Rádio Freamunde

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domingo, 13 de setembro de 2026

A Parada da Vitória na Red Square em Moscou:

Realizada em 24 de junho de 1945, foi uma parada histórica organizada para comemorar a vitória da União Soviética sobre a Alemanha na Grande Guerra Patriótica.
A parada das exército da Red Army foi presidida pelo Marechal Georgy Zhukov, enquanto os soldados eram comandados pelo Marechal Konstantin Rokossovsky.
Especialmente para a parada, o Banner da Vitória, que havia sido colocado no Reichstag, foi removido de Berlim. No entanto, finalmente não foi levado durante a parada.
Durante o evento, a cerimônia de colocação das bandeiras e banners alemães ocorreu. Após a parada, foram enviados para o Museu Central das Forças Armadas.

A Parada da Vitória de 1945 envolveu 35.325 pessoas: 24 marechais, 249 generais, 2.536 oficiais —de oficiais não comissionados a colonéis—, 31.116 sergentes e soldados, 1.400 músicos militares, bem como 1.850 unidades militares. 

Mesmo que de vez em quando tente fazer uma piada:

Não me convidem para pisar um palco de "stand up comedy" com os senhores Seinfeld ou Araújo Pereiera, não por um ser apoiante expresso de um estado genocida e o outro relativizar a importância de uma figura pública ser ou não a favor de um regime de apartheid, de limpezas étnicas e do extermínio em massa de um povo. É só mesmo porque não sei contar piadas. Começo sempre a sorrir ou a rir antes do tempo. Mas sobretudo não gosto de pessoas que fazem humor sobre patetices e apoiam, em vez de arrancarem a máscara a quem comete crimes hediondos.

Aqui 90 segundos da conversa com a Alberta Marques Fernandes e o José Gomes André ontem a propósito de Trump dizer que gostaria de ver as duas Irlandas reunidas (a análise mais completa a este e outros assuntos em baixo nos comentários).

Miguel Szymanski

sábado, 12 de setembro de 2026

Ali Bábá e os Sessenta Coirões:

(Luís Rocha, in Facebook, 11/09/2026, Revisão da Estátua)

Há uma coisa que tenho de reconhecer ao Coiso. É um partido extremamente trabalhador. Trabalha muito para produzir absolutamente nada. É assim uma espécie de máquina de lavar roupa avariada. Faz um barulho dos diabos, abana a casa inteira, aquece que se farta, mas a roupa sai exatamente como entrou.

A última demonstração desta admirável capacidade produtiva foi a moção de censura ao Governo. O Coiso foi ao Parlamento para derrubar Montenegro com aquele entusiasmo de quem vai finalmente conquistar a Europa, quando na realidade tinha mais ou menos a mesma capacidade militar de uma associação recreativa de Alguidares de Baixo.

O sacristão de Mem Martins apareceu com ar de pequeno Napoleão, provavelmente já a imaginar a estátua no Rossio, seguido pela brigada de coirões parlamentares, todos afinados para berrar “demissão!”. E berraram. Berraram com convicção. Berraram com pulmão. Berraram como se o volume da voz tivesse alguma relação com o número de votos.

Não tinha. Para derrubar um Governo são precisos votos. E o Coiso tinha 60. Exatamente cinco dúzias.

A moção teve 60 votos a favor, 104 contra e 62 abstenções. Os 60 votos favoráveis foram precisamente os 60 deputados do Coiso. Não conseguiram convencer mais ninguém. Nem um. Foi uma coisa bonita de se ver, porque revelou finalmente a verdadeira dimensão parlamentar da revolução dos ruminantes. Cabia toda dentro do próprio redil.

Imagino que tenha havido um momento, depois da votação, em que alguém perguntou: “Então e agora?” E outro respondeu: “Agora dizemos que ganhámos.”

É assim que funciona a política coirona quando tem um problema com a realidade. A realidade diz “perderam”. A propaganda responde “vitória histórica”. E pronto. Problema resolvido.

O Coiso apresentou uma moção para demonstrar que o Governo estava isolado e descobriu que quem estava sozinho era ele. É uma espécie de ironia que normalmente exigiria um argumentista de comédia, mas que a política portuguesa oferece gratuitamente.

