Rádio Freamunde

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domingo, 24 de maio de 2026

Da ordem internacional à (des)ordem internacional com o Major-General Agostinho Costa:

(Agostinho Costa, in canal do YouTube ABC do Mundo, 18/05/2026)


Uma vaga de novas lideranças políticas nos principais eixos de poder mundiais está a mudar a Ordem Internacional como a conhecemos. As alianças e o equilíbrio de poderes que tomávamos como garantidos mudou e muitas mais alterações estão a caminho. 

Para tentar descodificar este novo mundo e esta “desordem” internacional, convidámos o comentador e especialista em temas internacionais Major-general Agostinho Costa, uma das vozes mais conhecidas de Portugal nos temas de relações internacionais. O ‘O’ de Ordem Internacional é o mote para a conversa com Bruno Mourão e Alberto Cunha, membros permanentes do nosso painel. Passamos pelos Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia e vários outros pontos do Mundo para ir a fundo neste ‘novo normal’. Sem o nosso comentador Bernardo Valente, interrompemos esta semana o nosso habitual TML – Tema Mais Leve, mas para compensar temos um segmento pensado especialmente para conhecer melhor o nosso convidado, uma espécie de questionário de Proust à moda do ABC do Mundo. Não podem perder!

É ver o vídeo abaixo.

Do blogue Estátua de Sal 

O Zé Manel:

Vivemos um tempo de ingratidão, os filhos renegam os pais, e os trabalhadores, desprezam as instituições onde ganham a jorna.
Eu fico sempre emocionado quando vejo um homem grato.
É verdade!
Comovo-me até às lágrimas.
É o caso do Zé Manel.
Eu não quero saber lá dessa história que corre aí pelas redes sociais, do “mrpumpum” e dos móveis da faculdade de direito, quando ele era “soldado” do patusco generalíssimo arnaldo matos, e correligionário do escudeiro garcia pereira…
Nem dessa outra, de saír de presidente da Comissão europeia, pra presidente do maior banco mundial…
Isso é tudo inveja, dor de cotovelo ou de cor-o…
Gosto do Zé Manel.
Não gostava, mas agora gosto.
Pronto, convenceu-me.
Eu, quantas vezes rancoroso por brigas antigas, tenho mantido iminimizades ao longo de décadas.
Cada vez mais dou a mão à palmatória e arrependo-me.
É o caso. Ou melhor, os casos, porque são 2.
Bem recentes.
O Zé Manel preside a um júri da União e atribuiu umas medalhas de cobre a uns cidadãos.
E ele, imparcial e neutral, votou no professor de boliqueime.
Todos nós vimos há dias na televisão, a cavacal figura a botar discurso.
Tudo por obra e graça da gratidão do afilhado.
Dizem que em Portugal não há gratidão e que os filhos não querem saber dos “pais”.
Mentira!
Aqui está um exemplo, contrário.
O Zé Manel agradece a quem lhe deu a mão, quando ele não era nada, de comer quando ele tinha “hambre”, o trouxe do mrpp para secretário de Estado do deus, depois pra ministro e por aí a fora.
Fica aqui registada a minha grandecíssima admiração.
Mas o gesto que me impressionou ainda mais, foi a atribuição de um donativo ao centro de estudos políticos da universidade católica, onde ele é director e professor.
O Zé Manel é presidente de uma “coisa” chamada Fundação Luso Americana.(a presidência “roda” entre o ps e o psd)
Esta “coisa” nada em dólares,
que recebe da América pela utilização da base das Lages.
Ou seja, indiretamente a “massa” vem do erário público.
O Zé Manuel, sem que tivesse havido candidaturas, por sua iniciativa, fazendo jus à sua grande generosidade e ao imperativo moral de ser grato, atribuiu à “católica“ €100.000 -CEM MIL- de subsídio!
Digam lá:
Quais de vós meus poucos leitores, serieis capaz desta dupla gratidão?
Ah! pois é, esqueceis-vos logo de quem vos estendeu a mão, deu uma côdea e fez de vós gente…
Quando eu for grande quero ser assim!
Interiorizar os grandes valores do Zé Manel, os morais claro, não os do donativo.
É com pessoas destas que se forja a identidade nacional e se engrandece a história pátria.
Foi uma pena ele não se ter candidatado a presidente. E perdeu a oportunidade daqui a 5 anos.
Ele e o do Fundão e da ONU.
Mas como sabeis, este é um país de ingratidões, como dizia o padre amaro…
Com exceções.

