% – julga que o texto foi publicado em 1ª mão no Facebook, na página Isidro de morais pereira, Crónicas da controvérsia, em 16/08/2026.)


Como pode descer tão baixo? Ela, e os que lhe dão tempo de antena?

Helena Ferro Gouveia é o rosto podre da desumanização contemporânea, aquela que vendeu a sua capacidade de distinguir o certo do errado por um salário de embaixada, e que todas as manhãs acorda para justificar a morte de crianças com o mesmo sorriso profissional de quem vende automóveis usados.

Quando abre a boca para dizer que há jornalistas em Gaza, está a mentir conscientemente, porque sabe que esses jornalistas entram como prisioneiros de guerra, escoltados por soldados armados até aos dentes, em zonas pré-lavadas pelo exército de ocupação, sem possibilidade de ver as fossas comuns, ou os corpos esmagados pelas bombas de mil libras, ou as crianças a morrer de fome nos braços das mães.

E quando cita a Tânia Krämer, omite propositadamente que a jornalista disse que entrava de forma condicionada, o que é o oposto absoluto da liberdade de imprensa, e a prova de que Helena Ferro Gouveia confunde jornalismo com propaganda militar. Quando fala dos mais de 160 jornalistas assassinados em Gaza, tem a desfaçatez de os acusar de serem combatentes, como se isso justificasse o assassinato de civis protegidos pelo direito internacional humanitário, como se o assassinato de jornalistas não fosse um crime de guerra explícito, e como se Israel não tivesse um historial documentado de visar deliberadamente jornalistas para silenciar testemunhas.

Quando menciona médicos e enfermeiros como combatentes, está a repetir a lógica nazista que transformava civis em alvos legítimos, para justificar a destruição deliberada de hospitais e a morte de mais de 500 profissionais de saúde em Gaza, e está a tentar apagar o facto de que o Al-Shifa foi invadido duas vezes, destruído, e transformado em campo de concentração temporário, onde médicos foram torturados, enquanto ela sorria para as câmaras em Lisboa.

Quando fala de história, comete o crime de usar a memória do Holocausto para justificar o genocídio actual, omitindo que os palestinianos não têm culpa pelo que os nazis fizeram aos judeus europeus, e que a Palestina não nasceu no século VII, como ela mente descaradamente, mas é uma terra habitada continuamente por milénios, por cananeus, filisteus, judeus, cristãos e muçulmanos, e que os ashkenazim que fundaram Israel em 1948 têm mais ancestralidade europeia do que semita.

Quando evoca a partição de 1947, omite propositadamente a Nakba de 1948, quando 750 mil palestinianos foram expulsos das suas casas em pijama, à ponta da baioneta, e as suas aldeias destruídas, e os seus campos deitados abaixo, e as suas oliveiras arrancadas. E quando fala de Camp David, omite que Israel nunca aceitou um estado palestiniano viável, mantendo sempre a expansão colonial ilegal na Cisjordânia, com 700 mil colonos que roubam terra, água e vida aos palestinianos, sob a proteção de um exército de ocupação que ela chama de forças de defesa.

Quando afirma que não é genocídio, está a negar a realidade que o Tribunal Internacional de Justiça já reconheceu como plausível, quando determinou que Israel deve parar de matar em Gaza, e quando o Tribunal Penal Internacional pediu a detenção de Netanyahu por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Quando ela diz que o tribunal ainda não decidiu, está a mentir, porque a decisão da CIJ é vinculativa, e ela sabe disso. Quando menciona os 23 mil atentados contra judeus, está a tentar criar uma equivalência moral obscena, entre vandalismo e postagens na internet, e o massacre de mais de 70 mil pessoas em Gaza, onde 70% das vítimas são mulheres e crianças, e onde se destruiu propositadamente todos os hospitais, todas as escolas, todas as universidades, todas as bibliotecas, todos os museus, e se impõe a fome como arma de guerra, matando crianças por desnutrição, enquanto ela almoça em restaurantes de luxo em Telavive ou em Lisboa.

Quando fala da campanha de 640 milhões de euros, está a admitir que Israel gasta fortunas em relações públicas, para comprar consciências, influenciadores, políticos e jornalistas dispostos a repetir que o preto é branco, que o massacre é autodefesa, que o genocídio é guerra, e que as crianças assassinadas são culpadas do seu próprio assassinato.

