Rádio Freamunde

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terça-feira, 2 de junho de 2026

Luís Montenegro devia parar de mandar os outros trabalhar e começar, ele próprio, a trabalhar:

Porque ninguém é contra que quem recebe RSI tenha de trabalhar, formar-se ou participar em atividades úteis.
ISSO JÁ EXISTIA.
Desde 2012, os beneficiários do RSI podiam ser chamados a prestar atividade socialmente útil, até 15 horas por semana, em entidades sem fins lucrativos, na economia social ou em serviços públicos, sem substituir postos de trabalho.
Portanto, a grande “novidade” do Luís é a propaganda feita pela agência de comunicação Spinumviva.
O que Montenegro fez foi pegar numa lei que já existia, meter-lhe um embrulho de castigo e vendê-la à malta que gosta de acreditar que a miséria é preguiça.
Antes chamava-se inserção.
Agora vende-se como punição:
“Toma lá, vai limpar florestas, para aprenderes.”
E é aqui que temos de abrir os olhos.
Uma coisa é trabalho para integrar: acompanhamento, formação, saúde mental, tratamento de dependências, literacia, rotina, entrada gradual no mercado de trabalho.
Outra coisa é o Estado usar a chantagem sobre os mais pobres para criar mão de obra barata, temporária e obediente, enquanto finge que está a combater “subsídio-dependentes”.
Em dezembro de 2025, o RSI tinha 164 954 beneficiários.
Cerca de 32,7% eram menores e 30,6% tinham 50 ou mais anos.
O valor médio pago era de 155,41 euros por beneficiário e 327,13 euros por família.
É esta a “vida de luxo” que a direita odeia.
Não é a vida de luxo das benesses fiscais, dos favores, dos perdões, dos benefícios, dos offshores e dos subsídios de milhares de milhões aos grandes grupos económicos que passeiam, com tapete vermelho, nos corredores do poder.
E já agora, não, não há uma reserva mágica de milhares de trabalhos sociais com tarefas simples, seguras, úteis e supervisionadas para encaixar toda a gente.
Isso é palha para o burro aplaudir.
Há pessoas com doença mental, alcoolismo, toxicodependência, exclusão social, baixa escolaridade, analfabetismo funcional e problemas graves até para compreender instruções simples.
Entregar uma motosserra a uma pessoa descompensada e mandá-la limpar uma floresta não é política social.
É sadismo burocrático.
É vingança de frustrados sentados no sofá.
É a direita a atirar pobres contra pobres, cansados contra miseráveis, explorados contra excluídos, todos convencidos de que a culpa da sua vida difícil está em quem recebe 155 euros para não morrer de fome.
A Prestação Social Única até pode ser positiva: simplificar apoios, reduzir burocracia, facilitar o acesso e combater a pobreza.
Aliás, esta reforma nem sequer é uma invenção genial deste Governo.
Foi inscrita no PRR por António Costa como reforma de simplificação da Segurança Social, com o objetivo de combater a pobreza e a exclusão social, consolidando prestações não contributivas, incluindo o RSI.
Mas como este Governo é fraco, atrasado e incompetente, chegou ao fim do prazo do PRR em pânico.
E, em vez de apresentar isto como uma reforma de inclusão, decidiu embrulhar tudo em linguagem punitiva para agradar à plateia que precisa de sentir que alguém ainda mais pobre vai ser castigado.
No essencial, pouco mudou sobre obrigações de trabalho, formação e atividade socialmente útil.
O antigo RSI já previa contrato de inserção, deveres, trabalho, formação e punições por recusa injustificada, incluindo 24 meses sem receber prestação em certos casos.
O que mudou foi a propaganda à volta do tema.
Saiu o combate à pobreza.
Entrou o espetáculo do castigo...só faltou a chuva falsa.
Saiu a integração.
Entrou a performance do “vai trabalhar umas horitas”.
Saiu a ideia de devolver pessoas à sociedade.
Entrou a palha para quem acha que a miséria é uma falha moral que deve ser punida.
O Estado adora mandar os pobres trabalhar.
O problema começa quando chega a hora de o Estado trabalhar pelos pobres: tratar, acompanhar, formar, integrar, criar emprego real, garantir saúde, habitação e estabilidade.
Isso já dá trabalho.
E um Estado que trabalha para os de baixo sai sempre caro aos de cima.
Não é, Luís?

