Lembrai-vos, Portugueses,
do tempo escuro e frio,
em que a palavra era medo
e o silêncio, um castigo vazio.
Lembrai-vos das portas fechadas,
dos passos dados em segredo,
das vozes presas na garganta,
do pão contado, do medo.
Havia noites sem estrelas,
e dias sem liberdade,
um país de olhos vendados
a fingir normalidade.
Mas um dia, rompeu a aurora!
Sem ódio, sem fuzil na mão,
vieram homens de coragem
plantar cravos na opressão.
Capitães de alma erguida,
filhos do povo a despertar,
trocaram balas por flores,
ensinaram-nos a respirar.
Abril não veio com guerra,
nem com sangue a escorrer,
veio com passos firmes
e um país a renascer.
Deu-nos voz, deu-nos caminho,
deu-nos o direito de dizer
que a Pátria não é prisão,
é lugar de viver!
Mas hoje, há quem se esqueça
do preço da liberdade,
brinca com o fogo antigo
da mentira e da vaidade.
Maltratam a Democracia,
como se fosse banal,
esquecendo que foi conquista
de um gesto quase irreal.
Ó povo! Não adormeças!
Não deixes morrer Abril!
Que os cravos não sejam memória
de um sonho frágil e subtil.
Defende o que foi erguido
sem guerra, sem divisão:
um país de mãos abertas,
livre e dono do coração.
Porque a liberdade, meu povo,
não é eterna por si,
é chama que só resiste
se viver dentro de ti!
Graça Foles Amiguinho
Associada ASM
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