Rádio Freamunde

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Anedota do dia (ou como um ídolo se autodestrói à vista de todos por narcisismo e estupidez):

Ronaldo não volta à selecção enquanto Jorge Jesus for o treinador

Mas alguém neste momento trocaria um pelo outro??

(volto ao tema, porque irrita tanta falta de nível e de noção da parte do único português conhecido nos confins da Papua-Nova Guiné e da Cochinchina)

O contrato para a participação de Ronaldo na selecção era completamente tóxico. A Federação queria-o lá pelas receitas que gerava (e não pelo bom desempenho, que todos sabiam já não ser real); em contrapartida, ele exigia jogar. Certo. Mas, se ele tem que exigir jogar, não lhe passa pelo bestunto que lhe estão a faltar qualidades naturais que o levariam a ser primeira escolha e, portanto, estaria na hora de se despedir?? É que o desastre estava à vista mal contratassem um seleccionador competente.

Jorge Jesus, perante as exigências deste contrato inominável da Federação (que miséria, Federação), viu-se obrigado a acordar tempo em campo para a diva, independentemente das necessidades do jogo (errado, mas sabe-se lá se esta cláusula fazia parte da contratação de Jorge Jesus, ai Federação, tanto ridículo). Logo à primeira retenção no banco, a diva amua. Amua e vai-se embora e exige que mudem o seleccionador… Um seleccionador 100% vencedor. Pode-se imaginar situação mais absurda? Exigência mais ridícula?

Ronaldo aceitou ser contratado por interesse financeiro claríssimo e isso já devia ser suficientemente humilhante para alguém que se acha o suprassumo dos futebolistas.  Assim, o esquema da sua participação na selecção só podia acabar mal. Estava inquinado. Nada tinha que ver com mérito em campo. E ele devia saber.

Com Martínez e outros antes dele, acabou mal para a selecção e com prejuízo para os jovens candidatos a estrelas; com Jesus, acabou mal para o Ronaldo. Não há volta a dar. Despedirem o Jorge Jesus por causa dele é impensável. Ele voltar com Jorge Jesus impensável é. Portanto, adeus Ken. Tens muitos milhões com que te entreter. Recolhe as tropas que esta guerra já perdeste. Mesmo que chames o Trump.

por Penélope

Do blogue Aspirina B

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Ventos Semeados: Nem fatalismo, nem milagre

Ventos Semeados: Nem fatalismo, nem milagre:   Admito que a noite brasileira me caiu mal. Flávio Bolsonaro à frente, Lula atrás, mais de dois milhões de votos de diferença e um resultad...

Dominguice:

Jorge Jesus é muito mais do que apenas um treinador do pontapé na bola. Por isso consegue estar imune ao fanatismo clubista, lagartos e tripeiros igualmente o estimam sem histórico especial que o justifique ou nenhum. Ele representa uma certa ideia de português que nos liga ao folclore e à mitologia do Zé Povinho. Adoramos o seu inglês macarrónico, porque adoramos ainda mais a genuína humildade, sem pingo de modéstia, que esses momentos consagram. Neste episódio da crise com o Ronaldo, só maluquinhos poderiam colocar nele a responsabilidade pelos acontecimentos. Já o Ronaldo, para obter a mesma unanimidade em Portugal, teve de superar o seu declarado sportinguismo através da excepcionalidade de uma carreira que o impôs como um dos melhores futebolistas de sempre e uma das maiores celebridades mundiais para além do futebol. Esse amor popular quebrou-se por causa de algo que acéfalos e odientos não podem aceitar.

Que é isto: Ronaldo sofre de ansiedade, e está sujeito a factores de risco para a depressão, como qualquer um. Corrijo: como só ele saberá.

por Valupi

Do blogue Aspirina B

Pós-explicações…. Epá… até mete dó….:

 

Vocês vão matar o homem.