Ventos Semeados: Este Governo Não Governa

Ventos Semeados: Este Governo Não Governa:   O aeroporto de Lisboa tornou-se a montra do país. Não a montra que convida — a que afasta. Filas de horas para passageiros de fora do espa...

A prestação social única da Ramalho: Trabalho forçado com outro nome:

(Augusto Oliveira, in Facebook, 31/05/2026)

O Governo quer obrigar os beneficiários de prestações sociais a fazer trabalho voluntário. Mas desde quando o voluntariado é obrigatório? A própria ideia é absurda. Se é obrigatório, não é voluntariado. Se é voluntariado, não pode ser imposto. Não há volta a dar. Chamar voluntariado a uma obrigação é apenas uma tentativa de maquilhar a realidade com palavras bonitas.

Quem trabalha deve receber salário. Ponto final. O apoio social existe para garantir a sobrevivência mínima de quem vive em situação de pobreza ou exclusão. Não foi criado para fornecer mão-de-obra barata ao Estado ou às instituições.

Esta é mais uma invenção da senhora Ramalho. Segundo as suas palavras, o primeiro objetivo da prestação é “dar o mínimo de dignidade e de condições de vida a todas as pessoas”, protegendo situações de insuficiência económica severa. No entanto, é difícil conciliar esse discurso sobre dignidade com medidas que obrigam quem já vive em situação de pobreza a trabalhar sem remuneração adequada.

A frase soa bem nos discursos, mas esvazia-se de sentido quando se exige trabalho em troca de uma prestação que mal chega para pagar contas básicas.

Falar de dignidade enquanto se obriga pessoas pobres a trabalhar por valores miseráveis é um exercício de cinismo político.

Gostava de ver os defensores desta medida sobreviverem durante seis meses apenas com o salário mínimo nacional. Melhor ainda, gostava de os ver viverem com os cerca de 247 euros mensais que muitos beneficiários recebem. Talvez então percebessem o que significa escolher entre comer, aquecer a casa ou comprar medicamentos.

A mentora do pacote laboral, que na minha opinião, deveria seguir diretamente para o contentor do lixo da História surge agora com mais uma medida que representa uma visão profundamente desumana da pobreza, esta medida destina-se a castigar quem já vive no limite. Pessoas que sobrevivem com 247 euros por mês passam a ter de prestar pelo menos 15 horas de trabalho por semana, ou seja, cerca de 60 horas por mês.

As contas são simples: 247 euros divididos por 60 horas resultam em pouco mais de 4 euros por hora.

Se uma empresa pagasse este valor aos seus trabalhadores, ouviríamos falar de exploração. Mas quando é o Estado a fazê-lo, tentam vender a medida como integração social, responsabilidade ou solidariedade. Não é nada disso. É exploração dos mais pobres, embrulhada em linguagem burocrática.

O mais revoltante é a mensagem que esta medida transmite: quem recebe uma prestação social é tratado como suspeito, como alguém que tem de provar constantemente que merece sobreviver. Em vez de combater as causas da pobreza, combate-se quem é pobre.

A pobreza não é um crime. Receber apoio social não é um privilégio. É um direito de quem vive em situação de necessidade. O verdadeiro escândalo não é haver prestações sociais. O verdadeiro escândalo é haver quem trabalhe uma vida inteira e continue pobre, enquanto se apontam os dedos aos mais vulneráveis para esconder os fracassos das políticas públicas.