Um juiz em Lisboa:

Um juiz escreve uma carta ao presidente da República. Expõe o seu curriculum, o seu gosto pela profissão, a sua dedicação, o resultado das inspeções regulares com avaliações constantes de muito bom. Com digno orgulho relata a sua carreira internacional: “Foram as minhas qualidades de idoneidade, independência, isenção, para além das qualidades técnico-jurídicas, que levaram a Assembleia Geral das Nações Unidas a eleger-me, em 2011 (…) como juiz do Tribunal Penal Internacional e a ser indicado, no passado dia 7-7-2022, como Judge on the Rules Committee of the Mechanism”.
A seguir descreve a condição de juiz, o respeito pela lei, a independência de espírito, a imparcialidade como condição de legitimidade — acima do interesse das partes. Cita a Constituição, que atribui aos tribunais “a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, reprimir a violação da legalidade democrática e dirimir os conflitos de interesses públicos e privados”. Recorda a importância das funções de juiz de instrução no ordenamento jurídico português e lembra que é a este que é “dada a função de garante dos direitos fundamentais” por forma a assegurar que a investigação criminal “decorre com respeito pelas garantias estabelecidas na Constituição e densificadas na Lei”. E conclui: “No âmbito dessas funções proferi centenas de decisões e, entre elas, a decisão instrutória no âmbito do processo conhecido como o ‘Processo Marquês’ ”. Foi a 9 de abril de 2021. Aí começou a seu inferno.
Escreve o juiz:
“Fiquei a saber que , após 9 de abril de 2021, o Ministério Público abriu 8 inquéritos crime visando a sindicância, pela via criminal, de atos jurisdicionais por mim praticados, no exercício de uma função constitucional reservada aos tribunais, com os quais o Ministério Público estava em desacordo quanto ao sentido da decisão proferida”.
A decisão instrutória de que o juiz fala diz respeito a um processo cujo principal envolvido foi primeiro-ministro e no qual foi acusado de crimes ignominiosos de corrupção. É a esse processo que comumente se chama em Portugal de “Processo Marquês”. Pois bem, ao fim de três anos e meio de instrução o juiz considerou que as acusações contra o antigo primeiro-ministro eram “fantasiosas, incongruentes e especulativas”. Nenhuma delas (as que constavam da acusação inicial, não outras que o juiz considerou indiciadas e que foram, mais tarde, consideradas como sendo alterações substanciais de factos) estava sequer indiciada — o que quer dizer que não havia sinais, circunstâncias, que pudessem apontar para qualquer presunção de culpabilidade. O Ministério Público nunca lhe perdoou.
Quatro anos e meio depois, em outubro de 2025, o juiz descobriu, através da comunicação social, que, após proferir a decisão, o Ministério Público abriu contra ele vários inquéritos crime, sem nunca lhe dar conhecimento ou lhe pedir qualquer esclarecimento. Com base nesses inquéritos as autoridades acederam às comunicações telefônicas do juiz, levantaram o seu sigilo fiscal e bancário e vigiaram-no durante longos períodos. Foram ainda solicitadas informações de 98 números de telefone com quem o juiz contactou, que incluíam juízes desembargadores e vogais do Conselho Superior da Magistratura. O inquérito durou três anos. No final o procurador que o encerrou escreveu: “A denúncia anónima apresentada é pródiga em falácias(…). O que ressoa é um conjunto de suposições, generalizações e informações irrelevantes para suportar a sugestão de que o visado é corrupto e decide com falta de imparcialidade”.
Para compreender bem a história, devemos ainda juntar a seguinte informação. Em janeiro de 2024, sete anos depois da acusação ter sido apresentada, três juízas do Tribunal da Relação inventaram um “lapso de escrita”, mudaram a acusação, mudaram o crime e agravaram a moldura penal. Sete anos depois. Sete anos depois um tribunal superior muda de surpresa a acusação para obrigar o antigo primeiro-ministro a ir a julgamento. Só depois, cerca de um mês depois, é que o procurador encerra o inquérito ao juiz. Já não era necessário. O objetivo de destruir a decisão inicial do juiz foi conseguido, desta vez por via de uma golpada judicial.
E pronto, é esta pequena historia de lawfare que foi brevemente notícia em Portugal na semana passada. Bem sei que Brasil está mais habituado ao lawfare que resulta da promiscuidade entre juízes e procuradores. Aqui também houve. Aqui também manipularam a escolha do primeiro juiz. Mas aqui foram mais longe — aqui perseguiram judicialmente o juiz que decidiu contra eles. Perguntam o que aconteceu a seguir? Nada, como de costume. O país, a política, o sistema judicial, o jornalismo, responderam com a habitual indiferença. Qual carta? Qual juiz? Qual Estado de Direito? Que importância tem isso? A indiferença é o peso morto da história, dizia Gramsci. Mas, atenção, parece que o juiz não tem intenção de se calar.
José Sócrates

