Rádio Freamunde

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domingo, 27 de setembro de 2026

No final desta semana, o Pedro Nuno Santos esteve num debate promovido pela associação de estudantes de uma universidade:

Fez um conjunto de considerações politicamente "desalinhadas" com o PS e a governação de António Costa e com o actual rumo de José Luís Carneiro, veio gritar em consideráveis parangonas o nada neutro jornal Observador.

Ora, que eu me recorde, o Pedro Nuno não tem feito outra coisa desde há uns 10 anos que não mostrar "desalinhamento", pensamento próprio, fazendo com frequência a proposta de novas ideias políticas. E, note-se bem, em 2024 ficou a 50.000 votos de ser Primeiro-Ministro.
O "desalinhamento" do Pedro é uma das suas irredutíveis qualidades, o que o torna numa verdadeira reserva política. Para o PS como para o país.
E eu, será que também considero, como parece que o Pedro fez, que na governação de Costa e agora na liderança de Carneiro não esteve tudo bem?
Claro que o acompanho numas matérias e talvez não noutras.
Mas é seu o mérito de agitar as consciências e vir alertar para que a alternativa política em Portugal tem muito especiais responsabilidades e deve ser afirmada com muito mais clareza, muito mais assertividade e com compromisso verdadeiramente transformador do estado de coisas.
Ainda bem que o Pedro Nuno veio relembrar estas evidências.

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Ventos Semeados: Chamem-lhe aldrabão, é o que ele é!:   Há-de chamar-se a alguém outra coisa que não aquilo que ele é? A pergunta ficou no ar depois de Hugo Soares ter chamado aldrabão a André V...

Donald Trump e a era do Mal:

(Chris Hedges, In The Chris Hedges Report, 26/09/2025, Trad. Estátua de Sal)

O Grande Ditador – por Mr. Fish

Sob qualquer perspectiva moral, Trump é depravado. Mas, investido do poder do Estado, desce a outro patamar — o patamar do Mal.

Donald Trump exibe as características clássicas dos psicopatas: charme superficial, grandiosidade e arrogância, necessidade de estímulo constante, propensão para mentir, enganar e manipular, e incapacidade de sentir remorso ou culpa.

Mas será ele mau?

Se, como escreve a filósofa Susan Nieman , o mal não é simplesmente o oposto do bem, mas antes algo que lhe é hostil, se o objetivo do mal é destruir todas as distinções morais, então Trump qualifica-se como o mal. Para Trump, a moralidade é para os perdedores. Toda a vida é transaccional. O interesse próprio e o enriquecimento pessoal suplantam todas as outras considerações. Ninguém mais importa.

No seu novo livro , “Call It Evil: Understanding the Trump Era” (Chamem-lhe Mal: ​​​​Entendendo a Era Trump), Neiman defende que o mal “não é crueldade, mas algo muito pior: as ideias que permitem que a crueldade se torne comum“.

E ela continua:

Há uma diferença entre chamar má a uma ação e chamar crime a outra. Os crimes são coisas para as quais temos procedimentos — pelo menos para punir, senão para prevenir. Isto significa que um crime pode ser encaixado de alguma forma no resto da nossa experiência. Chamar má a uma ação é sugerir que ela não pode ocorrer — e que, por isso, ameaça a nossa confian,ça no mundo, confiança que necessitamos para o navegar. Não existe uma linha divisória clara entre o mal e o terrível. “Má” é o que se diz quando o queixo nos começa a cair, ao percebermos que uma linha foi ultrapassada.

Trump ultrapassa todos os limites. Declara guerras por capricho. Enriquece-se a si e à sua família com esquemas de criptomoedas, dos quais já lucrou mais de mil milhões de dólares. Ordena assassinatos e o rapto de chefes de Estado. Utiliza milhares de milhões de dólares dos contribuintes para sustentar o genocídio na Palestina e, desde Janeiro de 2025, já vendeu mais de 20 mil milhões de dólares em novas armas a Israel. Desmantela departamentos governamentais criados para apoiar os mais vulneráveis ​​e inflaciona o orçamento de guerra. Cria forças paramilitares desonestas para aterrorizar os cidadãos e os imigrantes. Ataca e tenta censurar a imprensa.

Em suma, ele faz o que todos aqueles que cometem o mal fazem. Fomenta um mundo onde nada é sagrado e onde a democracia e as virtudes cívicas não existem.

