José Sócrates
Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
sexta-feira, 13 de março de 2026
Por que a estratégia de guerra baseada na tecnologia dos EUA já não funciona:
Por que a estratégia de guerra baseada na tecnologia dos EUA já não funciona:
(In Telegram, canal Islander, 12/03/2026, Trad. da Estátua)

A questão de saber «quem é mais avançado tecnologicamente» na guerra contra o Irão pode parecer simples à primeira vista, mas, na realidade, é muito mais complexa.
Formalmente, a superioridade tecnológica ainda pertence aos EUA e aos seus aliados. Eles têm uma aviação incomparavelmente mais desenvolvida, reconhecimento por satélite (e reconhecimento em tempo real em geral), sistemas de gestão de batalha, munições de alta precisão e logística global, sem os quais teria sido impossível reunir um número tão grande de tropas em tão pouco tempo. Esta foi a base do modelo americano de guerra desde a operação «Tempestade no Deserto» em 1991 e campanhas subsequentes, como os ataques à Jugoslávia em 1999 e a invasão do Iraque.
No entanto, a natureza tecnológica da guerra, hoje em dia, é cada vez mais determinada, não por quem tem o equipamento mais caro, mas pelo equipamento cujo modelo de combate está mais bem adaptado às condições modernas. E aqui entra a peculiaridade iraniana
O modelo americano de guerra em 2025-2026, incluindo a curta «guerra dos 12 dias» em junho de 2025 travada por Israel (ao estilo americano), permaneceu essencialmente o mesmo: a ênfase estava em ataques de alta precisão, aviação, mísseis de longo alcance e ataques de fogo densos (bem como na capacidade de garantir essa densidade). Esse sistema funciona bem contra Estados que não são capazes de responder simetricamente. Mas quando o adversário constrói a sua estratégia com base em sistemas baratos em massa e tem uma indústria desenvolvida, o quadro muda radicalmente.
Nos últimos anos, o Irão aplicou consistentemente o modelo de guerra distribuída e, após o início da «Epic Rage», levou-o a um novo nível. Como resultado, surgiu uma situação paradoxal em que a infraestrutura dos EUA e dos seus aliados no Golfo Pérsico não estava totalmente preparada para um tal nível de saturação.
Na verdade, pela primeira vez na história recente, os EUA enfrentaram um adversário capaz de representar uma ameaça a três componentes-chave do poder americano ao mesmo tempo: à aviação (através da saturação da defesa aérea, embora esta seja uma questão discutível), à frota (incluindo a comercial, através de mísseis anti navio, drones, etc.) e, acima de tudo, à infraestrutura terrestre e às bases.
Um fator adicional foi que os ataques também afetaram a infraestrutura civil dos aliados dos EUA. De acordo com relatos, alvos como centrais de dessalinização no Bahrein, infraestrutura portuária nos Emirados Árabes Unidos, aeroportos e elementos do sistema regional de defesa aérea/antimísseis foram alvo de ataques. Isso levou a interrupções no tráfego aéreo e a uma tensão significativa em todo o sistema de segurança da região.
Os EUA ainda têm uma enorme superioridade em sistemas de ataque pesado: aviação estratégica, mísseis de cruzeiro, grupos de porta-aviões, sistemas de ataque de alta precisão. Mas, gradualmente, há uma dúvida sobre a eficácia desses sistemas contra um adversário que não concentra forças e não segue as regras clássicas da guerra.
Em certo sentido, o ataque ao Irão é um conflito entre duas filosofias tecnológicas diferentes: a dos EUA, onde são utilizados sistemas caros, complexos e de alta precisão, concebidos para controlar o ar e o campo de batalha. E o seu adversário, o Irão, onde são utilizados sistemas em massa, baratos e distribuídos, concebidos para sobrecarregar a defesa aérea e desgastar o adversário, que os iranianos são capazes de atingir num raio de 5000 km.
No final, verifica-se que, por vezes, não é aquele que possui a tecnologia mais complexa e numerosa que vence a guerra, mas aquele que conseguiu utilizar corretamente métodos de combate mais simples.
