No fim das contas, a mensagem de Lula é simples e direta: um país que quer ser respeitado precisa estar preparado. Preparado para dialogar, para negociar, mas também preparado para proteger sua própria soberania se for necessário. E para ele, essa preparação começa com algo fundamental: capacidade própria de defesa.
Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
segunda-feira, 9 de março de 2026
Lula voltou a tocar num tema:
Durante os primeiros dias da guerra:
Porque declarar vitória nos primeiros dias pode ser politicamente útil. O problema é quando o conflito continua… e o adversário mostra que ainda está muito longe de ser derrotado.
Moz na DiásporaO papagaio e o corvo:
(João Gomes, in Facebook, 09/03/2026)

Quando Marcelo Rebelo de Sousa entrou em Belém, trouxe consigo uma qualidade rara na política portuguesa: a ubiquidade. Marcelo esteve em todo o lado. Nas cheias, nas praias, nos incêndios, nos hospitais, nas feiras, nas televisões e – talvez mais importante – nas câmaras dos telemóveis de qualquer cidadão que tivesse a oportunidade de o encontrar a menos de três metros de distância.
Foi uma presidência ruidosa, quase tropical. Marcelo falou muito, apareceu ainda mais e pareceu possuir uma curiosa incapacidade de permanecer ausente. Como um papagaio numa varanda virada para o Tejo, repetiu, comentou, explicou e por vezes antecipou-se a tudo. A política portuguesa, que sempre preferiu a discrição de gabinetes e a prudência das frases medidas, ganhou durante dez anos um presidente que não temeu o excesso de palavra.
Não faltaram críticas. Demasiado presente. Demasiado comentador. Demasiado pronto a surgir onde talvez bastasse o silêncio institucional. Mas também não faltou algo que raramente se vê no poder: proximidade real com o público. Marcelo compreendeu cedo que a política moderna se faz tanto de gestos como de decisões. E cultivou ambos, com uma habilidade que poucos lhe negam. Agora sai. E entra António José Seguro.
Se Marcelo é (foi) um “papagaio” – colorido, ruidoso e impossível de ignorar – Seguro parece outra “ave”. Mais escura. Mais silenciosa. Talvez um corvo.
A ideia pode parecer pouco simpática, e talvez seja injusta para o corvo. Na história de Lisboa, dois corvos acompanharam as relíquias de São Vicente e ficaram para sempre no brasão da cidade, empoleirados num barco. Não falavam, não gesticulavam, não comentavam. Observavam. É possível que essa seja precisamente a presidência que agora começa.
António José Seguro chega a Belém num país onde a política se tornou mais nervosa. A extrema-direita, personificada por Ventura, descobre finalmente que existe espaço eleitoral para o ruído permanente. O discurso político torna-se mais áspero, mais teatral, mais impaciente. Neste ambiente, o silêncio pode parecer fraqueza. Mas também pode ser vigilância.
A presidência portuguesa não governa. Não legisla. Não dirige maiorias parlamentares. O seu poder é outro: esperar. Observar. Escolher o momento exato em que uma palavra, um veto ou uma dissolução do parlamento se tornam inevitáveis. Marcelo preferiu ocupar o palco. Seguro talvez prefira o mastro.
É um lugar menos visível, mas não necessariamente menos importante. De lá vê-se o horizonte – e também os navios que se aproximam. Alguns trazem mercadorias. Outros trazem corsários.
A esperança, modesta e um pouco irónica, é que o novo ocupante de Belém saiba fazer aquilo que os corvos fazem melhor do que qualquer papagaio: permanecer imóvel tempo suficiente para perceber o que realmente está a acontecer. Porque, na política portuguesa, falar é fácil. Difícil é saber quando ficar em silêncio.
De todo o modo, boa sorte para o que sai, melhor sorte para o que entra. É preciso desejar-lhe excelentes voos e que – sempre que for preciso – saiba sair do mastro.
Bom dia!
Do blogue Estátua de Sal
Henrique Raposo volta a disparatar:
No seu espaço de comentário televisivo de 6 de Março, Henrique Raposo falou sobre a guerra do Irão, começando por afirmar que temos de sentir uma certa alegria pela derrota de uma ditadura, que o povo iraniano comemora a derrota de um ditador. Ficamos, então, com a impressão ou mesmo com a certeza de que as acções israelo-americanas provocaram uma derrota.
A ser verdade essa derrota (ou a ser iminente ou considerada iminente), é justo que haja alegria, mesmo que possamos criticar os meios utilizados e mesmo que acreditemos nas boas intenções de Israel e dos Estados Unidos.
