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sábado, 22 de janeiro de 2022

Votómetro do Observador: treta? manipulação? chico-espertice?

Mais uma reconfissão. No carro, depois das 19, é na Antena 3 que gosto de vir. Sou fãzaça do Alvim. Acho-o um daqueles malucos inofensivos que trazem alegria às nossas vidas. Vir a ouvir o Prova Oral era daquelas coisas boas quando diariamente vinha do trabalho depois dessa hora. Claro que tinha os telefonemas à família mas geralmente arranjava maneira de me divertir um bocado com o Fernando Alvim.

Esta quinta-feira calhou, ao virmos do campo, passar das 19. Portanto, claro que ali nos posicionámos. Tinha faltado a convidada, covid oblige, e, portanto, o programa foi de tema livre. Quando isso acontece é do melhor que há. As pessoas ligam para lá e falam do que querem. E querem tudo. Piadas, provocações, desafios -- aparece de tudo. Por vezes é maluqueira atrás de maluqueira. Outras vezes, no meio daquilo, alguém liga para falar a sério. E isso ainda me dá mais vontade de rir. 

Mas isto para dizer que, já nem sei a propósito de quê, alguém disse que tinha experimentado responder 'neutro' em relação a todas as perguntas do Votómetro do Observador e que a conclusão tinha sido que aquilo era uma tanga, que lhe tinha dado que o partido com o qual tinha mais afinidade era o Chega e, logo a seguir, o PSD. Achei curioso. Ainda percebo que uma pessoa que não tenha opinião sobre nada, às tantas, vote no Chega. Mas... o PSD em 2º lugar....? Hummm....

E então tocou uma campainha. A mim tinha-me dado o PS com 80% de afinidade e, inesperadamente, a seguir o PSD. Tinha achado aquilo um puro nonsense mas, num esforço de compreensão, até poderia perceber porquê.

Para já, as perguntas daquilo são simplistas e, algumas, parvas. Por exemplo, eu defendo em absoluto o SNS e a Educação Pública. Contudo, para os melhorar, não acho que a solução seja despejar-lhes em cima mais dinheiro. Acho que o que faz mais falta é reorientação, reorganização, simplificação, revisão de processos e procedimentos. Portanto, à pergunta: "A despesa pública em educação e saúde deve ser aumentada?" eu respondo que não. É que a pergunta é estúpida e destinada a enviesar resultados. A pergunta correcta deveria ser: "A educação e a saúde públicas devem continuar a ser uma prioridade?" E aí eu responderia que sem dúvida que sim.

Ou seja, provavelmente a minha resposta é usada pelo algoritmo para me aproximar do PSD quando isso é errado. Mas, enfim, se consigo identificar quais as minhas respostas que, por deficiente e enviesada formulação das perguntas, foram usadas para isso, já não consigo perceber que uma pessoa que responda 'neutro' a todas as perguntas tenha também o PSD como 2ª opção, o CDS em 3º e a IL em 4º.

Fiz outra experiência: à vez, escolhi como resposta 'neutro' e 'sem opinião'. Pois bem. Qual a conclusão do Votómetro do Observador? 

Aqui está.


 Ou seja, mais uma vez Chega, CDS, PSD e IL nos quatro primeiros lugares.

A seguir troquei: onde antes tinha escolhido 'neutro', agora escolhi 'sem opinião' e vice-versa. Conclusão...? Ora adivinhem...

Cá está. Novamente os mesmos partidos nos 4 primeiros lugares: PSD, CDS, IL e Chega.

O que concluo é que o algoritmo está viciado, tentando indiciar opções de voto puxadas à linha editorial do Observador. Se isso for mesmo assim, será manipulação pura (para ser branda no que digo). E o Observador, ao albergar tretas destas, perde ainda mais a cara como imprensa de confiança. Mostra-se à descarada como uma agremiação de direitolas, de farsolas, de chicos-espertos sem dois dedos de testa. 

Mas uma coisa é o que eu, leiga na matéria, concluo. Mas deve haver maneira de validar isto.

Não sei quem deverá zelar pelo rigor das supostas ferramentas de apoio à decisão na escolha da opção de voto divulgadas pelos órgãos de comunicação social mas alguma deve haver e, havendo, deverá agir atempadamente: auditar, validar e, se for mesmo treta, denunciar e proibir.

Do blogue Um jeito manso 

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