Fonte aqui
Do blogue Estátua de Sal
Valha-nos o Garcia Pereira:
«Para o magistrado, as mensagens em causa não constituem qualquer incitamento ou ameaça contra as minorias que visam. “Afirmar-se que determinado grupo de pessoas tem de cumprir a lei corresponde a uma evidência aplicável não só a esse grupo de pessoas, como a todos os cidadãos”, lê-se no seu despacho, que nega que o Chega estivesse a sugerir que a comunidade cigana viva fora da lei: “Não se afigura possível extrair essa conclusão. Quando muito, essa conclusão resulta de sucessivas declarações públicas de André Ventura, que ao longo dos anos terá caracterizado anteriormente os ciganos como uma comunidade que ‘vive de subsídios’ e à margem da lei. Todavia, os cartazes em momento algum afirmam que ‘os ciganos não cumprem a lei’."»
13 Março 2026 às 8:50 por Valupi
Do blogue Aspirina B
quinta-feira, 12 de março de 2026
Do banditismo sanguinário de Trump e Netanyahu ao servilismo da Europa — Os bárbaros contra a civilização:
(Christophe Le Boucher, in A Viagem dos Argonautas, 12/03/2026)

Os bárbaros contra a civilização. Análise crítica e detalhada do conflito desencadeado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
As meninas da pequena cidade de Minab mal tinham começado a sua semana quando a sua escola foi bombardeada pela coligação israelo-americana. Mais de 140 crianças e as 26 professoras foram mortas, além de uma centena de feridos graves — queimados ou esmagados pelos escombros — que carregarão para sempre o trauma deste cataclismo. O The Guardian descreve cenas de horror absoluto, onde pedaços de braços de crianças de seis anos estão ao lado de fragmentos de mochilas cor-de-rosa. Esta escola para raparigas tornou-se o palco do primeiro massacre de grande dimensão cometido pelos Ocidentais na sua guerra contra o Irão. Um horror ocorrido nas primeiras horas do conflito, de uma dimensão sem igual desde as atrocidades cometidas durante a Guerra do Vietname.
Nem Israel nem os Estados Unidos negaram o crime, simplesmente qualificado de “tragédia, se confirmada” pelo secretário de Estado americano Marco Rubio. Um antigo quartel dos Guardas da Revolução iraniana encontrava-se nas proximidades, mas já não está em funcionamento há cerca de dez anos. A explicação mais generosa consiste em supor que o alvo, escolhido com base em informações desatualizadas, era essa antiga base militar.
Ler artigo completo aqui.
Do blogue Estátua de Sal
Passos e as reformas estruturais:
Se o que se passou na Câmara Municipal de Lisboa entre Moedas, o Chega e Mafalda Guerra Livermore – com Moedas a garantir que a senhora foi nomeada por ser “competente” – tivesse ocorrido com pessoas do PS haveria um bacanal ininterrupto nas televisões, jornais, rádios até rolarem cabeças.
O Chega atrai criminosos, o PSD sente-se atraído pelo Chega. Realmente, só falta o regresso de Passos Coelho para consumar esta reforma estrutural já em curso.
12 Março 2026 às 8:31 por Valupi
Do blogue Aspirina B
“Tenho vergonha da covardia e da falta de coragem do nosso governo”:
(Arundhati Roy, in Resistir, 12/03/2026)

– A guerra dos EUA e Israel contra o Irão e o papel da Índia
– “Quaisquer regimes que precisem de ser mudados, incluindo os dos EUA, de Israel e o nosso, precisam de ser mudados pelo povo, não por algum poder imperial inchado, mentiroso, trapaceiro, ganancioso, que rouba recursos e lança bombas, e seus aliados, que estão a tentar intimidar o mundo inteiro para que se submeta”.
“Tenho algo a dizer porque sou filha da minha mãe e porque preciso endireitar os ombros e dizer isto. É uma pequena declaração sobre a guerra que está prestes a consumir o mundo.
“Sei que estamos aqui hoje para falar sobre [o livro] Mother Mary Comes To Me. Mas como podemos terminar o dia sem falar acerca daquelas belas cidades — Teerão, Isfahan e Beirute — que estão em chamas? Em consonância com o espírito de franqueza e indelicadeza da minha mãe Maria, gostaria de usar esta plataforma para dizer algo sobre o ataque não provocado e ilegal dos Estados Unidos e dos israelenses ao Irão. É, naturalmente, uma continuação do genocídio dos EUA e dos israelenses em Gaza. São os mesmos velhos genocidas a usar o mesmo velho manual. Assassinando mulheres e crianças. Bombardeando hospitais. Bombardeando cidades. E depois fazendo-se de vítimas.
