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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Ventos Semeados: Os patos bravos nunca morreram

Ventos Semeados: Os patos bravos nunca morreram:   Estamos num país onde os patos bravos dos anos sessenta não desapareceram. Continuam por cá, prosperando, embolsando todos os subsídios di...

Dominguice:

Creio que a arte, a literatura no caso, não concebeu um uso do poder político como aquele que Trump está a exibir no seu segundo mandato. Porque não estamos perante um exemplo de um líder fascista, ou de um grupo que esteja interessado em montar um Estado totalitário e policial no sentido orwellinano (pese algumas parecenças). Aquilo a que assistimos é uma outra coisa, original, ainda sem nome nem sólida conceptualização. Trump usa os instrumentos da constituição americana para instaurar um regime de sectarismo absoluto. Neste modelo, a justiça não só pode como deve perseguir adversários políticos ou meros obstáculo às suas decisões políticas. As informações e ligações relacionais que a função presidencial disponibiliza podem ser usadas para obter lucros privados. E um presidente dos EUA, enquanto presidente, pode promover o racismo. Fora o resto, que a violência do ICE representa e consubstancia com desumanidade e assassínios.

O Supremo Tribunal alinha nisto. Os empresários fazem fila aos seus pés. Os militares comem e calam. O povo americano divide-se entre os cúmplices e os atarantados. A realidade, mais uma vez, dá lições a ficção.

 por Valupi

Do blogue Aspirina B 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

UCRÂNIA RECEBE MAIS 300 MILHÕES DE PORTUGAL PARA CONTINUAR A GUERRA...


Os soldados mercenários polacos mortos em combate na Ucrânia.

Não podemos aceitar que se mande o dinheiro para a Ucrânia às pazadas, quando temos uma severa situação de calamidade nacional.

É tempo de dizer, basta, ao apoio à guerra na Ucrânia.
Os EUA e a NATO, com o grupo dos "Dispostos" (Alemanha, França Inglaterra com Itália a medo e a Polónia a fugir), não têm o direito de envolver na guerra sem fim à vista, todos os povos europeus quando os beneficiários são apenas eles. Portugal continua a sustentar uma guerra sem qualquer benefício para o povo português, antes pelo contrário, pagamos o gás de garrafa a mais do dobro da Espanha.
A Rússia não abrirá mão da proteção do povo russófono do Donbass, nem da integridade dos seus territórios. A Rússia afirmará a sua soberania até à última arma nuclear.
Para quem não acompanha este problema desde 2014 ou até antes, após o fim da URSS, poderá causar alguma surpresa, mas, a realidade é que se trata do completo assalto à Rússia para a transformar em vários países vassalos dos interesses dos EUA e NATO.
Façamos uma reflexão sobre o que aconteceu na Venezuela, sobre as ameaças dos EUA a; Cuba, México, Nicarágua, Colômbia, e, mais velada, sobre o Brasil e Panamá.
Atentemos às manobras militares sobre o Irão e Palestina, e ao total despudor dos EUA sobre a Groenlândia e também na mira o Canadá e Taiwan.
Os "Dispostos", Inglaterra, Alemanha, França e mais alguns que seguirão por arrastamento obrigatório, continuam a apostar e levar em frente a ideia de poder derrotar a Rússia e partilhar os destroços com que sonham, duma Rússia dominada e transformada em região de saque e submissão como foi e é a África e América do Sul.
A procura da supremacia militar que em quatro anos de guerra não foi possível, também não será nos próximos quatro.
Ainda que as apostas de Trump estejam a ser bem sucedidas na América do Sul, não serão na Eurasia e na Ásia.
A proximidade das guerras dos países coloniais imperialistas no século passado especialmente na Ásia; Índia, Coreia, Paquistão, Vietname, Laos, acrescentando toda a África, fornecendo milhões de escravos para substituir os índios dizimados pelos sanguinários colonos europeus, no seu melhor retrato, os EUA e seus vassalos da NATO.
Todas essas atrocidades sanguinárias de subjugação animalesca de que há memória nas famílias afetadas, não permitirão a Estados soberanos a sua continuação impune.
A sobrevivência da Rússia, China, Irão, Índia, Indonésia, Coreia do Norte, Brasil, Canadá, e agora alguns países da própria Europa do norte, e ainda, uma gama de países africanos sedentos de afirmar a sua dignidade e acabar com a escravidão secular, passará essa sobrevivência por não deixar cair esta fase de possibilidade de grandes mudanças na arquitetura mundial em transição.
Nunca estivemos tão perto duma catástrofe nuclear como agora.
A Rússia, não pode permitir mais avanços ao cerco da NATO.
O Báltico está nas mãos da NATO, o mar negro praticamente, por isso não resta à Rússia erguer a cabeça dum povo milenar e não permitir que lhe façam o mesmo que fizeram na Jogoslávia ou agora na Venezuela.
Observemos quão astuto tem sido Trump no apoio a Zelenski, parecendo um apoio desinteressado, mas, completamente coordenado, que tem levado às tentativas de assassinato de Putin e outros homens, por enquanto só homens, generais e outros estrategas militares em vários casos com sucesso convincente.
O desgaste militar da Rússia tem sido levado a cabo, lento, muito lento, mas, com significativo crescimento, que permite aos EUA e NATO continuarem confiantes na sua persistência no injectar ânimo ao seu melhor colaborador Zelenski.
A Rússia estará hoje com um reforço de retaguarda colossal com capacidade de resposta a toda a Europa, sem deixar qualquer país envolvido diretamente na guerra contra a Rússia, fora da mira das armas nunca vistas em acção, mas, de uma devastação apocalíptica, capaz de fazer o efeito imediato de fazer parar a guerra, ou então, a total destruição da humanidade.
Aos avanços do desenvolvimento humanista e económico, verificados no último quarto de século, com o empenho da África do Sul, China Índia, Rússia e Brasil, ninguém tem o direito de obstruir esse caminho que se sente num avanço civilizacional nunca observado, num verdadeiro salto humanitário, para acabar com a fome, doença e miséria que alastra no planeta, imposto por potências que se julgam donos do mundo, desde a queda do muro de Berlim. Nem filosoficamente isso será lógico.
A par de contradições e interesses, serão possíveis acordos de paz que salve a humanidade de ser erradicada do nosso planeta.
Por uma terra sem amos!
Liberdade e democracia! Pela Constituição da República Portuguesa!

