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sábado, 10 de janeiro de 2026

O nariz do camelo a sangrar:

(Por Scott Ritter, in Substack, 09/01/2026, Trad. Estátua de Sal)

Desta vez, o camelo ficou com o nariz a sangrar. Da próxima vez — se houver uma próxima vez — o camelo pode não sobreviver.

Noutro dia, escrevi um post que usava uma analogia envolvendo um camelo e uma tenda — em resumo, para impedir que o camelo entrasse na tenda depois de enfiar o nariz por baixo dela, era preciso bater-lhe no nariz.

Ontem à noite, a Rússia deu um soco no nariz do camelo.

O uso do míssil Oreshnik contra alvos estratégicos de energia localizados perto da cidade ucraniana de Lvov, no oeste do país, combinado com um ataque massivo a alvos das infraestruturas energéticas em Kiev, representa uma resposta cristalina aos ataques contínuos do Ocidente às infraestruturas energéticas russas, incluindo ataques com drones apoiados pela CIA a refinarias de petróleo russas e apreensões pela Marinha dos EUA de petroleiros com bandeira russa.

O Ministério da Defesa russo também relacionou os ataques russos com os ataque com drones ucranianos que teve como alvo a residência do presidente Putin no final do mês passado.

O uso do Oreshnik é sempre uma grande escalada que não é totalmente apreciada por aqueles que casualmente incentivam o seu emprego. É apenas a segunda vez na história que um míssil estratégico de alcance intermédio com capacidade nuclear é usado em combate (a primeira foi o uso inicial do Oreshnik em 21 de novembro de 2024).

Desta vez, o Oreshnik atingiu um alvo próximo da fronteira entre a Ucrânia e a Polónia. O sinal que este ataque enviou às nações da NATO é claro: a Rússia tem a capacidade de atacar as nações da NATO com impunidade, utilizando armamento convencional não nuclear. A NATO não tem capacidade para se defender contra tal ataque.

Foi interessante que a Rússia tenha optado por disparar o Oreshnik a partir da instalação de testes de mísseis de Kaputin Yar. A Rússia e a Bielorrússia anunciaram recentemente que uma brigada equipada com Oreshnik foi colocada em serviço de combate numa base na Bielorrússia. Mas o ataque não teve origem nesta unidade.

A Rússia indicou que está a colocar em campo brigadas adicionais equipadas com Oreshnik. Kapustin Yar é um local onde o equipamento de combate do sistema de mísseis Oreshnik é adstrito ao pessoal que o opera para o treino final e a preparação técnica necessária antes que uma unidade possa ser considerada pronta para o combate. O recente lançamento do Oreshnik em Lvov pode ter sido um evento de treino operacional reaproveitado com o objetivo de enviar uma mensagem ao Ocidente.

Este não foi um lançamento a partir de um recurso estratégico que foi colocado em serviço de combate. Foi um evento de treino operacional. Há uma diferença.

A Rússia parece estar mais uma vez a enviar uma mensagem ao Ocidente de que procura limitar a escalada. Desta vez, o camelo ficou com o nariz a sangrar. Da próxima vez — se houver uma próxima vez — o camelo pode não sobreviver. Esperemos que o Ocidente seja suficientemente sofisticado para compreender a mensagem que a Rússia parece estar a enviar.

Fonte aqui

Do blogue Estátua de Sal 

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