“Mas o Irão não é Gaza. O teatro desta nova guerra pode expandir-se e consumir o mundo inteiro. Estamos à beira de uma calamidade nuclear e de um colapso económico. O mesmo país que bombardeou Hiroshima e Nagasaki pode estar a preparar-se para bombardear uma das civilizações mais antigas do mundo. Haverá outras ocasiões para falar sobre isto em detalhe, por isso, aqui, deixem-me simplesmente dizer que estou do lado do Irão. Inequivocamente. Quaisquer regimes que precisem de ser mudados, incluindo os EUA, Israel e o nosso, precisam de ser mudados pelo povo, não por algum poder imperial inchado, mentiroso, trapaceiro, ganancioso, que rouba recursos e lança bombas, e seus aliados que estão a tentar intimidar o mundo inteiro para que se submeta.
“O Irão está a enfrentá-los, enquanto a Índia se acovarda. Tenho vergonha de como o nosso governo tem sido covarde e sem coragem. Há muito tempo, éramos um país pobre com pessoas muito pobres. Mas tínhamos orgulho. Tínhamos dignidade. Hoje somos um país rico com pessoas muito pobres e desempregadas que são alimentadas com uma dieta de ódio, veneno e falsidades em vez de comida de verdade. Perdemos o orgulho. Perdemos a dignidade. Perdemos a coragem. Exceto nos nossos filmes.
“Que tipo de pessoas somos nós, cujo governo eleito não consegue enfrentar e condenar os EUA quando estes raptam e assassinam chefes de Estado de outros países? Gostaríamos que isso nos fosse feito? O nosso primeiro-ministro ter viajado para Israel e abraçado Benyamin Netanyahu poucos dias antes de este atacar o Irão — o que significa isso? O nosso governo assinar um acordo comercial subserviente com os EUA que literalmente vende os nossos agricultores e a nossa indústria têxtil, poucos dias antes de o Supremo Tribunal dos EUA declarar ilegais as tarifas de Trump — o que significa isso? Agora termos “permissão” para comprar petróleo da Rússia — o que significa isso? Para que mais precisamos de permissão? Para ir à casa de banho? Para tirar um dia de folga do trabalho? Para visitar as nossas mães?
“Todos os dias, políticos norte-americanos, incluindo Donald Trump, zombam e humilham-nos publicamente. E o nosso primeiro-ministro ri com a sua famosa risada vazia. E continua a abraçar. No auge do genocídio em Gaza, o governo da Índia enviou milhares de trabalhadores indianos pobres para Israel a fim de substituir os trabalhadores palestinos expulsos. Hoje, enquanto os israelenses se refugiam em bunkers, há relatos de que esses trabalhadores indianos não têm permissão para entrar nesses abrigos. O que diabos tudo isso significa? Quem nos colocou nesta posição absolutamente humilhante, vergonhosa e repugnante no mundo?
“Alguns de vocês devem se lembrar de como costumávamos brincar sobre aquele termo comunista chinês floreado e exagerado, “cão de guarda do imperialismo”. Mas, neste momento, diria que nos descreve bem. Exceto, claro, nos nossos filmes distorcidos e tóxicos, nos quais os nossos heróis de celulóide se pavoneiam, vencendo guerras fantasmas atrás de guerras, burros e super-musculados. Alimentando a nossa insaciável sede de sangue com a sua violência gratuita e os seus cérebros de merda”.
Do blogue Estátua de Sal
quarta-feira, 11 de março de 2026
O vestido que abalou a civilização ocidental:
(Luís Rocha, in Facebook, 10/03/2026, Revisão da Estátua)

Portugal acordou em sobressalto. Não foi um terramoto, nem uma crise financeira, nem sequer uma daquelas crises governativas que brotam como cogumelos no outono. Não. Desta vez a República foi confrontada com algo muito mais grave. O preço de um vestido.
Sim, um vestido. A peça de tecido que Margarida Maldonado Freitas, empresária, farmacêutica e mulher de um Presidente recém-empossado, teve a ousadia de vestir na cerimónia. Um acto escandaloso que obrigou a imprensa especializada em assuntos de elevada gravidade nacional, como decotes, pulseiras e destinos de férias de celebridades, a mobilizar os seus mais experientes analistas têxteis.
A investigação começou como todas as grandes investigações jornalísticas. Com um zoom numa fotografia e uma busca no Google. Pouco depois surgiu a manchete: “Descobrimos o vestido!”. Um trabalho hercúleo digno de Watergate, mas com muito mais seda e muito menos Nixon.