Se o trabalho é obrigatório, paguem-no de forma justa. Se não o querem pagar, não lhe chamem voluntariado. Chamem-lhe pelo nome que merece: trabalho forçado disfarçado de política social.

Mas não te revoltes. É exatamente isso que esperam de ti.

Fonte aqui

Do blogue Estátua de Sal 

“A UCRÂNIA VAI PERDER”:



Professor Mearsheimer afirma que "o O cidenteestá a enviar ucranianos para um matador".

(tradução da entrevista)
Pergunta - Voltando à Ucrânia, partindo da ideia de que queremos que outras pessoas lutem por nós, não deveríamos encontrar mais ajuda, mais apoio para a Ucrânia?
Resposta - "A Ucrânia é um excelente exemplo disso. Um certo número de líderes europeus disse, basicamente, que deveríamos lutar até ao último ucraniano, o que considero moralmente perturbador. É exatamente isso que estamos a fazer. Os ucranianos vão perder esta guerra. Posso explicar-vos porquê. Para bem deles próprios, já deveriam ter procurado uma solução há muito tempo.
A expressão utilizada para descrever a situação demográfica da Ucrânia é a de uma «espiral de morte demográfica». A Ucrânia encontra-se numa espiral de morte demográfica e nós estamos a encorajá-los a lançar mais e mais homens para o triturador da guerra, quando irão perder de qualquer forma. Isso é moralmente perturbador, mas muitas pessoas defendem esse argumento. E, como corretamente referiu, esse é precisamente o argumento. Não vemos esses líderes europeus a combater e a morrer no terreno - nem os líderes britânicos, nem os franceses, nem os alemães. Estão muito entusiasmados com a continuação da guerra, mas isso acontece porque não são os seus povos que estão a morrer. A sua pergunta é se deveríamos dar mais ajuda. A verdade é que não deveríamos dar mais ajuda. Esse é o grande problema que Trump irá enfrentar no Médio Oriente.
Foi isso que o general Kane lhe disse quando o aconselhou a não entrar em guerra com o Irão. Disse-lhe que não dispúnhamos dos inventários de armamento necessários. Tudo isto é consequência do momento unipolar. Nós não temos o armamento. E, do ponto de vista ucraniano, tendo em conta a quantidade de armamento que estamos a utilizar, somada a tudo aquilo que fornecemos a Israel antes de entrarmos em conflito com o Irão, e que está agora a ser utilizado, teremos de substituir essas reservas. Não se trata de um poço sem fundo.
Mas há outro ponto: mesmo que tivéssemos fornecido mais armamento, isso não teria alterado o resultado. Os russos têm mais população e dispõem de uma base industrial extremamente poderosa. Eles não destruíram a sua base industrial. Nós destruímos a nossa. Se olharmos para os cenários de uma guerra contra a China no Leste Asiático, verificamos algo semelhante ao que referi anteriormente: conseguimos desempenhar-nos muito bem durante o primeiro mês, mas depois começamos a ficar sem armas. E os chineses, tal como os russos, possuem uma enorme capacidade industrial. Conseguem produzir grandes quantidades de armamento.
Voltando à questão de saber se deveríamos ter fornecido mais armas e mais ajuda aos ucranianos, existe algum elemento de verdade nesse argumento, no sentido em que se podem consumir armas a um ritmo extraordinariamente rápido.
Tomemos apenas os mísseis Tomahawk durante a guerra com o Irão. Temos cerca de 4.000 mísseis Tomahawk no total. É possível esgotar 4.000 mísseis Tomahawk em apenas duas semanas. Mais uma vez, foi isso que o general Kane disse a Trump. Trump pensava que conseguiria resolver rapidamente a situação. Mas se não a resolver rapidamente, começa a surgir um problema sério".
