Rádio Freamunde

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

O ELEVADOR DA INGLÓRIA DA JUSTIÇA:

Há tragédias que matam duas vezes.
A primeira, no instante brutal em que o ferro cede, o sistema falha e a vida humana é esmagada pela irresponsabilidade. A segunda acontece lentamente, nos corredores da burocracia, nos gabinetes onde o tempo passa devagar demais para quem perdeu tudo.
O Elevador da Glória tornou-se, tragicamente, o elevador da inglória da justiça portuguesa.
Dezasseis mortos. Dezasseis. Não estamos a falar de um acidente menor, de um azar impossível de prever ou de uma fatalidade sem antecedentes. Falamos de um desastre que, desde os primeiros dias, vinha acompanhado de suspeitas técnicas sérias: manutenção insuficiente, sinais ignorados, responsabilidades diluídas entre empresas, administrações e contratos.
E, no entanto, passaram nove meses até que a Polícia Judiciária decidisse realizar buscas às casas dos responsáveis da Carris e da empresa MAIN. Nove meses:
- Tempo suficiente para desaparecerem documentos.
- Tempo suficiente para alinharem versões.
- Tempo suficiente para os computadores mudarem de mãos, os telemóveis serem trocados e as memórias ficarem convenientemente difusas.
A pergunta que fica pendurada, como um cabo gasto debaixo do chão, é simples: porque demorou tanto tempo?
Num país normal, perante um acidente desta magnitude, as buscas seriam praticamente imediatas. Não por ação mediática, mas porque qualquer investigação minimamente competente sabe que as primeiras horas e os primeiros dias são decisivos para preservar provas e impedir manipulações. Mas em Portugal existe esta estranha cultura da lentidão seletiva.
Quando o cidadão comum falha, o sistema move-se depressa. Penhoras, notificações, multas e processos surgem quase instantaneamente. Mas quando as suspeitas sobem de elevador até gabinetes institucionais e administrações com influência, instala-se uma calma estranha. A urgência evapora-se. Tudo passa a exigir “tempo”, “prudência”, “análise técnica” e “complexidade processual”.
A justiça portuguesa tem este problema permanente: confunde serenidade com inércia. E o pior é que a demora não é neutra. Nunca é. Cada mês que passa sem medidas fortes favorece sempre alguém:
- Favorece quem teve tempo para reorganizar narrativas.
- Favorece quem conhece os mecanismos internos do sistema.
- Favorece quem sabe que, em Portugal, a memória coletiva tem prazo curto e a indignação pública envelhece depressa.
As famílias das vítimas ficaram presas no único elevador que nunca sobe: o da espera. Esperam respostas. Esperam responsabilidades. Esperam que alguém lhes explique porque morreram os seus. Esperam que o Estado demonstre que a vida humana vale mais do que relatórios adiados e formalismos judiciais.
Mas o país habituou-se perigosamente à ideia de que as grandes tragédias acabam sempre arquivadas entre tecnicalidades, recursos, prescrições e culpas distribuídas tão finamente que já ninguém consegue tocar nelas. É esta a verdadeira inglória. Não apenas a falha mecânica de um elevador. Mas a falha moral de um sistema que reage devagar demais quando devia correr. Porque uma justiça que chega nove meses depois de indícios tão graves não aparece tarde apenas ao processo. Vem tarde para as vítimas. Vem tarde para a verdade. E vem perigosamente tarde à própria credibilidade do Estado.
A Ministra da Justiça mostra-se incompetente. O Magistério Público mostra-se incompetente. A Câmara de Lisboa mostra-se incompetente. A administração da Carris mostra-se incompetente.
E quando há tanta incompetência a única saída é acusar os responsáveis de desleixo.

João Gomes 

Ventos Semeados: A Operação e o Calendário

Ventos Semeados: A Operação e o Calendário: Chama-se Operação Imergente. Quatrocentos inspetores, sete magistrados, 60 mandados de busca domiciliária, 32 não domiciliários, cinco detid...

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duas ou três coisas: Devoções: Em regra, as siglas dos partidos têm três letras. Entre nós, há um partido que tem apenas duas letras — MP — e que tem a curiosa caraterísti...

