(BPartisans, In Verdade e Factos, in Facebook, 30/10/2026, Revisão da Estátua)

Alguém precisava, finalmente, de lembrar aos estrategas de gabinete da Europa que uma guerra contra uma potência nuclear não se trava com declarações grandiloquentes, conferências de imprensa e posturas heroicas atrás de um púlpito.
Segundo a Reuters (Press em 30-10-2026), o Pentágono pediu discretamente a vários aliados da NATO — especialmente aos três Estados bálticos — que moderem as suas provocações verbais contra Moscovo. Tradução diplomática: podem continuar a brincar aos “Churchills de segunda categoria“, mas evitem desencadear uma catástrofe que nós teremos de resolver por vocês.
A ironia é deliciosa. Durante anos, certos líderes europeus competiram em arrogância ao anunciar o colapso iminente da Rússia. Putin estaria encurralado, o seu exército esgotado, a sua economia a dar os últimos suspiros. Pelo que diziam, Moscovo deveria render-se antes da próxima cimeira europeia.
E, no entanto, cinco anos após o início da invasão, a guerra continua. A Rússia não capitulou, e a Ucrânia ainda depende massivamente da ajuda ocidental. É evidente que os comunicados de imprensa triunfalistas de Bruxelas ainda não são reconhecidos como armas de destruição maciça.
O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, chegou a comparar Putin a um rato encurralado. Uma “delicadeza” diplomática que certamente não caiu nada bem a Washington.
Elbridge Colby, um alto funcionário do Pentágono, reiterou, por isso, o óbvio: provocar Moscovo desnecessariamente não aumenta a segurança europeia. Sobretudo quando se depende das forças armadas dos EUA para garantir a própria defesa.
É este todo o esplendor da coragem geopolítica europeia: muito barulho, um cacete minúsculo e o número do Pentágono na marcação rápida.
Enquanto Trump procura retomar as negociações, alguns europeus parecem encarar qualquer possibilidade de compromisso como um ataque insuportável à sua vocação histórica: dar lições de bravura usando o sangue alheio.
O aspecto mais grotesco continua a ser esta contradição constante. A Rússia estaria, supostamente, à beira do colapso, mas, ao mesmo tempo, seria suficientemente formidável para justificar uma militarização acelerada de todo o continente. Um adversário moribundo que, ainda assim, exigiria centenas de milhares de milhões a mais. É preciso ter muita coragem para dizer algo deste género. Vale a pena referir que as ameaças e operações encobertas atribuídas a Moscovo não são, por definição, imaginárias. Contudo, reconhecer um perigo não significa transformar qualquer microfone num detonador diplomático.
Tanto mais que Washington pondera reduzir a sua presença militar na Europa. Os europeus talvez descubram, em breve, um conceito revolucionário: arcar com as consequências das suas próprias palavras.
O Pentágono acaba de reafirmar uma regra básica: quando faltam tanto os meios para sustentar a sua política como o controlo sobre a escalada de tensões, é melhor não confundir diplomacia com uma disputa de latidos.
Em Bruxelas, isto pode desencadear uma verdadeira crise existencial: pela primeira vez, exige-se menos bravata e mais responsabilidade.
Do Blogue Estátua de Sal