Pergunta - Tenho uma pergunta. Em fevereiro de 2022, a Rússia iniciou uma incursão militar contra a Ucrânia. Pode indicar três razões, do ponto de vista russo, para essa intervenção militar, e como avalia a validade de cada uma delas?
Resposta - "Jennifer ficará satisfeita por ouvir isto, mas eu só tenho uma razão. E essa razão foi uma guerra preventiva, motivada pela expansão da NATO. Em abril de 2008, a NATO anunciou que pretendia integrar a Ucrânia na aliança. Os russos ficaram furiosos e Putin disse-nos, sem qualquer ambiguidade, que isso nunca iria acontecer.
Bill Burns, que viria mais tarde a ser diretor da CIA sob a presidência de Joe Biden, era, nessa altura, em abril de 2008, embaixador dos Estados Unidos em Moscovo. Escreveu um famoso memorando dirigido a Condoleezza Rice no qual afirmou que tinha falado com praticamente toda a elite de segurança russa, incluindo os setores mais duros do Kremlin, e que nunca tinha encontrado alguém que não considerasse a adesão da Ucrânia à NATO uma ameaça existencial.
Apesar disso, os Estados Unidos acreditaram que poderiam impor a expansão da NATO à Ucrânia da mesma forma que haviam imposto a adesão da Polónia, da Hungria e da República Checa em 1999, bem como a grande vaga de alargamento de 2004. Quando os russos protestaram em 2008, respondemos que isso era irrelevante e continuámos a avançar. Os russos disseram que isso não iria acontecer, que a Ucrânia não faria parte da NATO. E, em fevereiro de 2022, a Ucrânia estava a tornar-se, na prática, um membro de facto da NATO. Foi então que os russos invadiram".
Pergunta - tenho uma pergunta muito curta. Como avalia os acontecimentos de fevereiro de 2014 - aquilo a que os russos chamam um golpe de Estado contra Yanukovych - como uma das causas da guerra na Ucrânia, da guerra iniciada em 2014 e que continuou até fevereiro de 2022?
Resposta - "Vou falar sobre o que aconteceu em 2014. Foi em 2014 que a crise na Ucrânia começou verdadeiramente, embora ainda não a grande guerra. Como referiu, foi em 2022 que a guerra em larga escala começou. Em 24 de fevereiro de 2022, o exército russo lançou a sua invasão em grande escala.
Mas em fevereiro de 2014 foi quando ajudámos a derrubar o líder democraticamente eleito da Ucrânia. Foi aí que a crise começou. Não lhe chamamos guerra porque o número de mortos ainda era relativamente reduzido para ser classificado dessa forma. Mas foi em 2014 que o problema começou. E aquilo que descreveu como um golpe de Estado, quando Yanukovych foi afastado do poder, constituiu a origem de enormes problemas.
Foi nessa altura que os russos tomaram a Península da Crimeia. Foi também nessa altura que começou a guerra civil no leste da Ucrânia, na região do Donbass. Oito anos mais tarde, essa crise transformou-se numa guerra em larga escala. E não há dúvida de que os acontecimentos de 2014, aquilo a que chamou golpe de Estado e que levou à queda de Yanukovych, foram importantes para os russos. Porque os russos interpretaram esses acontecimentos como mais um passo da expansão da NATO para leste e como o surgimento de uma ameaça extremamente séria à sua segurança".
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João Gomes  