Tamir Pardo, ex-director da Mossad, tem vergonha de ser judeu:

Pode ser uma imagem de texto que diz "OBSERVADOR Ex-diretor da Mossad compara viol violência de colonos israelitas a nazis: "Tenho vergonha em ser ser judeu""Tamir Pardo foi director da Mossad entre 2011 e 2016. Aparentemente, ter-se-á convertido num perigoso antisemita, pese embora seja judeu. A brutalidade sionista atingiu uma patamar de obscenidade tal que começa a ser difícil encontrar argumentos para a defender. Haja esperança nos israelitas com espinha dorsal.

29/05/2026 by  

Do blogue Aventar 

O Ministério Público é um descanso:

Teria sido muito fácil ao Ministério Público ligar o lançamento público de investigações de arrebimba o malho ao PS com o calendário político. Já o fez no passado, obtendo sucesso espectacular. É uma cena que eles fazem bem e com gosto. Mas tal não se passou neste caso do “Imergente”.

Ter-se escolhido a semana em que a sede do PSOE foi alvo de buscas, Ivo Rosa deu entrevistas a queixar-se de ter sido espiado, e depois o dia preciso em que saía uma sondagem muito favorável ao PS e Amadeu Guerra ia ao Parlamento falar de umas coisitas sem importância nenhuma, só pode ter si uma banal coincidência. E como é que nós podemos ter a certeza disso para além de qualquer dúvida razoável? Muito simples. Porque foi o próprio Amadeu quem o garantiu: “Podem ficar descansados que nunca tive timings políticos.

E é mesmo isso, podemos e devemos ficar descansados. Porque este homem sabe do que fala. Foi ele quem, há uns meses, garantiu que Sócrates tinha todo o direito a ter uma oportunidade para tentar provar a sua inocência. Ora, acaso quem assim se manifesta misericordioso seria capaz de usar os poderes totalitários do Ministério Público para brincar aos políticos, ou até para lhes meter medo e apertar os túbaros?

Claro que não, mano. Aliá, dúvidas que haja é falarem com o senhor, perguntarem-lhe cenas e das cenas. Ele deixa-nos descansados, adormecidos.

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PS (pun intended) – E a graça de ter calhado a 28 de Maio? Uma feliz coincidência, mais uma! 

por Valupi

Do blogue Aspirina B

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Não deem audiência a quem chama democracia a um genocídio!

(Tita Alvarez, in Facebook, 23/05/2026) 


Eles não me enganam. Apenas me enojam.

Há princípios que não se negociam.

O genocídio, a intenção sistemática de destruir um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, é o aniquilamento absoluto de cada um desses pilares. Não é uma “falha” ou uma “imperfeição”. É a rutura total.

Um Estado que pratique, auxilie ou permita o genocídio não pode, sob qualquer artifício retórico, ser chamado de democrático. Nem sequer de “democracia imperfeita” ou “falha”. É, pura e simplesmente, um regime criminoso.

E. no entanto, todos os dias, comentadores televisivos vão aos ecrãs, em horário nobre, afirmar que Israel é um Estado democrático. Repetem como um mantra: “é a única democracia no Médio Oriente”.

Estes comentadores não são ingénuos. São pagos para mentir. São pagos para normalizar o anormal. São pagos para chamar “democracia” a um regime que, perante a lei internacional e a evidência factual, é acusado de cometer o maior dos crimes.

Não vou dar audiência a quem recebe um salário para branquear horrores. Não vou sentar-me no sofá a ouvir alguém que, com factos e seriedade fingida, tenta convencer-me de que o que estou a ver com os meus olhos não é verdade.

A democracia morre quando as palavras perdem o sentido. Morre quando nos habituamos à mentira repetida até à exaustão.

Eles não me enganam. Apenas me enojam.

Não vou dar audiência a quem é pago para mentir. Quem normaliza o horror não tem lugar no meu ecrã, nem no meu tempo, nem na minha consciência.

Se ainda tem um mínimo de decência e de clareza moral, faça o mesmo. Desligue. Não valide. Não alimente quem mente ao serviço do poder.

A Democracia não se diz. Pratica-se. Genocídio também não se esconde. Vê-se. E quem vê e continua a chamar democracia ao que está a acontecer… não é comentador. É cúmplice.

