Rádio Freamunde

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segunda-feira, 20 de abril de 2026

O Narciso do poder:

O mundo está mergulhado em crise! Hoje, como há 100 anos atrás, as populações de vários países caíram no erro de se deixarem governar por pessoas sem princípios e mestres na arte de vender falsos morais! Mas por detrás de todo o discurso dos bons costumes, está apenas um único objectivo: alcançar o poder total!

Por Ricardo Jorge Neto

No pináculo, de todo este movimento, está o líder da nação norte-americana Donald Trump. Tal como Narciso, que se achava o ser mais belo do mundo, Donald Trump chama a si toda a sua magnificência, achando-se o ser mais poderoso e inteligente à face da Terra.

Em comum com a beleza e o poder, temos a capacidade de atração, e no caso de Narciso, como este era tão belo, fez com que muitos se apaixonassem por ele, contudo todos acabaram ignorados e renegados.

O mesmo vai acontecendo com Trump, que vai atraindo e contaminando países com o seu discurso populista, mas o resultado final é semelhante ao do belo Narciso.

Ainda recentemente a ex-procuradora geral Pam Bondi, que na audição na Câmara dos Representantes, sobre os ficheiros Epstein, defendeu Trump de forma alucinada, expressando todo o seu amor e fidelidade ao mestre republicano, viu toda a sua paixão ser rejeitada na hora de ser demitida.

E não podemos esquecer a ‘’ninfa’’ portuguesa, André Ventura, que viajou até Washington D.C. para bajular Trump, mas acabou esquecido e do lado de fora da tomada de posse do amado!

Com os acontecimentos do último mês, parece que a lenda de Narciso ainda mais se assemelha à governação de Trump, com a diferença de esta última não ser uma lenda, e ser uma dura realidade para todos…

Narciso sucumbiu afogado, após se atirar ao rio, de forma a encontrar o jovem belo que vira no seu reflexo. No caso do líder norte-americano, contaminado por Nethanyahu, uma espécie de Iago da peça Otelo de Shakespeare, Trump viu no Irão, o poder que lhe faltava, e num acto sem sentido, atirou-se de cabeça para o estreito de Ormuz…

Mas ao contrário do que pensara, as águas agitadas do Médio Oriente estão a engoli-lo, porque afinal o Irão é uma espécie de gato de sete vidas, que ainda está na sua terceira vida ou terceiro líder supremo!

Foi um erro colossal pensar que, matando Ali Khamenei, a vitória estaria garantida.

E tudo isto me fez lembrar a curiosa história do atleta norte-americano Jim Thorpe, que, pouco antes de entrar em prova nos Jogos Olímpicos de 1912, viu alguém roubar-lhe as sapatilhas.

O larápio pensou, que roubando-lhe as sapatilhas, também teria a vitória assegurada; contudo, Jim Thorpe foi procurar uma solução no lixo, e encontrou duas sapatilhas de tamanhos e feitios diferentes, calçou-as e venceu duas medalhas de ouro…

Ainda não sabemos quem vai vencer no final desta crise, mas já tenho uma certeza: há uma elite a ganhar muito ouro, enquanto o povo está a ficar descalço! 

OPINIÃO

Gazeta Paços de Ferreira

“Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa”:

Colo aqui parte de uma entrevista a Nuno Cassola, actual professor na Universidade Milão Bicocca. Trabalhou cinco anos no Banco de Portugal, antes de ingressar no Banco Central Europeu onde esteve 20 anos nas direcções de Política Económica, de Mercados, de Investigação e de Supervisão.

Entre vários assuntos da actualidade (China, EUA, Irão, dólar, euro, soberania europeia, Trump, etc.), há um particularmente interessante sobre a vinda da Troika para Portugal.

Para quem não se recorde, na altura houve a célebre frase de Marco António Costa “Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD“. Mas pin de Portugal na lapela é que é.

Esteve em Portugal antes da entrada da troika em 2011?
Estive, sim. A negociar o apoio do BCE ao PEC IV [Programa de Estabilidade e Crescimento], um programa que a oposição chumbou [23.3.2011] levando o Governo a cair, o que desencadeou o pedido de ajuda externa.

