Rui Rio veio a jogo dizer o que faria se fosse ele o Primeiro-Ministro quando a TAP precisou de auxílio público para sobreviver, por causa da pandemia - deixava a empresa falir e abria outra ao lado.
Mas o que significa esta solução?
1. Um candidato a Primeiro-Ministro assume publicamente fazer aquilo que, infelizmente, muitos empresários em Portugal sofrem na pele: um devedor encerra a sua empresa, não paga o que deve aos credores e abre outra empresa ao lado, com outro nome, para continuar o mesmo negócio. Triste exemplo que dá a quem não é sério no mundo empresarial. Portanto, a solução de Rui Rio é que a TAP, empresa com 50% de capital público, “enfiasse” um calote a todos os credores, incluindo empresas portuguesas e cidadãos nacionais que tinham obrigações da própria TAP. Um homem que pensa assim não pode ser Primeiro-Ministro.
2. Rui Rio invoca casos de outros países para justificar a sua opção. Vamos então ao mais recente: o encerramento da Alitália. O governo italiano já tinha injetado 900 milhões de euros na Alitalia quando decidiu fazer o que Rui Rio sugeriu para a TAP. A Comissão Europeia autorizou o encerramento da Alitalia e a abertura de uma nova companhia (a ITA) mas… esta nova companhia só podia ficar com 52 aviões (a TAP ficou com 96) e tinha de prescindir de 57%, dos slots no seu hub, o aeroporto de Roma (a TAP só teve de prescindir de 5% dos seus slots). Mas esta nova companhia aérea não ficou isenta de custos. O Estado Italiano perdeu os 900 milhões de euros que já tinha injetado na Alitalia e ainda terá de injetar 1350 milhões na nova companhia aérea ITA. Portanto, 2250 milhões de euros para ficarem com uma Alitaliazinha. Portugal continua com uma TAP.
Cumprimento Rui Rio por ter tido a audácia de dizer o que teria feito como Primeiro-Ministro, mas fica claro o seu nível de impreparação para o cargo.
Pedro Nuno Santos
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