E eu até consigo perceber a irritação.

Se eu fosse dirigente de um partido de extrema-direita que tivesse uma relação particularmente pouco calorosa com o diretor da Polícia Judiciária, sobretudo depois da PJ ter estado envolvida no desmantelamento de organizações extremistas e neonazis, também não seria propriamente fã do homem.

Se passasse os dias a falar de imigração e criminalidade como quem vende rifas à porta da igreja e depois aparecesse a Polícia Judiciária a apresentar números que não confirmavam parte da narrativa, também começaria a sentir que aquele diretor tinha qualquer coisa contra a minha carreira política.

E se, pelo meio, tivesse inventado a história de um alegado assalto ao meu gabinete que estivesse a levantar uma quantidade considerável de perguntas, também perceberia a necessidade de arranjar rapidamente outro assunto.

É aqui que entra a moção.

Porque quando não se tem uma política económica convincente, fala-se de imigrantes. Quando não se tem uma política para a saúde, fala-se de criminosos. Quando não se tem uma política para a habitação, fala-se de identidade nacional. E quando não se tem capacidade para fazer coisa nenhuma, faz-se uma moção de censura.

É uma atividade política semelhante à de um homem que passa a tarde inteira a afiar uma faca e depois descobre que não tem pão.

Mas o melhor veio depois.

A moção foi chumbada, Montenegro continuou primeiro-ministro, Luís Neves continuou ministro e o Governo continuou no mesmo sítio. E, enquanto o Coiso se preparava para celebrar mais uma batalha imaginária contra o sistema, Montenegro aproveitou o debate para anunciar cerca de 800 milhões de euros em medidas para pensionistas e contribuintes.

É preciso ter azar.

Os homens foram ao Parlamento tentar matar politicamente o Governo e acabaram por servir-lhe de palco para anunciar medidas popularuchas.

São uma espécie de motorista de Uber paquistanês da política. Levam os adversários exatamente onde eles querem chegar.

E depois há a parte mais divertida, que é a explicação da vitória.

Porque o Coiso nunca perde. Pode perder eleições, votações, moções, argumentos, aliados e até o contacto com a realidade, mas perder nunca. Aquilo é uma máquina de reciclagem de derrotas. Entra uma derrota e sai uma “vitória política”.

Se tiverem 60 votos e os outros 166 não votarem com eles, é porque “marcaram a agenda”. Se ninguém os acompanha, é porque “não precisam de outros partidos”. Se a moção é chumbada, é porque “o sistema está borradinho de medo”.

É uma forma extraordinariamente confortável de fazer política. Não é preciso ganhar. Basta explicar muito bem porque é que perder é, afinal, uma maneira sofisticada de ganhar.

E talvez seja esse o verdadeiro problema do Coiso. Aquilo não parece um partido político. Parece uma sessão coletiva de autossatisfação.

Muito movimento. Muito entusiasmo. Muito suor. Muito berro. Muito “demissão!”. E no fim, quando se olha para os resultados, Portugal continua exatamente onde estava.

É o equivalente político de alguém passar dois minutos a fazer flexões diante do espelho e depois pedir aos outros que admirem a transformação. Não há transformação nenhuma. Há apenas o espelho. Mas o problema é que Portugal não está no espelho. Está cá fora. Que maçada.

Uma pessoa prepara uma revolução, compra os foguetes, ensaia os discursos, afina os coirões, veste-se de Napoleão e depois chega ao fim do dia e descobre que continua tudo igual.

Há dias em que a democracia consegue ser mesmo cruel. Principalmente para quem ainda não percebeu que gritar “demissão” não é o mesmo que ter capacidade intelectual para fazer alguma coisa de benéfico pela nação.