18/05/2026 

sábado, 23 de maio de 2026

União Europeia: Da promessa democrática à prisão digital para os povos:

 (Por BPartisans In Fórum da Escolha, in Facebook, 23/05/2026, Revisão da Estátua)


A União Europeia vendeu um sonho: a livre circulação, a democracia, a prosperidade, o Estado de Direito. Uma espécie de Disneylândia tecnocrática onde as pessoas supostamente viveriam felizes sob as estrelas douradas da bandeira azul.

Vinte anos depois, a fachada está a ruir e as grades estão a aparecer. Por detrás da retórica tranquilizadora sobre os “valores europeus”, Bruxelas está a construir metodicamente aquilo que se assemelha cada vez mais a uma prisão administrativa sob vigilância algorítmica, com Ursula von der Leyen no papel de diretora de uma penitenciária burocrática, convencida de que está a fazer o bem, apesar dos seus prisioneiros.

A parte mais deliciosa? A hipocrisia industrial do sistema. Durante anos, a UE deu lições a Pequim sobre vigilância digital e a Moscovo sobre autoritarismo. A China e o seu sistema de crédito social? – “Orwelliano”! Exclamou Bruxelas. Leis russas sobre o controlo da informação? – “Uma ameaça à democracia”! Proclamavam solenemente entre duas cimeiras subsidiadas. E hoje? A mesma Europa está a reciclar os mesmos métodos que denunciou ontem, mas com um pacote de marketing mais sofisticado: segurança, resiliência democrática, proteção dos cidadãos. O totalitarismo torna-se aceitável desde que se vista um fato Armani e se ostente uma bandeira americana.

Vejamos a nova obsessão europeia: a identidade digital e a rastreabilidade dos cidadãos. A Comissão Europeia está a promover o seu Bilhete de Identidade Digital da UE, destinado a centralizar a identidade, os documentos e a autenticação online. Paralelamente, vários países europeus estão a avançar com mecanismos de verificação de idade e identidade para as plataformas digitais. Oficialmente, o objetivo é proteger os menores e combater o abuso online. Extraoficialmente? Habituar gradualmente os europeus a mostrarem os seus documentos para existirem online. Ontem, digitalizou o seu passaporte no aeroporto. Amanhã? Para publicar um comentário mordaz ou abrir uma conta numa rede social. Liberdade, ao estilo código QR.

E enquanto nos dizem que esta vigilância é “para a sua segurança”, os ciberataques estão a explodir, os dados estão a ser divulgados e as infraestruturas europeias continuam a ser peneiras digitais. A Agência Europeia para a Cibersegurança (ENISA) emite alertas cada vez mais frequentes sobre ataques dirigidos a instituições, infraestruturas e cidadãos europeus. A resposta de Bruxelas? Mais bases de dados, mais interligações, mais centralização. Uma lógica fascinante: já que o cofre é invadido regularmente, vamos construir um gigantesco onde todos terão de depositar as suas informações pessoais. Pura genialidade burocrática.

No topo desta pirâmide de virtude obrigatória, Ursula von der Leyen governa como uma diretora de Recursos Humanos continental, convencida de que o problema da Europa reside nos seus próprios cidadãos: demasiado céticos, demasiado recalcitrantes, demasiado apegados a soberanias nacionais consideradas relíquias embaraçosas. Assim, infantilizamos, regulamos, monitorizamos, moralizamos.

O cidadão europeu ideal já não é um indivíduo livre: é um utilizador complacente, digitalmente identificável, politicamente dócil e suficientemente ansioso para aplaudir cada nova restrição apresentada como proteção.

