Rádio Freamunde

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Ai são, são:

“No essencial, este juiz tem razão”: Rogério Alves analisa entrevista a Ivo Rosa, que virou “persona non grata”

Sou fã de Rogério Alves, daí ter como especialmente significativo os 14 minutos da sua intervenção a respeito da entrevista de Ivo Rosa à TVI. Eis o que todos podem conferir:

– A jornalista abre com “O juiz tem razão nestas queixas que apresenta contra o Ministério Público, nomeadamente quando diz que estamos aqui perante um atentado ao Estado de direito? Ou há um exagero do juiz Ivo Rosa?

– Rogério Alves começa por alinhar com a proposta de desvalorização das declarações de Ivo Rosa, com “Pode haver algum exagero de linguagem, mas no essencial este juiz tem razão.”

– A meio das suas declarações, Rogério Alves verbalizou com intensidade indignada “Ora, um juiz de direito ser assim atacado é um ataque directo a um dos fundamentos essenciais do dito Estado de direito, que é a independência dos juízes.”

Moral da história? Não havia exagero de linguagem algum por parte do juiz, como o comentador deixou enfaticamente registado. O exagero veio da jornalista, ao se colocar como veículo de um novo ataque ao juiz. Agora, tentando diminuir a credibilidade da denúncia contra o Ministério Público.

O mais importante veio a seguir, em declarações escandalosas do Rogério:

(i) “O problema é que, para essas duas pessoas (Seguro e Aguiar-Branco) alinharem com esta tese do juiz Ivo Rosa, é danoso em termos de popularidade.
(ii) “Este assunto está morto, este assunto morreu!
(iii) “Isto acontecer assim não é culpa do Ministério Público, isso é a técnica de investigação. O isto acontecer assim é culpa do poder legislativo.

O que ele está assim a validar é a impunidade dos criminosos do Ministério Público que perseguiram, espiaram, devassaram e caluniaram Ivo Rosa. Consagra a tese de serem um Estado dentro do Estado e, na prática, o verdadeiro soberano.

Ainda mais triste, e trágico, é o argumento de que o Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República permanecerão cúmplices de criminosos para não perderem “popularidade”.

Finalmente, reduzir o ataque a Ivo Rosa à figura da “técnica de investigação” fica como um monumento ao cinismo. Não há problema algum com as técnicas de investigação havendo suspeitas legítimas de actividades ilegais. O problema está no embuste montado para destruir a legitimidade de um juiz que se recusou a ser cúmplice num julgamento político.

Não acredito que a jornalista e Rogério Alves se concebam como cúmplices dos criminosos do Ministério Público, obviamente. Mas que o são, são.

por Valupi

Do blogue Aspirina B

Hospitais públicos “orientados” por administrações de amigados:

(João Gomes, in Facebook, 09/06/2026)


Há uma pergunta que os portugueses deveriam fazer sem receio e sem preconceitos partidários: quem governa realmente os hospitais públicos? Os profissionais que conhecem o terreno, os doentes que deles dependem, ou administrações escolhidas sobretudo pela sua proximidade ao poder político?

Nos últimos anos assistiu-se a uma profunda renovação das administrações hospitalares. Mudaram-se gestores, reorganizaram-se estruturas e multiplicaram-se as nomeações. Nada haveria de extraordinário se tais mudanças fossem acompanhadas por uma melhoria visível dos serviços prestados aos cidadãos. O problema é que muitos portugueses observam precisamente o contrário.

As urgências continuam sob pressão permanente. Os tempos de espera prolongam-se. Faltam médicos em diversas especialidades. Os profissionais denunciam exaustão e desmotivação. As greves sucedem-se. A fuga para o sector privado mantém-se. E, perante este cenário, raramente se escutam vozes firmes das administrações hospitalares a denunciar a insuficiência dos meios ou a contestar publicamente as políticas que contribuem para a degradação do serviço.

É aqui que surge uma suspeita legítima: terão os hospitais passado a ser dirigidos por gestores cuja principal função é executar orientações políticas, mesmo quando estas se revelam inadequadas para as necessidades do SNS?

A missão de uma administração hospitalar não deveria ser agradar ao governo do momento. A sua primeira obrigação deveria ser defender os interesses dos utentes, dos profissionais e da instituição que dirige. Quando um hospital não dispõe dos recursos necessários, espera-se que os seus responsáveis o digam claramente. Quando uma decisão política prejudica o funcionamento dos serviços, espera-se que a contestem. Quando as condições de trabalho se deterioram, espera-se que sejam os primeiros a alertar para os riscos.

