Fala-se muito de Fidel de Castro e conhecemos bem a sua vida no período que levou ao triunfo da Revolução em Cuba e após esta. Fidel Castro tinha 33 anos quando liderou as forças revolucionárias de Cuba que derrubaram o ditador Fulgêncio Batista em 1º de Janeiro de 1959.
Mas hoje quero aqui recordar, o período dos tempos de Juventude de Fidel de Castro, que se fala pouco, o seu espírito rebelde e as experiências de luta que viveu, a sua evolução ideológica, muito antes de ser o líder da Revolução em Cuba.
Os empreendimentos comerciais do pai iam prosperando e assim ele assegurou que Fidel crescesse ao lado das crianças trabalhadoras da quinta, muitos dos quais eram imigrantes haitianos de descendência africana. Anos mais tarde Fidel afirmava que esta experiência o impediu de absorver a "cultura burguesa" na sua juventude.
Aos 6 anos de idade, Fidel, juntamente com os seus irmãos mais velhos, foram enviados para viver com o seu tutor em Santiago de Cuba. Viviam em condições apertadas e de relativa pobreza, muitas vezes não tendo o suficiente para comer devido à má situação económica do seu tutor.
Com 8 anos, Fidel recebeu o batismo da Igreja Católica Romana, embora mais tarde se tenha tornado ateu. Ser batizado permitiu-lhe frequentar o internato de La Salle em Santiago de Cuba, onde regra geral tinha um mau comportamento, o que levou a quer fosse enviado para a Escola Dolores, gerida por Jesuítas, também em Santiago, mas com financiamento privado.
Em 1945, foi transferido para o mais prestigiado dos Colégios, o de Belén, gerido pelos jesuítas, Fidel tinha interesse por história, geografia e debates e dedicou grande parte do seu tempo à prática de desporto.
Começou a estudar Direito na Universidade de Havana, onde ss tempos de universidade foram marcados por uma violenta cultura de grupos estudantis. Fidel envolvia-se em manifestações violentas, em que os manifestantes se confrontaram com a polícia de choque. Foi neste período que forjou sua consciência e as suas ideias evoluíam cada vez mais a esquerda.
Apaixonado pelo anti-imperialismo e contra a intervenção dos EUA nas Caraíbas, Castro juntou-se ao Comité Universitário para a Independência de Porto Rico e ao Comité para a Democracia na República Dominicana.
Em contacto com membros de grupos estudantis de esquerda, incluindo o Partido Socialista Popular, o Movimento Socialista Revolucionário e a União Revolucionária Insurrecional. Em 1947, Castro juntou-se a um novo grupo socialista, o Partido do Povo Cubano (Partido Ortodoxo), fundado por Eduardo Chibás.
A violência estudantil aumentou após Grau empregar líderes de gangues como agentes da polícia, e Castro logo recebeu uma ameaça de morte, instando-o a abandonar a universidade. Fidel recusou-se a sair da Universidade e começou a andar armado e a rodear-se de amigos armados.
Aos 24 anos obtêm o doutoramento em Direito e começa a trabalhar num escritório de advogados, antes de ser candidato pelo Partido Ortodoxo.
Em 1947, ao tornar-se presidente do Comité Universitário para a Democracia na República Dominicana, Castro decidiu juntar-se à expedição, liderada pelo general dominicano exilado Juan Rodríguez, afim de derrubar a junta militar de Rafael Trujillo, na República Dominicana.
Lançada a partir de Cuba, a expedição começou a 29 de Julho de 1947, composta por cerca de 1.200 homens, a maioria dos quais dominicanos ou cubanos exilados.
No entanto, os governos dominicano e norte-americano estavam preparados e logo reprimiram a rebelião. O governo de Grau prendeu muitos dos envolvidos antes de partirem, mas Castro escapou à prisão saltando da sua fragata naval e nadando até à costa durante a noite.
De regresso a Havana, Fidel assumiu um papel de liderança nos protestos estudantis contra a morte de um aluno do ensino secundário por guarda-costas do governo.
Os protestos, acompanhados por uma repressão imposta pelos EUA contra os comunistas, levaram a violentos confrontos entre manifestantes e a polícia em Fevereiro de 1948, nos quais Castro foi severamente espancado.
Por esta altura, os discursos públicos de Fidel assumiram uma inclinação ainda mais á esquerda, condenando as desigualdades sociais e económicas de Cuba, algo em contraste com as suas anteriores críticas públicas, que se centraram na condenação da corrupção e do imperialismo norte-americano.
Em Novembro de 1950, Fidel participa num protesto estudantil contra a proibição das associações estudantis, no Liceu, em Cienfuegos. Protesto onde houve confrontos com as forças policiais durante mais de 4h.
Castro acaba por ser preso e acusado de conduta violenta, tendo sido posteriormente retirada as acusações.
Envolve-se na campanha contra o envolvimento do Ocidente na Guerra da Coreia. Em Cuba as suas esperanças eram o Partido Ortodoxo e Eduardo Chibás, mas este suicida-se durante uma emissão de rádio, onde Castro estava presente acompanhando-o ao hospital mas ele não resistiu e faleceu.
Fidel Castro via-se como o herdeiro de Chibás e quis concorrer ao Congresso em Junho de 1952, mas o Partido Ortodoxo preferiu nomeá-lo candidato à Câmara dos Representantes.
Durante a sua campanha, Castro chegou a encontrar-se com o General Fulgêncio Batista, o ex-presidente que regressara à política com o Partido da Ação Unitária e, embora ambos se tenham oposto à administração do Prío, a sua reunião nunca passou de um encontro formal.
Em Março de 1952, Batista tomou o poder num golpe militar e Prío fugiu para o México. Ao declara-se presidente, Batista cancelou as eleições presidenciais marcadas, descrevendo o seu novo sistema como "democracia disciplinada".
Castro considerou-o um ditador e com razaõ. Batista guinou para a direita, solidificando laços tanto com a elite rica e com os Estados Unidos, cortando relações diplomáticas com a União Soviética, suprimindo sindicatos, e perseguindo grupos socialistas cubanos.
As tentativas de Fidel Castro de combater a ditadura instalada por Fulgêncio Batista por meios legais fracassaram e levaram-no à convicção de que a única saída para derrotar a ditadura era a luta armada.
A partir daqui todos conhecemos a trajetória de Fidel Castro, uma das figuras mais importantes da política mundial do século XX e um dos principais arquitetos da Revolução Cubana que levou à criação do primeiro Estado socialista da América.



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