A União Europeia não está a tornar-se um gulag, não vamos exagerar. É mais sofisticado, mais insidioso e provavelmente mais eficiente. Uma democracia em estado vegetativo tecnocrático, onde se pode falar, votar e até protestar… desde que tudo seja devidamente verificado, registado, moderado e compatível com as mais recentes normas administrativas.

Bem-vindos à prisão europeia das nações: as portas estão abertas, claro. Mas tente escapar ao software.

Fonte aqui.

Do blogue Estátua de Sal

Esta é uma opinião controversa:

E convém dizê-lo logo à partida: nada disto desculpa, apaga ou relativiza a mancha negra de corrupção que paira sobre José Sócrates.
Quem quer defender a verdade histórica não precisa de branquear a ferida democrática que esse caso abriu. Isso fica claro.
Mas reduzir todo o ciclo Sócrates à corrupção é intelectualmente desonesto.
Porque, goste-se ou não, houve ali uma coisa que hoje quase desapareceu da política portuguesa:
VISÃO DE PAÍS.
Sócrates teve vícios, arrogância, erros, obras discutíveis e uma relação perigosa com o poder económico. Mas também teve uma ideia de modernização nacional.
E muitas das coisas que, na altura, foram ridicularizadas, atacadas ou tratadas como propaganda são hoje absolutamente essenciais.
Foi assim com o Cartão de Cidadão.
Hoje, ninguém imagina voltar ao tempo em que cada pessoa andava com bilhete de identidade, cartão de contribuinte, cartão da Segurança Social, cartão de eleitor e cartão de utente separados. Mas, quando surgiu, foi apresentado como mais uma “mania modernizadora”.
O mesmo vale para o Simplex, a Empresa na Hora, o Documento Único Automóvel e a desmaterialização dos serviços públicos. Hoje parece banal. Na altura, era um gasto.
Foi assim com o Magalhães e com a escola digital.
O computador foi gozado até à exaustão. Era o “computadorzinho”, era a “propaganda”, era a “modernice”que só servia para jogarem jogos.
Mas a ideia era simples: pôr tecnologia nas mãos dos alunos, reduzir a desigualdade digital e aproximar a escola pública do futuro.
Hoje, quando o Estado distribui computadores a alunos e professores, ninguém acha isso uma loucura.
A forma podia ser discutível. A direção estava certa.
Foi assim com a lei do tabaco. Proibir fumar em restaurantes, cafés e locais de trabalho parecia, para muitos, uma violência contra a liberdade individual. Vieram os discursos do costume: “já não se pode fazer nada”, “é o Estado a meter-se na vida das pessoas”.
Hoje, entrar num restaurante cheio de fumo parece pré-histórico.
Foi assim com a escolaridade obrigatória até aos 18 anos e com a universalização do pré-escolar a partir dos 5 anos.
Hoje parece óbvio. Na altura, foi uma decisão política de fundo — com muitas críticas.
Foi assim com direitos civis.
A interrupção voluntária da gravidez foi despenalizada em 2007; o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado em 2010.
Hoje, para uma parte significativa do país, isto já é normalidade democrática.
Na altura, a histeria conservadora dizia que vinha aí o colapso moral da família, da sociedade e da civilização.
Não veio. Veio apenas mais liberdade, mais dignidade e mais igualdade perante a lei.
Foi assim com o Complemento Solidário para Idosos, criado para combater a pobreza entre os mais velhos com rendimentos mais baixos.
Hoje, ninguém sério deveria achar estranho que o Estado proteja idosos pobres.
Mas é precisamente o tipo de política que a direita económica detesta em silêncio — porque prova que o Estado social não é uma abstração ideológica.
É comida, aquecimento, medicamentos e dignidade na vida concreta das pessoas.
Foi assim também com a reforma dos cuidados de saúde primários e com as Unidades de Saúde Familiar.
Não resolveu tudo, não impediu a degradação posterior do SNS, mas introduziu uma lógica mais próxima, organizada e eficaz nos cuidados de primeira linha.
E depois há as energias renováveis.