Mas quando a lógica da nomeação assenta sobretudo na confiança política, corre-se o risco de transformar administradores em meros executores de orientações superiores. A autonomia desaparece. A crítica interna enfraquece. O contraditório torna-se incómodo. E a instituição perde uma das suas mais importantes linhas de defesa.

Os defensores deste modelo argumentam que qualquer governo necessita de equipas alinhadas com os seus objetivos. É verdade. Porém, existe uma diferença fundamental entre alinhamento estratégico e submissão administrativa. O primeiro é compatível com a competência e a independência. O segundo transforma organizações públicas em extensões partidárias do poder.

O resultado pode ser devastador. Hospitais silenciosos perante os problemas. Profissionais sem representação institucional efetiva. Utentes confrontados com serviços cada vez mais fragilizados. E um sector privado que cresce à medida que a confiança dos cidadãos no SNS diminui.

Seria ingénuo ignorar as consequências práticas de um sistema que privilegia a fidelidade política sobre a autonomia institucional. Quando os administradores deixam de ser os primeiros defensores dos hospitais que dirigem, os hospitais deixam de ter quem os defenda.

O SNS foi concebido para servir os cidadãos e não os governos. Sempre que esta hierarquia de prioridades se inverte, não é apenas a gestão que falha. É a própria ideia de serviço público que começa a perder significado.

E essa talvez seja a doença mais perigosa que um sistema de saúde pode contrair.

Do blogue Estátua de Sal 

O Chega, grita, grita, até que lhe dêem uma malga:


 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Rússia rejeita iniciativas de paz ucranianas e europeias, diz que o campo de batalha vai decidir a guerra...:

Sim - essa é a última posição russa. Na última semana, vários oficiais russos rejeitaram publicamente as propostas de paz ucranianas e europeias, dizendo que a guerra será resolvida militarmente, não à mesa das negociações.

Putin rejeitou o apelo de Zelenskyy para conversações diretas de paz, dizendo que uma reunião é "sem sentido" e que as hostilidades continuarão até que os objetivos da Rússia sejam alcançados. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, declarou que a Rússia rejeita as iniciativas ucranianas/europeias e "não sei como podemos sequer falar sobre negociações" - só os "nossos heróis na linha de frente" importam.
O porta-voz do Kremlin, Peskov, disse que o processo de paz está "parado" e culpou Kiev + Europa, acrescentando que os europeus "acreditam que a Ucrânia pode alcançar a vitória através de meios militares" - o que ele chamou de equívoco dadas as realidades do campo de batalha. Putin avisou a Europa de que as suas exigências são "absolutamente inaceitáveis" e "se a Europa quer guerra, estamos prontos agora".
Ucrânia e seus aliados chamam isto de não-inicial. Analistas notam que Moscou acredita que "ainda há ganhos a fazer no campo de batalha", e que a guerra de atrição favorece os maiores militares da Rússia.
🇺🇦🇷🇺🇪🇺

A Ucrânia atacou a Roménia – e o artigo 5º da NATO não é ativado?

 (Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 09/06/2026, Revisão da Estátua)


AUcrânia, com a habitual cumplicidade e apoio do SBS (Special Boat Service: Força de operações especiais de elite da Marinha Real Britânica), quis provocar a morte de dezenas, ou mesmo centenas, de romenos, e culpar a Rússia dessa ação.

Se esta operação ucraniana tivesse tido o desejado sucesso, os drones ucranianos ter-se-iam feito explodir junto dos seus objetivos (um deles um depósito de nitratos cuja explosão seria mil vezes superior à do próprio drone – veja-se o que aconteceu em 2020 em Beirute no Líbano -, causando assim muitas dezenas de mortes.

Em seguida, os líderes e a média internacional, ao serviço destes criminosos, seriam ativados para atribuir este atentado terrorista aos russos e assim poder ser invocado o artigo 5º da NATO, passando a Roménia a ser parte beligerante do conflito, sem para isso ser tida nem achada.

Vimos como, mesmo sabendo que os drones eram ucranianos, logo os execráveis e nojentos líderes europeus – Van der Leyen, Kallas e Costa – se  apressaram a culpar a Rússia e houve mesmo quem alvitrasse uma interferência de guerra eletrónica por parte desta.

Para azar destes facínoras todos, devido à Providência e a um pequeno erro do sinal GPS, a tramóia falhou e, nesta altura, até as próprias autoridades romenas já se aperceberam do nível criminoso a que os fascistas ucranianos e britânicos podem chegar e que a imprensa e políticos locais já estão a denunciar.