Ver Jorge Jesus naquela conferência de imprensa foi como ver um animal selvagem fechado dentro de uma jaula. Brutalmente despido de orgulho…
Eu sou portista. E o meu portismo tem vários momentos extraordinários. Um deles — talvez o momento — foi o golo do Kelvin.
Vivíamos uma rivalidade Porto-Benfica feroz, a roçar o ódio. O Benfica tinha cometido o gravíssimo erro de festejar na Madeira como se já fosse campeão. Depois o campeonato voltou a abrir e, já no cair do pano daquele FC Porto-Benfica, Kelvin marcou.
O Dragão veio abaixo.
E Vítor Pereira saiu disparado do banco…. Extasiado, (como todo o portista). Em sprint, braços abertos, maior que a vida.
Naquele contexto, com toda aquela rivalidade, depois de tudo o que tinha acontecido, Vítor Pereira correu na direção de Jorge Jesus para lhe festejar o golo na cara.
Só que, mesmo no meio daquele transe, enquanto corria, viu Jesus ajoelhado no relvado…
E aconteceu uma coisa de que me ficou gravado….
Sem sequer abrandar, numa fração de segundo, Vítor Pereira mudou de direção…
Não o fez….
Porque há uma linha.
Vítor Pereira queria derrotar Jorge Jesus. Provavelmente queria esmagá-lo desportivamente naquele momento. Mas percebeu que, naquele segundo, continuar naquela direção já não seria festejar uma vitória.
Seria humilhar um homem.
Eu, como portista, em várias alturas detestei Jorge Jesus, o profissional. Mas isso não me impede de respeitar Jorge Jesus, a pessoa.
E acho que hoje… ultrapassamos vergonhosamente essa linha.
Eu percebo que o fenómeno Cristiano Ronaldo é gigantesco. É provavelmente um dos fenómenos mais difíceis de gerir que alguma vez existiram no futebol português. Mas Jorge Jesus tem 72 anos.
SETENTA E DOIS ANOS!!!!!
São 72 anos de um homem que vive futebol. Que nunca se preocupou particularmente em ser polido, nunca se preocupou em ser politicamente correto, nunca teve especial vocação para político e sempre teve o coração demasiado perto da boca.
Jesus pensa futebol. Jesus vive futebol.
Portugal estava a ganhar apenas por um. Se a Noruega empatasse, Portugal podia precisar de outro avançado para voltar a marcar. E Portugal mandou o avançado que tinha no banco aquecer.
Eu não posso afirmar isto porque não estava dentro da cabeça de Jorge Jesus. Mas, conhecendo aquilo que sempre vimos dele, não me custa absolutamente nada acreditar que, com o desenrolar do jogo, Jorge Jesus até tenha simplesmente deixado de pensar por uns momentos que era Cristiano Ronaldo que estava a aquecer, pela maneira como ele vive o jogo.
A Noruega não empatou. Portugal não precisou de procurar outro golo. O segundo avançado não entrou.
Fim. Ou devia ter sido….
Só que estamos a falar de Cristiano Ronaldo e, portanto, aparentemente nada pode ser apenas isto.
E agora ouvi Jorge Jesus nesta conferência.
Ouvi um homem dizer que não percebe todo este drama porque, na cabeça dele, simplesmente houve um jogador que aqueceu e não entrou. E, sinceramente, não me pareceu que estivesse a representar papel nenhum.
Mas depois Jesus disse coisas muito mais importantes:
Falou, visivelmente emocionado, sobre aquilo que Cristiano Ronaldo representa para as crianças e sobre a dimensão que Cristiano tem para Portugal. E contou que, depois do Mundial, falou com ele e lhe disse, em essência:
“Tu não vais acabar assim.
Não vais terminar a tua carreira depois de um Mundial em que perdeste, longe de casa.
Vais acabar melhor.
Vais acabar como tu quiseres acabar.”
E prestemos muita atenção a esta parte…
Porque talvez um tenha querido dizer uma coisa e o outro tenha ouvido outra.
Mas, acima de tudo, Jorge Jesus voltou a abrir a porta de uma maneira que eu não sei quantos futebolistas no planeta alguma vez tiveram de um selecionador.
“Cristiano Ronaldo volta quando quiser voltar.
Se quiser ser convocado, será convocado.”
Então o que é que vocês querem mais??????????????
Quantos jogadores tiveram alguma dia isto??? Messi?
Que prova de respeito pela dimensão de Cristiano Ronaldo querem que Jorge Jesus dê mais????
Que diga que joga sempre?
Que lhe entregue a convocatória vitalícia?
Que lhe pergunte antes de cada substituição se pode mexer na equipa?
Que humilhação adicional é suposto este homem aceitar para demonstrar que respeita Cristiano Ronaldo?????
Vocês vão matar o homem.
E o mais extraordinário é que nem sequer estou a defender alguém de quem goste particularmente.
Estou a defender uma linha.
Jorge Jesus tem 72 anos. Acabou de pegar na Seleção Nacional. Quatro jogos. Quatro vitórias. Cem por cento de aproveitamento. Portugal está apurado para a fase seguinte.
E senta-se numa conferência de imprensa depois disso.
Primeira pergunta: Cristiano Ronaldo. Segunda pergunta: Cristiano Ronaldo. Terceira pergunta: Cristiano Ronaldo. E depois vêm mais.
O trabalho dele? A vitória? O apuramento? As quatro vitórias? A equipa?
Quase parece um pormenor.
O homem acabou de fazer aquilo que lhe pediram para fazer e nós sentámo-lo numa cadeira (que mais parecia uma cruz) para responder cabisbaixo, pelo pecado capital de ter mandado um jogador aquecer e não o ter colocado em campo, e depois ter dito algo tão ofensivo como “quem manda na equipa é o treinador”.
Chega….
Há uma diferença entre escrutinar um selecionador e humilhar um homem.
Há uma diferença entre reconhecer a dimensão monstruosa de Ronaldo e obrigar todas as pessoas à sua volta a ajoelharem-se perante ela como sinal de a reconhecer.
E há uma diferença entre exigir explicações e decidir antecipadamente que nenhuma explicação será suficiente.
Já crucificámos um Jesus uma vez.
Mas esse tinha 33.
Este tem SETENTA E DOIS.
Peço desculpa.
Mas tenham vergonha e não contem comigo.
Querem crucificar um velhote de 72 anos, que claramente sente Portugal, porque ele esta a ser ele mesmo e a fazer o melhor que sabe pela nossa seleção?
Façam-no..
e que a vossa consciência vos ajude.
PARABÉNS PELO FUTEBOL APRESENTADO “MISTE” !!!!!!
⸻
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domingo, 4 de outubro de 2026