Hoje, Portugal é elogiado como uma das histórias solares e renováveis mais interessantes da Europa. Mas isto não caiu do céu.
A viragem começou antes. Em 2007, o Governo Sócrates assumia a meta de 45% da eletricidade consumida a partir de fontes renováveis até 2010.
Em 2010, a Estratégia Nacional para a Energia 2020 afirmava expressamente que Portugal queria reforçar o seu estatuto de referência nas renováveis e na eficiência energética. A potência eólica instalada passou de 537 MW em 2004 para mais de 3500 MW em 2009.
Portugal não se tornou líder nas renováveis por acidente.
Houve uma decisão política deliberada: pegar num país sem petróleo, sem gás, sem carvão competitivo, mas com sol, vento, água, território e capacidade técnica, e transformar isso em soberania energética.
Durante anos, a direita gozou com isto. Chamou-lhe fantasia verde, custo excessivo, capricho ideológico.
Em 2024, as renováveis abasteceram 71% do consumo elétrico nacional. Que falem agora.
Também no turismo houve visão.
Sócrates não inventou a promoção turística. Mas o Plano Estratégico Nacional do Turismo, aprovado em 2007, tratou o setor como estratégico a sério: marcas, mercados, produtos, qualificação, inovação, articulação entre Estado e empresas.
E até no aeroporto a história tem uma ironia brutal.
A localização em Alcochete, decidida em 2008, foi atacada, adiada, enterrada, ressuscitada, trocada pelo Montijo e novamente discutida — e, no fim, muitos anos e muitos milhões desperdiçados depois, o país voltou exatamente ao mesmo ponto.
Em 2024, o Governo Montenegro anunciou o novo Aeroporto Luís de Camões no Campo de Tiro de Alcochete.
A decisão que tantos trataram como delírio era, afinal, a solução estrutural.
O atraso custou tempo, capacidade, competitividade, dinheiro e décadas de saturação na Portela. Parabéns a todos.
Depois veio 2008.
E aqui também é preciso limpar a propaganda de uma vez por todas.
A crise não nasceu em Lisboa.
Não nasceu porque Portugal deu computadores a crianças.
Não nasceu porque se investiu em eólicas, escolas, tecnologia, cartões digitais ou modernização administrativa.
A crise nasceu na banca desregulada dos Estados Unidos, no subprime, na engenharia financeira tóxica, no colapso de confiança que atravessou o Atlântico e rebentou na zona euro.
Portugal tinha fragilidades? Tinha.
Défices, dívida a subir, dependência externa, PPP, problemas de competitividade. Tinha.
Mas transformar tudo numa historinha infantil sobre “Sócrates gastou demais e, por isso, veio a troika” sempre foi propaganda — e a prova disso foi a forma desastrosa como a austeridade de Passos Coelho empobreceu o país e agravou a dívida em percentagem do PIB, precisamente a dívida que dizia combater.
Em 2025, segundo o Banco de Portugal, a dívida pública ainda representava 89,7% do PIB.
Temos mais dívida hoje do que no tempo de Sócrates, mas hoje somos vistos com uma das melhores economias no mundo...embora extremamente desigual.
Muitos países que estavam a investir no futuro foram apanhados pela mesma tempestade financeira global. Uns estavam mais preparados, outros menos. Portugal estava vulnerável.
Mas não foi um Governo português que inventou o subprime, a banca-sombra, os derivados tóxicos, o colapso do Lehman Brothers ou a arquitetura europeia inflexível que transformou uma crise bancária numa crise de Estados.
O que a direita fez depois foi genial do ponto de vista propagandístico: pegou numa crise global, numa zona euro mal desenhada, em fragilidades portuguesas reais, em erros do Governo Sócrates e na podridão posterior da Operação Marquês, misturou tudo numa panela e vendeu uma moralina simples: “o socialismo destruiu Portugal”.
Só que esse “socialismo” nem sequer existia.
O que existia era social-democracia reformista — com defeitos, vícios e alguns erros —, mas também com uma ideia clara: modernizar o Estado, digitalizar serviços, qualificar a escola, apostar em renováveis, proteger direitos civis, combater a pobreza, planear o turismo, pensar infraestruturas e tentar colocar Portugal no século XXI.