A verdadeira história sobre o que realmente aconteceu no porto de Constanța e nas suas águas próximas é a seguinte:

Na madrugada de 5 de junho de 2026, por volta das 05:00, hora local, entrou furtivamente no porto de Constanța um drone marítimo da classe Sea Baby, na versão de comando e reconhecimento, controlado por operadores da marinha ucraniana com apoio técnico do SBS britânico, equipado com Starlink e dispositivos de boa qualidade para registo de imagens.

A tarefa do operador ucraniano, que controlava o drone, era chegar diretamente ao armazém de fertilizantes nitrogenados situado no terminal Chimpex desse porto. Perto desse mesmo porto de Constanța, já aguardavam três outros drones ucranianos do tipo Sea Baby, na versão de combate, equipados com cerca de 100 kg de explosivos, cada.

Por volta das 5:30 – 5:50, hora local, o drone ucraniano enredou-se num sistema flutuante de contenção de fugas de hidrocarbonetos. Este incidente provavelmente ocorreu devido a um erro no sinal GPS. Por causa disso mesmo, o operador do drone virou à esquerda em direção ao terminal, 2 a 3 segundos antes da hora, a 30 metros do final do quebra-ondas – o que é um erro possível aquando de uma comunicação por satélite – resultando assim em ter ficado enganchado acidentalmente na tal barreira flutuante de proteção contra fugas de petróleo, localizada a 3 metros da costa.

Vale notar que, se o drone no porto tivesse chegado diretamente ao armazém de fertilizantes nitrogenados, poderia ter causado uma explosão mil vezes mais forte que a do próprio drone.

Devido à imobilização deste drone de reconhecimento e comando da equipa de ataque ucraniana, a operação marítima da marinha ucraniana teve de ser terminada. Os drones de combate ucranianos, posicionados perto da entrada do porto, não puderam continuar o seu ataque, pois provavelmente ficaram sem o drone de observação, que também servia como estação retransmissora.

Por volta das 10:30, o comando da marinha ucraniana tomou a decisão de autodestruir o drone enredado na barreira de contenção de fugas de petróleo. Isso foi feito para destruir as evidências de ter havido uma violação intencional das águas territoriais romenas, a qual ficaria exposta se o drone fosse analisado por técnicos romenos.

 Várias dezenas de minutos antes dessa autodestruição, as autoridades romenas foram notificadas pelo lado ucraniano sobre a necessidade de evacuação da área. Mais de mil pessoas foram evacuadas dessa zona da costa do distrito de Constanța. O funcionamento do porto e da própria cidade também foram gravemente perturbados. Por volta das 11:00, os restantes três drones de ataque ucranianos perto do porto de Constanța – incluindo um que estava nas suas águas territoriais – também foram destruídos remotamente pelos operadores ucranianos. Terminou, dessa forma, a operação da marinha ucraniana na região de Constanța.

Esta criminosa operação de “falsa bandeira”, dos fascistas ucranianos, com o apoio e a cumplicidade dos britânicos (que, como é sabido, são especialistas neste tipo de operações), tem e deve ser amplamente denunciada.

 Foi mais um dos muitos crimes contra a Humanidade que os hediondos nazis instalados em Kiev não hesitam em cometer para satisfazer as suas ambições e o seu ódio a todos os que não pactuam com os seus nefandos comportamentos.

Para estes miseráveis e todos os que os apoiam, não há qualquer medida de decência e de humanidade que respeitem e são capazes de assassinar os seus próprios aliados, só para tentar obter mais uma das suas pírricas vitórias mediáticas.

Notável é também a pusilanimidade dos líderes europeus e da NATO, pois apesar de saberem muito bem os contornos do que sucedeu, nem sequer alvitraram a possibilidade de um inquérito mais aprofundado e consultas para equacionar a aplicação do artigo 5º – ao contrário do histerismo e gritaria mediática quando se colocou a hipótese de drones russos terem entrado na Polónia e na Roménia.

Não passam de uns execráveis hipócritas.

Do blogue Estátua de Sal

Começa a semana com isto:

“Obviamente que fui espiado”: Ivo Rosa fala sobre inquéritos de que foi alvo em entrevista exclusiva

“Todos nós temos coisas a esconder” mas “a nossa privacidade é uma coisa que temos de preservar”: segunda parte da entrevista exclusiva a Ivo Rosa

NOTA

– Sandra Felgueiras fica com o grande mérito de ter dado a cara na entrevista, e o enormíssimo mérito de ter posto o seu nome numa corajosa denúncia contra os cobardes que nos representam. Mas, ao mesmo tempo, na entrevista ela não faz jornalismo, faz sensacionalismo. Desse ponto de vista, apareceu displicente e ironicamente cúmplice com os criminosos do Ministério Público.

