Rádio Freamunde

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Nas muralhas da cidade:

«De resto, para além de vozes insuspeitas como a de Paulo Mota Pinto, a AD ignorou o Parecer arrasador da Ordem dos Advogados ou estas palavras do Fórum Penal- associação de advogados penalistas: “em décadas de vigência do Código de Processo Penal nunca se sentiu necessidade de prever um duplo (ou triplo) andaime sancionatório deste género (taxa sancionatória excecional + multa específica por ato dilatório + remessa disciplinar). O Fórum Penal não ignora o mediatismo que algumas destas questões têm conhecido, mas não pode isso justificar um modelo legal que, em nome da celeridade e da luta contra as “demoras abusivas”, corre o risco de punir, sobretudo, a defesa legal, ainda que combativa, de quem menos pode”.

Por que razão insiste a AD em violar a Constituição e fingir que resolve problemas?»

Isabel Moreira 

por Valupi

Do blogue Aspirina B

A corrupção da elite ucraniana evidenciada:

 (Daniel Vaz de Carvalho in Resistir, 28/05/2026)


Só a imbecilidade política dos belicistas europeus não admite que a Ucrânia é um poço sem fundo de dinheiro para uma guerra perdida, cujo desenvolvimento tem como horizonte uma catástrofe nuclear que tornaria a Europa inabitável. O canal de televisão France 24 calculou que não seria necessário mais do que 2% do arsenal nuclear russo (cerca de 110 engenhos) para destruir a França, a Alemanha e a Polónia.

Os media não dispensaram um segundo ou uma linha para noticiar ou comentar as declarações de Yulia Mendel, ex-assessora de imprensa de Zelensky. Compreende-se, a narrativa permanece sem alterações: a agressão russa irá estender-se à Europa; na Ucrânia “estamos” a defender o direito internacional e a democracia; a pressão sobre Putin e a Rússia deve aumentar porque a sua economia está no limite, e é a única forma real de trazê-lo para a mesa de negociações.

Não importa que a realidade desminta estas premissas. O conluio que lidera a Europa foi promovido pelos conclaves de Davos e Bidelberg, não têm plano B pela simples razão que são meros e obedientes executantes comprometidos com um plano A que lhes foi transmitido.

Continuar a ler o artigo completo aqui.

Do blogue Estátua de Sal

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Passos Coelho e o mito sebastiânico:

(Carlos Esperança, in Facebook, 27/05/2026, Revisão da Estátua)

Por mais inexplicável que seja a sedução sebastiânica, não há dúvida de que o fanatismo e o comportamento severo do rei, que tinha aversão ao casamento e obsessão demencial pela dilatação da fé católica, se impregnaram no inconsciente português.

Surpreende ver em Passos Coelho um salvador da Pátria, mais capaz de se precipitar em qualquer Alcácer Quibir onde desbarate o resto do património que não pôde privatizar do que ter uma única ideia sobre os desafios económicos, políticos e ambientais que nos esperam.

Ontem, o medíocre cidadão e péssimo governante saído da madraça da JSD, produto de Miguel Relvas e Marco António, emergiu de Massamá e do mundo académico para apresentar um livro, onde se encontrou com a mais mediática das suas crias, o inefável André Ventura.

Os média foram ouvi-lo com a ansiedade e desvelo com que outrora as meninas de Vila Real, por entre suspiros, anunciavam o presidente da JSD, está cá o Pedro!

Do livro e da exegese do conteúdo não há notícias, apenas o fino recorte da linguagem do apresentador e a ansiedade pelo regresso ao poder em parcas palavras para os média.

Quando o Professor Passos Coelho se referiu aos «políticos postiços que ficam como prostitutos» quem o ouvia julgou que se referia a André Ventura, e quem viu com quem estava acompanhado, ficou sem dúvidas de que chamou prostituto a Luís Montenegro.