Confesso-me absolutamente saturado do assunto Ronaldo:

Que só subsiste porque há dinheiro envolvido. Embora muitos não percebam, muito dinheiro e muitos interesses.
Da minha parte, chega. Perante um fenómeno - a pessoa e o jogador - com esta dimensão é difícil resumir tudo em 2 ou 3 linhas. Mas encontrei na net, por aí e sem conhecer o autor, um texto que consegue ser uma boa súmula. Espero que seja esta a última vez em que sinta ter de escrever sobre o assunto.
Reza assim:
"Há muito que Ronaldo deixou de ser apenas um problema futebolístico para a Seleção Nacional.
O problema passou a ser tudo aquilo que se construiu à sua volta: o culto, a intocabilidade, a incapacidade de aceitar o declínio e uma legião de pessoas que idolatram a suposta superioridade, que confundiu gratidão com qualidade e passado com presente.
E agora, finalmente, muita coisa começa a ficar exposta.
Já é praticamente oficial que vários jogadores estavam fartos de Ronaldo e de tudo aquilo que a sua presença significava dentro da Seleção. E isso ajuda a perceber melhor a mais recente birra do menino: não jogou, ficou frustrado, chamou o seu jato privado e abandonou a concentração.
Rúben Dias confirmou que Ronaldo estava frustrado no final do jogo com a Noruega por não ter entrado.
E depois veio a mensagem.
No final, desejou boa sorte a todos.
“Sem exceção.”
Quem quiser acreditar que aquela frase foi inocente, que acredite. Para mim, foi ironia pura. Uma última bicada de quem estava claramente incomodado com a situação e com as decisões que estavam a ser tomadas.
A questão, porém, é muito maior do que esta birra.
Durante anos Portugal foi condicionado pela existência de Ronaldo.
Foi por causa dessa obsessão em manter Ronaldo no centro de tudo que deixámos, na minha opinião, escapar a possibilidade de ganhar mais com algumas das melhores gerações de jogadores portugueses de sempre.
Portugal teve e tem jogadores extraordinários. Meio-campos de enorme qualidade, extremos rápidos, jogadores tecnicamente evoluídos e futebolistas capazes de praticar um jogo coletivo moderno.
Mas durante demasiado tempo tudo teve de funcionar à volta de Ronaldo.
Os cruzamentos tinham de procurar Ronaldo.
Os livres eram de Ronaldo.
Os penáltis eram de Ronaldo.
A equipa tinha de adaptar movimentos a Ronaldo.
E, sobretudo, ninguém podia sequer discutir se Ronaldo ainda devia jogar.
Esse foi o maior erro.
Criou-se uma espécie de imunidade futebolística.
Quem dissesse que Ronaldo já não tinha intensidade para pressionar, que prejudicava determinados movimentos coletivos ou que Portugal podia jogar melhor sem ele era imediatamente acusado de ingratidão.
Como se futebol fosse um prémio de carreira.
Como se a Seleção tivesse obrigação de pagar eternamente uma dívida ao jogador.
Não tem.
A Seleção Nacional existe para colocar em campo os melhores jogadores naquele momento, dentro da melhor ideia coletiva possível.
Não existe para fazer homenagens.
Também é preciso acabar com outro mito: Portugal não ganhou o Euro 2016 por causa de Cristiano Ronaldo.
Ronaldo foi importante? Como
Tantos outros. Não foi decisivo.
Até porque os jogos foram Todos horríveis,
Fomos os
Reis dos
Empates.
Mas transformar aquela conquista numa vitória pessoal de Ronaldo é uma enorme falsificação da história.
Naquele Europeu houve jogadores absolutamente decisivos.
Pepe foi monstruoso.
Rui Patrício foi decisivo.
Nani fez um enorme torneio.
E Renato Sanches teve maior importância naquele percurso do que Ronaldo. Sendo o melhor.
