Rádio Freamunde

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Execrável:

Há pouco, na habitual intervenção do General Rafael Martins, a entrevistadora-debatente estava visivelmente irritada e irritante, passando por cima dos comentários do convidado, fazendo reparos e dando mostras de insuportável atrevidismo. A razão do tranglomanglo da jornalista-militante foi o escabroso acto de terrorismo (mais um) perpetrado esta manhã pelos drones do regime de Kiev contra um autocarro civil e do qual resultaram mortos e feridos. A senhora queria a todo o transe desculpabilizar o atentado, ou pior, insinuar que a matança seria um ataque de falsa bandeira russo que pudesse justificar a merecidíssima retaliação. Confrontado com a desonestidade da propagandista, o General disse que não, que qualquer ataque terrorista é imperdoável, pelo que deve merecer repúdio e condenação taxativos. A militante-activista-propagandista teve um fanico, enrubesceu, os olhos raiados de fúria e cara zangada, como se lhe tivessem arrancado um dente com um alicate e insistiu. Uma vez mais, com calma e sensatez, o General fez profissão de fé no código de ética militar e disse tratar-se de um inadmissível acto de terrorismo. Decididamente, hoje, os verdadeiros profissionais da informação estão no desemprego, pelo que a dita comunicação social está inteiramente convertida em odiosa máquina de promoção de aldrabices e comércio do vale-tudo que nos empurre para a guerra com a Rússia. 

Miguel Castelo Branco

ZITA SEABRA...muito esquecida. Vergonhosa a omissão e vaidade!

Qual lição...de ZITA???

Reescrevendo a História...e confundido questões essenciais. Algnus trabalhadores desconhecendo o que se passavam é natural que quisessem defender o que em Abril tinham conquistados. Isso não foi ordenado estavam na experiência de luta de muitos anos clandestinos. É inconcebível as confusões e calunia de ZS, Vergonhoso!
@duranclemente
há 5 meses Interroguei VL.
Inverdades? Quais Vasco Lourenço?
Ah, o Jaime Neves não atacou a PM?Foi noite dentro. Na generalidade o que conto é o que temos sabido . Tu próprio contas que não aprovaste a acção de Jaime Neves. Nem mesmo Eanes,que te subtraiu o poder. Haverá omissões . Admito. O essencial era contar que militares do MFA ,como tu (esqueci-me,tens razão) e Otelo, e não só, evitaram a guerra civil. Eu na RTP não incitei a confrontações. Só quis esclarecer que não havia nenhum golpe de esquerda e que a revolta de Tancos (24-25 Nov.75) se devia a um problema sério dum Chefe de EMFA de curtas visões e desumano que quis colocar dois ou três mil paraquedistas desempregados. Quanto ao contexto, de que falas e hoje poucos parecem lembrar-se, é que todos faziam plenários e alguns se encostaram a inimigos de Abril.Hoje para a malta nova a revolução foi uma "coboiada" ainda que hoje os indios e os cowboys sejam outros de Ferraris e Mercedes... Eu não tenho gosto em ser pouco verdadeiro. Nem hoje nem sempre. Mas a ver pelas tuas fontes só falam verdade alguns militares de Abril investigadores. Dois ou três. Clarifica lá e diz com frontalidade quais as minhas inverdades. Ainda por cima com a boa memória que tenho de tudo (melhor que a do nosso Jorge Golias,que só fala do pós 25 de Abril na Guiné e elege outras figuras fora dos capitães que conspiraram arduamente com ele) e das reuniões,depois de Outubro/74, das reuniões das AMFAs, da Assembleia do Exercito "selvagem" de Tancos de Set.75,das reuniões do COPCON de Nov. e da na PM com Costa Gomes ,onde fiquei ,como 2ºcomandante, porque vocês ao retirarem todos os vossos aderentes oficiais da EPAM,nos colocaram a mim e ao Maj.Queiroz Azevedo(1ºCmdt.) na posição de ter de honrar o comando que nos iria incriminar se cumpríssemos as directivas de evitar que a RTP fosse aproveitada por algus farsantes contra Abril.
A Zita Seabra faz uma pequena confusão de quem como comunista não sabe distinguir as épocas e os contextos.
Sabemos como o PCP até Abril 74 lutou e o livro "RUMO Á VITORIA"(1965) é um excelente livro dos anos 60 onde A.C. preconiza a revolução dos trabalhadores contra o regime opressor, A Zita não refere e resolve mentir ou melhor omitir caluniando intenções que Cunhal já não tinha em 1975.
Não menciona a reunião do Comité Central em Alhandra no Agosto de 1975... à qual assisti como jornalista do Boletim do MFA. Perante alguns "camaradas" zangados com a actualidade nefasta do Verão Quente de Mario Soares (apesar do seu livro "O Portugal Amordaçado" (1968/71) e dos inimigos da revolução Álvaro Cunhal foi firme em esclarecer que não haviam condições de qual quer confronto armado. Foi muito claro e Zita com a raiva e má consciência adormeceu os neurónios e investe como já o fez comigo (relativamente à minha acção na RTP) caluniando e mentindo.
O PCP é o "Sindicato dos Metalurgicos "????
Eu alguma vex fui voz deste ou de outros Sindicat????
Eu apelei à revolta armada? Onde ela ouviu isso? Ou estava tão medrosa que teve pesadelos nesse dia?
Já a confrontei varias vezes com tal distopia!
Ai a tal bomba atômica da guerra nuclear da MENTIRA contra a VERDADE.
Manuel Duran Clemente 03.06.2026