Eleições – adiar não é legítimo, nem legal:

 (João Gomes, in Facebook, 06/02/2026)

Há momentos em que a natureza parece querer impor-se à vontade humana, lembrando-nos da nossa fragilidade coletiva. Tempestades, cheias, destruição de infraestruturas, isolamento de populações – tudo isso exige resposta rápida do Estado, solidariedade social e capacidade de organização. O que não pode exigir é a suspensão da democracia.

Em Portugal, a lei é clara: após a primeira volta das eleições presidenciais, não havendo vencedor, a segunda volta deve ocorrer vinte e um dias depois. Não é uma sugestão política, nem uma cláusula opcional moldável ao sabor das circunstâncias. É uma regra jurídica que protege algo essencial – a previsibilidade do poder democrático e a igualdade entre cidadãos. Quando se começa a admitir exceções fora do quadro legal, abre-se uma porta perigosa onde a urgência do momento pode transformar-se em conveniência política.

Pedir o adiamento das eleições por causa de tempestades pode soar prudente, até humano. Mas, numa democracia madura, a pergunta correta não é se se vota, mas como garantir que todos possam votar em segurança. A diferença é decisiva. Suspender o ato eleitoral fragiliza a legitimidade democrática; adaptá-lo reforça-a.

Nas localidades afetadas, o ambiente eleitoral não será o ideal – talvez nunca seja. Haverá estradas danificadas, energia intermitente, famílias ainda a recuperar perdas. Justamente por isso, o voto ganha um significado mais profundo: não apenas escolher um Presidente, mas afirmar que a comunidade resiste, que a vida coletiva continua, que a lei não cede perante a adversidade.

Aqui, o papel do Governo e do Estado é inequívoco. Compete-lhes mobilizar meios logísticos, transporte gratuito onde necessário, mesas de voto alternativas, apoio às populações isoladas, coordenação com autarquias e forças de segurança. Não para adiar a democracia, mas para a tornar possível. A proteção civil não substitui o sufrágio; deve servi-lo quando as circunstâncias o ameaçam.

Também os principais atores políticos têm responsabilidade acrescida. Num tempo de crise, a tentação de instrumentalizar o medo ou a dificuldade logística para ganho partidário é real. Resistir a essa tentação é prova de maturidade democrática. Defender o direito ao voto – mesmo quando o contexto é adverso – é defender algo maior do que qualquer candidatura.

