Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
terça-feira, 2 de junho de 2026
Luís Montenegro devia parar de mandar os outros trabalhar e começar, ele próprio, a trabalhar:
Ventos Semeados: Este Governo Não Governa
A prestação social única da Ramalho: Trabalho forçado com outro nome:
(Augusto Oliveira, in Facebook, 31/05/2026)

O Governo quer obrigar os beneficiários de prestações sociais a fazer trabalho voluntário. Mas desde quando o voluntariado é obrigatório? A própria ideia é absurda. Se é obrigatório, não é voluntariado. Se é voluntariado, não pode ser imposto. Não há volta a dar. Chamar voluntariado a uma obrigação é apenas uma tentativa de maquilhar a realidade com palavras bonitas.
Quem trabalha deve receber salário. Ponto final. O apoio social existe para garantir a sobrevivência mínima de quem vive em situação de pobreza ou exclusão. Não foi criado para fornecer mão-de-obra barata ao Estado ou às instituições.
Esta é mais uma invenção da senhora Ramalho. Segundo as suas palavras, o primeiro objetivo da prestação é “dar o mínimo de dignidade e de condições de vida a todas as pessoas”, protegendo situações de insuficiência económica severa. No entanto, é difícil conciliar esse discurso sobre dignidade com medidas que obrigam quem já vive em situação de pobreza a trabalhar sem remuneração adequada.
A frase soa bem nos discursos, mas esvazia-se de sentido quando se exige trabalho em troca de uma prestação que mal chega para pagar contas básicas.
Falar de dignidade enquanto se obriga pessoas pobres a trabalhar por valores miseráveis é um exercício de cinismo político.
Gostava de ver os defensores desta medida sobreviverem durante seis meses apenas com o salário mínimo nacional. Melhor ainda, gostava de os ver viverem com os cerca de 247 euros mensais que muitos beneficiários recebem. Talvez então percebessem o que significa escolher entre comer, aquecer a casa ou comprar medicamentos.
A mentora do pacote laboral, que na minha opinião, deveria seguir diretamente para o contentor do lixo da História surge agora com mais uma medida que representa uma visão profundamente desumana da pobreza, esta medida destina-se a castigar quem já vive no limite. Pessoas que sobrevivem com 247 euros por mês passam a ter de prestar pelo menos 15 horas de trabalho por semana, ou seja, cerca de 60 horas por mês.
As contas são simples: 247 euros divididos por 60 horas resultam em pouco mais de 4 euros por hora.
Se uma empresa pagasse este valor aos seus trabalhadores, ouviríamos falar de exploração. Mas quando é o Estado a fazê-lo, tentam vender a medida como integração social, responsabilidade ou solidariedade. Não é nada disso. É exploração dos mais pobres, embrulhada em linguagem burocrática.
O mais revoltante é a mensagem que esta medida transmite: quem recebe uma prestação social é tratado como suspeito, como alguém que tem de provar constantemente que merece sobreviver. Em vez de combater as causas da pobreza, combate-se quem é pobre.
A pobreza não é um crime. Receber apoio social não é um privilégio. É um direito de quem vive em situação de necessidade. O verdadeiro escândalo não é haver prestações sociais. O verdadeiro escândalo é haver quem trabalhe uma vida inteira e continue pobre, enquanto se apontam os dedos aos mais vulneráveis para esconder os fracassos das políticas públicas.
Se o trabalho é obrigatório, paguem-no de forma justa. Se não o querem pagar, não lhe chamem voluntariado. Chamem-lhe pelo nome que merece: trabalho forçado disfarçado de política social.
Mas não te revoltes. É exatamente isso que esperam de ti.
Fonte aqui
Do blogue Estátua de Sal
“A UCRÂNIA VAI PERDER”:
Professor Mearsheimer afirma que "o O cidenteestá a enviar ucranianos para um matador".
segunda-feira, 1 de junho de 2026
O Pedro (Passos Coelho) e o Luís (Montenegro):
Não é estranho que o Pedro queira voltar, sobretudo ao ouvir o que dizem dele os que elogiariam qualquer indigência política da mesma origem partidária, o que surpreende é que o levem a sério.
