Coisas que Podem Acontecer:
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
quinta-feira, 18 de junho de 2026
A CIMEIRA DE KAZAN TAMBÉM TEM "FOTOS DE FAMÍLIA":
Os defesas da equipa adversária não costumam ir tomar um café ou fumar um cigarro para nos deixar passar, ó Martínez:
E costumam querer ganhar os jogos mais do que nós, ó Martínez!
Ontem, depois do golo promissor do João Neves, o espectáculo tornou-se confrangedor (infelizmente habitual). Os jogadores entraram em modo de trocas de bola para trás e para o lado e a baliza deixou de interessar (aí, sim, o guarda redes teve mais do que tempo para ir ao bar e voltar), mesmo quando algum jogador corria para a frente para lhe passarem a bola. Não. Era melhor serenar. Qual é a pressa, não é?
Aguentei 20 minutos, fui à minha vida e, quando regressei, já no fim do jogo, o Congo tinha surpreendentemente apenas empatado e o Ronaldo continuava em campo a não fazer nada, enquanto o Trincão e o João Félix continuavam no banco. Como é isto possível?
Pergunto-me se o treinador da selecção portuguesa vê jogos como o da Inglaterra vs. Croácia, ou da Áustria vs. Jordânia, ou o de Marrocos, da Argentina, da Suécia, da Noruega e outros e aprende alguma coisinha. E se consegue ao menos entender o contraste. A determinação nuns e a falta dela noutros. Duvido. Um enrascado, parece burro.
Por favor, algum jornalista lhe pergunte que ideia tem ele de um jogo bem disputado, empolgante e digno de ser visto e porquê a aversão ao risco?
De uma perspectiva economicista, os próprios jogadores desistiram de se valorizar. Meninos, fazem muito mal.
18 Junho 2026 às 9:38 por Penélope
Do blogue Aspirina B
Debates quinzenais quem os viu e quem os vê:
Não volto a dizer que atrás de tempos outros tempos virão porque vamos cair, não demora muito, numa ditadura.
Manuel Pacheco
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Do G7 de “segurança e guerra”, à cimeira em Kazan sobre o futuro económico:
(João Gomes, in Facebook, 17/06/2026)

Enquanto os líderes das maiores nações industrializadas se reúnem para discutir conflitos, sanções, segurança internacional e contenção estratégica, uma outra reunião decorre longe dos holofotes mediáticos ocidentais.
Em Kazan, na Rússia, dirigentes políticos e económicos da ASEAN e da Federação Russa debatem um tema diferente: o futuro das ligações económicas, comerciais e logísticas numa ordem internacional em transformação.
A coincidência temporal entre os dois encontros dificilmente passa despercebida. De um lado, o G7 procura responder aos desafios imediatos da guerra na Ucrânia, da “segurança europeia”, das tensões no Médio Oriente e da crescente rivalidade entre as grandes potências. Do outro, em Kazan, discute-se sobretudo comércio, investimento, transportes, energia, tecnologia, conectividade e novos corredores económicos entre a Europa, a Ásia e o mundo emergente.
Mais do que uma simples diferença de agenda, os dois eventos parecem representar duas visões distintas sobre as prioridades do século XXI.
Quem participa na reunião de Kazan? A cimeira assinala os 35 anos de relações entre a Rússia e a ASEAN, organização que reúne dez países do Sudeste Asiático: Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Vietname, Filipinas, Brunei, Laos, Myanmar, Camboja. Em conjunto, estes países representam mais de 680 milhões de habitantes e uma das regiões económicas mais dinâmicas do planeta. Embora não constituam um “bloco político” comparável à União Europeia, possuem uma importância crescente nas cadeias de produção globais, no comércio marítimo e na indústria tecnológica.
Porque foi escolhido este momento? A resposta é simultaneamente económica e geopolítica. Desde o início do conflito na Ucrânia, a Rússia tem procurado demonstrar que as sanções ocidentais não equivalem a isolamento internacional. A estratégia russa passou por acelerar a aproximação aos mercados asiáticos, africanos e do Médio Oriente, apostando numa diversificação das suas relações económicas. Kazan surge assim como uma montra dessa política.
A mensagem enviada por Moscovo é clara: enquanto o Ocidente continua a discutir mecanismos de contenção, a Rússia procura construir novas pontes económicas com algumas das regiões mais dinâmicas do mundo. A verdadeira batalha são os futuros “corredores económicos”. O tema central da reunião não é apenas comércio. O que está em causa é o controlo dos futuros corredores económicos globais.
Durante décadas, a economia mundial esteve fortemente dependente das rotas marítimas tradicionais controladas ou protegidas pelas grandes potências ocidentais. Hoje, diversos países procuram desenvolver alternativas.
A Rússia promove o chamado Corredor Internacional Norte-Sul, ligando o Báltico ao Golfo Pérsico através da Rússia, do Cáspio, do Irão e da Índia. A China continua a expandir a sua Iniciativa Faixa e Rota. Os países da ASEAN procuram integrar-se nessas redes sem ficarem excessivamente dependentes de uma única potência. Por trás das declarações diplomáticas existe uma disputa pelo desenho das futuras artérias do comércio mundial.
O contraste com o G7
O contraste entre os dois encontros é particularmente revelador. No G7 dominam temas como: Ucrânia; Segurança europeia; Sanções; Defesa; Inteligência artificial e segurança tecnológica; Contenção de riscos geopolíticos.
Em Kazan dominam temas como: Infraestruturas; Corredores de transporte; Investimento; Energia; Comércio; Integração económica regional.
Naturalmente, seria simplista afirmar que um encontro fala apenas de guerra e outro apenas de economia. A realidade é mais complexa. A economia tornou-se um instrumento geopolítico e a geopolítica influencia diretamente a economia. Mas a diferença de enfoque é evidente. Enquanto o G7 discute sobretudo como gerir as crises do presente, a reunião de Kazan procura posicionar-se como um fórum de reflexão sobre as oportunidades do futuro.
Um mundo em mudança
O significado mais profundo desta cimeira talvez não esteja nos acordos que venham a ser assinados, mas na tendência que representa. Durante décadas, os grandes fóruns internacionais eram quase exclusivamente dominados pelas economias ocidentais. Hoje surgem novos centros de poder económico, novos mercados consumidores e novas plataformas diplomáticas.
A existência destes fóruns demonstra que a influência internacional está a tornar-se mais distribuída. Kazan é, nesse sentido, mais do que uma simples cidade anfitriã. É um símbolo de uma transformação gradual da geografia do poder mundial. Talvez a imagem mais adequada para compreender o momento atual seja a de dois mundos que coexistem. Num deles, os líderes discutem conflitos, ameaças e estabilidade estratégica. No outro, discutem mercados, corredores comerciais e crescimento económico.
Mas a simultaneidade entre o G7 e a cimeira de Kazan revela uma realidade cada vez mais evidente: o centro da economia mundial está a deslocar-se progressivamente para a Ásia, e os países emergentes pretendem participar na definição das regras da próxima era económica.
A questão que permanece em aberto não é se essa mudança ocorrerá. A verdadeira questão é saber com que rapidez ocorrerá e quem estará melhor preparado para ocupar os lugares de destaque na nova arquitetura económica global.

