(António Gil, in Substack.com, 11/04/2026, Revisão Estátua)

Ninguém mais se importa com fantasias.
Já assistimos a todos tipos dos ditos reality shows (enfim, eu nunca vi muito ‘disso’, algumas vezes porém não pude escapar, ou por estar num café, ou noutra casa que náo a minha).
O tema pode variar muito, desde ‘O Aprendiz’ em que um tipo na altura mais ou menos ignoto despedia os ‘incapazes’ até, mais recentemente ao ‘ Big Brother’ , ‘Quem quer casar com um Agricultor?’ etc…
O modus operandi porém é sempre o mesmo: trata-se de ‘abduzir’ pessoas da sociedade, com o seu próprio consentimento, e expô-las diante do circo mediático.
Claro que isso requer castings, os produtores sabem bem que há gente inadequada para os seus propósitos. Vocês nunca viram ninguém desdentado num programa desses, ou viram?
E esse é só um dos requisitos; há muitos, mas muitos outros, mesmo. Creio mesmo que além das entrevistas, também há treinos. Só para ter a certeza de que ninguém vai mijar fora do penico.
Pensando nisso, acho as ‘viagens à Lua’ ali pelos fins da década de 60 e inícios da década de 70 foram uma experiência pioneira, nisso tudo. Com uma pequena – talvez grande – diferença: as sessões de casting eram restritas a um grupo já previamente seleccionado.
E dessa selecção prévia, só uns poucos foram considerados aptos. No resto foi muito semelhante: os escolhidos foram devidamente ‘afastados’ do mundo. Viveram meses numa ‘atmosfera’ particular.
Depois de devidamente escolhidos foram filmados, como é de bom tom, tratando-se de reality shows. A tecnologia disponível na altura era no entanto superior, por isso não pode mais ser reproduzida, como se diz.
O realizador era de facto um cineasta de topo. Os actores tiveram de passar por um apertado coador, foram treinados – por exemplo – para mergulhar em piscinas, porque a água ameniza a gravidade dos corpos. Quem já saltou submerso sabe disso.
O filme teve grande sucesso, não nas salas de cinema mas na televisão – reality show, lá está. E agora mais de meio século depois, fez-se uma reprise.
O realizador era mais básico, embora pudesse dispor de uma panóplia de efeitos especiais inexistente na altura. Os actores também pareceram mais impreparados.
Todos os erros dectectados na altura, continuaram presentes e ainda se lhes juntaram alguns mais. Mesmo no aspecto das telecomunicações, numa era dita da ‘informática’.
A Terra, o planeta, continua a ser aquela esfera mais perfeita do que uma bola de futebol. As nuvens não se moveram. As estrelas apagaram-se. E há objectos levitantes que não têm sombra, na cápsula.
Para piorar tudo, em dado momento, perdeu-se o contacto com a Artémis II, coisa que nunca tinha acontecido antes. Ninguém se lembrou de usar um telefone com fios e discagem de números, que resultou tão bem, quando Nixon estabeleceu ligação com a nave Apolo. Por que não? Na altura resultou.
Perdeu-se essa tecnologia, a dos telefones com fios. Perdeu-se a capacidade de alunar. Perdeu-se tudo, excepto a esperança de que os humanos tenham batido no fundo, quanto ao que se chama racionalidade.
Na altura, os EUA estavam prestes a retirar-se do Vietname, uma derrota humilhante. Agora porém é diferente, os EUA não estão a perder guerra nenhuma. Ou estão?
Já não há certezas de nada, sobre nada. Mas este último reality show foi um flop e ninguém quis saber. A maioria das pessoas talvez estivesse ocupada com outras coisas. Como por exemplo, tentando abastecer os automóveis antes da próxima subida de preço dos combustíveis.
Moral da história: quando a realidade morde, ninguém liga mais a fantasias.
Fonte aqui
Do blogue Estátua de Sal
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