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quinta-feira, 11 de junho de 2026

ÚLTIMAS HORAS, ÚLTIMOS DIAS, ÚLTIMAS SEMANAS: A ETERNA RETA FINAL DO IRÃO:

Há meses que ouvimos a mesma conversa. Às vezes são horas. Outras vezes dias. Por vezes semanas. Mas a promessa mantém-se inalterada.

O acordo com o Irão está quase concluído. Está iminente. Está próximo. Está a ser ultimado. Faltam apenas alguns detalhes. E depois chega o dia seguinte. Mais um ataque. Mais uma retaliação. Mais uma conferência de imprensa. Mais um especialista a explicar porque razão aquilo que estava quase resolvido afinal continua perigosamente por resolver.
É difícil não sentir um certo cansaço. Não apenas da guerra. Mas da narrativa da guerra.
Trump transformou a diplomacia com o Irão numa espécie de série televisiva sem episódio final. Todas as semanas existe um anúncio de aproximação histórica. Todas as semanas existe uma nova oportunidade. Todas as semanas se fala da paz como quem fala de um comboio que está prestes a entrar na estação. O problema é que a estação nunca aparece.
Entretanto, os Estados Unidos continuam a manter uma gigantesca máquina militar espalhada pelo Médio Oriente. Porta-aviões, bases, meios aéreos, sistemas de defesa e milhares de militares posicionados a milhares de quilómetros do território americano. Tudo isto tem um custo. Um custo financeiro. Um custo político. Um custo estratégico. E, cada vez mais, um custo de credibilidade.
Porque começa a ser difícil perceber qual é o objetivo final. Conter o Irão? Negociar com o Irão? Derrubar o regime iraniano? Conviver com o regime iraniano? Impedir o seu programa nuclear? Redesenhar o equilíbrio regional? Ao fim de tantos anos, as respostas parecem mudar mais depressa do que as perguntas.
Do outro lado, o Irão continua longe de estar isolado da forma como muitos analistas ocidentais imaginavam. O país dispõe hoje de uma geografia que lhe oferece alternativas importantes. O Mar Cáspio transformou-se numa peça estratégica crescente. Os corredores terrestres que ligam o Irão à Ásia Central, à Rússia e, por extensão, aos mercados asiáticos, ganharam importância nos últimos anos.
A China continua a comprar energia. A Índia continua a necessitar de energia. A Rússia continua a procurar parceiros energéticos e logísticos alternativos ao espaço ocidental.
Enquanto muitos debates europeus continuam fixados no Estreito de Ormuz, a realidade geopolítica tem vindo a construir lentamente outras rotas, outros corredores e outras dependências. Nada disto elimina a importância de Ormuz. Mas reduz a ilusão de que existe um botão mágico capaz de resolver a equação regional através de bloqueios e demonstrações de força.
Os Estados Unidos encontram-se a milhares de quilómetros do conflito. O Irão encontra-se no centro geográfico dele. São os americanos que mantêm uma presença militar gigantesca para sustentar uma ordem regional cuja definição parece cada vez menos clara. E são os iranianos que, apesar das sanções, das ameaças e do isolamento parcial, continuam a encontrar formas de adaptação. Não porque estejam já a vencer. Mas porque também não estão a perder.
Entretanto, Israel continua preso à sua própria lógica de insegurança permanente. Entre Gaza, o Líbano, a Síria e a questão iraniana, a tentação da resposta militar permanece sempre presente. O resultado é uma região onde quase todos afirmam procurar estabilidade enquanto quase todos se preparam para a próxima escalada.
E o cidadão comum? Esse continua sentado diante do televisor. Ouve comentadores. Lê análises. Escuta especialistas. Assiste a gráficos. Observa mapas. E aprende todos os dias que estamos perante um momento decisivo. Um ponto de viragem. Uma fase final. Uma oportunidade única. Exatamente como ontem. Exatamente como na semana passada. Exatamente como há três meses.
Talvez o verdadeiro drama desta crise já não seja apenas a guerra. Talvez seja a banalização da sua permanência. Porque quando uma guerra dura demasiado tempo, deixa de ser apenas um conflito. Transforma-se em ruído de fundo. E quando o ruído substitui a compreensão, os cidadãos deixam de acreditar nos líderes, deixam de acreditar nos especialistas e acabam por deixar de acreditar nas próprias notícias.
Mas não deixam de fazer a mesma pergunta. A pergunta que continua sem resposta. Se tudo está tão perto do fim, porque razão o fim nunca aparece?

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