A história mostra que povos sujeitos a guerras, catástrofes e privações muitas vezes encontraram no ato de votar um gesto de unidade e esperança. Não porque ignorassem o sofrimento, mas porque compreendiam que abdicar da escolha coletiva seria acrescentar perda à perda.

Adiar eleições fora do quadro legal não é prudência: é erosão silenciosa da democracia. Cumprir a lei, garantir condições, mobilizar o país e votar – isso sim, é resiliência.

No fim, talvez a verdadeira questão seja simples: se a tempestade pode derrubar árvores e postes, não deve poder derrubar direitos. E entre todos eles, poucos são tão fundamentais como o direito de escolher, em liberdade, quem nos representa.

Do blogue Estátua de Sal 

Pepinos e tomates:

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 05/02/2026, Revisão da Estátua)

Só em Portugal é que algumas pessoas parecem ter total liberdade para expressar opinião sobre todos os temas, independentemente do seu grau de conhecimento. Por essa razão, tem-se verificado um afastamento da atenção da generalidade dos telespectadores dos meios tradicionais para as chamadas redes sociais, onde, apesar de tudo, ainda se encontra alguma lucidez.

Neste contexto, surge agora António Vitorino, uma figura que não parece particularmente qualificada para comentar a situação internacional, muito menos o conflito na Ucrânia, sobre o qual dificilmente terá formação adequada. Ao contrário de analistas mais reconhecidos, cujo mérito reside no profundo conhecimento da realidade russa, tanto no plano político como no económico — como Jacques Baud, Jacques Sapir ou o próprio Emmanuel Todd — Vitorino limita-se a repetir ad nauseam argumentos da estafada propaganda anti russa, centrados no défice orçamental, nas receitas do petróleo, nas taxas de juro do Banco Central, na inflação ou no crescimento do PIB.

É sabido que esta gente precisa desesperadamente de manter a ilusão de uma derrota russa. Estamos praticamente quatro anos após o início da guerra entre a Rússia e a NATO e aquilo que nos é apresentado é precisamente o inverso. A Rússia venceu claramente nos vários domínios desta contenda, nomeadamente no plano diplomático e político, no económico e no militar, tendo destruído grande parte das reservas da NATO que foram entregues e consumidas no conflito na Ucrânia.

Depois de acompanhar com toda a paciência do mundo a enfadonha charla, acabei por chegar à conclusão que tudo se resume ao aumento do preço do tomate e do pepino na Rússia. Não é uma crise económica, mas uma tragédia gastronómica.

Fica provado, assim, que as saladas insípidas que hoje nos servem na televisão, tão distantes do sabor das saladas russas, são mais um sintoma da crise do nosso comentariado.

Lembrando Maria José Nogueira Pinto, Vitorino sabe — e nós sabemos que ele sabe — que aquilo que diz é um favor que presta e não propriamente o resultado de uma análise independente e livre. No fundo, todas estas figuras têm de passar pelo crivo imposto pela propaganda para poderem ter acesso aos palcos televisivos.

Do blogue Estátua de Sal

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O Chega, Ventura e a família Champalimaud:

 (Júlio Bessa Vintém, in Facebook, 04/02/2026, Revisão da Estátua)

Começo por dar os parabéns ao autor, pela qualidade do texto, no que toca à desmontagem dos objetivos operacionais do projeto Chega e dos patrocínios ao seu líder. O autor baseou, parte da factualidade que apresenta, no livro do jornalista Miguel Carvalho, Por Dentro do Chega – A face oculta da extrema-direita em Portugal.

Estátua de Sal, 05/02/2026)

Continuar a lerr

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Declaração de voto:

Estas presidenciais são uma desgraça. Se Ventura tiver tantos ou mais votos do que a AD, transformam-se num pesadelo. Só não chegam a ser uma tragédia porque Seguro vai ganhar.

O clima foi a interferência externa que condicionou imprevisivelmente a segunda volta. Mas mesmo sem ele, nada garante que Seguro tivesse tido a capacidade de suscitar entusiasmo abrangente, popular. Porque o homem nunca foi capaz de o fazer, desde os tempos da JS, e porque ele se convenceu que a sua mediocridade contentinha e soberba é, afinal, o que tem de melhor. Dá para o gasto face a um opositor abjecto. Promete 5 a 10 anos de penoso aborrecimento e inutilidade em Belém.

Mas Seguro não será um Cavaco, Seguro não será um Marcelo. Isso é uma evidência que, em boa justiça, justifica ir votar convictamente em quem não se revelou um patriota ao ter concorrido.

 por Valupi

Do blogue Aspirina B