É perfeitamente compreensível que haja esperança entre os iranianos, massacrados por uma teocracia hedionda e Henrique Raposo mostra um vídeo de uma iraniana que deixa essa esperança clara.
Logo a seguir, acusa a esquerda de nunca estar do lado dos que querem a democracia. Não apresenta uma única fonte, uma citação, um vídeo que prove uma ocorrência dessa generalização.
Neste segmento sobre o Irão, acaba a afirmar que não é possível fazer uma transição para a democracia e que todas as operações militares americanas no Médio Oriente que tiveram ou fingiram ter essa intenção falharam.
Ainda acrescenta que Trump quer, com este ataque, encurralar a China, o que, sendo verdade, afasta os EUA de um generoso combate pela democracia.
Em suma, se não é possível fazer uma transição e se os EUA falharam demasiadas vezes (sempre?) na libertação dos povos, ficamos com a impressão de que, afinal, a ditadura iraniana não foi derrotada ou que, a haver derrota, isso não significa que nasça daí um regime democrático e que a compreensível alegria que muitos sentem seja, muito provavelmente, ilusória.
No mundo simplista do comentário televisivo, equivalente mediático das conversas de café ou das redes sociais, criticar os bombardeamentos sobre o Irão é o mesmo que defender o regime iraniano, tal como criticar o governo israelita é equivalente a ser anti-semita. É o mundo em que se antecipa uma festa da democratização de um país, como se fosse possível alterar à bomba o percurso histórico de um território com mais de 90 milhões de habitantes.
A solução será ficar parado diante da opressão a que são sujeitos os seres humanos de outros países? Com certeza que não, mas convém pensar nisso a sério, para que não nos admiremos, por exemplo, com a radicalização religiosa, militar e política provocada também pelos americanos, que andam, sob a capa das boas intenções, a cometer crimes vários desde os anos 40 do século passado, com a agravante de que os países cúmplices desses crimes serão também atingidos, sendo que as respostas a crimes são, frequentemente, outros crimes, numa perpetuação letal da luta para se saber se primeiro veio o ovo ou a galinha.
08/03/2026 by António Fernando Nabais
Do clogue Aventar
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem em contos de fadas infantis sobre o Irão:
(Caitlin Johnstone, 08/03/2026, Trad. Estátua de Sal)

Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que os Estados Unidos travam guerras para promover interesses humanitários e levar liberdade e democracia a populações oprimidas.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que os soldados americanos lutam e morrem para proteger o seu país e os seus cidadãos.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que o intervencionismo militar dos EUA no Médio Oriente tenha algo a ver com os direitos das mulheres ou com a melhoria da vida delas.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que coisas boas resultem de ataques militares dos EUA a nações do Médio Oriente e do derrube dos seus governos.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que o governo dos EUA diz a verdade sobre as suas guerras e os motivos pelos quais as trava.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que os EUA são os mocinhos que lutam contra os vilões, como se fossem os heróis de um desenho animado infantil.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que o governo dos EUA é menos assassino e tirânico do que o governo iraniano.
Não é aceitável que pessoas adultas aceitem a propaganda óbvia, sobre as atrocidades supostamente perpetradas por um governo, alvo dos EUA.
Não é aceitável que pessoas adultas consumam as notícias dos média ocidentais sobre a guerra, sem um ceticismo extremo em relação a todas as informações que lhes são apresentadas.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que os EUA travam guerras em legítima defesa.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que um governo, que permite que seus próprios cidadãos morram de pobreza e doenças, se preocupe profundamente com a situação do povo iraniano.
Não é aceitável que pessoas adultas apoiem essa guerra por causa de alguma parvoíce que foi escrita na Bíblia.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que a vida de um iraniano vale menos do que a vida de um americano.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que as forças armadas dos EUA são usadas para tornar o mundo um lugar melhor.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que esta guerra tornará o Irão mais livre e democrático.
Não é aceitável que pessoas adultas acreditem que esta guerra beneficiará alguém, além de Israel e dos oligarcas ocidentais.
Do blogue Estátua de Sal
domingo, 8 de março de 2026
O CHEGA quer agora fazer o país acreditar que não sabia de nada:
#CHEGA #AndréVentura #HipocrisiaPolítica #ResponsabilidadePolítica #Escrutínio #Transparência #HabitaçãoClandestina #Imigração #EstadoDeDireito #SemExtremismos #VD #VanguardaDireitista
Vanguarda Direitista - VD


