Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
domingo, 16 de agosto de 2026
Ventos Semeados: Vidas Improváveis - XVII. Aníbal, o da Memória Sel...
Dominguice:
Existe algum estudo sobre a violência que o Chega introduziu no sistema partidário? Se existir, essa investigação começará por reconhecer que a sua violência não aparece ex nihilo. Existe sempre violência potencial na disputa política, a qual pode gerar conflitos de variado grau e consequências. E já existia intensa violência política em Portugal em 2017, quando Passos Coelho lançou o Ventura em Loures, precisamente para ensaiar com a chancela do PSD a eficácia de um discurso securitista, alarmista, racista e xenófobo (também porque Trump tinha ganhado um ano antes, havia um novo ciclo na direita à escala mundial, e muito pelo rancor de ter perdido o Governo em 2015 para o PS). A diferença que o Chega trouxe consistiu em assumir o estilo pornográfico como imagem de marca. Isto é, a sua violência foi transformada em espectáculo, sendo a produção contínua desses espectáculos a sua estratégia de comunicação – ou modelo de negócio eleitoral. O que se dizia no táxi e na tasca, para usar essas metáforas relativas ao simplismo degradado e aos tabuísmos, passou a dizer-se na televisão, nos cartazes e no Parlamento. Ao mesmo tempo, profana-se a simbólica religiosa e a teologia, tentando pescar ignaros reduzidos à identidade católica ou evangélica. Quase tudo agora se pode dizer na práxis política e na comunicação social; e tudo, mesmo tudo, pode ser insinuado.
Esta violência específica tem sido gerida pelo partido que a criou, o PSD. Porque tem sido útil e promete continuar a ser. Talvez por isso não exista nenhum estudo sobre a violência do Chega.
16 Agosto 2026 às 8:41 por Valupi
Do blogue Aspirina B
O mistério dos soldados russos alienígenas:
(João Ferreira, in Facebook, 14/08/2026, Revisão da Estátua)

Segundo a narrativa que diariamente nos chega através de alguns canais televisivos europeus — ou, talvez mais correctamente, da Igreja Universal do Reino dos Mírdia — o Exército russo consegue a extraordinária proeza de perder dezenas de milhares de militares todos os meses e, ainda assim, continuar a aparecer no campo de batalha como se tivesse descoberto uma fonte inesgotável de soldados.
Mas é nas trocas de cadáveres que o fenómeno entra definitivamente no domínio da ficção científica.
Por cada 1000 cadáveres de militares ucranianos entregues, são apenas trocados pouco mais de 30 cadáveres de militares russos.
Quando chega o momento de trocar corpos, aparecem números que parecem pertencer a uma guerra diferente daquela que vemos explicada diariamente nos ecrãs. Por cada grande quantidade de cadáveres ucranianos devolvidos, o número de russos entregues pode ser muitíssimo inferior. E aqui nasce uma questão científica que merece urgentemente financiamento de Bruxelas: onde estão os restantes russos?
Se acreditarmos simultaneamente em todas as contagens televisivas e interpretarmos as trocas de cadáveres como se fossem um retrato directo das baixas totais de cada lado, resta uma hipótese fascinante: 90% do Exército russo é constituído por alienígenas.
Não há outra explicação. Morrem aos milhares perante as câmaras dos comentadores, mas, chegada a hora de entregar os corpos, evaporam-se. Talvez sejam recolhidos durante a noite por uma nave-mãe estacionada algures sobre os Urais. Talvez se desintegrem automaticamente ao som da palavra «troca». Ou talvez Putin tenha finalmente desenvolvido aquilo que a NATO ainda não conseguiu: infantaria biodegradável.
O mais extraordinário é a persistência do fenómeno. Ano após ano, os mesmos mapas, os mesmos especialistas, as mesmas estimativas categóricas e, naturalmente, a mesma certeza absoluta. Porque na moderna liturgia televisiva existe uma regra simples: os números anunciados ontem podem ser esquecidos amanhã, desde que o gráfico de hoje tenha muitas setas.
Naturalmente, há uma explicação muito menos divertida: estatísticas de baixas, mortos confirmados e cadáveres recuperados ou trocados não são grandezas directamente comparáveis. Uma troca de corpos não constitui, por si só, um balanço estatístico da guerra. Mas essa pequena chatice metodológica estraga completamente a teoria dos alienígenas.
