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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O BRICS Pay:

Deixou de ser ideia distante e virou estrutura concreta. Não é uma “moeda única” do bloco, como muitos imaginam, mas um sistema de pagamentos que conecta os países do BRICS para que negociem entre si usando suas próprias moedas. Isso muda muita coisa. Significa menos dependência do dólar nas transações internas e mais autonomia para economias que representam uma fatia gigantesca da população e do comércio mundial.
O projeto ganha peso porque nasce inspirado no PIX brasileiro, que já provou na prática que pagamentos instantâneos podem funcionar em larga escala. O BRICS Pay usa tecnologia blockchain, promete processar milhares de transações por segundo e conectar bancos centrais e instituições financeiras dos países membros. A lógica é simples e estratégica: real, yuan, rúpia e outras moedas podem circular diretamente entre os parceiros, sem precisar passar pelo dólar como intermediário obrigatório.
Aqui entram dois nomes centrais. Lula, no plano político, sustenta a narrativa de que o Sul Global precisa mudar a lógica da economia mundial e negociar em condições mais equilibradas. Dilma Rousseff, à frente do Novo Banco de Desenvolvimento, dá base institucional ao projeto, organizando essa engrenagem financeira dentro do próprio bloco. Um articula, a outra estrutura.
Com a expansão do BRICS e a entrada de novos membros relevantes em energia e comércio, o sistema ganha ainda mais sentido. Não é um movimento explosivo de curto prazo, mas uma construção gradual que pode alterar a dinâmica das transações internacionais ao longo dos próximos anos. O BRICS Pay não é discurso. É infraestrutura. E infraestrutura, quando funciona, redefine poder.

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