Rádio Freamunde

https://radiofreamunde.pt/

domingo, 14 de junho de 2026

Financiar, integrar, mimar a Ucrânia – nem que a vaca tussa (João Gomes, in Facebook, 13/06/2026):

(João Gomes, in Facebook, 13/06/2026)

A política europeia parece ter abandonado qualquer preocupação com a coerência para se dedicar exclusivamente à gestão de narrativas. A recente decisão de avançar com negociações de adesão da Ucrânia à União Europeia é exatamente isso.

Durante décadas, Bruxelas repetiu aos candidatos à adesão uma lista interminável de exigências: estabilidade institucional, economia funcional, combate à corrupção, respeito pelos princípios democráticos, independência judicial e capacidade de integração no mercado comum. Os critérios eram apresentados como objetivos, universais e inegociáveis.

Mas eis que é preciso colocar a Ucrânia nas atenções do Mundo. Um país devastado por uma guerra de grande escala, profundamente dependente de ajuda externa, com uma economia fragilizada, enormes desafios institucionais e uma situação política marcada pelas exceções próprias de um conflito armado. E, de repente, aquilo que durante anos foram obstáculos intransponíveis para outros candidatos. passa a mero detalhe administrativo.

A pergunta impõe-se: mudaram os critérios ou mudou apenas a conveniência política?

O contraste com a Turquia é inevitável. Há décadas que Ancara bate à porta da União Europeia. Ao longo dos anos, foram sendo apontadas razões para o congelamento do processo: questões institucionais, políticas e estratégicas. Contudo, independentemente da avaliação que cada um faça do regime turco, é difícil ignorar a diferença de tratamento. O que para uns constitui motivo suficiente para bloquear negociações durante décadas parece deixar de ser relevante quando se trata da Ucrânia.

A explicação oficial fala de solidariedade, valores europeus e defesa da democracia. A explicação é muito mais simples: geopolítica.

A Ucrânia tornou-se o projeto político mais importante da burocracia europeia. Não apenas como país, mas como símbolo. Um símbolo que precisa de ser financiado, armado, apoiado, promovido e integrado, custe o que custar. Um símbolo que serve para justificar políticas, mobilizar opiniões públicas e reforçar a narrativa de uma Europa unida perante uma ameaça externa.

O problema é que os cidadãos europeus vivem cada vez mais longe dessas prioridades.

Enquanto Bruxelas discute novos pacotes de apoio, milhões de europeus enfrentam crises de habitação, perda de poder de compra, crescimento da dívida pública, degradação dos serviços públicos e uma competitividade económica cada vez mais frágil face aos Estados Unidos e à Ásia. A sensação crescente é a de que a União Europeia demonstra mais urgência em resolver os problemas dos outros do que em enfrentar os seus próprios.

Esta lógica política de aplicar critérios diferentes conforme a utilidade estratégica do momento mostra ao que se chegou em Bruxelas. Disfarçam a incapacidade de resolver os problemas da UE com reuniões à semana, abraços entre dirigentes e discursos de ocasião. Se os critérios de adesão são sérios, então devem ser aplicados a todos. Se podem ser flexibilizados quando existe interesse político, então talvez nunca tenham sido tão objetivos quanto nos disseram.

O mais preocupante é que esta incoerência corrói a confiança dos cidadãos nas instituições europeias. Não porque estes sejam incapazes de compreender decisões estratégicas, mas porque percebem quando uma decisão política é apresentada como uma inevitabilidade técnica. A União Europeia não tem o direito de fugir à realidade nas suas tomadas de decisões geopolíticas. Ao fazê-lo os dirigentes incumprem o seu estatuto. No fim de contas, a mensagem que muitos europeus acabam por ouvir é simples: financiar, integrar e mimar a Ucrânia – nem que a vaca tussa.

Do blogue Estátua de Sal

Dominguice:

Embora não seja disparatado, é um disparate dizer que já não existe esquerda e direita. Essa distinção pode ser resumida nesta questão: queremos mais ou menos igualdade no acesso aos recursos? A direita quer menos, sempre o quis, para sempre o quererá. Ou melhor, quem isso quiser passa a ser de direita. É o que pode acontecer a alguém de esquerda, que neste campo se posicionava por ter pouco a perder, e que depois num golpe de sorte ganha fortuna e passa imediatamente para a direita, posto que a pulsão para defender o património altera as suas prioridades e opções.