Ora, sendo o Luís, o líder parlamentar do PSD que defendeu as decisões trágicas do seu governo, o Pedro designou retroativamente como bordel o antigo grupo parlamentar e confessou que foi ele o proxeneta que lançou o Luís na prostituição e o manteve até que Cavaco foi coagido a retirar-lhe o alvará, impotente face à imposição da geringonça.

Prostitutos sem carácter! Estamos perante um empate a três.

E quanto a populistas postiços (Luís) e populistas naturais (André), o Pedro prefere o segundo. Quanto ao carácter dos três, venha o Diabo e escolha.

Do blogue Estátua de Sal 

Banhos turcos:

Teoria da grande substituição + Prostitutos sem carácter + Muito vapor

por Valupi

Do blogue Aspirina B

Os obstáculos à paz na Europa não são aqueles que se julga:

 (Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 26/05/2026)

O compromisso concluído entre os Presidentes Donald Trump e Vladimir Putin, em 15 de Agosto último, continua sem ser concretizado na Ucrânia. É que os obstáculos não são os que os Estados Unidos julgavam. A Ucrânia não controla o jogo, enquanto a Alemanha e Reino Unido querem a guerra.

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Do blogue Estátua de Sal

Vladimir Putin, o presidente do mundo:

Quando o Ocidente Coletivo enfrenta problemas e dificuldades, nós já sabemos quem é o culpado: Putin.
Evidentemente, isto é consequência direta da propaganda ocidental, e ela já se mostrou tão eficiente que já não são só as televisões, rádios e jornais a culpabilizar o presidente russo por tudo o que não nos corre bem.
Quem se lembra do apagão? Quem, quando andou nas ruas nesse dia, não ouviu afirmações como: “O culpado deve ser o bandido do Kremlin”?
Dá para entender em que estado está a nossa mentalidade coletiva. Quando algo nos acontece, a primeira coisa em que pensamos não é responsabilizar quem nos governa, mas sim o homem do outro lado do continente.
Se o Trump ganhou as eleições, a culpa é do Putin. Nunca da situação política dos EUA.
Se os preços aumentam, a culpa é de Putin. Nunca das decisões políticas dos nossos governantes.
Se existe instabilidade política nos países europeus, outra vez, a culpa é de Putin. Ninguém o obriga a financiar os partidos de extrema-direita.
Se existe instabilidade em África, adivinhem mais uma vez, a culpa é de Putin. Ele é quem manda mercenários para lá desestabilizar os países.
Alguém de fora do planeta, e que não conhecesse nada daqui, ao ouvir tais afirmações, provavelmente perguntaria se Putin é o líder do nosso planeta.
Não me espanta. Às vezes até eu me questiono o mesmo. Como é que alguém “isolado internacionalmente” pode ter capacidade para influenciar tudo o que nos acontece? A resposta mais óbvia deve ser que é ele quem controla isto tudo.
Apesar destas críticas, dá para ver que o Ocidente continua a ter um enorme apego ao presidente do mundo. Nunca vi ninguém mais preocupado com a saúde de Putin do que este coletivo. São frequentes as notícias sobre os cancros que Putin já teve, sobre situações embaraçosas que aconteceram em sua casa por conta da idade, e até já houve notícias sobre uma simples tosse do presidente.
Eu bem sei: quando gostamos muito de alguém, temos tendência a ser mais protetores e a querer saber tudo sobre o estado de saúde da pessoa em questão. Mas não exageremos.
Até onde sabemos, o presidente, apesar da idade avançada, ainda está em boa forma. Consegue manter-se em reuniões sem adormecer e consegue perceber onde está sem qualquer indício de demência.
Se calhar devíamos preocupar-nos com os nossos dirigentes. Mas isto é só uma sugestão. Bem sei que o apego ao Putin é forte, mas talvez o melhor seja começar a superar.

(Mikhail Lopukhov) 

Que Se Lixem As Eleições | Viu a tareia que Seguro deu ao Governo?