Do blogue Estátua de Sal

Quando os comentários nas redes sociais sobre Vladimir Putin, a primeira reação é de espanto:

Como é possível? Como pode alguém apoiar um homem acusado de crimes de guerra, de destruir cidades inteiras e de silenciar opositores?
Mas se ficarmos apenas no espanto, perdemos a análise. E sem análise não há compreensão. E sem compreensão, o mundo continua a arder.
O colapso da URSS ainda marca gerações
Para perceber o apoio a Putin é necessário recuar a 1991. Com o fim da União Soviética, milhões de russos viram o seu mundo desmoronar-se. As poupanças desapareceram. Os empregos evaporaram. O orgulho nacional foi profundamente abalado perante o cenário de uma Rússia fragilizada e, em muitos casos, humilhada no plano internacional.
Putin chega ao poder com a promessa de restaurar essa dignidade perdida. Para muitos, essa promessa foi cumprida. A Rússia voltou a ocupar um lugar central na política global. Voltou a ser ouvida. Voltou a ser temida. Voltou, sobretudo, a existir como potência.
Para quem viveu o período de colapso e instabilidade, o medo que Putin inspira no Ocidente pode ser interpretado não como ameaça, mas como sinal de recuperação de poder.
A máquina de propaganda mais poderosa do século
A televisão russa não se limita a informar, molda perceções. Durante décadas, muitos cidadãos foram expostos a uma narrativa constante em que a NATO surge como agressora, a Ucrânia como instrumento dos Estados Unidos e Putin como a única garantia de proteção da chamada “mãe Rússia”.
Este fenómeno, no entanto, não se restringe à Rússia. Em vários países de África, da América Latina e da Ásia, meios como a Russia Today difundiram durante anos uma leitura alternativa da ordem internacional. Essa narrativa encontrou terreno fértil em contextos onde a desconfiança em relação ao Ocidente já era profunda e historicamente enraizada.
Para populações que associam o Ocidente a exploração económica e intervenção política, a mensagem de resistência promovida por Moscovo não soa necessariamente a propaganda, mas a confirmação de uma experiência histórica.
O ressentimento antiocidental é real e tem raízes históricas
Não é possível ignorar o peso da história colonial. Durante séculos, potências ocidentais dominaram, exploraram e condicionaram o desenvolvimento de vários continentes, com especial impacto em África, na Ásia e nas Américas. Esse legado não desapareceu com os processos de independência.
Quando líderes ocidentais condenam a ação de Putin, muitas sociedades respondem com uma questão recorrente e legítima: e o Iraque, e a Líbia, e o Afeganistão?
O duplo critério é percebido como real e é frequentemente explorado como argumento político e mediático. Putin utiliza essa perceção de forma estratégica na sua narrativa internacional.
Neste contexto, não se trata necessariamente de apoio ao líder russo, mas de desconfiança em relação a quem o condena.
A geopolítica do petróleo e do gás
Em vários países, o apoio a Putin também tem uma dimensão pragmática. A Rússia surge como parceiro energético e comercial alternativo, muitas vezes sem as condicionalidades associadas a acordos com o Ocidente, nomeadamente em matéria de direitos humanos e modelos de governação.
Para alguns governos, especialmente em África e na Ásia, esta relação representa uma margem de manobra estratégica. Permite negociar fora da esfera de influência tradicional das potências ocidentais.
Neste sentido, o apoio a Putin pode ser interpretado menos como adesão ideológica e mais como escolha geopolítica.
O perigo desta divisão
A divisão do mundo entre “pró-Putin” e “anti-Putin” alimenta um ambiente global de confrontação informacional. A desinformação circula em múltiplas direções, enquanto a leitura dos factos é frequentemente substituída por leituras emocionais e ideológicas.
Neste cenário, as consequências humanas são constantes. Civis ucranianos mortos em bombardeamentos, soldados russos enviados para o combate, e populações inteiras apanhadas em dinâmicas políticas que não controlam.
O debate central não se resume a uma escolha entre apoiar ou rejeitar Putin.

A questão mais profunda é outra: que tipo de ordem internacional está a ser construída no meio deste conflito e que mundo surgirá quando a guerra terminar.

 Do blogue Estátua de Sal