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O Pedro (Passos Coelho) e o Luís (Montenegro):

 

O Luís deve estar a governar tão mal que até o Pedro, que foi um desastre, se acha no direito de pensar que é capaz de fazer melhor.

Não é estranho que o Pedro queira voltar, sobretudo ao ouvir o que dizem dele os que elogiariam qualquer indigência política da mesma origem partidária, o que surpreende é que o levem a sério.

Não vale a pena trazer à colação o que foi a catástrofe da sua chegada ao poder, para o País e para o próprio PSD, sobretudo para este que pode não se ressarcir de tão trágica herança. Bastaria lembrarmo-nos que o Pedro foi um produto de Miguel Relvas e Marco António, que chegou ao poder porque o obrigaram a dar o dito pelo não dito depois de se ter comprometido a apoiar o PEC-IV.

É ocioso lembrar que a crise das dívidas soberanas não foi responsabilidade do governo de turno, no caso liderado por José Sócrates, mas uma das crises cíclicas do capitalismo prevista por Marx, um nome diabolizado, vá-se lá saber porquê. Dizer que o PEC-4 teria poupado Portugal às consequências mais gravosas é uma heresia, apesar das evidências de que o plano, aprovado pela senhora Merkel, teria resultado, como planos semelhantes resultaram noutros países.

Mas falar disso é tão grave como reconhecer o mérito do Governo da Geringonça na recuperação, governo que, meia dúzia de anos volvidos, passou de virtuoso a diabólico.

À guisa de provocação deixo aqui uma certeza, não foi a venalidade de Ricardo Salgado que fez falir o Banco Lehman Brothers, foi a crise das dívidas soberanas cujas ondas de choque arrastaram numerosos Bancos pelo mundo. Ricardo Salgado, o banqueiro em cuja casa foi preparada a candidatura de Cavaco a PR, com os casais Marcelo, Durão Barroso e o próprio Aníbal, foi também vítima da crise. As suas fraudes de milhões são uma gota de água nos milhares de milhões de euros que a crise e o governo do Pedro custaram a Portugal.

Se houvesse memória, era escusado lembrar o fracasso do governo do Pedro, a tragédia das privatizações e a sua absoluta indigência ética, política e cultural.

Bastaria lembrar a abolição dos feriados do 1.º de Dezembro e 5 de Outubro para termos a certeza de estar perante um apátrida amoral, analfabeto e inimputável.

Na véspera da mais humilhante derrota dos EUA no Irão, e, com ela, de todos os aliados, ou de uma guerra com risco de se globalizar e englobar a que se trava na Ucrânia, a luta entre o Pedro e o Luís é uma guerra entre duas inutilidades com aplausos e apupos das bancadas.

Do período académico do Pedro e da companhia com Sousa Lara, que o convidou para catedrático, fica apenas o fino recorte da linguagem que se refina entre almocreves e que agora trouxe para o espaço mediático, curiosamente na apresentação de um livro.

Ordem apresentou participação contra Carlos Alexandre após queixas de vários advogados:

O Conselho Superior da Magistratura reuniu-se esta segunda-feira, mas para decidir se há matéria para abrir processo disciplinar, foram pedidos mais elementos à Ordem.

Foi a Ordem dos Advogados que fez a participação contra Carlos Alexandre por causa das polémicas publicações nas redes sociais.

À SIC, o Bastonário explicou esta segunda-feira que apresentou a participação depois de ter recebido queixas de vários advogados relacionadas com publicações do juiz desembargador, que agora ocupa o cargo de presidente da comissão de combate à fraude no SNS.

O Conselho Superior da Magistratura reuniu-se esta segunda-feira, mas para decidir se há matéria para abrir processo disciplinar, foram pedidos mais elementos à Ordem.

“Entre outros assuntos, o Plenário deliberou: solicitar à Ordem dos Advogados a concretização dos factos que levaram à participação apresentada relativa ao juiz desembargador Carlos Alexandre, por considerar necessário dispor de elementos adicionais que permitam a sua adequada apreciação.”

O que está em causa?

Os comentários de Carlos Alexandre são escritos em nome próprio, normalmente em notícias divulgadas no Facebook. Por exemplo, sobre a Operação Influencer, processo que continua vedado a António Costa. Há críticas a outros políticos do Partido Socialista (PS), como Helena Roseta.

Ironias, críticas e elogios: Carlos Alexandre arrisca processo disciplinar por comentários polémicos no Facebook

Depois de abandonar o Parlamento durante o discurso de André Ventura no 25 de Abril, o juiz recorre ao sarcasmo para se pronunciar sobre a residência de António José Seguro. O Presidente da República decidiu continuar a viver nas Caldas da Rainha em vez de ocupar o Palácio de Belém.

