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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

A Inglaterra dos Monty Python:

A Inglaterra tem o seu sistema político. Só existe ali e não se parece com mais nada no mundo. É uma espécie de democracia. A democracia tem várias espécies e a inglesa é uma delas. É a deles e eles estão satisfeitos e isso é que interessa.
Por razões pessoais tenho uma relação antiga com ingleses e a Inglaterra.
Os ingleses não são cidadãos, são súbditos que têm o direito de manifestar a sua opinião à casta dirigente. Na democracia inglesa os súbditos têm os mesmos direitos do soberano: serem informados e a aconselharem. É o único ponto de igualdade britânica.
Vem isto a propósito de eu considerar que o sistema de representação dos ingleses corresponde neste momento perfeitamente à sociedade inglesa, ao que a Inglaterra é.
Na realeza, depois das atribulações do romance Charles – Diana, que ainda hoje enche páginas de revistas de cabeleireiros, surge agora o caso do príncipe que ia às meninas na América.
As promiscuidades reais são reais e as atuais comprovam que a Inglaterra preserva as tradições. O Henrique VIII dos divórcios e decapitações não ficaria desapontado. Nem o rei Carlos, que foi casado com a portuguesa Catarina de Bragança e que tinha tantas amantes a quem levava flores que a portuguesa proibiu que se plantassem flores nos jardins do palácio. É por isso que no Green Park ainda hoje não há flores. Em resumo, a atual Royal Family não desmerece os antepassados. A monarquia segue firme.
Quanto ao primeiro-ministro, o chanceler, as festarolas after hours do Boris Johnson são um sinal de boa tradição. Os ingleses quando estão confinados, bebem. E, devido ao clima, os ingleses estão muitas vezes confinados e bebem muito. O local de confinamento tradicional é o pub. Ora, se os ministros não podem ir ao pub, vai o pub ao número 10 de Downing Street! Elementar, caro Watson. Que Borris Johnson tenha organizado uns parties enquanto havia luto pela morte do marido da rainha, só revela que Boris Johnson conhece a história e tem sentimentos de bom súbdito: os funerais dos antigos monarcas e afins duravam dias e eram acompanhados de libações populares. Bebe-se para esquecer. Dá-se de beber à dor.

À Inglaterra, perdido o Império, perdida a indústria, perdida a ligação ao continente europeu, perdidos os Beatles, perdidos os clubes de futebol para oligarcas russos ou antigos cameleiros agora príncipes do petróleo, resta-lhe reconverter tradições. Recriar-se em parque de diversões! Uma Borislandia, por exemplo. Os Monty Phhyton já tinham previsto estes regressos ao passado e o Boris Johnson dava um bom modelo para o novo John Bull em versão alucinada!

Carlos Matos Gomes 

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