Compare-se isso com o que temos hoje.
Com todos os seus defeitos, Sócrates tinha uma ideia de país. Podia falhar. Podia exagerar. Podia construir mal. Mas queria construir.
Hoje, temos um Governo que parece não querer construir nada.
Gere o dia a dia.
Faz conferências de imprensa. Distribui slogans. Chama “reforma” a cortes. Chama “responsabilidade” à resignação. Chama “modernização” a entregar o país aos mesmos de sempre.
E há uma diferença simbólica terrível entre a corrupção de ontem e a zona cinzenta de hoje.
No caso Sócrates, a imagem pública ficou associada a envelopes com dinheiro, motoristas, contas na Suíça, amigos e dinheiro escondido.
Era a corrupção clássica, clandestina, subterrânea, cinematográfica.
Hoje, a corrupção modernizou-se.
Já não precisa de envelope entregue às escondidas, nem escondidos em caixas de vinho.
Pode aparecer com fatura, empresa familiar, avenças, consultoria, clientes, sigilo profissional e “trabalhos” que o cidadão comum nunca consegue verdadeiramente escrutinar.
A única coisa que se modernizou verdadeiramente foi a sofisticação da zona cinzenta.
Foi o Simplex da corrupção.
E, enquanto isto acontece nos bastidores, a sociedade foi domesticada para odiar um “socialismo” que nunca existiu.
Confundiram socialismo com social-democracia. Confundiram proteção social com preguiça. Confundiram Estado social com desperdício. Confundiram direitos com privilégios.
Criaram medo e ódio pelos de baixo para proteger os de cima — e assim convenceram muita gente a votar contra aquilo que a protege: SNS, escola pública, pensões, salários dignos, habitação acessível, direitos laborais, serviços públicos.
Sempre foi assim.
Disseram que o divórcio destruía a família. Disseram que a IVG destruía a moral.
Disseram que o casamento entre pessoas do mesmo sexo destruía a sociedade.
Disseram que não fumar em restaurantes destruía os cafés.
Disseram que computadores nas escolas eram propaganda.
Disseram que as renováveis eram fantasia e desperdício.
Disseram que o Estado digital era mania tecnocrática.
Depois, o país avança, o avanço torna-se normal e os mesmos que gritaram contra acabam a viver dentro do mundo que outros tiveram a coragem de construir.
Sem nunca agradecer.
Sem nunca assumir que estavam errados.
Por isso, está na hora de recuperar a palavra sem medo.
Não como dogma. Não como nostalgia.
Mas como aquilo que fez dos países mais livres, mais justos e mais desenvolvidos do mundo sociedades decentes: uma social-democracia corajosa, reformista, popular e democrática.
O novo PS tem de deixar de parecer uma versão educada da direita.
Tem de abandonar essa moderação bafienta que chama responsabilidade à resignação.
Tem de deixar de pedir licença aos mercados, aos comentadores, às televisões e aos salões onde nunca falta nada a ninguém.
O PS tem de voltar a ser progressista, popular, democrático e combativo: com a coragem de Pedro Nuno, o reformismo de Sócrates sem os seus vícios, a inteligência de Costa, a honestidade de Sampaio, o punho erguido de Mário Soares e o sentido social de Guterres.
Tem de parar de olhar para as elites — para os mercados, para os equilíbrios de salão, para os donos disto tudo — e voltar a olhar para baixo e para o meio: para quem paga renda, para quem espera no SNS, para quem educa filhos com salários curtos, para quem trabalha uma vida inteira e continua sem segurança.
Um PS que faz a diferença não pede desculpa por proteger as pessoas.
Reforma o Estado.
Enfrenta privilégios.
Combate desigualdades.
Investe no futuro.
Protege os serviços públicos.
Moderniza sem entregar o país aos privados.
Simplifica sem fragilizar o interesse público.
Cresce sem abandonar quem trabalha.
Precidamos de visão para o país...e ela nunca virá da direita.

