Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Nexo e plexo:
A Operação Marquês é o maior processo judicial da história da democracia portuguesa. Isto anda a ser repetido desde 2014. Ingénuos (como eu) acreditaram, nos primeiros dias após a detenção de Sócrates no aeroporto, que a Justiça iria mostrar-se capaz de corresponder às suas responsabilidades: apurar a verdade dos factos, impedir a exploração política e não alimentar a indústria da calúnia, decidir com muito maior rapidez do que o seu normal dada a gravidade e consequências do que estava em causa – quer Sócrates viesse a ser acusado e condenado, quer viesse a continuar inocente após ida a tribunal ou por arquivamento. Foi uma ingenuidade que durou dias, não chegou a uma semana.
Desde o princípio, ao se decretar a prisão preventiva, ficámos perante uma inaudita dicotomia que iria sempre ter como desfecho abrir-se uma questão de regime. Ou o PS, partido fundador da democracia e historicamente o mais importante na defesa da liberdade, tinha tido um primeiro-ministro corrupto, e logo aquele que havia conseguido a primeira maioria absoluta para os socialistas; ou o Ministério Público, em conluio com juízes, tinha violado o Estado de direito democrático (cometendo um lençol de crimes) com a intenção de judicializar a política contra o PS. Esta era também uma dicotomia ingénua, abstracta. A realidade, de imediato, tratou de a esfarelar.
O que se seguiu nos 12 anos seguintes mostrou que o MP não conseguiu provar ter existido corrupção, sequer conseguiu propor uma hipótese credível para tal. Ao mesmo tempo, o sistema político, a comunicação social e a sociedade trataram Sócrates como culpado de corrupção, não lhe concedendo presunção de inocência e fazendo campanha pública para que não se conseguisse defender na plena posse dos seus direitos. Pelo meio, aconteceu o dia 9 de Abril de 2021. Foi quando Ivo Rosa reduziu a “especulação e fantasia” uma acusação com mais de 4 000 páginas, para tal lavrando uma decisão instrutória com quase 7 000 páginas. Cheia de erros e escabrosas falácias a coisa? Ao contrário. É um documento tão rigoroso na análise dos materiais apresentados na acusação, e tão exacto na aplicação da lei sobre as acusações, que ninguém de ninguém no editorialismo e no comentariado alguma vez lhe tocou. Minto, algumas peças terão saído a quente nas madraças da indústria da calúnia, mas apenas com pólvora seca. Para ser revertido, outros juízes tiveram posteriormente de perverter ainda mais o processo, perante a cumplicidade e alívio geral.
O que atrás descrevi corresponde a um ciclo, que ainda dura. Nele, instituiu-se como necessidade do regime que Sócrates seja condenado por corrupção. No caso de os tribunais não o conseguirem fazer por falta de tempo ou de racional mínimo para não gerar escândalo internacional, a condenação irá cumprir-se na continuação do assassinato de carácter que dura desde 2004 – e que se faz, inclusive, em órgãos de soberania. Mas em Outubro de 2025 iniciou-se um novo ciclo, quando se ficou a saber da perseguição e devassa do MP a Ivo Rosa, o qual teve em 11 de Maio um ápice na forma de três cartas enviadas ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República e ao Provedor de Justiça pela vítima. 40 páginas de exposição exaustiva e documentada da violência exercida contra si – portanto, contra todos nós. Essa carta, no momento em que teclo, não teve qualquer resposta.
As duas mais altas figuras na hierarquia do Estado são cúmplices do MP contra Ivo Rosa. O Provedor de Justiça é cúmplice do MP contra Ivo Rosa. Os partidos com representação parlamentar, e todos os deputados sem excepção, são cúmplices do MP contra Ivo Rosa. Porque escolhem ser cúmplices? Porque Sócrates. Àquela que já era uma crise do regime onde se cometeram abusos e crimes por magistrados na Operação Marquês, acrescenta-se uma crise constitucional quando os dois mais altos representantes da soberania não querem defender a Constituição e o Estado de direito democrático.
Nada do que se fez a Ivo Rosa se explica sem relação com o que se fez, faz e quer fazer a Sócrates. Não se pode negar o nexo, nem se consegue esconder o plexo.
4 Junho 2026 às 8:41 por Valupi
Do blogue Aspirina B
A investigação perpétua: em resposta a uma anunciada reportagem da SIC:
(José Sócrates, in Facebook, 03/06/2026)

(Independentemente da culpabilidade de Sócrates – que não sabemos ainda se existe – pois ainda não foi julgado e, por isso, só devemos ater-nos a presunções -, há duas asserções indiscutíveis: 1) O que se está a passar, desde há muito, com Sócrates não é a tentativa da Justiça apurar se ele é ou não culpado – de que crimes e em que grau -, mas sim a reiterada acção de o culpar e condenar, seja ou não inocente. 2) Tem valido tudo, e hoje vi um tal nojo de reportagem que revela os escuros compadrios entre o Ministério Público e a comunicação social.
Como podem os portugueses acreditar na Justiça e acreditar que ainda vivem num Estado de Direito?
Estátua de Sal, 04/06/2026)
Um professor de direito fez um parecer para a minha defesa e para a defesa do meu primo. Pagou o meu primo, que tem recursos, eu não os tenho.
Mas esta não é a revelação da SIC – a verdadeira revelação é que a informação foi dada à SIC pelo Ministério Público. O que é escabroso é ficarmos a saber que enquanto decorre o julgamento, o ministério público investiga a defesa. Querem saber os planos da defesa, a estratégia da defesa, quem aconselha a defesa.
Ao fim de treze anos a investigação torna-se perpétua: investigaram no inquérito, investigaram na instrução (mais propriamente, investigaram o juiz de instrução), investigam agora no julgamento. A devassa sempre tem algum ponto mais a explorar. Já investigaram o comprador da minha casa, o empresário que me contratou e agora o Professor de direito que fez um parecer para as defesas.
No direito democrático investiga-se o crime – não a defesa. A criminalização da defesa é a perversão do processo penal. Nenhum estado de direito transforma a defesa em alvo processual pelo simples exercício das suas prerrogativas. Bem vistas as coisas, não se trata de uma investigação, mas de um ato contínuo e demoníaco de vingança.
Vingam-se do juiz Ivo Rosa, vingam-se da queixa no tribunal europeu e vingam-se da humilhação do procurador Rosário Teixeira, apanhado a prestar falsas declarações no julgamento da ação extracontratual contra o Estado.
A revelação da SIC sobre quem pagou o parecer é o eterno retorno da covardia e das sombras.
A notícia é encomendada pelo ministério público e o segredo de justiça é violado de acordo com o interesse dos procuradores.
Nunca é culpa de ninguém.
A violação do segredo de justiça é o crime de ninguém.
Do blogue Estátua de Sal
OS CRISTÃOS- NOVOS:
(Major-General Carlos Branco
OS TRABALHADORES NÃO ESCONDEM O ROSTO:
Os incidentes de violência ocorridos junto à Assembleia da República, após a manifestação promovida pela CGTP, nada têm a ver com os trabalhadores e as suas organizações de classe. Quem luta por salários dignos, melhores condições de trabalho e direitos sociais não precisa de esconder o rosto nem de destruir bens públicos para fazer ouvir a sua voz.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
Execrável:
ZITA SEABRA...muito esquecida. Vergonhosa a omissão e vaidade!
Qual lição...de ZITA???