Ouçam e meditem:

Exactissimamente:

«O que está pois em causa neste anúncio e nesta atabalhoada criação de uma prestação unificada (da qual ainda ninguém percebeu patavina, como notava, em entrevista à TSF esta sexta-feira, o especialista em pobreza Carlos Farinha Rodrigues) é, mais uma vez, o populismo desbragado de um Governo cujo principal partido se apelida de social-democrata mas se esmera em demonstrar que de social-democracia não tem nada. Um Governo que, para Chega ver e para com o Chega se confundir, usa os pobres como saco de pancada, lançando mais uma vez sobre eles, na melhor tradição das alianças PSD/CDS-PP, a suspeita de malandragem e de esquemas fraudulentos, ameaçando-os com penas de trabalho forçado.»

Sempre contra os pobres, agora também com bufos

por Valupi

Do blogue Aspirina B

terça-feira, 2 de junho de 2026

Reavivando a memória de canalhas que têm a pretensão de dar "banhos de ética"! "À Mulher de César, não basta ser, tem que parecer!" 02.06.2021:

RECADO AO PEDRO
Eu vou-te avivar a memória, já que não te lembras daquilo que fizeste quando eras Primeiro Ministro.
A primeira medida que tomaste foi o aumento do IVA, recordas?
Dessa medida resultou a falência de milhares de PMEs e o desemprego de milhares de trabalhadores.
Milhares de pequenos empresários ficaram sem meio de vida, cheios de dívidas viram-se obrigados a entregar casas aos bancos e a pedir esmola.
Conheci vários que se mataram dentro das empresas em desespero porque como eram empresários nem direito tinham a um subsídio de desemprego.
O desemprego disparou para níveis nunca vistos neste país.
As IPSSs, a Cáritas e outras organizações de Solidariedade Social não tinham mãos a medir para atender pedidos de ajuda de famílias inteiras que sem apoios da Segurança Social estavam a passar fome e desesperadas sem conseguirem fazer face ás despesas básicas.
Milhares de famílias foram atiradas para a rua, despejadas das suas casas pela Banca, por senhorios e pelas Finanças através de penhoras por dívidas ao Estado, quando muitas dessas dívidas eram de valor inferior ao valor real das habitações.
Depois vieram os cortes nas pensões de reforma, no complemento solidário para idosos, nas pensões de viuvez, nos abonos de família e nas pensões não contributivas como por exemplo no RSI que cortaste a torto e a direito sem olhar a quem e sem apelo nem agravo.
Aumentaste o IMI, começaste a cobrar IUC sobre veículos independentemente de estarem ou não em circulação, chegando ao ponto de cobrares esse imposto a quem nem carro tinha ou sobre veículos já abatidos há anos.
Aumentaste impostos na gasolina, no gasóleo, no tabaco, nas bebidas alcoólicas, aumentaste as portagens e todos esses aumentos foram reflectir-se no aumento do custo de vida que como é óbvio foi mais sentido pelas classes sociais mais frágeis e carenciadas.
Criaste as taxas moderadoras e com essa medida muitos idosos deixaram de ir ao médico ou aos hospitais.
Fechaste Centros de Saúde, Maternidades e Hospitais e muitos idosos morreram por falta de assistência médica, mas também jovens e parturientes morreram por falta de cuidados médicos.
Doentes oncológicos viram as suas cirurgias adiadas e sem cuidados continuados.
Doentes crónicos ficaram sem médicos de família e sem comparticipação em medicamentos imprescindíveis ao tratamento das suas doenças.
Lembras-te dos doentes com Hepatite C a quem negaste um medicamento que podia salvar vidas e mesmo curar?
Deu até azo a manifestações populares na AR que a tua amiga Assunção Esteves reprimiu e mandou deter alguns doentes que se manifestavam indignados e com razão!
Não eram suicidas mas tu querias bem lá no fundo que fossem para poupares algum. Fazia-te jeito para ficares bem visto perante a Troika e a tua amiga Merkele.
Fechaste escolas e fizeste dos professores e das suas vidas gato sapato, obrigando-os a andar em Bolandas sem saberem o que fazer e onde ir!
Mudaste Freguesias, alteraste comarcas, encerraste Tribunais e deste com os juízes e advogados em doidos com a porcaria do sistema Citius todo baralhado.