Make social democracy great again.

Eduardo Maltez Silva 

Este é aquele "VAMPIRO" que condecorou pides ( por bons trabalhos prestados ao país):

Este é aquele "ESCROQUE" que negou a pensão a Salgueiro Maia, Este é aquele que recusou ir ao funeral do nosso grande José Saramago o nosso único prémio NOBEL DA LITERATURA.

Que pagou a quem destruísse :
A AGRICULTURA,
AS PESCAS E AS METALÚRGICAS
Este é o
🐖
que votou contra a libertação de NELSON MANDELA
Que mentiu descaradamente ao povo quando disse que o BES era absolutamente seguro quando já não tinha dinheiro.
Que teve o privilégio ( como mais ninguém) de vender as ações que tinha no BPN quando o BPN já estava falido, que conseguiu a venda do então Pavilhão Atlântico por muitíssimo menos que o seu valor (a compra foi feita pelo genro) etc. etc.etc.
Este é o "ABUTRE" que têm 20 000.00€ de duas reformas, mas mesmo assim ainda vive há conta do povo...
E é este MENTIROSO, MANHOSO e VIGARISTA que os partidos da direita elegem como referência...???
Referência de quê???
De desonestidade sem escrúpulos sem moral nem vergonha...
FOI COM ESTE
🐖
QUE A CORRUPÇÃO TEVE A SUA NOTA MAIS ALTA
EIS O RETRATO DO ESQUELETO VAIDOSO QUE A DIREITA QUER TER COMO REFERÊNCIA DE PÉSSIMA MEMÓRIA...!!!

Trump não é uma doença, é um sintoma:

(Whale Project, in Estátua de Sal, 22/05/2026, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Miguel Sousa Tavares, versando, entre outros tópicos, a atuação de Trump na condução da política externa dos EUA, (ver aqui). Pelas ideias manifestadas e pela acutilância indiscutível, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 22/05/2026)


Lá temos o nosso querido Miguel Sousa Tavares (MST) a personalizar a coisa como se Trump fosse uma anomalia e os Estados Unidos fossem muito bonzinhos e respeitadores dos outros povos, se não fosse o “louco”.

Trump é apenas mais pornográfico e, numa coisa, poderá o MST ter razão. Ele é efetivamente alguém de uma crueldade extrema. Talvez nenhum presidente estado-unidense tenha sido tão cruel e tenha mostrado tanto desrespeito pelas vidas humanas.

Mas não é “louco” sozinho. Há militares, juízes, procuradores a seguir as suas ordens.

A troco de quê, uma infame múmia de Nova Iorque aceitou julgar Maduro? Foi Trump quem redigiu a infame acusação lançada contra Raul Castro e que pretende ser o pretexto e justificação para uma invasão de Cuba?

Foi Trump que bombardeou escolas e hospitais no Irão? É Trump que pilota os barcos que destroem embarcações no Atlântico matando as tripulações? É Trump que está no ICE? Trump é fruto de uma sociedade que nunca foi melhor que isso.

E, traidores locais que entregam cidadãos sem passar pelos tribunais, também sempre os houve. Delcy Rodríguez é uma víbora em forma de mulher mas não inaugurou nada.

Corria o ano de 2001 quando os Estados Unidos e a Europa Ocidental condicionaram o apoio para a reconstrução da Servia e Montenegro, territórios arrasados por meses de bombardeamentos da NATO, à entrega de Milosevic nas masmorras de Haia. O homem foi preso, logo que foi derrotado nas eleições e foi levado da cela diretamente para o avião sem tribunal nenhum. Voltou à sua terra num caixão. O primeiro-ministro traidor que o vendeu foi abatido cerca de quatro meses depois da venda; bom seria que o fim da traidora venezuelana fosse o mesmo.

Trump é um porco mas nada do que faz é novo. Acreditará o MST que Obama estava a pensar na liberdade do povo líbio quando, juntamente com os vassalos europeus, destruiu a Líbia? E quem é que começou a armar os nazis ucranianos?

A diferença é que dantes os europeus, que acabavam a ter de gerir crises de refugiados provocados pelas guerras americanas à sua porta, eram enrabados com vaselina, agora é à bruta.

Trump diz claramente quem manda. Porque, ao contrário dos outros, Trump diz claramente ao que vem. Mas ele não é uma anomalia nem é o único culpado. É fruto de uma atuação de sempre. O bloqueio a Cuba dura desde que os cubanos acharam merecer mais que ser o casino e a casa de putas dos Estados Unidos.

Trump pode querer carregar no acelerador, ficar na história como o destruidor da revolução cubana mas nada disto começou com ele.

Trump não é uma doença, é um sintoma mais intenso de uma doença que os Estados Unidos sempre tiveram: a ansia de dominar o mundo e a nefasta doutrina do destino manifesto. Tudo o resto é conversa.

Do blogue Estátua de Sal