Rádio Freamunde

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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Tensões sobem enquanto a China alerta os EUA contra o bloqueio de Hormuz, jura proteger as rotas de energia…

Pequim/Washington — China emitiu um aviso severo a Washington no domingo, declarando que qualquer tentativa unilateral dos EUA de bloquear o Estreito de Hormuz é "completamente inaceitável" e representa uma grave ameaça à segurança energética global. A declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês veio poucas horas depois do Presidente Donald Trump anunciar que a Marinha dos EUA começaria a interceptar navios ligados aos portos iranianos, uma escalada que já fez com que os preços do petróleo subiram para além de $100 por barril. Significativamente, dados de rastreamento militares confirmaram que a fragata Daqing da Marinha Chinesa tem mantido silenciosamente uma presença contínua perto do estreito na última semana, um analista de destacamento interpreta como um sinal claro de que Pequim está preparada para salvaguardar fisicamente o ponto crítico de estrangulamento através do qual cerca de 80% da China fluxo de importações de energia. Com Pequim a responder por mais de 90% das exportações de petróleo sancionadas pelo Irão, o movimento dos EUA está a ser visto menos como um aperto direcionado em Teerão e mais como um desafio direto para as cadeias de abastecimento chinesas que corre o risco de atrair as duas superpotências para um perigoso impasse económico ou militar em Golfo Pérsico. À medida que os mercados asiáticos se preparam para potencial escassez de combustível e os prémios de seguro de transporte aumentam, os críticos argumentam que o jogo agressivo de Trump pode ser um erro estratégico que isola os principais aliados europeus e asiáticos enquanto inadvertidamente pressionam a China a militarizar ainda mais as suas linhas de vida energética.

domingo, 12 de abril de 2026

Mais incertezas do que certezas:

(José Carmona, in Facebook, 12/04/2026, Revisão da Estátua.)

Tense peace talks in Islamabad with participants holding torn peace agreement, secret deal, and weapons
Imagem gerada por IA
O que se passou este fim de semana em Islamabad não foram negociações: foi uma farsa. Uma farsa montada pelos EUA com desígnios que iremos perceber em breve, mas que, seguramente, passam pela necessidade de ganhar tempo.

O Irão cedo percebeu que não se tratava de negociações, mas acabou por aceitar estar presente para que não recaísse sobre si o ónus de as inviabilizar. Fez bem. Tal como é perfeito o seu comunicado final.

Tudo nesta guerra é um tremendo disparate americano, não israelita. Israel tem um plano genocida e expansionista para o Médio Oriente e esta fase – o aniquilamento do Irão – era essencial, sendo para isso necessária a intensa colaboração americana. E o momento histórico era único e tinha que ser aproveitado: dificilmente tornaria a ter um POTUS tão tosco e tão permeável às suas intenções.

Tudo na atuação israelita é racional, dentro do seu magno plano sionista. Quanto aos EUA, o único interesse que poderiam ter, nesta estúpida aventura, seria minar o terreno à China, mas esta foi seguramente a pior via para o conseguir. Do estrito ponto de vista pessoal de Trump, o único interesse visível seria desviar as atenções da pressão brutal em que se estava a tornar o caso Epstein, e isso pelo menos momentaneamente conseguiu. É a única racionalidade que se consegue descortinar na intervenção americana, mas ainda assim estúpida, pelo alto preço envolvido.

Trump foi enganado por Netanyahu, isso parece seguro, tal como parece seguro que não sabe como sair do atoleiro em que se meteu e em que meteu o seu país. A grande questão agora é saber como vai reagir o menos racional dos estadistas mundiais e o mais imprevisível de entre eles: uma fuga para a frente, ou uma saída pela esquerda baixa?

O estado de destruição a que levou o seu movimento MAGA, o perigo iminente de queda abrupta do Império, uma réstia de bom senso entre os seus mais próximos colaboradores (já todos um pouco fartos dele) talvez o levem a uma decisão mais ponderada do que aquilo que é costume. Se escalar a guerra, os perigos são enormes e tal colidirá com os interesses económicos do capitalismo mundial. Provavelmente, nesse caso, será destituído ou assassinado.