E seria uma pena.
Porque entre acreditar que, numa guerra, ambos os lados fazem propaganda, apresentam números incompletos e seleccionam aquilo que lhes convém divulgar, ou acreditar que dezenas de milhares de soldados russos mortos são discretamente teletransportados para outra galáxia, começo a achar que a segunda hipótese daria um excelente debate televisivo.
Só falta convidarem um especialista em OVNIs.
Do blogue Estátua de Sal
sábado, 15 de agosto de 2026
Ventos Semeados: Vidas Improváveis XVI. Rita, a arruaça com mentira...
The Handmaid’s Tale, versão portuguesa Herbert Richers:

É injusto culpar a unipessoal André Ventura pelo surgimento de um movimento de instrumentalização político ancorado no fanatismo religioso, alegadamente criado por mulheres conservadoras. Também lá estão fundamentalistas do PSD e do CDS a ajudar os respectivos partidos a cavar a sua sepultura. Cada partido tem o necrófago que merece.
É bom deixar algo muito claro desde já: quem defende e celebra um genocídio, quem defende o ódio contra outros povos ou religiões e quem defende corruptos que encornam a mulher com prostitutas e actrizes porno está desde logo apresentado. Usam Deus em vão e incorrem em pecado mortal. Dito por outras palavras, são uma fraude. Ou, quiçá, são um estratagema do Diabo para encaminhar o rebanho para o fogo do inferno.
São, em toda a linha, a negação dos ensinamentos de Jesus que dizem defender.
Adiante.
Para que serve, então, um movimento destes?
Serve, sobretudo, para normalizar a dar suporte a agenda de submissão da mulher, defendida pela direita radical e pela extrema-direita.
Porquê?
Porque as mulheres, nos países desenvolvidos, tendem a votar à esquerda do espectro fascista. Seja em partidos de esquerda, seja em conservadores moderados, seja em partidos de direita liberal cujo liberalismo não se esgota numa agenda de extinção de impostos e privatizações em toda a linha.
E isto constitui um problema para os novos fascistas, em países onde o voto é livre.
Solução?
Retirar o voto às mulheres.
E se isto te parece do domínio da conspiração, sugiro que dediques alguns minutos a pesquisar sobre o que se está a passar nos EUA, onde começam todas as modas que cá chegam com uns anos de atraso.
Vê o caso da aliança entre neofascistas e evangélicos que pretende retirar o voto às mulheres e substituí-lo pelo “voto do lar”, eufemismo fofo para “o homem decide, a mulher cala a boca e vai para a cozinha”. O pastor de Pete Hegseth, que já dá palestras no Pentágono, é um dos seus mais empenhados proponentes. Pesquisa Doug Wilson e vê com os teus olhos.
Este movimento, parece-me, será uma versão portuguesa das trad wifes americanas, uma seita financiada por algumas das maiores fortunas americanas para promover a submissão das mulheres, o abandono de carreiras profissionais em detrimento da família – porque o homem é limitado e incapaz de fazer a sua parte em casa – e a redução ao papel de cozinheira, jardineira, trocadora de fraldas e carregadora de chinelos e cervejas no percurso fogão-sofá.
Poderás estar a pensar: mas estas mulheres têm carreiras e cargos políticos. Como podem estar a defender políticas que as podem prejudicar?
Simples: todos os movimentos de opressão tiveram os seus idiotas úteis. Negros que serviam esclavagistas ou judeus que serviram no exército da Alemanha nazi são dois bons exemplos disso mesmo. Por isso não será da admirar que existam mulheres a defender que se retirem direitos às mulheres. Por convicção, por estupidez ou por dinheiro. A história está repleta de traidores de classe.
Veremos no que isto dá. Se isto é só uma fotocópia dos fundamentalismos religiosos paridos nos EUA e Brasil, ou se estamos perante uma luso-singularidade. Uma coisa parece-me certa? Sinto-me mais ameaçado por este tipo de sharia do que por todos os muçulmanos que residem em Portugal.
De longe.
15/08/2026 by João Mendes
Do blogue Aventar
TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS:
in "A Pluma Caprichosa", jornal Expresso.
Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens - CIMH