Os conceitos de equidade, decoro, justiça e empatia são implodidos pela administração Trump. A sua ameaça de aniquilar o Irão – isto é, cometer genocídio – anunciada, por todo o lado, nas Nações Unidas, é recebida com indiferença por um público anestesiado pela sua vacuidade moral.

“Uma vez que a supremacia do interesse próprio é consagrada como realismo de senso comum em vez de uma ideia filosófica, capacidades morais como a empatia e a vergonha tornam-se não apenas ingénuas, mas suspeitas”, escreve Neiman. E continua: “Os sádicos existem e causam sofrimento interminável. Mas as formas mais comuns de maldade surgem da visão de que apenas os tolos acreditam em algo para além da sua própria vantagem.”

As instituições criadas para proteger a democracia, salvaguardar as virtudes cívicas e promover a igualdade — incluindo os tribunais, os escritórios de advogados, as universidades e os meios de comunicação social, todas capturadas pela classe dos bilionários — rapidamente se curvaram para bajular a Casa Branca de Trump. Os magnatas de Silicon Valley inundaram-no, a ele e à sua campanha, com milhões de dólares. As alegadas virtudes que estas instituições e indivíduos afirmavam defender foram descartadas. Essas virtudes, demonstrou-se, não passavam de marketing, de performance artística, de uma farsa.

Para um público enraivecido, a ganância e a crueldade transparentes de Trump são preferíveis à hipocrisia dissimulada dos políticos, republicanos e democratas, que o antecederam. Ele não se envolve na falsa empatia deles. Na verdade, parece incapaz de empatia.

Quando a moral se torna coisa de tolos, a virtude perde o seu sentido. Quando acreditamos que devemos agarrar o que podemos, mesmo à custa dos que nos rodeiam, sucumbimos ao Mal.

“Ao contrário de nós, exibe permanentemente a combinação de motivações que nos dizem ser as verdadeiras forças motrizes do comportamento humano”, escreve ainda Neiman sobre Trump:

Também não parece entender ninguém. Embora reconheça que as outras pessoas, também conhecidas como perdedoras, têm normas, não faz ideia de como essas normas funcionam, levando as pessoas a sobreporem-se aos seus próprios interesses para as honrar. Agindo no palco internacional à imagem dos genes implacáveis ​​de Richard Dawkins, atraiu milhões de seguidores que dizem admirar a sua autenticidade. Isto não significa que os seus seguidores sejam deploráveis. Podem não ser maus, mas num mundo onde o interesse próprio implacável geralmente se camufla sob cores suaves, consideram a sua franqueza refrescante. Já ouviram tantas vezes que as pessoas escondem o interesse próprio genuíno que realmente move as coisas, que se sentem aliviadas por ver um homem que nunca o esconde.

O pior mal, defende Neiman, “pode ser a negação do mal – tal como o desprezo por qualquer bondade que se lhe possa opor. Quando o interesse próprio se torna a base da razão, o mal já não tem de se justificar. Já foi confundido com racionalidade”.

Este mal conduz-nos pelo caminho já conhecido do fascismo. Foi Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto durante o primeiro mandato de Trump, que nos alertou, chamando a Trump “fascista até à medula“.

Os media — sem coragem suficiente para rotular Trump de fascista — preferem a palavra “autoritário“, que, como observa Neiman, pode ser mais tolerável, mas “não tornará o fascismo mais tolerável“.

Autoritarismo, observa ela:

[É] uma palavra que pode ser útil para descrever certos professores alemães e o tipo mais brando de regime militar latino-americano. Mas um país onde homens mascarados deportam pessoas para desertos que nunca viram? As tropas de combate ocupam as grandes cidades e disparam sobre os cidadãos que protestam pacificamente? Um governo que coage os media, as universidades e outros países a atenderem à sua vontade? Um exército que faz explodir pescadores em pedaços com as mais insignificantes justificações e depois inicia o tipo de guerras que o Tribunal Militar Internacional de Nuremberga condenou? Como foi escrit em 1946: “Iniciar uma guerra de agressão não é apenas um crime internacional, é o supremo crime internacional, diferindo dos outros crimes de guerra apenas por conter em si o mal acumulado de todos eles.” Seria fácil continuar, mas enumerar crimes é inútil. Antes destas palavras serem impressas, o governo já terá encontrado inúmeras novas formas de desrespeitar o Estado de Direito.

Estamos em apuros.

