Rádio Freamunde

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terça-feira, 14 de julho de 2026

Sobre a modernidade na correcção, perdão, classificação, dos exames nacionais:

Aqui está um vídeo picante para Fernando Alexandre. Quando ele o vê, até deve fraquejar das pernas.

As questões seguintes não interessam para nada perante este aparato de modernidade (apesar de parecer modernidade do tempo da revolução industrial).

1. Este esforço todo para algo efémero, que perde valor em algumas semanas, é justificável?

2. Acrescenta algo à anterior classificação manual, quando, com esta, apenas 1.52% das provas tinham a classificação alterada devido aos pedidos de revisão dos alunos? (dados do PÚBLICO; 2*0.76=1.52)

Dantes: trabalho feito com os recursos já existentes no Estado, a tempo e horas e com fiabilidade. Agora: investimentos em crescendo, qualidade duvidosa e prazos a resvalarem. Mas, atenção, é moderno.

Tive a sorte de entrar para a Universidade no ano anterior à PGA. Sorte porque pude fazer o secundário do princípio até ao fim sem grandes alterações de programa, com a mesma fórmula de cálculo da média do secundário e sabendo ao longo do secundário qual seria a forma de concorrer à universidade. Que luxo. A partir de 1989, foi um constante corrupio de experimentação, sempre feito a meio do ano para entrar em vigor no ano lectivo prestes a começar.

Esta digitalização dos exames é mais um desses experimentalismos. Com a agravante de, no exame de filosofia do ano passado, já ter revelado os mesmos problemas que agora se repetem.

O ministro escolheu este processo. Bem ou mal (eu acho mal devido a não termos equipamentos adequados nas escolas), estava previsto que a realização dos exames fosse 100% digital. Fernando Alexandre resolveu alterar esta decisão vinda do governo de Costa e trouxe a digitalização das folhas de resposta dos exames.

O anterior sistema de classificação dava origem, em média, a 1.52% de exames com problemas na classificação. Um valor baixo, longe de justificar uma urgente mudança de sistema. A razão que Carlos Coelho, vestindo a camisola do PSD no programa Geometria Variável, usou para justificara a mudança era que a inovação estava em diminuir a parcialidade da classificação por haver vários classificadores na prova. Um argumento, portanto, de quem não confia nos professores e que, como vemos, não tem fundamento.

Todos os que justificam a mudança com o argumento da inovação continuam sem demonstrar onde é que ela existe. E porque é que devemos pagar milhões por algo que antes não tinha custo adicional, dado que as classificações eram feitas pelos professores já existentes.

Foi implementado um processo centralizador, substituindo o anterior que era descentralizado. E que funcionava sem problemas há décadas. Onde está então essa modernização? Que valor traz que ainda não existisse?

Estas são as questões centrais a colocar ao ministro e tocam directamente na sua responsabilidade. É a decisão política que está em causa, somada à incomplete execução. 

Independentemente de haver ou não pautas fixadas no dia 17, o mal está feito. A credibilidade do sistema educativo está em causa devido a uma decisão do ministro sem que a devida preparação tivesse sido feita. É por isso uma falha grave na actuação do ministro, que atinge o essencial da sua responsabilidade e que, por isso, se deve demitir.

14/07/2026 by   

Do blogue Aventar

Há mais de 20 anos que só temos cobardes em Belém:

Associação de vítimas de abuso na Igreja denuncia “silêncio preocupante” por parte do Presidente da República

por Valupi 

Do blogue Aspirina B 

Outro Luís, as mesmas obras:

 (Tiago Franco, in Facebook, 14/07/2026, Revisão da Estátua)


Por esta altura do campeonato acho que será seguro dizer que o Luís Neves, Ministro da Administração Interna, se meteu numa alhada.

Não por causa das obras, da licença, do preço ou sequer do empreiteiro amigo da PJ. Está entalado porque a Sandra Felgueiras já agarrou nisto e teve direito aos seus 20 minutos, em prime time, no jornal da CNN, para explicar a sua tese, desconfianças e enredo de histórias mal contadas.

Como sabeis, a Sandra Felgueiras é a melhor jornalista de investigação do país, em temas ocorridos da porta de casa para fora. Quando ela agarra um osso não há forma de soltar a presa. Que o digam o Marcelo e o Dr. Filho, no caso das gémeas.

É uma semana particularmente difícil para o outro Luís, o Montenegro. Os filhos, que eram gestores de topo, aparentemente não possuem a mesma lista de contactos para venda e estão a causar um ligeiro derrame de verba na Spinumviva. O ministro estrela da Educação está debaixo de fogo por causa da barraca dos exames e da empresa privada de sapateiros a quem entregou a tarefa. E agora, Luís Neves, o senhor que na PJ dizia umas coisas acertadas, afinal também se espalha no que toca a obras e jeitinhos com amigos.

Era como se o selecionador Ruca, durante o mundial, tivesse as suas duas maiores estrelas, ReiNaldo e Bruno Fernandes, sempre na mira da crítica. Espera…também aconteceu. A culpa foi dos jornalistas, já me lembro.

