1. Não tenho conhecimento de nenhuma reação das autoridades portuguesas competentes (Presidente da República, Governo) às declarações insultuosas de Donald Trump sobre o comportamento dos Aliados dos EUA na Guerra do Afeganistão (em suma: não teriam ajudado muito, porque se teriam mantido na retaguarda).
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
https://radiofreamunde.pt/
sábado, 24 de janeiro de 2026
À hora em que escrevo:
2. Já não acompanho a realidade portuguesa ao minuto, portanto não posso garantir que ainda não houve a reação que tais declarações merecem. Se houve, têm as autoridades o meu apoio a 100%. Se não houve, aqui vai a minha.
3. Que entendo ter o dever de fazer, primeiro, porque as declarações de Trump insultam também Portugal; e, segundo, porque tenho muito honra em ter podido servir o meu país como ministro da Defesa, entre 2009 e 2011, e como ministro dos Negócios Estrangeiros, entre 2015 e 2021, data em que abandonámos Cabul com os norte-americanos (como sempre dissemos que faríamos, não antes) e por causa dos norte-americanos, e em ambas as circunstâncias lidei de perto com a operação no Afeganistão. E há responsabilidades que permanecem connosco mesmo depois de abandonamos os cargos.
4. Milhares de militares portugueses serviram no Afeganistão cumprindo ordens do Governo português, no quadro da Aliança Atlântica, em resultado da única vez em que o art. 5.º foi ativado na história da NATO, precisamente em auxílio (repito, em auxílio) dos EUA. Serviram sempre sem qualquer 'caveat', isto é, sem que impuséssemos antecipadamente qualquer limite às condições do seu emprego. Com missões tão importantes quanto, por exemplo, a proteção do aeroporto de Cabul. Todos os nossos militares se destacaram pelo seu profissionalismo e competência (que me foram reportados a mim, e a todos os meus antecessores e sucessores na pasta da Defesa, sem exceção, pelos vários comandantes de operações). Todos correram riscos enormes. Dois morreram. O Presidente Donald Trump que, no que diz respeito ao percurso pessoal, não passa de um aldrabeco que descobriu um defeito ósseo nos pés para escapar ao serviço militar, não pode insultar os mortos de todos os aliados e, em particular, não pode insultar os portugueses mortos e veteranos que serviram a luta contra o terrorismo e cumpriram os deveres de aliado, sem que uma voz portuguesa se levante e diga: alto, homem, com a honra das Forças Armadas Portuguesas ninguém pode brincar!
5. Repito, pois: se houve já protesto das autoridades, aplaudo-o vigorosamente. Se não houve ainda, aqui fica o meu.
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