Israel, por seu lado, se for abandonado no meio da batalha, não poderá prosseguir com o seu plano, pelo menos para já e para os tempos mais próximos e Netanyahu terá que enfrentar a ira do seu povo e os casos em tribunal em que está mergulhado. A carreira dele terminará aqui. Quer Trump opte pela saída, quer seja impedido, os EUA nunca lhe permitirão (a Israel) o uso de armas nucleares, o que seria a tentação óbvia. O único risco de utilização de armas nucleares – que torna a situação absolutamente descontrolada e provavelmente final – é haver mais uma loucura de Trump, que não seja bloqueada pela sua entourage ou pelo próprio sistema. É possível, mas pouco provável.

Resta uma parte importante da equação: o que fará o Irão perante a derrota dos EUA? O apoio da China e da Rússia permitir-lhe-á continuar, mas esse apoio não é desinteressado e tem por detrás o interesse em desgastar os EUA, mas à custa do Irão. E o Irão sabe isso. Os seus dirigentes são hábeis e inteligentes.

Contudo, não é de descartar que tente aproveitar a situação para deixar Israel em estado lastimável e convocar uma aliança árabe (e não só) – que já se está a desenhar – para o ajudar.

No meio de tanta incerteza, algumas certezas há: os EUA não são o que eram e sairão daqui em pior estado; a China e a Rússia estão a ganhar com a situação e não a perder; Israel enfrenta uma situação delicadíssima, como nunca lhe tinha acontecido e que pode consistir numa ameaça existencial; o Irão ultrapassou todas as expetativas de capacidade militar; o movimento MAGA está destruído; Israel não é invencível; Netanyahu enganou Trump; o povo iraniano uniu-se em torno do regime; foram abertas fissuras na relação Israel-EUA.

Do blogue Estátua de Sal

NOVIDADES_

A admissão da queixa de José Sócrates pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem põe termo à miserável propaganda dos sicofantas locais a pretenderem que tal queixa nunca seria aceite por pretensa inviabilidade.

A admissibilidade declarada da queixa e o início da sua tramitação, com a notificação ao Estado para se pronunciar, deveria deixar esta gente de sobreaviso. Mas só a desgraça das respectivas carreiras acordará tais funcionários do seu perverso torpor.

A propósito, a perseguição gizada quanto aos defensores de José Sócrates, que se sentiram forçados a renunciar, teve já um primeiro desfecho com o arquivamento liminar da queixa do bastonário Massano contra José Preto.

(É a primeira vez na história da Ordem dos Advogados que um bastonário ousa colaborar na perseguição a advogados defensores, contra a liberdade de constituição de mandato forense, contra a liberdade de exercício e contra a proibição legal de impedimento do patrocínio forense).

E mais coisas ocorrerão proximamente, das quais é prematuro falar.

Joseph Praetorius 

O que une um governante, uns banqueiros e uns bispos?

 (Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 10/04/2026)

O que há então de comum entre um governante, uns banqueiros e uns bispos, para lá de todas as boas acções e toda a recta conduta de que todos dão provas, cada um em seu sítio? O dinheiro, o amor ao dinheiro. Eis o que os une.

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Do blogue Estátua de Sal

sábado, 11 de abril de 2026

Artemis II: Quando a realidade morde:

(António Gil, in Substack.com, 11/04/2026, Revisão Estátua) 


Ninguém mais se importa com fantasias.

Já assistimos a todos tipos dos ditos reality shows (enfim, eu nunca vi muito ‘disso’, algumas vezes porém não pude escapar, ou por estar num café, ou noutra casa que náo a minha).

O tema pode variar muito, desde ‘O Aprendiz’ em que um tipo na altura mais ou menos ignoto despedia os ‘incapazes’ até, mais recentemente ao ‘ Big Brother’ , ‘Quem quer casar com um Agricultor?’ etc…

modus operandi porém é sempre o mesmo: trata-se de ‘abduzir’ pessoas da sociedade, com o seu próprio consentimento, e expô-las diante do circo mediático.

Claro que isso requer castings, os produtores sabem bem que há gente inadequada para os seus propósitos. Vocês nunca viram ninguém desdentado num programa desses, ou viram?

E esse é só um dos requisitos; há muitos, mas muitos outros, mesmo. Creio mesmo que além das entrevistas, também há treinos. Só para ter a certeza de que ninguém vai mijar fora do penico.