Chama polvo à RTP e marajás aos administradores da televisão pública. Mas também tem elogios a dar, por exemplo ao nome decidido pelo Chega para o Tribunal Constitucional, a uma intervenção pública de Pedro Passos Coelho e à eventual criação de um novo partido de direita.

Há uma hora 

domingo, 31 de maio de 2026

A Igreja Universal do Reino dos Mirdia e a sua influência na sociedade:

(João Ferreira, in Facebook, 31/05/2026)

Há muito que deixei de chamar jornalismo ao que se pratica nos grandes grupos mediáticos do Ocidente coletivo. Para mim, e esta é a minha leitura pessoal dos factos, o que existe hoje é outra coisa: uma instituição dogmática, ritualizada e obediente que decidi batizar, com toda a irreverência que o tema merece, como Igreja Universal do Reino dos Mirdia.

Não é uma acusação leviana. É uma observação construída ao longo de anos de assistir, com crescente perplexidade, à forma como a chamada comunicação social europeia — e ocidental em geral — opera. A questão central não é a qualidade do jornalismo. É a sua independência. Ou antes, a ausência dela.

A maior parte dos grandes grupos mediáticos não sobrevive exclusivamente das receitas de publicidade. Sobrevive de participações económicas — estatais e corporativas — que criam, por definição, uma cadeia de dependências. Quando o Estado financia, o Estado espera retorno. Quando grandes fundos de investimento como a Vanguard ou a BlackRock detêm participações em grupos de comunicação, a narrativa tende, curiosamente, a alinhar-se com os interesses de quem paga. Não por acaso, o Sr. Friedrich Merz, que hoje governa a Alemanha, foi anteriormente presidente do conselho de supervisão da BlackRock em território alemão. São coincidências que prefiro não ignorar.

A este quadro económico de captura mediática, some-se o quadro político. A senhora Ursula von der Leyen, em nome da União Europeia, proibiu canais e meios de comunicação que não seguiam a narrativa dominante. O critério não foi a desinformação provada — foi o desvio doutrinário. Canais foram encerrados não por mentirem, mas por divergirem. Numa democracia saudável, isso chama-se censura. No léxico da Igreja dos Mirdia, chama-se “proteção do espaço de informação”.

E é precisamente aqui que a analogia religiosa se torna mais pertinente. Aquilo a que assisto diariamente nos grandes canais e estações não são debates — são missas. Não são entrevistas — são homilias. Os jornalistas foram substituídos por ativistas com credenciais de imprensa.

Os analistas independentes foram substituídos por especialistas de serviço, comentadores que circulam entre redações com a mesma mensagem pré-fabricada, artistas da propaganda que António Gramsci teorizou com precisão cirúrgica e que Joseph Goebbels ensaiou com eficiência brutal.

O resultado está à vista. Décadas de injeção sistemática da cultura woke — uma anestesia cultural sofisticada — produziram uma audiência que perdeu, em grande medida, a capacidade crítica. Não pensar tornou-se confortável. É mais fácil absorver uma mentira bem repetida do que investigar fontes independentes, comparar versões e procurar, no espaço entre narrativas, onde mora a verdade. A preguiça intelectual não é um acidente — é um produto cultivado.

E tudo isto tem, naturalmente, um objetivo. Um cidadão domesticado, bem nutrido de indignações selecionadas e certezas pré-digeridas, paga os seus impostos satisfeito e convicto de que o dinheiro está em boas mãos. Mesmo quando esse dinheiro segue diretamente para o financiamento da guerra.

Esta é a minha leitura. Posso estar errado em alguns detalhes. Mas a arquitetura do sistema que descrevo — a captura económica dos média, a dependência política, o ativismo disfarçado de jornalismo, o cidadão infantilizado — não é uma teoria da conspiração. É observável. É verificável. E é, para mim, inaceitável chamar-lhe democracia sem corar.

Fonte aqui

Do blogue Estátua de Sal