É claro que não viu. Um relatório arrasador da Presidência da República, mas que Seguro não quis que aleijasse o Governo. O documento existe, mas quase clandestino. Teve impacto zero, mas ficará muito bem em ata, e nos arquivos, onde já deve estar guardado

A manchete de ontem do DN chamou a minha atenção: “Três em cada quatro portugueses chumbam a ação do Governo na crise.” Achei natural. Mas depois fiquei na dúvida... Em que crise? A primeira que me ocorreu foi a crise provocada em todo o centro do País pelas tempestades do último inverno. Aquela a que se pode chamar, com propriedade, a Grande Crise de 2026 (oxalá não haja maior). Conforme se soube há poucos dias, um dos portugueses que chumba a atuação do Governo nessa crise é, nem mais nem menos, o Presidente da República. 

Um chumbo sem apelo nem agravo nem hipótese de ir a oral. Chumbo direto, à antiga portuguesa, com orelhas de burro no canto da sala. Leu o relatório produzido pela Presidência da República na sequência da primeira Presidência Aberta de António José Seguro, precisamente nas zonas afetadas pelo comboio de tempestades? Se tivesse um título, como os livros e os artigos de opinião, seria “O Esplendor da Incompetência” (o título oficial é “Relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do País 6 a 10 de abril”).

É um documento sério, circunstanciado, feito a partir do terreno, sedimentado com dados, escorado por especialistas, que elenca, explica, consubstancia e enquadra todos os níveis a que o Estado – e o seu principal gestor, o Governo – falhou na sucessão de fenómenos extremos que atingiram o país em janeiro e fevereiro. 

Esqueça estes últimos meses de conversa sobre como “o Governo não chegou tarde”, “o Estado não falhou”, “fizemos tudo o que era possível”, “prevenimos o que era prevenível”, “acorremos rapidamente às emergências”, “coordenámos todas as forças”, “mandámos para o terreno”, “acudimos”, “repusemos”, “realojámos”, “solucionámos”, “financiámos”, blá, blá, blá. Lêem-se as 96 páginas do relatório com timbre oficial da Presidência da República – da Presidência da República, senhores! – e concluímos que o Governo chegou tarde, o Estado falhou, não foi feito tudo o que era possível nem antes, nem durante, nem depois, nunca houve coordenação, a chegada ao terreno para acudir foi tardia, assim como as reposições, os realojamentos, as soluções e até os financiamentos. Com altíssima probabilidade, até os blá, blá, blás falharam ou chegaram tarde.

A relevância do exercício é óbvia, e só se estranha que em tantas décadas de “Presidências Abertas”, com este ou outro nome, nunca tenha ocorrido a alguém que a descida do Presidente ao terreno, ao chãozinho onde vivem os portugueses, se esgotasse em si mesma, nos dias em que ocorre, e nas ondas de choque da espuma desses dias. Eis a utilidade deste papel: relata o que se viu e ouviu, sistematiza o que aconteceu, questiona o que falhou, louva o que correu bem, elenca o que está por fazer, priorizando o que é prioritário e até, nalguns casos, urgente fazer a seguir.

Deus abençoe a resposta local e o improviso

Não vos vou maçar com citações do documento, mas esta explica por que razão todas as Presidências Abertas devem trazer, no fim, um relatório e contas: “O que aconteceu exige mais do que a reparação dos danos. Exige que se acelerem apoios, que se clarifiquem medidas, que se adequem respostas a realidades muito concretas, que se melhore a coordenação entre entidades, que se reforcem as infraestruturas críticas e que se corrijam vulnerabilidades acumuladas. Exige também que identifiquemos com rigor o que respondeu bem, o que respondeu mais tarde e o que deve ser melhorado. A experiência recente mostra que a capacidade de improvisação, sendo valiosa, tem de ser acompanhada por melhor organização, melhor planeamento, maior preparação institucional e uma cultura mais sólida de responsabilidade e autoproteção.”

