Rádio Freamunde

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domingo, 11 de abril de 2021

Bora deportar o Ivo Rosa? E esfolar o Sócrates? E, de caminho, vamos promover o José Gomes Ferreira, a Ana Lourenço, o Paulo Morais, a Joana Amaral Dias e mais uns quantos a Juízes da Relação, do Supremo, quiçá mesmo, do Constitucional? Bute?


Tenho para mim que o excesso pode estragar. Gordura é boa se não for em excesso, a curiosidade é boa se não for em excesso, atingir a perfeição é um bom objectivo mas tornar-se-á uma pancada se for demais. E por aí vai.

Por exemplo, excesso de informação é uma fonte de confusão. Excesso de informação na comunicação social, excesso de informação nas redes sociais. Informação não filtrada, não processada, informação que não é nada, apenas lixo, informação a granel e em permanente atropelo. A quem aproveita tamanha enxurrada, tão carregada de detritos? Creio que a ninguém. Informação de qualidade que calhe acontecer vai de arrasto no meio da lama e do lodo que segue na torrente.

Vamos de canal em canal e todos estão cheios de gente a comentar o caso Marquês, sentenciando a torto e a direito como se pudéssemos prescindir da Justiça e substituir as suas instâncias pelos milhares de opinadores que, sem hesitação, se arrogam o direito de tecer teorias sobre o que apenas conhecem dos jornais e das redes sociais.

Conhecem o processo aqueles que opinam com tanta assertividade e ar tão clarividente? Presumo que não. Têm alguns conhecimentos jurídicos? Grande parte não tem.

E, no entanto, jornalistas que nunca ninguém viu mais pintados/as e que espumam raiva pelos olhos, palermas com a mania que têm competência para chefiarem governos e que, tanto opinam como economistas (fingindo que o são) como causídicos simulando grandes conhecimentos na área, putativas psicólogas que dariam tudo para se poderem apresentar de biquini com a depilação brasileira bem à vista, ex-candidatos à presidência da República em quem apenas a família votou e que de leis conhecem tanto como o cão dos meus vizinhos que ladra, ladra mas que, juraria, não leu as milhares de páginas do processo nem cursou leis -- e todos comentam, todos criticam, todos ajuízam.

Qualquer das pessoas que se apresenta na televisão queixa-se que nunca tal se viu, que tudo isto é incompreensível, e criticam iradamente Ivo Rosa por lhes ter trocado as voltas. Acabei de ver um, transtornado, a dizer que não percebe nada disto... e, ouvindo-o, até parece que a culpa é disto. Se, por acaso, um cirurgião tiver dificuldade em fazer um transplante complexo e perguntarem ao Joselito Gomes Ferreira, à Amaral Dias e a tutti quanti o que acham disso, provavelmente, também todos se sentem à vontade para tecer considerações, para dar palpites, para invectivarem o cirurgião por não tornar a operação mais simples para que eles possam perceber. E uns, sem qualquer sombra de dúvida, dirão 'se fosse eu aspirava o fígado por uma palhinha', outros não terão dúvidas que o que deveria ser feito era 'injectar um par de pulmões pelo rabo acima'. E a Ana Lourenço e outros e outras jornalistas farão olhares sentenciosos e justiceiros, pedindo sangue, mais sangue, que se esfole o Sócrates, o Ivo Rosa, todos os ricos e poderosos, mas que se esfolem vivos, e, de passagem, quiçá também mais uns e umas que para aí andam a dizer que à Justiça o que é da Justiça.

Enfim. Um desespero assistir a isto.

E, assim sendo, por ora, sobre o tema é o que tenho a dizer. Estou de ressaca tal a overdose de comentários e opiniões a que tenho estado sujeita. Portanto, se me permitem, vou arejar. 

Até já.

sábado, abril 10, 2021

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