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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ameaçar é barato, executar é caro:

(Vns News Brasil, in Facebook, 29/01/2026, Revisão da Estátua)

Milhões de pessoas no mundo acompanham a tensão entre Irão e Estados Unidos e interrogam-se por que, mesmo com tantas ameaças, os EUA ainda não atacaram de forma direta. A resposta é simples: as guerras não começam por emoção, começam por cálculo. Para Washington, atacar o Irão agora teria um custo enorme — militar, económico e político — maior do que o custo de esperar.

Hoje, o que existe é uma guerra indireta. O Irão testa mísseis, fortalece as suas forças e atua por meio de aliados regionais. Os EUA respondem com sanções, presença militar e pressão diplomática. Ainda assim, algumas linhas não foram cruzadas: não houve ataque direto ao território americano, não houve mortes em massa de soldados dos EUA e não há prova confirmada de que o Irão possua uma ogiva nuclear operacional pronta para uso. Enquanto esses fatores não acontecerem em simultâneo, a guerra aberta é evitada.

Para que os EUA ataquem “de verdade”, alguns gatilhos seriam decisivos: um ataque iraniano direto contra bases ou cidades americanas, muitas mortes de militares dos EUA atribuídas claramente ao Irão, ou a confirmação de que o país alcançou capacidade nuclear militar plena. Esses cenários mudariam o cálculo político em Washington e tornariam a resposta militar quase inevitável.

Caso uma guerra começasse, o primeiro alvo dos EUA não seria uma invasão terrestre imediata. O foco inicial seria aéreo e tecnológico: bases de mísseis, sistemas de defesa, centros de comando, instalações nucleares e infraestruturas militares estratégicas. O objetivo seria enfraquecer rapidamente a capacidade de resposta iraniana.

Mesmo assim, o Irão não é um país fraco. Ele não precisa de vencer os EUA em poder militar — basta resistir e impor custos. O país possui um grande número de mísseis, forças bem distribuídas, instalações protegidas e aliados regionais capazes de atacar interesses americanos e desestabilizar o Médio Oriente. Isso elevaria o preço do petróleo, afetaria o comércio global e pressionaria as economias no mundo inteiro.

Por isso, comparar o Irão com o Iraque de 2003 é um erro. O Iraque tinha um exército fragilizado, poucas alianças, defesas expostas e isolamento total. O Irão, ao contrário, tem capacidade militar maior, influência regional, uma infraestrutura defensiva mais sofisticada e apoio indireto de aliados estratégicos. O Iraque caiu rápidamente; o Irão enfrentaria uma guerra longa, cara e imprevisível.

No fim, se a guerra acontecer, os EUA provavelmente venceriam militarmente, mas pagariam um custo altíssimo. O Irão sofreria danos severos, mas não seria eliminado facilmente. Quem certamente perderia seriam os civis, a estabilidade regional e a economia global.

A guerra ainda não começou não por falta de ódio ou ameaça, mas porque, até agora, o custo de atacar continua maior do que o custo da contenção.

Do blogue Estátua de Sal 

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