Rádio Freamunde

https://radiofreamunde.pt/

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Hoje, 22 de Abril de 1976:

Cumprem-se 50 anos do criminoso ataque bombista que destruiu as instalações da Embaixada de Cuba , então situada no centro de Lisboa , no quinto andar de um edifício na Av. Fontes Pereira de Melo, causando a morte de dois diplomatas cubanos: Adriana Corcho de 36 anos e Efrén Monteagudo de 33 anos.
Uma pasta foi colocada à saída do elevador principal que continha uma bomba com mais de seis kilos de TNT. A explosão destruiu totalmente o piso. Adriana e Efrén, ao tentarem que os seus companheiros passassem para locais seguros , perderam a vida.
Em 15 de Dezembro de 1977, Ramiro Moreira , autor material do atentado terrorista contra a Embaixada Cubana , que pertencia ao corpo de segurança de um partido de direita, compareceu ante o Tribunal Militar Territorial de Lisboa, para responder pela realização de mais de 60 operações terroristas nas quais havia participado.
Em 1978, no final do julgamento que durou 8 meses, uma dezena de acusados vinculados a estes feitos terroristas foram absolvidos, o que teve certa repercussão nos meios de difusão portuguesa. Moreira foi penalizado a 21 anos de privação de liberdade, 21 anos que não cumpriu. Depois de um breve tempo na prisão , conseguiu evadir-se e iludiu a pena aplicada, fugindo para Espanha. Em 1991 foi indultado pelo governo de Mário Soares.
Em 23 de Agosto de 1981, o advogado português Levi Baptista, representante legal dos familiares dos funcionários cubanos assassinados, acusou a CIA de estar envolvida no atentado bombista contra a Embaixada de Cuba em Portugal. O conhecido jurista declarou que sobre Ramiro Moreira, recaíam as maiores acusações, mas advertiu que ainda permaneciam em liberdade quem o havia mandado a cometer esses crimes.(Fonte : Cuba en Resumen-Dailenis Pérez)
ATÉ SEMPRE COMPANHEIROS!
Até sempre, companheiros.
Nesta estrada que é de todos.
Neste mundo onde há dinheiro.
E não há homens, só lobos.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de enganos.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são humanos.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de vaidades.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são saudades.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de tristeza.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são certeza.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de amargura.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são ternura.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de desgraça.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são raça.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de tormento.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são vento.
Até sempre, companheiro.
Neste mundo de traição.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são mão.
Até sempre, companheiros
Neste mundo de desgosto.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são rosto.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de pecado.
Neste mundo de dinheiro
E de homens que são fado.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de ambição.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são paixão.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de egoísmo.
Neste mundo de dinheiro
E de homens que são abismo.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de ilusão.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são canção.
Até sempre, companheiros
Neste mundo de tristeza.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são beleza.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de esperança.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são dança.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de lamento.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são vento.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de saudade.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são verdade.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de despedida.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são vida.
Até sempre, companheiros.
Neste mundo de partida.
Neste mundo de dinheiro.
E de homens que são vida.

(Ary dos SAntos, dedicado aos diplomatas assassinados da Embaixada de Cuba em Lisboa,1976)

 Olinda Peixoto

 

Sem comentários:

Enviar um comentário