Nestes momentos de exaltação do mercado eleitoral há que distinguir produtos. Mesmo nas antiga Feira Popular de Lisboa e do Porto comprar uma rifa que saía de uma máquina que representava uma vidente não era a mesma coisa que ser assaltado por um bando de carteiristas.
Comprar a rifa é acreditar na bondade das propostas da Iniciativa Liberal. Ser assaltado por um gangue é acreditar que o Chega é uma organização política respeitável.
Do gangue estamos conversados. Haverá sempre adeptos e nalguns casos em multidão, casos do Trump e do Bolsonaro. É evidente que não se discutem ideias com quem grita “a carteira” e tem uma navalha. Nesta campanha só o doutor Rui Rio o fez, porque se perdeu e julga que uma naifa é um tipo de francesinha.
Resta a Iniciativa Liberal. Indo ao básico, a iniciativa liberal são os meninos de Deus, ou as Testemunhas de Jeová do neoliberalismo, a religião dos predadores, instituída em Chicago, por um guru chamado Milton Friedman, e que teve como executores principais Margaret Tatcher em Inglaterra, Pinochet no Chile, mas também os generais brasileiros e os argentinos.
O neoliberalismo tem como foco a política monetária (banca e especulação). A teoria defende pouca ou nenhuma presença do Estado na economia e oferta de papel-moeda (dinheiro virtual a base da inflação que come os rendimentos do trabalho e remunera o capital especulativo, o que não estimula a produção de riqueza).
Em traços muito largos o que a Iniciativa
Neoliberal propõe é o seguinte:
As políticas públicas devem ser avaliadas não pela sua intenção, mas pelo resultado obtido – uma falácia. Em que medida se podem avaliar os resultados de políticas associadas a direitos como a educação, a habitação, a saúde? Não é por acaso que os Estados Unidos importam agora cientistas e técnicos qualificados, que a pobreza cause gravíssimas tensões sociais que exigem enormes despesas em polícias e sistemas de segurança. E como avaliar o resultado das políticas militares? Por exemplo!
Quanto a políticas sociais, Milton Friedman dizia, por exemplo, que o aumento do salário mínimo excluía pessoas com pouca qualificação do mercado, principalmente devido à falta de preparação delas. Uma falta de qualificações que elas não podem adquirir porque não há políticas publicas de educação (A IL propõe o fim da gratuidade do ensino qualificado);
Numa das obras mais conhecidas, “Capitalismo e Liberdade”, Friedman defendeu outras ideias, como a abolição da licença médica e a distribuição de cupões escolares.
O resultado da Iniciativa Liberal no Chile de Pinochet feito por Steve Hanke, professor que assessorou diversos governos latino-americanos: " A desregulamentação financeira levou o Chile a uma crise na década seguinte ". Segundo Óscar Landerretche, da Universidade do Chile. na ditadura neoliberal, "não havia seguro de saúde universal, seguro-desemprego, gratuidade no ensino superior, nem pilares solidários no sistema de previdência".
As políticas neoliberais causaram uma feroz concentração de riqueza, um efeito pretendido, mas sempre escondido. Apenas um pequeno grupo movimenta ainda hoje a economia e obtém privilégios.
Noah Smith, colunista da agência Bloomberg, resumiu o resultado da receita da Escola de Chicago em novembro do ano passado. "O crescimento do PIB real per capita no Chile sob Pinochet foi de 1,6%. O crescimento do PIB real per capita no Chile nos 17 anos posteriores a Pinochet chegou a 4,36%. Pinochet está bastante superdimensionado"...
O Cotrim anda a vender gato por lebre. A cartilha é um conto de adormecer crianças e o ilusionista apesar da casaca e do chapéu anda a vender barretes.
Carlos Matos Gomes
Sem comentários:
Enviar um comentário