A partir daí abriu-se um debate profundo sobre a democracia portuguesa. Não sobre salários, habitação ou política externa. Não. Sobre se uma mulher adulta, empresária e economicamente independente pode comprar a roupa que lhe apetece com o dinheiro que é dela.
O choque moral foi imediato.
De repente, Portugal descobriu que a República está perigosamente dependente do preço das bainhas. Um vestido caro pode aparentemente comprometer a estabilidade institucional, abalar a Constituição e talvez até provocar uma ligeira ondulação no Atlântico.
Naturalmente, esta análise política sofisticadíssima nasceu no laboratório intelectual de uma revista cuja missão civilizacional é acompanhar a evolução histórica da humanidade através de três indicadores fundamentais. Roupa, casamentos e dietas milagrosas.
Refiro-me, claro, àquela publicação dedicada ao estudo científico das celebridades que pertence ao grupo que também controla o Correio da Manhã, a CMTV, o Record e outras catedrais do rigor informativo. Esse mesmo grupo, hoje chamado Medialivre, herdou um vasto império mediático que inclui jornais, revistas e canais televisivos capazes de transformar qualquer trivialidade numa catástrofe nacional em menos de dez minutos.
É um ecossistema mediático impressionante. Lançam uma história numa revista de celebridades, amplificam-na na televisão, discutem-na em painéis, repetem-na nas redes sociais e, quando damos por nós, o país inteiro debate a bainha presidencial como se fosse uma questão de soberania.
É assim uma espécie de economia circular da indignação pimba.
E não se pense que isto é casual. Não. Há método. Há disciplina. Há uma dedicação quase monástica à arte de transformar trivialidades em escândalos.
Durante anos este mesmo ecossistema mediático serviu de palco permanente a uma figura política que os portugueses conhecem carinhosamente como “o Coiso”, personagem omnipresente em estúdios televisivos, debates inclinados e manchetes que pareciam escritas com a banda sonora das Valquirias de Wagner. Muito 3º Reich.
Agora que começa um novo mandato presidencial vindo da esquerda, os mastins mediáticos parecem ter decidido iniciar a temporada com aquilo que na ciência política se chama um “ataque preventivo à bainha institucional”.
Primeiro, o vestido. Depois talvez os sapatos. Mais tarde, quem sabe, a cor das cortinas de Belém. A vigilância republicana não pode abrandar.
Entretanto, nos estúdios televisivos, continuam os debates conduzidos por comentadores de grande erudição, incluindo a inevitável astróloga residente, figura omnisciente que analisa política internacional, economia global, conspirações planetárias e o alinhamento de Vénus com a taxa Euribor.
É reconfortante saber que o destino da República está também dependente dos trânsitos de Mercúrio.
Mas voltemos ao escândalo têxtil.
O que torna esta polémica particularmente patusca é o seu objecto. Uma mulher adulta, com carreira própria, que provavelmente ganha o suficiente para comprar quantos vestidos quiser sem pedir autorização ao país.
No entanto, segundo a nova escola de pensamento mediático, a esposa de um Presidente deve vestir-se segundo um rigoroso código de austeridade patriótica. Talvez uma túnica de serapilheira, um xaile de lã e sandálias franciscanas.
Tudo o resto ameaça a democracia.
E assim caminhamos, num país parolinho, onde o preço de um vestido provoca mais indignação mediática do que meia dúzia de escândalos financeiros. Um país onde uma revista especializada em frivolidades e pimbalhices consegue lançar o grande debate político da semana e pôr um sem número de alminhas a debitar parvoíces sobre uma mulher emancipada, que apenas comprou um vestido com o seu dinheiro.
Isto tudo um dia depois do Dia da Mulher e dos milhares de clichês sobre a sua emancipação. No fundo, talvez devamos agradecer.
Num mundo cheio de guerras, crises e desigualdades, é reconfortante saber que ainda existem instituições mediáticas dedicadas a proteger a nação contra o perigo mais terrível de todos.
Uma senhora bem vestida. A República agradece.
Beijinhos e até à próxima.
Referências consultadas
https://eco.sapo.pt/…/medialivre-com-lucros-de-19…
https://revistabusinessportugal.pt/medialivre-a-nova…
https://ban.pt/…/medialivre-com-lucros-de-19-milhoes…
Do blogue Estátua de Sal