Mas pronto. Na próxima semana haverá outra coisa qualquer para berrar. Que nunca lhes dê uma amigdalite, coitadinhos…

Beijinhos e até à próxima…

Referências consultadas:

https://www.parlamento.pt/Fiscalizacao/Paginas/Mocoes.aspx

https://www.parlamento.pt

https://www.rtp.pt

https://www.dn.pt

https://www.jn.pt

https://portugal.gov.pt

https://portugal.gov.pt/…/governo-anuncia-suplemento…

https://elpais.com/…/el-parlamento-portugues-rechaza-la…

Do blogue Estátua de Sal

PUTIN MENÇONHO BRASIL:

Moz na Diáspora

DECLARAÇÃO APROVADA POR UNANIMIDADE BRICS QUEREM ORDEM INTERNACIONAL MAIS INCLUSIVA:

BRICS: Putin defende alargamento do Conselho de Segurança. XI apela a oposição a "violações de soberania". Na cimeira dos chefes de Estado e governo do auto-intitulado Sul global o primeiro-ministro indiano ainda pediu um roteiro para reformar a governação mundial
DN/Lusa
O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu este sábado (12 de setembro) o alargamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas durante a sua intervenção na cimeira do grupo BRICS, em Nova Deli, na Índia.
“Consideramos necessário continuar a promover, juntamente com os nossos parceiros dos BRICS, a melhoria do desempenho da ONU. Naturalmente, o alargamento do Conselho de Segurança e a inclusão de representantes de países da Ásia, África e América Latina ajudariam nesse sentido”, declarou Putin, citado pela Efe.
O líder russo, que na véspera se reuniu com vários dirigentes que participaram na cimeira em Nova Deli, afirmou que a formação de um mundo multipolar enfrenta vários desafios.
Segundo Putin, tal deve-se à “resistência daqueles que estão habituados a pensar em termos coloniais, dividindo, essencialmente, o mundo entre um jardim florescente e uma selva selvagem e vivendo à custa dos outros”.
“Recusam-se a aceitar a realidade em mudança e procuram conter os seus concorrentes em crescimento por todos os meios possíveis. Recorrem a todo o tipo de artimanhas, incluindo guerras tarifárias, sanções ilegítimas, tentativas de ditadura económica, chantagem, ingerência nos assuntos internos e, simplesmente, força bruta”, afirmou.
Além disso, acrescentou Putin, estão a ser reavivadas tensões antigas, provocando novos conflitos e divergências.“Como resultado, todo o sistema de relações internacionais está a falhar. A eficácia de várias estruturas e instituições multilaterais está a diminuir”, apontou.
“Perante isto, a Rússia atribui uma importância excecional à preservação e ao reforço do papel central das Nações Unidas nos assuntos mundiais”, salientou.
O grupo dos BRICS tem como membros o Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
XI apela aos países BRICS para se oporem a violações da soberania
Já o presidente chinês, Xi Jinping, declarou que os Estados-membros devem opor-se "às violações” da soberania e trabalhar para preservar a paz, informou a agência de notícias oficial Xinhua.
Durante a cimeira, o presidente indicou que os BRICS devem “opor-se às violações da soberania de outros países e à ingerência nos seus assuntos internos, e participar de forma construtiva na resolução das questões mais prementes”, segundo a Xinhua.
O presidente chinês declarou ainda que a guerra no Médio Oriente, desencadeada pelos ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão no final de fevereiro, não serve os “interesses comuns”.
“À medida que a situação no Médio Oriente e na região do Golfo continua a evoluir, a guerra que aí decorre causou pesadas perdas às populações de toda a região”, declarou o Presidente chinês em Nova Deli, numa altura em que a capital indiana acolhe uma cimeira dos BRICS, na qual participa, entre outros, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian. “Não serve os interesses comuns da comunidade internacional”, acrescentou.