Esqueceste essa cena?
Eu lembro-te.
Dessa confusão resultaram prejuízos para empresas, para cidadãos e para todo o país que nunca mais se vai recuperar!
Pais que perderam a guarda dos filhos conheci 19, 5 mataram-se.
Fora os que não conheço e olha que não conheço muita gente.
Mães que se viram sem as pensões de alimentos por culpa da baralhada com o Citius foram milhares.
Uma era professora e o filho era deficiente.
Atirou-se da varanda de um hotel.
Mas também houve mães que envenenaram os filhos e a seguir mataram-se porque não tinham nem emprego nem apoios e nem ajuda de psicólogos.
Sabes Pedro, moro em Almada.
Fui obrigada a vir morar para aqui.
Não, não foi culpa tua.
As coisas neste país já não estão bem há muitos anos.
Realmente apanhaste o país num grande caos económico, mas mesmo assim se fosses honesto e um bom gestor terias evitado cortar onde mais doeu!
Os cortes atingiram os mais fracos e para recuperar um país começa-se por por ordem nas finanças públicas cobrando impostos aos que não pagam.
Mas para o fazeres, para cobrares aos que sempre fugiram aos impostos terias de começar por ti, não é assim?
E depois os teus amigos e financiadores não iriam gostar nada de terem de alargar os cordões à bolsa.
Mas como te dizia, vim viver para Almada há uns anos e sabes, aqui temos uma Ponte onde todos os dias durante o teu governo assistimos a muitos suicídios.
E também temos o Metro que não é subterrâneo, é como um eléctrico sabes?
Pois volta e meia para não dizer uma a duas vezes por semana, lá se tinha de chamar o INEM por causa de um velhote ou velhota que "escorregava" e caía à linha!
E quantos eu vi a chorar de vergonha por serem apanhados no supermercado a guardar uma lata de salsichas ou de atum na mala ou num bolso do casaco!!
E outros a sairem da farmácia sem aviar a receita porque a reforma tinha encolhido e os filhos tinham-se mudado lá para casa e estavam desempregados e sem subsídios de desemprego!
Sabes Pedro, sabes qual é o teu mal?
Teres tido um pai fantástico e uma mãe que tudo te desculpou.
Os anos de cabulice, as más notas no liceu, as noitadas na vadiagem, a vida boémia, as drogas, a pouca ou nenhuma vontade de estudar ou trabalhar e a falta de respeito por toda a gente.
Tu não tens noção da quantidade de vidas que deste cabo ao longo da tua vida, não só nos quatro anos em que te tivemos de aturar como Primeiro Ministro, mas desde que te conheci quando vivias na Rua República da Bolívia.
Tenho pena de não ter adivinhado naqueles anos naquilo em que tu te irias transformar!
A sério Pedro.
Naquele dia em que chamei a PSP de Benfica e evitei que a malta do Bairro do Charquinho te desse um arraial de porrada, se eu tivesse adivinhado no que te irias transformar, eu tinha fechado os olhos e fingido que te tinhas atirado da varanda do quinto andar.
Teria evitado tanta coisa, até ouvir as alarvidades que continuas a atirar pela boca fora.
Tantos anos depois e continuas a ser o mesmo chulo que conheci na nossa adolescência e juventude.
Olha Pedro, queres um conselho?
Reforma-te da política e mete uma rolha na boca ou um dia destes apareces suicidado nalguma esquina da vida.
É que nem todos os que te conhecem bem são tão pacíficos e compreensivos como eu e como a malta que te aparou as pancas lá em Benfica, tu sabes bem na casa de quem.
Espero que a Laura recupere depressa da maldita doença.
Ela não merece tanto sofrimento!
E se um dia nos voltarmos a cruzar nalguma rua de Lisboa vira o rosto, para que eu não me sinta tentada a sujar as minhas mãos na tua cara.
É que eu tentei duas vezes o suicídio por tua causa quando me vi atirada para a rua sem qualquer apoio e a lutar contra o cancro e sem ajuda psiquiátrica.
Não acertei na dosagem.
Não tinha de ser.
Quem sabe o que a vida me reserva?
Talvez me reserve a felicidade de te ver a ti Pedro e aos teus amiguinhos (tu sabes a quem me refiro) atrás das grades e a pagares pelos milhares de vidas dos que se suicidaram ou tentaram em desespero por vossa causa!