Não vale a pena trazer à colação o que foi a catástrofe da sua chegada ao poder, para o País e para o próprio PSD, sobretudo para este que pode não se ressarcir de tão trágica herança. Bastaria lembrarmo-nos que o Pedro foi um produto de Miguel Relvas e Marco António, que chegou ao poder porque o obrigaram a dar o dito pelo não dito depois de se ter comprometido a apoiar o PEC-IV.
É ocioso lembrar que a crise das dívidas soberanas não foi responsabilidade do governo de turno, no caso liderado por José Sócrates, mas uma das crises cíclicas do capitalismo prevista por Marx, um nome diabolizado, vá-se lá saber porquê. Dizer que o PEC-4 teria poupado Portugal às consequências mais gravosas é uma heresia, apesar das evidências de que o plano, aprovado pela senhora Merkel, teria resultado, como planos semelhantes resultaram noutros países.
Mas falar disso é tão grave como reconhecer o mérito do Governo da Geringonça na recuperação, governo que, meia dúzia de anos volvidos, passou de virtuoso a diabólico.
À guisa de provocação deixo aqui uma certeza, não foi a venalidade de Ricardo Salgado que fez falir o Banco Lehman Brothers, foi a crise das dívidas soberanas cujas ondas de choque arrastaram numerosos Bancos pelo mundo. Ricardo Salgado, o banqueiro em cuja casa foi preparada a candidatura de Cavaco a PR, com os casais Marcelo, Durão Barroso e o próprio Aníbal, foi também vítima da crise. As suas fraudes de milhões são uma gota de água nos milhares de milhões de euros que a crise e o governo do Pedro custaram a Portugal.
Se houvesse memória, era escusado lembrar o fracasso do governo do Pedro, a tragédia das privatizações e a sua absoluta indigência ética, política e cultural.
Bastaria lembrar a abolição dos feriados do 1.º de Dezembro e 5 de Outubro para termos a certeza de estar perante um apátrida amoral, analfabeto e inimputável.
Na véspera da mais humilhante derrota dos EUA no Irão, e, com ela, de todos os aliados, ou de uma guerra com risco de se globalizar e englobar a que se trava na Ucrânia, a luta entre o Pedro e o Luís é uma guerra entre duas inutilidades com aplausos e apupos das bancadas.
Do período académico do Pedro e da companhia com Sousa Lara, que o convidou para catedrático, fica apenas o fino recorte da linguagem que se refina entre almocreves e que agora trouxe para o espaço mediático, curiosamente na apresentação de um livro.
Ordem apresentou participação contra Carlos Alexandre após queixas de vários advogados:
Foi
a Ordem dos Advogados que fez a participação contra Carlos Alexandre por causa
das polémicas publicações nas redes sociais.
À
SIC, o Bastonário explicou esta segunda-feira que apresentou a
participação depois de ter recebido queixas de vários advogados relacionadas
com publicações do juiz desembargador, que agora ocupa o cargo de presidente da
comissão de combate à fraude no SNS.
O
Conselho Superior da Magistratura reuniu-se esta segunda-feira, mas para
decidir se há matéria para abrir processo disciplinar, foram pedidos mais
elementos à Ordem.
“Entre
outros assuntos, o Plenário deliberou: solicitar à Ordem dos Advogados a
concretização dos factos que levaram à participação apresentada relativa ao
juiz desembargador Carlos Alexandre, por considerar necessário dispor de
elementos adicionais que permitam a sua adequada apreciação.”
O que está em causa?
Os comentários de Carlos Alexandre são escritos em nome próprio, normalmente em notícias divulgadas no Facebook. Por exemplo, sobre a Operação Influencer, processo que continua vedado a António Costa. Há críticas a outros políticos do Partido Socialista (PS), como Helena Roseta.
Depois
de abandonar o Parlamento durante o discurso de André Ventura no 25 de
Abril, o juiz recorre ao sarcasmo para se pronunciar sobre a
residência de António José Seguro. O Presidente da República decidiu
continuar a viver nas Caldas da Rainha em vez de ocupar o Palácio de Belém.