Na própria final Ronaldo saiu lesionado muito cedo.
E Portugal ganhou.
Sem Ronaldo em campo.
Foi Éder que marcou.
Foi o coletivo que resistiu.
Foi Portugal que ganhou.
Isto incomoda muita gente porque durante anos se vendeu a ideia de que Portugal devia tudo a Ronaldo.
Não deve.
Portugal deu muito a Ronaldo e Ronaldo deu muito a Portugal.
Foi uma relação extraordinária durante muitos anos.
Mas houve um momento em que essa relação deixou de ser saudável do ponto de vista desportivo.
E muitos recusaram-se a perceber.
Grande parte dos bajuladores, que se calhar pouco ou nada percebem de futebol, continuaram a defender a titularidade de Ronaldo como se estivessem a defender uma questão religiosa.
Pouco interessava o rendimento.
Pouco interessava a idade.
Pouco interessava a dinâmica da equipa.
Pouco interessava se havia jogadores melhores para aquele momento.
Ronaldo tinha de jogar porque era Ronaldo.
Escrevi isso várias vezes.
E continuaria a escrevê-lo.
Gratidão não é qualidade.
História não é rendimento.
Respeito não é titularidade obrigatória.
Ronaldo foi um dos maiores jogadores da história do futebol.
Isso ninguém lhe tira.
O que fez no Manchester United, no Real Madrid e durante muitos anos na Seleção coloca-o num patamar reservado a pouquíssimos.
Mas ser um jogador extraordinário não transforma automaticamente ninguém num exemplo enquanto ser humano.
E, para mim, Ronaldo mostrou demasiadas vezes um lado profundamente desagradável.
Não apenas neste episódio.
Foram vários.
A permanente necessidade de protagonismo, algumas atitudes com colegas, reações quando é substituído ou não joga, a incapacidade evidente de lidar com a perda de importância e agora mais este episódio.
É triste.
Sobretudo porque não precisava de acabar assim.
Podia ter terminado a carreira internacional com enorme dignidade.
Podia ter percebido que chegou a hora de outros.
Podia ter sido o veterano que ajuda.
O capitão que aconselha.
O jogador histórico que aceita ficar no banco e entra quando a equipa precisa.
Podia ter passado o testemunho.
Preferiu continuar a lutar contra o tempo.
E ninguém ganha essa batalha.
Nem Cristiano Ronaldo.
O mais triste é que provavelmente ficará durante muitos anos uma divisão absurda entre quem consegue separar o jogador da pessoa e quem continuará a defender tudo aquilo que faça.
Eu consigo separar perfeitamente.
Como jogador, foi monstruoso.
Um dos maiores de sempre.
Como figura pública e como exemplo, para mim, está muito longe da imagem que tantos tentaram construir. Para não dizer outras palavras. Só tem olhos para o seu umbigo.
Na minha maneira de ver o que é estar em grupo, jamais seria capitão de equipa. Não tem o perfil.
E não tenho qualquer problema em dizê-lo.
Que fique agora a viver na Arábia Saudita, país onde escolheu continuar a carreira e onde milhões de pessoas continuam sem liberdades e direitos que nós, na Europa, consideramos elementares.
É também uma escolha sua.
Da minha parte, guardarei aquilo que fez dentro de campo nos melhores anos.
Os golos.
As noites europeias.
Os recordes.
As grandes exibições por Portugal.
Mas não confundirei nunca admiração pelo futebolista com veneração pelo homem.
Cristiano Ronaldo foi um gigante do futebol.
Mas a Seleção Nacional nunca foi dele.
Foi, é e será sempre de Portugal.
E talvez finalmente estejamos a perceber aquilo que devíamos ter percebido há vários anos:
nenhum jogador, por maior que tenha sido, pode estar acima da equipa."

(Publicação partilhada

João Paulo Sousa