Xi Jinping apelou ainda aos 11 países membros dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão) para “rejeitarem todas as formas de protecionismo”, menos de duas semanas antes da visita prevista a Washington, um importante rival comercial de Pequim.
“Devemos apoiar o sistema comercial multilateral, que tem a Organização Mundial do Comércio no seu centro, e rejeitar todas as formas de protecionismo", declarou o Presidente chinês.
PM indiano pede um roteiro para reformar a governação mundial
O primeiro-ministro (PM) indiano apelou, por sua vez, aos países do bloco BRICS para transformarem a “pirâmide de privilégios” da governação mundial e propôs a elaboração de um roteiro com dez propostas de reforma até à próxima cimeira.
“A atual estrutura da governação mundial parece uma pirâmide. No topo concentram-se o poder e a tomada de decisões. E na base encontram-se os países que são afetados por essas decisões, mas não podem influenciá-las”, afirmou Narendra Modi na abertura da primeira sessão da cimeira de líderes, citado pela Efe.
Modi afirmou que o roteiro deve estruturar-se em torno de três eixos — representação, capacidade de resposta e elaboração de normas — para aumentar o peso das economias emergentes nas instituições internacionais.
“A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas já não pode ser adiada”, sublinhou também o chefe do Governo indiano, que pediu que as negociações sobre a reforma sejam associadas a prazos definidos e resultados concretos.
Modi defendeu também que o poder de voto, os cargos de liderança e as prioridades das instituições financeiras internacionais reflitam melhor o peso atual das economias que impulsionam o crescimento mundial.
A Índia, que exerce este ano a presidência rotativa do bloco, defendeu que os BRICS transformem o consenso interno em resultados concretos à escala mundial e que o Sul global deixe de se limitar a aceitar normas para participar também na sua elaboração.
“O Sul global encontra-se hoje na primeira fila das crises mundiais, mas na última fila da tomada de decisões”, afirmou Modi, antes de pedir que essa “pirâmide de privilégios” se transforme numa “plataforma de parceria”.
O primeiro-ministro insistiu ainda que os BRICS “não estão contra ninguém” e devem avançar integrando todos, uma formulação com a qual Nova Deli procura apresentar o bloco como uma plataforma de reforma do sistema internacional e não como uma aliança de confronto.
Declaração de Nova Deli aprovada por Unanimidade
Os líderes dos países BRICS aprovaram, por unanimidade, a declaração de Nova Deli, num encontro onde o consenso entre as 11 nações era o principal desafio.
Durante a sessão plenária deste sábado, que decorreu na sala principal do centro de convenções Bharat Mandapam, em Nova Deli, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou que tinham já a minuta da declaração, explicando que o texto reflete a essência das decisões e posições sobre as principais questões mundiais e regionais.
Nenhum dos representantes apresentou objeções, tendo sido a Declaração de Nova Deli aprovada por unanimidade pelos chefes de Estado do bloco, incluindo o Presidente chinês, Xi Jinping, o homólogo russo, Vladimir Putin, e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
A aprovação deste documento, segundo a Efe, pôs fim a algumas questões que estavam ainda em aberto antes da reunião de líderes, sendo o consenso o principal desafio deste encontro, uma vez que estiveram representados 11 países com posições distintas sobre os principais conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente e na Ucrânia.