Assim se explica a técnica da extrema-direita, actualmente a governar Portugal, de colocar os pobres a perseguir e odiar os pobres. É que a extrema-direita sabe que o pobre é só um rico eternamente adiado. Se esse pobre for também estúpido, como quase todos são por inerência económica e social, vai acreditar quando lhe disserem que poderá deixar de ser pobre se fizermos mal a outros pobres. A extrema-direita tem séculos e séculos disto, papar papalvos.

por Valupi

Do blogue Aspirina B

sábado, 13 de junho de 2026

Está na hora de sair à rua:

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 12/06/2026, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

É triste ver a prostituição política do PSD… entregar a sua alma social-democrata para se agarrar ao poder, não para fazer reformas sérias, não para melhorar o país, mas para alimentar uma máquina de clientelismo 100 vezes pior do que tudo o que já vimos.

Continuar a ler

Do blogue Estátua de Sal

Ao Presidente da República:

Venho por este meio solicitar a V.exa. que enquanto tiver poder, o que não vai ser por muito tempo, porque até esse o vão tirar, para bem da Nação e das classes mais desfavorecidas, dissolva a Assembleia da República e marque novas eleições.

É que esta extrema direita facista, enquanto não der cabo do País não se sente bem.

Passos Coelho e companhia levaram-nos os anéis e estes querem nos levar os dedos.

Reflicta neste anunciado.

Manuel Pacheco      

  

11 h · Privatizar ou não privatizar:

A EDP e a PT sempre deram lucros. Antes esses lucros ficavam em Portugal, agora vão na forma de dividendos maioritariamente para accionistas na China, EUA ou França.
Os hospitais privados dão lucros porque, se o cliente não paga antecipadamente e não tem seguro, ou se arrasta para o SNS ou deixam-no morrer na sala de espera (a minha mãe precisava de uma operação, de urgência, ao apêndice, num hospital privado, e só foi aceite no bloco operatório depois de eu fazer uma transferência, no momento, de uns largos milhares de euros).
Os bancos privados dão lucros privados, aos accionistas, e milhares de milhões de prejuízos públicos (grande parte dos milhares de milhões da Troika - que todos nós estivemos a pagar - foram para salvar da falência os bancos privados portugueses e evitar que deixassem de pagar aos seus credores na Alemanha).
As autoestradas e pontes dão lucros, aos concessionários privados e seus accionistas, porque foram contratos, feitos por governantes sem sentido de serviço público, à medida dos seus clientes e com generosas margens e condições - à custa dos salários e do dinheiro de quem precisa de andar de carro para trabalhar e não tem alternativas.
As televisões privadas, as rádios e jornais em Portugal estão endividados até ao tutano e muitas vezes dão prejuízo, mas vão servindo a agenda dos seus donos que pagam e se fazem pagar por isso.
E depois há negócios que dão lucros, e sempre os deram, porque sempre foram da iniciativa privada, como a venda a retalho e a distribuição. Mas porque será que antes as mercearias e minimercados davam para os proprietários viver e hoje os hipermercados fazem lucros astronómicos? Exacto, por isso mesmo.
No caso da televisão e informação públicas, o simples anúncio da intenção de privatizar ameaça a democracia. Não é por acaso: essas ameaças à democracia são o fundo de comércio da extrema-direita.

Aprovar milhões para a Ucrânia enquanto Portugal afunda:

O Conselho de Ministros aprovou mais uma verba. Desta vez para a NATO e para a Ucrânia. Milhões. Outra vez.

E cá dentro? Urgências fechadas por todo o país. Gente a morrer à porta dos hospitais. Professores sem progressão na carreira, salários de miséria, escolas a cair de podres.
Famílias que não conseguem pagar a renda. Jovens a viver na casa dos pais até aos 40 anos. Idosos em filas de espera para lares. Reformas que mal dão para comer. E o Governo? A aprovar milhões para fora. O dinheiro aparece sempre. Milagrosamente. Para a guerra dos outros, para os compromissos da NATO, para agradar a Bruxelas. Para os portugueses? Nada
👎
Cada milhão que sai para a Ucrânia é um milhão que não entra no SNS. A primeira obrigação de um governo é com o seu próprio povo. Não com exércitos estrangeiros.
Querem apoiar a Ucrânia? Façam um referendo. Perguntem aos portugueses se estão dispostos a pagar por isso. Enquanto não o fizerem, isto não é solidariedade. É subserviência. Já basta de fingir que Portugal não existe.

Vindo de quem também foi um alvo:

Extraordinária coragem: citar Noronha do Nascimento.

por Valupi

Do blogue Aspirina B