– Ivo Rosa surpreendeu-me, quase que me deixou chocado, por não exibir pingo de ressentimento persecutório e ter mantido um exemplar sentido de Estado e de respeito pelas instituições da República nas declarações que fez. É também politicamente comovente ver a sua fragilidade ao referir ter a privacidade devassada, com o subtexto público que tal implica.

Vamos deixar Ivo Rosa sozinho? Este país de cobardes e pulhas é unânime na resposta.

por Valupi

Do blogue Aspirina B 

A aversão aos “malandros do rendimento mínimo”:

(Ana Sá Lopes, in Público, 07/06/2026)


Ao contrário da guerra aos imigrantes, a guerra ao “malandro do rendimento mínimo” serve o populismo sem nenhuma consequência para o PIB e a Segurança Social.

A criação do Rendimento Mínimo Garantido (hoje Rendimento Social de Inserção) pelo Governo Guterres em 1996 não aconteceu sem um grande combate da direita, nomeadamente do CDS de Portas.

Nas campanhas eleitorais, Paulo Portas atirava-se furiosamente aos “malandros do rendimento mínimo” que “não queriam trabalhar” contra o bom povo trabalhador a quem pedia o voto, com algum sucesso. Em 2008, Portas dizia que o rendimento social de inserção era “um financiamento à preguiça” mas o combate contra a prestação para os cidadãos em situação de pobreza tinha começado muito lá atrás.

O discurso sobre “os malandros do rendimento mínimo” foi sempre um mantra de Paulo Portas que não era partilhado da mesma forma pelo PSD que, quando chegou ao Governo – mesmo em coligação com o CDS –, não pôs fim à prestação que, com outro nome, dura até aos nossos dias.

Com a viragem do país à direita (o PSD mais à direita do que algum dia foi), é o primeiro-ministro social-democrata quem se apropria do discurso sobre os “malandros do rendimento mínimo”, criando o canal de denúncias em que os “bons trabalhadores” podem denunciar quem acham que está a receber o mísero subsídio erradamente (estimulando a alegria da delação) e obrigando os “preguiçosos” a trabalhar.

Não há narrativa com mais sucesso neste país do que a de pôr pobres contra pobres. Talvez devido à extrema influência da inveja sobre o vizinho do lado, a de pôr pobres contra ricos não tem o mesmo sucesso. O rico habitualmente não é vizinho do lado.

Veja-se como tem corrido bem em toda a Europa, e também em Portugal, o discurso contra o imigrante pobre que contribui para a Segurança Social – isto perante o total alheamento e praticamente nenhuma contestação social face aos imigrantes ricos que inflacionaram o preço das casas (o Chega culpa os imigrantes pobres pela inflação imobiliária) ou aos ricos que fogem aos impostos. As falhas dos cidadãos afluentes têm perdão social. Perante as falhas dos cidadãos na pobreza só falta chamar alguém para atirar o alcatrão e penas.

Numa destas noites, pediram-me uma fortuna para ir num Bolt da Baixa de Lisboa até à minha casa, mais ou menos nove quilómetros. O Bolt é igual ao Uber, funciona segundo as leis do mercado e os preços sobem quanto maior é a procura e menor o contingente de trabalhadores disponíveis. Optei pelo velho táxi. O desaparecimento dos imigrantes pobres a conduzir Ubers não prejudica muito a minha vida, mas vai ter provavelmente reflexos no PIB do turismo e na construção.

Talvez as “massas populares” até se regozijem com o desaparecimento de imigrantes, mas certamente que os empresários vão sofrer as consequências. Aqui está uma improvável guerra do Governo aos “ricos”. Ao contrário da guerra aos imigrantes, a guerra ao “malandro do rendimento mínimo” serve o populismo sem nenhuma consequência para o PIB e a Segurança Social.

A social-democracia foi um sucesso enquanto serviu de tampão à emergência do comunismo na Europa. Com a queda dos regimes comunistas, a social-democracia entrou em crise – uma crise que persiste e contra a qual ainda ninguém descobriu o antídoto. As excepções que aqui e ali aparecem não chegam para inverter a tendência. É neste caldo cultural do século XXI que é fácil impor medidas de direita pura e dura, apenas contestadas por uma minoria.

Pouco se sabe ainda sobre a prestação social única, além do “trabalho social” que pode “ir até oito horas por dia”, da diminuição dos valores, da retirada de apoios a quem tem carro e do canal de delação.

Na próxima sexta-feira, o Governo prometeu dar mais explicações. O PS não vota a lei tal e qual está. O Chega depende – se for ainda mais dura para os imigrantes aceita. Tudo indica que o Governo vai mais uma vez “coligar-se” com o parceiro preferencial que efectivamente elegeu, embora diga que não. É o zeitgeist.

Do blogue Estátua de Sal