GOLPE CONTRA ALLENDE - 53 ANOS LISTA DAS INTERVENÇÕES AMERICANAS NO MUNDO:

Desde o principio do século que os Estados Unidos, de forma direta ou indireta, causaram o derrube de governos e regimes. Esta é a lista condensada:

PANAMÁ 1903 → MÉXICO 1910–14 → HAITI 1915–34 → REP. DOMINICANA 1916–24 → NICARÁGUA 1926–33 → ITÁLIA 1947–48 → IRÃO 1953 → GUATEMALA 1954 → INDONÉSIA 1955–65 → CONGO 1960–61 → CUBA 1961 → GUIANA 1961–71 → REP. DOMINICANA 1963/65 → VIETNAME 1963 → BRASIL 1964 → BOLÍVIA 1971 → CAMBOJA 1970 → CHILE 1973 → ARGENTINA 1976 → NICARÁGUA 1980–90 → GRANADA 1983 → PANAMÁ 1989 → AFEGANISTÃO 2001 → IRAQUE 2003 → LÍBIA 2011 → SÍRIA 2011– → VENEZUELA 2002–19 → VENEZUELA 2026 → IRÃO 2026.
São 29 intervenções - pelo menos - que demonstram que a "democracia americana" não existe dentro e muito menos fora do seu próprio território.
Mas John Coatsworth, da Harvard, contabiliza pelo menos 41 intervenções bem-sucedidas dos EUA para mudar governos na América Latina entre 1898 e 1994: 17 diretas e 24 indiretas. Já a compilação de William Blum, embora mais abrangente e discutível na classificação de alguns casos, enumera dezenas de operações americanas de derrube ou tentativa de derrube de governos em todo o mundo desde 1945, incluindo países que não apareceram na nossa lista: China, Albânia, Alemanha Oriental, Síria, Egipto, Iraque, Laos, Gana, Grécia, Austrália, Portugal, Jamaica, Chade, Fiji, Bulgária, Albânia, Jugoslávia, Equador, Haiti, Honduras, Ucrânia, entre outros.
E como?
1. Derrube direto
Invasão, ocupação, CIA ou militares americanos participam directamente.
2. Golpe apoiado
O golpe é executado por nacionais, mas Washington fornece dinheiro, armas, inteligência, logística, cobertura diplomática ou incentiva os conspiradores.
3. Mudança política por intervenção clandestina
Financiamento de partidos, propaganda, sindicatos, grupos armados, manipulação eleitoral ou pressão económica destinada a alterar o governo.
4. Tentativa de "regime change"
Quando Washington procurou derrubar o governo mas não conseguiu - casos que a primeira lista praticamente eliminou, embora sejam fundamentais para compreender a política externa americana.
E é aí que a lista muda radicalmente. Por exemplo, desaparecem da minha lista anterior:
- Iraque 1963
A CIA apoiou sectores que derrubaram o governo de Abd al-Karim Qasim. É um caso que merece entrar.
- Gana 1966
Kwame Nkrumah é derrubado num golpe militar. Há documentação sobre o envolvimento e conhecimento americano; é um caso que deve ser apresentado com o devido grau de cautela.
- Grécia 1967
Golpe dos coronéis. Os EUA não podem ser simplesmente apresentados como os autores do golpe, mas o contexto da Guerra Fria, a relação com a junta e o conhecimento americano tornam o episódio relevante.
- Portugal 1974–76
Houve intervenção americana durante o PREC, apoio a forças políticas e preocupação explícita de Washington com o resultado da revolução. É portanto um caso de intervenção para influenciar o resultado político, não de golpe americano.
- Austrália 1975
A crise que levou à destituição de Gough Whitlam continua a ser objeto de debate sobre o papel americano.
- Angola 1975 em diante
Washington apoiou forças que combateram o MPLA, incluindo através da CIA. Não conseguiu impedir a instalação do governo do MPLA.
- Jamaica 1976–80
Intervenção clandestina americana destinada a enfraquecer o governo de Michael Manley.
- Afeganistão - anos 1980
Aqui temos uma situação diferente: a CIA financiou e armou a resistência mujahideen contra o governo apoiado pelos soviéticos. A operação contribuiu para a derrota soviética e para a transformação posterior do país.
- Nicarágua 1981–90
Não foi simplesmente “apoio à oposição”: houve uma guerra clandestina financiada e armada por Washington contra o governo sandinista. A mudança política de 1990 ocorreu depois de uma década de guerra e pressão económica.
- Jugoslávia - 1990–2000
É um caso muito mais complexo e não deve ser reduzido a “os EUA derrubaram Milosevic”. Mas Washington desempenhou papel decisivo no apoio à oposição sérvia, culminando na mudança de poder de 2000.
- Haiti 2004
Aristide foi afastado e enviado para o exílio. O papel americano continua a ser objecto de forte controvérsia, mas a intervenção dos EUA na mudança política haitiana é inegável.
- Honduras 2009
Manuel Zelaya foi derrubado pelos militares. A posição americana posterior foi ambígua e Washington teve influência decisiva sobre o desenlace político. Não o classificaria como “golpe americano comprovado”, mas deve aparecer numa lista abrangente.
- Ucrânia 2014
Está comprovado que os EUA financiaram organizações da sociedade civil, apoiaram sectores políticos da oposição e exerceram influência política antes e durante o Euromaidan. Deve constar como intervenção política com mudança de poder, com uma nota explicativa.
- Venezuela 2002: tentativa de derrube de Hugo Chávez.
- Venezuela 2019: reconhecimento de Juan Guaidó e campanha explícita para retirar Maduro.
- Venezuela 2026: se estamos a fazer a cronologia até à data actual, teremos de tratar separadamente os acontecimentos deste ano e verificar documentalmente o que ocorreu e qual foi o seu resultado antes de os inserir numa lista histórica definitiva.
Carlos FinoImagem: Golpe militar apoiado pelos EUA contra Salvador Allende
João Gomes 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026