O que é que tinha sido acordado entre o BCE e o Governo da época, chefiado por José Sócrates?
A compra pelo BCE de títulos da dívida pública portuguesa [à volta de oito mil milhões] no mercado secundário para estabilizar as taxas de juro [os juros das obrigações a dez anos superavam os 7,75%]. Em contrapartida, era executado um programa de ajustamento sem a severidade do que viria a ser imposto pela troika [3.5.2011]. E, como bem se lembra, o Governo seguinte [Passos Coelho] disse que queria ir para além da troika. Em 2011, ainda acompanhei a troika em Portugal, antes de ir para Espanha, e nunca a troika exigiu às autoridades portuguesas tanta austeridade como a que foi feita. Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.

Ficará sempre a dúvida sobre se o PEC IV teria sido eficaz, tendo em conta a gravidade da situação portuguesa naquele momento.
O que sei é que Portugal não teria tido o traumatismo de ter dentro o FMI e teria tido, talvez, um ajustamento mais suave. Para ser rigoroso, não há certeza de que o PEC IV cumprisse as expectativas, mas realmente não era tão restritivo, e, não o sendo, talvez a banca portuguesa não tivesse sofrido tanto. Talvez, não se sabe — e não se pode saber.

Segunda parte da entrevista: Nuno Cassola: “A China quer acabar com a hegemonia do dólar, mas não quer ter a moeda dominante”

20/04/2026 by  

Do blogue Aventar

Começa a semana com isto:

Justiça marca julgamento de Sócrates contra o Estado logo depois de ter sido apertada pelo tribunal europeu

NOTA

Há nisto motivo para algum escândalo? Não, pá. O amor à liberdade e a coragem para a defender estão muito longe das preocupações dos nossos magistrados, dos nossos políticos, dos nossos jornalistas e dos nossos vizinhos. É sempre assim: vale tudo, enquanto toca aos outros.

 por Valupi

Do blogue Aspirina B

O ataque ao Irão e o Grande Israel:

 (Por José Goulão, in SCF, 18/04/2026, revisão da Estátua)

Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

Eliminar o Irão é uma obsessão sionista e também a condição que falta cumprir para desenhar “um novo Médio Oriente”.

Existem dois grandes interesses convergentes para liquidar o Irão independente. Washington pretende “terminar o trabalho” de conquista estratégica da Ásia Ocidental iniciado com a destruição do Iraque, em 1991, e continuado em 2003. O sionismo quer dar um grande e decisivo passo para a criação do Grande Israel, um velho sonho colonial.

A conquista sionista do território do “Nilo ao Eufrates” pouco tem a ver com a ambição do “regresso do povo eleito à terra prometida”.

Israel é um Estado colonial habitado por estrangeiros, maioritariamente oriundos de comunidades de judeus convertidos da Europa e dos Estados Unidos, populações que nada têm a ver etnica e culturalmente com os palestinianos praticantes da religião judaica.

O Grande Israel seria um imenso território geoestratégico, decisivo para assegurar o domínio sionista sobre toda a região, a rogo do imperialismo de matriz ocidental.

Para isso é necessário um novo “desenho” do Médio Oriente, só possível com a liquidação dos regimes nacionalistas e independentes ali existentes. O imperial-sionismo começou por destruir o Iraque, seguiu para a Líbia e para a Síria, neutralizou o Egipto, massacra o Líbano e continua a exterminar o povo palestiniano.

Para concluir o “trabalho” falta eliminar o Irão. Por isso, o cessar-fogo não tem qualquer solidez. O Irão sabe que Israel tomará a iniciativa – o que já está a acontecer no Líbano – e, mais uma vez, forçará Trump a seguir a sua estratégia. Entretanto, o presidente dos Estados Unidos multiplica provocações, com a tentativa de bloqueio aos portos iraniano, para obrigar Teerão a atacar a sua marinha e ter um alegado pretexto para romper o cessar-fogo.

Israel investiu forte nesse objectivo de tirar o Irão independente de cena. O Mossad conseguiu mesmo recrutar  o comandante supremo da Guarda Revolucionária, general Ismail Qaani. A Guarda Revolucionária é o corpo militar de elite da República Islâmica e o fulcro do “Eixo de Resistência” – formado por Teerão, o Hezbollah libanês e o derrotado regime nacionalista sírio – ainda a única resistência ao imperialismo na região.

O general Qaani foi o sucessor do mítico general Qassem Suleimani e chegou ao cargo depois de este ser abatido por ordem de Trump num atentado milimétrico no aeroporto de Bagdade, em Janeiro de 2020.