Pensando nisso, acho as ‘viagens à Lua’ ali pelos fins da década de 60 e inícios da década de 70 foram uma experiência pioneira, nisso tudo. Com uma pequena – talvez grande – diferença: as sessões de casting eram restritas a um grupo já previamente seleccionado.

E dessa selecção prévia, só uns poucos foram considerados aptos. No resto foi muito semelhante: os escolhidos foram devidamente ‘afastados’ do mundo. Viveram meses numa ‘atmosfera’ particular.

Depois de devidamente escolhidos foram filmados, como é de bom tom, tratando-se de reality shows. A tecnologia disponível na altura era no entanto superior, por isso não pode mais ser reproduzida, como se diz.

O realizador era de facto um cineasta de topo. Os actores tiveram de passar por um apertado coador, foram treinados – por exemplo – para mergulhar em piscinas, porque a água ameniza a gravidade dos corpos. Quem já saltou submerso sabe disso.

O filme teve grande sucesso, não nas salas de cinema mas na televisão – reality show, lá está. E agora mais de meio século depois, fez-se uma reprise.

O realizador era mais básico, embora pudesse dispor de uma panóplia de efeitos especiais inexistente na altura. Os actores também pareceram mais impreparados.

Todos os erros dectectados na altura, continuaram presentes e ainda se lhes juntaram alguns mais. Mesmo no aspecto das telecomunicações, numa era dita da ‘informática’.

A Terra, o planeta, continua a ser aquela esfera mais perfeita do que uma bola de futebol. As nuvens não se moveram. As estrelas apagaram-se. E há objectos levitantes que não têm sombra, na cápsula.

Para piorar tudo, em dado momento, perdeu-se o contacto com a Artémis II, coisa que nunca tinha acontecido antes. Ninguém se lembrou de usar um telefone com fios e discagem de números, que resultou tão bem, quando Nixon estabeleceu ligação com a nave Apolo. Por que não? Na altura resultou.

Perdeu-se essa tecnologia, a dos telefones com fios. Perdeu-se a capacidade de alunar. Perdeu-se tudo, excepto a esperança de que os humanos tenham batido no fundo, quanto ao que se chama racionalidade.

Na altura, os EUA estavam prestes a retirar-se do Vietname, uma derrota humilhante. Agora porém é diferente, os EUA não estão a perder guerra nenhuma. Ou estão?

Já não há certezas de nada, sobre nada. Mas este último reality show foi um flop e ninguém quis saber. A maioria das pessoas talvez estivesse ocupada com outras coisas. Como por exemplo, tentando abastecer os automóveis antes da próxima subida de preço dos combustíveis.

Moral da história: quando a realidade morde, ninguém liga mais a fantasias.

Fonte aqui

Do blogue Estátua de Sal

A delegação iraniana:

Chega com solenidade ao Paquistão, não de baraço ao pescoço, mas segura e orgulhosa com os dez pontos do seu plano resultante da surpreendente vitória militar alcançada. Os iranianos não se deixaram intimidar pela imensa força que se argamassou nas suas fronteiras. Ao fim de seis semanas, objectivo algum alardeado pelos agressores foi atingido: mudança de regime, capitulação e desmantelamento das centrais produtoras de urânio enriquecido. Sintomaticamente, foram os americanos e não os iranianos a pedir o cessar-fogo, pelo que ganha relevância o facto de a delegação norte-americana ser encabeçada por JD Vance, o homem que nunca subestimou as capacidades do Irão e mais veementemente se terá oposto ao desencadear da guerra. Vance sabe, como todo o mundo o sabe, que o conflito entre os EUA e o Irão é artificial, pois que resulta apenas da pressão exercida pelo todo-poderoso lobby sionista no interior do Estado norte-americano. Essa artificialidade foi há muito reconhecida pela administração Reagan ao comprometer-se, por ocasião da libertação dos reféns norte-americanos, a não se imiscuir nos assuntos internos do Irão. Aguardemos os desenvolvimentos.

Miguel Castelo Branco

UM JEITO MANSO: O Tó Zé Seguro, o SNS, o Governo e o Rutta -- E c...

UM JEITO MANSO: O Tó Zé Seguro, o SNS, o Governo e o Rutta -- E c...:   Segundo o Expresso, Belém (será que continua a existir a fonte de Belém?) vai preparar um relatório sobre a Presidência aberta do Seguro. ...