A decadência moral na nossa sociedade precedeu Trump. Ele é a sua conclusão lógica. Ele é a apoteose de uma cultura onde a ganância, a exploração e o interesse próprio, os princípios fundamentais do neoliberalismo, são apresentados como as forças definidoras da existência humana.

Devemos lutar enquanto podemos. Mas para isso precisamos de resgatar a linguagem do bem e do mal. Precisamos de fazer escolhas morais e aceitar o sacrifício pessoal. Precisamos de reconhecer a desolação que se apresenta diante de nós, sem desviar o olhar do monólito fascista que se consolida.

Negar estas verdades e recusar-se a desafiar o mal garantirá a nossa escravidão.

Pronunciar estas verdades e estar ao lado dos oprimidos e marginalizados, mesmo que isso implique sacrificar a nossa própria segurança financeira e física, libertar-nos-á.

Fonte aqui

Do blogue Estátua de Sal

Dominguice:

Não há um único partido, com ou sem presença parlamentar, de quem se possa esperar respeito pelo Estado de direito democrático, patriotismo, republicanismo, coragem face aos abusos e crimes de magistrados. Há mais de 20 anos, e continua, que a miséria é igual no Palácio de Belém. Neste quadro, ter a segunda maior força parlamentar a cometer crimes dentro da própria Assembleia da República, sem que a Polícia Judiciária queira indiciar a simulação que se tornou evidência pública, não ficará como uma anomalia. A ser, é antes um corolário e uma culminância de décadas.

Os tempos estão óptimos para o combate. Não há é com quem.

por Valupi

Do blogue Aspirina B 

sábado, 26 de setembro de 2026

A MAIOR AMEAÇA PARA A EUROPA NÃO É A RÚSSIA...:

"Acredito que este seja um dos melhores discursos já feitos no Parlamento Europeu.

Foi feito pelo eurodeputado eslovaco Ľuboš Blaha, dirigindo-se a Kaja Kallas.
Deve ser lido integralmente com atenção e, se possível, divulgado o máximo possível, porque aqui dentro há realmente tudo:
«É você que representa a maior ameaça híbrida para a Europa! A maior ameaça híbrida para a Europa não é a Rússia, senhoras e senhores, mas a senhora Kallas, que está aqui entre nós e quer nos arrastar para uma guerra nuclear.
Vocês sabem o que é o desespero? Quando a elite alemã, só para derrotar o AfD nas eleições, organiza uma operação dos serviços secretos em Leipzig e atribui a responsabilidade à Rússia. Eles destruíram completamente suas relações com a Rússia e, apesar disso, ainda assim perderam as eleições. Excepcional!
Nem o Mr. Bean teria alcançado esses resultados.
Não só perderam, mas também se mostraram incompetentes!
Senhora Kallas, você fala constantemente de «ameaças híbridas», mas na realidade é exatamente o contrário.
São vocês, há muitos anos, que estão conduzindo uma guerra sangrenta contra a Rússia. Suas armas matam russos.
Vocês estão se armando como nos tempos de Hitler e sua retórica anti-russa está no nível dos nazistas. A crua verdade é que a Rússia não atacou nenhum dos países da União Europeia.
São vocês que atacaram a Rússia.
São vocês que se empurraram até as fronteiras russas. São vocês que, por décadas, tentaram provocar uma mudança de regime na Rússia. E agora têm medo de receber o que merecem, como crianças mimadas. Você é uma belicista extrema, senhora Kallas. Vá embora!»
Este discurso deveria ser exibido em todas as redes unificadas. Em vez disso, nada, melhor divulgar as porcarias de Ursula von der Leyen, Kaja Kallas e o resto dos belicistas. Deus me livre de dizer aos italianos que na Europa há quem se oponha à retórica belicista...
- Giuseppe Salamone

E uma comissão de inquérito ao assalto ao gabinete de Ventura?

(Ana Sá Lopes, in newsletter do Público, 24/09/2026)


Cara leitora, caro leitor,

Imagine que o gabinete de Luís Montenegro na residência oficial de São Bento tinha sido assaltado e de lá tinham sido roubados papéis fundamentais sobre o ministro Luís Neves (ou qualquer outro).

Imagine que o gabinete de José Luís Carneiro na Assembleia ou no Largo do Rato tinha sido vandalizado? O que acha que estes dois políticos iriam fazer? Tentar fingir que aquilo não tinha acontecido?