Chama polvo à RTP e marajás aos administradores da televisão pública. Mas também tem elogios a dar, por exemplo ao nome decidido pelo Chega para o Tribunal Constitucional, a uma intervenção pública de Pedro Passos Coelho e à eventual criação de um novo partido de direita.
Há uma hora
domingo, 31 de maio de 2026
A Igreja Universal do Reino dos Mirdia e a sua influência na sociedade:
(João Ferreira, in Facebook, 31/05/2026)

Há muito que deixei de chamar jornalismo ao que se pratica nos grandes grupos mediáticos do Ocidente coletivo. Para mim, e esta é a minha leitura pessoal dos factos, o que existe hoje é outra coisa: uma instituição dogmática, ritualizada e obediente que decidi batizar, com toda a irreverência que o tema merece, como Igreja Universal do Reino dos Mirdia.
Não é uma acusação leviana. É uma observação construída ao longo de anos de assistir, com crescente perplexidade, à forma como a chamada comunicação social europeia — e ocidental em geral — opera. A questão central não é a qualidade do jornalismo. É a sua independência. Ou antes, a ausência dela.
A maior parte dos grandes grupos mediáticos não sobrevive exclusivamente das receitas de publicidade. Sobrevive de participações económicas — estatais e corporativas — que criam, por definição, uma cadeia de dependências. Quando o Estado financia, o Estado espera retorno. Quando grandes fundos de investimento como a Vanguard ou a BlackRock detêm participações em grupos de comunicação, a narrativa tende, curiosamente, a alinhar-se com os interesses de quem paga. Não por acaso, o Sr. Friedrich Merz, que hoje governa a Alemanha, foi anteriormente presidente do conselho de supervisão da BlackRock em território alemão. São coincidências que prefiro não ignorar.
A este quadro económico de captura mediática, some-se o quadro político. A senhora Ursula von der Leyen, em nome da União Europeia, proibiu canais e meios de comunicação que não seguiam a narrativa dominante. O critério não foi a desinformação provada — foi o desvio doutrinário. Canais foram encerrados não por mentirem, mas por divergirem. Numa democracia saudável, isso chama-se censura. No léxico da Igreja dos Mirdia, chama-se “proteção do espaço de informação”.
E é precisamente aqui que a analogia religiosa se torna mais pertinente. Aquilo a que assisto diariamente nos grandes canais e estações não são debates — são missas. Não são entrevistas — são homilias. Os jornalistas foram substituídos por ativistas com credenciais de imprensa.
Os analistas independentes foram substituídos por especialistas de serviço, comentadores que circulam entre redações com a mesma mensagem pré-fabricada, artistas da propaganda que António Gramsci teorizou com precisão cirúrgica e que Joseph Goebbels ensaiou com eficiência brutal.
O resultado está à vista. Décadas de injeção sistemática da cultura woke — uma anestesia cultural sofisticada — produziram uma audiência que perdeu, em grande medida, a capacidade crítica. Não pensar tornou-se confortável. É mais fácil absorver uma mentira bem repetida do que investigar fontes independentes, comparar versões e procurar, no espaço entre narrativas, onde mora a verdade. A preguiça intelectual não é um acidente — é um produto cultivado.
E tudo isto tem, naturalmente, um objetivo. Um cidadão domesticado, bem nutrido de indignações selecionadas e certezas pré-digeridas, paga os seus impostos satisfeito e convicto de que o dinheiro está em boas mãos. Mesmo quando esse dinheiro segue diretamente para o financiamento da guerra.
Esta é a minha leitura. Posso estar errado em alguns detalhes. Mas a arquitetura do sistema que descrevo — a captura económica dos média, a dependência política, o ativismo disfarçado de jornalismo, o cidadão infantilizado — não é uma teoria da conspiração. É observável. É verificável. E é, para mim, inaceitável chamar-lhe democracia sem corar.
Fonte aqui
Do blogue Estátua de Sal