Esta é uma consideração geral, da nota de abertura, assinada pelo próprio PR. Mas o relatório vai bem ao concreto. O veredito é iniludível: quanto mais Governo, maior o fracasso do Estado. Ou seja, quanto mais dependentes do poder central, mais as decisões tardaram, ou nunca foram tomadas, ou foram erradas, ou descoordenadas, ou irrelevantes, ou continuam por realizar, o que é uma forma suprema de erro e irrelevância. 

Conforme se vai descendo ao terreno, passando do nível do poder central para o poder regional, local, autárquico, de freguesia e de bairro, mais rápida, eficaz e útil foi a ajuda, embora, quanto mais rasteiro o patamar de poder, menores os meios e os recursos. Como se desconfiava, houve agremiações, paróquias, empresas privadas e coletividades várias que fizeram mais diferença do que ministérios inteiros – sobretudo porque a diferença que se nota, que vale mesmo a pena, é aquela que chega na hora da necessidade.

Como lhe compete, a Presidência das República di-lo com mais subtileza do que eu. “Foram identificadas respostas locais de elevada eficácia, baseadas na mobilização de recursos municipais, na ação das juntas de freguesia, no envolvimento de associações e no voluntariado espontâneo das comunidades.” Mais adiante, o texto louva a reação “que partiu das autarquias, das freguesias, dos vizinhos, dos bombeiros, das associações e dos próprios afetados, muito antes de chegarem as respostas formais dos sistemas de apoio”. Segundo a Presidência, “em muitos casos, a proximidade e a capacidade de decisão local revelaram-se determinantes para assegurar uma resposta imediata e mitigar os efeitos ainda mais graves da crise.” E Portugal não é grande; imagine-se se fosse.

E se começassem a desburocratizar por aqui?

Da habitação à indústria, do comércio à agricultura, da energia às telecomunicações, do fornecimento de água à circulação nas vias, tudo é analisado a pente fino. Ainda hoje há garantias de primeiro-ministro, e de ministros disto e daquilo, que continuam por cumprir, promessas que não saíram do papel, ajudas que não se conseguem desprender das teias que o Estado tece. 

Temos um Ministério da Reforma do Estado que é suposto, entre outros amanhãs que cantam, desburocratizar o próprio Estado? Talvez o ministro Gonçalo Matias pudesse ler com atenção o relatório emanado do Palácio de Belém e dedicar as próximas semanas às entropias identificadas no Estado, mas também na relação do Estado com a banca e as seguradoras que são convocadas em situação de emergência nacional, num jogo de “fricção entre a urgência económica e a complexidade procedimental”.

Estão em causa todas as combinações possíveis de burocracia e ineficiência, seja entre diferentes patamares do Estado que chutam a bola uns para os outros, entre serviços do mesmo nível do Estado que enxotam responsabilidades ou dão respostas contraditórias, e entre Estado e privados a ver quem passa a batata quente ao outro. E tudo contribui para um único efeito de descrença, alimentada (e volto a citar o relatório do Palácio de Belém) pela “exaustão perante a demora, dificuldade em compreender os procedimentos e crescente angústia perante a ausência de decisões claras”.

Querem um desenho?

Ponto por ponto, o Presidente da República vai analisando as várias áreas em que o Governo diz que as coisas funcionaram e as pessoas sabem que não. O calvário de quem perdeu a habitação, viu o seu restaurante inoperacional, as suas plantações destruídas, as suas fábricas inoperacionais – e as respostas que não chegam: apoios públicos que demoram eternidades, seguros que não cobrem, linhas de financiamento que nunca são assim tão bonificadas, nem tão fáceis de aceder, e continuam a pesar no endividamento. Ou seja, soluções que não resolvem. Em muitos casos, até hoje. E estão neste limbo comunidades inteiras, em muitos casos a parte fraca de atritos entre entidades que podiam resolver o que não resolvem. Tanto trabalho para tantos ministros desbloquearem…

Poucas vezes li um desmentido tão longo, e tão bem sustentando, a um spin governamental igualmente longo, porque se prolongou ao longo de semanas. Por exemplo, as falhas nas comunicações, um dos pontos críticos durante a emergência e na fase de rescaldo e estabilização? Não é um problema, são vários:

“Portugal não enfrenta apenas quebras pontuais de comunicações, mas um problema estrutural, sistémico e de planeamento. A resiliência das comunicações não é um tema setorial; é um tema de Estado, ligado à energia, proteção civil, segurança, continuidade governativa, cibersegurança, logística e soberania. O problema de fundo não é um detalhe tecnológico isolado, mas a repetição de um padrão conhecido: dependência crítica da energia, redundância insuficiente, fragilidade física dos suportes, interdependências mal resolvidas e excesso de confiança no improviso.”

No final do relatório há uma longa lista de prioridades de ação, imediatas e a médio prazo. Entre elas, desbloquear pagamentos e decisões pendentes, remover o material lenhoso derrubado e reduzir a biomassa acumulada (para que tudo isto não seja pasto dos fogos de verão) e apoiar a reabertura de atividades económicas ainda condicionadas. 

Também são elencadas lições estratégicas para o futuro. Até há quadros, e tabelas, e tudo, para ser mais fácil de perceber e pôr em prática. Como quem diz: querem um desenho? Estão aí bem identificados, por exemplo, os problemas da nossa proteção civil e desse tumor persistente na nossa vida pública que é o SIRESP. Agora que o Governo decidiu atirar mais 37 milhões de euros para o buraco que é o SIRESP, e nomeou um presidente sob suspeita de ter pouco apego às regras de procedimento público, talvez pudesse concentrar-se em concretizar aquele parágrafo (é um só) em que são identificadas as razões porque o sistema falha quando chove e faz calor, quando há fogos e inundações.

Em ata, mas não em ato

Infelizmente, é possível que esta autêntica tareia da Presidência da República ao Governo não tenha tido o impacto que merecia. Este pequeno tratado sobre a incompetência de quem nos governa foi fugazmente notícia no fim de semana, entre as notícias da guerra e a antecipação da final da Taça. Desta vez, nem foi por distração ou pobre critério editorial de quem faz alinhamentos de noticiários – também, mas não só. O facto é que António José Seguro tudo fez para que este documento aleijasse o Governo o menos possível. Podia ser uma história bombástica. Foi uma história quase clandestina.

Seguro podia ter voltado ao terreno para divulgar as conclusões a que chegou e as soluções que propõe, olhos nos olhos com as populações que ainda sofrem, e olhos nos olhos com os governantes que garantem que melhor era impossível. Era coisa para ter mais impacto do que o foguetório do novo PPRR – e nem precisava que se cantasse o hino nacional no fim.

Em vez disso, o Presidente da República ordenou que o relatório sobre o que se passa na zona centro fosse discretamente enviado para o Governo e para a Assembleia da República. Não assumiu, de viva voz, nada do que dói. Foi incapaz de pôr o dedo na ferida. A coisa foi tão pífia que o Governo se deu ao luxo de nem comentar o arraso de que foi alvo. Bem pode o líder do PS dizer que “Luís Montenegro tem muitas respostas a dar ao país”. Ter, tem, mas o Presidente da República fez o favor de o poupar a esse escrutínio.

O excelente relatório sobre a Presidência Aberta já deve estar guardado num qualquer arquivo morto. Ficará em ata, para sossego presidencial. Mas não ficará em ato.

A crise era outra

Já agora, a crise a que se referia a sondagem noticiada pelo DN, que citei no início deste texto, era outra. Lembra-se? “Três em cada quatro portugueses chumbam a ação do Governo na crise.” “A crise” desta sondagem não é a crise da zona centro. Nem a crise da habitação. Nem a crise do SNS. 

É a crise do aumento do preço dos combustíveis e da perda de poder de compra, num país em que a expressão “poder de compra” só peca pelo uso da palavra poder. Pode pouco. Pode cada vez menos. Talvez daqui a uns meses haja um excelente relatório semiclandestino do Presidente da República sobre mais esta crise.

Filipe Santos Costa

Comentador CNN