A EDP e a PT sempre deram lucros. Antes esses lucros ficavam em Portugal, agora vão na forma de dividendos maioritariamente para accionistas na China, EUA ou França. Os hospitais privados dão lucros porque, se o cliente não paga antecipadamente e não tem seguro, ou se arrasta para o SNS ou deixam-no morrer na sala de espera (a minha mãe precisava de uma operação, de urgência, ao apêndice, num hospital privado, e só foi aceite no bloco operatório depois de eu fazer uma transferência, no momento, de uns largos milhares de euros).
Os bancos privados dão lucros privados, aos accionistas, e milhares de milhões de prejuízos públicos (grande parte dos milhares de milhões da Troika - que todos nós estivemos a pagar - foram para salvar da falência os bancos privados portugueses e evitar que deixassem de pagar aos seus credores na Alemanha).
As autoestradas e pontes dão lucros, aos concessionários privados e seus accionistas, porque foram contratos, feitos por governantes sem sentido de serviço público, à medida dos seus clientes e com generosas margens e condições - à custa dos salários e do dinheiro de quem precisa de andar de carro para trabalhar e não tem alternativas.
As televisões privadas, as rádios e jornais em Portugal estão endividados até ao tutano e muitas vezes dão prejuízo, mas vão servindo a agenda dos seus donos que pagam e se fazem pagar por isso.
E depois há negócios que dão lucros, e sempre os deram, porque sempre foram da iniciativa privada, como a venda a retalho e a distribuição. Mas porque será que antes as mercearias e minimercados davam para os proprietários viver e hoje os hipermercados fazem lucros astronómicos? Exacto, por isso mesmo.
No caso da televisão e informação públicas, o simples anúncio da intenção de privatizar ameaça a democracia. Não é por acaso: essas ameaças à democracia são o fundo de comércio da extrema-direita.