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sexta-feira, 10 de abril de 2026

"Trump Assassino":

Hoje vim à Galiza dar uma palestra para a Associação Memória, Verdade e Justiça que, entre outras coisas muito importantes, lembra os últimos fuzilados do franquismo em 1975 quando, sob controlo democrático de jornalistas e gráficos, a imprensa portuguesa decidiu fazer a mesma capa, única, para os jornais. Lisboa acordou em setembro de 1975, nesse belo PREC, com os jornais a dizer "Franco Assassino". Estavam aqui, em Vigo, vários dos meus livros à venda, em português, e apenas dois deles, traduzidos em espanhol. Todos foram vendidos com excepção dos que estão traduzidos em castelhano...Aqui só se lê em português! Jantámos, tapas, deliciosas pescarias da ria de Vigo, com um bombeiro florestal que é contra o eucalipto. E - agora sustenham a respiração - um cabeleireiro, militante da memória, construtor da Associação, e cuja família teve em 1936, quando o fascismo espanhol tomou o poder, 12 membros fuzilados, bisavô, avô, dois tios...A história. Esse lugar onde sempre nos encontramos com o futuro. Se sois votantes do Chega, do Vox ou de outro qualquer caixote de lixo, se sois jornalistas e em vez de uma capa a dizer "Trump Assassino", escreveis notícias "isentas" sobre o direito de Israel defender-se, deixai pelo menos de me ler, abandonai este mural, que eu tenho pela isenção face ao fascismo mais desprezo do que um galego por Castela.

Raquel Varela

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