Helena Ferro Gouveia não é uma “comentadora”, é uma negacionista de genocídio profissional, uma negacionista dos crimes de guerra, uma negacionista da realidade, que usa o sofrimento histórico do povo Judeu como escudo, para justificar o sofrimento que Israel impõe a outro povo.

E o pior é que o faz com a frieza de quem sabe que tem impunidade garantida pelo ocidente colonial, que financia e arma este massacre diário, e que aplaude enquanto Gaza é transformada num cemitério a céu aberto, sob o silêncio cúmplice de quem, como ela, transforma a linguagem humana num instrumento de tortura moral, dizendo guerra quando quer dizer extermínio sistemático, dizendo combatentes quando quer dizer crianças de seis meses, dizendo defesa quando quer dizer dominação colonial racista, dizendo verdade quando quer dizer propaganda de guerra, dizendo jornalismo quando quer dizer lavagem cerebral, e dizendo diplomacia quando quer dizer cumplicidade com crimes contra a humanidade.

Este é o fascismo sionista em acção, não é uma opinião política, é a negação sistemática da humanidade do outro, e Helena Ferro Gouveia é a sua voz em Portugal, a voz que justifica o injustificável, que nega o inegável, que transforma vítimas em culpados e algozes em vítimas, numa inversão perversa da realidade, que só pode existir num mundo onde o poder colonial ainda decide quem merece viver e quem merece morrer em silêncio.

Ela é a porta-voz dessa decisão, a cara amiga do genocídio, a mulher que vendeu a sua alma por uns quantos “trocos”, e que todas as noites deve olhar para o espelho e ver, não um ser humano, mas um instrumento de propaganda de um regime de apartheid assassino.

Do blogue Estátua de Sal 

A entrada formal de Ronald:

Em finais de 2023, como detentor de 30% do grupo Medialivre, através da holding CR7, S.A., colocou o atleta mais célebre do país no centro da engrenagem que dita a agenda política e acelera a ascensão do populismo em Portugal. Sob o teto financeiro garantido pelo consórcio de Ronaldo operam marcas como o Correio da Manhã, a CMTV e o canal NOW, órgãos que se transformaram nos motores principais da atual campanha de desgaste contra o Ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Esta influência estendeu-se diretamente ao desporto em maio de 2026, data em que Ronaldo adquiriu uma participação relevante na plataforma digital de streaming LiveModeTV. A empresa gerou enorme polémica durante o Mundial de 2026 ao transmitir dezenas de jogos gratuitamente no YouTube, subvertendo o modelo de direitos de transmissão tradicional. Esta jogada empresarial revela que Ronaldo transportou para o mundo corporativo a mesma apetência predatória que o tornou único nos relvados: tal como na grande área ele não precisa de construir a jogada, bastando-lhe antecipar-se aos defesas para encostar a bola à rede, no mundo dos negócios Ronaldo atua como o finalizador implacável que aproveita as falhas estruturais do mercado para monopolizar o espaço público. Longe de ser um mero investimento passivo, este ecossistema serve um duplo propósito comercial e de blindagem de imagem: ao controlar os canais de distribuição digitais que transmitem o futebol, o próprio Ronaldo passa a deter as plataformas que avaliam, narram e geram o conteúdo sobre o seu desempenho como jogador. É o controlo absoluto da narrativa desportiva em proveito próprio, numa estratégia que visa ditar quem é criticado e quem é protegido.
Analisar o império de Ronaldo exige decifrar as suas motivações. Seria ingénuo procurar na sua conduta uma agenda ideológica clássica, uma filiação partidária oculta ou o desejo de se tornar um líder político tradicional. As suas motivações são estritamente pragmáticas e corporativas: a expansão do poder pessoal e a maximização do lucro através da economia da atenção. O desígnio de Ronaldo é a construção de uma soberania privada que flutua acima das leis dos Estados e do escrutínio dos parlamentos. A sua aliança indireta com as forças que fraturam o sistema não nasce de uma simpatia pelo extremismo, mas sim da perceção de que o ruído, a polarização e o escândalo são os ativos mais rentáveis do século XXI. Ao financiar as ferramentas do populismo, Ronaldo não procura governar; procura garantir que nenhum governo, seja de que quadrante for, tenha a força institucional necessária para questionar os seus negócios, o seu património ou a sua imunidade.
Esta blindagem torna-se ainda mais evidente quando se traça um paralelo factual entre os percursos de Cristiano Ronaldo e de Luís Neves no que toca ao cumprimento da lei. Ambos partilham o facto de terem estado sob o foco da justiça por irregularidades financeiras. Luís Neves enfrenta um escrutínio severo por falhas administrativas e omissões na sua declaração pública de património validadas pelo Tribunal de Contas. Por sua vez, Cristiano Ronaldo foi formalmente condenado pela Justiça e pelo Fisco de Espanha devido a uma fraude fiscal maciça associada à ocultação de rendimentos dos seus direitos de imagem. O futebolista aceitou uma pena suspensa de 23 meses de prisão e o pagamento de uma multa de 18,8 milhões de euros para encerrar o processo-crime. No entanto, enquanto os erros de Luís Neves são expostos em horário nobre de forma implacável pelos órgãos da Medialivre, o passado criminal financeiro de Ronaldo é protegido pelo esquecimento mediático, criando dois pesos e duas medidas na praça pública.
É neste duplo padrão que a ligação à figura de Donald Trump se revela despida de qualquer inocência. O decreto assinado pelo presidente norte-americano para classificar o movimento descentralizado "Antifa" como uma organização terrorista doméstica não foi uma medida de segurança, mas sim um guião político. Trump inaugurou a era em que o topo do Estado utiliza o rótulo de "terrorista" para criminalizar a oposição, criar um inimigo interno e desviar as atenções dos seus próprios escândalos judiciais. Em Portugal, a engrenagem mimetiza o método: o canal NOW alimenta o horário nobre com e-mails privados de Neves e, minutos depois, o Chega utiliza essas mesmas peças televisivas para exigir comissões de inquérito, ameaçar com moções de censura e tentar forçar a demissão do governante. A importação da cartilha de Trump serve para cobrar a fatura histórica a Luís Neves que, enquanto Diretor da Polícia Judiciária, desmantelou as narrativas que associavam a imigração ao crime e investigou as células radicais nacionalistas. Usa-se a falha administrativa legítima do ministro para validar a agenda populista americana em solo nacional.
Diante deste cenário, o cidadão é obrigado a tomar uma posição e responder a um dilema ético profundo: o que pesa mais na balança da sobrevivência democrática? As falhas administrativas de Luís Neves ou o império mediático de Cristiano Ronaldo? As falhas de Neves, por mais graves e repreensíveis que sejam do ponto de vista ético e republicano, esgotam-se na sua pessoa e no seu mandato político, são os erros contidos de um homem num cargo público. Por outro lado, o impacto dos investimentos de Cristiano Ronaldo é estrutural, sistémico e de longo prazo. Ao colocar a sua fortuna ao serviço de um ecossistema mediático que vive de degradar o debate público, de asfixiar as figuras do Estado e de controlar a narrativa sobre si próprio para gerar cliques e audiências, Ronaldo financia a erosão dos alicerces democráticos do país. O dinheiro de CR7 dá oxigénio e viabilidade económica às plataformas que a extrema-direita utiliza para crescer.

Entre o governante que falha na gestão dos bens do Estado e o investidor global condenado por fraude que financia a máquina que deforma a perceção da realidade de um povo, o peso do segundo é infinitamente mais destrutivo. Luís Neves deve ser escrutinado e responsabilizado pelos seus atos materiais. Mas a complacência nacional perante os negócios de Cristiano Ronaldo é um sintoma de cegueira coletiva. A gratidão desportiva não pode continuar a servir de salvo-conduto para que o homem mais influente do país lucre com a engenharia que fratura a sociedade. Quando os golos terminarem, o que restará de Portugal será o estado das suas instituições e, nesse campeonato, o capital desregulado está a vencer a democracia por goleada.

Andreia Pinto Ferreira 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Ventos Semeados: Contagem Decrescente

Ventos Semeados: Contagem Decrescente:   Há catástrofes que já não surpreendem pela ocorrência, só pela frequência com que ocorrem. No Nepal, o colapso de um glaciar junto à front...