Adiante. Faltam faturas, o tanque é uma piscina, o preço não bate certo com aquilo que o pagador de impostos vê quando recebe um empreiteiro em casa e, no final das contas, o Luís é um português como tantos outros que tenta fazer pela vida e aguentar, como pode e com amigos bons, o aumento do custo de vida. Tudo certo Luís, quem é que não quer uma ajuda com amigos que fazem 500 km para tornar uma obra mais barata? O salário de ministro não é grande coisa e por aí, percebo a coisa.

Claro está que a facharia, com a incessante fome de poder, vai já perseguir um ministro que, enquanto diretor da PJ, nunca lhes aprovou o discurso de insegurança e aumento da criminalidade por causa da imigração.

O Ventura já deu a conferência de imprensa da ordem e não tardará a “entrevista exclusiva” da semana num canal qualquer. O Frazão capa-grilos anda pelo Tik-Tok a espalhar propaganda e a máquina segue a habitual estratégia de navegar na onda do escândalo.

São temas de merda, senhores. Temas de merda. Mas que enchem horas de diretos e comentários de escândalo, dando toda a lenha que a extrema-direita precisa para ir renovando a sua luta de assalto ao governo. Aliás, as trapalhadas do governo do PSD são um balão de oxigénio para a cheganada que, segundo as sondagens, até estaria em perda.

O Montenegro atravessa o Atlântico seis vezes para ir ver a bola à conta do Orçamento, o Fernando engata o acesso ao ensino superior e o Neves, que devia estar a apagar fogos, dá por ele na CNN a falar de paredes e alpendres. E dou um descanso à Ministra da Saúde que tem sido outra calamidade por si só.

Nós quisemos muito o CEO da Spinumviva para liderar os destinos do país. Dissemos que sim duas vezes. Isto não pode ser assim tão surpreendente, pois não?

Bonito, mas mesmo bonito, é perante estes atropelos de incompetência e obscuridade, ouvir a malta mais analfabeta dizer que, com o Chega, é que vamos lá. É como pedir água da sanita, no restaurante, depois de nos servirem um vinho mau.

Do blogue Estátua de Sal 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

UM JEITO MANSO: A bronca dos exames é o expoente máximo da extraor...

UM JEITO MANSO: A bronca dos exames é o expoente máximo da extraor...:   Então não é extraordinário ver o Bugalhito, com ar de quem acabou de se levantar e de se aperaltar, anunciar o pagamento de horas extraord...

Ventos Semeados: O Luís a trabalhar para ainda mais estragar

Ventos Semeados: O Luís a trabalhar para ainda mais estragar:   José Luís Carneiro disse que Luís Montenegro está a trabalhar para ser o pior primeiro-ministro desde o 25 de Abril. É uma acusação séria ...

Arte sobre a relva:

Já lá vão uns largos anos. Um professor de filosofia, que julgo não ter estado muito tempo na Escola Secundária de Porto de Mós, um dia revelou à minha turma que quando via futebol na televisão tirava-lhe o som e punha a tocar um disco de música clássica. Avisou logo que, até se experimentar, poderia parecer uma coisa estapafúrdia. O primeiro encanto residia em deixar de ouvir as idiotices dos comentadores. Os relatadores da rádio eram coisa diferente. Recorrendo apenas a palavras, desenhavam os movimentos dos jogadores na imaginação de quem os escutava e com metáforas e mudanças na intensidade da voz, coloriam o éter da rádio. Essa era uma arte maior. Agora, ter de ouvir comentadores a explicar-nos as imagens televisivas que estamos a ver, podia aproximar-se perigosamente de uma forma de tortura. Com música clássica de fundo, e mesmo sem que os jogadores tenham consciência disso, o futebol, o jogo do pontapé na bola, podia transformar-se num bailado.

No passado Sábado, enquanto assistia ao jogo Noruega-Inglaterra, depois de me arrepiar ao ouvir uma qualquer inanidade emitida pelos comentadores, lembrei-me do meu professor de filosofia do décimo ano. Baixei o volume da TV até ao zero e procurei uma lista de temas para violoncelo no Spotify.

O que se seguiu, fez-me escrever este postal. Sem entender como é que os movimentos de um arco sobre as cordas de um violoncelo podiam coincidir com os arranques, as simulações, as fintas e as fitas, as quedas, os remates e as defesas dos jogadores, o que é certo é que comecei a chamar quem estava comigo em casa para confirmar se viam o mesmo que eu estava a ver, e a ouvir. O Bellingham empatou ao som da Méditation de Thaïs, de Massenet e, já no prolongamento, confirmou a reviravolta durante a Sicilienne, de Fauré. Estávamos a torcer pela Noruega, o underdog merece sempre uma simpatia especial, mas mesmo quando o árbitro meteu o bedelho no resultado, coisa que não tem faltado neste Mundial, entreolhávamo-nos sorrindo pelo acerto dos artistas. Uns à frente da partitura e os outros de chuteiras a transpirar sobre a relva.

Paulo Sousa,

Do blogue Delito de Opinião 

domingo, 12 de julho de 2026

Ventos Semeados: O Carro das Peças com Defeito

Ventos Semeados: O Carro das Peças com Defeito:   Ana Mercedes Pescada, professora e membro da Missão Escola Pública, escreveu na Visão a melhor caracterização que li do atual Ministério ...