A partir desta noite:

Milhares de mulheres e homens vestidos com coletes vermelhos da CGTP vão estar à porta dos seus locais de trabalho. Não vão apenas perder um dia de salário como todos os grevistas. Vão passar uma noite em branco para esclarecer ainda mais trabalhadores a aderir à greve geral e vão denunciar qualquer ilegalidade cometida pelos patrões. Provavelmente, sem cometerem qualquer crime, alguns serão arrastados, agredidos ou detidos pela polícia a mando daqueles que vivem à custa do suor do nosso trabalho.
E eis aqui o facto ineludível: se as greves não servissem para nada, não se esforçariam tanto para que não acontecessem, se os sindicatos fossem inúteis, não tratariam de impedir a sua atividade. Através da chantagem e da ameaça, os patrões procuram amedrontar os trabalhadores. Quando não conseguem, chamam a polícia. Por muito que se tape o sol com a peneira, hoje como há um século, vivemos numa permanente guerra de classes.
Se te portares bem, no fim do ano, eles dão-te uma palmada nas costas e tu dás-lhes uma casa de férias ou um novo Tesla. Luís Montenegro não governa para ti. Governa para eles. É um empregado dos grandes grupos económicos e financeiros. Por isso, amanhã, quando ouvires falar mal da rapaziada de vermelho, lembra-te que estão na linha da frente para defender os teus direitos e os dos teus filhos. Lembra-te que és tu, todos nós, que fazemos o país funcionar.
Quando o fogo destrói as nossas aldeias, quando a tempestade derruba as nossas casas ou quando os rios arrastam tudo, eles nada fazem. Às vezes parece que nos esquecemos que estamos entregues a nós próprios. À nossa classe. E somos bem mais do que eles.
A cada madrugada, enchemos autocarros, comboios e metros, apinhados como gado, para encher os bolsos do patrão por uma recompensa miserável. Aumenta a renda, aumenta a conta do gás, aumenta o preço das compras do supermercado, aumenta o combustível, aumenta tudo menos os nossos salários.
Se o governo quer agora, através do Pacote Laboral, limitar o direito à greve e a intervenção dos sindicatos nos locais de trabalho, o nosso dever é estar na linha da frente. Com coragem. Por isso, a partir desta noite devemos apoiar os nossos, a rapaziada de vermelho. Ou vestir-nos também de vermelho e engrossar os piquetes como a mais bonita das muralhas humanas.
Quando algum dos nossos os insultar ou disser que não querem é trabalhar, lembra-o que quem não quer trabalhar é o patrão. E por mais que nos custe, por mais dor que possa causar, fazer greve é um dever de todo o trabalhador. Outros morreram a fazê-la quando amavam a vida tanto ou mais do que tu, quando precisavam do salário tanto ou mais do que tu num tempo de fome e miséria.
Provavelmente, os teus pais ou os teus avós eram operários. Talvez elas fossem costureiras e eles sapateiros, talvez trabalhadores agrícolas, quem sabe operárias numa fábrica de conservas ou metalúrgicos. Muitos deles fizeram greve para conquistar alguns dos direitos que temos hoje e que nos querem tirar. A luta de classes é um continuum histórico de avanços e recuos. Porque eles foram, nós somos. E porque nós somos, outros serão.
Viva a greve geral!
Morte ao Pacote Laboral!

em https://abrilabril.pt/trabalho/rapaziada-de-vermelho

Bruno Carvalho  

Guerra inacabada:

 (Pedro Pezarat Correia, in A Viagem dos Argonautas, 01/06/2026)

Stone map showing continents with blue and red glowing tectonic plate boundaries
Imagem gerada por IA

Quando se admitia que a Guerra Fria se encerrara com o fim do sistema bipolar pela implosão da URSS e do Pacto de Varsóvia, perfilou-se uma era unipolar, o “império global” norte-americano.