Estava em causa o regular funcionamento das instituições e acredito que tanto Montenegro como Carneiro estariam disponíveis para falar com a Polícia Judiciária – e não depor por escrito. Em qualquer destas situações hipotéticas, o país ficaria em transe e o Governo (ou o PS) também. No Chega e com o Chega no pasa nada.

André Ventura e os outros deputados chamados a depor no inquérito da PJ ao assalto ao gabinete vão depor por escrito. É muito mais difícil, já se sabe, do que depor ao vivo e ter que responder na mesma hora a perguntas feitas por polícias. Ventura não costuma ter problemas e é muito rápido a responder a perguntas directas, desde que não sejam sobre o assalto ao gabinete, como se viu na entrevista no canal Now.

Esta semana, saiu uma notícia na revista Sábado muito interessante. A Polícia Judiciária confessa a sua impotência em resolver um assalto (costumava ter grandes resultados na criminalidade comum) e admite que pode mesmo ter havido “encenação”, o que é crime. Ao mesmo tempo avisa que a investigação pode não dar em nada e o caso do assalto ao gabinete de Ventura pode ficar em águas de bacalhau – uma grande derrota para a justiça, a somar ao escândalo desta semana da investigação a escutas ilegais.

A notícia, da autoria de Alexandre Malhado e João Amaral Santos, tem passagens muitíssimo interessantes e reveladoras do estado das coisas dentro do Chega relativamente ao assalto ao gabinete.

Passo a citar: “No Chega o assunto é o elefante na sala. Não se discute o tema, embora este seja comentado em surdina. O Chega não fez a sua própria diligência interna para apurar os factos (…) Em alguns deputados existe a incompreensão por não se cavalgar um tema tão grave”. E agora uma citação deliciosa de um deputado à Sábado: “Se fazemos barulho por umas coisas, por que motivo não fazemos para isto?”. A notícia acrescenta que a Sábado enviou perguntas ao grupo parlamentar do Chega sobre o tema do assalto ao gabinete mas não obteve resposta.

Sinceramente, não consigo perceber o silêncio quase geral perante um caso desta gravidade que aconteceu num órgão de soberania. Houve pessoas que falaram, nomeadamente o PSD e o Livre que, por terem trazido o assunto para a primeira linha, foram acusados por Ventura de terem sido os culpados pelo assalto.

Apesar de aqui e ali alguns políticos falarem do assalto, o tema tem sido genericamente desvalorizado, em muitos casos porque se dá de barato que André Ventura vandalizou o gabinete, ou mandou alguém fazer para arranjar umas imagens para o TikTok, e que isso é normal e é alguma coisa com que temos que “lidar”, como com o sol ou a chuva.

Não pode ser assim. Se se encolhe os ombros à possibilidade de um gabinete de um dos partidos que mais deputados tem no Parlamento poder ser vandalizado e roubado (nomeadamente, como disse Ventura a 28 de Julho e nunca mais repetiu, “documentos relevantes” sobre Luís Neves que iriam servir para a comissão de inquérito que vai agora avançar), estamos mesmo perante a decadência moral das instituições. O mesmo é válido para o caso, ainda não provado, de ter sido Ventura a mandar vandalizar o gabinete.

Porque é que nenhum partido ainda propôs uma comissão de inquérito à segurança no Parlamento e em outros órgãos de soberania, já que o que aconteceu ao Chega pode acontecer em qualquer lado? Seguramente, uma comissão de inquérito parlamentar sobre a segurança no Parlamento com enfoque no assalto ao gabinete de Ventura seria um serviço à dignidade das instituições. Nada do que envolve este tema dá vontade de rir.

Ao pé da cama

Acabou de me chegar o livro de Mário Centeno com Filipe Santos Costa, Contas Certas. Vou começar a lê-lo esta noite com imensa curiosidade. As pré-publicações que saíram no PÚBLICO e também no Expresso são muito reveladoras de que Mário Centeno, como dissemos no podcast Soundbite, está a fazer a “rodagem do carro” – a expressão que Cavaco Silva usou como argumento para se ter deslocado ao congresso da Figueira da Foz em 1985, onde foi eleito líder do PSD.

Nos últimos tempos, tenho andado entretida com uma monumental biografia do general De Gaulle A Certain Idea of France do historiador britânico Julian Jackson. Foi-me “recomendada” num artigo que li na New Statesman e passo a palavra – a biografia é excelente e o autor tem uma escrita fantástica e não utiliza aquela seca que às vezes ataca alguns historiadores.

Até para a semana.

Do blogue Estátua de Sal