A traição de Qaani acabou por ser exposta devido aos sucessivos “milagres” que acompanharam a sua vida  recente:

em Setembro de 2024 abandonou uma reunião num incógnito bunker no sul de Beirute minutos antes do brutal bombardeamento israelita que matou o chefe do Hezbollah, Hassan Nasralah, e a cúpula do partido;

em Julho do mesmo ano, o chefe do Bureau Político do Hamas, Ismail Hanieh, foi assassinado pelo Mossad quando se encontrava sob protecção de Qaani em instalações de alta segurança da Guarda Revolucionária, em Teerão;

ainda em 2024, em Teerão, o general Qaani escapou de um bombardeamento preciso e letal a um edifício que abandonara pouco antes de ser bombardeado pelos Estados Unidos;

em 28 de Fevereiro último, o chefe da Guarda Revolucionária esteve na reunião com o ayatollah Khamenei e a maioria dos altos dirigentes iranianos, mas saiu do edifício oito a 15 minutos antes do bombardeamento que liquidou o líder espiritual;

nesse mesmo dia, os bombardeamentos da aviação norte-americana e israelita foram de uma enorme exactidão contra muitas das mais sensíveis instalações de defesa da República Islâmica.

Apesar da traição e das consequências desastrosas da agressão, o Irão está a recompor-se, resiste, contra-ataca e forçou um cessar-fogo humilhante para o imperial-sionismo. As ditaduras do Golfo, Israel e as bases militares norte-americanas na região acumulam danos e não tiveram um dia de descanso sob os mísseis e drones iranianos. Teerão fechou o estratégico Estreito de Ormuz e mantém a economia mundial sob crescente pressão, de tal modo que Trump chegou a pedir auxílio aos países europeus da NATO e, imagine-se, à China Popular para quebrar o bloqueio. A tentativa de bloqueio dos portos iranianos tem igualmente como objectivo fazer represálias à China, devido à oposição deste país à agressão ao Irão.

Os povos que habitaram e habitam o planalto iraniano ao longo de milénios aprenderam que a defesa contra inimigos tecnologicamente superiores se faz com resistência, organização e paciência. E que a guerra de atrito se trava à distância, por pressão indirecta e prolongada no tempo. O imperialismo, por seu lado, começa a dar sinais de que o tempo não joga a seu favor.

A resistência do Irão independente é fulcral. A sua derrota representaria um enorme reforço do domínio estratégico do imperialismo sobre a fundamental Eurásia. Seria ainda como uma larga porta aberta para a construção do Grande Israel e um passo de gigante para a imposição do desumano regime globalista neoliberal. Os povos do mundo ficariam então numa situação aterradora.

Fonte aqui

Do blogue Estátua de Sal

“Quando ouvimos qualquer um dos governantes da Direita, chegamos a esta conclusão:

As elites endinheiradas perderam a noção da realidade da população, pois enquanto vivem para extrair dinheiro dos outros, condenam os outros a contar tostões e cêntimos, e a passar fome e necessidade de tudo.

Por terem tanto dinheiro fácil, feito no tráfico de influências entre elites, em que pagam assinaturas de autorização do roubo do orçamento público a peso de ouro e diamantes, e só viverem para estes deuses, não sabem o que é viver com os salários baixos, que pensam que dão generosamente aos governados.
Têm uma narrativa cor-de-rosa; vivem na lua!
Por ser fácil, no mando, empobrecer os clientes e eleitores com preços inflacionados e impostos esbanjados em mordomias dos dirigentes, para fazer novos ricos!
São vendidos ao sistema ganancioso da corrupção capitalista. Vendem ilusões, mentindo e aldrabando descaradamente, sem pingo de vergonha, como os piores vendilhões vigaristas e avarentos, como cães esfomeados por bens materiais!
Ou nos livramos deles, ou eles se livram de nós..., pois arrastam o mundo para a desgraça!
Tudo aplicado ao que se passa noutras geografias…”
(José Macedo de Barros)

A BALANÇA DA UE E O PESO DAS DECISÕES:

Há momentos na política europeia em que não são os grandes discursos nem as cimeiras solenes que definem o rumo - mas sim pequenos deslocamentos de peso, quase impercetíveis à primeira vista, que acabam por inclinar a balança. A União Europeia vive hoje um desses momentos.
Durante meses, a figura de Orbán simbolizou, para muitos, o principal obstáculo à fluidez das decisões europeias no apoio à Ucrânia. A sua recente derrota política foi recebida com um certo alívio em várias capitais: a ideia de que um dos maiores focos de bloqueio poderia finalmente dissipar-se. Mas a política raramente funciona em linha reta - e o vazio deixado por um ator tende a ser rapidamente ocupado por outros.
É neste contexto que emerge a vitória de Rumen Radev na Bulgária. Não como uma rutura abrupta com o projeto europeu, mas como um sinal claro de mudança no equilíbrio interno da União. Radev não representa uma saída, mas representa uma hesitação - e, em tempos de guerra e pressão geopolítica, a hesitação tem peso.
Ao mesmo tempo, Robert Fico mantém-se no centro da equação na Eslováquia, consolidando uma posição crítica face ao apoio militar direto a Kiev. Não é um ator isolado, nem um caso excecional. É parte de um padrão mais amplo: o de líderes que, sem romper com a União, procuram redefinir os termos da sua atuação externa, sobretudo quando os custos internos começam a tornar-se politicamente sensíveis.
O resultado não é um bloqueio imediato, nem uma inversão dramática das políticas europeias. O que se desenha é algo mais subtil - e talvez mais determinante: um reequilíbrio.
A balança da União não pende agora claramente para um lado ou para o outro. Em vez disso, oscila. E essa oscilação traduz-se em decisões mais lentas, em negociações mais densas, em compromissos mais trabalhados. O apoio à Ucrânia não desaparece, mas deixa de ser automático. Passa a ser discutido, condicionado, faseado.
Este novo equilíbrio revela uma tensão estrutural dentro da Europa contemporânea: por um lado, a necessidade estratégica de manter uma frente unida perante a Rússia; por outro, a pressão crescente das realidades internas - económicas, sociais e políticas - e agora energéticas - que levam alguns governos a questionar o custo e a duração desse compromisso.
A vitória de Radev não substitui Orbán. A presença de Fico não determina sozinha o rumo europeu. Mas juntos - e potencialmente acompanhados por outros atores mais discretos - contribuem para uma transformação silenciosa: a passagem de uma Europa de decisões rápidas para uma Europa de decisões pesadas. E talvez seja essa a verdadeira questão do nosso tempo.
Não se trata apenas de saber se a União Europeia continuará a apoiar a Ucrânia. Trata-se de perceber como o fará, com que intensidade, e por quanto tempo. Porque, no fim, a força de uma união não se mede apenas pela direção em que caminha, mas pela capacidade de manter o equilíbrio quando os pesos se deslocam. A balança não quebrou. Mas também já não está imóvel.
E, numa Europa onde cada decisão exige consenso, o simples ato de pesar - de hesitar, de negociar, de recalibrar - pode tornar-se tão decisivo quanto o próprio resultado.

João Gomes 

domingo, 19 de abril de 2026

Dominguice:

O debate entre o Pacheco e o chungo foi sensacional. O comentariado e o editorialismo ficaram em polvorosa. No que apanhei, e fazendo uma estatística à padeiro, houve 80% a queixar-se de ter sido um horrooooooor o que se passou, castigando o Pacheco, e 20% aplaudiram e agradeceram a iniciativa, porque quem cala consente. Estou do lado desta minoria, mas não por causa do Pacheco. Seja quem for que pretenda discutir política, ou moral, ou religião, ou história com a alimária terá a minha admiração. Pode ser um professor universitário ou o Zé dos anzóis, analfabeto. O meu interesse pelo desfecho seria igual. Calhou ser o Pacheco, e aconteceu algo previsível: o evento revelou-se inútil. Isto porque o Pacheco está velhinho, e está velhinho já há umas décadas, por isso foi para lá com a esdrúxula expectativa de esmagar o seu interlocutor com argumentos de autoridade. Os livros, os artigos, os números que levava ofuscaram-lhe a inteligência, deixaram-no indefeso perante a cultura de taberna que faz o estilo do chunga. Rapidamente se enervou, assim revelando soberba falta de preparação, não tendo discernimento para compreender o que devia ali fazer.

E que devia ele ter feito? Perguntas. E mais perguntas. Os pulhas odeiam perguntas, assim os conhecereis.

 por Valupi

Do blogue Aspirina B