No passado dia 29 de maio o major-general Carlos Branco lançou, em Lisboa, no Hotel PortoBay Liberdade, o seu último livro, Ucrânia, variações de uma guerra inacabada (Colibri). A afluência de tanta gente, ávida de o ouvir e ao apresentador Miguel Szymanski, que superlotou a sala e anexos e não deu por perdido o seu tempo, foi a eloquente demonstração de quanto sentem a sua ausência das estações televisivas como competente comentador da conflitualidade internacional que preenche o nosso quotidiano, agora apenas esporadicamente interrompida.

Carlos Branco, militar intelectualmente honesto, culto, informado, sabedor, experiente, com outras poucas e honrosas exceções distingue-se da mediocridade generalizada dos “comentaristas”, em que se incluem alguns militares, preocupados em alinhar com o “politicamente correto”, que, intencionalmente ou não, chocam pela gritante ignorância das teorias das relações internacionais, dos sistemas políticos, da polemologia (paz, guerra, origens, causas e natureza dos conflitos). Que carecem de bagagem académica e experiência curricular para saberem que estratégia é negação e implica compreender e respeitar o outro (Jean-Paul Charnay), para interpretarem o dilema da segurança e da sua duplicidade (Joseph Nye Jr.), para se preocuparem com a lógica da escalada. Para distinguirem os limites da legítima defesa e da agressão, para não confundirem ação preventiva com ação preemptiva, para perceberem que uma coisa é iniciar uma guerra outra é torná-la inevitável, para entenderem que contra-proliferação nada tem a ver com não-proliferação, que dissuasão é recusa de emprego e não o seu adiamento.

Ressurgem os fazedores de opinião que recuperam o culto do caduco aforismo romano “se queres a paz prepara a guerra”, condenado pela História como marcha inevitável para a guerra. E regressam as filosofias escatológicas e cataclísmicas da guerra que Clausewitz, com a filosofia política da guerra, havia enterrado. E ignoram o essencial do pensamento deste último e de Bouthoul, a guerra enquanto fenómeno social, instrumento racional de política nacional.

Conheço o pensamento de Carlos Branco, sei que não embarca nesse primarismo belicista e acompanho-o nas lúcidas e fundamentadas advertências para o que significará, hoje, uma guerra generalizada entre superpotências nucleares para a qual estão a querer empurrar a humanidade.

Ainda não li este seu livro, o que vou fazer. Mas já me sinto capaz de me pronunciar sobre o seu título – Uma guerra inacabada.

Inacabadas têm sido todas as guerras que derivaram do fim da Guerra Fria. Nos Balcãs, no Afeganistão, no Iraque, na Síria, na Líbia, no Sudão, na África Subsariana, na Geórgia, na Ucrânia, na Palestina, no Líbano, no Irão. Inacabadas porque inacabado foi o conflito que as gerou, a Guerra Fria.

Quando se admitia que a Guerra Fria se encerrara com o fim do sistema bipolar pela implosão da URSS e do Pacto de Varsóvia, perfilou-se uma era unipolar, o “império global” norte-americano. Porém, da desastrosa gestão que Washington fez da sua hegemonia na globalização, resultou uma nova multipolaridade, um sistema difuso, instável. Emerge uma nova superpotência e o mundo regressa a uma bipolaridade tendencial, mas sem a rigidez da anterior: Ocidente Alargado versus Sul Global; OTAN e UE versus BRICS. Blocos menos coesos: EUA e UE; China, Rússia, Índia e Irão. Polos menos assumidos: EUA à deriva no Ocidente Alargado; China líder geoeconómico e Rússia líder geoestratégico nos BRICS. No Ocidente Alargado um denominador comum anuncia maus presságios: o avanço de um populismo revanchista dominado por lideranças de ínfima estatura política e cultural e carentes de credibilidade para enfrentarem as tempestades que se perfilam no horizonte.

Em conclusão, afinal a Guerra Fria não acabara. A História adiara o seu fim e apenas virara mais uma página. O estertor da unipolaridade norte-americana deixou feridas, foram e são as guerras inacabadas que se seguiram. Todas com a marca de uma hegemonia falhada, mas que ainda tenta resistir e tarda a reconhecer o advento de uma nova realidade.

Certamente voltarei ao tema depois de ler este oportuno livro do Carlos Branco.

Ler artigo completo aqui.

Do blogue Estátua de Sal